Multichine 26C Geko pega carona em tapete mágico

Foi publicada nesse mês de janeiro essa foto de gozação no fórum de náutica mais popular da Turquia. O barco em questão é o Geko, construído por nosso cliente Ömer Kirkal, de Istambul no quintal de casa, com a ajuda de sua esposa.

O barco mal acabou de ficar pronto e num papo local da marina onde está estacionado, Ömer recebeu o desafio de um velejador que acabara de adquirir um barco de série de fabricação francesa, também com vinte e seis pés de comprimento, para fazer um pega entre eles na primeira regata do ano, ficando combinado que quem perdesse pagaria a rodada de chope para a galera. Olha só, o barco de série é aquele dentro do círculo vermelho. Como foi outro cliente nosso, Ekin Tanulko, que se prepara para iniciar a construção de um Pop 25, quem nos contou essa história, e não sabemos falar uma só palavra em turco, sem acompanhar o fórum, acabamos sem entender direito a gozação. O que Ekin nos contou foi que apesar do "banho turco" que o Geko deu no outro barco, ainda houve algum problema com a retranca e a vela grande teve que ser controlada com os cabos de fortuna vistos na foto. Como o C de Multichine 26C significa Cruzeiro, é melhor que Ömer não aposte de novo a rodada de cerveja, pois da próxima vez o gênio da garrafa pode se recusar a aparecer.

Geko dando um "banho turco" em seu desafiante mostrado dentro do círculo vermelho. Vejam como o MC 26C feito em casa ficou bem acabado!

Que o Geko foi construído com todo o capricho necessário para ser uma casinha flutuante, isso ficou provado na galeria de fotos que Ömer nos enviou, inclusive em uma delas mostrando sua esposa instalando pastilhas de azulejo na parede do banheiro, mas como não sabemos qual é o barco de série do desafio, ficamos sem saber se ele é mais de cruzeiro ainda. Mas o que importa é que o Geko acabou ganhando a regata.

O casal Kirkal tem motivos para comemorar. Se mesmo com pastilhas coladas à parede do banheiro o barco ainda anda o bastante para vencer uma regata de clube, agora eles já podem ter certeza que o MC 26C é um é um veleiro veloz. Foto: Ömer Kirkal

Se você visita regularmente nosso site deve se lembrar da matéria que escrevemos sobre construção amadora que foi tema de um programa especializado em náutica da televisão turca, no qual Ömer e sua esposa Firuzan são entrevistados pelo apresentador do programa em três vídeos seqüenciais muito bem produzidos. Infelizmente para nós do escritório que não conhecemos uma só palavra em turco, a única coisa que conseguimos entender foi Roberto Barros Yacht Design. (Veja matéria em Todas as notícias: MC26C Geko é tema de programa na televisão da Turquia)

***

Só sabemos notícias dos barcos que nossos clientes constroem quando eles nos contam, mas temos contato com alguns construtores de MC26C que estão com seus barcos praticamente concluídos, quase prontos para serem inaugurados. Acho que o tapete mágico que ajudou o Geko a fazer esqui aquático no Mar de Mármara vai ajudar a animar a galera de construtores de vários países que está vindo em seguida.

O MC26C é um autêntico barco de cruzeiro com 1.85m de pé direito, banheiro com chuveiro e conforto interno mais facilmente encontrável em barcos com mais de trinta pés. Saber que ele veleja rápido é um bônus extra. Renderização: www.ideebr.com

Esse ano de 2012 deverá ser o ano da confirmação do MC26C como um modelo que pode resolver o desejo de muita gente de ter seu barco de oceano. Tanto quanto sabemos todos os nossos clientes que estão terminando suas obras são construtores amadores, e todos eles com quem mantemos contato regularmente nos informaram que foi um sentimento de grande realização terem construído seus barcos com as próprias mãos.

Anauê, é um MC26C que foi construído no interior de São Paulo e está praticamente pronto para ir para a água, faltando somente a instalação de quilha, linha de propulsão auxiliar e leme. Como ele, vários outros barcos da classe estão prestes a serem inaugurados.

O MC26C foi um projeto que fizemos com a intenção de provar que um barco de 26 pés pode ser confortável e seguro para poder fazer qualquer tipo de cruzeiro oceânico Agora com os primeiros barcos da classe ficando prontos e entrando na água será possível confirmar o grau de acerto de nossa tentativa. Comparando com o barco de série dentro do círculo na foto que nosso amigo nos enviou, além de ter velejado muito mais rápido, o MC 26C estava navegando muito menos adernado do que o outro barco.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 26C


Pop 25. Falta pouco para o Horus ser inaugurado

Bons ventos estão soprando desde a Argentina para a nova classe Pop 25. Nosso construtor pioneiro, Daniel D'Angelo, de City Bell, o pólo de construção amadora em Buenos Aires, acaba de atualizar seu site, mostrando as últimas fotos da construção do Horus.

A plataforma de popa do Pop 25 é suficientemente larga para ser usada como beliche em uma noite estrelada de verão. Foto: Daniel D'Angelo

Como todos os equipamentos e ferragens especiais já estão adquiridos ou fabricados, agora o que fica faltando fazer são os acabamentos, aplicar fibra de vidro na superestrutura, pintar o barco e fazer as instalações de ferragens e equipamentos.

O Cockpit do Horus se destaca por seu conforto e funcionalidade. A instalação de um dodger na saída da gaiuta irá proporcionar uma proteção extra a quem estiver sentado junto à parede de ré da cabine. Foto: Daniel D'Angelo

Enquanto a construção do barco avançava foram construídas simultaneamente as duas quilhas. Como foi mais fácil para ele, Daniel optou por construir os bulbos em ferro fundido, fixando-os às chapas da quilha por meio de parafusos de 20mm de diâmetro soldados à chapa. Como ferro fundido pesa um pouco menos do que aço, as quilhas ficaram ligeiramente mais leves do que o projeto, mas ainda dentro da tolerância. Levando em conta que as peças não são tão grandes assim, não será problema galvanizá-las a quente, tornando-as praticamente livres de manutenção por muitos e muitos anos.

Nessa foto as quilhas já estão prontas para receber a proteção anti-corrosiva, exceto pelos flanges de fixação ao fundo do barco, que a essa altura ainda não tinham sido soldados. Foto Daniel D'Angelo

Daniel nos trouxe informações muito animadoras sobre o modelo. Ele nos disse que teria construído o Horus em quatro meses corridos não fosse seu trabalho formal, e que o que mais o impressionou foi a facilidade de construção. Ele retorna à Argentina em fevereiro, e como seu interesse é regata, já espera participar de um campeonato em La Plata, onde o barco ficará estacionado, logo em seguida
É difícil para um projeto novo fazer uma carreira vitoriosa logo de saída. Afinal existem tantos lançamentos de barcos interessantes, que a concorrência sempre será muito grande. No entanto o Pop 25 tem dois fatores que podem fazer a diferença: a rapidez de construção, já demonstrada por Daniel, e seu baixo custo. Se um barco é barato e fácil de fazer, sendo um bom veleiro, a chance ser bem sucedido é muito grande. Daniel informou que o Horus custou, sem motor, U$15.000, isso sem subsídios, exceto pela mão de obra, uma vez que é construção amadora. O custo de vida na Argentina pode estar barato, mas mesmo assim é um preço incrivelmente baixo. Outra coisa que nos informou é que não se imagina como ele é volumoso por dentro. E o isolamento térmico também foi muito elogiado. Buenos Aires está sofrendo uma onda de calor fora do normal e para seu espanto, o interior do barco está sempre fresquinho.

***

Enquanto nosso amigo vai concluindo sua obra, de nossa parte também continuamos totalmente envolvidos com o projeto, que é a menina dos olhos do escritório no momento. Apesar de o projeto ser um de nossos mais recentes, aproveitando o entusiasmo de Daniel para competir com o Horus, resolvemos aproveitar que o Pop 25 não possui estai de popa para envenenar um pouco mais a vela grande, fazendo um top horizontal, dessa forma melhorando o shape da vela em sua parte de cima. Outra vantagem de utilizar esse recurso é que no vento forte a parte superior da valuma se abre para sotavento, funcionando como uma válvula de escape para excesso de pressão na vela. Ora, não ter estai de proa e não tirar proveito disso é um vacilo. Afinal nosso projeto apesar de ser um veleiro de cruzeiro, sua previsão de desempenho é muito boa.

Novas figuras renderizadas irão mostrar detalhes da construção do Pop 25 com a maior clareza. Aqui está ilustrada a tampa do tanque d'água informando que ela é aparafusada e colada ao tanque.

Outro esforço que está sendo realizado para ajudar a galera que já adquiriu o projeto é ampliar as ilustrações do roteiro para tornar mais claro ainda o processo construtivo. Para isso nosso parceiro Murilo Almeida fez a construção virtual do barco, que não só serviu como uma super-revisão, como também tornou a construção mais clara ainda. Daniel não precisou desses recursos, mas que o pessoal que vem em seguida irá gostar das novas ilustrações, disso não temos a menor dúvida.

O novo plano vélico tornou a vela grande bem mais veloz fazendo melhor aproveitamento de sua parte superior.

Se você quiser visitar o site do Horus basta clicar em Pop25 Horusem nossa página de links, coluna da esquerda, de preferência clicando na bandeira argentina, pois espanhol é a língua que ele atualiza primeiro, e em seguida clicar em Horus.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Southern Voyager 28 em versão Curruira

Foi para a água o Maroubar de Avelino Cruz, de Itacuruçá, Rio de Janeiro. Esse é um Southern Voyager 28 modificado pelo estaleiro Flab, de Campinas, www.flab.com.br, para o estilo de cabine que denominamos Curruíra. O barco ficou o máximo, e pelo vídeo pode-se constatar um sorriso de felicidade estampado no rosto de nosso cliente, Avelino Cruz.

O barco está andando que nem um foguete e seu volume interno é impressionante para um casco de vinte e oito pés. Foi uma mágica o que construtor Flavio Rodrigues conseguiu realizar. Esse bom resultado nos incentivou a produzir um modelo nos mesmos moldes, a Curruira 33, que será lançada em breve.

Os trawlers de deslocamento têm tudo a ver com os novos tempos. Com um motor pequeno e um consumo de combustível bem baixo, o prazer que proporcionam não está na velocidade de planeio, uma sensação de realização com méritos bem relativos e no mínimo um custo desproporcioal, mas sim na possibilidade de fazer cruzeiros de longa distância com muito conforto. O vídeo que Ivan Rodrigues, filho do Flávio, produziu, ficou uma delicia, pena que só seja de um minuto e meio.

Agora nossa esperança que o novo projeto, a Curruira 33 faça uma carreira bensucedida ficou mais consolidada, pois ela será uma versão aumentada do trawler do Avelino Cruz.

Avelino Cruz experimentando o posto de comando

Dá para imaginar que essa cozinha pertence a um trawler de 28 pés?

Clique aqui para saber mais sobre o projeto do Southern Voyager 28


Explorer 39. A viagem meteórica do Caroll

Nosso amigo Hélio Vianna publicou em seu blog: www.maracatublog.com, essa bonita matéria sobre a viagem de volta ao mundo que está sendo realizada por Raimundo Nascimento a bordo de seu veleiro Explorer 39 de quilha retrátil Caroll. Vejam que história interessante:

“Quando o baiano, lá de Juazeiro, Raimundo Nascimento viu o projeto do Explorer 39 na prancheta do escritório de Roberto “Cabinho” Barros , no Rio de Janeiro, foi amor a primeira vista. Era tudo o que ele precisava para realizar um projeto de mais de 20 anos: um veleiro de 12 metros, de quilha retrátil, pensado para navegações em solitário. Daí para a construção no Estaleiro Estrutural, de Marcos Toledo, em Cabo Frio, foi um pulo. Em 2010 o Caroll foi entregue tinindo de novo e equipado para a tão sonhada empreitada.

Raimundo soltou as amarras do Caroll no Iate Clube do Rio, em 23 de abril de 2011. Nas despedidas estavam o Thadeu, do veleiro Aya, e Ricardinho, do Seachegue, coincidentemente ambos projetados por Cabinho. Agora, enquanto digito este post, o barco já está em Port Elisabeth, na África do Sul. Conversei por telefone com o marinheiro Raimundo, que está em São Paulo e volta pra África no próximo dia 20 para retomar a jornada.

O plano, se “O Criador” assim o permitir, é só fazer escala em Cape Town para depois fechar o círculo no Rio. Quando Raimundo terminar sua epopéia, note que “é um projeto em andamento”, com 62 anos, ele será o mais velho lobo do mar brasileiro a completar uma circum-navegação em solitário. E em apenas 11 meses! Será um recorde.

Mesmo numa viagem meteórica como esta, passou pela quilha do Caroll quase a mesma quantidade d´água que molhou o Vagabundo, do navegador boa-praça Hélio Setti Junior, que junto com os livros do também baiano solitário Aleixo Belov e do Cabinho, são leituras obrigatórias a bordo. Água salgada e  muitas moções passaram pelo coração do comandante. Como a chegada em Nuku Hiva, nas Marquesas, depois de 31 dias solitários no mar. Ou a comemoração do seu aniversário de 62 anos em Cocos Keeling, um dos territórios da Austrália – “na realidade um atol de corais recoberto de coqueiros”. Ou ainda a tentativa de abordagem por mascarados, a 120 milhas do través da Ilha de Suman, na Indonésia. Um sufoco! A sorte é que o Caroll, navegando a 10 nós com velas e motor na rotação máxima, foi mais rápido que o decrépito pesqueiro atulhado de “pescadores oportunistas”.

A experiência náutica de Raimundo vem desde 1979, quando prestou exame para arraes amador. Das viagens longas, ele participou da edição de 2003 da Eldorado Brasílis Vitória – Trindade, a única regata realmente offshore em águas tupiniquins, e no ano seguinte fez a Refeno, no Delta 36 também chamado de Caroll, quando fez em solitário do Cabanga Iate Clube a Salvador. Cedo ele descobriu que esta seria sua sina: a esposa Solange costuma enjoar, mesmo em trechos curtos como de Ilhabela a Angra.

“O barco foi muito bem projetado e construído, o casco é em fibra de vidro maciça até a linha d´água, o resto é em sanduiche de CoreCell [até a mobília! – grifo meu]. Mas o Caroll não é um barco leve: das 10 toneladas de deslocamento, uns 3700 quilos vão no lastro e na quilha retrátil, um achado para navegar em águas rasas”, me respondeu um empolgado Raimundo, pra completar: “nossa média tem sido de 6 nós e fiquei impressionado com o comportamento do barco na capa, com ventos de 40 nós, manobra que realizei pela primeira vez na vida”.

Na mesa de navegação, entre outros equipamentos, o Caroll leva um rádio de longo alcance SSB e telefone por satélite, mais um radar de ultima geração que junto com o hoje indispensável AIS – mesmo passivo, que não transmite a posição –, permite o comandante dormir, em mar aberto, “por quatro horas seguidas”. Só aqui entre nós, Raimundo me confessou que já chegou a dormir por seis longas horas! Só não colocou o pijama, ficou de roupa de tempo, pronto pra qualquer coisa.

Pra finalizar nosso longo bate-papo (obrigado, TIM, pela graça alcançada a R$ 0,25 – mentirinha, foi ele que me ligou), Raimundo ainda frisou que “o verdadeiro herói da travessia em solitário é Aleixo Belov, que navegou na base do sextante. Eu até pensei em parar na escala que ele fez numa ilha na Barreira de Coral, mas como não estava cansado e controlava bem o rumo do barco com os instrumentos a bordo, achei mais perigoso ancorar do que continuar”.

Esta e muitas outras passagens o Raimundo vai contar num livro, que já está escrevendo e que terá toda a renda revertida para uma instituição que cuide de crianças em tratamento de câncer. Enquanto o livro não sai, você tem uma palhinha no blog do Caroll, lá no portal veleiro.net.

***

No ano passado já tínhamos publicado em nosso site, www.yachtdesign.com.br,  uma matéria sobre essa viagem (leia em “Todas as Notícias” em nosso home-page: “Explorer 39 Caroll - Volta ao mundo”), e agora pretendemos colocar uma nova comemorando a realização de mais esse feito conseguido por um barco projetado por nosso escritório. Essa viagem está nos emocionando bastante, pois Raimundo é uma pessoal muito especial. Nossos agradecimentos ao amigo Hélio Vianna por nos ter autorizado publicar sua matéria

Clique aqui para saber mais sobre o projeto do Explorer 39


Samoa 34 Luthier conclui o circuito do Atlântico

Mais um feito importante foi realizado por um veleiro projetado por nosso escritório. Dessa vez foi o Samoa 34 construído pelo casal Dorival e Catarina Gimenes, no jardim de sua casa em Campinas, Estado de São Paulo, que acaba de completar o circuito do Atlântico, o cruzeiroa mais agradável que se possa realizar por esse oceano. Essa viagem é um sonho de vida para inúmeros velejadores de cruzeiro, e no caso deles foi o resultado de muito esforço e planejamento. O cruzeiro se iniciou com a subida da costa brasileira, passando pelo Caribe e Açores, para em seguida chegar à Europa, tendo Portugal como portal de entrada. O retorno, realizando segundo a forma clássica, seguiu a rota via Madeira, Canárias e Cabo Verde. Uma viagem longa e bem sucedida como essa não é resultado de um acaso, mas um atestado de competência e determinação, e isso o casal Gimenes tem de sobra, sendo um exemplo para outros que desejem fazer a mesma coisa.

Luthier navegando no contravento em pleno Atlântico Sul. Essa foto foi tirada por outro participante na volta ao continente, após a vitória do Luthier na regata Recife-Fernando de Noronha de 2009. Foto: Dorival Gimenes

Vamos ser francos; talvez não exista nada mais gratificante do que você construir seu próprio veleiro de cruzeiro, somente isso já sendo um programa de vida. E então, se uma vez terminada a obra, sair oceano a fora, sendo o capitão de seu próprio navio, tendo a mulher amada como primeira oficial, aí nesse caso é a glória. Quando você chega como turista convencional aos recantos mais ambicionados pelos cruzeiristas, provavelmente, mesmo sendo um velejador experiente, nem irá conseguir sentar-se à mesa onde se juntam as tripulações para tomar uma cerveja e jogar papo fora, muito menos ter o que dizer, no caso pouco provável de ser convidado a juntar-se ao grupo. Com Dorival e Catarina foi exatamente esse sonho, o de se sentirem mestres dos seus próprios destinos, e membros de uma tribo de gente com a mesma cabeça, que foi realizado. Nossa impressão é que a aventura do valente casal superou todas as expectativas e que eles devem estar se sentindo para lá de amplamente realizados.

O casco do Luthier foi construído sob aquela cobertura à sua proa, anteriormente usada como garagem, em sua residência num distrito de Campinas, São Paulo. Essa foto foi tomada no dia em que o barco foi puxado para o jardim. Qualquer construtor amador teria motivos de sobra para se sentir orgulhoso por ter produzido um casco tão benfeito praticamente sozinho. Foto: Dorival Gimenes

Por esse feito Dorival e Catarina sem dúvida merecem ter o Luthier incluído em nossa galeria do Hall da Fama. Pelo blog delicioso que acompanhamos durante toda a viagem, estamos certos que foi um clímax na vida deles. Antes de partir Dorival nos enviou um e-mail onde conta um pouco da história do Luthier, e como o casal se preparou para essa grande aventura:

Em 2003, eu e minha esposa decidimos que iríamos nos preparar para morar a bordo de um veleiro, e empreender cruzeiros pela costa do Brasil. Para isso era necessário o preparo de diversos itens: finanças, família e certamente um veleiro adequado. Desejávamos um veleiro com boa capacidade de armazenamento de água, local para baterias, aposentos confortáveis, seguro, marinheiro, ou seja, um sonho, onde tudo começa.

O Samoa 34 Luthier é um dos barcos mais bem preparados para fazer cruzeiros oceânicos já fabricados por nossos construtores amadores. Foto: Dorival Gimenes

Tínhamos um bom veleiro de 33 pés, um projeto antigo, que não atendia nossas necessidades futuras e, sendo assim, decidimos procurar por um que pudesse ser reformado. Encontramos um Cabo Horn 35, feito de madeira moldada revestida com fibra de vidro e resina epóxi, muito bonito, mas, tinha algumas pequenas avarias no costado que eu não sabia avaliar. Entrei em contato com os projetistas da RBYD, Cabinho e Luis, e, enquanto eu tirava minhas dúvidas, algum felizardo comprou o barco. Esse evento fez com que o sonho se ampliasse, incluindo a construção do veleiro. Conversando com os projetistas, decidimos pelo Samoa 34. As plantas datam de 19 de junho de 2004. Um mês depois comecei a preparar os gabaritos e a laminar as duas primeiras cavernas da seção 0. Em 12 de dezembro de 2008, quase 4 anos e meios depois, seguidas todas as etapas previstas no roteiro, o Luthier foi lançado ao mar, faltando ainda a instalação de alguns itens de eletrônica e a montagem dos cabos das velas no convés, sem falar na arrumação de todas as nossas coisas, porque já viemos para morar a bordo. A construção amadora no quintal de casa sem ajuda profissional não foi uma opção, mas a única solução, porque morávamos em uma chácara distante 15 km da cidade, mal servida de transporte coletivo, o que dificultou a contratação de mão de obra. Contribuiu para a construção amadora do Luthier a minha experiência anterior com trabalhos manuais em madeira, utilizando apenas ferramentas manuais e elétricas portáteis. Para isso, optei por pré-cortar as madeiras e tupiar os strips em uma marcenaria, de acordo com as medidas da lista de materiais. Os estofados, ferragens, e fundição da quilha foram contratados de terceiros. O importante é realizar cada etapa da construção com bastante cuidado, para que o resultado final fique bom, e, como diz o Cabinho, sem atalhos. O acabamento do interior do Luthier é simples, mas bem adequado às nossas necessidades. A construção amadora, com ou sem ajuda profissional, ou em estaleiro, permite que o conhecimento que se tem da embarcação facilite em muito a futura manutenção. Pode-se ainda fazer pequenas alterações para melhor adequar a embarcação ao seu uso, desde que não altere a estrutura, a estabilidade, e, certamente, com a aprovação dos projetistas. O Luthier é o resultado de muito planejamento, estudo e dedicação, que materializou um projeto da RBYD, e que tem produzido comentários muito interessantes. Impressiona muito o pé direito da cabine e do banheiro; a cozinha é a preferência das mulheres por ser bem localizada, ampla, e com bons armários. Os velejadores gostam do convés limpo, e da organização dos cabos e ferragens. O lançamento do Luthier ao mar é a primeira parte do sonho. Agora vamos iniciar as rotinas de manutenção, melhorias, tentar manter a lista de tarefas administrável, e aprender a morar a bordo, porque já deu para perceber que barco não é uma casa.

Provisionar um veleiro para uma travessia mais longa é trabalhoso, mas é divertido. A empolgação pelos preparativos já faz parte do clima de partida iminente. Foto Dorival Gimenes

Morar a bordo, diferente da percepção de muitos leigos, deixa o dia cheio de atividades, com a manutenção, planejamento dos consumos de viveres, água, combustível e energia, acompanhamento das condições do tempo; quando sobra tempo, balançar em uma rede e, claro, velejar.

Estamos muito satisfeitos com o Luthier, fruto de um projeto cuidadoso, dedicado ao velejador de cruzeiro. Parabéns aos projetistas pelo desenho do Samoa 34.

Dorival

A bordo do veleiro Luthier

A trajetória do Luthier após a conclusão da construção foi rigorosamente a de seguir uma meta pré-estabelecida, e para segui-la o casal teve uma determinação de causar admiração. O primeiro programa mais ambicioso foi o de subir a costa brasileira de Parati até Recife, para em seguida participar da regata Recife-Fernando de Noronha. O e-mail que recebemos de Dorival nessa ocasião conta bem como foi esse primeiro teste:

Amigos e projetistas do Samoa 34, o Luthier é realmente um barco de cruzeiro rápido, e vocês podem se orgulhar muito por tê-lo projetado. Desde dezembro de 2008, quando ele foi para a água, só tem nos proporcionado alegria e bons resultados. Ganhamos a REFENO 2009 na nossa classe, Aberta B, e estamos conhecendo muitos lugares bonitos e interessantes da costa brasileira. Nossos relatos de viagem estão publicados no blog da página www.veleiro.net (blog.veleiro.net), administrada pelo comandante do Veleiro Yahgan, um Cabo Horn 35 que, feito há mais de 15 anos, navega tranquilo, tão novinho quanto o Luthier. Esses dois barcos são provas vivas de que a tecnologia utilizada, strip planking, é muito robusta e segura para construção amadora. Mas não é só isso, durante nossa viagem, encontramos muitos MCs de aço, Samoas 29, MC 28 de plyglass, Aladins etc... Aliás, conhecemos um MC 28, construído por um mergulhador de Vitória-ES, muito caprichado. Também vimos barcos do escritório feitos em estaleiros profissionais e artesanais.

Preparação para a largada da Refeno 2009 em frente ao Ponto Zero, Recife. Nessa altura do campeonato eles mal poderiam sonhar com serem os vencedores da regata em sua classe. Cortesia: Dorival Gimenes

Em todos os portos que vamos o Luthier desperta curiosidade. Sempre que dizemos que fomos nós que o construímos, as pessoas começam a olhar o casco, e ficam com aquela cara de dúvida e, invariavelmente, perguntam: mas é de madeira, mesmo? E lá vamos nós, mostrando o barco e as fotos da construção aos incrédulos. Em seguida, perguntam do tempo de construção, custo, dificuldade, etc, e finalmente, se minha mulher topa viver no mar. Para tempo de construção, custo, dificuldade, etc., eu tenho algumas respostas e indico o site do escritório, dentre outros, como referência. Já sobre minha mulher, digo que ela ajudou na construção, e adora nosso baby, como ela chama o Luthier. Dizem que os barcos têm alma, deve ser assim mesmo; o Luthier é inquieto, não gosta muito de ficar em “píers”, prefere poitas ou âncora, e gosta mesmo é de navegar. Viajar com o Luthier é muito confortável. Desenvolvemos velocidade média de seis nós, e, dependendo do mar, é claro, pode-se navegar a 7 nós, sem forçar nenhum equipamento. Com as velas bem ajustadas, o leme fica tão leve que o piloto automático quase não gasta energia para comandá-lo. Muitos outros cruzeiristas já me disseram que essa é uma característica típica dos projetos de vocês.

Mesmo sendo a casa de Dorival e Catarina, o Luthier é muito veloz para um veleiro de cruzeiro de 34 pés. Cortesia: Dorival Gimenes

Construir um barco e sair por aí cruzeirando, ou mesmo que seja para curtir os finais de semana, vale a pena, mas, têm que ter muita dedicação, planejamento, capricho, e controle da ansiedade e se conformar com o fato que, durante a construção, o escritório estará trabalhando e lançando novidades e atualizações nos seus projetos, o que vai causar certo desejo de mudança de idéia para um outro projeto, como ocorreu comigo, quando foi lançada uma nova versão do Cabo Horn 35.Vale a pena resistir. Terminar uma obra é uma sensação indescritível de prazer, e aí é que as opções de lazer se abrirão com um marzão a conquistar e conhecer. Além da construção, é necessário estudar muito, navegação, meteorologia, procedimentos de segurança e primeiros socorros, etc. Afinal, um bom barco precisa de um capitão à sua altura. Sempre temos o que aprender e sempre haverá um lugar para conhecer. Existe muita gente boa e interessante nesse caminho.

Dorival

A bordo do Luthier

Ser o vencedor da mais importante regata oceânica do calendário brasileiro com um barco feito com as próprias mãos no jardim de casa, não tem preço. Catarina e Dorival recebendo o prêmio de primeiro lugar em sua classe na Refeno 2009. Cortesia: Dorival Gimenes

Após vencer em sua categoria a regata oceânica mais prestigiosa do calendário brasileiro, Dorival e Catarina retornaram à Parati, considerando que essa viagem de testes já era suficiente para se sentirem preparados para a próxima grande aventura.

Fazer um cruzeiro a vela é entrar nos lugares pela sala de visitas, e não pela porta dos fundos, como acontece com aqueles que chegam de avião. Foto: Dorival Gimenes

Em 2010 finalmente partiram para realizar o círculo do Atlântico, a clássica viagem desde os tempos das grandes navegações, seguindo a direção predominante dos ventos, subindo a costa da América do Sul até o Caribe, e após tirarem bom proveito de sua passagem pelo paraíso turístico das Antilhas, rumarem para os Açores e Europa, entrando no velho continente pelo portal de Lisboa. Os relatos que Catarina e Dorival escreveram em seu blog: www.veleiro.net/luthier/ com link desde a página de links de nosso site, coluna da esquerda, Samoa 34 Luthier, fizeram grande sucesso, pois são muito bem escritos e muito gostosos de ler. Durante toda a viagem acompanhamos as entradas no blog nos divertindo muito com isso. O número de seguidores assíduos, como nós, é impressionante, o que é a certeza de que se tornou um dos sites favoritos dentre os leitores que curtem cruzeiro à vela, especialmente os amigos, virtuais ou reais, que fizeram durante a viagem.

Recebendo convidados para jantar a bordo. O salão do Luthier é aconchegante como poucos que já vimos. Catarina é uma ótima artista plástica. Os quadros com temas marinhos foram pintados por ela. Cortesia: Dorival Gimenes

A primeira parte da viagem foi bem uma repetição do cruzeiro de testes realizado no ano anterior; a subida da costa do Brasil com escalas nos pontos mais interessantes, culminando com a participação na regata Recife-Fernando de Noronha. Foi então que os enredos se modificaram radicalmente. Tendo pela frente a tarefa nada fácil de ter que honrar o título obtido no ano anterior, dessa vez nem foi necessário mostrar tanta perícia como competidores. Nessa ocasião a demonstração de competência foi confirmada de outra forma. Já bem próximos da chegada e novamente muito bem posicionados, abandonaram a regata para socorrer um veleiro de construção high-tec de alta competição que custou algumas centenas de milhares de dólares a mais do que o bravo Luthier, pois esse veleiro perdera o leme quando estava próximo à chegada, e sendo o Luthier o barco mais próximo, não só abandonou a regata para prestar socorro ao veleiro avariado, como navegou mais de duzentas milhas levando-o a reboque, numa operação de resgate digna de um filme de aventuras.

Catarina apreciou cada dia de sua viagem como a realização de um grande sonho. Não existe fator mais importante para um cruzeiro bem sucedido realizado por um casal do que uma participação entusiasmada da esposa. Foto: Dorival Gimenes.

Após rebocar o barco acidentado até a cidade de Natal, o casal Gimenes seguiu viagem em direção ao norte, fazendo uma escala imperdível nos Lençóis Maranhenses, um dos lugares mais fantásticos do litoral brasileiro, de lá seguindo para o Caribe sem escalas. Ao passar pela foz do Rio Amazonas o casal passou por um dos maiores pesadelos que podem ocorrer a quem faz um cruzeiro oceânico, ao serem perseguidos à noite por uma embarcação furtiva, somente se livrando por terem desligado o motor e todas as luzes de bordo, até mesmo a iluminação artificial da bússola. Parece que essa é uma sina de nossos construtores, pois meses mais tarde outro barco do escritório, o Explorer 39 Caroll, passaria por um pesadelo semelhante, quando nosso cliente Raimundo Nascimento, navegando em solitário em sua volta ao mundo, deparou-se com piratas indonésios, escapando de seus perseguidores por um fino, graças ao fato de poder atingir dez nós de velocidade, o que não era páreo para a traineira dos bandidos. Passado esse incidente o resto da travessia até o primeiro destino no Caribe, a Ilha de Tobago, se passou sem percalços, o Luthier correspondendo plenamente às expectativas, levando o casal para o início da parte internacional da aventura sem novos incidentes.

Luthier em Rodney Bay Marina, Santa Lúcia. Nessa altura da viagem os Gimenes já se sentiam totalmente à vontade como uma dupla de cruzeiristas internacionais, aproveitando cada escala para aumentar sua experiência. Foto: Dorival Gimenes

Quem vai para as Antilhas em seu veleiro passa por uma experiência única que é poder ir pulando de país em país, em viagens quase que diurnas, com mar de través e um sol tropical iluminando águas azuis-turquesa. As escalas são feitas em paraísos tropicais habitados por povos alegres e simpáticos, e você navega acompanhado de uma multidão de outros cruzeiristas, atualmente com um bom número de brazucas entre eles. Como no antigo paraíso tinha a história da maçã, no Caribe tem a equivalente, que é a de que você pode fazer o que quiser por lá, contanto que vá embora antes do início de junho, para não ser pego de surpresa por um furacão. Como ninguém deseja ficar de férias no mesmo lugar a vida toda, isso não se constitui em um grande problema, pois nos meses de abril e maio os barcos costumam seguir em revoada com destino à Europa, Estados Unidos e Panamá, destino daqueles que se dirigem para o Oceano Pacífico

A escala nos Açores com certeza foi um dos pontos altos da viagem. Essas ilhas, um autêntico jardim no Oceano Atlantico, são o lugar perfeito para quebrar o ritmo de uma longa travessia. Catarina à beira de um penhasco na Ilha de Flores

Mundo pequeno! Dorival e Catarina recebem a bordo o simpático casal Pedro Pinto e Andreia Aguiar, residentes na Ilha Terceira, Açores, velhos amigos nossos, inclusive tendo visitado o MC28 Fiu na Marina da Glória, em uma viagem que fizeram ao Rio de janeiro. Cortesia: Dorival Gimenes

No coração de Lisboa. Freguesia do Chiado. Uma viagem às nossas origens. Foto: Dorival Gimenes

Festival de Colombo. Porto Santo, Arquipélago da Madeira. A vantagem de se fazer um cruzeiro a vela por países distantes é que se aprecia acontecimentos que de outra forma nunca se iria assistir. Foto: Catarina e Dorival Gimenes

Catarina em frente ao fundeadouro de Las Palmas. Após passarem pelo Arquipélago das Canárias, os Gimenes ainda iriam fazer uma escala técnica em Mindelo, Cabo Verde. Foto Dorival Gimenes

O mais impressionante durante toda a viagem foi a facilidade com a qual o casal passou por todos os imprevistos que invariavelmente acontecem com quem faz um longo cruzeiro. O que Dorival e Catarina mais frequentemente relatam em seu blog são novas amizades obtidas pelo caminho, e experiências as mais interessantes em cada uma de suas escalas. No entanto nas entrelinhas pode ser constatado que um trabalho muito benfeito de manutenção e de melhoramentos no barco nunca foi jogado para segundo plano, como não é raro acontecer com outros cruzeiristas menos competentes. Também é bom lembrar que eles devem ter uma boa fada madrinha, pois até uma esperada erupção na ilha de Hierro, durante sua passagem pelas Canárias, o que poderia ocasionar risco de tsunamis e terremotos, acabou não acontecendo. A escala em Mindelo, em Cabo Verde foi mais uma parada técnica, pois já estavam realizados quanto ao sonhado cruzeiro, e o restante do percurso até Salvador, fechando o circuito do Atlántico, também ocorreu em mar de almirante. De volta ao país onde se plantando dá, os Gimenes podem estar seguros de terem plantado uma boa semente.

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34


Kiribati 36 Green Nomad. Reunião de "trabalho" a bordo

No dia 13 de dezembro de 2011 finalmente Roberto Barros "Cabinho" pôde conhecer o Green Nomad. Como o barco foi construído no Rio Grande do Sul, foi mais fácil esperar pela programada escala em Parati do primeiro Kiribati 36 a navegar até agora, do que visitá-lo em Rio Grande, como fizera Luis Gouveia, outro sócio da empresa, durante suas férias em julho de 2011. Aproveitando a oportunidade, nessa visita juntaram-se três parceiros do escritório Roberto Barros Yacht Design: Luis Pinho, o co-autor do projeto, Roberto Barros e Murilo Almeida, o designer que trabalha com o escritório já há vários anos.

Kiribati 36 Green Nomad ancorado nas proximidades da Marina do Engenho, Parati, Estado do Rio de Janeiro. Foto: Luis Pinho

O encontro ocorreu em um dos lugares mais bonitos onde se possa fazer uma escala em um cruzeiro a vela: a Enseada de Parati, na idílica Bahia da Ilha Grande. É esperado que o Green Nomad faça inúmeras outras escalas em lugares paradisíacos. Afinal o barco está com viagem programada para o Caribe e em seguida para o Pacífico Sul, sendo que sua futura base será a Austrália. O veleiro com seu estilo inequívoco de "off the Road" dos mares sempre irá se sentir integrado à paisagem quando estiver ancorada nos lugares mais fantásticos que existem.

Kiribati 36 Green Nomad. Cabinho experimenta o confortável salão do Green Nomad.

Luis participou da construção da parte metálica de seu barco e fez absolutamente tudo que se seguiu, como marcenaria, instalação de sistemas e equipamentos de convés, sempre com a ajuda dedicada de Marli, e olha que o casal já estava vivendo a bordo durante todo esse tempo. Agora eles estão se sentindo como peixes dentro d’água, já tendo navegado umas boas 900 milhas desde Porto Alegre até Parati. Vocês podem acompanhar as aventuras do casal pelo blog do Green Nomad, acessando o banner da esquerda de cima de nossos home-pages em português e inglês. Lá vocês vão ficar sabendo tudo sobre as aventuras anteriores da dupla, dos atóis tropicais da Micronésia às geleiras do continente Antártico e os icebergs do Oceano Austral, visitados por Luis na temporada do verão de 2011 a bordo do navio ambientalista Steve Irwin. São aventuras para ninguém botar defeito! A galeria de fotos do blog está repleta de imagens de tirar o fôlego.

Marli preparando a mesa para o almoço de confraternização da equipe. O conforto interno do Kiribati 36 é impressionante. É um prazer morar a bordo de um barco tão bem resolvido como o GreenNomad

Os detalhes que mais chamaram a atenção de Murilo e Cabinho foram a claridade e boa ventilação do interior e a integração com a paisagem lá de fora, proporcionada pelas imensas janelas laterais, que na verdade são gaiutas de série, as mesmas usadas em qualquer convés de veleiro de cruzeiro. O piso mais elevado na área da cozinha e da mesa de navegação ajuda a fazer essa integração com o exterior de uma forma sem comparação com outros veleiros de cruzeiro, onde os tripulantes parecem ficar enfurnados em tocas sombrias.

O casal Pinho e Murilo se conheceram pessoalmente nesse dia. A mesa de navegação se transforma em bancada de trabalho quando o Green Nomad não está velejando e foi naquela cadeira giratória onde Murilo está sentado que Luis desenvolveu o projeto de sua última criação, o Pop Alu 32

Luis e Marli já são referências nos lugar onde fazem escala, o barco sendo regularmente visitado por outros cruzeiristas locais e internacionais que estejam compartilhando os mesmos ancoradouros. Não é por acaso que o casal tem amigos ao redor do mundo

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36.


Boas Festas  2012

Já é tradição de nosso escritório homenagear doze barcos de nossos projetos que realizaram algum feito importante, ou foram inaugurados nesse ano, tendo sido construídos de forma especial. Não é fácil para nós termos que escolher apenas doze barcos entre tantos que nos mandam fotos, e por isso pedimos desculpas aos nossos amigos e clientes cujos barcos não foram incluídos nessa lista.

Janeiro: Polar 65 Fraternidade – Nossa primeira lembrança esse ano é o veleiro escola Fraternidade. O velho marinheiro ucraniano Aleixo Belov acabou de completar uma volta ao mundo comandando esse autêntico veleiro de expedições, levando a bordo uma tripulação de jovens convidados para aprender a arte de navegar, que seu capitão tem de sobra para ensinar, pois já completou, com essa, quatro voltas ao mundo, três delas em solitário. Homenageando o feito alcançado, incluímos o Fraternidade no Hall da Fama dos barcos do escritório que realizaram feitos náuticos notáveis. Essa foto foi tirada da Avenida Beira Mar de Papeete, Tahiti, Polinésia Francesa

Fevereiro: Pantanal 25 Vega – Esse é um bom exemplo do que pode ser realizado por um construtor amador. Seu construtor, o geólogo argentino Daniel D’Angelo, fabricou esse barco em suas folgas, no jardim de sua casa em City Bell, Buenos Aires, Argentina, e agora com o barco pronto está vencendo regatas para espanto de seus adversários, alguns deles competindo com barcos bem maiores e mais caros do que o Vega.

Março: Kiribati 36 Green Nomad – Nosso novo associado, Luis Manuel Pinho projetou em parceria conosco o veleiro de cruzeiro oceânico de quilha retrátil Kiribati 36, colaborou na construção da caldeiraria da primeira unidade, e em seguida fez a mobília interna e todas as instalações, transferindo-se para bordo em companhia de sua esposa Marli Werner, que o ajudou em todas essas tarefas.  Quando o barco ficou pronto, partiu de Rio Grande, onde o barco foi concluído, para Parati, chegando lá alguns dias atrás. Em Parati o casal pretende se preparar para o próximo pulo, uma viagem de volta ao Pacifico, onde já viveram por dez anos, a bordo do primeiro barco que construíram. Luis transformou o barco em um estúdio flutuante e sua comunicação com o escritório será on-line, não importa onde o barco estiver. Você pode seguir as aventuras do simpático casal entrando no banner do canto esquerdo superior de nosso home-page: Green Nomad.

Abril: Multichine 41SK Bepaluhê – Esse veleiro de cruzeiro de quilha retrátil é uma história de sucesso. Seu proprietário, o médico paulista Paulo Ayrosa, encomendou a construção ao excelente estaleiro Ilha Sul, www.ilhasulnauticas.com.br, de Porto Alegre, e tão logo o barco ficou pronto partiu para uma viagem de oitocentas milhas até Parati, no Rio de Janeiro, onde agora o barco está estacionado. Nosso cliente está muito contente com seu barco, que, aliás, vem causando sensação pela boa qualidade da construção e bom gosto dos proprietários. A foto acima foi tomada no dia da inauguração do barco. Paulo é o segundo da direita, tendo Jairo, o construtor à sua esquerda. A esposa de Paulo está no centro da foto, Os outros são dois amigos e Marli Werner, a esposa de Luis Manuel Pinho.

Maio: Samoa 28 Terrius – Bernardo Sampaio é o feliz proprietário desse Samoa 28. O Terrius foi o segundo barco da classe a navegar, e com certeza já se tornou um ícone, tanto por sua beleza, quanto por seu conforto interno, robustez e boa performance. Não é de admirar que Bernardo esteja tão contente com sua aquisição.

Junho: Multichine 28 Access – Esse barco se enquadra na categoria de máquinas de sonho. Seu proprietário, o construtor amador Flávio Bezerra, trocou uma promissora carreira de analista de sistemas pela de capitão licenciado, fazendo contínuas viagens de entrega de barcos entre o Caribe e a Europa, tendo seu veleiro como base, na maior parte do tempo estacionado em Falmouth Bay, Antigua. Quando Flavio não está fazendo alguma entrega, ou não está vivendo a vida dura de ter que freqüentar as baladas mais cobiçadas pela galera, ele provavelmente estará em algum recanto do Caribe, mergulhando ou fazendo surf.

Julho: Curruira 42 Agenores – Esse trawler é uma obra de arte construída pelo estaleiro Flab, www.flab.com.br, e pertence ao médico aposentado Nico Araújo. Nico esccolheu Camamú, a pérola do litoral baiano, como seu refugio, e tem sua Curruira 42 apoitada em frente à sua casa.

Agosto: Andorinha 16 Finalmente – Esse foi o dia da inauguração desse muito bem construído Andorinha 16. Nosso cliente Fernando Luis Schreiner, de Porto Alegre, escolheu construir seu casco em sanduiche, utilizando espuma de PVC. Em consequência o barco ficou leve como uma pluma e está obtendo um desempenho fora de série. Luis Fernando está muito contente com seu empreendimento.

 

Setembro: Cabo Horn 35 Yahgan – Essa foto é uma celebração. Há vinte anos foi inaugurado o Yahgan, segundo barco da classe a ficar pronto, quando o projeto já estava fazendo um tremendo sucesso, graças à viagem do primeiro barco da classe a ficar pronto, o Tauá, que concluíra poucos meses antes uma impecável viagem de  ida e volta ao Caribe. Esse projeto talvez tenha sido o primeiro de nossa linha de planos de estoque com cara de barco para expedições. Vinte anos após, o barco está como novo, tendo nesse meio tempo outro barco da classe completado uma volta ao mundo cheia de emoções, como furacões, tsunamis e outros desafios. Agora para comemorar essa carreira vitoriosa estamos lançando o Cabo Horn 35 MKII, uma atualização no projeto, que por suas qualidades ainda deverá continuar fazendo sucesso por muitos anos. Nosso cliente e amigo, João Carlos Muniz de Brito, o proprietário e construtor amador do Yahgan, mora a bordo desde muitos anos e mantém o barco como se fosse uma jóia. Essa foto foi tirada em Loreto, Recôncavo Baiano, em um dos muitos cruzeiros de longa distância que o barco já realizou.

  

Outubro: Pop 25 Horus – Essa foto é um tributo à competência de nosso amigo Daniel D’Angelo, que já homenageamos nessa lista por sua brilhante atuação em regatas com seu Pantanal 25 Vega. Desta vez o barco em questão é nosso mais recente projeto, o Pop 25, cujo protótipo é ele quem está construindo, esperando lançar o barco ainda esse ano. Daniel levou três meses para construir o casco, e agora o barco já está virado, com o convés instalado. Todos os equipamentos e ferragens especiais já foram adquiridos ou instalados, de modo que não será impossível que consiga realizar sua meta.

Novembro: Samoa 34 Luthier – Esse Samoa 34 é mais uma prova eloquente que construção amadora vale à pena. O Luthier foi construído no jardim da casa do casal Dorival e Catarina Gimenes, em Campinas, estado de São Paulo, já com a intenção de morarem a bordo e realizarem cruzeiros de longa distância. Agora o casal está completando o circuito do Atlântico Sul e Norte, tendo viajado para o Caribe, Açores, Portugal, Espanha, Madeira, Canárias, Cabo Verde, e agora estão de volta ao Brasil. Essa foto foi tirada em Rodney Bay, Santa Lúcia. O casal se divertiu muitíssimo com esse cruzeiro e o blog que eles criaram com link de nosso site é um campeão de entradas. Também eles têm méritos de sobra por toda a competência que demonstraram, tanto na construção, quanto na viagem.

Dezembro: Explorer 39 Caroll. -  Nosso cliente e amigo Raimundo Nascimento está completando uma circum-navegação em solitário com seu Explorer 39. Ele nos enviou essa foto tirada durante sua escala Port Louis, na ilha Mauricius, Oceano Indico. Dar uma volta ao mundo com mais de sessenta anos de idade a bordo de um veleiro com mais de doze metros requer muita competência e com certeza alguma proteção lá de cima. Raimundo relatou um episódio de arrepiar os cabelos. Ele foi perseguido por piratas quando passava pelo sul da Indonésia, tendo escapado apenas porque seu barco navegava a dez nós e a traineira dos bandidos não andava tão bem assim, essa tendo sido apenas uma das muitas dificuldades que teve que superar. No momento o Caroll está contornando o sul do continente africano, e em breve estará de volta ao Brasil. Raimundo pretende editar um livro relatando a viagem, desejando reverter o faturamento do livro em benefício do Hospiltal do Cancer, de São Paulo, e com isso ajudar crianças carentes em tratamento. Um belo gesto, digno dessa comemoração natalina!


Green Nomad rumo ao Norte

Em 15 de Novembro de 2011 finalmente o Green Nomad, em sua segunda versão, agora um Kiribati 36, saiu para a vida que sempre sonhamos, o pulo de ancoragem em ancoragem pelos mais variados cantos do mundo.

Saímos de Rio Grande, onde nos acolheu com tanto carinho o Rio Grande Yacht Club, por um ano e um mês, situação que antes já havia se passado com o Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre, mostrando que a hospitalidade dos clubes gaúchos é maravilhosa.

Festa em Rio Grande, com os amigos do Rio Grande Yacht Club

Tivemos que ficar tanto tempo em Rio Grande devido ao período que passamos embarcados nos navios do Sea Shepherd, uma experiência que era tão atraente que justificou nossa parada.

Assim, embora eu tenha navegado 32500 milhas náuticas no intervalo, depois de 5 anos da venda do primeiro Green Nomad ,na Austrália, voltamos a navegar em nosso próprio barco.

Foi um caminho lento de um barco para o outro, e construir 2 barcos certamente não é a maneira mais direta de se ter um barco de cruzeiro, mas em nossa opinião é a melhor, pois oferece a liberdade de se ter o que se deseja, e a confiança de se saber exatamente em que barco estamos entrando.

A vida de construtor de barco, e principalmente de construtor morador, em que se constrói e mora no que será seu barco um dia, tem suas dificuldades, mas se não é o modo mais confortável, certamente é o mais divertido, pois em vez de pensarmos que temos que sair de casa em algum lugar para ir para um galpão onde o trabalho pesado aguarda, já estamos lá. De dia se trabalha, de noite se confraterniza com os outros barcos, e desse modo já nos sentimos parte da vida de cruzeiro.

Convidados para o jantar, cada um se senta onde pode

O período em que passamos em Porto Alegre foi de muito trabalho e acomodações escassas, mas a vida seguia normalmente, o barco não era um sonho distante no futuro, era uma realidade.

Até escritório de desenho o Green Nomad era, e mesa pendurada ou não, as coisas aconteciam.

O Multichine 41 SK Bepaluhê saindo do papel para o mundo virtual no escritório pendurado

Em Rio Grande a experiência continuava. Apesar de deixar o barco para ir navegar em mares distantes, da Antártica ao Mediterrâneo, o barco escritório continuava ativo e recebendo os retoques finais antes de sair para sua primeira viagem de mar aberto. O projeto do Pop Alu 32 foi todo realizado em Rio Grande, a bordo do Green Nomad, e terminado este começamos os preparativos finais para a saída.

Queríamos fazer uma boa viagem, com tempo bonito e sem encarar vento contra, de modo que fomos bem exigentes na escolha da situação meteorológica para a saída de Rio Grande. Não por falta de confiança no barco, embora não seja prudente testar um barco em condições adversas num dos piores trechos de costa da América do Sul, em que durante mais de 280 milhas não existe abrigo, e o vento pode jogar um barco na costa sem muita dificuldade.

Assim, esperamos e tivemos a sorte de ver aparecer uma situação meteorológica atípica, que pode ser vista na foto abaixo. Os ventos predominantes nesta costa e principalmente nesta época do ano são de Nordeste, diretamente contra, e usualmente para poder sair rumo a Santa Catarina se espera uma frente fria, com uma depressão se movendo de Oeste para Leste ao sul da Patagônia, o que provoca uma interrupção no regime de ventos de Nordeste e dependendo da intensidade do sistema traz desde calmarias até ventanias de Sul ou Sudoeste, e quase sempre chuva.

O sistema que apareceu foi no entanto uma depressão que deixou a costa do Brasil na altura do Rio de Janeiro e se moveu para Sul, ocasionando ventos de Sudeste e Sul na região de Rio Grande, mas sem a costumeira chuva e mar grosso que acompanham uma frente fria.

De 1 a 5, a depressão que empurrou o Green Nomad para o Norte

Para monitorar a situação usamos um sistema que recebe arquivos de meteorologia chamados de GRIB, que podem ser baixados da internet ( veja link no web site do Green Nomad ).

Depois da saída também podíamos receber os arquivos GRIB mesmo sem internet, pois temos um sistema de email a bordo via rádio SSB.

O resultado de tanta preparação e espera foi a saída num dia de sol radiante, com mar moderado e vento fraco de Sudeste, que nos empurrava com a ajuda do motor a mais de 7 nós.

Com isso atingimos o Cabo de Santa Marta em menos de 48 horas, e assim a pior parte ficou para trás.

O vento ficou bem fraco depois da passada do cabo, e durante aquela tarde e noite velejamos apenas, já que não havia mais risco de sermos empurrados de volta para Rio Grande pelo Nordeste, e mesmo que às vezes ficasse difícil perceber de onde vinha o vento olhando para o mar, de tão fraco, o Green Nomad andava a velocidades entre 3 e 5 nós.

Navegamos a boa distância da costa, chegando a 30 milhas, para evitar problemas com redes de pesca, e tivemos sorte, o plano funcionou. A desvantagem parcial era estar na rota dos navios, mas estes em condições de tempo tão boas eram fáceis de detetar e evitar.

Várias vezes ouvíamos aeronaves da FAB chamando navios pelo nome, e assumimos que era um controle de costa, e então chegou a nossa vez, um avião veio a baixa altitude e deu três voltas no Green Nomad, nos chamando pelo rádio VHF no canal 16.

Respondemos e estes foram muito gentis, perguntaram se estava tudo bem a bordo e desejaram boa viagem. É famoso este tipo de contrôle na aproximação da Austrália, mas o curioso é que já tinha chegadolá duas vezes por mar sem nunca ter sido controlado desta maneira.

Avião da FAB circula em volta do Green Nomad em operação rotineira de controle da costa

Na manhã do dia 18 nos aproximamos do nosso primeiro destino fora do Rio Grande do Sul, Porto Belo, em Santa Catarina, e o sol desta vez ficou tímido. Entramos na enseada de Porto Belo contornando a Ilha João da Cunha, e ancoramos em águas calmas e bem claras, apesar da falta de sol.

Logo veio ao nosso encontro o João Blauth, conhecido como Fininho, do veleiro Zuretta, que havia nos apresentado ao clube dos Jangadeiros, e nos deu as indicações da área, pois já está com seu barco aqui desde o início do ano ( O Fininho foi meu tripulante quando fui capitão do Gojira, o trimaran do Sea Shepherd , no transporte de Tahiti para a França, e cruzamos o canal do Panamá e o Atlântico juntos ).

Aproveitamos para entrar em contato com nossos amigos Vilmar Braz e Gina, do veleiro Jornal, já vendido por eles, com quem cruzeiramos boa parte do Pacífico em 1998.

Vilmar e Gina deram a volta ao mundo no Jornal, um Samoa 29 de desenho do escritório Roberto Barros Yacht Design, e hoje se dedicam a sua ONG a ANI, Associação Náutica de Itajaí, que tem por objetivo trazer para o mar jovens da região, ensinando-lhes marinharia e construção naval, um belo projeto.

Vilmar e Gina, que deram a volta ao mundo no Samoa 29 Jornal, nossos companheiros
de viagem no Pacífico em 1998

Assim estamos agora fazendo o que mais gostamos, rodeados de amigos em nossa casa autônoma, que gera sua própria energia elétrica e colhe água da chuva. Vida boa e com impacto ambiental mínimo.

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36.


Pop 25 Horus - Uma construção relâmpago

Estamos muito impressionados com a velocidade que nosso amigo Daniel D'Angelo, de City Bell, Buenos Aires, Argentina, está imprimindo na construção do Pop 25 Horus. Daniel, sendo geólogo, trabalha um mês em pesquisa no campo, atualmente na Floresta Amazônica, seguido por um mês de folga. É nesse mês de folga que se dedica à construção do Horus. Daniel recebeu os planos do Pop 25, nosso projeto de veleiro bi-quilha, com dois lemes e propulsão auxiliar elétrica, em abril de 2011, quando as plantas ainda não estavam totalmente digitalizadas.

Pop 25, o projeto que desenvolvemos para ajudar pessoas a possuírem um barco oceânico de baixo custo, rápido de construir e de grande durabilidade. Renderização: www.ideebr.com

Sem perder tempo, em dez dias Daniel já tinha toda a estrutura transversal fabricada, pronta para ir para a montagem. Esse desempenho não nos surpreendeu muito, pois o projeto foi planejado para que essa fase fosse realmente muito rápida de ser realizada. Afinal cada antepara tem formato praticamente retangular, uma novidade em design de veleiros, que ao ser introduzida na construção amadora, abriu as portas dessa possibilidade para muitos potenciais construtores.

Seção 1 e Seção 2 prontas para entrar no picadeiro. A Seção 3 igualmente concluída, pode ser vista em parte no canto direito da foto. Cortesia: Daniel D'Angelo

Anteparas das seções 6, 5 e 4 enfileiradas ao lado da piscina. Para construir as onze anteparas Daniel levou dez dias de trabalho contínuo. Foto: Daniel D'Angelo

A impressão que tínhamos de que uma rápida passagem por essa fase tivesse um efeito fantástico para elevar a moral, no caso de Daniel funcionou como prevíramos. Após terminar as anteparas Daniel voltou para a Amazônia, já com sede de terminar a construção do casco. Deve ter sido bem penoso passar um mês no campo, longe de sua obra que avançava a passos tão rápidos. É compreensível que Daniel voltou para a Argentina com sede de trabalho, e realmente não deu outra coisa. No mês seguinte ele conseguiu praticamente terminar o casco, apenas faltando alguma coisa de carpintaria e o revestimento externo com fibra de vidro. Então foi necessária uma boa dose de paciência para encarar mais um mês longe da obra, mas quando voltou já foi para concluir o casco.

O casco pronto para ser virado, já com uma camada de epóxi alcatrão aplicada no fundo até a linha d'água. Foto Daniel D'Angelo

Já tendo a experiência de ter realizado essa operação por duas vezes, Daniel chamou alguns amigos para ajudá-lo a virar o casco, essa ocasião sendo uma boa oportunidade para realizar um bom churrasco de comemoração. Só quem passou por essa experiência é capaz de avaliar a satisfação que proporciona ver o casco que acabou de construir já de cabeça para cima.

O volume interno do Horus é impressionante. Foto: Daniel D'Angelo

Aproveitando os poucos dias que lhe restavam antes de retornar ao trabalho, Daniel decidiu colocar logo o teto do interior da cabine, que no caso do Pop 25 é instalado antes de se fazer o convés propriamente dito. Como o barco fica estacionado no jardim, apenas coberto por uma lona, achou mais prudente já deixar o interior protegido contra qualquer imprevisto meteorológico, tendo feito a instalação do forro interno do convés logo após virar o casco.

Na próxima etapa Daniel deverá terminar o convés e fazer a instalação dos equipamentos, estando esperançoso de inaugurar o Horus antes do final do ano.

Se você deseja saber mais detalhes da construção do Horus, basta entrar em nossa página de links e na primeira coluna clicar em Pop25 Horus e, após escolher a língua clicando em uma das três bandeiras, clicar em Horus, no canto de cima da direita da página

Florence, a filha de Daniel, foi a primeira a inspecionar o Horus após a virada. Como esse é o terceiro barco que o pai constrói, ela já está ficando acostumada. Foto: Daniel D'Angelo.

O Pop 25 tem um sistema construtivo um pouco fora do usual. O teto interno da cabine é reto e horizontal no sentido transversal, o que torna sua instalação extremamente rápida. Sobre esse teto são instaladas longarinas de alturas variadas (mais altas no centro e mais baixas próximo à borda) que fazem a convexidade do convés. Entre o revestimento interno e o externo os espaços vazios são preenchidos com espuma, que no caso pode ser espuma de estireno, a mais em conta que existe, pois essa espuma não é estrutural.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Pop Alu 32

Já está disponível o projeto do Pop Alu 32.

E o primeiro já foi entregue, similarmente ao projeto do Pop 25, para um cliente nosso da Argentina, o Sr. Walter Baitella, da cidade de Córdoba.

Walter veio nos ver em Rio Grande, e saiu decidido a construir um Pop Alu 32, este novo veleiro de alumínio que traz inúmeras inovações. Adiamos a saída do Green Nomad de Rio Grande para entregar o projeto completo, e hoje o mesmo está disponível, incluindo o kit de arquivos de corte CNC

Clique aqui para saber mais sobre o Projeto


Samoa 28 - Porque esse projeto é tão estimado

Um dos projetos do nosso escritório que mais temos promovido é o Samoa 28. A razão desse tratamento privilegiado é em parte subjetiva, mas na prática é uma constatação: O Samoa 28 é o nosso projeto que mais tem apaixonado nossos construtores amadores.

Samoa 28, o veleiro da família. Só quem fez um cruzeiro a vela para um país vizinho logo após seu barco ter ido para a água sabe o prazer que isso pode proporcionar. Viagem do Sirius à Colônia, Uruguai. Cortesia: Daniel D'Angelo

A confirmação dessa preferência pode ser medida pelo número de blogs de construtores amadores com relatos apaixonados exaltando a construção de seus barcos. A causa desse estado de espírito por parte de nossos construtores pode ser a certeza de terem feito uma boa escolha. Não que o Samoa 28 seja significativamente mais barato de ser construído do que qualquer outro veleiro de vinte e oito pés, mas pelo fato dele ser mais completo e mais preparado para realizar passagens oceânicas ou para se morar a bordo. Ora, se alguém dedica um grande esforço para conseguir alguma coisa e sabe que aquele esforço será recompensado com um produto de qualidade diferenciada, aí então a motivação para seguir em frente é sem comparação. É sem dúvida por isso que o clube dos construtores de Samoa 28 é tão animado e não pára de crescer.

Se o Samoa 28 não tivesse um baixo calado (1,50m com a quilha versão cruzeiro) e não fosse tão fácil de ser manobrado, dificilmente poderia entrar em recantos tão paradisíacos. Foto: Daniel D'Angelo

O barco de 28 pés é de um tamanho mágico. Ele já possui um bom pé direito dentro da cabine, 1.85m no caso do Samoa 28, enquanto oferece um conforto interno suficiente para uma pequena família morar a bordo. Alem disso sua inércia já é suficiente para enfrentar mar de proa com altivez, o que é o grande diferencial entre o Samoa 28 e outros barcos de seu porte. Isso se deve ao fato de não ser excessivamente leve e ter uma quilha com bulbo com baixo centro de gravidade.

O interior do Samoa 28 é adequado para uma pequena família morar a bordo. O camarote privado à popa com hall de entrada com pé direito e sofá é um luxo para um barco desse tamanho

Estamos convencidos que os barcos de oceano desse porte irão se tornar cada vez mais populares. Estamos entrando em uma era de consumo sustentável quando será cada vez menos politicamente correto pensar apenas em ter o maior e o mais caro, mas, ao contrário, dar preferência ao melhor e o mais durável. Se você pode fazer a mesma coisa gastando menos e sendo muito mais auto-suficiente, para que irá querer gastar mais e ainda ser mais dependente.

O casal D'Angelo saboreando uma das primeiras refeições no interior do recém-inaugurado Sirius. Foto: Daniel D'Angelo.

Estamos seguros que os fatores mais importantes que fazem um barco de cruzeiro proporcionar momentos agradáveis a seus tripulantes por períodos mais prolongados são relacionados a existir um equilíbrio entre a área social e as acomodações para pernoite. Quem possui um veleiro de 28 pés com uma sala com mesa fixa capaz de acomodar até seis pessoas, um bom banheiro e uma cozinha de dar inveja em donos de barcos bem maiores, além de ter uma ampla mesa de navegação e um camarote privado do proprietário, não vai sentir interesse em possuir um barco maior por nenhum motivo.

Sirius navegando no Rio da Prata. O Barco é bem dócil de ser velejado tendo o leme leve como uma pluma. Cortesia: Daniel D'Angelo

A galera dos que vestiram a camisa da classe Samoa 28 está ficando bem numerosa. Só de blogueiros relatando suas construções temos cinco com links de nosso site. São eles na mesma sequência como estão relatados em nossa página de links: Everest, Sirius, Caprichoso, Furioso e Baleia. Em cada um deles você pode ler o relato completo da construção até o estágio atual, e pelos textos dá para constatar o orgulho e o carinho que cada um tem pela obra que está realizando. Desses o primeiro a ficar pronto foi o Sirius, construído pelo geólogo argentino Daniel D'Angelo, um construtor amador que nunca fizera um barco antes. Pois bem, tão logo inaugurou seu barco Daniel atravessou o Rio da Prata e partiu para um cruzeiro pela costa sul do Uruguai visitando lugares paradisíacos aonde só se chega com um barco de recreio. Não é de causar surpresa que a família tenha se apaixonado pela vida de cruzeiristas

O Samoa 28 Terrius é um show de bola. Nessa foto ele está ancorado em frente à Ilha de Anchieta no litoral paulista. Cortesia: Bernardo Sampaio

A classe Samoa 28 apesar de ser bem recente já está bem estabelecida. Hoje temos construtores nos mais diferentes países, com muitos barcos na reta final de construção e alguns já navegando. O que é mais gratificante para nós é saber que o pessoal está bem contente com a escolha. Como o prestígio de um modelo depende da satisfação de seus proprietários, temos tudo para imaginar que a carreira do Samoa 28 só está começando,

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 28


Polar 65 Fraternidade, nosso novo membro do Hall da Fama

Nosso carro chefe entre os planos de estoque de veleiros para cruzeiro oceânico é sem dúvida o projeto Polar 65. Esse barco feito para navegar em qualquer latitude, seja cruzando oceanos, seja entrando em águas rasas só acessíveis aos veleiros de baixo calado, é o que consideramos ser o barco de cruzeiro ideal para realizar qualquer tipo de aventura náutica.

A viagem inaugural do Fraternidade foi um cruzeiro de teste de Salvador até Fernando de Noronha. Cortesia: Hélio Viana

O Polar 65 foi projetado já possuindo um cliente para construir a primeira unidade, o velejador ucraniano naturalizado brasileiro Aleixo Belov, um experiente cruzeirista com três voltas ao mundo em solitário em seu currículo.

Tão logo recebeu os planos completos Aleixo iniciou a construção do barco de seus sonhos, o Fraternidade, uma obra que iria levar mais de cinco anos para ser concluída. Quando o imponente iate de teóricas quarenta e cinco toneladas com superestrutura totalmente fabricada em aço inoxidável, totalmente aparelhado para enfrentar qualquer parada, finalmente ficou pronto, não deixou dúvidas de que iria fazer história.

Como imaginamos acontecer com outros projetistas de veleiros de cruzeiro, o desejo de criar uma super-máquina capaz de resistir às piores condições de tempo, além de ter controle sobre seu próprio calado, foi um objetivo que sempre procuramos alcançar.

A primeira oportunidade que tivemos de projetar um barco assim foi quando desenvolvemos, em parceria com o engenheiro naval Gabriel Dias, o veleiro polar Paratii, do mundialmente conhecido velejador Amyr Klink, que com ele realizou a façanha de ter sido a primeira pessoa a circum-navegar o Continente Antártico em solitário.

Essa experiência bem sucedida serviu para atiçar mais ainda nosso empenho de projetar o super-veleiro de cruzeiro, sendo o Polar 65 nossa grande oportunidade.

A solução que adotamos para o Paratii, quilhote com bolina embutida, dessa vez foi substituída por uma quilha pivotável girando em um pino de aço inox de 200mm de diâmetro

Polar 65 Fraternidade em Rarotonga, Ilhas Cook. Aleixo nessa quarta volta ao mundo procurou reviver aventuras passadas, dessa vez repassando suas experiências para os diferentes grupos de jovens que o acompanharam na viagem. Cortesia: Aleixo Belov

Aleixo partiu em janeiro de 2010 para sua quarta volta ao mundo, tendo Salvador, a cidade onde construiu o barco, como porto de saída, desta vez levando a bordo uma tripulação de onze pessoas. O início da viagem foi de poucas escalas, como se estivesse querendo reservar para mais adiante os maiores desafios. No Caribe só fez uma escala em Granada, seguindo direto para Colón, a entrada do lado do Atlântico do Canal de Panamá.

No entanto a travessia do Oceano Pacífico também foi feita com pressa, como se houvesse uma determinação de não se estender por muito tempo naquelas paragens paradisíacas. O Fraternidade fez escala em Galápagos, Marquesas, Tahiti e Rarotonga, sempre fazendo paradas de curta duração, até entrar no Oceano Indico, onde aportou em Thursday Island, no Estreito de Torres.

A primeira escala importante no roteiro da viagem pode ter sido Bali, Indonésia, onde como já fizera nas circum-navegações anteriores, contratou um artesão local para entalhar nas vigas da estrutura do salão do barco esculturas com motivos orientais. De Bali o Fraternidade seguiu para Galle, em Sirilanka e Cochin na India, dali iniciando o trecho mais difícil da circum-navegação, atravessar o Indico Ocidental infestado por piratas, subir o Mar Vermelho e atravessar o Canal de Suez. No trecho mais arriscado do percurso Aleixo optou por fazer parte de um rally de iates liderado por um holandês, que guiou a flotilha para que todos navegassem colados a costa da península Arábica, dentro das águas territoriais dos países daquela península, evitando assim um ataque de bandidos. Depois de atravessar o Canal de Suez Aleixo seguiu para a Turquia, entrando então no Mar Negro, com o objetivo de visitar seu país natal, a Ucrânia, onde foi recebido como celebridade. De volta ao Mediterrâneo, o resto da viagem foi como se fosse o enredo de um filme de turismo, com passagens pelas Ilhas Gregas, Itália, Espanha, e já de volta ao Atlântico, Las Palmas, nas ilhas Canárias, e finalmente o retorno a Salvador em outubro de 2011,depois de deixar trinta e uma mil milhas em sua esteira.

Polar 65 Fraternidade em Rarotonga, Ilhas Cook. Aleixo nessa quarta volta ao mundo procurou reviver aventuras passadas, dessa vez repassando suas experiências para os diferentes grupos de jovens que o acompanharam. Cortesia: Aleixo Belov

Desejamos a Aleixo que continue aproveitando seu fantástico veleiro, realizando outras expedições, quem sabe então pelas altas latitudes, o objetivo maior do projeto. Mas no momento queremos dar-lhe parabéns pela linda viagem que acabou de concluir. O velho marinheiro ucraniano provou que seu veleiro está à altura do seu legendário conterrâneo, o encouraçado Potenquin. Bravo, Aleixo e seus jovens tripulantes!

Aleixo Belov (à direita) e o membro da equipe da B & G Yacht Design, o engenheiro naval Rafael Coelho, um dos tripulantes da expedição. Rafael permaneceu a bordo desde a Polinésia Francesa até o Sirilanka. É curioso que Rafael foi um dos colaboradores na elaboração do projeto, conhecendo em detalhes toda a parte teórica do Polar 65. Cortesia: Aleixo Belov

Em tempo; Nessa circum-navegação Aleixo usou o Fraternidade como um barco escola tendo alternado várias tripulações de jovens tripulantes durante toda a viagem. Seu objetivo foi o de passar sua experiência para outros apaixonados pelo mar, como ele sempre foi, e que desejamos que continue sendo por ainda muitos anos.

Clique aqui para saber mais sobre o Polar 65


Pop 25 - O mais simples veleiro projetado para construção amadora.

Desde agosto de 2011 os planos do Pop 25 já estão disponíveis em nossa linha de planos de estoque. Na realidade já existem os primeiros barcos da classe sendo construídos. No entanto ainda continuamos nos dedicando ao projeto, agora nos envolvendo com assuntos relacionados à capacidade do modelo de navegar em mar aberto.

O cockpit do Pop 25 oferece boa proteção para a tripulação graças ao dodger que envolve a gaiuta de entrada e abriga a parte da frente dos assentos. Uma targa de baixa altura permite a instalação dos paineis solares necessários para a produção de energia para o motor elétrico. Renderização: www.idéebr.com

Os últimos detalhes que produzimos foram um dodger que protege a entrada da cabine e a parte da frente dos bancos do cockpit, uma targa para a instalação de painéis solares e gerador eólico, fundamentais para suprir energia para a propulsão auxiliar sugerida que prevê a utilização de motor elétrico, e uma sugestão de leme de vento, um importante equipamento para aqueles que desejam fazer passagens mais prolongadas com o barco. No Pop 25 não é recomendada a utilização por longos períodos de piloto automático eletrônico, para poupar energia que pode vir a ser requerida pelo motor elétrico. Detalhar esses equipamentos não chega a ser função dos yacht designers, uma vez que esses equipamentos são opcionais. No entanto, no caso desse projeto a história é diferente. Na verdade o que estamos propondo é oferecer um veleiro de 25 pés com potencial para cruzar um oceano, se assim for desejado, uma proposta não tão comum assim para um barco desse porte. Em nossas ilustrações damos uma idéia de estilo e dimensões para esses equipamentos, o que pode ajudar nossos clientes a tomarem suas decisões.

O desenho do Pop 25 é uma tentative de permitir que um maior número de pessoas possa ter seu veleiro de cruzeiro oceanic. Renderização: www.idéebr.com

Também estamos trabalhando na demonstração de nosso método construtivo, que sendo uma ideia nova, é melhor que fique muito bem explicado. Nossa ideia é tornar tão clara a demonstração que praticamente não se torne necessário usar palavras. Francamente, ninguém merece cometer um engano na construção de barco projetado para fabricação amadora simplesmente por não ter compreendido como fazer uma determinada operação.

Não há nada demais em as pessoas quererem fazer alguma coisa diferente de nossa recomendações. O que desejamos evitar é que alguém erre por não ter entendido direito como fazer uma determinada operação.

O Pop 25 é muito fácil de ser construído, além de ser barato e bem rápido para ser feito. Além disso é insubmersível, possui excelente isolamento térmico e pode estacionar em seco sem precisar de carreta. Renderização: www.idée br.

Desenvolvemos os planos do Pop 25 com o firme propósito de ajudar as pessoas que desejam ter um barco de cruzeiro oceânico, podem dispender uma quantia mensal para fabricá-lo, mas não têm dinheiro em caixa para comprar um pronto. Para nós esse trabalho é uma causa à qual nos dedicamos com todo o entusiasmo.

O Pop 25 é suficientemente confortável para abrigar uma pequena familia, tanto quando estiver em porto, quanto em alto mar. Renderização: www.idéebr.com

Quando decidimos trabalhar como yacht designers, especificamente no desenvolvimento de barcos de cruzeiro, foi com o desejo de encontrar uma fórmula para tentar fugir, pelo menos por algum tempo, da opressão que sentimos existir em nossa volta. No oceano e em lugares menos densamente povoados, onde a natureza é ainda mais intocada, ainda é mais fácil de ser encontrada aquela sensação de liberdade que estamos quase nos esquecendo que ela possa existir.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Explorer 39 Caroll - Volta ao mundo

É uma festa para nós quando um veleiro de cruzeiro oceânico projetado pelo nosso escritório parte para a realização de um longo cruzeiro. Se esse cruzeiro é dar uma volta ao mundo, então a alegria é maior ainda. Agora, se essa viagem é em solitário e nosso navegador é uma pessoa com mais de sessenta anos, então nem sabemos o que dizer. É isso que está acontecendo com nosso cliente Raimundo Nascimento. Em setembro de 2011 ele completou meia volta ao mundo a bordo de seu Explorer 39, o Caroll, ao cruzar o estreito de Torres e aportar em Thursday Island. De agora em diante cada milha que navegue o deixará mais próximo do Brasil, seu retorno estando previsto para o final do verão de 2012.

A sucessão de acontecimentos que resultou nessa viagem teve início em 2004 durante a regata Recife - Fernando de Noronha. Naquela ocasião o Multichine 28 Fiu e o barco que Raimundo possuía então ficaram praticamente lado a lado na piscina do Cabanga Iate Clube, quando os dois proprietários, Raimundo Nascimento e Roberto Barros, tiveram a oportunidade de se conhecer. Foi em um agradável almoço na varanda do clube que Roberto Barros informou a Raimundo que o escritório B & G Yacht Design tinha acabado de desenvolver o projeto de um veleiro de cruzeiro muito especial, um barco de quilha retrátil projetado para ser conduzido por tripulação reduzida, sendo essa a aposta do escritório de como deveriam ser os veleiros de cruzeiro do futuro.

O Explorer 39 projetado para ter quilha retrátil e dois lemes foi a aposta do escritório de como deve ser o barco ideal para cruzeiros oceânicos com tripulação reduzida. Renderização:www.ideebr.com

Poucos meses após a regata recebemos a visita de Raimundo em nosso escritório, interessado que estava em conhecer detalhes do Explorer 39. Acreditamos que tenha sido amor a primeira vista, pois pouco depois estava adquirindo o projeto e contratando o Estaleiro Estrutural, um dos mais renomados construtores de barcos de recreio do Brasil, para fazer a obra. O estaleiro da cidade de Cabo Frio, Rio de Janeiro, fez jus à reputação, construindo um barco de uma qualidade impressionante.

O Explorer 39 Caroll foi construído com um capricho e uma qualidade de dar água na boca. O sucesso que o barco vem fazendo em todas as escalas por onde pára é surpreendente. As pessoas sempre perguntam onde o barco foi construído e quem foram os projetistas. Foto: Roberto Barros

Ao terminar a obra Raimundo levou o Caroll para Ilha Bela, quando só para realizar um teste, inscreveu-se no circuito Semana de Vela de Ilha Bela. Apesar do barco ainda não ter praticamente velejado, mostrou nas regatas daquela competição, uma das mais prestigiosas do calendário sul americano, que tem um potencial de velocidade excelente, tendo se colocado muito bem naquela competição. No entanto seu objetivo era bem diferente. O que ele realmente desejava era dar a volta ao mundo em solitário, o plano inicial da conversa na varanda do Cabanga Iate Clube.

O grande compartimento à ré do salão é um lugar perfeito para a instalação dos principais equipamentos de bordo.
O gerador Fisher Panda quase não ocupa espaço nesse local. Notem como é confiável a transmissão dos dois lemes para a roda de leme

É raro alguém se preparar com tanta determinação como fez Raimundo. Verdade que ele já era um experiente navegador, tendo esbanjado competência durante todas as fases da preparação, desde a negociação sobre o projeto, até a escolha de cada equipamento a ser instalado. Nesse ponto ele teve total apoio de Marcos Toledo, o dono do Estaleiro Estrutural, com um resultado para deixá-lo super-confiante na empreitada que iria realizar.

O Caroll em Ilha Bela. Apesar de ter sido preparado para cruzeiro, o barco apresentou um excelente desempenho em regata. Foto: Marcos Toledo

Finalmente na primavera de 2010 Caroll partiu para a tão sonhada viagem. Já na primeira etapa, a do Oceano Atlântico, ele surpreendeu todo mundo fazendo o percurso do Rio de Janeiro até Recife em apenas oito dias, e de Recife a Granada em quatorze dias. De Granada ao Panamá levou apenas oito dias para completar o percurso.

Chegando ao Panamá Raimundo passou um e-mail para Roberto Barros contando um fato interessante. Os proprietários de outros barcos que se preparavam para fazer a travessia do canal ao vir conversar com ele, invariavelmente perguntavam onde o barco havia sido construído e de que país era o escritório que realizou o projeto. Quando Raimundo informava que o construtor e o escritório de projetos eram brasileiros, ele nos contou que a expressão de todos era de surpresa e incredulidade.

A travessia do Oceano Pacífico foi uma experiência forte para Raimundo. Ali, num oceano onde nunca navegara antes, estava iniciando a maior aventura de sua vida. O relato que nos escreveu dessa passagem mostra bem o estado de espírito em que se encontrava:

Realmente não tinha idéia do que era ficar 31 dias viajando sozinho em um veleiro de 12 metros. Houve momentos de alegria, por estar progredindo cada dia, momentos de tensão, quando vento e as ondas aumentavam. Os momentos mais difíceis eram ao final do dia com a incerteza de como seria a noite. Criava sempre uma expectativa psicologicamente negativa. Mas tudo isto era superado logo após o escurecer. Uma hora depois já estava adaptado à situação, curtindo por antecipação o amanhecer, com suas luzes e suas cores que com certeza renovariam o ânimo, o equilíbrio psicológico para continuar o desafio, que é viajar em veleiro sozinho, após 61 anos de idade.

O interior do Explorer 39 foi planejado para acomodar com muito conforto um casal e eventualmente até mais três convidados. O espaço à ré do salão é muito útil para a instalação de equipamentos volumosos, como o gerador auxiliar, por exemplo. Renderização: www.idéebr.com

O trecho mais difícil foi a viagem das Marquesas para o Tahiti. Existe um grupo ilhas chamadas TUAMOTUS, que estão situadas no meio do trajeto. Estas ilhas são formadas em crateras vulcânicas, com um lagoon interno protegido por uma barreira de corais, muito difíceis de serem  vistas com tempo ruim.

Caroll ancorado em quase mar aberto, em Nuku-Iva, Ilhas Marquesas, Polinésia Francesa. Raimundo informou que os gringos ficam de boca aberta quando ele diz que o projeto e a construção são brasileiros. Foto: Raimundo Nascimento

Havia programado para fazer este trecho durante o dia, mas o fato de ter tido dois dias de calmaria, me atrasou e terminei fazendo a travessia durante a noite com muita chuva e ventos de até  25 milhas, e ondas de 2/3 metros, que molhavam  o convés, não permitindo ficar fora do barco por muito tempo.

Cada onda que batia no costado fazia um barulho incrível, e tirava o barco do rumo. Felizmente a corrente entre as  ilhas de Rangiroa e Arutua eram favoráveis, permitindo fazer  este trecho mais rápido do que esperava. Ao passar o perigo coloquei novo rumo no piloto de vento, programei os alarmes de radar mais próximos, deitei no beliche e dormi quatro horas seguidas, acordando com os raios solares que penetravam pelas vigias.

Neste momento agradeci ao Criador, fiz uma meditação de 30 minutos, e a paz estava restabelecida entre eu e os elementos...

Ao chegar em Tahiti Raimundo viajou por uns dias para São Paulo para tratar de negócios particulares, quando então tivemos oportunidade de conversar com ele por telefone. Ele confirmou que o barco é bem fácil de ser conduzido e é capaz de fazer boa média de velocidade sem forçar demais o equipamento. Como é um velejador cauteloso e experiente, à noite costuma rizar um pouco mais do que o necessário a vela grande, e como a buja é auto-cambante, seu trabalho fica muito reduzido. Ele contou que deseja escrever um livro sobre a viagem e nesse trecho da travessia do Pacífico irá comparar sua passagem com a descrita no livro "Do Rio à Polinésia" escrito por Roberto Barros. Será sem dúvida uma comparação interessante entre um veleiro moderno, equipado com os mais sofisticados instrumentos de navegação e outro da metade do século passado tendo apenas o sextante para se localizar. Também irá comparar a descrição das ilhas e seus nativos relatada no livro antigo com suas próprias experiências. Vamos aguardar esse próximo livro com muita curiosidade.

Raimundo se superou ao planejar seu departamento de navegação e rádio-comunicação.
Raramente vimos uma instalação tão adequada quanto essa em outros de nossos projetos

De Tahiti Raimundo seguiu para Apia, Samoa Americana, de onde recebemos esse e-mail.

Mais uma vez tenho a grata satisfação de escrever informando sobre a minha viagem, desta vês de TAHITI até AMERICAM SAMOA (1245 milhas náuticas).

Programei minha saída de Papeete, dia 13/08/2011, às seis horas da manhã, saindo efetivamente às sete horas, após pequeno atraso nos preparativos.

Todas as vezes que estou para sair de um porto, tenho uma pequena dor de barriga, creio que de medo por ter que enfrentar novamente mares nunca por mim navegados, e obviamente o desconhecido. Sentia uma ponta de tristeza por deixar um lugar tão bonito, onde já estava me ambientando e fazendo novas amizades.

Realmente não tenho nenhum preparo para despedidas, pois me emociono com facilidade, e mesmo sem ter ninguém por perto, sempre uma lagrima rebelde escorre pelo meu rosto. Imaginem se tenho alguns amigos soltando as amarras.

A viagem começou sem vento algum, tendo que  ¨motorar"  das 7.00 horas até as 22.00 horas, quando entrou um vento favorável de  10 nós, o que permitiu velejar a 5 nós sem o barulho indesejável do motor. A alegria de velejar durou pouco, porque não tivemos mais ventos até  quarta feira. Motorávamos durante o dia e até as dez noite, quando desligava o motor, amarrava o leme,ligava o radar, deixava o barco a deriva, e dormia  a noite  inteira. Após a quarta feira o vento soprou  12/14 nós até domingo, dia 21/08/2011.No domingo o vento aumentou de intensidade até  25 nos, com ondas de 3 metros. Na segunda-feira o vento aumentou ainda mais, para 30 nós com rajadas de 35 nós, com ondas iguais.

Na noite de terça feira dia 23/08/2011, o vento  aumentou de intensidade, chegando a 40 nós. Baixei a vela grande, que já estava no terceiro riso, e deixei o barco totalmente sem velas, ou seja, em "arvore seca". Mesmo assim o barco navegava a 7/8 nós na surfada das ondas. Como minha  previsão de chegada a Samoa era para quarta feira dia 24/08/2011, fiquei a noite toda acordado, pois as condições de navegação assim exigiam. Com o barco  "voando "cheguei a  SAMOA AMERICANA" as 9.00 da manhã.

Muito feliz por ter  feito mais uma "perna" da minha viagem, comecei   a difícil missão de achar um lugar para ancorar, já que havia muitos barcos que haviam fugido do vento forte. Joguei a âncora oito vezes, e não conseguia  boa ancoragem, pois o ferro garrava (não segurava o barco). O problema era que o fundo é de pedra, e a profundidade mínima era de  15 metros, exigindo  90 metros de corrente, para uma ancoragem perfeita. Acontece que eu somente tinha 50 metros de corrente.

Felizmente os velejadores são uma classe muito unida. Veio um americano e perguntou se eu precisava de ajuda. Aceitei sem pestanejar, pois já estava ficando muito cansado. Tentamos mais uma vez seguindo a sugestão dada pelo americano, e mais uma vez não tivemos sucesso.

O Americano falou pelo radio com o Harbourmaster, que autorizou o uso do píer do porto para amarrar o barco. Doce ilusão, quando chegamos lá não havia lugar.

Um velejador alemão que observava todo nosso trabalho se movimentou em terra, e conseguiu com um barco de pesca que estava ancorado no porto com o motor quebrado, que eu ancorasse a contra-bordo. A operação de ancoragem a contra- bordo foi perfeita, agradeci ao americano e ao alemão, agradeci aos pescadores que me ajudaram na amarração das espias, tomei um banho e fui dormir.

Apesar da viagem de sonhos que Raimundo vem realizando, ele não poderá demorar muito para retornar, seja por seus negócios, seja porque tem que aproveitar as estações certas para atravessar as regiões por onde ainda terá que navegar. Como é um ótimo planejador, ele sabe que terá que passar pelo Cabo da Boa Esperança ainda no fim da primavera, para ficar livre da estação de furacões do Oceano Índico. Por isso passou poucos dias em Samoa Americana e seguiu direto para a nova etapa, a que o levaria até a metade do caminho, Thursday Island, no Estreito de Torres. Segue o relato deste trecho da viagem, o último que recebemos:

Após viajar 24 dias  cheguei hoje a THURSDAY ISLAND, AUSTRALIA , completando 50% da volta ao mundo em solitário. Este trecho da viagem foi um dos mais cansativos que já fiz.

Os primeiros  dois dias após a partida tínhamos ventos demais. Os oito dias seguintes, não tínhamos ventos. Os quatorze dias seguintes tínhamos vento de popa  de 22/35 nós,e ondas de 2,5 a 3,0 metros, com o barco armado de em asa de pombo, que o fazia pendular todo o tempo, tornando impossível  a vida dentro cabine. O ideal seria que eu tivesse quatro braços e mãos.O único lugar em que era razoavelmente confortável era no beliche, calçado com velas e almofadas para não cair nas adernadas.

Viajei a madrugada com a adrenalina a toda, pois havia muitos navios na rota, e nos dois sentidos, era uma navegação por radar, ecobatímetro e AIS, já que por se tratar de um canal, os navios têm preferência em virtude da sua restrição de manobra. Cheguei a Thursday Island na madrugada do dia 23/09/2011, já que não foi possível parar na ilha que tinha planejado para ancorar e dormir a noite. O problema é que eu cheguei perto da ilha quando já estava escurecendo e tinha mais 40 minutos para chegar. Com tantos arrecifes e bancos de areia, era demasiado arriscado ir até lá. Então tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida, continuar pelo canal, apesar dos navios e fortes correntes, que em determinados trechos chegavam a cinco nós, fazendo com que eu perdesse o rumo, dando  muito trabalho para voltar ao canal.

Mesmo assim quero deixar a minha homenagem aos verdadeiros heróis que atravessaram este canal em uma época que não havia GPS.

Thusday Island é uma cidade muito bonita, mas é a cidade do nada pode, por causa da proteção ambiental, e dos crocodilos e serpentes marinhas que habitam nestas águas. O pessoal da quarentena revistou o barco de fio a pavio, retirando e levando para incinerar alimentos enlatados e alimentos frescos, grãos verduras, leite, e leguminosas.

Então você vai ao supermercado e compra produtos australianos. Ai pode!

Finalmente após todas estas formalidades, estou com muita vontade de viajar o mais rápido que puder, pois daqui para frente cada milha viajada, estarei mais perto do nosso BRASIL, melhor pais do mundo apesar dos nossos políticos.

Abraços a todos

Marinheiro Raimundo

Já tínhamos acabado de editar essa matéria quando recebemos mais esse e-mail pelo radio SSB. Essa foi de arrepiar. Grande Raimundo, que sangue frio!!!

Amigos, 

Hoje às 3 horas da tarde, horário da Austrália, fui abordado por um barco de pesca com três pescadores mascarados e um sem mascara, com cara de Indonésio, que me mandou parar o barco.

Eu estava colocando uma vela de proa (CODE 0) E não percebi a aproximação do barco de pesca, quando ouvi o barulho do motor, eles já estavam a 300 metros do Caroll. Achei que eles estavam ali por acaso, mas quando olhei novamente e vi que três deles estavam usando mascara, minhas pernas tremeram, fiquei em choque por trinta segundos, amarrei o cabo que estava segurando, corri para a popa do barco, liguei o motor engatei avante em rotação máxima, desengatei o piloto de vento, engatei o piloto eletrônico, mudei o rumo, e comecei a fuga. Eles ficaram surpresos com a minha reação, eu acho que eles pensaram que eu ia parar, mas em seguida também mudaram o rumo e começaram a me seguir, mas mesmo assim eu conseguia aumentar a distancia, pois estava andando a 10 nós com vela e motor. Após 15 minutos de perseguição eles desistiram e começaram a mudar o rumo, mantive o motor em RPM Máximo por mais uma hora, até eles desaparecerem no horizonte.

Creio que se tratava apenas de pescadores inescrupulosos, pois se fossem piratas de verdade, teriam armas de fogo, estes somente tinham facas e facões, e um barco com melhores motores, há esta hora o amigo de vocês estaria fazendo companhia aos peixes no fundo do mar junto com o Caroll. Amanhã já estarei fora do limite onde os barcos da Indonésia pescam, e hoje à noite andarei totalmente apagado, para não chamar a atenção, os navios eu controlarei pelo radar.

Agradeci ao CRIADOR, por permitir que eu continue minha viagem.

Nessa altura do campeonato Raimundo já está no Oceano Índico. Pelo feito fantástico que está realizando iremos incluí-lo em nosso "Hall da Fama" como um dos melhores navegadores brasileiros de todos os tempos. Ficamos felizes pelo fato do projeto do Explorer 39 estar correspondendo às expectativas. Como a classe Explorer 39 está apenas iniciando sua carreira, o sucesso do Raimundo poderá influenciar muitas pessoas que conhecem o projeto, mas não têm conhecimento de como o barco se comporta. Um veleiro de cruzeiro de 39 pés que chega a navegar a dez nós não é tão comum assim.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Explorer 39


Pantanal 25 Vega - Relato de uma regata

Têm sido freqüentes em nossas notícias relatos de regatas onde barcos da classe Pantanal 25 demonstram possuir um potencial de velocidade surpreendente para um barco de camping, cujo principal objetivo do projeto é ser facilmente rebocável. Dark Ice, o pioneiro da classe em competições, venceu inúmeras regatas e ganhou alguns importantes campeonatos, sempre mostrando aos competidores que era um barco difícil de ser acompanhado.

O arranjo interno do Pantanal 25 está longe de ser despojado como o de uma máquina de regatas

Outros veleiros da classe continuaram confirmando esse bom desempenho, e agora nosso amigo Daniel D'Angelo, de City Bell, Buenos Aires, Argentina, o construtor amador campeão de velocidade de construção (foi o primeiro a terminar um barco da classe Samoa 28, o Sirius, embora não tenha sido o primeiro a iniciar), também está se provando ser bom regateiro. Sua segunda experiência como construtor amador foi fabricar o Pantanal 25 Vega no mesmo local do jardim de sua casa onde o Sirius tomou forma. O relato que nos enviou retrata bem o que dizemos:

Depois de várias regatas sem conseguir tirar proveito do que o VEGA promete, finalmente Oscar e eu tivemos esse prazer.

Sempre faltava alguma coisa. Sempre terminábamos mal e dizendo "... se isso não tivesse acontecido, teríamos ganhado ..."," ... se eu não tivesse comido a bóia ..."," ... se não tivéssemos encalhado... "

Foi no domingo passado, que decidimos começar fazer as coisas direito e botar pilha no assunto.

Chegamos cedo no clube para utilizar o primeiro turno travelift e limpar o fundo. Coitadinho! ... Tinha um tapete persa colado embaixo!.

Lavado, lixado e de volta pra água. Depois aproveitamos a oportunidade para acomodar a manobra já que somente íamos correr e com certeza íamos íamos içar o balão, coisa que nunca tínhamos feito sem ajuda.

O prognóstico indicava que haveria entre 4-7 nos, o que estava-se confirmando. Como era cedo, saímos testar o barco um pouco para ver como nós saiamos com a manobra do spi. Dava para perceber a diferença de ter o fundo limpo. O VEGA navegaba rápido quase sem vento. Que felicidade ver que poderíamos lidar com o spinnaker sozinhos! ... Parece tão complicado quando a manobra e feita por outro!

Depois de várias bordejadas voltamos ao clube para almoçar com a família.

As 15hs era a largada. Faltando 15 minutos os 22 barcos estávamos circulando perto da linha de partida. Como o vento ainda era fraco, foi um manobrar constante e muito lento de todos os barcos.

Essa foto foi tirada quando o Vega chegou ao clube e a quilha foi instalada.
Foto Daniel D'Angelo

Nós somente com a grande içada, fizemos um bordo oposto e retornamos faltando 2 minutos. Viramos e fazendo alguns zig-zag, faltando 5 segundos, içamos o genoa e partimos ... em primeiro lugar!

Há poucos dias atrás tinha saído a velejar com o VEGA em condições de vento parecidas e pensei experimentar com o movimento dos pesos da tripulação, a proa ou à popa ou contra-adernando. Notei que a resposta do

barco foi surpreendentemente sensível a esses movimentos. Com isto em mente, nós nos sentamos mais à frente possível, para o lado de sotavento, contra adernando o barco.

Foi um sentimento novo de olhar para trás e ver toda a frota atrás de nós! Eu nunca tinha experimentado isso!.

Foi incrível o quão longe estávamos do resto. Aqueles que conseguíamos ver, estavam fazendo o mesmo que nós.

O rumo para a primeira bóia estava contra o vento, em um trecho do rio faz uma curva ligeira. Com as rajadas ganhabamos, aos poucos, barlavento, com o objectivo de alcançar a bóia em uma única bordada. Apenas 3 barcos conseguimos, aqueles que estavam mais perto, o resto teve que fazer pelo menos uma para evitar a costa.

Os mais próximo eram um Pandora 31 e um Mitiaro256. O Pandora se aproximaba lentamente a nós, mas ao entrar uma rajada, o VEGA saia disparado, acelerando muito mais rápido e recuperava a distância.

O Vega testando as velas novas em sua primeira velejada.
Foto Daniel D'Angelo

Viramos a bóia primeiros, e a uma boa distância do Pandora.

Com calma nos preparamos para içar o balão, que nos custou um pouco devido ao nervosismo de estar em frente de todos. Quando conseguimos acomodá-lo, o VEGA navegou rapidamente, mantendo a distância com o resto da frota, apesar do Pandora içar um assimétrico, muito leve e simplesmente enorme!.

Na metade do percurso ate a segunda boia, soltou-se uns dos cabos do pau de spinnaker, causando a quebra de uma das pontas do pau de spi. Isso fez que ficássemos um tempo com o spi sem trabalhar, o que permitiu aproximar-se ao Pandora.

Quando conseguimos resolver temporariamente, começamos a afastarnos novamente até que quebrou de novo. Mais uma vez formos alcançados e, perto da segunda bóia conseguiram nos ultrapassar.

Acertamo-o novamente e voltamos para a ponta da regata, mas não por muito tempo porque, como eles estavam a barlavento, estamos constantemente desventados pelo assimétrico gigantesco. Então o vento começou a vir mais de proa. Os dois barcos baixamos quase simultaneamente o balão e içamos o genoa. Sem tripulação, gastamos mais tempo para manobra, acabamos virando a bóia em segundo, atrás do Pandora o qual, com equipe completa, fez tudo o mais rápido.

O bordo final foi no través, recuperando algum terreno mas não o suficiente para ser fita azul.

Só faltou isso!.

Pela posição do resto da frota sabia que tínhamos feito uma muito boa regata, que nos fez pensar não só em vencer nossa categoria, assim como o geral.

Ser o primeiro barco a voltar no clube depois de uma regata, também foi uma nova sensação.

Receber os parabéns dos outros barcos que voltavam, não teve preço!.

Antes da cerimônia de premiação, o VEGA foi elogiado por seu desempenho por muitos outros marinheiros que tinham participado da regata.

Entre hambúrguer e cervejas vieram os resultados e confirmamos a nossa previsão: ganhamos a classificação geral, com 4 minutos na frente do segundo, havendo dado conta de barcos de regata como um Match30!.

Apesar de ter feito manobras ruins, descobrimos que o VEGA é um barco muito rápido, o qual temos que navegar muito mais para conhecê-lo melhor. Com uma tripulação treinada certamente será um barco a respeitar nas raias.

Enfim, uma alegria numa regatinha local nos deixa muito felizes, especialmente porque agora sabemos que o barco pode ganhar!

Vejamos o que acontece na próxima!

Bons ventos

Daniel D'Angelo

Se você quiser obter mais informações sobre o Pantanal 25 Vega, acesse o site que Daniel criou para contar a história de sua obra e suas realizações com o barco clicando no link de nosso site: Pantanal 25 Vega

Clique aqui para saber mais sobre a classe Pantanal 25


Novo Lançamento: Pop Alu 32

Em breve estaremos lançando um novo projeto, o Pop Alu 32. Pop, pois será um barco que pretende popularizar a construção de alumínio em tamanhos menores que o habitual, e Alu porque como foi dito, é um desenho para construção em alumínio.

O nome do desenho já sugere que ele tem um parentesco com o mais recente lançamento do escritório, o Pop 25, e em certos pontos isto é verdadeiro. Embora seja um barco bem maior, suas linhas de casco e apêndices seguem a mesma filosofia, de barcos modernos e que pretendem oferecer aos seus donos travessias oceânicas com boas médias de velocidade e grande segurança.

Afinal, os monocascos mais arrojados e que frequentam as águas mais inóspitas do planeta hoje são os IMOCA 60, e se olharmos com atenção, estes tem lemes e linhas de casco que muito se assemelham às dos novos desenhos.

O Pop Alu 32 poderá ser todo pré-cortado em máquinas CNC e o tipo de estrutura é misto, com casco em chapa grossa de 8 mm quase autoportante e convés estruturado convencionalmente para poupar no peso, e consequentemente no custo.

A quantidade de solda necessária é bastante reduzida devido ao desenho com apenas seis costuras longitudinais de casco, e sua montagem será feita já com o barco na posição normal, sem ser necessária a virada do mesmo para a construção do convés e finalização da obra. Isto será mais um ponto de economia.

As quilhas são com bulbo cilíndrico, também com construção simplificada. O sistema de lemes será bem robusto, e uma plataforma pivotante na popa cobrirá todas as partes móveis exceto a cana, deixando um layout limpo e desimpedido no acesso ao cockpit quando a cana estiver levantada.

A opção por duas quilhas se justifica pelo baixo calado e possibilidade de encalhar o barco sem que este aderne. Isso pode representar uma boa economia na hora de fazer limpeza ou pintura no casco, e o baixo calado, além das vantagens óbvias de permitir acesso a lugares rasos, também aumenta a segurança de navegação por permitir o refúgio em lugares que seriam proibidos a barcos de maior calado.

O layout será clássico, com cabine de popa separada e beliche de proa à frente dos sofás, banheiro e cozinha ao pé da descida para a cabine e uma mesa de navegação de proporções só encontradas em barcos bem maiores. Essa mesa poderá ser usada como um confortável escritório para aqueles que quiserem fazer do Pop Alu 32 sua moradia nos mares.

Entre as facilidades para o construtor estará a oferta de kits de corte também para as madeiras do interior, permitindo o acabamento da obra em tempo recorde.

O kit de corte da estrutura completa de alumínio deverá estar pronto em menos de um mês, e o projeto todo detalhado nos próximos dois a três meses.

Estamos confiantes que este novo conceito será aceito pelo público brasileiro e do continente americano em geral, pois na Europa os barcos modernos de linha já incorporam muitos dos desenvolvimentos surgidos das classes de competição oceânica de longo curso, como a Volvo Ocean Race e a Vendée Globe.

O projeto do Pop ALu 32 não faz concessões à segurança, possuindo grande estabilidade e isso, aliado à construção hiper-robusta em alumínio oferece aos potenciais construtores a possibilidade de ter um barco para navegação de alcance mundial em tempo recorde e a um custo reduzido.

Quem quiser mais detalhes pode contatar o escritório nos e-mails info@yachtdesign.com.br ou luisdesenhos@gmail.com .

Pop Alu 32 - Dados principais

- Comprimento total 9.98 m
- Comprimento de casco 9.50 m
- Comprimento na Linha d'água 8.607 m
- Boca Máxima 3.32 m
- Boca na Linha d'água 3.07 m
- Calado do casco 0.37 m
- Calado total 1.28 m
- Deslocamento de desenho 4600 Kg
- Deslocamento leve 4400 Kg
- Deslocamento carregado 5400 Kg
- Lastro de chumbo + peso da quilha 1218 Kg (940 Kg Pb)
- Área molhada de casco 21 m2 (25 m2 com as quilhas)
- Área Velica 45.4 m2
- Coeficiente Prismático 0.52
- Relação peso / Deslocamento 203
- Relação área velica/ área molhada 2.2
- Índice de estabilidade estática (STIX) 34.6 - Classe A

Nota: Alguns valores podem ser ajustados até o lançamento final do projeto.
Algumas imagens podem mostrar opções diferentes de mastreação


Curruira 42 Passatempo

Essa nova Curruira 42 inaugurada em junho de 2011 vai dar o que falar. Construída por seu proprietário, Adriano Marcelino, em aço carbono, seu casco ficou tão perfeito que é difícil imaginar que tenha sido feita com esse material. Mais surpreendente ainda é o fato de a obra ter levado menos de um ano para ser concluída.

Curruira 42 Passatempo. Um casco de aço tão bem-feito como esse é raro de se encontrar.
O Adriano está de parabéns!

A Curruira 42 é de um tamanho mágico. Ela não é tão grande para ficar na categoria de barcos para milionários, nem é tão pequena que não possa receber uma família com todo o conforto que tenha direito.

Também tem o fator custo que deve ser considerado. Ela deve ficar bem mais em conta do que um veleiro de cruzeiro com o mesmo volume interno, tanto por não precisar de todos os acessórios do veleiro, como por ser muito mais ampla para um comprimento equivalente de linha d’água, especialmente por possuir dois andares internos e mais o fly-bridge, que é uma terceira área social.

O conforto interno dela é baseado em uma de nossas premissas, de que deve haver harmonia entre todas as funções de bordo, nunca sacrificando um ambiente em benefício de outro. A Passatepmo ficou exatamente assim.

Curruira 42 virtual. Achamos engraçado ver que até nossa opção de cor do casco coincidiu
com a escolha de nosso cliente. Renderização: www.ideebr.com

Projetamos a Curruira 42 para ser uma traineira do tipo clássico, que de brincadeira citamos em nosso site como sendo um barco como aqueles que o ator Humphrey Boggart poderia ter usado em um de seus filmes de aventura. Ela parece um daqueles naviozinhos com o qual a gente sonha em ir navegando para um lugar bem distante em companhia de nossa namorada.

Se o texto inspirou ou não nosso cliente, isso não sabemos dizer, mas uma coisa temos certeza, sua escolha de cor do casco foi a opção que adotamos nas figuras renderizadas que colocamos no home-page.

Num país tropical uma boa praça de popa é muito simpática. A pequena copa a boreste da entrada da cabine contribui para tornar mais prazerosa a utilização dessa verdadeira varanda. A posição de estiva do inflável
no fly-bridge, içado pelo pau de carga, é muito conveniente também.

O salão da Curruira 42 oferece conforto para até nove pessoas se socializarem ou seis pessoas apreciarem
uma refeição caprichada. Renderização: www.ideebr.com


A Passatempo foi uma construção particular realizada com muita competência. Adriano a fabricou sem utilizar arquivo CNC, o que o obrigou a realizar um trabalho penoso, o de fazer modelos de todos os painéis e soldá-los com perfeição para não empenar as chapas. Mas isso não foi um fator que o atrasasse ou que trouxesse imperfeições na superfície do casco. O acabamento externo acabou ficando de primeiríssima classe. Agora se nos perguntarem se dá para fazer uma Curruira 42 em aço, construção semi-amadora, poderemos dizer sem receio: yes you can!

Clique aqui para saber mais sobre o Curruira 42


Pop 25 – Finalmente o projeto já está disponível

Depois de muito trabalho e alguns adiamentos finalmente ficou pronto o projeto do Pop 25. Como é quase rotina, a cada novo projeto que desenvolvemos, sempre procuramos superar os anteriores, tanto em detalhamento, quanto em clareza de demonstração de nossas plantas. Por essa razão não é raro estourarmos o tempo previsto para concluir o trabalho. Como o mais importante sempre será qualidade, e o projeto terá tempo de sobra para fazer uma bem-sucedida carreira, até que não nos importamos muito quando atrasamos nosso cronograma.

Normalmente teríamos esperado até a conclusão dos trabalhos para só então anunciar o modelo. Mas dessa vez fomos convidados para dar uma palestra no Rio Boat Show de maio de 2011 e não quisemos perder a oportunidade de divulgar esse lançamento para o público do salão. Até que tentamos terminar o projeto coincidindo com a data da palestra, mas era muito serviço ainda faltando, e lançar naquela ocasião seria precipitado.

Valeu termos queimado o filme da surpresa do lançamento, pois a palestra foi muito concorrida e o interesse que a palestra despertou nos deixou em estado de graça . No fim fomos procurados por vários interessados em construir o barco, inclusive um visitante dos Estados Unidos que nos informou ter interesse em construí-lo em série.

Nota publicada na Revista Nautica de junho de 2011 a respeito da palestra que demos no Rio Boat Show
sobre o lançamento do Pop 25 em maio desse ano

No fim foi um gol de placa todo esse esforço. A mais importante decisão que tomamos foi a de disponibilizar as plantas antecipadamente para nosso amigo Daniel D’Angelo, de Buenos Aires, Argentina, que tinha demonstrado grande interesse pelo Pop 25, para construir o protótipo do modelo, garantindo-lhe apoio total com uma assistência técnica on-line, em contrapartida recebendo o presente de ter um barco construído simultaneamente com a finalização do projeto.

Daniel é um talentoso construtor amador. Sem ter experiência anterior alguma ele construiu o primeiro Samoa 28 a navegar, o veleiro Sirius, um barco que fez para a família e com o qual navegou de Buenos Aires até Punta Del Leste, Uruguai, pouco após terminar a construção.

O Pop 25 Horus, que está sendo construído em City Bell, Buenos Aires por Daniel D’Angelo,
levou exatos dez dias para ter suas onze anteparas e roda de proa preconstruídas em bancada. Foto: Daniel D’Angelo

Em um encontro na noite do Baixo Gávea, aqui no Rio de Janeiro, conversamos sobre o novo projeto que seria lançado, um barco bem diferente de tudo que já fizéramos anteriormente, cuja principal virtude para o construtor amador deveria ser seu baixo custo para um veleiro oceânico e a rapidez de fabricação. Como esses eram fatores importantes para ele, a decisão de construir o primeiro Pop 25 simultaneamente com a conclusão do projeto foi tomada naquela noite.

Agora isso já está se tornando um fato consumado e os interessados no projeto já irão encontrar uma galeria de fotos da fabricação do Horus nos links em nossa seção de links, Samoa 28 Sirius, Pantanal 25 Vega e Pop 25 Horus. É só clicar em cima à direita em Horus, abrindo o site clicando na bandeira argentina. As fotos datadas são uma prova que o Pop 25 é de fato um barco rápido e fácil de ser construído.

A sequência de fotos é bem didática, e dando o desconto que Daniel, sendo geólogo, trabalha um mês em campo e um mês no barco. Para julgar a velocidade de construção é preciso descontar cada mês que a construção ficou interrompida.

O Horus rapidamente vai tomando forma no jardim da casa de Daniel, no exato lugar
onde foi construído o Samoa 28 Sirius. Foto Daniel D’Angelo

Como a conclusão do projeto demorou um pouco mais do que prevíramos, acabamos ficando com uma lista de interessados que nos passaram e-mails interessados no projeto. Agora iremos respondera todos informando que o projeto já está disponível e que estamos prontos para atender a todos que quiserem construir o Pop 25.

As duas quilhas feitas com chapas de aço carbono com 20mm de espessura já estão cortadas e foram feitas
pelo serralheiro do bairro, uma das grandes facilidades do projeto. Foto Daniel D’Angelo

Daqui para frente iremos publicar em nossas notícias os principais acontecimentos da classe, especialmente sobre as construções que forem acontecendo em diferentes lugares.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Kiribati 36, mais uma unidade em construção

Ficamos muito contentes de receber a vista do casal Jone e Vera, que iniciaram a construção de seu veleiro dos sonhos, um Kiribati 36, já em pleno andamento no estaleiro Ilha Sul de Porto Alegre.

Jone e Vera na sala do Green Nomad em Rio Grande

Jone vinha em contato conosco há bastante tempo, e ver as primeiras cavernas já montadas é uma grande alegria para eles e para nós também.

O Kit CNC do Kiribati 36 foi todo revisado depois da construção do primeiro da classe, o Green Nomad, e hoje podemos dizer que as soluções aplicadas e alguns pequenos melhoramentos, como o fato da chapa lateral de costado ultrapassar o nível do convés e já fazer às vezes de borda falsa tornaram este kit um verdadeiro ganho de produtividade para os construtores.

O tempo de construção da caldeiraria fica muito reduzido com o emprego destes kits de corte, além da precisão e qualidade da montagem serem superiores às possíveis de atingir com o método convencional de montagem.

As seções transversais foram todas montadas na primeira semana e já é possível ver o barco começando a tomar forma.

O tamanho do barco, 11 metros, fica na divisa entre barco pequeno e barco grande. Ele ainda não é demasiado caro de construir e difícil de manejar, mas permite uma autonomia praticamente ilimitada, com capacidade de armazenamento suficiente para longas expedições.

Seu casco reforçado com 10mm de espessura no fundo e 8mm nas laterais se presta às mais difíceis condições de navegação, de tempestades tropicais a aventuras polares, tornando o Kiribati 36 a opção viável para aventureiros grandes em inspiração mas sem grande suporte financeiro.

O casco do Kiribati 36 é mais reforçado do que o deste navio!

O projeto opta sempre por soluções simples para os sistemas essenciais de bordo, o que significa que uma vez construído, o futuro aventureiro pode ter a tranquilidade de saber que possui um barco que foi pensado para dar o mínimo possível de despesas operacionais. O fato de o casco ser de alumínio também ajuda nesse sentido.

Um barco simples, com cana de leme e sistemas robustos.

Para aqueles que gostam do modelo, mas não precisam de baixo calado, a novidade é que está praticamente pronta a versão do projeto com quilha fixa. Esta versão deve ficar um pouco mais econômica de construir. Os benefícios de se poder entrar em lugares com apenas 80 cm de água não vem de graça, é claro, e quem não precisa dessa característica, mas ainda acha as soluções do projeto atraentes tem agora mais uma opção dentro da linha do escritório.

O Kiribati 36 poderá ser construído também com quilha fixa

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36


Multichine 41SK Bepaluhê. Da tela para a água

Luis Manuel Pinho

Quando ainda estávamos vivendo dentro do Green Nomad quase vazio, com uma mesa improvisada, recebi uma ligação de um cliente fazendo perguntas sobre a possibilidade de desenvolver um kit CNC para o projeto que ele queria comprar.

Escritório de desenho num casco quase vazio

O projeto era o MC 41 SK e o tempo de execução seria de 3 a 4 meses. O momento seria mais de tentar prosseguir com a obra o interior do Green Nomad, mas esta não progredia justamente por falta de fundos, de modo que decidi que era melhor colocar nosso projeto de lado por um tempo e pegar este serviço.

Foi assim que começou a história de mais um barco construído a partir dos planos do escritório, o Bepaluhê, dos nossos clientes e amigos Paulo e Betinha. Enquanto a Marli começava a cortar e colocar isopor para o isolamento térmico do Green Nomad, eu comecei a modelar este desenho, que já tinha várias unidades construídas pelo método convencional de "lofting".

Enquanto eu desenhava as obras em casa prosseguiam

Resolvi começar do básico, da tabela de cotas mesmo, e de coordenada em coordenada foi surgindo a forma de um lindo casco.

Como todos os barcos desta classe anteriormente haviam sido construídos em aço, houve um pouco de desenvolvimento novo a fazer, e algumas soluções para a quilha retrátil tiveram que ser repensadas.

Quando a fase inicial do kit CNC ficou pronta, Paulo pôde encomendar as chapas para as cavernas, casco e convés, e logo depois acompanhar o processo automatizado de corte das mesmas.

Em menos de 2 meses a obra começava a sair do âmbito virtual para o real, com as cavernas sendo montadas e depois posicionadas no picadeiro.

Visitamos diversas vezes a obra, e sempre me impressionava com essa cópia que a realidade fazia daquelas peças idealizadas na tela de um pequeno notebook. Ao mesmo tempo em que o novo barco ia tomando forma nós íamos fazendo o interior do Green Nomad, nosso Kiribati 36.

Por sorte a construção se deu na mesma cidade em que estávamos, e pudemos assim acompanhar todas as fases, até o lançamento, ao qual só a Marli esteve presente pois aconteceu na mesma época em que eu estava transportando um barco do Tahiti para o Mediterrâneo.

O Bepaluhe pronto para flutuar

Agora vamos poder ver o Bepaluhe na sua passagem por Rio Grande, e assim estarão dois representantes da nova linha de veleiros monocasco em alumínio com calado reduzido projetados pelo escritório lado a lado.

O dono do barco deixou de ser cliente para ser amigo e é muito gratificante ver o resultado do trabalho, não mais um projeto virtual e um sonho futuro, mas uma realidade que flutua e navega, levando uma família para lugares e momentos que tanto projetaram.

Para seguir o blog do Bepaluhê, clique aqui.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 41SK.


Antártica. Um navegador tropical visita os mares gelados

Luis Manuel Pinho

Muitos dos projetos do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) tem a denominação Polar em seu nome. Eu já trabalhei no desenvolvimento de kits de corte CNC para dois deles, o Polar 50 e o Polar 65, mas ainda assim Polar era apenas uma palavra com som intrigante e apelativo.

Nevasca e growlers na água, um mundo de distância para os atóis com que sempre sonhamos

Agora, de volta de minha temporada como voluntário do Sea Shepherd a palavra traz memórias e não mais apenas especulações.

Navegamos mais de 22000 milhas náuticas na última campanha Antártica, e quase sempre abaixo do paralelo 50, sendo que os pontos ao Norte de nossa campanha eram Tasmânia e Nova Zelândia.

O continente antártico ao fundo, no MacMurdo Sound, a 77 graus de latitude Sul

Navio coberto de gêlo após atravessar uma tempestade com 65 nós de vento

A maior parte do tempo passamos abaixo de 60 graus Sul, e no Ross Sea estávamos entre 70 e 79 graus de latitude, culminando a 78 graus 39 minutos Sul, em Bay of Whales, onde Roald Amundsen parou seu navio para a conquista do Pólo Sul em 1911.

Encontramos praticamente todas as condições de tempo possíveis nessa área, e infelizmente tivemos que atender a um chamado de busca e resgate, e quando nos dirigíamos para a área experimentamos condições que pareciam irreais, de outro planeta, gelado, cinza e extremo.

Tempestade a 58 graus Sul, duração uma semana, ventos a mais de 65 nós no auge. Foto cortesia de Fabricio Sestini.

Definitivamente o maior pesadêlo em minha opinião era ser responsável pelo governo do navio em águas que tinham uma grande e variável concentração de "growlers", que são pedaços de gêlo que variam do tamanho de uma caixa de sapatos a uma casa grande, muitas vezes quase submersos, que só se vêem quando as ondas os movimentam.

Sem possibilidade de desviar, a única opção é quebrar e afastar

Chegamos a navegar à noite no meio desses blocos de gêlo, e mesmo usando holofotes às vezes sabiamos que só a sorte e um casco forte nos separavam de um desastre, pois com tempestades de neve as luzes apenas refletiam na mesma e nada se via.

Para se navegar por ali, somente com boa visão periférica de dentro de um espaço aquecido e sabendo-se que o casco vai aguentar quando o inevitável growler escondido estiver na proa.

Um pinguim solitário num mundo de gêlo

Já os icebergs proporcionam mais admiração do que preocupação, pois são facilmente detectáveis no radar e relativamente fáceis de evitar. Passar a poucos metros de uma parede de gêlo com tons variando do branco total a azul é uma experiência com que quase todo navegador sonhou um dia.

Arte na natureza

Luzes dançantes: A aurora Austral pinta na atmosfera!

Uma coisa é certa: barco para navegação polar tem que estar com todos os sitemas em perfeito funcionamento e todos os passos requerem um planejamento impecável.

O Gojira no Oceano Austral. Mais tarde comandei o Gojira do Tahiti ao sul da França

Mas tomando-se as devidas precauções e respeitando-se o período correto de navegação, não há razão porque as regiões polares do planeta não possam ser visitadas e admiradas.

Lembremo-nos que há mais de um século homens como Scott, Shackleton ou Amundsen já navegavam por estes lugares, em condições que hoje em dia nós não podemos nem imaginar.

Bay of Whales, onde Roald Amundsen parou o Fram para conquistar o Pólo Sul em 1911

Mount Erebus, Ross Island, o vulcão ativo mais austral do mundo

Nota: Luis Manuel Pinho é engenheiro metalúrgico e yacht designer.

Presentemente ele faz uma parceria com o escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália), sendo o autor dos projetos de corte por arquivo CNC da maioria dos projetos de estoque dos barcos metálicos do escritório.

Luis foi o co-autor do projeto do Kiribati 36, cuja primeiro barco desse desenho, o Green Nomad, já está concluído e está praticamente pronto para realizar uma longa viagem internacional.

Luis participou da construção da parte metálica de seu barco e em seguida o completou, fazendo todas as instalações e o mobiliário, isso já morando a bordo, tendo apenas sua esposa Marli Werner como companheira de trabalho. Em novembro de 2010 foi convidado a se juntar à expedição de combate à caça de baleias empreendida pelos japoneses no Oceano Austral a bordo do navio Steve Irwin da organização não governamental Sea Shepherd. Terminada essa temporada, foi convidado para comandar o trimarã a motor de 115 pés de comprimento Gojira, um participante dessa mesma expedição, numa viagem de entrega desde Tahiti, na Polinésia Francesa, até à Costa Azul Francesa, no Mediterrâneo.

Terminada esta entrega, Luis está de retorno ao Rio Grande do Sul, mais especificamente, à cidade de Rio Grande, onde seu barco está estacionado no momento, para terminar a preparação para seguir viagem para o Pacifico Sul, onde pretende realizar cruzeiros tendo como base a Austrália, país do qual é cidadão. Ele pretende continuar a parceria com a Roberto Barros Yacht Design usando seu barco como escritório de trabalho, colaborando on-line no desenvolvimento de novos projetos.

O veleiro Green Nomad tem um blog muito visitado com links em nossas home-pages em português e em inglês: http://greennomadsail.com/

Clique aquí para saber mais sobre o Polar 65

Clique aquí para saber mais sobre o Polar 50

Clique aquí para saber mais sobre o MC41SK

Clique aquí para saber mais sobre o Kiribati 36


Southern Voyager 28. A construção da Retriever em City Bell, Argentina


Ariel Mauriño, com a ajuda de seu irmão, acabou de construir o casco do trawler Retriever, uma Southern Voyager 28 que está sedo feita em City Bell, um aprazível local entre Buenos Aires e La Plata, Argentina.

A SV 28 possui casco Redondo, o que é muito apreciado pelos construtores amadores
que gostam de construir em strip-plank. Renderização: www.ideebr.com

O interior da SV28 é adequado para se viver a bordo por períodos prolongados.

Os dois irmãos construíram o casco sem maiores dificuldades. Muito raramente eles nos passaram e-mails perguntando sobre alguma dúvida, na maior parte das vezes porque o manual de construção não estava escrito em espanhol. Mas em um aspecto eles tiveram sorte. Tinham um vizinho, Daniel D’Angelo, um construtor amador nosso cliente que fabricou sozinho no jardim de sua casa o primeiro Samoa 28 a ficar pronto, o Sirius, do qual já falamos várias vezes em nossas notícias. Foi uma baita coincidência que duas pessoas de um mesmo bairro viessem a construir dois barcos de nosso escritório, tendo tantos outros lugares para que isso pudesse acontecer.

É verdade que Daniel se tornou conhecido em City Bell Daniel como o cara que estava fazendo um veleiro no quintal de casa. Assim, foi natural que os Mauriño e Daniel passassem a trocar informações e a experiência de Daniel deve ter sido muito proveitosa. No segundo vídeo Daniel aparece junto com um grupo de amigos dos Mauriño, provavelmente para participar de um churrasco de comemoração de alguma fase da obra. Seja por alguma ajuda de Daniel, seja pela própria competência dos Mauriño, a verdade é que o casco da Retriever ficou um espetáculo, o que é certeza de que o barco irá ficar muito bem construído.

Onde os Mauriño mostraram muita habilidade foi no afagamento da estrutura, que pelo vídeo pode-se constatar que ficou perfeito. De nossa parte ficamos contentes por verificar que as informações que fornecemos no roteiro são adequadas para que nossos clientes, mesmo os mais inexperientes, consigam realizar suas obras sem dificuldades.

Achamos os dois vídeos muito interessantes, e com que trilha sonora! Logo as mais lindas composições de Astor Piazzolla! O clima dos vídeos não poderia ter ficado mais portenho!

***

Jabirico, um mini-navio no coração do Brasil

Jabirico sendo lançado à agua no Lago Paranoá.
Cortesia: Estaleiros Flab

Joaquim, como um capitão de longo curso aposentado é uma pessoa que sente imensa saudade do tempo que comandava seus navios. Morando tão distante do mar, não deixou de ser uma decisão lógica ter encomendado um trawler para recreio, em vez de uma lancha, que precisa tirar uma boa parte de sua carena da água para funcionar direito.

Para não agredir seu gosto estético, pediu ao construtor, Flavio Antônio Rodrigues, que fizesse uma alteração no projeto original, invertendo a parede frontal do pilot-house, deixando-o com um jeito muito mais clássico, mais semelhante a dos tijupás dos navios. E não é que ficou uma graça?

Outra alteração que Joaquim encomendou ao estaleiro foi uma mudança no layout da cabine de proa. No projeto original essa cabine acomoda até seis pessoas para pernoite. Não sendo essa sua realidade, pediu para o construtor que o lado de estibordo fosse transformado em um escritório com uma longa bancada de trabalho e uma confortável cadeira onde pudesse usar seu computador com o mesmo conforto como se estivesse em casa. Na verdade o Jabirico ficou parecendo um trawler muito maior do que seus 28 pés podem sugerir, para pura felicidade de seu proprietário.

Ao testar o motor, navegando na rotação máxima, Jabirico atingiu a velocidade de 7.2 nós. Na rotação de cruzeiro navegou a 6.5 nós, o que está plenamente coerente com o programa de previsão de velocidade. Afinal ele é um barco de deslocamento com grande autonomia e formato de casco próprio para navegar no oceano.

Agora nossa curiosidade é saber por quanto tempo nosso velho marinheiro irá se contentar em singrar as águas plácidas e limitadas do lago de Brasília antes de querer levá-lo para o seu verdadeiro elemento, o oceano sem fim.

Clique aquí para saber mais sobre a Southern Voyager 28


Pop 25 - Notícias sobre a palestra no Rio Boat Show

Foi uma grata surpresa a boa recepção que teve nosso novo lançamento junto ao público que compareceu à palestra do dia primeiro de maio no salão náutico do Rio de Janeiro.

Como esse projeto é um barco bem diferente, estávamos um pouco apreensivos.

Pop 25, uma pequena revolução na construção amadora. Fácil e barato de construir, espaçoso internamente, insubmersível e isolado termicamente. Seu motor elétrico auxiliar permite que navegue sem consumir uma gota de combustível fóssil mesmo quando não houver vento. Renderização: www.ideebr.com

No entanto, pelas perguntas feitas após a palestra, vimos que o projeto causou um impacto bem favorável e muita curiosidade, e o que mais ouvimos foi que o Pop 25 será como os barcos do futuro.

A palestra foi narrada por mim, Roberto "Cabinho" Barros, e projetada por Fred Vecchi e Murilo Almeida, da Idée Industrial Design, parceiros da B & G Yacht Design, (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) na elaboração do projeto.

Como boa parte dos expectadores era de pessoas que possuem barcos nossos e nos conhecem pessoalmente, para dar um clima de espírito de corporação, chamamos Luis Gouveia, co-autor do projeto, para uma vídeo-conferência desde a ilha de Geoge-Gi, na Coréia do Sul, de onde o escritório está operando no momento.

Para que todo mundo entendesse um pouquinho o que estava acontecendo com esse escritório tão misterioso, funcionando desde o ouro lado do mundo, comecei a palestra com a história resumida de como há mais de quarenta anos tudo começou, quando o minúsculo Strip-Tease, nosso primeiro projeto, um veleiro de 4.80m de comprimento construído no quintal de casa, na então aldeia Ipanema, navegou do Rio de Janeiro a Santos e voltou sem problemas, em minha viagem de lua de mel. Não fosse a coragem e o desprendimento de minha esposa Eileen, talvez nada do que aconteceu depois teria sido possível, pois ela ainda foi companheira de muitas outras aventuras.

***

Com essa introdução estava aberto o caminho para falar do novo projeto, o barco que projetamos para que pessoas assim como nós pudessem realizar seus sonhos de viagens em um veleirinho de cruzeiro.

Com 25 pés de comprimento comparados aos 16 pés do Strip-Tease, além de toda a evolução ocorrida em design de iates durante esse tempo, quando apresentamos o vídeo produzido pela Idée Design Industrial mostrando o Pop 25, a impressão da platéia foi a de que se tratava de um maxi-iate.

O mini-veleiro oceânico Strip-Tease levou o casal Eileen e Roberto Barros com segurança numa viagem de ida e volta do Rio de Janeiro até Santos em sua lua de mel, em dezembro de 1964.

Ao falar sobre o Pop 25, citei que é um barco insubmersível, tem um conforto interno de dar inveja a barcos bem maiores, e que pode navegar em qualquer direção, haja vento ou não, sem consumir uma gota de combustível fóssil, graças a seu motor auxiliar elétrico, que se transforma em gerador quando o barco navega à vela.

O Pop 25 pode ser construído por um amador sem experiência anterior. O fundo plano e o costado vertical permitem uma fabricação super-rápida, utilizando como ferramentas básicas prego e martelo. Renderização: www.ideebr.com

Quando mencionei que o Pop 25, não importando se feito por amador ou por estaleiro profissional, irá custar bem menos do que os barcos que se fabricam hoje em dia, então o interesse pelo projeto ficou estampado na fisionomia de muita gente.

O interior do Pop 25 é uma verdadeira casinha. Três beliches de casal em um barco desse tamanho deve ser um caso inédito. Renderização: www.ideebr.com

Pelas perguntas que nos fizeram após a palestra sentimos que o conceito apresentado deve ter mexido com a cabeça da galera.

Foi animador esse primeiro capítulo da história do Pop 25. Para nós que sempre nos empenhamos em ajudar pessoas de todas as idades a encontrar uma forma de ter seu barco oceânico, a sensação de que nosso trabalho teve boa receptividade foi um prêmio inesperado.

Pop 25, o veleiro oceânico que a B & G Yacht Design projetou em parceria com a Idée para tornar o esporte do cruzeiro a vela uma atividade mais democrática. Renderização: www.ideebr.com.

Até o fim de maio o projeto deverá estar disponível, mas antes disso o protótipo já está sendo fabricado.

Quem iniciou a construção foi nosso amigo Daniel D'Angelo, o primeiro construtor a terminar um Samoa 28, o Sirius, embora não tenha sido o primeiro a adquirir o projeto.

Daniel o construiu no jardim de sua casa, em Buenos Aires, Argentina. Pouco após a inauguração participou da regata Buenos Aires - Punta del Leste obtendo boa colocação na regata. Satisfeito com a experiência, em seguida construiu o Vega, um Pantanal 25, com o qual vem se dando super-bem na temporada de regatas de 2011. Daniel espera estar com seu Pop 25 terminado em poucos meses e ofereceu nos fornecer a planilha de custos de sua construção para que possamos publicá-la em nosso site.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Pop 25, palestra no Rio Boat Show

No dia 1° de maio de 2011 às 20:00 Murilo Almeida e Roberto Barros irão apresentar uma palestra sobre o próximo lançamento do escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design na Austrália) no pavilhão de palestras do Rio Boat Show. O barco em questão é o Pop 25, um projeto de veleiro oceânico mais fácil e mais barato para ser construído do que o usual, uma pequena revolução na construção amadora.

O escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) irá fazer em 2012 vinte e cinco anos de atividade. Durante todos esses anos o estúdio já produziu mais de cem projetos, alguns deles tendo se consagrado como verdadeiras lendas em desenho de iates, havendo centenas de unidades de alguns desses projetos navegando ou em construção.

Essa história bem-sucedida teve início duas décadas antes, quando Roberto Barros e sua esposa Eileen foram velejando do Rio de Janeiro até a Polinésia Francesa a bordo do Sea Bird, um veleiro de 7.5m de comprimento desprovido de motor de centro, numa aventura pioneira, tendo sido os primeiros brasileiros a cruzar o Canal de Panamá e atravessar o Oceano Pacífico até as ilhas da Polinésia. Essa viagem, que depois rendeu o livro "Do Rio à Polinésia", foi semente de sonhos de muitas pessoas que desejavam chegar a lugares praticamente inacessíveis por outras formas de transporte.

Já na década de sessenta a família Barros tinha um cuidado especial em produzir uma atmosfera aconchegante ao interior da cabine. Para a inglesa Eileen o "five o'clock tea" não poderia faltar, embora falhando um pouquinho na pontualidade britânica. Foto Roberto Barros

A viagem do Sea Bird ensinou a Roberto e Eileen que não é necessário possuir um iate de luxo para que se possa sentir feliz. Em seu veleiro desprovido das mínimas amenidades do mundo moderno, tais como água corrente na pia da cozinha, luz elétrica, altura suficiente para ficar em pé dentro da cabine, além de não contar com qualquer meio de se comunicar de bordo com o exterior, mesmo assim não se lembram de ter passado momentos melhores em suas vidas. Apenas uma característica do barco era um pouco preocupante. Ele era estreito como uma faca cortando a água. Com pouco mais de 1.90m de largura máxima, o Sea Bird andou aprontando algumas ciladas aos seus tripulantes, como uma capotada quase completa no Mar do Caribe, ao ser atingido por um rabo de furacão que o fustigou por mais de vintee quatro horas, quando Eileen, em um de seus quartos ao leme, foi jogada ao mar, sendo salva pelo cabo de segurança, obrigatório para quem estivesse fora da cabine. (O barco apontou o mastro para o fundo do mar ao ponto de que tudo que estava solto a bordo ter ido parar no teto da cabine).

Ao chegar ao Panamá uma surpresa aguardava o casal. Eileen descobriu que estava grávida e a travessia do Pacífico a pegou nos primeiros meses da gestação, o que a fez marear muitas vezes, mesmo quando o mar estava calmo como um espelho.

Após terem navegado por um bom tempo pelas ilhas da Polinésia, estabeleceram-se em Papeete, capital da Polinésia Francesa, e em março de 1969 nasceu naquela cidade Astrid Barros, talvez a única brasileira natural da capital da Polinésia Francesa. Apesar de o parto ter sido por cesariana, três dias após o nascimento a família já estava instalada de volta a bordo, pois ali era seu único e verdadeiro lar...

Eileen levando a pequena Astrid para aproveitar o sol da manhã no Parc Bougainville localizado a poucos metros de distância de onde o Sea Bird estava atracado. Foto: Roberto Barros

***

Quando o escritório de projetos foi criado ficou decidido que um de seus principais objetivos seria ajudar pessoas com menor poder aquisitivo a possuir um veleiro oceânico. Os barcos menores de nossa linha deveriam ser robustos e capazes de resistir a mau tempo, tão incólumes quanto o Sea Bird, no entanto abandonando o conceito das instalações espartanas do primeiro modelo.

Para atender à comunidade de pessoas sem condições de comprar um barco oceânico produzido em serie, relembrando a feliz experiência do Sea Bird, o escritório desenvolveu o projeto do MC23, primeiro veleiro para construção amadora oferecido ao mercado náutico brasileiro.

Multichine 23 MXII Sollazzo. É surpreendente como esse veleiro é volumoso e confortável. Cortesia: Flávio Traiano

A iniciativa foi sucesso absoluto. O projeto agradou tanto que hoje existem mais de trezentas unidades navegando ou sendo construídas. O modelo, embora mantendo o mesmo desenho de casco do projeto original, já está numa quarta versão, sempre tendo sido alcançado algum refinamento em cada nova versão. Em 2006 o projeto foi publicado em forma de livro, tornando-se um campeão de vendas da B & G Yacht Design.

No entanto não foi sem merecimento que essa carreira bem sucedida aconteceu. O MC23 é um perfeito iate oceânico, capaz de realizar o mais ambicioso dos cruzeiros a vela, e sua construção está ao alcance do mais inexperiente dos amadores, como já foi comprovado por inúmeros construtores.

O MC23 MKIV é um verdadeiro veleiro oceânico, sendo robusto, confortável e marinheiro como poucos barcos de seu porte. Cortesia: Flávio Traiano

A carreira de sucesso do MC23 praticamente seguiu paralela à de Astrid Barros. Tendo passado a infância e a juventude envolvida com a náutica esportiva, tanto como competidora no calendário de regatas, quanto por participar de cruzeiros de longo curso, como a travessia do Atlântico entre o Rio de Janeiro e a África do Sul e uma viagem até às Ilhas Falklands/Malvinas, ambas a bordo do Maitairoa, um veleiro de 30 pés construído pela família em sua casa de campo em Itaipava, localidade situada nas montanhas próximas ao Rio de Janeiro, não foi por falta motivação que ela escolheu engenharia naval como sua profissão, tendo depois obtido o diploma de doutorado em hidrodinâmica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O escritório Roberto Barros Yacht Design foi criado para transformar o gosto da família pelo mundo da náutica num esforço empresarial. Quando Astrid se casou com o engenheiro naval Luis Gouveia, esse também entrou para a firma, tornando-a então mais do que nunca uma empresa francamente familiar.

Paratii, o veleiro polar do navegador Amyr Klink, é um dos mais vitoriosos projetos desenvolvidos pelo escritório Roberto Barros Yacht Design, esse em parceria com o engenheiro naval paulista Gabriel Dias. O Paratii foi laureado com o prestigioso Tilman Prize, conferido pelo Royal Cruising Club da Inglaterra, como sendo um dos cinco melhores veleiros polares de todos os tempos. Foto: Boletim da Regata Recife - Fernando de Noronha 2010

No entanto, apesar do estilo informal do escritório, a empresa rapidamente ganhou reconhecimento no ramo de projetos de embarcações de recreio. O estúdio, localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, em pouco tempo passou a ser considerado um autêntico clube de náutica, não havendo distinção entre clientes e amigos. A empresa também se tornou pólo de atração para jovens que se interessassem por yacht design, tendo formado uma pequena equipe de talentosos profissionais.

Astrid Barros, a brasileira que nasceu na Polinésia Francesa, deixando a plataforma que tinha ido inspecionar em Abu Dabi, Emirados Árabes. Cortesia: Astrid Barros

Em 2007 aconteceu uma mudança importante na história do estúdio. Após vinte anos de atividade sempre no mesmo endereço, Astrid recebeu um convite para trabalhar em uma multinacional de engenharia, quando então ela e Luis se transferiram para Perth, Austrália, levando com eles o escritório de projetos, tendo na ocasião mudado de razão social, passando a se denominar B & G Yacht Design (B & G de Barros e Gouveia). A mudança trouxe vantagens fiscais, pois, ao contrário do Brasil, quando os impostos em cascata engolem boa parte do faturamento, na Austrália vendas para fora do país são isentas de imposto, sendo que para o mercado interno é cobrada uma única taxa de 9%. Como a maior parte das vendas é para outros países, pois o mercado australiano é relativamente pequeno, foi um sonho essa mudança. Roberto Barros e sua esposa Eileen permaneceram no Brasil mantendo contato com os clientes locais. A empresa original foi mantida exclusivamente para atender a brasileiros que não desejassem adquirir um projeto no exterior.

A equipe que trabalhava em parceria com o escritório continuou prestando serviços on-line, pois com a facilidade de trabalho à distância que existe hoje em dia, não existe mais necessidade da presença física para desenvolver projetos em grupo.

Perth recebeu bem a família brazuka. Os filhos logo nas primeiras semanas já estavam matriculados em escolas públicas, e segundo Luis e Astrid, os australianos sendo bem parecidos com os brasileiros em seu jeito casual e pouco formal de ser, logo permitiu que se sentissem em casa como cidadãos locais. Em dois anos o casal de filhos estava falando inglês fluente com sotaque típico australiano e a família já tinha adquirido casa própria, onde passou a residir. No entanto ainda iriam ocorrer mais duas mudanças em função de contratos de trabalho que iria alterar a estrutura da empresa e da família, já tão bem estabelecida, a primeira foi uma mudança para Cingapura, onde ficaram por um ano e meio, e mais uma vez tiveram que trocar de endereço, indo parar na ilha de Geoge-Gi, no sul da Coréia do Sul, próximo à cidade de Busan, onde está estabelecido o estaleiro da Samsung.

A família se divertindo em uma estação de esqui da Coréia do Sul junto com alguns amigos brasileiros. O segundo da esquerda é Christian Gouveia, o filho mais velho do casal. Os dois da direita são: a filha caçula Juliana e Luis Gouveia. Foto: Astrid Barros.

Somente em mais dois anos o contrato de permanência na Coréia deve terminar e então o escritório deverá operar definitivamente desde a Austrália. No momento só o departamento de contabilidade permanece funcionando em Perth

***

O Pop 25: Durante quase vinte e cinco anos o escritório se dedicou principalmente a produzir projetos de veleiros de cruzeiro, tendo desenhado dezenas de planos destinados a esse propósito. Alguns desses modelos tornaram-se verdadeiras legendas na vela de cruzeiro, com muitas unidades construídas, algumas delas tendo realizado feitos consideráveis. (Veja os veleiros projetados pelo escritório B & G Yacht Design que realizaram travessias oceânicas listados no site da empresa na seção Hall da Fama)

Quando lá pelos idos de 2009 as economias dos mais importantes países despencaram, levando em conta os tempos difíceis que atingiram principalmente as classes médias, decidimos que estava na hora de projetar um veleiro realmente barato e fácil de ser construído, totalmente ao alcance do amador.

Se muitos velejadores de posses limitadas passaram a encontrar dificuldades para adquirir um barco novo, ou mesmo de segunda mão, uma saída para os que não deixaram de sonhar ficou sendo a construção amadora, quando o barco pode ser construído de acordo com a disponibilidade mensal de cada um, sem requerer desembolso de uma só vez. (O custo da construção no início da obra é bem pequeno).

O nome Pop 25 não foi escolhido por acaso. É o barco que pelo seu baixo custo e facilidade de construção deverá representar uma pequena revolução na construção amadora, tendo tudo para se tornar um modelo realmente popular!

O desafio: Conseguir um veleiro de cruzeiro capaz de navegar em mar aberto na faixa dos 25 pés não é uma tarefa fácil. Existem veleiros mais antigos á venda com condições de navegar em mar aberto, mas, ou seus desenhos são ultrapassados, ou estão em mau estado, às vezes as duas coisas. É pouco provável que nos dias de hoje algum fabricante se interesse em produzir um barco desse porte para cruzeiro oceânico, uma vez que o grande mercado para essa faixa é o de modelos de passeio/regata, nem adequados, nem tampouco robustos o suficiente para se passar períodos mais prolongados a bordo ou fazer travessias em alto mar.

No entanto, pela longa experiência adquirida com os construtores dos barcos menores desenhados pelo escritório, ficou provado que existe gente que não acaba mais que prefere ter um barco menor com características oceânicas do que não ter coisa alguma.

A alternativa: Foi pensando principalmente na construção amadora que o Pop 25 foi desenhado. Esse barco deveria ser a luz no fim do túnel, o veleiro para ser feito pelo mais leigo dos amadores. Além disso, era imprescindível que fosse robusto e tivesse um desempenho empolgante, para que todo o esforço para construí-lo fosse plenamente recompensado.

O sistema de construção: Foi escolhido o sistema compensado/epóxi por ser o método mais prático, rápido e econômico para construção amadora, além de produzir barcos extremamente rígidos para seu peso que praticamente não requerem manutenção.

Até aí não há grandes novidades, pois existe uma grande quantidade de projetos para construção amadora em compensado/epóxi. Mas o objetivo era oferecer ao mercado alguma coisa realmente nova, um algo a mais que permitisse desde o inicio do trabalho visualizar os progressos da obra de forma bem nítida, dando ânimo ao construtor inexperiente para prosseguir com cada vez mais entusiasmo.

A fórmula encontrada para viabilizar uma construção rápida e fácil desde o início foi a de simplificar a fabricação das balizas construtivas, que no caso do Pop 25 são onze anteparas ou semi-anteparas pré-construídas em bancada. A simplicidade para fabricá-las reside no fato delas serem basicamente retangulares, somente com seus dois cantos inferiores chanfrados. A parte superior onde convés e cabine se apóiam também é toda composta de segmentos retos, uma facilidade bastante significativa.

Toda a moldura externa dessas anteparas, ou seja, cavernas e vaus, é feita com réguas de 40mm x 20mm coladas sobre painéis de compensado de 10mm de espessura. Cada antepara requer apenas poucas horas de trabalho para ser fabricada, o que é um fator de incentivo nessa fase inicial da construção.

O que possibilitou desenhar esse tipo de casco foi a própria evolução da arquitetura naval, quando fundos planos e costados verticais, como os do Pop 25, estão se tornando cada vez mais populares, por ser essa configuração o estado da arte em barcos de alta competição, tanto por aumentar a estabilidade, quanto por contribuir para uma passagem pela água com menos turbulência, resultando em cascos mais velozes.

No Pop 25 as anteparas são construídas com compensado naval e sarrafos retilíneos. Renderização: www.ideebr.com

Aproveitando os novos conceitos que vão se tornando cada vez mais populares, foi adotada no projeto do Pop 25 a solução de duas quilhas e dois lemes, o que combinou muito bem com o estilo do casco.

Uma contribuição inovadora foi o emprego de parede dupla nos costados, o que resultou em um revestimento forte, fácil de fazer e que proporciona excelente isolamento térmico. Convés e teto da cabine também são construídos desta forma.

Uma das características da construção do Pop 25 é requerer um mínimo de ferramentas. O barco é montado como se fosse um jogo de armar. Como todas as peças que o compõem são coladas com epóxi, tudo pode ser pregado com pregos de ferro comuns até que o epóxi cure, quando então esses pregos são retirados. Isso é fácil e rápido, além de representar uma considerável economia.

O método construtivo empregado no Pop 25 deverá se tornar um marco na construção amadora, seja pelo baixo custo, seja pela rapidez e facilidade de execução da obra. Renderização: www.ideebr.com

Conceito: Acima de tudo o Pop 25 se destina à navegação oceânica. Para isso os componentes conforto e segurança foram as principais prioridades na elaboração do projeto. Além desses fatores houve uma preocupação no sentido de especificar apenas materiais facilmente encontráveis em qualquer lugar. Também não pode ser esquecido que tudo foi planejado para ser executado por um sistema construtivo significativamente simplificado.

O barco é muito confortável para seu tamanho, podendo abrigar até seis pessoas para pernoite. Com um interior bem funcional, possuindo três camas de casal, banheiro separado, cozinha e mesa de navegação, ele é surpreendentemente espaçoso para seu tamanho. Um fator de conforto extra foi dotar o corredor de um lugar estratégico, exatamente sob a gaiuta principal de entrada da cabine, onde o pé direito ficou sendo de 1.80m, isso tendo sido obtido sem adotar uma borda livre excessiva, o que iria prejudicar a estética e o desempenho do casco. Nesse local fica fácil para a maioria das pessoas vestirem uma roupa de tempo sem precisar realizar contorcionismos para isso.

O Pop 25 foi projetado pensando nas pessoas com espírito esportivo que sonham em realizar cruzeiros à vela. É fundamental que o modelo transmita uma forte sensação de segurança e que principalmente ofereça o conforto necessário para poder ser habitado por períodos mais prolongados, sendo sobre esses conceitos que o escritório se debruçou com mais afinco durante toda a elaboração do projeto.

Por outro lado era fundamental que o barco fosse um veleiro de desempenho empolgante e fácil de ser manobrado para que o prazer de velejar se fizesse presente.

O fato de o Pop 25 ter duas quilhas e dois lemes instalados em uma carena desenhada para ser veloz contribuiu para isso, além de favorecer sua utilização onde a variação de marés seja expressiva. Suas duas quilhas permitem que o casco fique apoiado sobre seus bulbos em forma de ogiva como se fossem os esquis de um trenó, seja quando a maré baixe, ou quando for deixado em seco no pátio de um clube ou marina.

Uma característica do projeto é seu plano vélico sem estai de popa e com gurupés fixo. As duas velas de proa, ambas providas de enrolador, podem ser mantidas em seus respectivos estais, enquanto que a vela grande pode ficar na retranca quando o barco estiver estacionado, dessa forma não estorvando o interior da cabine com volumosos sacos de vela. O grande cockpit abrigado por um dodger sobre a gaiuta de entrada oferece abrigo eficiente aos tripulantes que estiverem sentados junto à parede de ré da cabine, o que proporciona uma sensação de proteção fora de série, especialmente quando velejando no contravento. A sugestão de propulsão auxiliar utilizando um motor elétrico que funciona como gerador quando o barco estiver velejando é uma opção interessante e ecologicamente correta que deverá interessar a muitos construtores.

O projeto foi desenvolvido em parceria entre a B & G Yacht Design e o estúdio de design Idée, de Frederico Vecchi e Murilo Almeida. A dupla já trabalha com o escritório há muito tempo, sendo deles quase todas as renderizações e fotoshops que ilustram o site da B & G Yacht Design.

O veleiro protótipo da classe está sendo fabricado a toque de caixa em Buenos Aires, Argentina, pelo cliente e amigo Daniel D'Angelo, o construtor que apesar de não ter sido um dos primeiros a iniciar a construção, foi o primeiro a concluir um Samoa 28, o Sirius. Logo em seguida Daniel fabricou um Pantanal 25, o Vega, com o qual vem participando de regatas no Rio da Prata, obtendo excelentes resultados.

Enfim, o Pop 25 é um barco para conquistar muitos corações. É nossa aposta do barco para os novos tempos.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Dinghy Andorinha, o barco sob medida para saciar o desejo de construção amadora.

Construção amadora é um hobby fascinante para quem tem inclinação para fazer coisas com as próprias mãos. Desenhar barcos para essa finalidade também é um desafio fantástico. No entanto o esforço de desenhar um bom barco para construção amadora só é realmente bem sucedido quando o arquiteto também é apaixonado pelo assunto.

Esse foi exatamente o caso do projeto do Andorinha. Realizar esse desafio requereu uma boa dose de entusiasmo e muita dedicação. O projeto foi desenvolvido pela engenheira naval Astrid Barros quando estava se formando na faculdade. Era importante para o escritório de projetos Roberto Barros Yacht Design possuir o projeto de um veleiro de bolina que fosse fácil e barato para ser construído. Esse barco também deveria ter um desempenho empolgante, para justificar todo o trabalho para construí-lo. A primeira decisão foi escolher o processo construtivo. A opção foi o usar os materiais compensado naval e epóxi pelo sistema "stitch-and-glue" (corte e costure).

Compensado naval é disparado o material favorito para construção amadora, por sua resistência, durabilidade e facilidade de ser manuseado. Pelo processo "costure e cole" em pouco mais de um dia de trabalho você já poderá ver seu casco montado, faltando fibrar e agregar anteparas e convés.

O escritório brindou a iniciativa da Astrid para projetar o Dinghy Andorinha como sendo um passo importante para difundir a construção amadora. Um veleiro de bolina com bom desempenho com pouco menos de cinco metros de comprimento cabe sob medida no bolso de muita gente de todas as idades que sonham em fazer seu próprio barco. As únicas condições para que tivesse todo o apoio do escritório seriam a de que o barco deveria ser muito fácil de construir e que tivesse um desempenho empolgante.

Astrid não precisava de incentivo maior do que esse, pois era exatamente o que ela desejava: projetar um barco que não fosse penoso para construir, mas que navegasse como um foguetinho. Não é de admirar, portanto, que o projeto tenha sido concluído em pouquíssimo tempo.

Astrid tem água salgada correndo em suas veias. Ela nasceu em Papeete, capital da Polinésia Francesa, quando seus pais viajavam pelo Oceano Pacífico a bordo de um veleiro de 7.5m de comprimento desprovido de motor de centro. Ela começou sua carreira de regatista quando tinha pouco mais do que três anos de idade e seu gosto pelo esporte de competição à vela nunca diminuiu desde então.

Painéis planificados do Dinghy Andorinha

Para realizar o projeto ela primeiro desenvolveu um programa que planificava os painéis do casco e em seguida desenhou-os em escala para que pudessem fazer parte do pacote de plantas fornecidas com os planos. Dessa forma ficou bem fácil para qualquer um desenvolver os painéis de compensado que constituem o casco com precisão adequada, ampliando-os para verdadeira grandeza, para que pudessem ser costurados dando forma ao casco. Por essa época ainda não eram facilmente encontráveis empresas que cortassem compensado com laser ou jato d’água a partir de arquivo de controle numérico. Mas era tão tranqüilo obter os painéis cortados com precisão por meio de uma serra tico-tico, que ninguém nunca reclamou de dificuldade nem de demora em fazê-los. Um manual de construção bem simples de ser seguido foi desenvolvido junto com o projeto e em tempo record para o escritório o projeto foi colocando à disposição dos interessados.

Por essa época o estúdio estava operando na cidade do Rio de Janeiro e esse lançamento foi tão positivo em termos de faturamento, que chegou a contribuir para melhorar o caixa da Astrid e trazer um bom astral para a empresa. Pouco depois de se formar Astrid se casou com o engenheiro naval Luis Gouveia, quando, entre ouros planos, ficou o compromisso de tão logo pudessem, construírem um Andorinha para o lazer família.

Mas na verdade os destinos da classe já estavam se encaminhando. Alguns Andorinhas começaram a ser concluídos e seus donos nos informaram estarem muito contentes com o desempenho deles.

O pioneiro a terminar um Andorinha foi um cliente do Piauí. Seu barco, o Li-si-ri foi inaugurado em uma das lagoas nas proximidades do delta do Parnaíba, para encanto da Astrid em ver seu projeto tomar forma em um lugar tão distante e bonito. Essa inauguração aumentou o desejo de outras pessoas a construírem o dinghy, e outros Andorinhas foram surgindo em diferentes lugares.

Li-s-iri pronto para a primeira velejada

O Segundo barco que tivemos conhecimento de ter ficado pronto foi construído em Rio do Sul, Santa Catarina. Adauto, seu construtor, quando terminou o barco, fez uma visita ao escritório e nos contou que estava tão contente com seu veleiro que pretendia fazer um rally, subindo a costa parando em todas as praias, de Florianópolis até o Rio de Janeiro.

Por razões pessoais Astrid e Luis tiveram que adiar por um tempo a construção do sonhado Andorinha, mas quando decidiram, o fizeram a toque de caixa, ansiosos que estavam em sentir o sabor da própria receita.

O segundo Andorinha a ficar pronto velejando no lago da fazenda onde foi construído

Existe um lugar no subúrbio do Rio de Janeiro, o Clube São Cristóvão de Futebol e Regatas, aquele clube onde o jogador de futebol Ronaldo Fenômeno iniciou sua carreira, onde os construtores amadores podem alugar pequenos galpões para construírem seus barcos. Esse local se tornou um verdadeiro santuário de construtores de barcos do escritório Roberto Barros Yacht Design, tendo sido feitos ali dezenas de barcos projetados pelo escritório. Foi lá que Astrid e Luis escolheram para construir seu Andorinha, e ao iniciar a obra pisaram no acelerador para liquidar a fatura o mais depressa possível.

Costurando os paineis de compensado. Essa operação é fácil e rápida.
Em um dia o casco já está montado pronto para receber a fibra de vidro.

Durante o tempo que Astrid e Luis estavam construindo o barco, uma procissão de visitantes frenquentou o clube para acompanhar os progressos da construção. Não foi por acaso, portanto, que nesse período vários outros Andorinhas tenham sido iniciados, um deles no próprio Clube São Cristóvão. Um dos amigos que se entusiasmou pelo projeto foi o artista plástico Fernando Leitão. Ele decidiu fazer sua obra quase ao lado de onde Luis e Astrid estavam trabalhando, e o barco dele rivalizou em qualidade com o barco da família Uma transferência do Rio de Janeiro para São Paulo acabou obrigando Fernando a vender seu barco, e esse comprador foi um felizardo, porque comprou um dinghy super-caprichado, bem à altura de um artista plástico.

  

O Andorinha de Fernando Leirão ficou um show a parte. Aqui ele ainda está inacabado,
mas já demonstrando todo o capricho do construtor.

Apesar de ter demorado a sair do papel, a construção do Andorinha da família Gouveia foi bem rápida, tendo o barco ficado uma gracinha, principalmente por terem feito o convés de proa em ripados de madeiras de cores diferentes, como costumam ser os iates de luxo. O barco foi construído em sociedade com dois amigos, Arapoan Fernandes e Marco Veras, uma vez que tanto Astrid e Luis como eles dois estavam construindo barcos maiores, e esse dinghy seria apenas para saciar o desejo de velejar enquanto o catamarã Bora-Bora dos Gouveia e os dois MC28 dos outros dois amigos não ficavam prontos. Daí em diante esse barco passou a ser uma das principais fontes de lazer da família, apesar de Arapoan e Marco Veras pouco o terem usado. Talvez impulsionada por tanta badalação, a classe Andorinha rapidamente se espalhou, aqui no Brasil e no exterior, hoje sendo um dos projetos mais vendidos do escritório.

O Andorinha da família Gouveia e dos amigos Arapoan e Marco velejando na Marina da Glória, Rio de Janeiro

Por má sorte poucos meses após a inauguração do Andorinha e exatamente quando ficou pronto o catamaran Bora-Bora, a familia se transferiu para Perth, Austrália, e como os MC28 dos dois amigos ficaram prontos, eles perderam interesse em velejar no barco menor, o qual ficou coberto por uma lona em um dos galpões do Rio Sailing Yacht Club em Niterói, onde está até hoje. Um dia eles pretendem colocar o barco num container e leva-lo para a Austrália e poderem convidar os dois sócios brasileiros para velejar, caso apareçam por lá.

 

Luis, Astrid, e filhos foram velejando a bordo do Andorinha para visitar o MC 28 Fiu que estava estacionado na Marina da Glória.

A familia não pretende vender em hipótese nenhuma esse barco, pois ele tem um valor sentimental muito grande. No entanto, no caso do catamarã, esse teve que ser vendido, pois sendo um barco que teria que ficar estacionado dentro dágua, iria requerer manutenção e outros cuidados. Para transportá-lo para a Austrália o preço seria proibitivo. Isso é o que se pode chamar de nadar, nadar, e morrer na praia!

Esse Andorinha construído em sanduíche de espuma de PVC, um método de construção alternativo,
veleja na Baia de Guanabara com velas emprestadas de um dinghy da classe 470

O Andorinha é um excelente barco para alguém se iniciar no esporte da vela e para se familiarizar com o hobby da construção amadora. Ele é ideal para servir de treinamento para aqueles que pretendem fazer um barco maior mais adiante, mas não têm experiência alguma. O aprendizado irá proporcionar uma auto-confiança muito maior, quando o barco definitivo estiver sendo construído. Este tem sido o caso de vários clientes do escritório, e como o barco tem um bom valor de mercado, acaba se tornando um bom investimento. Deve ser por esses motivos que a classe nunca parou de crescer, hoje existindo uma boa flotilha navegando, ou construção, no Brasil e em outros paises

Finalmente, um dos ultimos Andorinhas a ser concluídos sendo lançado à água no Rio Guaíba, Porto Alegre.

Esse projeto é para o escritório uma de suas mais eloqüentes contribuições à construção amadora. Esperamos que ele continue sendo o barco inspirador para trazer gente nova para o esporte da vela.

Clique aqui para saber mais sobre o Dinghy Andorinha


MC 26C Geko é mostrado em programa de televisão na Turquia

Mais um barco projetado por nós está ficando pronto em Istambul. Dessa vez se trata de um MC26C construído pelo casal Ömer e Firuzan Kircal, sobre o qual já tínhamos publicado uma matéria em nossas notícias com uma completa galeria de fotos da construção.

O MC26C é um dos barcos nessa faixa de comprimento mais apropriados para cruzeiros de longa distancia. Ele se encaixa num tamanho que dá suficiente conforto para se viver a bordo, mas ainda mantendo um custo de construção bem accessível.

A televisão turca tem um tradicional programa sobre náutica, no estilo do Thalassa francês, que fomos informados ter muito boa audiência. Em sua última edição entrevistou o casal Kircal, um de nossos construtores naquele país, juntamente com dois outros velejadores locais que também fizeram seus barcos por construção amadora. Como o que os personagens falam no vídeo é "turco" para nós, deu apenas para entender quando Ömer citou Brazilian Roberto Barros Yacht Design, e quando o apresentador falou contreplac/epoxy. Sobre o resto do texto, não entendemos patavina, apenas pudemos deduzir que o casal estava bastante orgulhoso com sua obra e que a construção no jardim de casa não foi motivo para nenhum divórcio, muito pelo contrário. Isso, no entanto, podemos apenas especular pelas imagens, principalmente pelo grand finalle do programa, quando Firuzan vai pegar uma bebida para oferecer ao marido, que então pára de lixar o casco por fora, e os dois vão embora abraçados. Ora, uma esposa como a do Ömer, que não se importa nem de lixar fibra de vidro, é o sonho de consumo de qualquer construtor amador, e se esses vídeos fossem propagandas comerciais do projeto, não poderiam ser mais adequados.

Firuzan não brinca em serviço. Ela trabalhou para valer na construção do Geko. Aqui ela está tirando as bolhas de ar do revestimento com fibra de vidro do convés

Na galeria de fotos que já publicamos sobre o Geko podem-se ver todas as etapas da construção, mas com os três vídeos, ficamos sabendo como o barco ficou agora que está nos retoques finais.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 26C


Multichine 28 Access sempre brilhando

Moro no Caribe, tenho um MC28 e uma prancha de surf...

Já dizia a canção do Jorge Benjó: "tenho um fusca e um violão..."

Se pudesse escolher, apesar de não ser flamenguista, esse seria nosso hino nacional.

No entanto, nosso amigo Flavio Bezerra se fosse cantar sua boa vida talvez preferisse: "Moro no Caribe, tenho um MC28 e uma prancha de surf..."

Afinal o que se pode querer mais do que isso: ter uma festinha cada noite, escolher a praia que está dando melhores ondas e ir velejando até lá, pegar uma lagosta maneira para comer no jantar, e por ai vai. Essa é a nada mole vida de nosso amigo capitão com carteira internacional conseguida no Royal Cruising Club da Inglaterra em uma viagem de entrega de barco que fez ao Reino Unido. Access, o MC28 mais rodado até agora, está cada vez mais bonito e bem cuidado e Flávio está de parabéns pelo capricho na manutenção e pelo bom gosto. Que prazer ver como um barco pode parecer novo em folha depois de tanto uso.

Access cortando em alto estilo as águas azul-turquesa do Caribe. Flávio consegue fazer com que o barco navegue sem timoneiro por horas a fio sem leme de vento ou piloto automático

Agora, é bom que se diga que Netuno não dá de presente seu pedaço. Flávio fez o Access com suas próprias mãos lá no Clube São Cristóvão, próximo ao aeroporto Tom Jobin. Pouco depois de terminar a obra foi velejando sozinho do Rio de Janeiro até o Caribe, sem motor e sem leme de vento, muito menos piloto automático, pois não tinha meios de carregar sua bateria. Depois de colidir com uma baleia que quebrou seu leme, chegou a Saint Mateen na raça, sem ajuda de ninguém. De lá foi para Antigua onde conseguiu um emprego na empresa de engenharia Andrade Gutierrez e agora é o mais feliz dos cruzeiristas a ser encontrado no paraíso caribenho.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Pantanal 25 Kalahary navega em Porto Alegre

Ficamos felizes quando somos informados da inauguração de um barco de nosso projeto cujo construtor se sinta totalmente realizado com a obra que executou. Esse foi o caso do Kalahary, construído pelo arquiteto gaúcho Carlos Zanella Fichtner

O Kalahary foi construído com um toque pessoal do arquiteto Carlos Zanella Fichtner.

Carlos, como bom arquiteto, deu um toque pessoal ao arranjo interno do barco, dessa forma satisfazendo suas prioridades. Como foi um construtor caprichoso e competente, o Kalahary acabou ficando muito simpático. Imaginamos que toda a ênfase dada ao projeto tenha sido para cruzeiro.

A quilha retrátil para um barco estacionado no Guaiba é um recurso fundamental para navegar por ali. Enfim, mais um irmãozinho para essa classe que vai crescendo num ritmo acelerado.

Carlos optou por uma decoração clara e moderna. O barco ficou bem alegre

E assim a classe Pantanal 25 vai ampliando horizontes. Para seus construtores nos mais variados lugares isso é um grande incentivo. Nós da Roberto Barros Yacht Design estamos preparados para dar a maior força na divulgação das novidades que estão vindo por aí. Afinal o sucesso do modelo está superando qualquer expectativa.

Clique aqui para saber mais sobre o Pantanal 25


Pantanal 25 Vega é lançado à água no Rio da Prata

Nosso amigo Daniel D’Angelo está mais feliz do que pinto no lixo com sua nova criação, o Pantanal 25 VEGA. Vocês que seguem nossas notícias já devem ter lido sobre a inauguração iminente do VEGA, pois publicamos o vídeo do transporte da casa dele para a oficina do clube onde iria ser pintado. Daniel estava tão ansioso para inaugurar, que nem completou o barco. Até mesmo as velas ainda não chegaram e ele teve que usar as de seu barco maior, o Samoa 28 SIRIUS, para sentir um gostinho de como é velejar em um Pantanal 25.
A história do lançamento escrita por Daniel, aliás muito bem ilustrada, segue abaixo:

Depois de muito trabalho finalmente consegui colocar o Vega na água no dia 23 de dezembro. Desde o início do mês estava lutando contra os pintores para que terminassem o trabalho a tempo, o que acabou não acontecendo e tivemos que tirar o barco da oficina sem que a pintura estivesse completa.

Desta forma começou uma corrida contra o tempo para tentar conseguir inaugurá-lo antes do fim do ano. Ainda faltavam muitos detalhes para resolver e muitas coisas para terminar. Para dificultar mais as coisas, o verão já chegara e o calor se tornara insuportável. Trabalhar sob o bulbo de chumbo foi uma tarefa penosa, pois sendo mole é muito demorado para ser desbastado. Após quatro dias de trabalho consegui encaixar a haste da quilha e juntar bulbo e haste definitivamente.

Na hora de retirá-lo do trailer de transporte e passá-lo para seu carrinho definitivo, aproveitei para colocar a quilha, a qual entrou como uma luva em sua caixa.

Em seguida eu e Oscar, meu sócio no barco, começamos a fazer a lixagem e a pintura do fundo, sempre trabalhando contra o relógio, pois ainda teríamos que esperar a tinta secar antes de colocar o barco na água.

Para poder garantir a primeira navegada a vela com o VEGA tive que colocar o mastro com o barco ainda em seco para tomar as medidas dos brandais e do estai de proa e levá-los ao fabricante para que prensasse os terminais.

Seguindo com a pintura resolvemos marcar a linha d’água de flutuação. Num primeiro ensaio a fizemos no olhômetro, desenhando uma charmosa linha ondulada semelhante a uma onda. O mundo náutico não entendeu nossa criatividade e então pintamos uma conforme indica o projeto, horizontal como é de praxe. Nossa criatividade então se limitou a fazer dois triângulos inovadores próximos à popa!

Uma vez prensados os terminais dos brandais e do estai de proa, instalamos o mastro definitivamente. Enquanto isso Oscar ia terminando a decoração do VEGA e ia instalando as ferragens de convés.

Finalmente no dia 23 de dezembro de 2010 o VEGA estava prontinho para ir para a água. Murphy que não deixara de comparecer no lançamento do Sirius, dessa vez também marcou presença: Na última hora fiz os furos para a instalação dos registros da privada e da pia da cozinha, e não é que eles caíram exatamente nos berços do carrinho? Quando o barco foi içado pelo guindaste tive que aproveitar enquanto estava no ar para rapidamente colocar os dois flanges de saída.

Com minha filha Flor como madrinha e quebrando uma garrafa de champagne no bulbo, o VEGA estava por tocar a água pela primeira vez. Novamente senti uma emoção indescritível!

Flutuou bem e ficou totalmente seco por dentro! …Era a hora de liberá-lo das cintas e deixá-lo por sua conta.

O momento mais emocionante para mim foi a reunião de minhas duas crias: SIRIUS e VEGA juntos!

Com velas emprestadas, meu amigo Oscar e eu saímos para testar como navega o VEGA. Enquanto isso Carina e os convidados observavam as evoluções do novo barco desde o SIRIUS, estável e confortável, mesmo com doze pessoas a bordo.

O vento não superava oito nós, exceto em algumas rajadas mais fortes. Apesar de a vela grande emprestada ter necessitado ser colocada no primeiro rizo, ainda assim ficou um pouco grande. Orçávamos a 6 nós tranquilamente, apontando ao vento com um ângulo excelente. As cambadas eram super-rápidas e suaves com uma aceleração impressionante.

Com vento a favor pudemos notar o potencial de velocidade que terá quando colocarmos um spinnaker: 5 nós na popa rasa com quase nada de vento!

Aos poucos fomos trocando de tripulantes para que cada um fosse tirando suas conclusões. José Luis, regateiro de alma, deu o OK sobre o desempenho do barco.

Na foto abaixo meu grande amigo Alberto, companheiro de navegadas e regatas prepara-se para passar para o SIRIUS em uma troca de tripulantes.

Ao voltar para o clube, felizes da vida com o comportamento do barco, fomos brindar com os amigos até alta madrugada. Depois fomos dormir no SIRIUS a contrabordo de seu irmãozinho, o VEGA.

Bons ventos para meus barcos!...que continuem trazendo toda essa alegria para nossa família!!!

Clique aqui para saber mais sobre o Pantanal 25


Pantanal 25 Enigma II navegando em Brasília

A classe Pantanal 25 já tem uma unidade navegando no Planalto Central Brasileiro. O primeiro representante do modelo no coração do país é o Enigma II, de Ademir Nicaretta, um conhecido velejador de Brasília aficionado pela vela de competição. O barco foi construído sob a supervisão de Jorge Intaschi, da Intaschi Nautical Performance, sendo o primeiro a ser entregue de uma série de três unidades encomendadas.

O barco mal chegou ao Clube Naval de Brasília e já estava participando da regata Velho Marinheiro, um evento tradicional do calendário náutico no mês de dezembro. Dessa vez o Enigma II  não se deu muito bem, ficando lá pela metade da flotilha, mas o barco mostrou ter  boa velocidade. Ademir espera estar com ele melhor regulado para as próximas competições à medida que o vá conhecendo melhor.

Ainda encostado ao píer antes da regata no dia de sua estréia.

Os veleiros quase sem borda livre, como se fossem monotipos de bolina, que predominam no lago levam uma clara vantagem velejando nas condições locais, onde conforto não faz diferença, uma vez que se destinam somente a fazer regatas. No entanto quando o Pantanal 25 pegou vento livre mostrou que anda tão bem ou mais do que muitos deles, especialmente no vento de proa. De qualquer forma naquelas condições o fator leveza é mais relevante e um barco de borda baixa e praticamente vazio por dentro leva alguma vantagem.

Após a regata Ademir passou esse e-mail para o Jorge que publicamos abaixo:

"Olá Jorge, e demais Pantaneiros,

Regata de vento muito fraco, e mesmo assim conseguimos andar na frente dos Delta e dos outros barcos. Na nossa frente o Neo 25, outro um velamar 22 que deu uma largada espetacular no meio da merreca e se mandou, o War um quarter-tonner super-aliviado e o Xop um Multimar 32 também super-aliviado. Na penúltima perna demos um bordo pro meio do lago nos afastando da margem, aí ficamos sem vento e fomos ultrapassados pelo Cayman um Delta 26 e pelo Prado um Vega 23. Corremos na medição do RGS de Brasília e estou pagando pra todo mundo, pros Delta, Neo 25 e os ILC 25. Para o ano, irei fazer algumas correções para melhorar meu TMF. As velas da Sobstadt são boas, são bem acabadas, corte bom. Nas medidas, acho que fizeram a buja menor do que o projeto. Vou mandar fazer outra com mais uns 30cm de esteira. Quanto à regulagem, ainda estou na fase de acertos. Estou com o estaiamento um pouco atrás, ou seja, o brandal superior não cai a prumo. Ele se projeta um pouco para trás e o caimento do mastro também está para trás. O que pudemos observar é que o barco é muito técnico, qualquer pequena diferença na posição da tripulação a bordo, ou um pequeno ajuste nas velas, faz o barco reagir. Isto no vento fraco exige uma concentração enorme. Exploramos bastante o subir e descer a quilha. Meu sistema de acionamento ficou ótimo e isto faz uma grande diferença.

Abraços

Ademir Nicaretta"

Saindo para a regata. Como se pode constatar na foto, muitos dos outros veleiros têm borda livre bem baixa,
o que significa que não são muito convidativos para pernoite.

O Pantanal 25 é um barco voltado para o camping, com um conforto interno de dar inveja. O fato de ele ter quilha retrátil o torna um barco perfeito para ser rebocado em estrada, e sua boca de 2.44m ajuda bastante para isso. Em regata no oceano, quando o vento é fraco, ao se subir a quilha diminui-se o momento polar de inércia e o barco cumprimenta menos as ondas, avançando como uma flecha quase sem caturrar. No entanto em lago sem ondas essa vantagem não existe, mas o fato do barco ser estreito ajuda muito na velocidade, especialmente no contravento.

Na partida dá para ver a maioria dos barcos com borda livre bem menor.

O Pantanal 25 está se encaminhando para tornar-se uma classe one-design. Isso não deve demorar muito para acontecer, pois já existem veleiros da classe sendo construídos, ou navegando, nos mais diferentes lugares. O fato de poder ser levado para casa com facilidade tem atraído iatistas do mundo todo e seu bom de desempenho é um bônus extra para a classe. Como Ademir é um conhecido velejador local, temos esperança que seu entusiasmo contagie a comunidade local e que a classe se desenvolva depressa em Brasília. Já temos outra unidade sendo construída no estado de Goiás e é provável que o bom desempenho do EnigmaII atraia outros velejadores locais.

Enigma II navegando por sotavento de vários outros barcos

Jorge Intaschi tem sido um grande incentivador do Pantanal 25. Apesar de não ser seu negócio principal, decidiu investir na montagem de uma indústria ultra-moderna para a fabricação em série do barco, utilizando materiais e tecnologia que são o estado da arte na fabricação em composite. Com quatro veleiros já fabricados, agora está com tudo pronto para iniciar a fabricação em larga escala. Pela alegria que sentiu ao ver uma de suas crias navegando no Lago Paranoá podemos imaginar que isso tenha sido uma injeção de cânfora para animá-lo a produzir muitos outros barcos.

Quem estava mais próximo de terra acabou levando vantagem

O vento aumentando um pouquinho já permitiu uma reação do EnigmaII

Enigma II orçando com vento livre. Agora ele já mostra seu potencial

Consolidando a posição na regata. Na regra local o Enigma II está sendo excessivamente penalizado

A grande vantagem do projeto é o fato dele ser competitivo em regatas, e quando não houver competição é só reboca-lo para um outro espelho dágua e fazer um camping inesquecível, com direito a abrigar até dois casais amigos, usufruindo de uma boa sala com mesa suficientemente grande para fazerem uma refeição, ainda com direito a camarote privado, banheiro fechado, cozinha e mais um beliche de casal no compartimento de proa. Afinal poder fazer cruzeiro e regata com o mesmo barco e poder guardá-lo em casa parece ser o sonho de muita gente.

Montando a bóia da chegada. Sem dúvida é possível uma buja com um pouco mais de esteira do que essa.

Voltando para o clube. A facilidade de manobra do Pantanal 25 é proverbial

No início de 2011 deverá estar indo para a água o Joaninha, de Bruno Vasco Pereira, mais uma obra realizada por Jorge Intaschi, e esse devera ficar pela região de Santos, fazendo companhia ao Dark Ice, primeiro Pantanal 25 a navegar no Brasil. É isso que conta para o sucesso da classe, que venham se formando flotilhas em lugares diferentes de modo a fazer surgir a categoria monotipo Pantanal 25. 

Até pouco tempo atrás as pessoas que construíam esse veleiro não sabiam como ele navegava, e o iam fazendo simplesmente na confiança que depositavam em nosso escritório. Mas agora o projeto já não é mais uma incógnita. Ele é exatamente, ou até um pouco mais, o que esperávamos dele. Sempre será gratificante irmos divulgando os progressos da classe, e ter um membro dela navegando na capital da república foi um passo importante.

De volta ao clube após competir pela primeira vez em uma regata no lago de Brasília.

Mas não é só em Brasília que a classe Pantanal 25 vai mostrando sua cara. De Buenos Aires, Argentina, temos boas novidades. Nosso amigo, o geólogo Daniel D’Angelo terminou a construção de seu Pantanal 25, o Vega, e já o retirou do quintal de sua casa, em City Bell, grande Buenos Aires, onde o construiu, e já o levou para a oficina onde será pintado. O barco está praticamente pronto, com ferragens, velas, quilha, mastro, tudo já adquirido, de modo que resta apenas pintar e sair velejando.

Daniel já não é marinheiro de primeira viagem. No mesmo jardim de sua casa construiu o Sirius, o primeiro Samoa 28 a navegar, cujo sucesso ajudou muito a animar todos os outros construtores de veleiros dessa classe espalhados pelos quatro cantos do mundo. Agora já existem vários outros Samoa 28, mas o Sirius acabou fazendo história.

A vantagem do Pantanal 25 no Rio da Prata é ele poder recolher a quilha, pois, como em todos os estuários, as profundidades vão diminuindo aceleradamente devido ao assoreamento. Só na Argentina temos vários outros Pantanal 25 em construção o que é uma certeza de formação de uma flotilha em pouco tempo.

Pantanal 25 Vega sendo rebocado para a oficina de pintura. Esse deverá ser o pioneiro da classe no Rio da Prata.
Na foto acima Daniel faz o V da vitória ao lado do barco que construiu sozinho sem ajuda de ninguém

Por acaso um vizinho e amigo de Daniel apaixonou-se pelo Vega e acabou ficando com o barco, mas só com a metade, pois Daniel não podia imaginar vendê-lo sem antes fazer umas regatas, depois de dar um duro tão grande. Mas tão logo se sinta satisfeito, ele venderá a segunda metade para seu amigo, pois se falasse em vender o Sirius, a família brigaria com ele. 

Clique aquí para saber mais sobre o Pantanal 25


Multichine 28 Atairu. Um barco aconchegante para se passar o inverno

O engenheiro Antonio Piqueres e sua esposa Ivana estão aproveitando em grande estilo seu MC28 Atairu. O barco está estacionado no Clube dos Jangadeiros, de Porto Alegre, um clube muito simpático localizado às margens do Rio Guaíba, o estuário de uma bacia hidrográfica que deságua na Lagoa dos Patos.

Atairu é mantido impecavelmente pelo casal Piqueres. O barco parece que acabou de ir para a água de tão bem cuidado,
além de estar muito bem equipado

O Rio Grande do Sul com seu frio cortante no inverno é o lugar ideal para se ter um barco de compensado/epoxy com bom isolamento térmico, tendo um interior com bastante madeira envernizada para dar à cabine um aspecto bem aconchegante. Piqueres e Ivana moram na serra gaúcha e usam o barco nas férias e nos fins de semana como sua segunda casa, quando curtem em grande estilo seu barco dos sonhos. Como ainda são novos no esporte da vela, até o momento têm feitos cruzeiros pelo Guaíba, já se preparando para vôos mais prolongados.

Ivana preparando uma caprichada refeição na ampla bancada da cozinha do Atairu.
A convidada nessa noite parece estar com água na boca vendo os preparativos do jantar.

Acreditamos que um barco tem uma boa aura quando não faltam amigos para participar dos cruzeiros realizados e para compartilhar da vida social de bordo. Esse é o caso do Atairu. O casal Piqueres volta e meia está saindo com amigos em seus cruzeiros ou os recebendo para uma vida social a bordo, o que vai dando ao Atairu uma fama de barco hospitaleiro.

Ivana utilizou uma frigideira elétrica para preparar o segundo prato da noite.

Uma das características mais apreciadas do desenho é o fato de, exceto pela cabine do proprietário e o banheiro, o resto do interior ser um ambiente único, dando uma impressão de amplitude muito agradável. O desenho foi também muito generoso com o tripulante mais importante de bordo, cozinheiro. A cozinha do MC28 se rivaliza com muitos veleiros de trinta e cinco pés construídos em série, sendo de dar inveja a qualquer um que goste de cozinhar a bordo. Isso contribui em muito para proporcionar uma vida social bem-sucedida.   

Dá para acreditar que o Atairu meça apenas vinte e oito pés? Ivana bordou em croché a cortina do camarote de popa
e a rede de frutas sobre a bancada da cozinha.

Temos publicado as histórias que nossos clientes donos de MC28 nos enviam, como as aventuras de nosso amigo maluco-beleza Flavio Bezerra, que saiu do Rio de Janeiro com o MC28 que ele mesmo construiu, o Access, e foi navegando até o Caribe em solitário, não tendo instalado por falta de grana, nem motor auxiliar, nem piloto automático, muito menos leme de vento. Como não tinha como carregar a minúscula bateria que tinha a bordo, mesmo que tivesse um piloto automático, não poderia utilizá-lo. Agora, já por alguns anos, Flavio desfila com seu barco pelas ilhas do Caribe, às vezes em companhia de lindas garotas.

Outro barco da classe que tem sido bastante aproveitado é o do brasileiro/canadense Roberto Roque, Stella del Fioravante, que tem feito cruzeiros pelo litoral brasileiro, o último deles em solitário. Beto tem um site com link de nossa página que você pode visitar: Multichine 28 Stella del Fioravante.

Outro de nossos favoritos, e que volta e meia publicamos alguma matéria sobre ele é o mergulhador de águas profundas Ricardo Campos, que construiu seu MC28, o Vagamundo nas prolongadas folgas de trabalho, devido à necessidade de repouso entre mergulhos, fazendo um barco belíssimo. Assim que o Vagamundo ficou pronto Ricardo foi morar a bordo com a esposa e o filhinho, então ainda um bebê. Agora a família já está bem adaptada e o garoto já é um verdadeiro peixinho.

A fila de construtores de MC28, ou de donos de barcos da classe navegando é bem grande, (estamos nos aproximando dos duzentos construtores) de modo que volta e meia teremos novas notícias. Entre as prováveis estão as inaugurações do Ipê, de Vitor e Luciana, de Belo Horizonte, o barco que Dave Cross construiu em Seattle, estado de Washington, USA, o barco construído em Portugal por Guido Baron e vários outros nos mais diferentes países. Sempre que recebermos novidades, estaremos publicando em nossas notícias.

Clique aquí para saber mais sobre a classe MC28


Pantanal 25 Dark Ice tri-legal

Vai ficando cada vez mais comprovado que o Pantanal 25 é mesmo um barco duro de ser batido. Pelo terceiro ano consecutivo, Darck Ice, o Pantanal 25 que o velejador paulista Jorge Intaschi construiu como protótipo de uma série, venceu o circuito santista de vela de oceano, não importando em que categoria o tenham colocado. Nas duas primeiras vezes o Dark Ice competiu na classe bico de proa. Como venceu com facilidade as duas competições, os organizadores o colocaram nessa terceira vez na classe RGS B, ainda impedindo-o de usar a vela com aluamento do projeto, exigindo que corresse com uma ridícula vela triangular, das que se usavam antigamente. Mas de nada adiantou a manobra; o Dark Ice venceu de novo, dessa vez com uma tripulação de jovens carentes integrantes de um projeto social, com idades variando entre doze e quinze anos, liderado pelo Comandante Douglas, envolvido nesse projeto social.

Dark Ice velejando na orça em frente à praia de Santos

A primeira regata da série foi bem técnica, requerendo muita proficiência da garotada. O vento começou soprando a uns 20/25 nós, caindo para 2/3 nós no fim do percurso. Apesar dos eventuais erros da tripulação, afinal são iniciantes, o barco saiu-se super-bem na regata, chegando na frente de famosos veleiros de série de 32 pés usando velas de Kevlar. (No real e no corrigido.) A meninada a bordo vibrava! Sem poder usar a vela mestra original do projeto foi necessário fazer milagres de ajustagem para que fosse possível tirar proveito do fato do casco do Pantanal 25 ser tecnicamente mais veloz. As regatas restantes foram vitórias tranqüilas para o Dark Ice, os garotos ficando ansiosos para contar o feito aos seus amigos e familiares. O comentário do Comandante Douglas, que estava assumindo o comando do Dark Ice pela primeira vez, foi curioso: "Antes quando ia para a raia e topava com o Dark Ice, ficava aborrecido. Hoje, quem diria, estou do outro lado da moeda, graças a Deus...hehehe!".

Joaninha e mais um Pantanal 25 em final de construção

Jorge já construiu três outros veleiros da classe. Um deles, o Enigma II , já foi entregue ao seu proprietário, um velejador de Brasília, faltando apenas uma visita da veleria que fabricou o enxoval de velas dar o toque final na ajustagem dos panos. Um outro, o Joaninha, logo estará sendo entregue a um velejador paulista. Jorge já está de posse do galpão definitivo onde deverá produzir o modelo em série.

Enquanto isso a classe não pára de crescer internacionalmente. Esse mês deverá ir para a água o Vega, construído por Daniel D’Angelo, em Buenos Aires, Argentina. Esse você pode acompanhar a construção entrando em nossa página de links: Pantanal Vega. Quando for finalmente lançado iremos publicar uma detalhada matéria sobre ele. Daniel é um de nossos construtores que mais nos impressiona pela rapidez e qualidade de seus serviços, já tendo construído o Samoa 28 Sirius, que ficou um espetáculo, e com o qual já realizou inúmeros cruzeiros e regatas. Daniel tem planos para construir o Pantanal 25 em série na Argentina.

 Além do Vega, está na reta final de fabricação o barco construído pelo alemão Maik Biela em Santiago do Chile. Como existem muitos outros barcos da classe quase concluídos ou navegando em vários países, as noticias da classe irão se tornar cada vez mais freqüentes em nossa página.

Clique aqui para saber mais sobre o projeto Pantanal 25


Samoa 34 Luthier socorre veleiro Samsara na Refeno 2010

A regata Recife –Fernando de Noronha com cento e sessenta barcos inscritos para uma travessia de trezentas milhas em oceano aberto, coisa rara no calendário brasileiro, é inevitavelmente um evento onde, ano após ano, sempre ocorrem vários acidentes assim como um bom número de desistências pelos mais variados motivos. Esse ano, tendo havido condições mais duras do que a média em edições anteriores, o número de desistências foi mais expressivo e um de nossos barcos foi envolvido num incidente curioso. A Marinha do Brasil dá um apoio excepcional ao evento, mas dessa vez o número de emergências superou a quantidade de navios disponíveis para prestar socorro, o que ocasionou o caso relatado a seguir por nosso amigo Dorival Gimenez, o proprietário do Samoa 34 Luthier.

Dorival nos passou um e-mail contando o fato e também relatou a história em seu blog, uma saga de coragem e boa marinharia por parte das duas tripulações. Ambos os textos estão reproduzidos a seguir:

Caros Luis e Cabinho

Vejam no nosso blog (www.veleiro.net/luthier) a nossa história no resgate do Veleiro SAMSARA. Estávamos indo bem, com mar muito alto e ventos de 30 nós, rizados, mas a Catarina estava com febre e eu, muito mareado. Desistimos quando, salvo engano, na nossa classe (aberta b) só tínhamos um Dufour 405 à nossa frente. Mas, logo que desistimos da REFENO, nos envolvemos no resgate do Samsara.

O Luthier foi capaz de rebocar sem problemas um veleiro de regata de 40 pés, com nove pessoas a bordo (um dos tripulantes embarcou no Luthier), por 60 milhas.

O que eu quero ressaltar a vocês é a impressionante manobrabilidade do Luthier. Em portos, em geral bem abrigados, sempre foi muito fácil colocá-lo nas vagas das marinas. A resposta do leme, em mar de 3 a 4 metros, com 20 nós de vento, para resgate de homem ao mar e pescar bóia com cabo para reboque, foi impressionante. Com velocidade de 1,5 a 2 nós, eu tinha completo domínio do barco. 
Mais uma vez, parabéns pelo projeto.
Abraço
Dorival - Veleiro Luthier

Luthier em uma poita no Rio Potengi. Setembro de 2010

Muitas vezes, iniciamos uma atividade, projeto, viagem, etc…, imaginando um determinado fim, e a coisa toda toma outros rumos. A viagem à vela é mestra nisso. Saímos com um destino, mas chegaremos aonde for possível, e quando der.
Regatas, a versão esportiva da vela, é uma atividade com começo, meio e fim bem definidos, cheia de regras (não conheço todas) e, principalmente, no caso da oceânica, a única coisa certa é a largada.

Largamos na REFENO rizados. Após alguns bordos, já estávamos montando a bóia norte, e rumando para Fernando de Noronha. Eu e a Catarina achamos o mar alto, mas parecia que dava para continuar até um outro ponto de decisão definido por nós, próximo a Cabedelo. Chegando lá, decidimos continuar.

Mais adiante, o mar começou a piorar muito, e rajadas de vento de 30 nós começaram a ser frequentes. A Catarina começou a piorar da garganta e eu a ficar muito mareado. Os eventos começaram a ocorrer: barcos mais atrasados em relação a nós começaram a reportar perda de controle do leme, e arribaram para Cabedelo; muitos informavam que seus tripulantes estavam mareados; outros tiveram carrinhos da escota da mestra arrebentados; genoas rasgando; e apareceram os primeiros dois casos de pedido de resgate de tripulante em más condições de saúde, sendo um caso grave. Esses dois últimos pedidos de resgate demandaram uma das embarcações da Marinha.

O mar aumentou ainda mais, e o vento ficou sustentado em 30 nós. O Luthier ia bem, salvo engano, estávamos em segundo lugar, com somente um “Dufour 405” à nossa frente. A situação do mar e ventos não pareciam ser problema para o Luthier, mas eu já estava ficando sem forças, e a Catarina, cada vez pior da garganta, desenvolveu um quadro febril. Decidimos abandonar a REFENO e rumar para Natal, 40 milhas mais perto do que Fernando de Noronha.

Assim que acertei a rota para Natal, tudo melhorou, porque ficamos com mar e vento de alheta. Pouco tempo depois que avisamos o navio patrulha da Marinha de que estávamos abandonando a Regata, fomos chamados no rádio por dois barcos: o trimarã Nativo, então sem mastro, e o veleiro SAMSARA, sem o leme, que quebrou e se perdeu

no mar. A Marinha, que estava com um navio socorrendo os tripulantes resgatados, e outro muito adiante, perto de Fernando de Noronha, acionou um outro navio patrulha, que demandou de Natal para socorrer esses dois barcos.

O Veleiro SAMSARA, um 40 pés de regata (fibra de carbono), então sem leme, com 10 tripulantes, dentre eles uma mulher e dois adolescentes, me pediu para fazer ponte de rádio com os navios da Marinha. A essa altura, a única possibilidade foi o SSB. Perguntado pelo operador do navio da Marinha se poderíamos assistir ao Samsara, respondi que sim.

Não sei de onde arrumamos forças para velejar no rumo para encontrar o SAMSARA, o mesmo da Regata. Voltamos a ter vento aparente de 30 nós, 60°, e ondas de amuras de 3 a 4 metros: o inferno havia retornado.

Falávamos com o Samsara a cada 30 minutos, pelo VHF, para trocar posições, e em seguida eu as passava (a nossa e do SAMSARA) para o Navio da Marinha, inicialmente pelo SSB, e depois por VHF.
A cada contato com o SAMSARA, eu percebia que eles estavam mais calmos, provavelmente pela certeza de que pelo menos comunicação, havia. Essa é a mágica do rádio.

Eles derivavam um minuto para o norte, a cada meia hora. Levamos três horas para chegar até eles, velejando a 6,5 nós, com poucos panos. Quando os avistamos, demos proa ao vento, baixamos velas, ligamos o motor e nos aproximamos para jogar uma retinida com uma pinha em uma das pontas, e dois cabos de seda de 40 metros cada, para amarrar em um cabo de fundeio deles, e dar início ao reboque.

Consegui jogar a retinida para eles, mas uma onda jogou o Luthier em cima do SAMSARA, e na manobra de evasão, acabamos por tocar os mastros, o que resultou, por sorte, só na perda das birutas do Luthier. Eles não conseguiram atar os cabos a tempo, e a manobra, muito arriscada, foi inútil.

O comandante do SAMSARA sugeriu que um tripulante dele mergulhasse e nadasse até o Luthier, trazendo um cabo para atar aos meus. Preparei tudo, e passei próximo ao mergulhador a 1,5 nó, velocidade mínima para que eu tivesse governo do Luthier. O mergulhador, por questão de centímetros, não conseguiu pegar o cabo que joguei.
Não deu, pensei (@#$%¨$$##@@# )! Já tinha um barco à deriva, sem leme, e agora tenho um homem ao mar!

O mergulhador usava um colete importado dotado de um sistema automático de inflar, e com uma forte luz piscante (strobo). Eram 4:00 hs da manhã, noite ainda. Eu pedi à Catarina que apontasse o tempo todo para o mergulhador e fiz, pela primeira vez, a manobra que li nos livros: cheguei a sotavento dele, e quando ele estava perto da popa, cortei o motor, que estava lento, e dei um cavalo de pau no Luthier. O mergulhador ficou posicionado bem à popa do barco, então, joguei a retinida a ele, e o puxei para bordo. Mais uma vez, ainda bem que a popa do Luthier é aberta!

Depois dessa, decidimos que o Samsara colocaria uma bóia com uma luz atada a um cabo longo, e que eles teriam ainda outro cabo atado a esse para, assim que pegássemos a bóia, eles fossem “dando linha”, para que tivéssemos tempo de atar os cabos de reboque. Foram quatro passadas, até que, finalmente, conseguimos pegar a bóia e atar os cabos.
Meus cabos de seda elásticos, e os cabos de âncora do Samsara, juntos, davam uns cem metros; a bóia que ficou no meio deles foi muito útil.

Tudo certo, respiramos fundo e iniciamos a operação. Adotei um rumo direto para Natal e coloquei o motor a 2000 giros, o que nos permitia andar a 3 nós de velocidade. A popa do SAMSARA balançava para os lados, descontrolada. Eles lançaram cabos pela popa com uma porção de tralhas, inclusive esses galões plásticos para combustíveis, que funcionaram muito bem, estabilizando a popa. Dessa forma, com o cabo sempre esticado, sem tranco, e com o motor na temperatura normal, iniciamos os turnos no Luthier. Nessa hora, é que o anjo que eu tenho a bordo (Catarina) começou a trabalhar: fez os turnos com o tripulante do Samsara a bordo, porque eu, depois que tudo estava bem, voltei a marear fortemente.
Foram 60 milhas de percurso até Natal, totalizando 20 horas, tempo para eu pensar em como entrar na Barra do Rio Potengi, em Natal.

Depois de algum tempo de percurso, percebi que o SAMSARA derivava para bombordo, o esperado, porque as ondas e vento vinham de SE, e a corrente também. A 5 milhas da barra, perguntei ao navio da Marinha, que já nos acompanhava, se eles também percebiam essa tendência do Samsara. Confirmado. Resolvemos encurtar o cabo de reboque, ficamos com uns 40 a 50 metros.
Adotei um rumo mais para o sul, de forma a fazer uma curva de aproximação que deixasse o Samsara a meu boreste na entrada do rio, e então, após eu passar, seria só controlar a velocidade para que ele derivasse mais ou menos para bombordo, e também passasse bem no meio do canal. O perigo são as pedras ao norte marcadas pela bóia 2.

Com cuidado, e a 3 nós de velocidade, o Luthier entrou bem no meio do canal. Fui acelerando para diminuir a deriva do SAMSARA e, a 4,5 nós, o SAMSARA entrou bem no meio do canal. Fiquei muito contente, porque as horas em que eu fiquei planejando essa entrada valeram à pena: tudo ocorreu como pensado.

Dentro do rio, a lancha do prático se posicionou a contra-bordo do SAMSARA, e largamos os cabos de reboque.
A experiência dos tripulantes do SAMSARA (o que estava a bordo do Luthier foi da equipe de terra do Brasil 1), o acompanhamento da Marinha pelo rádio, e a robustez do Luthier, fizeram com que tudo terminasse bem, sem maiores prejuízos, e, principalmente, sem feridos.

Fora a primeira tentativa de lançar os cabos, muito arriscada, todas as outras operações foram bem pensadas, por todos nós, dos dois barcos, realizadas com calma, e sem heroísmos.
O Mar às vezes é rude, judia, mas aproxima as pessoas. Estou feliz de ter feito parte deste resgate. Outras REFENOS virão.

Dorival

Clique aqui para saber mais sobre o projeto Samoa 34


MC 41 Triunfo e Samoa 35 Táta vencem a Refeno em suas classes

O veleiro Triunfo, um Multichine 41 comandado por João Jorge Peralta e o veleiro Táta/Dag Construtora, o Samoa 35 do médico baiano José Luis Couto, venceram a Refeno 2010 respectivamente em suas classes, a "veleiros de aço classe A" e a "RGS classe D"

João Jorge Peralta trabalhando na mesa de navegação do seu MC41 Triunfo

O Triunfo II participou pela terceira vez da Regata Recife-Noronha, onde, segundo seu comandante, o grande prêmio não é o troféu por chegar em primeiro lugar. O verdadeiro prêmio é muito mais valioso e tem características múltiplas: a participação no maior, mais significativo e mais prestigiado evento náutico da América do Sul; as 300 milhas náuticas percorridas em nosso mar brasileiro, grande parte na companhia dos alegres golfinhos que brincam ao redor do veleiro; é a emoção de ver Fernando de Noronha surgir de repente e crescer em nossa proa; é a chegada à Esmeralda do Atlântico e a fruição de suas praias, sua natureza e sua história.

Mas embora seja essa a primeira vitória do barco na competição, e como afirmou acima, nem se importe tanto com ela, ninguém merece tanto quanto Peralta conquistar esse prêmio, tamanha a garra com que construiu seu barco, em seguida saindo oceano a fora com seu pequeno navio de guerra. Após navegar alguns milhares de milhas até que finalmente, na terceira tentativa, obter esse prêmio, seu sucesso é conseqüência de sua determinação.

Parabéns ao amigo Peralta, à sua esposa Zilda e toda a tripulação do Triunfo..

***

Outro vencedor em sua classe, o Samoa 35 Táta/Dag Construtora, já é um veleiro acostumado a vitórias. Sendo um dos projetos pioneiros do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália), esse Samoa 35 foi construído artesanalmente por Jorge Jourdan em strip-planking de freijó, em uma localidade chamada Gameleira, na ilha de Itaparica, Bahia.

Táta/Dag Construtora navegando na Baía de Todos os Santos

Jose Luis sempre foi muito competitivo, tendo orientado a construção para não deixar o barco ficar pesado, além de nos ter encomendado uma quilha especial para regatas

O  Táta fez uma brilhante carreira nas raias ganhando em várias ocasiões a principal regata do Recôncavo, a Aratu – Maragogipe e tendo se tornado campeão baiana em sua classe. José Luis nos escreveu o e-mail abaixo:

Após 2 anos sem participar de regatas (cruzeiros incríveis na costa da Bahia) o "comichão" da regata reapareceu com força!!

Como o Táta sempre foi muito marinheiro e veloz, retornamos à raia com um novo patrocinado, e o nome do barco agora é Táta/DAG Construtora. Adquirimos um novo enxoval de velas que estreamos na ultima regata de Maragogipe, que nesse ano teve duzentos barcos na raia e mais de vinte na nossa classe. Entre os concorrentes, vários veleiros de desenho bem mais recente que o nosso e velejadores experientes, inclusive profissionais, como é o caso de Marcelo Gusmão Reitz com o veleiro MOLEQUE ( Fast 360) e varios Delta 32 e Delta 36  da Bahia e de vários outros estados do Brasil.

Resultado : ganhamos na RGS A e na RGS geral e festejamos muito. Quero compartilhar essa alegria com vocês que desenharam e assessoraram o projeto do Táta.

No final de semana seguinte (o de 7 de setembro) levamos o barco para Recife velejando e o Táta comportou-se maravilhosamente bem, mas isso eu conto em outro email.

Torçam por nós na Refeno (largada em 25/09 próximo sábado.)
Grande abraço.

José Luis Couto

Sabendo como o Táta navega ligeiro, já esperávamos um bom desempenho de sua parte na regata, mas a vitória foi a maior glória. Parabéns ao José Luis e seus tripulantes.

Quanto à classe Multichine 41, essa promete novidades para breve, o lançamento do primeiro barco do projeto a ser construído em alumínio. Trata-se do Bepaluhe, construído pelo estaleiro gaúcho Ilha Sul. Esse barco está ficando uma beleza e sua construção pode ser acompanhada no blog que nosso cliente criou para mostrar os progressos da obra (veja em nossos links: Multichine 41 Bepaluhe)

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 41


Samoa 28 Terrius faz um cruzeiro de dez dias

A classe Samoa 28 começa a mostrar sua cara. Agora é Bernardo Sampaio, o proprietário do Terrius, segundo barco do projeto a ir para a água e primeiro no Brasil a navegar quem nos relata seu primeiro cruzeiro mais prolongado, dez dias navegando pelo litoral norte de São Paulo.

Dez dias a bordo do Terrius. O primeiro cruzeiro mais prolongado é inesquecível

Bernardo nos passou esse e-mail muito simpático que reproduzimos a seguir:

Ola amigos da Roberto Barros Yacht Design.
Acabamos de chegar depois de 10 dias de férias a bordo do Terrius, desembarcando apenas para comprar gelo e água potável. Foi simplesmente espetacular, o veleiro é como uma casa flutuante. Pegamos dias maravilhosos de sol e vento, pegamos também aqueles dias do feriado de Sete de Setembro, quando o mar virou e não pudemos sair da poita. Fizemos velejadas maravilhosas quando em alguns momentos de pico chegamos a medir 8.3 nós no GPS. Alguns amigos que viram e fotografaram ficaram maravilhados com o desempenho do barco, em alguns momentos me recordei do tempo em que velejávamos um Holder.

 

Terrius navegando no contravento. Bernardo gostou muito do desempenho do barco.
Suas informações são valiosas, uma vez que a classe está só nascendo.

É impressionante como o Terrius fica macio quanto mais rápido navega. Pudemos sentir a segurança nas velejadas de través. Minha mulher não queria mais voltar para terra. Seguem algumas fotos de quando fizemos um café da manhã ao largo da Ilha Anchieta. Espero conseguir algumas fotos com amigos para enviar.
Abraços

Esse e-mail mereceu uma resposta de agradecimento que mandamos em seguida:

Oi Bernardo
Obrigado por nos informar sobre seu cruzeiro. Que fotos bacanas!!!
O Terrius como primeiro barco da classe a navegar aqui no Brasil, todas as informações que você nos passar, são valiosas. O Daniel D'Angelo ficou um bom amigo e ele também tem passado informações importantes sobre o comportamento do Sirius lá no Rio da Prata, que para nossa alegria, conferem com as suas.
Quando projetamos o Samoa 28 tínhamos o sentimento de estar projetando um barco diferente, capaz de ser veloz, marinheiro e ser bom para ser habitado. Pelo que você nos informou agora, ele é isso mesmo, mas até que isso seja bem conhecido ainda deve demorar um pouco. Por dois motivos você nos ajuda: por ter feito o barco muito bem-feito e por nos informar como ele veleja.

Como precisamos muito de data para podermos informar melhor os muitos interessados no modelo, suas observações valem ouro para nós. 
Ficamos contentes que sua esposa também esteja gostando do barco. Isso quer dizer que ele é funcional. 

O primeiro gostinho de um cruzeiro prolongado. Terrius ancorado nas proximidades da ilha de Anchieta.

Durante um bom tempo o Sirius, primeiro Samoa 28 a ficar pronto, reinou sozinho na classe, navegando em águas do Rio da Prata. Nosso amigo Daniel D’Angelo tem aproveitado demais seu veleiro. Outro dia nos contou que numa regata em que participou, vinha com preferência em rumo de colisão com outro barco de fabricação em série. Depois de ter alertado o adversário, e o outro barco não ter tomado iniciativa alguma, acabaram colidindo proa contra proa. Enquanto o Sirius sofreu apenas arranhões, o outro barco teve o convés separado do casco do bico de proa até quase a metade do casco. Pelo menos como gladiador, o Sirius dessa vez saiu ganhando.

Daqui para frente a classe Samoa 28 deverá ter muitas novidades na área. São muitos barcos ficando prontos ou bem adiantados. Três blogs com links nossos merecem ser visitados: Samoa 28 Caprichoso; Samoa 28 Furioso; Samoa 28 Baleia. Por coincidência esses três Samoas 28 estão em fases de construção bastante próximas

Clique aqui para saber mais sobre a classe Samoa 28


Samoa 34 Zait – Viagem à Angra dos Reis

Você que visita nosso site deve se lembrar bem das matérias que já fizemos sobre o Zait. Ele é um dos mais bem-construídos Samoas 34, e Daniel Sequerra, seu proprietário, é um apaixonado pelo modelo. Agora ele deu uma velejada em solitário do Rio para Angra dos Reis e nos enviou esse e-mail relatando a aventura: Caros amigos da Roberto Barros Yacht Design Seguem algumas fotos que tirei no meu cruzeiro em solitário do Rio a Angra.
Tenho também um filme mas como me mudei e ainda não tenho a banda larga
instalada não tenho como enviar.

Saí do Rio no sábado 4/9 as 05:00 horas com pouco vento. Levantei a grande para estabilizar o barco e fui a motor. Velocidade no GPS entre 5,5 e 6
nós.
Quando cheguei à Restinga começou a soprar um vento de noroeste e imediatamente abri a genoa. Esse vento, para a minha alegria, chegou a 25
nós. Não reduzi as velas e deixei o barco correr. Aliás, ele correu mesmo...

Chegamos a 8,4 nós de velocidade no GPS. Parecia um torpedo!!! O projeto realmente é incrível. O barco é muito seguro e apesar de bastante adernado (chegou a 40 graus) nunca tive a sensação de medo ou qualquer dificuldade em caçar ou folgar as velas sozinho.

Cheguei ao Saco do Céu relativamente cedo e fui dar um mergulho para esfriar o sangue. Depois deitei no cockpit e apaguei. Por volta das 0:00 horas fui para
a minha cabine quentinha e confortável até que .... as 04:30 acordei com o vento uivando nos estais. Saí rapidamente e não consegui enxergar nada, pois
estava realmente um breu total.

Liguei o motor, subi o ferro (fico feliz em ser exagerado, pois o ferro Bruce de quinze quilos, mais vinte metros de corrente de sete milímetros numa profundidade de sete metros não deixou o barco garrar). Então liguei o chart plotter (êta aparelhinho maravilhoso!) que me guiou com total segurança (com 35 nós de vento
sudoeste) até a sub-sede do ICRJ em Angra dos Reis onde o barco ficará de agora em diante.

Logo após sair do Saco do Céu liguei o VHF onde ouvi o operador do Colégio Naval trocando mensagens com um rebocador da Petrobras. Eles não sabiam da posição de dois veleiros que garraram. Eu entrei na conversa e passei a posição dos dois veleiros que estavam ancorados a 100 metros de mim e imaginei que fossem esses, pois quando cheguei estavam emparelhados utilizando apenas  uma âncora. Pelo que pude ouvir, ambos barcos foram parar na praia.

O vento chegou a 35 nós no meu wind-speed. Mais uma vez meu barquinho se mostrou (quase) indiferente a mar grosso e vento forte. Viva o pessoal da B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) Não há dúvida que o Zait é uma bela máquina com todo o conforto, velocidade e segurança que um barco desse nível deve oferecer ao(s) seu(s) tripulante(s).

Abraços
Daniel Sequerra

Zait

O interior do Samoa 34 é muito apreciado por seus proprietários

***

Outra nota sobre um barco da classe se refere ao Brasa, que está sendo construído em Joinville pelo  advogado aposentado João Scuro e por sua esposa Maria. De brincadeira costumamos dizer entre amigos que alguns de nossos projetos para construção amadora podem ser construídos até por advogados. Aí não vai preconceito algum, sendo a brincadeira baseada no raciocínio de que quem está mais acostumado a trabalhar com retórica não tem a mesma afinidade com trabalhos manuais como pessoas de outras profissões, como engenheiros, arquitetos, etc.  

Pela limpeza como é mantido o galpão onde João Scuro e sua esposa estão trabalhando dá para ver como o casal é caprichoso. Quando a obra terminar eles irão morar a bordo e alugar o galpão para contribuir com suas aposentadorias

Mas o Samoa 34 já é um barco que para construí-lo requer uma boa dose de habilidade e competência, e João Scuro e sua esposa Maria nos fizeram morder a língua. Acontece que poucos barcos se igualam em qualidade a esse que os Scuro estão construindo absolutamente sozinhos. Que espetáculo de construção!!! Os Scuro, pelo lindo trabalho que estão realizando, merecem toda a felicidade do mundo quando seu barco estiver navegando e estiverem morando a bordo. Para se avaliar o grau de determinação do casal, vejam na foto acima o lindo galpão que construíram com um quarto ao lado, onde dormem. Eles trabalham o dia inteiro, sem trégua, e o progresso da construção avança num ritmo de dar inveja a muito estaleiro profissional!

Dá para acreditar que esse casco foi construído por um casal de amadores sem experiência prévia e sem ajuda de ninguém?

Quando o Brasa ficar pronto e estiverem morando a bordo, poderão colocar uma roleta na gaiuta principal e cobrar entrado dos que quiserem saber como se faz um barco.

Os Scuro têm razões de sobra para estarem orgulhosos com o trabalho que estão realizando. 

***

No início de setembro publicamos uma matéria sobre a participação expressiva dos barcos do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design Internacional) com então dezesseis barcos inscritos na regata Recife – Fernando de Noronha, edição 2010. Naquela nota comentamos a inscrição de três Cabo Horns 35 MKII na competição. Nesse artigo vamos falar sobre os dois Samoas 34 inscritos: o Luthier e o Arandu.

Esses nossos dois projetos, o Samoa 34 e o Cabo Horn 35 MKII, concorrem entre si pela condição de projeto preferido por nossos clientes para veleiros desse porte. Afinal 34/35 pés é um tamanho maravilhoso, já suficientemente grande para permitir um respeitável conforto, ainda sendo pequenos bastante para não serem excessivamente caros. Não é, portanto, por acaso que entre as duas classes já estejamos atingindo as setenta unidades (setembro de 2010) sendo construídas ou já navegando. Para nós é indiferente qual a escolha que nossos clientes fizerem. Ficamos contentes de uma forma ou de outra. O que nos emociona de verdade é vê-los competindo entre si numa regata prestigiosa como a Refeno.

É verdade que o Samoa 34, sendo um pouco mais regateiro, deva andar mais na regata, mas isso é o que menos importa. O que conta mesmo é o fato de ambos serem oceânicos e confortáveis e estarem participando da regata mais cobiçada do hemisfério sul.. Deve existir um fator telúrico qualquer que impele certos casais aposentados a realizarem verdadeiras obras primas ao empreenderem uma construção amadora de um veleiro com a intenção de morar a bordo e em seguida sair mundo a fora. A classe Samoa 34 tem vários desses exemplos. O casal Dorival e Catarina Gimenes é uma bela prova disso. Dorival é engenheiro eletrônico, e por hobby, afinador de pianos. Talvez seja por isso que perfeccionismo faça parte de seu DNA.

O Samoa 34 que ele e sua esposa Catarina construíram no jardim de sua casa em Campinas, assim como os Scuros, sem ajuda de ninguém, ficou uma coisa de cinema. Quase como num caso de "deja vue" eles também planejaram e agora estão realizando o sonho de se mudarem de mala e cuia para bordo, e desde o lançamento do Luthier estão realizando esse sonho, aproveitando a vida do jeito que desejaram. Em 2009 o casal participou da Refeno, ganhando a regata em sua classe, a bico de proa, e agora em 2010, lá estarão de novo, dessa vez com a responsabilidade de defender o título de campeões. (Veja a matéria sobre a vitória do Luthier na regata de 2009 em nossa seção "Todas as notícias.")  

Luthier é um barco feito com muita classe e bom gosto. Sem duvida faz jus ao nome

Luthier foi o vencedor da Recife to Fernando de Noronha, classe bico de proa, em 2009.
Esse ano além de disputar a regata com iates de outros modelos, terá outro Samoa 34 com o qual poderá fazer um match-race.
 

Dorival e Catarina já estão vivendo a bordo há quase dois anos. Para compartilhar com outros essa experiência criaram um blog bem legal: www.veleiro.net/luthier/.
O interessante é que os dois escrevem sobre os mesmos temas, cada um com sua visão. Para quem sonha com esse tipo de vida vale a pena seguir as aventuras do casal Gimenes.

 

Dorival e Catarina recebendo o troféu pela vitória na Refeno de 2009

***

O outro Samoa 34 que estará competindo esse ano é o Arandu. Esse barco é o primeiro Samoa 34 a ser construído com a opcional cabine longa, uma alteração que oferece mais pé direito na cabine de proa, mas que, como na história do cobertor curto, perde a possibilidade de uma visão de 360° para o exterior, além de ficar sem o simpático convés corrido à frente do mastro. Mas como as duas versões fazem parte do projeto, podemos ficar fora dessa escolha, deixando para nossos construtores decidirem o que preferem. Geraldo é um engenheiro aeronáutico que trabalha no departamento comercial da Embraer. Como viaja o mundo todo a trabalho, fez por aí muitas amizades com gringos que também gostam de velejar.

Outro dia ele levou um belga que possui um barco de construção em série maior do que o Arandu para fazer um cruzeiro pela Ilha Grande. O belga ficou maravilhado com o conforto e o desempenho do barco, e de sobra, por ser um cordon-bleu, ainda brindou a tripulação com fantásticas refeições preparadas na ampla cozinha de bordo

 

Arandu ancorado na Ilha Grande. Agora ele estará acrescentando umas duas mil milhas em seu diário de bordo e ainda terá a oportunidade de fazer a regata mais charmosa do hemisfério sul.  

A filha de Geraldo está gostando bastante da experiência de tripular o Arandu  

A classe Samoa 34 está se espalhando rapidamente. Já temos dezenas de barco em construção ou navegando na América do Sul, na Europa e nos Estados Unidos. Alguns deles estão sendo construídos em lugares exóticos, como o Samoa 34 que nosso amigo Jayme Bubolz está construindo no Tocantins e outro que está sendo construído na Serra do Caparaó, a quase dois mil metros de altitude. Se você sonha com um barco para grandes aventuras ao alcance do construtor amador, o Samoa 34 poderá ser uma boa opção.  

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34.


Polar 50 agora em Kit CNC

Já estamos desenvolvendo um kit CNC para corte das peças de alumínio para o Polar 50, nosso projeto para expedições com quilha retrátil.

Embora o desenho tenha fundo redondo, o kit CNC vai permitir o corte automatizado de toda a estrutura interna, convés, cabine, cockpit, leme, quilhote, quilha, caixa de quilha retrátil e outros detalhes, ficando para corte manual apenas o chapeamento do costado, que não é desenvolvível (tem curvatura dupla e não pode ser planificado como nos modelos multichine).

Com este novo kit teremos mais um de nossos projetos de casco metálico oferecendo essa possibilidade, em adição ao Kiribati 36 e  Multichine 41.

Clique aqui para saber mais sobre o Polar 50.


Cabo Horns 35 em flotilha

A classe Cabo Horn 35 continua cada vez mais ativa. Agora em setembro teremos três de seus representantes inscritos na Refeno 2010. São eles Stella Maris, de Roberto Kivitis Nogueira, de Maceió, Alagoas, Thalassa, de Marcelo Augusto Balbo, de Ilha Bela, São Paulo, e o legendário Utopia, agora tendo Manrico D’Alessandro, de Santa Catarina, como seu novo proprietário.
Coroando nossa costumeira presença nesse evento, esse ano deverá ocorrer um recorde de barcos projetados por nosso escritório participando da regata. São ao todo dezesseis inscritos, alguns deles verdadeiros ícones entre os projetos que já desenhamos como é o caso do Utopia, (veja em clube na página do Cabo Horn 35 em nosso site), e do não menos famoso veleiro polar Paratii II, o mais conhecido dentre os projetos com os quais já nos envolvemos, um iate que já teve até selo de nossos correios editado em sua homenagem.

Dentre os projetos dos quais participamos o carro chefe na próxima Refeno será sem dúvida o veleiro vermelho Paratii II, um barco laureado com o cobiçado "Tillman Prize", auferido pelo Royal Cruising Club da Inglaterra, e ainda tendo sido agraciado com a edição de um selo dos Correios Brasileiros

Ainda iremos reportar sobre todos esses barcos, mas dessa vez serão os três veleiros de construção amadora da classe Cabo Horns 35 inscritos na Refeno os barcos que desejamos homenagear.
Muitos de nossos clientes nos informam que sonham em um dia participar da Refeno, devendo ser por essa razão que, ano após ano, tem havido um gradativo aumento de barcos de nosso projeto inscritos na competição.

 

O interior do Cabo Horn 35 com seu salão social à ré é bem fora do convencional

Por ser a regata um evento onde o que mais importa para a maioria dos participantes é o fato de estar lá, a vitória em sua categoria representando apenas um bônus extra, muito provavelmente é esse o fator principal para que, tanto nossos veleiros de cruzeiro/regata, quanto os assumidamente de cruzeiro como é o caso dos Cabo Horns 35, façam essa prova como um dos grandes sonhos de realização de seus comandantes. Afinal quem não iria apreciar poder comandar seu barco de dentro de um pilot-house num daqueles dias em que se pergunta o que se está fazendo ali. Por que não ter ficado no bem bom de sua cama sequinha, ou no aconchego de sua sala de estar, ao invés de ter que enfrentar um molhado cockpit, seja por chuvas torrenciais, ou por ondas traiçoeiras estourando no convés.

Fernando de Noronha sendo um parque nacional ainda não foi estragada por turismo excessivo

Nossos três competidores têm em comum as histórias de suas sagas para serem fabricados. São construções amadoras feitas com muita competência e dedicação que resultaram em três barcos maravilhosos.

A deslumbrante vista para o ancoradouro a sotavento da ilha onde ficam estacionados os veleiros da regata

Como são três unidades do mesmo projeto, os comandantes poderão reivindicar o status de classe para os Cabo Horn 35, com premiação específica. Pelo menos foi assim em regatas anteriores, e nada seria mais justo do que oferecer esse status aos três veleiros.  

O Stella Maris foi construído artesanalmente por seu proprietário, Roberto Kivitis Nogueira em Maceió, Estado de Alagoas

O Stella Maris foi construído com muita competência por seu proprietário Roberto Kivitis Nogueira no galpão de sua empresa em Maceió, Alagoas. Roberto, que nunca construíra um barco antes, fabricou o seu com a intenção de atravessar o Atlântico navegando pelas latitudes beirando os quarenta graus até a cidade de Cape Town e dali em diante realizar uma volta ao mundo. (Veja artigo sobre o Stella Maris – Alagoano prepara Cabo Horn 35 para dar a volta ao mundo. Extrato de artigo publicado no jornal "Gazeta de Alagoas"). O barco inegavelmente está muito bem preparado, e, se por enquanto essa viagem ainda não foi realizada, pelo menos o Stella Maris já é um veterano na Refeno.

Roberto Kivitis Nogueira recebendo de Roberto Barros a placa comemorativa pela participação do Stella Maris na regata de 2004 quando doze barcos projetados pelo escritório Roberto Barros Yacht Design estavam presentes na competição. Esse ano de 2010 são dezesseis inscritos

Na regata de 2004 o escritório foi representado por doze participantes. Na ocasião marcamos um almoço de confraternização realizado no Pernambuco Iate Clube convidando todas as tripulações desses barcos. Foi então entregue a cada comandante uma placa comemorativa pela participação no evento, e um deles era o Stella Maris, então um barco recém-inaugurado. Agora em 2010 o barco está mais completo ainda para realizar qualquer aventura marítima, parecendo ser novo em folha.

Thalassa é um Cabo Horn 35 extremamente bem construído por dois amadores totalmente inexperientes, Álvaro Brant de Carvalho e seu pai, João Brant de Carvalho, em Santa Rita de Passa Quatro, Estado de São Paulo

O Thalassa é um belo exemplo de veleiro da classe Cabo Horn 35. Ele é tão bem construído e bem acabado que mereceu uma reportagem recente na prestigiosa Revista Náutica. Seu atual proprietário, Marcelo Augusto Balbo, é um apaixonado pelo Thalassa, ao ponto de ter criado um site/blog (veja em nossos links – Cabo Horn 35 Thalassa) onde conta seus planos e dá muitas informações sobre o veleiro, inclusive com ótimas fotos em alta definição. Thalassa está inscrito no cruzeiro da costa leste, de modo que desde já vamos ter muitas novidades sobre ele.

        O salão do Thalassa combina verniz com estofamento claro

Imaginamos que como todos os donos de Cabo Horn 35, Marcelo deverá sentir uma forte tentação de esticar o cruzeiro para um horizonte mais longínquo, mas isso já será outra história.

Utopia é o mais famoso veleiro da classe Cabo Horn 35. Em seu currículo consta uma volta ao mundo e o fato de ter sobrevivido a um furacão e a um tsunami

O veleiro Utopia é considerado o barco de sete vidas. Sua história completa é um livro de aventuras daquelas de tirar o fôlego. Ele foi construído em Guaraparí, Espírito Santo, por Fausto Pignaton, um construtor de caiaques de fibra de vidro. Batizado então com o nome de Guruçá, pouco após ter sido inaugurado saiu em um cruzeiro de longa distância com destino ao Caribe. Após passar toda uma temporada nas ilhas fazendo charter para ajudar a financiar a viagem, foi pego de surpresa pelo mais violento furacão que já assolara a ilha de Saint Martin, o devastador Louis, que ao atingir a laguna onde Guruçá procurou abrigo, de novecentos barcos ali estacionados, salvaram-se oitenta, mesmo assim nenhum deles ileso. Duas semanas após a catástrofe, depois de fazer pequenos reparos, Fausto voltou ao Brasil navegando em solitário, tendo feito o trecho de Saint Martin até Fernando de Noronha em vinte e um dias, uma excelente singradura para um marinheiro sozinho.

Utopia ancorado numa laguna em uma ilha do Pacífico Sul

De volta ao Brasil Fausto tornou-se uma celebridade, sendo convidado para entrevistas em emissoras de televisão e tendo sua fantástica história sido publicada em diversos veículos de mídia. Seu barco tornou-se objeto de desejo de muitos cruzeiristas, e como Fausto tivesse outros planos de vida, resolveu colocar seu barco a venda.
Foi somente propagar a notícia e logo o barco já estava nas mãos de um novo dono, o piloto de helicóptero Marco Cianflonne.

Marco, um aventureiro nato, desejava dar uma volta ao mundo em solitário, e foi exatamente isso que conseguiu realizar em grande estilo. Se um gato tem sete vidas, não sabemos dizer exatamente quantas vidas teria esse excepcional veleiro. Ao longo dessa viagem Marco colidiu com uma rocha submersa quando navegava em águas da Indonésia, foi atingido pelo tsunamy que devastou a Tailândia e grande parte do litoral das regiões banhadas pelo oceano Índico, além de ter sido atacado por baleias quase no fim da viagem, já no Atlântico Sul, e apesar de ter seu eixo de propulsão retorcido pelo impacto, retornou ao ponto de partida de sua circum-navegação por seus próprios meios. (Leia em CLUBE do Cabo Horn 35 um extrato do artigo que Marco escreveu para uma importante revista).

Em 2010 o Utopia estátão sólido como no dia de sua inauguração apesar de todos os sustos por que passou, e, agora em mãos de um terceiro dono, Manrico D’Alessandro, está pronto para enfrentar novas aventuras, começando pela Refeno 2010.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Cabo Horn 35MKII


Kiribati 36, um desenho versátil do equador aos pólos

Uma análise dos barcos de cruzeiro em evidência hoje em dia , quer por suas realizações nos campos da aventura náutica ou na indústria de charters em águas polares, revela que o Kiribati 36 tem muitas das características que fazem de seus irmãos maiores barcos de qualidade e por isso desejados e concebidos por aqueles que se aventuram no oceano.

Green Nomad com sua cabine panorâmica e dog house rígido: conforto e segurança em cima de um casco de 10mm de alumínio no fundo

Sem precisar ir longe, desde os Paratis do internacionalmente reconhecido Amyr Klink, até diversos outros igualmente destacados, como os barcos de expedição de Peter Blake, o novo Pelagic Australis de Skip Novak, Seal, Hawk, Morgan´s Cloud, Polaris, Southern Star e muitos outros, fica clara a tendência dos que querem barcos fortes, duráveis, de pouca manutenção e que proporcionem conforto e proteção as seus ocupantes.

Os cascos são de alumínio, os sistemas simples e comprovados, as cabines oferecem visão panorâmica.

Posto do navegador: Visão total e instrumentos à mão

Amplidão e luminosidade

Entre esses renomados navegadores muitos, senão todos, tiveram barcos anteriores aos atuais, alguns em fibra de vidro, outros em aço, mas quando chegou a hora de idealizarem seu barco definitivo, sua máquina dos sonhos, todos optaram pelo alumínio.

De todos os materiais atualmente utilizados para barcos de cruzeiro, o alumínio é praticamente o único que vai se manter inalterado quando exposto. Nenhuma barreira é necessária, a água não penetra nele e começa a degradá-lo.

É claro que gostaríamos de um barco em que compromissos não tivessem que ser feitos, em que espaço para corrente de âncora não implicasse em menos espaço de habitação, em que cabine panorâmica não alterasse o perfil do barco, mas dentro das limitações, podemos dizer que nos sentimos satisfeitos como o que atingimos com nosso Kiribati 36 Green Nomad.

Cozinhando no Green Nomad você fica integrado ao ambiente

O grande paiol atrás do banheiro ajuda a manter a organização

A robustez do casco e a simplicidade e confiabilidade dos sistemas de bordo habilitam o Kiribati 36 a ir onde quiser, só sendo limitado pelos desejos e estilo dos que o navegam.

Que tal um barco polar ao custo de um cruzeiro regata de fibra de vidro convencional? Ou um barco adequado aos atóis e passes rasos do Pacífico, com ventilação natural de sobra na cabine e vista para as maravilhas do mar? Pois embora pareçam opostos, muitas das soluções do Kiribati 36 são adequadas para cada um dos casos.

O primeiro Green Nomad nas Ilhas Marshall, Oceano Pacífico

Com nossa quilha retrátil e fundo chato de alumínio, poderemos nos abrigar nos lugares mais remotos do planeta

Sempre dizemos que o Kiribati 36 é o barco grande dos que não possuem um grande capital. Maior do que ele os custos aumentam desproporcionalmente ao benefício atingido, embora o conforto adquirido não seja de se desprezar.

É possível viver e viajar num barco menor, como provam vários amigos, entre eles Roberto Barros e seu Sea Bird. A opção pelo tamanho do barco tem que ser acompanhada de uma criteriosa avaliação sobre os custos e dificuldades envolvidas na construção, para se garantir que o projeto seja concluído.

Para saber mais sobre o projeto do Kiribati 36 clique aqui.


Polar 65 Fraternidade em Tahiti

O Fraternidade já está no coração do Pacífico. Esse barco construído para levar jovens cientistas aos lugares mais exóticos do planeta está realizando uma rápida volta ao mundo com muito poucas paradas até aqui, por enquanto sem explorar lugares mais remotos fora da rota clássica de turismo. Vamos aguardar que surpresas seu experiente capitão Aleixo Belov estará reservando para nós visitantes de seu site (veja em nossos links: Polar 65 Fraternidade) em seus próximos relatos. Talvez esteja guardando para as próximas etapas algumas surpresas interessantes. Em se tratando de Aleixo, um aventureiro nato, acreditamos que isso irá acontecer.

Que esse novíssimo barco navega bem e inspira muita confiança, isso é inquestionável. As fotos que temos observado dele navegando com todo pano em cima sempre mostram um convés seco e quase sem adernar. Com sua mastreação à prova e balas e toda a segurança que seu casco metálico proporciona, já contávamos que enquanto viajasse em águas tropicais iria navegar como se estivesse em um lago. Sua chegada sem o mínimo contratempo à Tahiti é uma bela prova disso.

Polar 65 Fraternidade encostado a contrabordo de um catamarã na beira-mar de Papeete. Por coincidência esse é mesmo lugar onde ficou o Sea Bird, o veleiro da família de Roberto Barros.

Por uma dessas coincidências difíceis de acontecerem a foto acima do Fraternidade encostado a contra-bordo de um catamarã tipo polinésico mostra o mesmo ponto geográfico onde o valente Sea Bird, veleiro de vinte e cinco pés com o qual Eileen e Roberto Barros navegaram do Rio à Polinésia, ficou estacionado há mais de quarenta anos com a pequena Astrid , então um bebê recém-nascido, a bordo. Era na praça vista à direita da foto, o Parque Bougainville, onde Eileen levava a filha para aproveitar o sol da manhã. Tahiti pode ter se modificado bastante em todo esse tempo, mas esse parque que tanto amávamos continua intocado.

Aleixo já havia realizando anteriormente três voltas ao mundo, todas elas em solitário, com um veleiro de quarenta pés em fibra de vidro que ele mesmo construiu. Parece que uma força íntima o impeliu a retornar aos lugares onde viveu experiências inesquecíveis, agora desejando compartilhar com outros suas memórias.

Em Tahiti deverá juntar-se à tripulação um companheiro nosso no escritório Roberto Barros Yacht Design, o jovem engenheiro naval Rafael Coelho, um dos participantes na elaboração do projeto. Essa oportunidade será muito proveitosa, pois o Fraternidade,sendo um veleiro de características bem exclusivas, ainda tem muito que demonstrar. Numa prova importante disso ele já deixou evidente que seus atributos podem fazer diferença: como ao entrar no atol de Rangiroa, beneficiando-se de sua capacidade de reduzir calado, mantendo um perfeito controle do rumo ao cruzar a intrincada passagem para as água abrigadas da laguna interior, assegurado por seus dois lemes e a mobilidade proporcionada por seus dois propulsores, passando por onde veleiros de seu porte com quilha fixa nem poderiam sonhar em chegar lá.

Clique aqui para saber mais sobre o Polar 65


Samoa 28 Terrius. Novidades na área

Olha só a classe Samoa 28 começando a mostrar sua cara. Agora já são duas unidades navegando: o Sirius, de Daniel D’Angelo, inaugurado já há algum tempo em La Plata, Argentina e agora o Terrius, de Bernardo Sampaio, recém-inaugurado em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo.

Projetamos esse modelo para ser o barco daqueles que querem morar a bordo ou fazer cruzeiros oceânicos e não conseguem encontrar veleiros desse porte capazes de proporcionar essas oportunidades. Como a classe é ainda bem novinha, é natural que ainda seja pouco conhecida, mas ela vem se firmando bem rápido, principalmente depois do Sirius mostrar serviço na última edição da regata Buenos Aires – Punta Del Leste, quando voou baixo no vento forte e tirou de letra o mar bem complicado que se formou na ocasião. (Veja a reportagem escrita por Daniel em nossa seção “Todas as Notícias”).

A classe tem uma porção de barcos sendo construídos em vários paises, alguns deles já ficando prontos, como é o caso do Ruthwutte, de Rafael Haddad, de Sorocaba, Estado de São Paulo, que até já se inscreveu na próxima Regata Recife – Fernando de Noronha. Vamos torcer para que Rafael consiga terminar o barco a tempo de participar desse evento que é considerado o mais importante da vela oceânica da América Latina. Se ele conseguir será um feito considerável, um record mesmo, pois ele adquiriu o projeto em outubro de 2009.

 

Vocês que visitam nossa página de links provavelmente acompanham os sites e blogs da classe, como o do Sirius, do Caprichoso, do Furioso e do Baleia.

Em janeiro de 2010 Luis Gouveia veio de Cingapura para visitar a família no Rio de Janeiro e foi a Macaé conhecer o Baleia, levando a filha Juliana com ele. Agora em junho o casco do Baleia já está pintado e pronto para ser virado.

Luis Gouveis visitou a obra do Baleia, quando Ubiracy Pereira Jardim acabara de completar o strip-planking do sanduíche do casco. Agora o barco já está revestido com fibra de vidro por fora e pintando com primer epoxy, pronto para ser virado. Assim como o Baleia, vários outros Samoa 28 já estão com seus cascos concluídos de modo que as novidades deverão continuar chegando.

Terrius se preparando para ir para a água. Com barcos tão caprichados assim essa classe promete...

Bernardo Sampaio nos escreveu:
Dia 15 de maio foi para o mar o mais novo veleiro Samoa 28, o TERRIUS. Foi uma emoção muito grande o barco ir ao mar. É como se fosse o nascimento de um filho. Nossos amigos que estiveram presentes se encantaram com a beleza e o espaço interno do veleiro. Já demos algumas voltas e o barco desliza muito bem. Estamos fazendo ainda alguns ajustes. Já na poita, algumas pessoas perguntam que veleiro é esse, se tem 33 pés, ficam admirados quando digo que é um 28 pés.

Estamos conhecendo o barco aos poucos, isto pela falta de tempo, pois trabalhamos muito. Estamos fazendo, ainda, alguns ajustes de elétrica, hidráulica, bimini, etc..., coisas naturais de um barco novo. Demos uma pequena velejada, mas com ventos muito, muito fracos, quase nada, assim mesmo alcançamos 2,0 nós no GPS (barco carregado, tanques de água e diesel cheios e 04 adultos). Tanto no motor como na vela desliza muito bem. Quanto ao espaço interno, toda vez que me sento no camarote de popa e olho para a proa me impressiono com o espaço interno, parece que estou em um barco de 32 pés. E é a pergunta que todos me fazem na poita: - É um 32 ou 33 pés? Quando digo que é um 28 pés, vejo as caras de espanto. Espaço para guardar as coisas não falta, minha mulher está adorando preparar nossa comida a bordo. Já fizemos algumas saídas com cinco adultos a bordo para praias próximas e para ilha Anchieta. A plataforma de popa é show, facilita a chegada com toda a bagagem e é fantástica quando estamos entrando ou saindo de um banho de mar. Assim que tiver mais noticias volto a me comunicar, principalmente das velejadas.
Abraços Bernardo.

O grande momento. O segundo Samoa 28 já está flutuando

Essas são as primeiras notícias do Terrius. Tão logo tenhamos mais novidades da classe estaremos informando.

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 28.


Demonstração virtual da montagem do Kiribati 36 vai ajudar construtores

Aproveitando que o projeto do Kiribati 36 é de última geração em termos de modelagem 3D, o escritório Roberto Barros Yacht Design oferece uma demonstração virtual dos passos da montagem da caldeiraria, com as peças sendo adicionadas passo a passo e na sequência sugerida.

Isto pode ajudar a muitos construtores, que podem assim avaliar as dimensões da tarefa.

Em outra novidade ligada ao projeto, já está em desenvolvimento uma versão do barco com quilha fixa tradicional, usando os já comprovados apêndices que fazem parte da série Multichine 34/36.

Green Nomad com mastreação

Com isto o projeto do Kiribati 36 passa a ter um apelo mais universal, podendo atender às necessidades daqueles navegadores que não precisam de calado extra reduzido ou preferem a simplicidade e menor custo de construção de um barco com quilha fixa.

O interior do Green Nomad quase finalizado

Os conceitos de simplicidade de sistemas, robustez, visão panorâmica de dentro da cabine e muitos outros utilizados no projeto do Kiribati 36 apelam a uma grande gama de navegadores, e a adição da versão de quilha fixa vai ser importante para o projeto.

Para ver a montagem virtual completa e saber mais sobre o projeto do Kiribati 36 clique aqui e na página do projeto clique em Construção.


Multichine 28 Atairu: um sonho de cruzeiro à vela

Nosso cliente Antônio Piqueres é o feliz proprietário do Multichine 28 Atairu. Ele e sua esposa Ivana estão curtindo imensamente os sonhos de cruzeiro à vela que nutriam antes e durante a construção do barco.
Com seu veleiro novinho em folha, eles têm feito incursões pela Lagoa dos Patos, desfrutando por dias a fio a beleza dos inúmeros arroios fervilhando de vida selvagem onde ainda quase não existe influência da atividade humana.

Ivana só teve que dar um pulinho da proa para terra firme para tirar essa foto

Regularmente fazemos matérias em nossa seção de notícias contando histórias de cruzeiros oceânicos realizados por veleiros da classe Multichine 28, como os diários de bordo do veleiro Fiu, (veja em clube do Multichine 28 no home-page da classe),hoje chamado Stella di Fioravante, agora pertencendo ao engenheiro brasileiro/canadense Roberto Roque, também um colaborador em nossa seção de notícias náuticas, ou as travessias (ou seriam travessuras?)de nosso aventureiro maluco/beleza Flávio Bezerra com seu fabuloso Multichine 28 Access, ou ainda o vídeo que mostramos do Utopya, o MC 28 de nosso amigo Breno Faria Lima, velejando em pleno planalto central brasileiro, no Lago Paranoá. Em outras ocasiões relatamos histórias de barcos da classe que primam pela beleza de seus interiores, como na nota"Multichine 28 Ayti, e do próprio Atairu, quando de sua inauguração

O Atairu está estacionado no Clube dos Jangadeiros, de Porto Alegre, R.S.

A beleza da aptidão para o barco navegar em águas relativamente rasas reside em que sua quilha é simplesmente um fin-keel com bulbo em baixo, sem apêndices móveis, uma solução tão eficiente em travessias oceânicas que nossos clientes se esquecem que estão navegando em barco de relativamente baixo calado e só têm boas referências quanto ao seu desempenho quando navegando em mar aberto.

A menção ao fato do barco calar apenas 1.55m é apenas para afirmar a satisfação que seus proprietários sentem pelo fato do modelo ser tão marinheiro apesar do calado modesto. Além disso, os donos de Mc28 possuem uma infinita sensação de segurança pelo fato do barco ser um veleiro Categoria A conforme as normas da União Europeia para veleiros monocasco, um fato raramente alcançado por barcos de aproximadamente o mesmo tamanho.  Talvez essas sejam razões embutidas no subconsciente de nossos construtores para que a classe seja tão bem cotada nas comunidades onde existem Multichines 28 navegando.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Curruira 42 Agenores Parte II

E a Curruira 42 Agenores finalmente saiu por aí. Ela partiu de Ubatuba na semana do Rio Boat Show, em sua viagem de entrega tendo como primeiro destino a Bahia de Guanabara, e a meta final Maraú, a paradisíaca localidade situada na Baia de Camamú, no litoral baiano.

A bordo estava seu dono, Nico Araújo e seus dois filhos, Felipe e Nicolau. Flávio Antônio Rodrigues, o fabricante da Agenores, www.flab.com.br, também participou desta primeira perna, igualmente levando seus dois filhos, Ivan e Raul. Finalmente fazia parte da tripulação o experiente marinheiro profissional Ricardo.

A proa da Agenores deflete a espuma da onda para fora

A viagem levou vinte e duas horas de navegação com ventos de través e de proa, experimentando diversas condições de mar, quando a Curruira 42 teve oportunidade de revelar como realmente navega.

Nas vésperas da partida aconteceu um forte temporal que castigou todo o litoral sueste, tendo assolado a região costeira da cidade do Rio de Janeiro com tanta intensidade que surfistas deslizavam em ondas gigantescas dentro da Baía de Guanabara, onde normalmente a garotada da classe Optmist faz suas regatinhas. (Os surfistas pegando essas ondas onde o mar é sempre um lago foi motivo de reportagens nos tele-jornais do dia). A ressaca foi tão violenta que obrigou o Rio Boat Show a ser adiado por dois dias devido aos grandes estragos causados pela tempestade nos piers da Marina da Glória, onde se realizou o evento.

A Agenores apontou sua proa ainda virgem em direção ao mar aberto assim que a tempestade começou a abater, e daí em diante foi mostrando para uma tripulação bastante ansiosa por conhecer, como ela realmente navega.

Um resumo do desempenho da Agenores durante o trajeto enviado por Flávio deixou a nós do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) bastante contentes, pois praticamente coincidiu com os dados fornecidos pelo programa de previsão de velocidade que Luis Gouveia tinha rodado para o casco.

Os dados que Flávio nos passou são bastante significativos:

A 1500 giros com ventos fracos de proa a velocidade foi de 6.5 nós. Com ventos fortes de proa essa velocidade caiu para 5.7 nós.

Nas mesmas condições de ventos, com o motor rodando a 2000 giros as velocidades foram de 7.8 nós e 7.1 nós respectivamente.

A 2 800 giros, ainda abaixo das 3300 rotações máximas, a velocidade alcançou 9.4 nós e 8.7 nós, o que conferiu com nosso gráfico exposto no home-page da Curruira 42.

Flavio Rodrigues considerou o comportamento do casco excelente em todas as condições que enfrentou no percurso, achando a passagem do casco pelo mar bastante suave. O agradável vídeo filmado por Ivan conta bem como foi esse primeiro teste.

Clique aqui para saber mais sobre o Curruira 42


Curruira 42 Agenores. Primeira parte

É impressionante como ultimamente vem crescendo o mercado de trawlers de recreio no Brasil e no exterior. Parece que muitas pessoas descobriram ao mesmo tempo o encanto de possuir uma embarcação desse tipo para ser seu pequeno navio particular, onde possam se instalar com muito sossego e cercadas por todo conforto.  

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália) não poderíamos ficar por fora desse mercado, e há um bom tempo iniciamos nossas pesquisas em busca de alguma coisa interessante nesse segmento.

Curruira vista de lado

Sempre que desenvolvemos um projeto, em primeiro lugar fazemos uma definição conceitual do que desejamos realizar e imaginamos para que perfil de pessoas esse projeto deva se destinar. É sabido que o grande interesse por barcos de deslocamento a motor é a facilidade de serem conduzidos por pessoas de qualquer idade, e também pelo seu baixo consumo de combustível. O fato é que cada vez mais nosso escritório é procurado para esse tipo de projeto.

Curruíra vista de popa

Em vista desta procura decidimos projetar a Curruira 42. Estávamos pensando no mercado de trawlers de porte médio, ainda relativamente baratos, mas que já proporcionassem suficiente conforto para serem habitados por uma pequena família, e foi exatamente para esse público que dedicamos o projeto.

Tão logo o trabalho foi concluído fizemos uma venda para o médico carioca Nico Araújo, que desejava possuir um barco para passar a maior parte de seu tempo a bordo, navegando pelo litoral da Bahia, particularmente na região de Camamú, onde possui residência.

Nico de camisa azul, Flávio de camisa amarela  e amigo

Naquela época estava em inícios de atividades o Estaleiro Flab, www.flab.com.br, de Campinas, Estado de São Paulo, que já havia construído com muita competência pelo mesmo processo ply-glass especificado para a Curruira 42, um veleiro de nosso projeto, e por essa qualificação recomendamos ao nosso cliente que o procurasse.
Fomos felizes na indicação, como poderão constatar a seguir:

A Curruira 42 Agenores, primeiro barco da classe a ficar pronto, foi entregue em março de 2010 pelo Estaleiro Flab, de Flavio Antônio Rodrigues, tendo sido transportada de carreta de Campinas para Ubatuba, local de seu lançamento.

Foram vários anos de trabalho e dedicação por parte do estaleiro, que sem dúvida construiu um belo barco. São poucos os construtores que têm um acabamento tão esmerado como o que Flávio imprime em suas construções. Alguns detalhes da construção, para felicidade de nosso cliente, são verdadeiras obras de arte. Fazer um naviozinho com estrutura de madeira coberta com compensado naval e revestida com fibra de vidro saturado com resina epóxi não é trabalho para qualquer um realizar, sendo necessária uma equipe bastante competente para dar conta do recado.

Casco sendo revestido de compensado

O casco no sistema ply-glass é construído sobre uma estrutura de cavernas e longarinas de madeira cobertas por compensado naval e em seguida tudo isso é revestido com uma grossa camada de laminação de fibra de vidro saturada com resina epóxi. O resultado é um casco forte e relativamente leve, de grande durabilidade.

A Curruira 42 possui um amplo salão no nível do convés onde está a cozinha, a área social do barco e o departamento de pilotagem. No andar inferior, já dentro do casco, estão as cabines de pernoite. No projeto original desenhamos dois layouts para essas acomodações, um com um camarote muito amplo e outro menor, para um casal se instalar residencialmente, com uma outra cabine menor para convidados eventuais, e outra versão com três cabines e dois banheiros, para famílias mais numerosas.

Camarote do proprietário

Nosso cliente optou pelo layout para menos pessoas e suas acomodações ficaram bem amplas e confortáveis. No salão superior o arranjo interno foi decidido pelo estaleiro e difere do nosso projeto. No todo o barco ficou muito bonito e bem acabado.

Salão da Agenores

Um departamento do barco que ficou um espetáculo à parte foi sua sala de máquinas. Nesse ponto Flavio, um apaixonado por reformar carros antigos, tendo desafios mecânicos fazendo parte de seu DNA, esbanjou competência e esse compartimento ficou uma coisa de cinema. Nico também colaborou simplificando as coisas, pois optou por um só motor, deixando espaço de sobra para todas as instalações e uma capacidade de água e combustível de dar inveja a qualquer lancheiro.

Casa de máquinas

Durante a construção houve duas ocasiões para comemorar: a virada do casco (ver em Todas as Notícias: Festa da virada do casco da Curruira 42 construída pelo Estaleiro Flab)  e em março, a grande festa da entrega formal do barco concluído.

A saída do barco do estaleiro foi filmada por um aeromodelo com câmera e as imagens aéreas ficaram excelentes. A carreta teve que percorrer uma estrada vicinal de terra até atingir a pista asfaltada, o que gerou uma boa dose de adrenalina, mas daí em diante tudo correu tranqüilo até a chegada em Ubatuba.

Clique aqui para saber mais sobre a Currura 42


Kiribati 36 Green Nomad – Últimas novidades da construção

Caros amigos e leitores do site,
No dia 16 de Março, com a operação de içamento do mastro, o Green Nomad já começou a tomar o seu aspecto final.

O Green Nomad em Porto Alegre, no Clube dos Jangadeiros

Para nós, comemoramos muitas coisas. 14 anos casados e 14 anos se passaram desde outro içamento de mastro, o do nosso primeiro Green Nomad, realizado no ICRJ em 1996.

Em 1996 o içamento do mastro do primeiro Green Nomad

Desta vez contamos com a ajuda de toda a turma que trabalha nas oficinas do clube dos Jangadeiros em Porto Alegre, além da dos funcionários do clube.

A turma de amigos do Clube dos Jangadeiros nos ajudando a mover o mastro

Nós ainda tentamos fingir que estávamos ajudando a carregar o mastro, mas com a estatura uns 15 cm menor do que a do mais baixo dos nossos amigos, nem isso dava para fazer. Mas os cavaletes nós levamos.

Daí para a frente fomos somente nós dois e Jorge e Éder, operando o guincho, e em menos de meia hora o mastro estava em cima e firme. Havíamos preparado todos os estais de força, os brandais de tope e o estai de proa interno, de modo que assim o mastro já ficou seguro.

Mastro estaiado, hora do teste para tirar o cabo do guincho. É preciso confiar no próprio trabalho!

Durante o carnaval ficamos morando com o barco em seco, fazendo a primeira pintura anti-incrustrante e também o anti-derrapante do convés.

O anti-derrapante de convés começa a tomar forma

Nomeado finalmente!

Quilha a meio curso, pois a vaga mais próxima da área de trabalho não tem profundidade para a mesma toda abaixada.

O interior do barco está praticamente pronto, faltando apenas colocar algumas molduras em torno das gaiútas.
Por enquanto ficaremos com estofamentos improvisados. Os detalhes só iráo sendo acabados quando já estivermos navegando ( no outro barco alguns detalhes ficaram para serem feitos pelo dono seguinte ).

O sistema de içamento manual da quilha

Últimos painéis de forração vão para o lugar

Uma cozinha com vista para o mar

Moqueca da Marli, já falada em Porto Alegre

Vamos ainda ter mais umas semanas de trabalho antes de poder começar a levar o Green Nomad para o norte. Gostamos muito do sul, mas o frio não é nosso ambiente. Vamos ter muita saudade dos amigos que vão ficar, mas esse é um fato inevitável na vida dos nômades.

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36.


Samoa 34 Biruta

Sempre acreditamos que, independente de quanto irá custar, um veleiro de cruzeiro feito para se morar a bordo e navegar com ele em viagens prolongadas não deve ser nem muito grande nem muito pequeno. Se o barco for muito grande, você pode se tornar um escravo dele, muitas vezes dependendo de ajuda de outras pessoas para operá-lo com segurança, além de ter que arcar com um custo alto de manutenção e muito trabalho a realizar. Por outro lado, se o barco for muito pequeno, fica mais difícil de estocar a bordo tudo o que se precisa para viver a bordo por períodos mais longos.  

O Samoa 34 é um bom exemplo de barco que fica exatamente dentro destes limites. Não é por acaso que a classe é tão popular entre nossos clientes que adquiriram esse projeto (veja em "todas as notícias" e em "clube" as várias matérias que já publicamos sobre ele). Para seus donos o Samoa 34 é o tamanho certo de barco para uma pequena família morar a bordo. Além disso, eles costumam rir com desdém quando comparam seus barcos com outros de mesmo tamanho construídos em série. Eles acham o Samoa 34 muito mais robusto, mais fácil de velejar com tripulação reduzida e mais fácil de ser mantido por não ter lugares de difícil acesso internamente. De um modo geral ele é mais confortável do que a maioria dos outros veleiros de trinta e quatro pés, graças ao seu total aproveitamento interno, da caixa da âncora ao espelho de popa.

Um bom exemplo de Samoa 34 que esbanja qualidade é o veleiro Biruta, inicialmente chamado Libertad. Esse barco foi construído sob encomenda estritamente dentro das especificações do nosso escritório pelo Estaleiro Franzen: www.estaleirofranzen.com.br. Nosso cliente inicial é um fazendeiro paranaense que mora muito distante do mar e tem seu tempo a prêmio. Por isso descobriu que, apesar de gostar de cruzeiro à vela, praticar esse esporte não era compatível com sua realidade. Por essa razão decidiu vender o barco que fizera com tanto esmero e dedicação.

O salão do Biruta mostra bem o aconchego que um interior de madeira envernizada proporciona ao ambiente.

O novo proprietário, Celso dos Santos, já era nosso cliente, uma vez que comprara os planos do veleiro metálico MC34/36. No entanto, quando descobriu que estava à venda um veleiro de tamanho quase idêntico prontinho para navegar, não resistiu à tentação e o adquiriu, rebatizando-o de Biruta.

A mesa de navegação do Samoa 34 possui um grande armário de cartas sob o tampo.

Que ele fez um bom negócio, sobre isso não resta a menor dúvida. Não é toda hora que se encontra um barco novinho em folha, construído por profissional de alto nível e tão bem equipado à venda no mercado. Nessas ocasiões a pessoa tem que ser rápida, senão irá descobrir, logo, logo, que o barco já tem um novo dono.

Agora Celso está livre para fazer com o Biruta o que bem entender, e com certeza já está curtindo bastante sua nova aquisição. Dê uma olhada no vídeo tirado por outro barco que o encontrou em uma de suas últimas saídas e observe como o Biruta parece estar solto na água, velejando com muita desenvoltura. 

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34.


Explorer 39 Caroll pronto para velejar

Nesse mês de março tivemos uma importante inauguração. O primeiro Explorer 39 finalmente foi despachado da fábrica em Cabo Frio, Estaleiro Estrutural – marcosdelamare@hotmail.com, para o Iate Clube Rio de Janeiro. Essa entrega estava sendo ansiosamente esperada, por nós do escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design na Austrália) e, com certeza, muito mais ainda por seu proprietário, Raimundo Nascimento. De nossa parte a ansiedade ficou principalmente por conta do fato de que esse barco é o mais sofisticado projeto de estoque de nossa linha de veleiros para cruzeiro oceânico e por estarmos supe-ligados em ver como irá se comportar nas condições para as quais o projetamos.

Caroll pronto para ser transportado. Teca artificial foi instalada em todo o convés,
proporcionando uma superfície antiderrapante de extrema beleza requerendo zero de manutenção.

Possuindo um casco que em nossa opinião é o estado da arte, dois lemes, quilha pivotante e uma mastreação simplificada para navegação com tripulação reduzida, o Explorer 39 é a nossa aposta para oferecer ao velejador de cruzeiro um iate de calado regulável capaz de realizar os mais ambiciosos planos de cruzeiro à vela. Imaginamos o Explorer 39 sendo empregado em lugares onde a variação de maré seja expressiva ou entrando em refúgios inaccessíveis aos veleiros de quilha fixa.

Caroll, o primeiro Explorer 39 a ficar pronto, foi um barco construído com uma qualidade impressionante. Sendo de construção sanduíche com espuma de PVC, ele é leve e muito rígido. Nunca perdendo a referência de que deveria ser leve, mas para embelezar o seu visual, o proprietário decidiu aplicar teca artificial em todo o convés, dessa forma obtendo um antiderrapante perfeito, que não requer manutenção, e que é leve e muito lindo. O barco foi equipado com equipamentos tope de linha, tais como gerador auxiliar Fisher Panda, dessalinizador, rádio SSB e equipamentos eletrônicos de navegação de última geração. 

Último dia dentro do galpão onde o barco foi construído. Importante: a quilha pivotante já está instalada

A quilha pivotante do Caroll é içada por intermédio de um macaco hidráulico acionado por uma bomba acoplada a um motor elétrico de 12 volts, possuindo ainda uma possibilidade de acionamento manual de emergência. O pistão é conectado à quilha por meio de dois cabos de spectra dimensionados com um coeficiente de segurança tal que se numa remotíssima hipótese um desses cabos partir, o sistema continuará operando, apenas um pouco precariamente, com um só cabo.

Em dezembro de 2009 Luis Gouveia voou de Cingapura ao Brasil para passar o natal com a família e nessa oportunidade aproveitou para fazer uma visita ao Caroll. Na foto estava inspecionando o mecanismo de içamento dentro da caixa da quilha.

 O fator mais importante para a instalação de cabos de spectra é permitir que a quilha possa subir sem encontrar resistência em caso de uma colisão acidental com um obstáculo. Também é importante saber que todo o mecanismo de içamento está fora da água, sem risco de se estragar.

Com a quilha já instalada, Caroll está pronto para iniciar a viagem com destino ao Rio de Janeiro

Uma característica do modelo que ficou bem evidente é de como o Explorer 39 é fácil de ser transportado por terra. Possuindo uma boca moderada e sendo bem baixo ele pode ser levado por estradas sem dificuldade. A viagem entre Cabo Frio e o Iate Clube do Rio de Janeiro ocorreu sem o menor incidente. A pergunta mais ouvida quando o motorista já se preparava para partir era se a quilha iria ser instalada quando o barco chegasse ao destino!

Os instrumentos instalados na mesa de navegação têm repetidores no cockpit.
O fato de estar instalada na transversal foi uma escolha de nosso cliente

Raimundo fez algumas alterações interessantes. Uma delas foi colocar a mesa de navegação com o navegador virado para a proa. A solução dele tem vantagens e desvantagens, mas o melhor de tudo é que conseguiu um bom lugar para instalar o dessalinizador, exatamente no armário na parte da frente em baixo do tampo da mesa.     

Caroll estacionado no pátio do Iate Clube do Rio de Janeiro. Darke de Mattos, o de camisa branca,
foi colaborador na elaboração do projeto.

Quando o barco chegou ao clube, a novidade logo se espalhou. Como quase ninguém sabia sobre a existência desse modelo, a curiosidade foi grande. Tão logo a notícia correu que tinha chegado um barco novo não possuindo quilha fixa, as pessoas começaram a aparecer no pátio, e o pobre do Marcos Toledo mal conseguia trabalhar nos últimos ajustes que ainda teria que fazer antes da colocação na água, tantas as perguntas que tinha que responder.

Detalhes do convés e da cabine. O Estaleiro Estrutural tomou o maior cuidado na instalação da
teca artificial. Quem não sabe jura que é teca mesmo.

O Explorer 39 foi projetado para navegar com tripulação reduzida. Para isso é leve e rígido, sendo construído com materiais compósitos. Sua área vélica é moderada e a buja de estai de meio é auto-cambante. Nosso cliente, além do piloto automático, adquiriu um leme de vento da marca Áries. O guincho da âncora e as catracas do cockpit são elétricos. Desta forma ele se sente seguro de que poderá navegar sozinho quando desejar, sem precisar de ajuda de ninguém.

Agradecimentos: Nós da Roberto Barros Yacht Design somos particularmente gratos a três pessoas:
Ao Darke de Mattos por sua valiosa colaboração no desenvolvimento do projeto. Darke foi proprietário da escuna Atrevida na juventude, correu como navegador inúmeras regatas oceânicas, tais como Buenos Aires/Rio de Janeiro e Regata das Bermudas, e agora, como um marinheiro experiente ajudou a projetar o veleiro de cruzeiro para o dia de amanhã. O barco ficou sendo basicamente o projeto que ele tinha concebido.
Marcos Toledo por sua competência em construir esse super-veleiro. Um barco que ficou tão bem feito que honraria o stand de qualquer estaleiro renomado em qualquer dos mais prestigiados salões náuticos internacionais
Raimundo Nascimento por sua confiança em nossa capacidade e por ter escolhido o Explorer 39 como seu barco definitivo. Também ficamos gratos a ele pelo empenho em fazer um barco tão bem-feito.

Clique aqui para saber mais sobre o Explorer 39


Samoa 34 Zait. Um veleiro madeira/epóxi

Zait, um dos mais lindos veleiros já construídos a partir de nosso projeto Samoa 34, finalmente teve sua velejada inaugural oficial. Nosso amigo e cliente Daniel Sequerra nos enviou um e-mail contando o acontecimento, assim como um pouquinho da sua história, e também de seus novos planos:

 

Querido amigo Cabinho, 
Acho que vou fazer um histórico resumido do Zait para que seja um incentivo a loucos como eu. 
Meu primeiro contato com vocês foi no dia 17/8/2004 através de um e-mail com todas as perguntas possíveis e imaginárias sobre os diversos projetos e materiais de construção.

 Diana e eu estávamos em dúvida entre o Samoa 34 e o Samoa 36, mas já tínhamos absoluta certeza de duas coisas:

      1)       Seria construído pelo Flávio Rodrigues: www.flab.com.br

      2)       Que seria feito em madeira/epóxi

No dia 20/1/2005 efetuei o primeiro pagamento para a compra de madeiras ao Flávio e portanto estava decidido a "geração" de um Samoa 34.

Não há como dizer que Diana e eu somos pessoas totalmente normais, pois estávamos terminando a construção de uma casa que custou mais do dobro do valor inicial, planejando nosso casamento com direito a lua de mel e tudo mais (isso tudo por nossa conta ou melhor ... pra fora da nossa conta!) e nos metemos na construção de um barco que acabou custando 5 ou 6 vezes mais do que o planejado inicialmente. 

Claro que as finanças foram para o beleléu e até hoje ando as voltas com negociações e renegociações com os bancos por uso abusivo de cheques especiais e cartões de crédito. Mas um dia isso passa! 

Bem, vários anos se passaram, muitas mudanças foram feitas no projeto original e luxos abusivos foram incluídos no pobre do Zait, como ar condicionado, 2 geladeiras e 1 freezer elétricos, boiler, eletrônicos de última geração, holding tank (pois a Diana como bióloga jamais admitiria sujar uma baía ou um lugar cheio de banhistas, apesar de que 99% dos donos dos outros barcos estão se lixando para isso e não se incomodam de nadar lado a lado com o côcô do barco vizinho), guincho elétrico e todo o convés de teka.

O barco foi colocado na água na Marina Kauai em maio de 2009, mas na verdade só dei o barco por totalmente terminado no dia 6/2/2010. Ou seja, podemos dizer que entre escolher o projeto e tê-lo totalmente pronto demoramos cinco anos e meio. Nesse tempinho, Diana e eu nos casamos, tivemos a Deborah, depois o Nathan e a grande surpresa de ter a minha filha mais velha Helena vindo morar conosco.

 

Não deixei de velejar o Zait mesmo antes de estar 100% pronto. A viagem inaugural foi de Ubatuba ao Rio com mar agitado. Depois fizemos uma tentativa de levar o barco para Angra para fazer a parte de instalação do bímini e outros detalhes de acabamento, mas chegando em frente a praia de São Conrado fomos pegos por um sudoeste de 32 nós e mar grosso. Resolvemos voltar, mas não por qualquer falta de segurança ou confiança no Zait, mas sim pela nossa condição física que não se pode dizer que seja a ideal para enfrentar paulada por mais de 12 horas. Numa nova tentativa, fomos tranquilos até Bracuhy, e depois a Almada onde o Flávio tem uma casa paradisíaca.

 

A volta de Almada para o Rio foi novamente de paulada, mas desta vez fomos em frente e o Zait parecia que estava num mar de tranqüilidade, enquanto Miguel (meu sogro e grande companheiro de velejadas) e eu estávamos encharcados de tanta chuva que caía.

Ainda fui entre o Natal e o Reveillon a Cabo Frio e Búzios e depois desse passeio foi a tal inauguração com a Diana levando o barco para a sub-sede do ICRJ em Angra. 

É verdade que meu barco ficou um pouquinho pesado (exatos 8.000 quilos), mas anda muito bem, especialmente no través. Mas o que impressiona mesmo é a segurança do barco. Com todas as pauleiras que levamos, jamais caiu uma única gota de água salgada no cockpit. Aliás, acho muito interessante quando a proa do barco (finge) afundar, pois chega a um determinado momento em que tenho a sensação que existe uma mola que empurra a proa para cima com violência e isso dá uma segurança e conforto impares. Isso porque tenho um gurupés que deve pesar mais de 80 kilos, uma âncora de 15 kilos, 20 metros de corrente, um guincho elétrico que também é pesado pra burro e guardado sob a cama de proa tenho ainda a âncora reserva e mais 40 metros de corrente. Ou seja, a tal mola é muito, mas muito forte mesmo ... 

Um comentário interessante feito pelo Joabe, que é talvez um dos melhores pintores do ICRJ sobre o Zait (tive que subir a linha d’água por causa da poluição absurda da Baia de Guanabara). Ele disse que o Zait foi construído "a antiga" que quer dizer que não foram poupados nem materiais nem capricho nem tutu para construir o barco. Ficou admirado com a fortíssima estrutura do barco. A turma da equipe dele me disse para ter cuidado com as lajes, pois certamente o Zait seria capaz de quebrá-las sem sofrer um único arranhão! 

Tenho feito meus planos e tido meus sonhos de viagens com o meu querido barco (parece que ele tem alma e acho que essa sensação é porque é feito de madeira) mas por motivos profissionais estou tendo que adiá-los por um tempo. Por outro lado, a família cresceu e esse aumento populacional incrementa ainda mais esse crescimento, pois começam a vir os amigos e namorados e o barco vai ficando pequeno. Aliás, tenho um agradecimento público a fazer à minha filha Helena que combinou comigo de me acompanhar de Cabo Frio ao Rio com 3 amigos que me ajudariam. Os 3 amigos chegaram a sub-sede do ICRJ de madrugada e a minha querida filha fez o favor de dopá-los com Dramim. Não é necessário dizer que os três galalaus vieram dormindo o tempo todo e o boneco aqui trabalhando sem parar. 

Apesar de todo o amor, carinho e cuidado que tenho com meu barco, (minha mulher diz que é a minha "outra" família), estou me vendo um pouco pressionado pelo aumento famíliar para ir para um barco maior, pois o Zait repentinamente ficou apertado para tanta gente. Com essa possibilidade levantada, o Flávio já não atende mais o telefone e se esconde de mim como Drácula foge do alho, pois acho que ele não aguenta mais aturar um maluco que transformou um 34 pés num ... 34 pés com tudo que tem dentro de um 60 pés. O Cabinho vai saber dessa idéia ao ler este histórico e tenho a impressão que também vai fugir. O Luis é o único que não vai fugir, pois já fugiu faz tempo e está bem longe de mim.  

Enfim, alguém há de querer comprar um verdadeiro Rolls Royce dos mares e haverá neste mundo alguém que me ajude a convencer meu projetista e meu construtor favoritos a me receberem e criarem mais uma jóia sem igual. 

Escrito em 24 de fevereiro de 2010 por Daniel Sequerra.

Contato: daniel@veleirozait.com.br

Clique aqui para saber mais sobre a classe Samoa 34.


Multichine 28 Ayty é muito lindo

A classe MC28 deve ter alguma coisa muito especial para que seja a escolhida por tanta gente como o barco de suas vidas. As razões para isso podem ser várias, mas provavelmente a mais importante seja a confiança que o projeto transmite de que é possível para uma pequena família viver a bordo ou fazer cruzeiros oceânicos com muita segurança.

Esse foi o caso do engenheiro eletrônico Arapoan Fernandes. Possuindo um cargo importante numa multinacional estabelecida no Silicon Valley, e também sendo um apaixonado pelo mar, mesmo tendo podido construir um barco maior, escolheu o Multichine 28 como seu barco definitivo. Arapoan tem uma afinidade conosco em acreditar que um barco de cruzeiro com pé direito adequado (1.85m) e espaço suficiente para que uma pequena família possa viver a bordo, mesmo sendo um veleiro de 28 pés, (na realidade o MC 28 mede 9.20m, o que é mais do que trinta pés, sendo a medida de 8.60m a distância do bico de proa até o eixo do leme, sem contar a plataforma de popa), esse barco pode até ser mais adequado para fazer viagens oceânicas do que um outro maior, que, sem dúvida, irá requerer maior trabalho de manutenção.

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália) nos tornamos bons amigos de sua família desde a aquisição dos planos, e de lá para cá nossa amizade só tem aumentado, e é por isso que conhecemos bem a parte náutica da história da família Fernandes.

Quando os conhecemos, os Fernandes só tinham um filho adolescente, e seu plano era então construir o MC28 e viajar com ele para a Nova Zelândia, onde a família gostaria de se estabelecer. Arapoan enviou seu currículo para a conhecida empresa de eletrônica neozelandesa Navman, e logo em seguida recebeu um convite para trabalhar lá, o que garantiria a sobrevivência da família. No entanto a cegonha preparava uma surpresa para eles, a garotinha que está olhando pela gaiuta de proa. Agora com o filho mais velho já cursando a universidade, os Fernandes vão precisar de um bom tempo para planejar uma longa viagem oceânica, mas eles estão tão contentes com a nova tripulante e com o barco que o plano original no momento tem pouca importância.

Depois de adquirir os planos, Arapoan encomendou a obra a um estaleiro artesanal para construir o barco, mas tão logo a carpintaria bruta ficou concluída transportou a obra inacabada para um clube náutico, e, contratando um excelente marceneiro, fez o restante da obra sob sua administração direta com o máximo esmero. O resultado foi impressionante. O barco tornou-se uma obra de arte, principalmente porque cada envolvido na empreitada se concentrou em fazer sua parte em grande estilo. Val, a esposa de Arapoan, é arquiteta, e foi ela a responsável pela decoração interna, para a qual escolheu, muito apropriadamente, adotar um estilo alegre, bem tropical. O marceneiro deu um verdadeiro show de bola ao fazer uns acabamentos de alta classe no mobiliário, e Arapoan, como era de se esperar, com a colaboração de Roberto Shultz, um excelente profissional de instalações elétricas em iates, fez um sistema elétrico/eletrônico de dar água na boca.

Agora o barco já está na água há três anos, mas para quem não sabe, vendo-o, pensa que foi inaugurado ontem. Sem dúvida Ayty é a menina dos olhos de Arapoan, e, para ele, possuir esse veleiro é a melhor válvula de escape que poderia encontrar para compensar seu árduo trabalho profissional.

Quando você sinceramente acredita que um veleiro não necessita ser excessivamente grande para levá-lo aos mais longínquos lugares, ou viver feliz dentro dele, tudo fica bem mais fácil para seu lado. Para nosso amigo obter o mais alto padrão de qualidade ao construir seu barco foi a maior moleza, pois o gasto representou somente uma pequena parte de seu patrimônio. Isso o permitiu adquirir os melhores equipamentos, independentemente de preço, valendo mais a qualidade e confiabilidade.

Como o casal gosta de cozinhar, é compreensível que tenham especialmente apreciado o conforto que a cozinha do Ayty proporciona. Tendo fogão com forno, geladeira, uma bancada de dimensões para ninguém botar defeito, com duas pias, um poço para estiva acessível por cima, lixeira, e um espaço considerável dentro de armários para guardar mantimentos e utensílios de cozinha, não é de se admirar que se sintam em casa quando trabalhando ali.

Para Arapoan a mesa de navegação e rádio-comunicação é uma importante área de trabalho. No MC 28 esse compartimento também é privilegiado, e nosso amigo se sente muito bem instalado quando utiliza essa área. O amplo armário de cartas náuticas sob o tampo da mesa é um lugar seguro e protegido para guardar seu note-book quando não está em uso, e a mesa é servida por duas anteparas com lugar de sobra para instalar todos os instrumentos desejados.

Mas para conquistar de verdade o coração da arquiteta da família o mais importante compartimento do barco teria que ser a cabine do proprietário. E isso, com um toque de bom gosto, ela conseguiu, sendo a cabine de popa a jóia do arranjo interno.No barco deles a cabine de popa é muito aconchegante, sendo bem ventilada, bem iluminada, e possuindo um isolamento térmico muito eficiente. Além disso, possui uma profusão de armários com volume para guardar os pertences da família com sobra. Finalmente uma cama de casal digna desse nome é mais um motivo para deixar os Fernandes orgulhosos com seu veleiro.

A entrada da cabine é outro lugar especial. Foi lá que instalamos o chart plotter no MC 28 Fiu, o barco da classe que construímos para uso de nossa família e que depois se tornou um ícone para outros construtores, acoplado à parede que separa essa entrada do banheiro. Esse lugar é perfeito para a instalação deste instrumento, pois ele tanto pode ser monitorado desde o degrau de entrada já dentro da cabine, quanto do assento do cockpit, tornando desnecessário um repetidor lá fora, além de deixar esse instrumento protegido das inclemências do clima, o que é um fator importante para sua durabilidade.

Como temos Multichines 28 sendo construídos nos mais diferentes lugares em quatro continentes, temos certeza que ao divulgar detalhes de barcos da classe que já estão prontos, detalhes esses que só podem ser integralmente apreciados por quem já está navegando, é o melhor incentivo que podemos oferecer à galera que ainda está construindo. Essas informações servem como vitamina para animá-los na construção, e as ilustrações ainda podem ajudar com alguma nova idéia.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Multichine 28.


Caldeiraria do primeiro Multichine 41 SK feito em alumínio pronta em tempo recorde.

Já está pronta a caldeiraria da primeira unidade do Multichine 41 SK construído em alumínio pelo estaleiro Ilha Sul construções Náuticas ( http://www.ilhasulnauticas.com.br ), de Porto Alegre, RS.



O MC 41 SK fechado, pronto para o acabamento interno.

A tarefa foi completada em menos de 3 mêses de trabalho se se descontar o tempo em que o estaleiro mudou de instalações. Isso mesmo, o barco chegou a ter todas as seções montadas no picadeiro na localização original do estaleiro, em Barra do Ribeiro, e tudo foi desmontado e re-alinhado no picadeiro em Porto Alegre, e ainda assim a obra conseguiu ficar pronta em tempo recorde para um modelo metálico de nossa linha.



As duas montagens das seções no picadeiro.

O uso de 100% de corte CNC para a estrutura metálica possibilitou que se alcançasse tal velocidade e ao mesmo tempo um resultado da mais alta qualidade.



Assentando a primeira chapa de fundo

Este veleiro de grande conforto e baixo calado deverá estar navegando já na metade do ano.

Nosso cliente tem visitado a obra frequentemente e se diz muito satisfeito com sua decisão de investir num casco de alumínio e por ter podido contar com um projeto de última geração modelado em 3D, o que está possibilitando a realização de seu sonho num prazo que nem ele acreditava possível.



Dia da virada, sempre uma grande emoção 

Uma grande vantagem da construção em alumínio é que se pode passar diretamente da caldeiraria à fase de acabamento interno, sem necessidade de passar pelo penoso e dispendioso processo de jateamento abrasivo e pintura, e por isso mesmo o primeiro casco deve flutuar num futuro próximo.



Vista da caixa da quilha retrátil. A divisão para o banheiro e cabine de proa podem ser vista acima.

O porte do Multichine 41 SK permite que uma família com filhos faça longos cruzeiros ou até mesmo que se mude definitivamente para bordo, passando a ter uma moradia compacta e portável.

A nova geração de projetos de monocascos com quilha retrátil está abrindo um leque de destinos e ancoragens antes reservados aos catamarans e outros embarcações de baixo calado, além de aumentar a segurança do navegador, permitindo que entre em abrigos de furacão e passes complicados sem depender de marés.



O MC 41 SK e outros modelos de quilha retrátil da nossa linha poderão fazer companhia a este catamaran,
visto aqui na baía de Gadji, Ile des Pins, em Nova Caledônia.

Para saber mais sobre o Multichine 41 SK , Clique aqui.


Multichine 28 Access no Caribe

Flávio Bezerra é o navegador que mais longe já foi com um veleiro da classe MC 28.

Há três anos ele se aventura pelo Caribe, de vez em quando fazendo uma entrega de barco para a Europa  para faturar uma grana. Nós do escritório, que construímos o catamarã Bora-Bora 28 Oa-Oa ao lado do barco dele, acabamos ficando grandes amigos e agora vibramos muito com os emails de dar água na boca que costuma nos passar. Pelo último que nos mandou dá para imaginar que ele está levando a vida que pediu a Deus e que está muito feliz com seu MC 28:

Opa Cabinho, que saudade de vocês. Como vai a família?
O delivery para o Brasil não foi possível, pena, pois além do barco ser um Beneteau de 20 anos de idade, os parafusos da quilha estavam podres, as gaiutas pulando fora, o quadrante do leme partido no meio, o estaiamento velho e enferrujado e daí por diante ... o dono do barco ainda me pediu para tirar a qualificação profissional de Yacht Master da British Royal Yacht Association e fiquei um mês na Inglaterra. Foi super legal cumprir com as exigências dos ingleses. Interessante eles cobrarem que você saiba velejar e manobrar barcos grandes sem o auxílio do motor, usar sextante para navegar por estrelas, etc. Falmouth é um lindo lugar e peguei por sorte um mês de setembro ensolarado, atípico somente para anos de El Nino. A amplitude da maré chega a nove metros e nos canais a navegação em neblina e com correnteza é super exigida. Os caras exigem que você saiba tudo, nada de média para passar, tipo 70% ou 80%. Se você não acertar tudo os caras perguntam de novo, mas não aprovam até responder certo. Confesso que é puxado e foi até emocionante. Mesmo assim os donos do barco resolveram cancelar o delivery. Sabe lá, de repente dei sorte, preferia mil oceanos com meu Access que atravessar novamente o Atlântico num Beneteau. Agora eu entendo como nossos amigos que usam fazer isso se sentem e desabafam às vezes.

O Multichine 28 Access pouco após sua chegada ao Caribe. Agora o barco já está repintado e parecendo novo em folha. Flávio é um velejador fantástico. Ele foi do Rio de Janeiro até o Caribe em solitário, sem motor auxiliar, piloto automático, ou leme de vento. O barco dele é um dos mais bem construídos da classe. 

Eu acabo de chegar após 24 horas de velejada de St. Maarten para Antigua, contra o vento de 32 knots, às vezes 40, ondas de 3 m, mas o barquinho continua o mesmo e funcionando super bem. O leme grande dá sempre estabilidade, acredite ou não, posso lhe dizer que ainda não tenho piloto automático ou leme de vento, alguns cabos e elásticos na cana e é tudo. O Caribe continua lindo. Água cristalina, sempre lindas praias e vento todos os dias para quem gosta de velejar, um paraíso da vela. Talvez por isso uma grande concentração de lindos veleiros vindos do mundo inteiro. Não vejo melhor lugar para se ter um veleiro. Tem loja para comprar tudo de barco e para quem é construtor naval sempre dá para fazer um trocado. Tem gente de todo lugar do mundo e você sabe, já esteve aqui antes né! A música caribenha e super animada e para quem gosta de mergulhar então... Bem, só para ficar perfeito precisava de uma namorada brasileira, mas tudo bem, nada é perfeito né?! A gente vai vivendo essa vidinha mais ou menos! Mande um grande abraço para toda a família que foi minha por 4 anos enquanto construía o Access. Obrigado por tudo e um bom natal para todos.
Abraços;
Flávio.

Flávio tem lugar cativo em nosso site. Os e-mails dele são de tão alto astral que sempre publicamos em nossas notícias, pois temos certeza de que sempre irão animar a galera que está construindo outros Multichines 28.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Samoa 28 Sirius em Punta del Leste

O primeiro Samoa 28 a ficar pronto, o Sirius, de Daniel D’Angelo, continua dando demonstração de que é um barco veloz e marinheiro. Desta vez Daniel se aventurou pela primeira vez para fora do Rio da Prata, tendo participado da Regata Buquebus, que vai de Buenos Aires até Punta del Leste, no Uruguai. O e-mail que nos enviou conta suas últimas navegadas: 

Oi Cabinho,
Há bom tempo que não escrevo para você!...O que aconteceu foi que desde que voltei para casa não parei de velejar com o Sirius.
Como tinha te falado antes, entrei naquela regata das 100 milhas do Rio de La Plata, junto com dois amigos. A largada foi embaixo duma tempestade com vento acima de 32 nós e chuva...uma beleza para o Sirius que logo em seguida, mesmo partindo muito mal, começamos a ultrapassar barcos que tinham saído uns 20 minutos antes. As duas primeiras pernas foram na orça e conseguimos chegar até a terceira colocação da serie, mas virando a ultima bóia  (lá no Uruguai) o vento rolou e enfraqueceu, permitindo ir em popa, coisa que para nosso gennaker não foi nada bom. Acabamos a regata na sexta posição, tendo desistido por causa do mal tempo mais da metade da frota, incluindo um barco afundado.

O Sirius navegando com o novo gennaker navegando no Rio da Prata

Chegando em Buenos Aires o vento sumiu de vez e ficamos boiando 3 horas para concluir a regata...muito azar para nos!!
Quinze dias depois eu e um dos meus tripulantes nos inscrevemos na regata Buenos Aires - Punta del Este. O teste de mar estava prestes a ser feito finalmente!...Mais 180 milhas para a quilha do Sirius e para mim a experiência de velejar em dupla durante duas noites, no mar...muita coisa para um novato construtor amador!
O prognóstico era de ventos fracos, e como acostumado partimos muito mal, mas muito mal mesmo!!!...Formos os últimos em passar a raia!

A partida foi as 18hs da sexta 4 de dezembro e meia hora depois o vento começou aumentar até ficar na faixa dos 20 nós vindo do leste, ou seja de cara. Aí é que o Sirius começou a andar. Ao mesmo tempo a onda curta de nosso Rio de La Plata começou a crescer e o castigo aos barcos foi impiedoso. Muitos barcos começaram a desistir. Outros optaram por chegar perto da costa uruguaia. Nós ficamos do lado Argentino o que resultou ser a melhor escolha, embora as ondas foram do dobro do tamanho.

O Sirius orçava a seis nós com todo o pano acima, então tomamos a primeira forra de rizos e ali conseguimos melhorar a performance do barco subindo para 7 nós. A noite toda foi uma pauleira total, mas o barco aguentou muito bem e a gente também, mesmo dormindo muito pouco e comendo quase nada. Ao meio dia do sábado ficamos ao través de Montevideu e uma calmaria nos deixou boiando duas horas e meia. Ali, barcos mais leves e com mais pano começaram a se aproximar. Nos aproveitamos para preparar uma refeição e tentar descansar um pouco.

Começou a se estabelecer um vento sul muito frio que permitiu andar a 6 nós com uma forra de rizos, a qual foi tomada devido à proximidade da noite e ao prognóstico de tempestade. Como já estávamos perto do mar, as ondas eram mais amplas e mesmo ventando acima de 18 nós, dificilmente recebemos alguma borrifada de água.

Pela primeira vez consegui ver a fosforescência da água e as famosas noctilucas!!...show!!
As 5 horas da manha do domingo 6 de dezembro estávamos cruzando a chegada, felizes, muito cansados e famintos!! Velejar no mar é outro mundo!!!

Ficamos oitavos na serie e 28 na geral (total 15 barcos na serie e 57 barcos na geral).
Quando deixamos o barco na amarra de Punta del Este e tiramos fotos dele, rimos da comparação: a maioria tinha montes de roupas e colchonetes pendurados por tudo quanto é lado secando ao sol....no Sirius só tinha duas toalhas que usamosapós tomar banho!!

Samoa 28 Sirius em Punta del Leste

Amanha estamos saindo Carina, Florencia e eu para Punta del Este para fazer uma velejada de prazer por lá. Na sexta sai meu companheiro da regata Alberto para trazer o barco desde Montevideu para La Plata. As meninas voltam de barco de passageiros.
Enfim...nesses últimos 20 dias o Sirius fez mais milhas que em toda sua vida!!
Em anexo seguem algumas fotos antigas e uma em Punta del Este.
Abraços.
Daniel

Clique aqui para saber mais sobre a classe Samoa 28


Boas Festas

Desejamos a todos os amigos e construtores de barcos da B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) um feliz Natal e que 2010 seja um ano pleno de realizações.

Nessa virada de ano estamos comemorando a consolidação de uma forma bastante expressiva nossa atuação no mercado internacional. Os projetos do escritório já estão sendo fabricados em mais de quarenta países e agora estamos nos acostumando a receber com regularidade informações sobre construção de nossos barcos nos mais diferentes lugares.

Como já é tradição, escolhemos doze fotos de nossos modelos em construção ou navegando, no Brasil e lá fora, mostrando algumas realizações importantes relacionadas ao nosso trabalho. Desta vez demos mais ênfase em mostrar pessoas do que simplesmente mostrar os barcos propriamente ditos. Afinal é para essa gente que confiou em nós que trabalhamos, não é verdade?

Como já dissemos em outras vezes, escolher doze barcos é uma tarefa complicada, mas como regularmente estamos colocando matérias novas sobre nossos construtores e proprietários, teremos chance de remediar as prováveis omissões do tipo daquelas que não têm desculpa. Boas festas para todos vocês, amigos e clientes!

JANEIRO – Pantanal 25 -  Maik Biela é um cidadão alemão residente em Santiago do Chile, onde recentemente inaugurou um estaleiro de construção de barcos sob encomenda. Seu primeiro ensaio nesta nova atividade foi construir um Pantanal 25 para uso próprio, o qual já deve estar praticamente concluído, pois essa foto com o casco já virado nos foi enviada há algum tempo. Esse barco deverá ser seu cartão de visitas, e, pelo que nos informou os primeiros pedidos já começaram a chegar.

Quando Maik inaugurar seu barco, pretendemos fazer uma reportagem sobre o lançamento e suas primeiras velejadas, uma homenagem à classe Pantanal 25, a que mais rapidamente está se expandindo no cenário nacional e internacional dentre todos os nossos projetos

FEVEREIRO – Multichine 28  - O americano Dave Cross (o mais à proa de boné branco), de Seattle, Estado de Washington, está construindo esse Multichine 28 com a intenção de participar de regatas locais na região de Puget Sound. Sua construção está muito bem feita e bastante aliviada no sentido de economizar peso ao máximo, pois, para sua turma, competição é coisa séria. Como na região predominam ventos fracos, desenhamos a seu pedido um plano vélico com mais área, que agora faz parte do pacote incluído no projeto. Embora o MC28 seja um barco assumidamente de cruzeiro, esperamos que com o casco bem aliviado, e com esse plano vélico especial, venha a ganhar uma razoável cota nas regatas locais.

MARÇO – Samoa 34 Zait – Esse Samoa 34 já está navegando e está estacionado no Iate Clube do Rio de Janeiro, sendo motivo de orgulho, não só por parte de seu proprietário, Daniel Sequerra, como também de seu construtor, Flavio Rodrigues, diretor dos Estaleiros Flab, de Campinas, São Paulo. Na foto Flavio está puxando "aquele" brilho na pintura do nome no costado. Daniel já experimentou seu barco em condições de tempo bastante adversas e o desempenho do Zait foi surpreendente, pois mal tomou conhecimento da tempestade. Estamos curiosos de saber quais serão os próximos passos do Zait. Sabemos que Daniel tem alguns planos...

ABRIL – Multichine 26C –  Omër Kirkal reside em Istambul, Turquia. Junto com sua esposa e ajudado por alguns amigos, está terminando a construção desse super-caprichado MC26C. Estamos aguardando ansiosos receber a notícia de que o barco já tenha sido lançado à água. Já temos outros veleiros navegando na região do Mar de Mármara, Mar Negro e Mediterrâneo, mas esse provavelmente deverá ser o primeiro MC26C a navegar, não só lá, mas em qualquer outro lugar, inclusive no Brasil. Desejamos ao casal Kirkal boas velejadas no ano de 2010.

MAIO – Multichine 34/36 Serenata – Essa foto é o sonho de consumo de muita gente. Ficar sentado sobre a cabine ao lado da mulher amada com o barco caminhando sozinho rumo à idílica ilha de Fernando de Noronha, navegando num mar azul marinho quase da cor do casco e vendo a proa cortar a água como se fosse uma flecha.

Marcelo Brasil, o proprietário do Serenata, é piloto de helicóptero e um apaixonado por aventura. O que ele está feliz com seu barco não está no gibi. Afinal, por aonde chega todos os olhos se voltam para seu barco, que é tão bonito por fora quanto por dentro.

JUNHO – Southern Voyager 38 Plaisirr  - Esse trawler metálico construído  por seu proprietário, o francês Philippe Lamoure é uma traineira de deslocamento de grande autonomia. Nela Philipe encontra bastante conforto para ele, sua família e convidados podendo realizar longas travessias sem precisar reabastecer.

Plaisirr, tanto quanto sabemos, é o primeiro barco da classe a navegar. Agradável como ficou, acreditamos que irá atrair o interesse de muita gente, pois considerando custo/benefício, ele é um bom investimento para o conforto que proporciona.

JULHO -  Samoa 34 Libertad – O primeiro morador deste Samoa 34 foi este esquilinho que encontrou nos cavacos de cedro com seu delicioso aroma o lugar ideal para fazer sua toca. Pena que tenha sido despejado quando o barco foi para a água e tivesse que esperar uma nova construção para refazer sua moradia. O Libertad foi construído pelos Estaleiros Franzen, de Curitiba, Paraná, um de nossos melhores construtores de barcos sob encomenda.

AGOSTO – Kiribati 36 Green Nomad – Luis Manuel Pinho e sua esposa Marli Werner estão curtindo uma das primeiras refeições a bordo com a presença de um casal de convidados e seu filho, isso acontecendo enquanto constroem o novo Green Nomad na cidade de Porto Alegre, RS.

Luis Manuel, um engenheiro metalurgista com grande talento para yacht design, foi convidado para fazer parte de nossa equipe e hoje é nosso especialista em arquivos para corte numérico. Nessa altura do campeonato, dezembro de 2009, o Green Nomad já está praticamente pronto, com partida programada para os primeiros meses de 2010, tendo como porta de entrada a Austrália, país do qual Luis e Marli são cidadãos e destino final o Pacífico com seus inúmeros paraísos. Mas até chegar lá muita água ainda irá passar por baixo da quilha do Green Nomad, que por sinal, sendo retrátil e pivotável, pode passar por lugares bem rasos. Aliás, o painel central da mesa de refeições é exatamente a caixa dessa quilha.

SETEMBRO – Samoa 34 Luthier – Dorival Gimenes, com a ajuda de sua esposa Catarina construiu no quintal de sua casa em Campinas, São Paulo, esse caprichadíssimo Samoa 34.

Quando o barco ficou pronto o casal Gimenes se mudou de mala e cuia para bordo, onde passou a residir permanentemente. Como barco não paga IPTU, resolveram subir a costa até Recife e participar da regata Recife - Fernando de Noronha de 2009, na qual foram os vencedores em sua classe, tendo ainda sido os fita-azul da categoria. Numa matéria recente em nossas notícias mostramos o casal Gimenes recebendo o prêmio pela vitória no pódio montado no galpão da festa de encerramento da regata, lá em Fernando de Noronha. Além de terem ficado bem contentes com o desempenho do barco, os Gimenes puderam constatar como é interessante a construção amadora quando se constrói com carinho e dedicação. 

OUTUBRO – Polar 65 Fraternidade – Aleixo Belov é um Ucraniano que escolheu a Bahia para viver uma vida sem pressa e muito bem vivida. Depois de dar três voltas ao mundo em solitário num veleiro de 40 pés, encomendou ao nosso escritório o projeto que denominamos Polar 65, com a intenção de realizar mais uma volta ao mundo, agora acompanhado por jovens cientistas. O sangue ucraniano, apesar dos muitos anos vividos nos trópicos, o seduz  a procurar as altas latitudes e os lugares mais inóspitos do planeta, para isso sendo o Fraternidade dotado de quilha retrátil pivotável, sendo capaz de entrar em abrigos inacessíveis a veleiros de quilha fixa, desta forma podendo se proteger muito melhor dos grandes ice-bergs, isso sem mencionar os inúmeros lugares que poderá explorar graças a seu calado reduzido.

O Fraternidade já fez os necessários testes de mar, e com tripulação já selecionada, está pronto para zarpar com destino aos lugares mais interessantes do nosso globo terrestre. Esse barco, imponente como ficou e com objetivos tão fora de série, com certeza irá aparecer em muitas capas de revista, e sua história irá correr mundo bem mais depressa do que a viagem propriamente dita. Boa sorte à turma que logo estará partindo, particularmente ao seu "jovem" capitão.

NOVEMBRO  - Pantanal 25 Dark Ice -  Nosso mais comentado projeto no ano de 2009 foi sem dúvida o Pantanal 25, em parte devido ao excepcional desempenho da primeira unidade a ficar pronta no Brasil, o Dark Ice de Jorge Intaschi, um velejador paulista que se apaixonou pelo projeto e construiu seu barco com a intenção de fabricá-lo em série.

Após vencer a maior parte das regatas em que participou, Jorge se associou ao Estaleiro Coopermarine, de Guarujá, Estado de São Paulo, para construir esse modelo em regime de cooperativa. A iniciativa foi tão bem sucedida que em pouco mais de três meses já existem dois barcos novos praticamente concluídos e um terceiro em fabricação. No ano de 2010 esperamos ver dezenas desses barcos sendo lançados ao mar e desejamos que o bom conceito que a classe já desfruta, aqui no Brasil e lá fora, faça do Pantanal 25 a primeira classe internacional nascida de um projeto brasileiro. Com o expressivo número de barcos sendo feitos aqui e no exterior esse desejo é bem provável que seja alcançado, e no Brasil, com o ritmo alucinante com que vem se desenvolvendo a produção da Coopermarine, com certeza a classe Pantanal 25 logo estará consagrada.  

DEZEMBRO – One-off Maitairoa – Esse barco tem história, e bota história nisso. Construído no início dos anos oitenta por Roberto Barros, o fundador do escritório B & G Yacht Design a partir de um projeto exclusivo desenvolvido pelo escritório, o Maitairoa foi totalmente fabricado no terreno de sua casa de campo, localizada em Itaipava, a quase mil metros de altitude, na Serra do Mar, região de Petrópolis. Quando o barco ficou pronto, Roberto Barros e família, junto com amigos, realizaram inesquecíveis aventuras, tendo atravessado o Atlântico Sul pelas latitudes dos roaring forties e depois viajado para regiões sub-antárticas, inclusive tendo passado por inesquecíveis aventuras no arquipélago das Falklands/Malvinas onde o Maitairoa sofreu um sério encalhe em uma praia deserta. Essas viagens foram narradas no livro, hoje um clássico da literatura náutica, "As Fantásticas Aventuras do Maitairoa, livro esse escrito por Roberto Barros em dupla com seu amigo e tripulante Roberto Allan Fuchs.

No início dos anos noventa o Maitairoa foi vendido para uma grande amiga de Roberto Barros, a argentina Sandra Sautu. Sandra, junto com Axel, seu marido francês, velejaram com o Maitairoa do Rio de Janeiro até Trieste no norte da Itália, quando de passagem pelas ilhas da Dalmácia conceberam  Calypso ( a que está sentada no lado de boreste) sendo o nome da filha uma homenagem à personagem da Odisséia.

Em seguida navegaram para Antibes, na Riviera Francesa, onde o barco está estacionado. Agora com o segundo filho já mais crescido, a tripulação estando completa, logo que o trabalho permitir, o Maitairoa deverá partir para outras aventuras.


Samoa 34 Arandu

 Desenhamos o Samoa 34, inicialmente Samoa 33, na década de noventa, quando o escritório ainda operava no centro da cidade do Rio De Janeiro.  Na época nossos campeões de vendas eram os projetos Samoa 29, hoje fora de linha, e Multichine 28, dois barcos fáceis e baratos de serem construídos por um amador, mas ao mesmo tempo capazes de proporcionar a possibilidade de até empreender uma volta ao mundo, se assim fosse desejado.

Isso aconteceu com o Samoa 29, com duas unidades que deram bem sucedidas voltas ao mundo em viagens fantásticas, na época, relatadas em nossas notícias no site, quando se mostraram totalmente adequados para realizar esse tipo de aventura. A classe MC28 que é mais recente, ainda não alcançou tanto sucesso, mas deverá trilhar o mesmo caminho, haja vista os vários barcos se preparando para isso, um deles, o Access, de Flavio Bezerra, que já alcançou o Caribe, por onde está navegando há mais de dois anos. (Você pode ler menções às viagens do Access, do Jornal e do Hypocampus em nossa seção "Hall da Fama").

Arandu e Soneca, dois Samoas 34 compartilhando o mesmo ancoradouro

Apesar do êxito desses modelos, nossa equipe desejava desenvolver um novo projeto, também ao alcance do construtor amador, mas para um tipo de cliente com um pouco mais de recursos, que, por diversos motivos, desejasse ter mais espaço a bordo. Afinal para cada poder aquisitivo existe um tamanho ótimo de barco, não é verdade?

No fundo estávamos visando principalmente o mercado do hemisfério norte, pois nos Estados Unidos e na Europa as pessoas interessadas na construção amadora para empreender cruzeiros oceânicos estão mais habituadas a navegar em veleiros de trinta e quatro pés para cima, não acreditando muito na capacidade de barcos na faixa dos 30 pés poderem proporcionar o mesmo grau de satisfação, o que acreditamos poder ser até um engano. No entanto sabíamos que ninguém iria querer assumir o compromisso de construir um veleiro oceânico se fosse para depois de pronto achá-lo acanhado.

Cockpit do Arandu iluminado por luz de lanterna. Um bom convite para uma festinha

Nossa previsão de mercado começou se materializando, uma vez que a primeira venda foi feita para um jovem americano morador no estado do Arizona. No entanto, para nosso espanto, a maioria dos clientes seguintes foi de brasileiros, onde já existem dezenas de Samoas 34 navegando ou em construção. Por outro lado o MC28 e o substituto do projeto Samoa 29, o Samoa 28, têm sido muito bem aceitos internacionalmente. Mas isso, imaginamos, deve ser porque o Samoa 34 ainda é pouco conhecido lá fora.

A mais recente matéria publicada em nossas notícias foi exatamente sobre a classe Samoa 34: o relato do veleiro Luthier que acaba de vencer a regata Refeno em sua classe. Logo em seguida, no entanto, recebemos um e-mail de um proprietário de um Samoa 34 recém lançado à água, o Arandu, do engenheiro aeronáutico Geraldo Macedo, de São José dos Campos, estado de São Paulo. Geraldo, por ter uma agenda que não lhe permite tempo livre para realizar uma construção amadora, contratou o Estaleiro Conrado, de Ubatuba, São Paulo, para construir o Arandu. O fato de Geraldo ser engenheiro aeronáutico e piloto da força aérea e estar apreciando as qualidades de seu novo veleiro, nos deixa muito felizes, pois ele sabe apreciar algumas características de projeto que são comuns aos dois ramos.

O salão do Samoa 34 é bastante espaçoso

O Samoa 34 possui duas versões de cabine. A original é a cabine enjanelada atrás do mastro com um imenso convés corrido à frente do mastro, e a opcional que segue até o camarote de proa, aumentando o pé direito neste compartimento. Geraldo, assim como alguns outros construtores, optou por essa cabine mais longa, que também é muito atraente.

Segue o e-mail enviado por Geraldo Macedo:
 
O Arandu recebeu o batismo de mar no início de setembro, encontrou o Soneca (Samoa 33 do Spinelli) no Sitio Forte e visitou diversos locais na Baia da Ilha Grande.

O convidado belga encontrou uma cozinha de dar inveja a alguns veleiros de 40 pés.

Tivemos a presença de um amigo e velejador Belga, veleja um Dufour 41, que muito admirou o barco, tanto o projeto quanto a construção feita pelo Estaleiro do Conrado.

Arandu na Ilha Grande. Primeiro cruzeiro depois da inauguração.

Além de nos ajudar no acerto das regulagens, o nosso amigo belga nos proporcionou refeições de altíssimo nível da culinária européia. Para um veleiro de cruzeiro tão reforçado, o desempenho está excelente, com velas da Performance Sails parece um barco regateiro no contravento.
A resposta do leme é imediata, muito suave e bem balanceado, que como piloto de aeronaves posso apreciar bem essa característica em um barco. Manobrando no motor o raio de giro é pouco maior que o comprimento do barco, a manobra em marinas apertadas como no Piratas Mall é muito tranquila.

 
A filha de Geraldo deve estar gostando no novo veleiro

Estamos no Refugio das Caravelas, em Paraty. Serás sempre muito bem-vindo, avise quando vier nessa direção.
Passo vários dias por semana lá, retorno a São José dos Campos pelo menos uma vez por semana, família e trabalho ainda não foram totalmente adaptados ao barco. Fotos do Arandu logo que recebeu estofamento e as velas, ainda no Saco da Ribeira:
 
http://picasaweb.google.com/geraldo.macedo/ARANDU?authkey=Gv1sRgCKrMw7zI9IbqBg&feat=directlink 
 
Viagem na Baia da Ilha Grande no inicio de setembro:
 
http://picasaweb.google.com/geraldo.macedo/VG20090831A0907?authkey=Gv1sRgCLmmh6LQ79ihbw&feat=directlink
 
Grande Abraço

Geraldo Macedo
Samoa 34 Arandu

***

A razão para tantos de nossos clientes, amadores e profissionais, serem capazes de construir bons exemplos de barcos da classe deve residir no fato do processo empregado na construção ser bastante simples e linear. Descobrimos com a experiência acumulada em todos esses anos dedicados à construção particular que o principal segredo para que a obra seja bem sucedida está nas primeiras fases do serviço. A obra precisa começar bem e ser gostosa de fazer logo no início e continuar assim até o fim. É como quando se lê um livro; se a historia fica menos interessante a gente deixa o livro de lado e vai fazer outra coisa. Na construção particular a vontade de passar para uma próxima fase e é o que impulsiona as pessoas. Não conhecemos um só cliente nosso que tenha encontrado dificuldade em laminar os doze pares de cavernas usando o desenho em tamanho natural recebido com as plantas e em seguida uní-las com strips, fechando o casco. Como especificamos fazer anéis fechados completando essas cavernas com os vaus de convés e cabine, além de agregar logo de uma vez todas as paredes transversais do mobiliário e divisório, a continuação da obra após a virada do casco é uma moleza.

Nossos clientes nem desconfiam que construção de embarcação de recreio possa não ser tão simples assim em todos os casos, mas seguem adiante na construção de seus barcos sem encontrar dificuldade, e foi exatamente isso que desejamos proporcionar-lhes.

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design Internacional) procuramos relatar em nossas notícias os principais acontecimentos da classe Samoa 34, pois afinal não é pouco empreendimento construir um veleiro desse porte e em seguida sair por aí navegando para qualquer lugar. Vocês que nos acompanham podem ter certeza que outros artigos sobre a classe aparecerão em nossas notícias no futuro.

Barcos construídos pelo método strip-planking sobre cavernas laminadas quando saturados internamente com resina epóxi são imensamente duráveis e estruturalmente podem ser verdadeiros tanques de guerra. Nossos construtores que já concluíram seus barcos estão curtindo bastante, e essa é a nossa melhor propaganda.

A simplicidade de construção do Samoa 34 tem proporcionado um fato curioso: muitos de nossos construtores fazem seus barcos praticamente sozinhos, as vezes tendo apenas a ajuda de suas esposas. Alguns de nossos clientes são aposentados, outros são fazendeiros vivendo em regiões remotas, mas todos trabalham com muita determinação colocando essas obras como prioridades em suas vidas. Esse perfil de construtores nos fascina e para exemplificar o que estamos afirmando mostraremos alguns casos típicos:

O paulista Rodrigo Ferher é físico por formação, mas atualmente trabalha como charter skipper a bordo de seu Samoa 34 Tanpopo, construído pelo estaleiro Flab, de Campinas, estado de São Paulo, www.flab.com.br, um construtor de alto gabarito que nos dá a honra de produzir barcos de nossa grife, sempre com muito esmero e dedicação.

Arutana Corberio é um desembargador aposentado que deixou o altamente intelectual trabalho de magistrado para ajudar a construir seu sonhado barco usando as próprias mãos para isso

Esse Samoa 34 está sendo construído pelo advogado aposentado João Scuro e sua esposa Maria, totalmente sozinhos, em um galpão na cidade de Joinville, onde moram num pequeno chalé ao lado do galpão, dedicando tempo integral à obra. Eles estão aplicando dois pares de strips por dia e a obra avança normalmente com uma qualidade de serviço impressionante.  Pelo andar da carruagem os Scuro devem estar concluindo a obra lá pelo fim do ano que vem.

Daniel Sequerra e sua esposa Diana sempre sonharam em possuir um veleiro de madeira. O pai de Daniel, um holandês com o gosto refinado típico dos cidadãos daquele país, possuía um veleiro da grife Sparkman Stephens, o orgulho da família. Quando Daniel soube do desenho do Samoa 34 decidiu que tinha chegado a hora de ter o seu sonhado veleiro. Agora o Zait já está navegando e é o novo orgulho da família Sequerra. Zait, assim como o Tanpopo, foi construído pelo estaleiro Flab

Mauricio e Márcia Iasi são dois jovens médicos que trabalham como cirurgiões num movimentado hospital de São Paulo. O trabalho em seu Samoa 34 é a terapia contra o stress da vida agitada que levam. Os Iasi pretendem viajar com o barco assim que terminar a construção.

Barco Libertad já ancorado em Angra dos Reis em sua viagem inaugural

Libertad é um Samoa 34 construído pelo Estaleiro Franzen, de Curitiba, Estado do Paraná. Esse barco já está navegando há um bom tempo e seu dono está bastante contente com ele. Zilmar Franzen consta de nossa lista de construtores que trabalham com nossos projetos, e é altamente recomendado por seus clientes

Luthier  é um Samoa 34 totalmente construído por seus proprietários, o casal Dorival e Catarina Gimenes, no quintal de sua casa em Campinas, São Paulo. Dorival é um engenheiro eletrônico e afinador de pianos, (note que a mesa de navegação se parece com um piano de calda), e sua esposa é artista plástica, talvez sendo por isso que o barco deles seja tão lindo. Já publicamos dois artigos sobre esse barco, o último ainda em nossa primeira página relatando a vitória do Luthier  na Regata Recife Fernando de Noronha de 2009. 

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34


Multichine 41 SK agora tem kit de corte CNC disponível

Para os interessados no projeto do Multichine 41 SK, um veleiro de cruzeiro de quilha retrátil de alto padrão de desempenho e segurança, a boa notícia é que o escritório Roberto Barros Yacht Design ( B & G Yacht Design ) agora pode oferecer os arquivos de computador que possibilitam o corte automatizado de praticamente 100% das peças de alumínio que compõem a caldeiraria do barco.

O conjunto de arquivos inclui detalhes como quilha, leme, mancal da quilha pivotante, além de toda a estrutura interna, tanques, casco, convés, cabine e cockpit.

O primeiro casco que utiliza o kit de corte CNC, o Bepaluhê, do nosso amigo e cliente Paulo Ayrosa, já está em avançado estágio de montagem no estaleiro Ilha Sul Construções Náuticas, de Porto Alegre.

O nível de precisão, qualidade de corte e produtividade da montagem são sem par na construção convencional com desenho e corte manual das peças.

Toda a estrutura detalhada em 3D

O Kit está disponível para construção em alumínio e é composto de 391 peças com tamanhos variando entre alguns poucos milímetros a cerca de 3,5 metros.

Estrutura da quilha pivotante

Com o Kit CNC um estaleiro consegue ter as seções prontas e alinhadas no picadeiro em menos de duas semanadas de trabalho, e a caldeiraria toda pode ser finalizada em tempo recorde.

As seções possuem furos de alinhamento, facilitando a montagem

Detalhe de um encaixe típico na montagem das seções com o kit CNC. À esquerda o furo de alinhamento que está a uma altura constante em todas as seções.

Agora este projeto fica ainda mais atraente para construtores profissionais, e mesmo amadores que gostem de um bom desafio.

O Multichine 41 tem tudo para ser a moradia e máquina de viagens de uma família, com acomodações e espaço suficientes para carregar um casal e filhos e as provisões necessárias para longos períodos sem abastecimento.

Os futuros navegadores Paulo e Beth, em visita ao estaleiro

O kit CNC para o Multichine 41 SK e também para a versão convencional, o Multichine 41, pode ser adquirido em tres partes distintas, dependendo da necessidade e fase da obra. Está separado em:

Kit 1 - Seções, chapas do costado e fundo e estrutura interna incluindo tanques
Kit 2 – Chapas de convés, cabine e cockpit
Kit 3 – Quilha pivotante, mancal da quilha, leme, skeg e patilhão.

O kit 1 custa AUD 1600 ( Mil e seiscentos Dólares Australianos ), o kit 2 AUD 1100 ( Mil e Cem Dólares Australianos ) e o kit 3 AUD 850 ( Oitocentos e Cinquenta Dólares Australianos ).

Para contato direto com nosso engenheiro especializado em arquivos de corte CNC o email é luisdesenhos@gmail.com . Para contato com o escritório o email é info@yachtdesign.com.au.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 41 SK.


Samoa 34 Luthier na Refeno

Recebemos um e-mail enviado por Dorival Gimenes, que construiu praticamente sozinho o veleiro Samoa 34 Luthier no jardim de sua casa, em Campinas, São Paulo, e assim que o barco ficou pronto, mudou-se com sua esposa Catarina para bordo, onde vivem desde então. O passo seguinte foi programar um cruzeiro pela costa brasileira com o objetivo de participar da regata Recife – Fernando de Noronha. O e-mail relata  detalhes dessa história.

Amigos e projetistas do Samoa 34, o Luthier é realmente um barco de cruzeiro rápido, e vocês podem se orgulhar muito por tê-lo projetado.

Desde dezembro de 2008, quando ele foi para a água, só tem nos proporcionado alegria e bons resultados. Ganhamos a REFENO 2009 na nossa classe, Aberta B, e estamos conhecendo muitos lugares bonitos e interessantes da costa brasileira. Nossos relatos de viagem estão publicados no blog da página www.veleiro.net (blog.veleiro.net), administrada pelo comandante do Veleiro Yahgan, um Cabo Horn 35 que, feito há mais de 15 anos, navega tranquilo, tão novinho quanto o Luthier. Esses dois barcos são provas vivas de que a tecnologia utilizada, strip planking, é muito robusta e segura para construção amadora.

Mas não é só isso, durante nossa viagem, encontramos muitos MCs de aço, Samoas 29, MC 28 de plyglass, Aladin etc... Aliás, conhecemos um MC 28, construído por um mergulhador de Vitória-ES, muito caprichado. Também vimos barcos do escritório feitos em estaleiros profissionais e artesanais.

Preparação para a largada da Refeno 2009

Em todos os portos que vamos, o Luthier desperta curiosidade. Sempre que dizemos que fomos nós que o construímos, as pessoas começam a olhar o casco, e ficam com aquela cara de dúvida e, invariavelmente, perguntam: mas é de madeira, mesmo? E lá vamos nós, mostrando o barco e as fotos da construção aos incrédulos. Em seguida, perguntam do tempo de construção, custo, dificuldade, etc.,e finalmente, se minha mulher topa viver no mar.

Luthier  navegando no contravento

Para tempo de construção, custo, dificuldade, etc., eu tenho algumas respostas e indico o site do escritório, dentre outros, como referência. Já sobre minha mulher, digo que ela ajudou na construção, e adora nosso baby, como ela chama o Luthier.

Dizem que os barcos têm alma, deve ser assim mesmo, o Luthier é inquieto, não gosta muito de ficar em "píers", prefere poitas ou âncora, e gosta mesmo é de navegar. Viajar com o Luthier é muito confortável. Desenvolvemos velocidade média de seis nós, e, dependendo do mar, é claro, pode-se navegar a 7 nós, sem forçar nenhum equipamento.

Com as velas bem ajustadas, o leme fica tão leve que o piloto automático quase não gasta energia para comandá-lo. Muitos outros cruzeiristas já me disseram que essa é uma característica típica dos projetos de vocês.

Mesmo sendo a casa de Dorival e Catarina, o Luthier é muito veloz para um veleiro de cruzeiro de 34 pés

Construir um barco e sair por aí cruzeirando, ou mesmo, que seja para curtir os finais de semana, vale a pena, mas, tem que ter muita dedicação, planejamento, capricho, e controle da ansiedade e se conformar com o fato que, durante a construção, o escritório estará trabalhando e lançando novidades e atualizações nos seus projetos, o que vai causar um certo desejo de mudança de idéia para um outro projeto, como ocorreu comigo, quando foi lançada uma nova versão do Cabo Horn 35. 

Vale a pena resistir. Terminar uma obra é uma sensação indescritível de prazer, e aí é que as opções de lazer se abrirão com um marzão a conquistar e conhecer.

Além da construção, é necessário estudar muito, navegação, meteorologia, procedimentos de segurança e primeiros socorros, etc.. Afinal, um bom barco precisa de um capitão à sua altura. Sempre temos o que aprender e sempre haverá um lugar para conhecer. Existe muita gente boa e interessante nesse caminho.

Dorival

A bordo do Luthier

Ser o vencedor em sua classe com um barco feito com as próprias mãos no jardim de casa, não tem preço. Catarina e Dorival recebendo o prêmio de primeiro lugar

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34


Multichine 28 Atairu mostra o que é ser um barco de cruzeiro

O casal gaucho Antônio e Ivana  Piqueres estão descobrindo da maneira mais prazerosa possível as qualidades do seu novo barco, o MC28 Atairu. Eles estão constatando que o modelo é exatamente o que desejavam: um veleiro de cruzeiro especificamente projetado para sair por aí realizando aventuras pelos oceanos do mundo.

Pelo sorriso pode-se constatar que Ivana está gostando da nova experiência

Os Piqueres são um perfeito exemplo de pessoas que se prepararam para fazer isso. Apesar de serem novos na vela, sonhavam em ter um barco com o qual pudessem morar a bordo por períodos prolongados, sonhando em realizar viagens com destinos indefinidos. Como o Atairu está novinho em folha, as ultimas experiências do casal são muito ilustrativas para demonstrar como o modelo está se encaixando em sua finalidade.

Recebemos um simpático e-mail deles em que relatam o primeiro teste de verdade por que passaram e como ficaram contentes com a sensação de segurança que o Atairu os transmitiu.

Atairu testando as vela em sua vaga no píer

Segue o relato: 
Hoje (27/09), o Atairu enfrentou ventos de até 25 nós no contravento, chuva torrencial (mais de 20 mm), ondas curtas e seqüenciais que quebravam uma após outra devido a baixa profundidade do lago Guaíba (3m), espuma para todo lado, lago todo esbranquiçado, visibilidade zero, somente GPS, que "as vezes sinalizava barco parado devido as ondas e ao vento, barco com o Yanmar a 3500 RPM, para conseguir vencer o vento e as ondas. A água açoitava o casco com batidas muito fortes, como querendo quebrá-lo, barco inclinado a dez graus em árvore seca, água entrando pela vigia frontal. Foram mais de 2 horas neste inferno.

Único barco enfrentando estas condições de tempo no lago, com duas pessoas iniciantes na vela. Resultado: Chegamos ao clube para os demais incrédulos. Barco forte e robusto, confiávamos nele e ele respondeu à altura. Não temos mais dúvidas, amamos este barco que nos levou em segurança ao nosso clube. Foi nosso batismo, e para o Atairu também. Não conseguimos tirar fotos, mas o pessoal do porto do Clube nos falou, por rádio, que era de arrepiar ver o barco vencer as ondas.

Anexo algumas fotos de nossas primeiras velejadas. Nosso instrutor é o Paulo Ribeiro, técnico da seleção feminina de vela 470 (Fernanda Oliveira e Isabel Swan - primeira medalha de bronze nas olimpíadas de Pequim 2008). Tivemos somente dois dias de aula.
Bons ventos a todos vocês... O projeto é ótimo.

Sem dúvida Piqueres tem muitos motivos para comemorar. Por seu e-mail fica bem claro que o que deixou o casal mais contente foi ter passado por uma situação complicada e ter saído com a certeza de que o barco é forte e seguro. Para dois velejadores inexperientes passar por um teste desses em uma das primeiras velejadas aumenta a autoconfiança, e, acima de tudo, a confiança no barco.

O painel solar ainda não foi instalado

Mas eles já vinham curtindo o Atairu intensamente como uma espécie de casa de praia, e é nesse ponto que o barco se mostrou imbatível, pois é pequeno o bastante para se velejar com tripulação reduzida sem dificuldade, e grande o suficiente para se morar a bordo com muito conforto. Por isso vocês que acompanham as notícias da classe MC 28 em nosso site, podem esperar novidades do casal Piqueres tão logo adquiram um pouco mais de experiência para poderem dar vôos mais longos.

Piqueres e Ivana comemorando a primeira grande aventura

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Pantanal 25 – Classe bem próximo de poder ser homologada

Bons ventos estão soprando para a classe Pantanal 25. A Intaschi Nautical Performance, juntamente com a Coopermarine, acabam de fechar a terceira venda de um Pantanal 25, que deverá ser produzido nas formas que Jorge Intaschi construiu após  terminar o casco e convés do Dark Ice, o Pantanal 25 que fez para seu próprio uso.

Essas formas que foram levadas para a Coopermarine, uma fábrica de barcos que trabalha em regime de cooperativa, e já produziram dois barcos, barcos esses que breve deverão estar navegando. Com a nova venda, fica faltando uma unidade para que a classe possa ser homologada pela Federação Brasileira de Vela e Motor, isso sem falar dos muitos outros em construção em vários pontos do Brasil.

Ronaldo Agondi, o diretor da Coopermarine, aproveitou a oportunidade de ter uma carteira de pedidos para completar a coleção de moldes, e poder fabricar o barco em série no menor tempo e com o menor custo possível. Ele produziu moldes de todos os componentes do mobiliário interno com uma classe e um bom gosto impressionantes, aproveitando para aperfeiçoar a ergonomia e dando um toque artístico ao design dos móveis, fazendo as paredes das bancadas com curvas funcionais e elegantes. Na realidade, com o cuidadoso acabamento que Ronaldo está conseguindo realizar, o interior do barco irá ficar um espetáculo.

Marcelino Magalhães, o primeiro cliente da Coopermarine, está dando a maior força para que os moldes fiquem super-caprichados, para isso não pressionando a fábrica exigindo pressa, para que a obra não seja realizada com afobação. Não tenho dúvida que com o acabamento que está sendo alcançado, o modelo fará grande sucesso, inclusive com grandes possibilidades no mercado internacional. Como a classe vai se expandindo muito bem internacionalmente, acho que o escritório B & G Yacht Design até que poderá dar uma boa mãozinha para divulgar o serviço da Coopermarine lá fora.

A nova bancada da pia do banheiro é muito mais ergonômica, oferecendo maior área de piso.

Desde junho não falávamos sobre o esforço de Jorge Intaschi e da Coopermarine em promover a classe Pantanal 25. Em julho, após uma preparação meticulosa para participar da Semana de Ilha Bela, em uma das primeiras regatas, depois de demonstrar possuir velocidade para se meter com os cachorros grandes do circuito, Dark Ice foi atropelado por um brutamonte de 57 pés e U$2800.000, que, sem preferência, entrou pelo gurupés do pequenino Pantanal 25, empenando-o, mas para espanto geral, sem causar o menor dano ao casco. Apesar de ter arruinado a série, o acidente serviu para mostrar quão robusto é o modelo. Acreditamos que o que salvou o barco menor de um prejuízo mais grave foi o efeito bola de ping-pong. Sendo tão leve e tão rígido, com sua construção em sanduíche, Dark Ice foi simplesmente jogado para o lado, como a bola de ping-pong quando leva uma raquetada.

O gurupés empenou sem causar danos ao costado, um bom teste de robustez para o Pantanal 25

O que trouxe a classe novamente à crista da onda foi a matéria que a Revista Náutica publicou comparando o Pantanal 25 com outro modelo, também de 25 pés, comparação meio difícil pela diferença conceitual entre projetos. Como os barcos foram apresentados como cruiser-racers, então vá lá que se comparem os dois, mas o Pantanal  é radicalmente diferente num aspecto que torna essa comparação bastante indevida. Ele é o único dos dois, e porque não dizer, o único no país, projetado para camping, possuindo a boca máxima permitida nos Estados Unidos da América, que é de 2.44m, para poder ser rebocado sem precisar de autorização especial da polícia rodoviária. Essa característica o torna difícil de ser comparado com um barco, que mesmo tendo calado controlável, possui uns 20% a mais de boca. Não que ele perca em conforto, mas ganha em oferecer baixa resistência ao avanço. Obviamente essa boca estreita condiciona o arranjo interno, mas mesmo assim o Pantanal 25 possui acomodações para pernoite de até seis pessoas, banheiro fechado, cozinha e duas camas de casal.

Felizmente os pontos fracos de nosso modelo apontados pela revista não nos preocuparam, pois simplesmente não procedem. Primeiro a de que o modelo não possui textura antiderrapante no convés.

Se o pessoal da revista escorregou ao velejar no Pantanal 25, deve ter sido por falta de óculos, e não por falta de antiderrapante, pois o convés é adequadamente dotado de piso com superfície corrugada já incorporada ao molde.

Outro ponto discutível na avaliação da revista foi sua pequena capacidade dos reservatórios de água doce. Acharam 130 litros insuficientes, mas pensando bem, para um barco de camping isso é muita água. Afinal representa 10% do deslocamento do barco. Se o proprietário levar o barco a reboque com o tanque cheio, isso representa um baita esforço a mais para o motor do carro, mas ainda dentro da tolerância. Imagina se fosse mais!!!

Mas o que importa é que os jornalistas elogiaram bastante o desempenho do modelo:

"...mas também faz bonito em competições, nas quais comporta bem até oito pessoas a bordo, graças à grande área vélica, ao casco leve e ao bom desempenho, já que é veloz em ventos fracos e orça muito bem..."

Pantanal 25 Rotfart, de Marcelino Magalhães, em final de construção na Coopermarine

Agora com o novo sócio, a classe está a um passo de se tornar monotipo em competições e não precisar correr em categorias para a qual não foi projetada. Como o Dark Ice já provou que anda muito, fica melhor não precisar calcular ratings com fórmulas empíricas que penalizam as qualidades do barco. Como além da série da Coopermarine existem muitos Pantanal 25 em construção, com os primeiros já velejando, vai ser bonito ver em breve eles correndo entre si na que provavelmente será a primeira categoria internacional de veleiros com unidades velejando em vários países, projetada no Brasil. Pelo menos um campeonato Sul Americano breve seria possível combinar, pois só na Argentina já existem três barcos em construção a toque de caixa, com grande interesse da comunidade local pelo modelo, e no Chile um construtor cogita em fazer o Pantanal 25 em série.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Pantanal 25


Classe Samoa 28 ganha novo impulso

A Classe Samoa 28 está nos surpreendendo pela forma espetacular com a qual vem se expandido recentemente. Toda hora estamos recebendo fotos de cascos sendo virados, interiores sendo construídos e de barcos quase prontos para ir para a água. Obviamente ficamos contentes com essas notícias.

Saber que a classe está atraindo tantas pessoas é bom demais para nós, que consideramos esse barco uma opção diferente na construção amadora de veleiros de cruzeiro oceânicos.

Um desses barcos é o Baleia, que está sendo construído em Macaé por Ubiracy Pereira Jardim. Sendo um amador autêntico, Ubiracy está se divertindo demais com sua construção, a ponto de ter criado um blog sobre suas experiências: http://barcobaleia.blogspot.com, onde relata cada passo de sua construção. Isso é muito bom para a classe e também para incentivá-lo a continuar a obra no ritmo mais rápido possível.

Baleia já está com o casco praticamente fechado

Mesmo só tendo começado a obra em fevereiro, Ubiracy ainda encontrou tempo para construir outro projeto de nosso escritório, o dinghy Andorinha, projetado para ser feito pelo método costure e cole, um de nossos mais populares desenhos. Você pode acompanhar o progresso das duas construções no mesmo blog.

De Blumenau, Santa Catarina, recebemos fotos da virada de outro Samoa 28, o Everest, de Moacir Teobaldo Ribeiro.

Sempre que recebemos boas fotos de uma festa de virada enviada por um construtor amador, sentimos vontade de escrever uma nota em nossas notícias como um gesto de reconhecimento pelo feito.

Mesmo aquele que não é afeito à construção amadora pode avaliar quanto emocionante é essa ocasião. Esse é um marco importante no caminho de realizar o sonho de ter um barco de cruzeiro construído com as próprias mãos.

Talvez por causa da importância do acontecimento é que exista tanta facilidade para juntar amigos e simpatizantes voluntários na operação de virar o barco.

Nessas ocasiões manda a tradição que um churrasco regado a muita cerveja seja oferecido à galera, mas ai do anfitrião se oferecer o churrasco antes da virada do casco!

O mínimo que pode acontecer são os ajudantes irem sumindo antes da operação se realizar, e nos casos mais graves, que alguma lenha ocorra durante o processo da virada

Removendo o Everest do galpão

Publicamos há pouco tempo atrás a virada de um MC28 que está sendo construído em Seattle, no noroeste dos Estados Unidos, e naquele casco, a estrutura armada para virar o barco foi a mesma utilizada no Everest. Não sei se as fotos publicadas serviram de inspiração para Moacir Teobaldo, mas se serviram, é o que poderíamos chamar de ajuda globalizada à distância, por pessoas do outro lado do mundo que nem se conhecem!

Everest pronto para ser virado

A cangalha em torno do casco para apoiá-lo enquanto vai virando dá mais trabalho para ser montada do que a operação de virar propriamente dita, que no caso do Everest foi feita com um guindaste alugado. Apesar do barco antes de virar já poder ser visto por dentro, bastando para isso se agachar e dar uma olhada lá para dentro, é fascinante ver a curiosidade das pessoas ao desejarem saber como o barco vai ficar quando estiver virado de cabeça para cima. Esse é um importante ingrediente para o clima de suspense que cerca toda a operação. Parece que é a sensação de que dali em diante já existe um verdadeiro barco!

Moacir Teobaldo foi bem competente preparando minuciosamente a superfície externa do casco, deixando-o tão liso como uma casca de ovo. Ele não perdeu a oportunidade de, ao lixar o fundo do casco, deixar a gravidade trabalhar a seu favor. Outro lance acertado foi impregnar os strips internamente com epóxi à medida que o casco ia sendo fechado. Isso estabiliza a madeira, que deixa de absorver vapor d’água em dias úmidos e dilatar-se causando estresses indesejáveis.

O casco logo após a virada, antes da remoção dos moldes internos

A única precaução que Moacir Teobaldo agora deve tomar é lixar a superfície interna já impregnada antes de iniciar a laminação do interior do casco, pois o epóxi é tão vitrificado, que apesar de ter uma aderência fantástica, não adere nele mesmo se a superfície de baixo for lisa como vidro.

Outro construtor de Samoa 28, esse já vendo a luz no fim do túnel, é Bernardo Sampaio, de São José dos Campos, São Paulo. Seu barco, o Sailor II, está quase pronto e breve deverá ser inaugurado. Bernardo está construindo em Ubatuba, o conhecido paraíso turístico do litoral norte de São Paulo. Ele vem nos informando regularmente sobre o progresso de sua obra desde os primórdios da construção, e pelas fotos que temos recebido, seu barco é de primeira classe.

Sendo Ubatuba um centro náutico importante, com suas marinas guardando centenas de barcos de cruzeiro, não é de se estranhar que exista uma certa curiosidade por parte da comunidade náutica local, especialmente de outros construtores de Samoa 28 que estão fazendo seus barcos ali pelas redondezas. Como provavelmente Sailor II será o primeiro Samoa 28 a ficar pronto, não só na região do litoral norte de São Paulo, mas em todo o Brasil, nós mesmos do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design) estamos ansiosos com essa inauguração, que quando acontecer, com certeza irá receber uma reportagem especial em nossas notícias. (Bernardo, não se esqueça de enviar umas fotos do grande dia!)

Superestrutura do Sailor II pronta para receber a pintura de acabamento

Ao Bernardo e aos outros construtores de Samoa 28 em São Paulo e no resto do país, desejamos que as construções continuem avançando sem problemas, e que breve vocês estejam navegando. Estamos publicando esta matéria principalmente com a intenção de dar uma injeção de adrenalina em todos os construtores de Samoa 28.

Sailor II pronto para receber a quilha

No entanto, o mestre dos mares da classe S 28 é sem duvida o geólogo argentino Daniel D’Angelo, construtor do Samoa 28 Sirius, www.velerosirius.com.ar, fabricado no jardim de sua residência em City Bell, grande Buenos Aires. Sem experiência anterior ele construiu um barco tão bom que acabou por torná-lo conhecido em todo o Rio da Prata e até bem mais longe, pois seu site, muito bem feito, mostrando toda a construção fase a fase, é bastante popular em toda a América Latina e na Península Ibérica.

A "tripulação" participou ativamente da construção do Sirius no jardim de casa. Karina e Flor, esposa e filha de Daniel, curtem o imenso volume do casco no início da fabricação do interior

Daniel lançou seu barco à água em outubro de 2008, e desde então já realizou vários cruzeiros. O Sirius já fez duas viagens ao Uruguai, e uma até o delta do Tigre, sempre fazendo muito sucesso, seja pelas linhas do casco, seja pelo conforto interno, ou ainda por seu bom desempenho, especialmente em condições duras de vento e mar. Além disso, já participou de várias regatas, tendo ganhado algumas em sua classe. No momento Daniel está pretendendo subir a costa da America do Sul, provavelmente indo até Angra dos Reis, quando sem duvida será recebido com grande admiração e curiosidade, acima de tudo por se tratar do primeiro Samoa 28 a navegar, construído por um amador no quintal de sua casa.

La Plata-Riachuelo-Colonia-La Plata, 6-11 de janeiro de 2009 - Daniel D’Angelo

Clique nas figuras para aumentá-las

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 28


Multichine 28 – Contando fatos sobre essa classe

Se você é velejador de oceano brasileiro, ou estrangeiro residente no Brasil, provavelmente já deve conhecer algum MC28 navegando em sua região, ou pelo menos ter ouvido falar de algum barco dessa classe. Como conhecemos muita gente que pratica vela de oceano no país, sabemos que para muitas pessoas esse modelo é um sonho de consumo, como sendo um dos melhores veleiros de cruzeiro na faixa dos 28 pés que existem.

Na realidade, quase desde seu nascimento a classe MC28 passou a ser nosso mais popular desenho na lista de projetos de estoque de veleiros para cruzeiro de longa distância.

Existe um interesse permanente por parte de cruzeiristas potenciais por esse modelo e o número de construtores deste barco ao redor do mundo não pára de crescer. Em setembro de 2009 estamos nos aproximando de duzentas unidades em construção ou navegando, sendo que até o momento isso está acontecendo em nove países diferentes: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Espanha, Inglaterra, Grécia, Portugal e Estados Unidos. No Brasil, onde a classe nasceu, existem veleiros MC28 em construção ou navegando em quase todos os estados da federação.

As pessoas que escolheram o MC28 podem ter inúmeras razões para isso; no entanto, segundo as informações que alguns desses velejadores nos passam, o principal fator decisório na escolha do projeto é a sedução que o layout do interior exerce em suas mentes.


Multichine 28 Flaneur

Muitos de nossos clientes sonham em realizar longos cruzeiros ou morar a bordo por longos períodos. E é exatamente nesse ponto que o MC28 é um barco fantástico para seu tamanho.

Quando os interessados descobrem que se pode andar sob um pé direito de 1.85m desde o hall da cabine de popa até o salão, contornando a maior cozinha que se possa encontrar em um veleiro de vinte e oito pés, costumam se apaixonar pelo modelo. Ao concluírem a obra, essa paixão costuma se transformar em um amor duradouro.

O salão do MC 28 é suficientemente amplo para se promover uma festinha nele.

Mas existe outro fator decisivo que pesa bastante na escolha pelo modelo do MC28. É o fato desse veleiro se enquadrar como categoria A, a categoria máxima, de acordo com o índice de estabilidade estabelecido pela União Européia, (STIX), o que significa poder suportar ventos força 10 com ondas médias de sete metros de altura, podendo até encarar eventuais ondas de até quatorze metros com estabilidade suficiente para resistir a tudo isso. A confiança que essa especificação incute nas pessoas é alguma coisa difícil de ser medida.s.

O MC28 tem um excelente controle de leme. Fotoshop: www.ideebr.com

Agora que a classe já é bem conhecida, e seu conforto interno e suas qualidades marinheiras vão se tornando de conhecimento de muitos do meio náutico, quando as pessoas optam pelo MC28 considerando que o MC28 é o barco que procuravam, esse compromisso costuma se tornar um assunto preponderante em suas vidas. É curioso constatar que junto com a decisão de construir, vêm embutidos os mais ambiciosos planos de utilização. A impressão que temos a partir de seus relatos é a de que ao longo de toda a construção os planos de aventura vão se tornando cada vez mais consistentes, e essa antecipação de futuro desfrute é a mola propulsora que incentiva a continuação da obra.

Essa atitude determinada pode parecer óbvia, mas não é bem assim. Um barco produzido em série em que o cliente já o recebe com todos os equipamentos recomendados pelo fabricante instalados, é claro que não pode se comparar com o prazer que dá instalar um por um todos os itens escolhidos pelo próprio dono, como se todo mês fosse recebida a visita de Papai Noel! Esse mesmo prazer se repete a cada dia durante a construção, quando no fim da jornada se pára para observar o progresso do dia. Quando nós do escritório construímos o MC 28 Fiu, em companhia do Makay, de nosso amigo Roberto Cepas, no final do dia íamos para uma padaria na esquina tomar um chope e falar sobre os últimos progressos e os planos para as próximas etapas. Na verdade o trabalho era pura diversão, tanto que muitas vezes só encerrávamos o expediente lá pelas nove horas da noite

Roberto Ceppas segurando a seção 9, não sabemos dizer se do Makai ou do Fiu, no fim do expediente, após um dia de serviço. Foto Roberto Barros

Essa sensação de prazer continuado só pode ser compartilhada por aqueles que estão fazendo ou fizeram seus próprios barcos. Também não sabemos se é por acaso, mas ainda não conhecemos o caso de um amador entusiasmado que não tenha se divertido com a construção de seu barco. Algumas queixas durante a construção sobre a dureza do serviço até que ouvimos de vez em quando, mas ou a memória é fraca, ou o trabalho é compensador, uma vez que tão logo o barco fique pronto, o que costumamos ouvir são somente palavras de orgulho pela realização.

Nós da Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália), até que temos uma boa parcela de contribuição para o sucesso da construção amadora dos MC28. Isso se deve a termos construído dois barcos da classe e simultaneamente termos redigido um roteiro de construção sem falhas, pois era produzido à medida que a obra avançava, informando passo a passo todas as fases da fabricação. Esse roteiro é um verdadeiro livro, e pelo resultado de quase a totalidade das construções, tem ajudado muito nossos construtores amadores. O fato de que o método construtivo seja tão simples e objetivo também ajuda a explicar porque a classe é tão bem sucedida.

MC28 tem ótimo desempenho no vento de proa.
Fotoshop: www.ideebr.com

Pelo fato de termos construído com as próprias mãos dois desses barcos, elegemos o MC 28 como nosso projeto de estoque padrão e assim procuramos igualar em detalhes e quantidade de informações todos os outros projetos mais recentes, e sempre que surge alguma inovação tecnológica que possa beneficiar o projeto, fazemos atualizações, de forma que mantemos o MC28 como o estado da arte entre nossos planos de prateleira.

O fato de o Makai e o Fiu, agora Fioravante, já terem navegado ao todo algumas dezenas de milhares de milhas sem problemas, inclusive participando com sucesso de regatas oceânicas, também contribuiu em muito para o atual prestígio da classe. A fabulosa viagem em solitário do MC28 construído por Flávio Bezerra, que desprovido de motor auxiliar e sistema automático de controle de rumo, há três anos navega pelo Caribe, após fazer uma audaciosa travessia do Rio de Janeiro a Saint Martin, também é uma demonstração das qualidades deste barco de cruzeiro

MC28 – O veleiro de cruzeiro para ir a qualquer lugar. Fotoshop: www.ideebr.com

Por termos construído dois MC28 e esses barcos terem se demonstrado tão eficientes como barcos de cruzeiro, isso acabou sendo uma verdadeira benção para a classe. Mas parece que a cada novo MC28 inaugurado, aquela unidade passa a ser um fator de multiplicação na localidade onde ele foi inaugurado, e isso vem se espalhando sem interrupção desde o lançamento do primeiro MC28 a navegar, o legendário Sabadear.

Presentemente o bom nome da classe se espalha internacionalmente, e por tudo de bom que já aconteceu com esse prodigioso modelo estamos confidentes de que em breve será um barco de fama internacional, como um autêntico lar flutuante capaz de navegar em qualquer latitude com conforto e segurança.

O interior do MC28 é claro, arejado e funcional. Renderização: www.ideebr.com

A cabine toda enjanelada é uma das virtudes mais apreciadas pelos donos de MC28. Renderização: www.ideebr.com

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Kiribati 36 Green Nomad acabando a marcenaria - Luis Manuel Pinho

O verão vem chegando a Porto Alegre, e junto com o fim do inverno também vai mudando a estação da obra do Green Nomad. O delineamento do interior está praticamente acabado. A estrutura básica está toda no lugar, e agora ficam faltando os acabamentos, como portas, forração das paredes e teto, revestimento dos pisos e pintura das madeiras.

Para dois marinheiros de primeira viagem em marcenaria ficamos até surpresos de já estarmos neste estágio.

A evolução da mesa de escritório no Green Nomad!

O escritório do Green Nomad em Abril de 2009

O mesmo escritório em Final de Agosto de 2009. Agora também mesa de navegação!

Selecionando as fotos para este email é que nos demos conta de que talvez um ou dois parafusos nos faltem, ou que nosso limiar para desconforto é bem acima do de muita gente. O objetivo compensa, sabemos, mas era cada coisa...

Moramos a bordo durante toda a construção do interior, que no entanto não começou até Março de 2009 com a colocação do isolamento de isopor. Entre Dezembro e Março morávamos com o mesmo arranjo provisório feito ainda no estaleiro. Duas chapas de compensado daquele usado para tapumes de obra e alguns sarrafos de apoio serviam como piso durante o dia e cama à noite, e tudo o mais era improvisado.

Mas aos poucos fomos ganhando terreno, um pouquinho cada dia, e isso durante os três últimos mêses, e agora ao olhar para trás, nos damos conta que a nossa casa está quase pronta.

Toda a obra era planejada levando em conta que no final do dia a cozinha tinha que funcionar e algum lugar tinha que estar livre para dormir.

Dois dos metros quadrados mais versáteis de Porto Alegre

Tudo tinha dupla função, até o banheiro!

Lavar o rosto exigia habilidade

Cozinhando ainda com um casco quase vazio

Durante esses três meses nós processamos mais ou menos as seguintes quantidades de materiais:

  • 10 folhas de compensado naval de 10mm
  • 8 folhas de compensado naval de 15mm
  • 50 sarrafos de cedro de 2 m com seções variadas
  • 100 placas de 0.5m x 1.0 m de isopor de 50mm de espessura
  • 4 placas de isopor de 0.5m x 1.0m de 20mm de espessura
  • 1 folha de fórmica
  • 2 latas de cola de contato
  • 3 bisnagas de cola para madeira
  • 15 tubos de sikaflex 221
  • Aproximadamente 1000 parafusos para madeira de diversos tamanhos

Para os interessados em valores, o material acima custou em torno de R$ 5000.

Na primeira vez em que resolvemos pegar um compensado de 15mm para tirar peças, eu achei que nem ia conseguir movê-lo. Mas com jeito, os dois baixinhos foram levando peça por peça, e hoje nem acreditamos que dentro desse casco de 11m x 3.85 m possam estar 18 folhas de compensado de 2.5 x 1.6m.

Trabalhando no pier do Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre

Nossa grande sorte, sermos acolhidos em cortesia pelo Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre. Sem esse porto seguro tudo seria muito mais difícil

Fixando o tanque de diesel para poder iniciar a obra

A primeira peça de mobiliário foi a cama, como convém!

Iniciamos pela cama de pôpa e seguimos no sentido horário, fazendo a cozinha, sofá de bombordo, cama de proa, sofá de boreste, mesa de navegação, banheiro, compartimento do motor e por fim as pias da cozinha definitivas. O último toque foi a colocação da cadeira em frente da mesa de navegação, com um encosto alto, que servirá como escora quando o mar estiver agitado. Já no primeiro barco tinhamos uma cadeira com encosto no sentido transversal na mesa de navegação,  só que fixa. Agora a cadeira pode girar e também ser elevada uns 20cm, deixando um posto de observação privilegiado à nossa disposição.

Já  estamos também bem adiantados na parte hidráulica, e daqui a umas duas semanas já iniciaremos as instalações elétricas.

Filhos de um amigo explorando a caverna dos velejadores construtores. Muita coisa interessante para ver!

Hoje já podemos convidar amigos e recebê-los para jantar com conforto, e esperamos que os jantares a bordo sejam muitos e em diversos lugares daqui para a frente.

Finalmente uma cozinha de verdade!

Um longo caminho desde as refeições sentados no banheiro

A mesa de navegação do Madrugada, gentilmente cedida pelo Niels Rump, da Farol Náutica, que está restaurando o barco fielmente aos seus planos originais.

O balcão com as duas cubas, que drena para dentro da caixa da quilha.

Navegando na internet por enquanto, mas logo esperamos que no Pacífico.

Colocamos a pia do banheiro apoiada na bancada para não perder espaço de armário embaixo e para poder trazê-la o máximo para o centro do barco, ficando com pé direito total acima dela.

Na área de convés e externa a única novidade foi a colocação da armação em tubo de alumínio para uma capota rígida, que irá proteger a parte dianteira do cockpit em viagem, oferecendo abrigo de spray e sol, podendo mesmo ser fechada por trás. No Green Nomad I isso era fácil porque o cockpit era central, mas agora conseguimos o mesmo efeito usando uma parte de enrolar que descerá da traseira da capota até o banco e piso do cockpit, como vimos em alguns barcos da classe IMOCA 60, mais conhecidos como Vendée Globe.

Green Nomad aguardando o momento de rumar para novos encontros com novos e velhos amigos!

Esperamos até o fim do ano ter o Green Nomad com condições de se mover. Mesmo que estejamos adorando a estada em Porto Alegre, no próximo inverno gostaríamos de já estar num ponto tropical, substituindo os capotes por camisetas e as botas por havaianas.

O engenheiro Luis Manuel Pinho, luisdesenhos@gmail.com é colaborador do escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design), sendo o designer de nosso mais recente projeto, o Kiribati 36. Já está em andamento o segundo projeto que  estamos produzindo em parceria: o Pop-Alu 28, um veleiro em alumínio auto-portante, isso é, sem estrutura interna, o que com a tecnologia de corte por CNC representa uma economia incrível de mão de obra e tempo de construção.  

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36


Pantanal 25 Sendo Construido no Chile - Maik Biela

Olá,
Meu nome é Maik Biela. Tenho 37 anos, sou alemão, e atualmente vivo em Santiago do Chile.

Estudei artes em construção civil em uma escola técnica da Alemanha com especialização em carpintaria. Deixei a Alemanha dez anos depois de me formar, em busca de algo novo, e vivi vários anos nos Estados Unidos da América, onde trabalhei na construção civil como empreiteiro.

Sempre me interessei por barcos, mas esse hobby não é fácil de ser praticado na Alemanha. Assim comecei a pensar na possibilidade de iniciar alguma coisa nesse sentido aqui no Chile, uma vez que tem oceano a beça em volta deste país e isso oferece muitas opções.

Com o intuito de me aproximar do meio náutico obtive uma carta de capitão e comecei a praticar vela num pequeno iate clube local, chamado Quintero. Tive sorte, pois logo após receber minha carta tive a possibilidade de participar de regatas patrocinadas por esse clube, me dando muito bem, ganhando muitas regatas, e foi então que decidi ter meu próprio veleiro, para que pudesse ir aonde quisesse e aproveitar o mar e a natureza da maneira que mais me aprouvesse.

Assim comecei a pesquisar como conseguir um bom veleiro a um preço accessível, porem comprar novo de fábrica estava fora de minhas possibilidades, e então pensei: por que não construir eu mesmo?

Depois de uma longa busca, finalmente encontrei o escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design), ficando bastante entusiasmado com seus projetos. Encomendei um montão de planos de estudos de vários projetistas diferentes, mas acabei por escolher um desenho desse escritório, porque queria um barco bem moderno, e gostaria de começar com um modelo espaçoso, que não fosse nem pequeno, nem grande demais, e que ficasse por um preço razoável.

Minha escolha recaiu sobre o Pantanal 25, e tão logo tomei essa decisão encomendei os planos. Então comecei a estudar o projeto sentindo diferentes preocupações; algumas vezes me questionando sobre minha habilidade de construir um barco com uma tecnologia que desconhecia, mas resolvi ir em frente pensando com meus botões: no final tem que dar certo, não importa as dificuldades, pois desejo fortemente ter meu barco!!!

Entrei em contato com Luis Gouveia, o engenheiro naval do escritório, consultando-lhe sobre algumas dúvidas sobre o processo e suas respostas vieram rápidas e bem claras. Então, decisão tomada, fiquei aguardando a chegada dos planos para começar a obra sem perda de tempo.

Comecei a construção do casco em março de 2009 adquirindo a madeira para fazer os strips do miolo do sanduíche. Foi tão rápido fechar o casco que mal acreditei que tinha realizado aquele trabalho sozinho. Fiquei fascinado como tudo ia dando certo e constatei que meus conhecimentos como construtor civil eram mais do que suficientes para seguir com a obra, isso acontecendo somente nas horas de folga de meu trabalho profissional. Agora está ficando difícil interromper a obra no fim do dia, isso depois de longas horas ocupado; é simplesmente fascinante esse desafio!!!

Terminei a construção do casco em quatro meses (só em minhas horas vagas). Então chamei um grupo de amigos para me ajudar a virar o casco, e agora o caminho está livre para construir o interior. A virada foi bem emocionante, uma vez que não sabia direito o que iria acontecer, mas no fim foi mais fácil do imaginei, e isso pode ser constatado nas fotos abaixo. Meu plano funcionou perfeitamente!!!

Também devo confessar: durante o dia, no meu trabalho formal, fico estudando o projeto, uma atitude quase ridícula, mas talvez aí esteja a resposta, pois tudo está dando certo até agora.

Minha experiência de construir um barco no Chile é controvertida, lamento dizer. Aqui não é propriamente o paraíso da construção amadora, uma vez que nem sempre é fácil adquirir os materiais específicos para a construção, e muitas empresas aqui só estão interessadas em vender por atacado, o que dificulta bastante para meu lado. Então me resta recorrer à Internet, à qual consulto por horas a fio tentando me contatar com uma miríade de pessoas até encontrar uma solução para o que preciso. Às vezes contacto Luis Gouveia para que ele me ajude a encontrar o que estou buscando.

Mas de uma forma ou de outra já obtive os materiais necessários. Cansou um pouco conseguir, mas agora estou satisfeito e posso prosseguir minha obra sem problemas.

Muitas pessoas estão acompanhando de longe minha construção e mostrando interesse no que estou fazendo. Já conversei com vários deles que se entusiasmaram com meu esforço. Esse é um aspecto interessante ao se construir seu próprio barco, esse de despertar o desejo dos outros.

Até agora trabalhei praticamente sozinho, uma vez que pretendo curtir ao máximo cada passo da construção. Como disse, sou muito minucioso quanto a detalhes, e por isso prefiro fazer tudo sozinho, exceto quando tiver que realizar esforços mais pesados, como por exemplo, agora, quando fui virar o barco. Estou ansioso em continuar a construção e não vejo à hora de estar velejando no barco.
Devo ser meio pirado, pois já estou pensando em construir um próximo barco do escritório Roberto Barros (B & G) Yacht Design, mas tenho que ter calma para acabar o Pantanal, e então decidir que barco fazer.
Agradeço ao escritório de projetos por ter tornado possível a um amador construir um veleiro de linhas modernas por um preço accessível e que ainda fosse empolgante de ser construído. Devo ainda ressaltar que eles oferecem um bom apoio ao construtor, se interessando pelo serviço realizado!!!
É fantástico comprar um barco novo direto da fábrica, todavia a experiência que estou tendo de construir meu próprio barco é simplesmente indescritível!!!

Também agradeço ao escritório de projetos por publicar essa carta relatando minhas experiências e as fotos da construção. Mando meu muito obrigado também para os amigos que me ajudaram na virada do barco. Manterei vocês informados sobre o prosseguimento da construção.
Um abraço a todos,
Capt. Mail Biela
Boat Builder

Clique nas fotos para ampliá-las

Clique aqui para saber mais sobre a classe Pantanal 25


Pantanal 25 em construção na Argentina - Daniel D’Angelo

Logo após ter construído o Sirius (primeiro Samoa 28 a ficar pronto) e ter desfrutado plenamente tanto de sua construção como de navegá-lo, encarei uma segunda construção, desta vez um Pantanal 25. Esse projeto me interessou particularmente por vários motivos, sendo sua versatilidade de calado, baixo peso e velocidade de construção seus maiores atrativos para mim.

Por ser um método construtivo parecido com o da construção do Sirius (sanduíche de espuma de PVC para o Pantanal 25 e sanduíche de strip-planking de madeira para o Samoa 28), estimei que a obra fosse ser concluída muito mais rapidamente do que a anterior (dois anos e onze meses)...e até agora não me equivoquei!

A espuma é mais fácil de ser manipulada do que tirar doce da mão de criança! Assim, em abril de 2009, começamos a construção do "Vega" Com a experiência adquirida e a certeza de poder fazer um bom barco, a obra avança rapidamente apesar do clima frio que temos por essas terras. Com o que ainda restava de outono terminei o casco externamente gastando um total de quinze dias para executar o trabalho. (No Sirius levei dois meses!) Atacando em várias frentes de trabalho simultaneamente, avançamos com a caixa da quilha, leme e fin-keel.

Quando retomei a obra no final de junho, o frio impedia fazer qualquer coisa com epóxi ao ar livre, e por isso tomei uma decisão radical: construiria a superestrutura em duas metades dentro do lugar fechado onde está instalada a nossa churrasqueira do jardim. Assim em menos de uma semana já tinha pronta a metade da frente do convés, que levei para o jardim abrindo espaço para construir a outra metade. Essa deu um pouco mais de trabalho uma vez que as balizas são mais complexas e pelo fato do espaço em volta da obra ser bem apertado, dificultando meu trabalho.

Antes de ter que interromper a obra por causa de minha atividade profissional, consegui construir toda a metade de popa e começar a revesti-la com fibra de vidro, deixando o serviço incompleto, mas faltando um dia no máximo de trabalho quando retomar a obra. Nesse meio tempo já encomendei a mastreação e as ferragens especiais e junto com Tomas Orcoyen, outro argentino que também está construindo um Pantanal 25, encomendamos a uma fundição o bulbo da quilha.

Na próxima etapa, em setembro, começarei a construções das anteparas estruturais, divisórias internas e móveis, coisas que devem levar umas duas semanas para serem completadas. Inicialmente usarei as velas do irmão maior, uma vez que elas não diferem muito em tamanho. É uma delícia trabalhar com sanduíche de espuma de PVC e fibra de vidro saturada com epóxi ... se tudo der certo e a Mãe Natureza ajudar, talvez o tenhamos na água antes do fim do prazo fixado de Dezembro de 2009...para mim um absoluto Record!!!

Estou bem ansioso para navegar no meu Vega e poder desfrutar do enorme cockpit que já esta lá para ser apreciado na metade de popa do convés. Que boa impressão causa nas pessoas que o vêem!

Veremos dentro em breve como meu novo veleiro irá se comportar em nosso traiçoeiro Rio da Prata. O barco promete ser veloz!!!

O geólogo argentino Daniel D'Angelo foi o primeiro construtor de Samoa 28 a lançar ao mar um desses barcos, e agora já é um velejador bem conhecido na Argentina e em outros países, em parte por seu excelente site na Internet: www.velerosirius.com.ar. Agora que está construindo o Pantanal 25 Vega deverá ficar mais conhecido ainda, uma vez que em dezembro provavelmente já deverá estar navegando

Clique nas fotos para ampliá-las

Clique aqui para saber mais sobre a classe Pantanal 25


Teste de mar para o Polar 65 Fraternidade

Nosso maior veleiro especializado para navegar em qualquer latitude, tanto em águas rasas como profundas, já tem sua primeira unidade em operação. Trata-se do Fraternidade, o barco que o conhecido navegador ucraniano/baiano, o engenheiro Aleixo Belov, construiu  para dar uma ambiciosa volta ao mundo pelos lugares mais interessantes do planeta, levando a bordo uma tripulação de cientistas, jornalistas, cineastas, mergulhadores e pessoas envolvidas com o mundo náutico.

O plano de Aleixo na realidade já começou a ser executado, com uma viagem teste de ida e volta de Salvador, onde o barco foi construído, até Fernando de Noronha.

Fraternidade ancorado em Fernando de Noronha. Foto Helio Viana

Aleixo é uma pessoa muito determinada e competente. Sendo um bem sucedido empresário, ele conseguiu organizar sua vida de forma a poder completar três voltas ao mundo em solitário sem que isso afetasse o crescimento de sua empresa de engenharia. É obvio que isso só foi possível graças à sua habilidade de colocar pessoa de confiança para realizarem as tarefas com a competência necessária para que sua firma não afundasse em sua ausência. 

Após sua terceira viagem de circum-navegação, um dia Aleixo se perguntou: e agora, que faço da vida? Tenho mais um filho? Não fazia sentido, pois já tinha uma grande família. Invisto no crescimento de minha empresa? Isso também não seria necessário, pois afinal ela de qualquer forma já estava se expandindo. Faço um novo barco altamente sofisticado tecnologicamente, um veleiro capaz de velejar nas piores condições de tempo e entrar nos lugares mais inaccessíveis? Porque não? Esse seria o tipo de desafio que sua mente irrequieta nunca iria deixar de desejar.

Na volta de sua terceira circum-navegação ele fez um charter de Ushuaya até a Península Antártica a bordo do veleiro Kotic, do físico russo Oleg Belly, um iate polar construído por ele em Dois Córregos, interior de São Paulo, barco cujo principal atrativo era sua quilha pivotável, sua firme preferência para o trabalho de turismo náutico nas condições prevalecentes nas regiões antárticas, onde a possibilidade de reduzir calado permite encontrar refúgios contra icebergs com muito maior facilidade. De volta ao Brasil, Aleixo foi informado que o escritório de projetos de iates com mais experiência em projetos de veleiros polares no Brasil era o nosso, se fosse levado em conta o aprendizado adquirido durante o desenvolvimento do projeto do Paratii I, de Amyr Klink, e posteriormente com o desenvolvimento de outros projetos de calado regulável com sistema de quilha pivotável. Essa experiência prévia deve ter sido o fator predominante para que tenhamos obtido a encomenda para desenvolver o projeto.  

O Polar 65 tem um layout interno excelente para serviço de charter em altas latitudes. A caixa da quilha pivotável no centro do barco favorece a colocação do salão social na parte de ré do barco, basicamente sob o cockpit.

Fortemente influenciado pelas ideias de Oleg, Aleixo veio ao nosso escritório com um rolo de rascunhos desenhados em papel manteiga com os rabiscos do barco que desejava construir. Ele estava pensando em um casco multi-chine para ser construído em aço, obviamente com uma quilha retrátil pivotável. O barco seria suficientemente grande para que a caixa da quilha se estendesse do fundo do casco até o convés, ficando as acomodações do interior distribuídas em torno desta caixa. A quilha deveria descrever um arco de praticamente 90° quando totalmente recolhida, desta forma reduzindo o calado de 4.50m para 1.50m, e ao longo deste percurso seria instalado uma inovadora cremalheira que bloqueasse sua posição em qualquer altura, uma segurança em caso do sistema de içamento se romper.

Assumimos a tarefa de projetar esse barco como uma grande oportunidade de criar alguma coisa realmente pioneira. Nosso acordo com Belov seria a de que o projeto ficaria como nossa propriedade, uma vez que ele não tinha interesse em exclusividade.

Em compensação oferecemos o serviço de alterações que desejasse efetuar durante a elaboração do projeto, o que acabou sendo um bom acordo para as duas partes, uma vez que ele apresentou durante o processo de elaboração varias novas sugestões bastante interessantes. O plano de estoque ficou com um estilo mais ao gosto do iatista comum, enquanto seu barco foi assumindo as características de um barco de serviço, no entanto os cascos permaneceram idênticos

O estilo mais sofisticado que desenvolvemos para o Polar65 em alguns aspectos difere do Fraternidade, mas essa é uma vantagem da construção metálica, que contempla essa possibilidade de alterações de acordo com as preferências de cada um. Renderização: www.ideebr.com

Aleixo levou aproximadamente cinco anos para realizar a construção, usando suas instalações e o pessoal de sua caldeiraria para tocar a obra. Sua criatividade e competência foram marcantes, e, levando em conta que ele se dedicou de corpo e alma na produção do barco, o Fraternide acabou se tornando um dos iates polares com uma engenharia das mais avançadas que se tenha produzido até hoje, uma boa oportunidade para nós do escritório, pois  com um cliente tão determinado e competente, pudemos acompanhar o desenvolvimento de muitas idéias interessante que foram aplicadas em seu barco e assim testar algumas opções diferentes das que teríamos produzido sem sua solicitação, sem precisar adotá-las no projeto de estoque. O resultado dessa parceria é que todos nós ficamos satisfeitos após um tremendo processo de tempestade cerebral.

Desejando passar a maior parte de seu tempo daqui para frente a bordo de sua máquina de expedições, não é de se estranhar que o Fraternidade tenha se tornado uma luxuosa residência, com quadros a óleo pendurados nas paredes e um salão social digno do aconchego de uma pousada de luxo. No entanto nem por isso o barco deixou de ser uma funcional embarcação de serviço, um bom exemplo disso sendo as instalações na cabine de comando que mais se parecem com um flybridge de navio do que o pilot-house de um simples iate. Nesse ambiente está instalada uma mesa de navegação do tamanho utilizado em navios, sob ela existindo um compartimento com lugar para estocar com sobras cartas náuticas do mundo inteiro, simetricamente a ela existindo um beliche para o navegador fora de quarto. O painel de instrumentos rivaliza-se com o de uma nave espacial.

A lista de equipamentos de navegação no pilot-house inclui piloto automático, radar, chart plotter, estação metereológica, VHF, SSB, uma bússola acoplada a três GPS que permite a leitura do rumo verdadeiro com absoluta precisão e o instrumento AIS, um detector automático de tráfego. Foto Helio Viana

Fraternidade foi lançado à água no início de 2009, no entanto seu dono só se sentiu suficientemente preparado para começar a utilizá-lo seriamente agora em julho, quando decidiu realizar um primeiro teste de mar mais sério, programando uma viagem de ida e volta de Salvador a Fernando de Noronha. Juntando uma tripulação de amigos e pessoas que ajudaram na construção, Aleixo saiu para o seu primeiro teste levando a bordo dois bons amigos nossos e também nossos clientes, pois construíram o hoje já legendário Samoa 29 Maraccatu, www.maracatublog.wordpress.com, a bordo do qual estão vivendo há quase dez anos, com ele já tendo navegado dezenas de milhares de milhas.

A primeira observação relevante que Hélio constatou foi a de que com as respeitáveis doze toneladas de peso da quilha móvel e seus incríveis 6.70m de boca, o barco nunca adernava além de cinco graus de inclinação, nem mesmo quando encontrava aqueles pirajás típicos dos alísios, quando entram rajadas bem fortes por alguns minutos. Aleixo então rizava as velas de proa no enrolador, muito mais para poupar o pano do que sua mastreação. O convés corrido desimpedido e a facilidade de manobras também impressionaram muito nossos amigos que se sentiam como se estivessem num navio de cruzeiro.

Velejando no contravento Fraternidade mal sentiu a força do vento . Aquele corredor de madeira é a tampa da caixa da quilha. Foto Helio Viana

A viagem a Fernando de Noronha foi bem tranquila, sem contratempos, e a tripulação aproveitou para apreciar sofisticadas refeições e curtir bastante a velejada. O barco provou-se ser tão fácil de manobras que até um navegador solitário poderia conduzi-lo.

Hélio ainda encontrou algumas pequenas coisas que precisam ser melhoradas, como, por exemplo, a falta de alças para se segurar dentro do banheiro e gancho para pendurar o chuveirinho tipo telefone, nada que não pudesse ser instalado numa próxima escala. Em seu caderninho de anotações Aleixo anotou nada menos do que cinqüenta itens a serem revisados ou melhorados, mas afinal de contas, teste de mar é para isso mesmo.

Nosso amigo ficou vivamente impressionado com o conforto do salão social. O enorme sofá em U circundando duas amplas mesas tem lugar suficiente para umas vinte pessoas se sentarem confortavelmente, com espaço de sobra para fazerem uma refeição. Uma cozinha completa a bombordo e um centro de comunicação do lado oposto, fazem desse ambiente o mais agradável que se possa encontrar no interior de um veleiro deste porte.

O Polar 65 Fraternidade já é parte do cenário náutico da Bahia. De agora em diante deverá ser visto nos mais diferentes lugares, em qualquer latitude. Foto Helio Viana

Aleixo está bastante contente com seu barco, apesar dos cinqüenta itens a serem revisados ou melhorados antes da próxima saída mais prolongada. Para nós também é um motivo para comemoração ter um veleiro polar tão fora de série cruzando os mares em alto estilo.

Enquanto isso um novo Polar 65 se acha em estágio adiantado de construção no estaleiro Metallic Boats, www.metallicboats.com.br, em Triunfo, Rio Grande do Sul. Isso significa que em breve teremos dois desses gigantes  navegando por aí.

Como temos recebido consultas sobre o projeto desde muitos países, como Noruega, Escócia, Canadá, Estados Unidos, Austrália...esperamos que a carreira do Polar 65 esteja só engatinhando e que outros barcos da classe serão construídos no futuro.

Polar 65: Um veleiro para navegar em águas rasas e profundas. Renderizações: www.ideebr.com 

Clique aqui para saber mais sobre a classe Polar 65


Multicichine 28 sendo construído no noroeste dos Estados Unidos.

A classe MC28 tem mais um casco concluído e virado de cabeça para cima. Desta vez a novidade veio do Estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos.

Nosso cliente, David Cross, fez um excelente trabalho e seu casco está um primor de bem construído. É bom saber que Dave superou a primeira fase da construção sem encontrar dificuldades. De agora em diante ele irá achar mais empolgante seu trabalho, uma vez que no final de cada dia irá ver seu barco ficando cada vez mais parecido com o que será quando ficar pronto.

A turma que veio ajudar na virada.

Somente aqueles que já construíram sabem avaliar a sensação que se tem quando se chega a esse estágio da obra. De agora em diante você está construindo sua futura casa flutuante, (afinal nessa altura do campeonato o barco já até flutua, não é?), e uma vez que o interior é construído antes de fechar o convés, tão logo os assentos da dinete já estejam fabricados, já dá até para tomar uma cervejinha a bordo com os amigos, comemorando cada estágio da construção.

Até aqui tudo bem!

A classe MC28 está se tornando conhecida como sendo um fantástico veleiro de cruzeiro para uma pequena família. Ele é tão fácil de velejar e requer tão pouco esforço ao leme, alem de ser super-estável, que vai se tornando rapidamente o modelo preferido por casais de classe média de todas as idades com sonhos de realizar cruzeiros oceânicos que nos procuram para adquirir planos de um projeto para construção amadora. A classe já tem até casais com bebê morando a bordo, como mostramos na matéria publicada há pouco tempo, MC28 Vagamundo. Bebê a bordo.

Com dezenas desses barcos sendo construídos, ou navegando, nos mais diferentes lugares, não é improvável que, uma hora dessas, eles comecem a se encontrar nos ancoradouros dos lugares mais paradisíacos. Embora tenhamos outros barcos de nosso escritório sendo fabricados na costa oeste dos Estados Unidos, Dave é o primeiro que constrói um MC28 na região de Seattle.

O estágio final da virada do casco.

Trabalhando somente em suas horas vagas, Dave acredita que ainda levará uns dois anos para acabar a construção. Nós do escritório B & G Yacht Design vamos ficar bem felizes em saber que tem um MC28 navegando naquele verdadeiro paraíso que é a região de Puget Sound, Ilhas San Juan, e mais ao norte, de Vancouver no Canadá.

Dave nos informou que no seu estado não é fácil encontrar uma fundição que queira fazer uma quilha em ferro fundido, e nos pediu uma alternativa para fazer seu fin-keel.

Já tínhamos sido informados por nossos construtores de MC28 europeus que lá também ninguém quer fundir uma quilha de mil e duzentos quilos, que não é pesada o suficiente para dar um bom lucro, nem pequena o bastante para ser fabricada com a sobra de ferro gusa de outra peça maior.  

 

Casco já virado de volta ao galpão onde foi construído. (Se o navio do quadro é o Titanic, estamos confiantes que o barco do Dave deverá ter muito melhor sorte)

Para resolver esse problema projetamos uma quilha em caixa de aço para ser preenchida com chumbo, uma solução bem simples que pode ser construída em qualquer boa caldeiraria. A tampa desta caixa é uma chapa com 15mm de espessura onde os parafusos de fixação são atarraxados diretamente nela. Essa quilha é tão boa quanto a original, talvez até melhor, pois ficando com peso idêntico e centro de gravidade na mesma posição da de ferro fundido, acaba fazendo menos resistência, pois prescinde do bulbo em baixo. Oferecemos o plano da quilha alternativa ao Dave e ele gostou da idéia. Outra coisa que poderíamos ter sugerido seria a importação de uma quilha em ferro fundido fabricada no Brasil, mas desta vez preferimos não nos envolver e deixar isso para outra oportunidade.

Dave também nos pediu um plano vélico opcional com mais um metro de comprimento de mastro e com dois pares de cruzetas. Como ele não pretende atravessar um oceano pelos "roaring forties" em pleno inverno, e deseja competir em regatas tipo "club-races" em sua região, o fato de o barco ser cat. A de acordo com a norma de estabilidade para veleiros estabelecida pela União Européia (STIX), para ele não faz diferença, pois não pretendendo sair daquele golfo onde irá velejar, que é um verdadeiro mar interior, e onde os ventos predominantes são bem fracos, o barco ser um categoria B está bom demais. Afinal de contas quase a totalidade dos barcos de seu porte são categoria B.

Vamos aproveitar a oportunidade para oferecer aos futuros construtores de MC28 essa segunda mastreação com mais área vélica, desta forma ajudando o pessoal de Angra, Ilha Bela e outros lugares onde os ventos predominantes sejam fracos que também queiram fazer regatas locais. Mas a turma que quer fazer cruzeiro oceânico sempre deverá optar pela mastreação original, pois o barco não precisa provar que é um super-veleiro, capaz de vencer regatas de percurso, como a Recife/Fernando de Noronha, em sua classe, como fez o Makai na regata de 2008.

À medida que Dave avance na construção do interior e do convés, ao receber novas fotos, desejamos fazer novos artigos sobre esse MC28. Desde o início da carreira do projeto, sempre tivemos um especial carinho por essa classe e ver surgirem novos barcos em diferentes lugares é a maior remuneração por nosso trabalho que poderíamos esperar..

Dave, ajoelhado, e os amigos que o ajudaram na virada.

Clique aqui para saber mais sobre a classe MC28


A classe Multichine 26C alarga seus horizontes

Essa novidade veio de Ancara, Turquia, e vai animar muita gente por aqui que está construindo o MC26C. Nosso cliente Ömer Kircal, que está terminando a construção de um desses barcos naquele país, nos mandou uma sensacional seção de slides do seu praticamente concluído *Evrensel *(quer dizer universal em turco.)

Os slides são particularmente interessantes porque cobrem todas as fases da construção, desde a montagem de um abrigo improvisado feito com plástico vinílico, até a colocação de um forro no teto da cabine, usando espuma como isolante térmico.

Achamos as fotos super interessantes pelo seu conteúdo didático e as vimos repetidas vezes para absorver os detalhes de toda a construção. As legendas estão em turco, o que para nós é grego, mas para quê ler legendas com fotos tão ilustrativas.

Ömer, com a colaboração de sua esposa e amigos realizou um trabalho fantástico. Para nós do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) o trabalho da família Kircal é especialmente gratificante. Primeiro por ter achado os planos suficientemente claros e o roteiro bem explicado a ponto de ter realizado a construção sem requerer nenhuma ajuda extra de nossa parte, apesar de termos oferecido apoio quando sentisse alguma dificuldade. Além disso, o trabalho de Ömer e companhia é de altíssima qualidade. E para completar, que acabamento charmoso os Kircal estão dando ao barco! Esse barco todo estofado e decorado vai ficar um show de bola! As pastilhas no banheiro estão no limite da fantasia, mas como no mais o barco está rigorosamente dentro do projeto, o peso extra que elas representam é aceitável. Graças ao bom gosto e ao capricho da família Kircal, é difícil de acreditar que esta seja uma construção amadora.