Diário Número 27
DIÁRIO DE BORDO DO FIU Nº27
Parece óbvio agora, mas a escolha do modelo foi uma das decisões mais importantes. Qual tamanho deveria ter o barco escolhido? Seria ele monocasco ou catamarã? A opção pelo projeto do MC28, uma escolha sob medida uma vez que nós mesmos elaboramos o projeto, se deveu principalmente ao tamanho de nosso bolso. Que risco enorme seria iniciar a construção de um barco para o qual não tivéssemos os recursos necessários para concluir a obra, como seria o caso de um monocasco maior ou um catamarã de cabine central, por exemplo. O projeto do MC28 foi definido para que um casal de classe média pudesse ter um barco para fazer travessias oceânicas ou morar a bordo com conforto e segurança e com capacidade para levar mais outro casal, e que pudesse ser construído custando o mínimo possível. Se uma pessoa não tem renda compatível com a despesa que o barco escolhido irá lhe ocasionar, esse barco não será apropriado para o uso desejado. Tenho visto clientes nossos construírem seus barcos e depois não terem recursos para adquirir o motor correto ou as catracas de dimensões compatíveis com a área vélica do modelo. Esses barcos geralmente não conseguem fazer o que seus donos sonharam, e isso é um abacaxi, pois nem valor de revenda estes cascos tem. Sempre pensando em ajudar todo mundo a realizar seus sonhos, desenhamos o MC26C que apresenta uma diferença mínima em adequação e é bem mais barato, e o MC 23 que é bem mais barato ainda, só perdendo a vantagem das pessoas poderem ficar em pé dentro da cabine, e ter um layout interno mais espartano. A classe MC28 é bem conhecida por suas características de veleiro de cruzeiro oceânico, por isso acho que só vale a pena comentar sobre alguns tópicos que geralmente são negligenciados, e que no caso do Fiu estão sendo levados a sério nos preparativos para a viagem. No momento estamos instalando um isolamento térmico no interior do barco, que no caso do ply-glass não é por si só suficiente para utilizá-lo em clima frio. O compensado aparente no lado de dentro do costado está sendo revestido com material isolante, o que deixará o interior muito mais aconchegante, tanto sob sol forte quanto frio intenso. Na Nova Zelândia pretendemos instalar um aquecedor a óleo, e aí então o interior ficará perfeito para agüentar o frio do inverno naquele país. Outro assunto que requereu uma atenção especial foi economia de energia. Instalamos uma luminária LED para iluminar a cozinha, deixando as halógenas do teto apenas para quando tivermos hóspedes a bordo e quisermos deixar o barco o mais claro possível. Além disso, adquirimos uma luz de ancoragem LED que será instalada na targa de popa, e servirá como sobressalente da luz de navegação e ancoragem do tope do mastro em caso de uma pane nesta. Havendo necessidade de poupar energia e quando estivermos ancorados, será a nova lâmpada que será ligada. Estamos também fazendo uma vedação sob pressão da tampa do compartimento da caixa de âncora, que do jeito que está no momento, permite que muita água entre por ali quando o convés está sendo varrido em dias de mau tempo. Além disso, estamos instalando uma balsa de salvatagem categoria oceânica, o item mais difícil de ser adquirido. Ela nos foi dada de presente por nosso amigo e co-autor do livro ‘As Fantásticas Aventuras do Maitairoa’, Roberto Alan Fuchs. Balsa é uma coisa que se deseja nunca precisar dela, mas saber que está ali da uma tranqüilidade...! A lista de tarefas é muito extensa, passando pelo kit de remédios, cartas eletrônicas, vistos em consulados, e por aí vai. Esta fase de preparação parece que já nos coloca no clima da viagem, e Eileen e eu achamos tudo isso muito divertido. A nossa galera que desejar saber mais detalhes sobre a preparação, está convidada a trocar idéias com a gente pelo meu e-mail particular, robertobarros@hotmail.com. Só tenho lido as mensagens do fórum, sendo que quem está participando, e no momento atendendo às consultas, é o Luis, antenado lá de Perth, Austrália. Até chegar na Nova Zelândia ficarei apenas cuidando da viagem, que espero venha trazer grande aprendizado para o escritório. |