Clube do Multichine 28 | Primeira Página
por Vera Galvão
Velejar é um aprendizado especial, mas certamente há barcos, mais que outros, que facilitam e possibilitam passeios inesquecíveis. O Sabadear, um Multichine 28, é um deles.
A primeira vez que sai no Sabadear tive a impressão de ser a personagem de um cruzeiro de um filme publicitário dos bons. O mar, o vento e o sol estavam na medida certa, tudo hiperconfortável. Imaginei: deve ser a recepção dos deuses para incentivar os marinheiros de primeira viagem.
Muitos outros passeios aconteceram da mesma forma. O barco sempre navegando com firmeza, segurança e com uma tranqüilidade soberana em ventos de até 12 nós.
Na mesma ocasião, um casal amigo nos convidou para sair no seu veleiro de 34 pés e com as mesmas condições de vento. Foi árdua a tarefa de navegar, um trabalho duro para toda a tripulação. Ninguém podia ficar parado um segundo. Todo o tempo era ocupado nas infindáveis regulagens, no caça aqui e caça lá. Pensei: essa equipe não vai resistir a tanta pressão e ri. A impressão era de que o naufrágio era iminente. O barco teve que ser domado a unha.
Depois de acabada a aventura, brincamos com nossos amigos que no Sabadear tudo era completamente diferente. Nessa mesma situação, nós estaríamos tomando uma cervejinha e curtindo o mar, pois o Multichine 28 andava sozinho, sem depender da tripulação. Claro que esta foi uma conclusão cruel para os nossos amigos, contudo justa.
Todos juntos repetimos o passeio no Sabadear para ser tirada a prova. Ao final, depois de mais um passeio sem stress, só aproveitando os bons ventos, os nossos amigos declararam: "tá certo, vocês têm razão, o barco não precisa, como o nosso, de uma tripulação permanentemente atenta. O Sabadear anda sozinho ".