Diário Número 26
DIÁRIO DE BORDO DO FIU Nº26
Luis e Astrid já estão em Perth, Western Australia, desde o dia 14 de maio. Foram três dias de viagem, muito cansativos, mas bem divertidos, com um pernoite em Santiago do Chile, uma escala em Auckland e um dia inteiro para passear em Sidney. Agora eles já compraram um carro, alugaram uma casa, solicitaram um telefone fixo e até já colocaram os filhos na escola, o que lhes confere o status de verdadeiros residentes locais. Enquanto isso Eileen e eu estamos ultimando os preparativos para a nossa viagem. Costumávamos brincar com os amigos que trabalhamos duro para outros fazerem exatamente aquilo que gostaríamos de estar fazendo. Mas como diz o velho ditado, araruta tem seu dia de mingau. Estamos nos sentindo como se fossemos dois iniciantes, vibrando a cada vez que cortamos um item da interminável lista de tarefas, embora que para cada um que cortemos, parece que sempre aparecem mais dois novos. O MC28 Fiu foi construído para realizar longos cruzeiros. Para começar, o projeto foi desenvolvido como se fosse o funil de uma ampulheta. Usamos toda a experiência adquirida nos modelos que projetáramos até então, para dotá-lo com o máximo das qualidades que aprendêramos a embutir em nossos projetos anteriores. Todas aquelas coisas que só o tempo ensina. Uma vez o projeto concluído, eu um amigo, Roberto Ceppas, resolvemos construir dois destes barcos, os dois veleiros que ao serem concluídos, iriam se tornar verdadeiros ícones da classe pelo impressionante número de pessoas que nos visitaram durante a construção: o Makay e o Fiu. Estávamos então instituindo um marco na história da RBYD. A partir de então, todos os nossos novos projetos de uma forma ou de outra tiraram proveito dos progressos incorporados ao desenho do MC28. Quando os primeiros Multichines 28 começaram a navegar, a fama do modelo foi lá para as alturas, e a classe foi se tornando uma referência em relação a barcos de cruzeiro para construção amadora. Eileen e eu queríamos realizar grandes cruzeiros com o Fiu, o mais ambicioso deles sendo uma volta ao mundo de oeste para leste. Por vários motivos isso acabou não acontecendo, mas mesmo assim o Fiu realizou algumas viagens pelo litoral brasileiro, tendo ido e voltado do Rio de Janeiro até Santos e duas vezes até o nordeste, sempre mostrando bom desempenho e muito conforto para um barco de seu porte. Consideramos estes testes como sendo suficientes para sentirmo-nos confiantes para empreender a nova aventura. Como temos um monte de companheiros em nove paises diferentes, navegando ou construindo veleiros de nossa classe, alguns deles também querendo realizar longos cruzeiros, sabemos que muitos estão nos acompanhando com interesse, e isso é um grande incentivo para nós. Por esse motivo vamos voltar a editar os diários de bordo do Fiu com regularidade, e estaremos à disposição de nossa turma, pelo e-mail info@yachtdesign.com.br para trocarmos idéias sobre a preparação. |