Uma Opção Diferente, Viajar "COM" o seu Barco

Imagine vocâ pegar o seu barco de manhã e a tarde estar velejando em um local a 200 ou mais quilômetros de distância, ancorar em algum lugar para passar a noite, acordar no dia seguinte com calma, passear mais um pouco ou quem sabe simplesmente nadar e mergulhar e a noite estar de volta ao seu lugar de origem. Com o Pantanal 25 isso é possível.
Com a vida cada vez mais corrida nos dias de hoje é comum encontrar pessoas que por falta de tempo deixam de de passar mais tempo a bordo de seus barcos conhecendo outros lugares. É aí que entra uma opção diferente, viajar COM o seu barco e o Pantanal 25 é o modelo ideal para estas aventuras.

O Pantanal 25 pode ser transportadopara diferentes lugares por uma carreta rodoviária.

O Pantanal 25 foi projetado para ser um barco leve e fácil de ser transportado em um carreta rodoviária puxado por um carro médio. A quilha e os lemes podem ser ecolhidos diminuindo consideravelmente o calado. O mastro é rebatível na base e pode ser montado e desmontado facilmente por apenas uma pessoa, e também pode ser estocado apoiado em dois suportes acima do convés. Tão versátil que pode navegar onde tiver um mar, lago ou rio com calado suficiente.

Também é possível navegar em lugares mais rasos empurrado por um motor de popa com a quilha e os lemes levantados e o mastro rabatível permite a passagem por baixo de pontes. Duas características bem atraentes para quem pretende navegar e conhecer rios e lagos no interior ao invés de ficar somente preso a costa.

Sempre pensado na construção particular decidimos que o o método construtivo tinha que ser simples e ao alcance do construtor amador. O barco também tinha que ser leve para facilitar o transporte rodoviário. Decidimos então pelo processo de strip planking com espuma de PVC para a construção do casco, que não requer formas e pode ser constrído até em um galpão provisório no quintal de casa par quem tem esta facilidade.

Pantanal 25 Vega foi construído no quintal de casa em Buenos Aires.

Os strips de divinycel são colados uns aos outros sobre um conjunto de balizas provisórias e depois fibrados por fora. O casco então é virado de cabeça para cima e laminado por dentro para completar estrutura tipo sanduíche, bem forte e leve.

Pantanal 25 em construção na Austrália, balizas alinhadas e prontas para receber os strips de espuma de PVC.

As anteparas transversais e o restante do interior é montado logo a seguir dentro do casco. A construção do convés é semelhante a do casco, também é feito sobre um conjunto de balizas provisórias mas como as superfícies são mais planas usa-se painéis inteiros de placada de espuma de PVC ao invés do strip planking.

O interior é simples mas bastante aconchegante e funcional. Uma cama de casal na proa e dois sofás beliches na sala permitem que 4 pessoas dormam com conforto e ainda tem uma terceira cama sob o cockpit onde podem dormir mais um casal. A cozinha é compacta e bem arranjada com espaço para uma pia, o fogão de uma boca e um armário que pode ser transformado em uma geladeira.

O interior é simpes e bem aconchegante. Quatro pessoas podem dormir com bastante conforto e mais um beliche sob o cockpit permite que mais um casal possa passar a noite a bordo.

Demos uma atenção bem especial ao desenho do cockpit que bem amplo para facilitar a movimentação das pessoas e aumentar o conforto para quem está timoneando e os que estão sentado simplesmente curtido o passeio.

Pantanal 25 “ZIRDELI” na Turquia. O cockpit é bem amplo para facilitar na hora das manobras e oferecer conforto para a tripulação.

Além de todas estas facilidades o que mais empolga mesmo no Pantanal 25 é quando sobem as velas e o barco começa a velejar. A vela grande tem o topo retangular como os barcos modernos de competição, e nos ventos folgados pode-se subir um balão assimétrico generoso preso a ponta de um gurupés nas proa. A quilha tem um bulbo na ponta e quando abaixada tem as dimensões próximas a de um barco de regada permitindo que o barco aponte bem no contravento.

Pantanal 25 “DARK ICE” velejando em Santos.

Outra vantagem para quem tem um quintal ou uma boa garagem é poder guardar o barco em casa e fugir dos custos fixos de uma marina.

Clique aqui para saber mais sobre o Pantanal 25.


Pop 25 Solaris - Toques finais antes do lançamento

Solaris, o Pop 25 que está sendo construído no Clube São Cristóvão, o maior centro de construção amadora de veleiros do Rio de Janeiro, está quase pronto. Seu dono, Fernando Santos, está concluindo seu sonho de possuir um veleiro de cruzeiro oceânico capaz de realizar as viagens costeiras que sempre sonhou fazer um dia. Ele se apaixonou pelo conceito de veleiro de cruzeiro insubmergível, capaz de navegar por tempo indefinido em qualquer direção, utilizando apenas o vento e a luz como fontes de energia para se locomover.

O Solaris está praticamente pronto e logo deverá estar navegando. Fernando Santos, seu proprietário, pretende realizar cruzeiros ao longo do litoral brasileiro, e para isso está muito bem preparado. Foto: Murilo Campos de Almeida.

A classe Pop 25, com mais de cinqüenta barcos sendo construídos em doze países diferentes (por ordem alfabética: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Espanha, Hungria, Nova Zelândia, Portugal, República Tcheca, Turquia e U.S.A.) em pouco mais de dois anos desde que o projeto foi concluído, é um dos maiores sucessos da carreira de nosso escritório. Com barcos sendo construídos em tantos lugares diferentes fica uma grande curiosidade de parte da galera para saber como as obras vão progredindo. Para sorte da classe já existem cinco blogs de construtores de Pop 25 com links desde nosso site (Hayal, Horus, Rancho Alegre, Konquest e Splash) o que permite que todos possam acompanhar essas obras.
Recentemente divulgamos o lançamentos do Horus, o Pop 25 construído em City Bell , Buenos Aires, Argentina, que já está navegando no Rio da Prata . Agora parece que a bola da vez deverá ser o Solaris. Esse barco com certeza terá uma matéria especial sobre o seu lançamento, pois fomos convidados para velejar nele. Fernando incorporou bem o conceito do Pop 25, aceitando integralmente a proposta do projeto, a de ser um veleiro de cruzeiro oceânico. Afinal, com vinte e cinco pés de comprimento, possuindo três beliches de casal, tanques de água doce com 260l de capacidade e proporcionando a possibilidade de fazer a manutenção de fundo na variação da maré, graças às suas quilhas gêmeas e seu baixo calado, um barco assim não é muito fácil de ser encontrado.

Duas cortinas darão privacidade ao banheiro, isolando-o da cabine da cabine de proa e do salão, quando em uso. A idéia do fogão a álcool sugerido no projeto foi aceita por Fernando, assim como a do motor elétrico, tornando o Solaris um barco ecologicamente correto. Foto: Murilo Campos de Almeida

O Pop 25 foi projetado pensando no montão de gente que deseja ter um barco de cruzeiro de oceano e tem que se defrontar com o tabu que barcos offshore deste tamanho não existem. Como o mercado não oferece essa opção, o jeito foi projetar para construção amadora, permitindo que qualquer um com determinação possa construí-lo.
Esse foi o segredo para que tantos velejadores de tudo quanto é lugar tenham querido construir o Pop 25. Agora que o projeto está mostrando ser tudo aquilo que nos propúnhamos que ele fosse, muita gente nova está interessada no modelo. Como outros barco estão quase prontos, imaginamos que daqui para frente vamos ter muitas outras inaugurações para noticiar.

Fernando Santos já sonhando com o dia quando poderá ficar em pé no cockpit de seu barco dentro d’água. A targa com as placas solares é nossa aposta na propulsão auxiliar elétrica. Foto: Murilo Campos de Almeida

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25.


Multichine 34/36 Smoko - Construindo um barco para morar a bordo

Projetar veleiros de cruzeiro oceânico às vezes pode gerar histórias bem interessantes. Imagine como de outra forma seria possível uma equipe de yacht designers cariocas e um fazendeiro criador de alpacas em Dunedin, Nova Zelândia, se tornarem amigos? Esse é um dos muitos casos que aconteceram ao longo dos anos de nosso trabalho, quando o improvável acabou se transformando em uma bela história.

A comunidade de cruzeiristas de oceano é uma tribo facilmente identificável pelo seu estilo de vida. No geral são pessoas que não se importam à mínima com os padrões da sociedade, que trocam sem pestanejar um ambiente seguro e conhecido por uma vida de aventuras, fazendo a opção por morar a bordo e partir para grandes desafios, muitas vezes levando seus entes queridos, chutando para o alto as convenções sociais pelo menos por algum tempo. A história de nosso amigo neozelandês é um belo exemplo dessa atitude.

Howard Bennet, nosso cliente da Ilha do Sul que adquiriu o projeto do MC34/36, é dotado de uma determinação impressionante. Em um país onde mão de obra é muito cara, ele precisa contar com sua capacidade de trabalho para fazer praticamente tudo. Sua esposa, Noelle, é enfermeira, os dois juntando seus recursos para construir a nova vida. Como essa opção será a forma de viver na aposentadoria, esse é um caminho sem retorno. Smoko, o nome que deram ao barco, na gíria do país significa pausa para dar uma relaxada depois de um trabalho árduo.

Howard mantém um blog, http://www.nzcabinboy.blogspot.com, onde relata seus desafios na construção solitária do barco de seus sonhos. Ele até não atualiza as entradas muito regularmente, preferindo manter o foco no principal objetivo em vez de perder tempo contando suas experiências. Mas talvez por isso mesmo o blog tenha ficado mais interessante, relatando o que realmente ficou marcado na memória como mais relevante. Traduzimos um resumo de sua última postagem, onde relata a construção do interior e o início da fabricação da superestrutura, que publicamos em seguida:

Terminando o chapeamento do casco.

O layout do interior foi alterado para se adaptar à nossa realidade, que é a de ter apenas duas pessoas a bordo durante a maior parte do tempo, e só eventualmente ter convidados. Partindo desta premissa, decidi eliminar a parede que separa a cabine de proa do salão e adotar um arranjo mais aberto. O beliche de proa ficou mais alto do que os sofás da sala para facilitar seu acesso. Isso também aumentou o volume do compartimento sob o beliche. Como não há necessidade de um corredor de aceso à proa, decidi colocar o tanque d’água atravessado, próximo ao pé da cama. Ele será coberto por um estofado que irá permitir às pessoas se sentarem no salão em volta da mesa, que no nosso caso será desmontável.

No começo da obra de construção da mobília eu entrava no interior do barco pela plataforma de popa, galgava o espelho de popa e ia batendo com a testa nas estruturas transversais como se estivesse fazendo uma corrida de obstáculos tendo que passar por baixo das balizas. Definitivamente essa não era uma forma muito honrosa para se chegar ao salão. Por isso decidi me concentrar em construir o cockpit e a gaiuta de entrada antes de fazer qualquer outra coisa.

A carpintaria básica da cabine de popa já está quase concluída faltando apenas fazer os armários junto ao costado de bombordo.

Outro marco na construção foi o início do fechamento do convés de proa. Será necessário não perder tempo, pois preciso ter a superestrutura revestida de fibra de vidro antes desse inverno, pois o epóxi para impregnação da fibra de vidro não catalisa direito a baixas temperaturas.

Hoard e Noelle Bennet estão construindo um excelente MC 34/36

Smoko deverá estar navegando ainda esse ano. Howard e Noelle são muito competentes e estão fazendo um belíssimo serviço. Eles irão se juntar ao clube de construtores de MC34/36 onde existe uma galeria de barcos para ninguém botar defeito.

O interior do Arakaê, um MC34/36 construído em Foz do Iguaçu por Pedro Tremea.

Um casal, um barco, o céu e o mar. Serenata, o MC34/36 de Marcelo Brasil navegando no Oceano Atlântico, timoneado solenemente pelo piloto automático.

Como diz a canção: se tudo que é bom a natureza dá, pra quê que eu quero trabalhar...

Clique aqui para saber mais sobre o MC34/36.


Segundo Kiribati 36 quase velejando

Estamos contentes por anunciar que em breve a classe Kiribati 36 vai ter mais um representante velejando o oceano azul.

Kiribati 36 J-One.

O novo barco é chamado J-One, e está recebendo os retoques finais de uma construção precisa e perfeccionista em Porto Alegre, a mesma cidade em que o interior do primeiro Kiribati 36, Green Nomad, foi construído.

Jone e Vera acompanhando a construção do casco.

O J-One foi completado por nosso cliente Jone Martins ( sim, o nome do barco não é coincidência ) a partir de um casco construído pelo estaleiro Ilha Sul Construções Náuticas. A forte construção em alumínio, com chapas de 10 mm no fundo e 8 mm no costado, oferece a base perfeita sobre a qual construir um grande barco de cruzeiro oceânico irrestrito.

Cabine de pop.

A qualidade dos materiais e mão-de-obra oferecidos pelo estaleiro Ilha Sul foi equiparada pelo acabamento perfeito e instalações de qualidade feitas por Jone.

O J-One ainda não é um modelo feito com a segunda versão do projeto, o Kiribati 36 MK2, mas muitas das inovações já estão incorporadas, como a borda falsa incorporada na chapa superior do costado.

No arranjo de convés Jone escolheu a versão de mastração do Multichine 36 SK, e por dentro algumas mudanças também foram feitas em relação ao projeto.

Assim o J-One passa a ser um barco único, incorporando muitas características consideradas por Jone como necessárias para o seu barco dos sonhos.

Esta é uma da grandes vantagens da construção amadora ou semi-amadora: a possibildade de adaptar um barco às suas idéias quase que totalmente.

Jone optou por um arranjo diferente no banheiro, eliminando o acesso interno à área técnica e dessa forma abrindo a possibildade de ter um chuveiro com box totalmente separado. A qualidade da execussão foi soberba, como se pode ver abaixo.

Jone tambem decidiu fechar uma das passagens de acesso á sala de estar, criando assim uma cozinha em U, similar à do Multichine 36 SK, mas com as pias na mesma posição das do Kiribati 36.

Chuveiro com Box separado, um comforto extra.

No convés o uso de placas de anti-derrapante em EVA deixou um acabamento muito bonito.

Como o barco vai ser usado principalmente em regiões temperadas Jone não instalou todas as gaiútas de abrir especificadas no pilot house, mas a visão panorâmica foi mantida, proporcionando uma área agradável de trabalho na cozinha e mesa de navegação. Esta foi feita em nível elevado e voltada para a proa, conforme a versão original do projeto.

A construção foi minuciosamente efetuada, e este barco será uma verdadeira máquina de viagens oceânicas, seguro, eficiente e um prazer para se morar a bordo.

É tambem um barco fácil de manter, com a capacidade de encalhar nas marés para limpeza e reparos de emergência.

O Kiribati 36 Green Nomad no sêco na Bahia.

Clique aqui para saber mais sobre o projeto do Kiribati 36MK2.


Pop Star 21

Varias vezes quando estava andando ás margens do Rio Swan, em Perth, Austrália Ocidental, onde moro, ficava imaginado qual seria o barco ideal para aproveitar todo o potencial desse rio em termos de lazer. Para isso teria que possuir um veleiro versátil para explorar as diferentes possibilidades desse espelho d’água, teria que ser um barco simples para não perder muito tempo com preparação antes de ir para a água, ser rebocável para poder ser guardado em casa sem depender de marinas e poder ser levado para outros lugares. Acima de tudo teria que ser um barco gostoso e divertido de ser velejado, tanto em passeios com a família quanto em regatas. Enfim, um barco para brincar durante o dia e levar para casa no final da tarde.

O Pop Star 21 é um barco simples e versátil que proporcionará muita diversão para a tripulação.

Conversando com amigos de diferentes lugares e levando em conta alguns e-mails que recebemos de vez em quando, percebemos que muitas pessoas tinham necessidades semelhantes, fosse para velejar no mar perto da costa, ou em baías, rios e lagos. Foi então que recebemos a solicitação de um amigo argentino que gostaria de desenvolver uma classe com exatamente essas características que decidimos que era chegada a hora de fazer este projeto.

Começamos desenhado um casco multichine com linhas bem suaves, fundo plano e popa larga, seguindo a linha dos nossos projetos mais recentes, o Pop 25 e o Pop Alu 32. Deixamos a proa bem fina para cortar bem a água, e a linha de centro com pouca curvatura na popa para diminuir o arrasto e facilitar o planeio. Pensando na facilidade de construção o casco tem apenas 5 painéis, o fundo plano, os dois costados com pouco “flair” e um painel intermediário estreito para completar o conjunto.

O convés tem uma pequena cabine na proa que vai até o mastro. Serve principalmente para guardar material, mas pode se transformar em beliche para quem quiser descansar um pouco durante os passeios. A área mais valorizada do convés é o cockpit que se estende do mastro até a popa. O Pop Star 21 possui dois bancos laterais mais baixos e confortáveis para ser usados em passeios e dois acentos mais altos junto a borda para a tripulação poder escorar quando o vento estiver mais forte, ou quando quiserem aumentar o desempenho.

O convés tem uma pequena cabine na frente do mastro e muito espaço no cockpit.

A quilha pesa 110kg com 85% deste peso concentrado no bulbo para aumentar sua eficiência sem aumentar demasiadamente o peso. Ela pode ser suspensa e diminuir o calado para facilitar colocar e retirar o barco da água em uma rampa com a carreta de transporte. O pórtico para movimentação da quilha é removível para não atrapalhar a movimentação no cockpit quando estiver navegado.

Escolhemos instalar dois lemes laterais na popa para garantir a manobrabilidade e o controle mesmo nas condições mais difíceis. As pás dos lemes também podem ser suspensas para diminuir o calado e facilitar a movimentação com a carreta.

O leme e a quilha podem ser levantados para facilitar o transporte com carreta e permitir chegar a lugares rasos.

O plano vélico possui uma vela grande bem generosa, uma buja fracionada de 110% no estai de proa e um balão assimétrico saindo de um gurupés retrátil. Para quem desejar fazer passeios mais tranqüilos pode-se usar opcionalmente uma vela grande com menos área e suprimir o balão assimétrico. O mastro com um par de cruzetas é pivotável na sua base para permitir que o barco passe por baixo de pontes, importante para quem deseja navegar em rios, e pode ser retirado e guardado separadamente para facilitar o transporte com a carreta.

O plano vélico é composto de uma vela grande generosa, uma genoa e um balão assimétrico que sai da ponta de um gurupés.

Para quem deseja explorar regiões de baixo calado, passear por rios estreitos e rasos ou regiões onde a navegação a vela não seja possível, colocamos junto à ferragem da cana de leme um suporte para um motor de popa pequeno.

O método construtivo é em alumínio soldado com todas as peças cortadas por máquina de corte numérico, sendo os arquivos com as informações para o corte das peças fornecidos junto com o projeto. Depois de receber as peças cortadas uma pessoa com alguma experiência de soldagem pode montar e soldar todo o barco em algumas semanas.

A sequência de montagem é bem simples e linear.

Quanto ao nosso amigo na Argentina que nos incentivou a fazer o projeto, ele já iniciou a construção do primeiro barco que está com a parte metálica quase pronta, e será o primeiro de uma série que poderá chegar a 10 barcos para serem uma das atrações de um resort na região de Córdoba, onde navegarão em um belo lago entre as montanhas. Ele nos enviou algumas fotos da construção que podem ser visualizadas na pagina específica do projeto em nosso site. Também recebemos o video abaixo mostrando o primeiro barco já com a parte metálica praticamente pronta.

Início da construção do primeiro Pop Star 21 na Argentina.

Um segundo barco começará a ser construído em breve no Reino Unido. Por enquanto o proprietário está trabalhando em uma maquete seguindo todos os passos da construção para aprender e ganhar experiência antes de passar para o barco final.

Maquete do Pop Star 21 que será construído no Reino Unido. O proprietário decidiu fazer a maquete seguindo à risca todas as etapas da construção com a intenção de aprender antes de iniciar propriamente a construção do barco.

Se você está procurando um barco simples para passear com a família, ou um barco excitante de velejar com o máximo de desempenho, ou ter um barco fácil de montar e transportar para guardar em casa e levar para diferentes lugares, ou quer poder explorar lugares que você não chegaria velejando, ou talvez um pouco de tudo isso, o Pop Star 21 tem tudo para ser o barco que você está procurando.

Clique aqui para conhecer o projeto do Pop Star 21.


Pop 25 - Uma combinação perfeita

A propulsão a vela pode ser considerada como uma das mais importantes invenções da história. Foi principalmente por meio de navios a vela que o comércio prosperou na antiguidade, tanto no Oceano Índico, quanto no Mediterrâneo. Por esse tempo os povos que dominavam os mares também costumavam impor sua supremacia em terra. Ao descobrir a América, Colombo contribuiu para consolidar a civilização ocidental trazendo as riquezas das Américas para o velho continente. Magalhães foi o verdadeiro pioneiro da globalização com sua volta ao mundo, e os ingleses, os melhores velejadores de todos os tempos, dominaram o planeta impondo seu idioma como a língua universal graças ao seu incontestável domínio dos mares.

Navegação a vela perdeu toda a sua importância para o comércio, é verdade, mas passou a ser o meio de transporte preferido das pessoas que querem se aventurar pelos mares. Os veleiros são um sonho de consumo, mas o vento não é constante e sem um sistema de propulsão auxiliar confiável fica meio arriscado cruzar oceanos, com suas incertezas e perigos, especialmente o tráfego marítimo que não pára de crescer.
Quando projetamos o Pop 25 tínhamos como objetivo oferecer um barco de construção barata que pudesse navegar no oceano com o conforto e a segurança necessários para garantir o bem estar e a tranqüilidade de seus tripulantes. Para complementar a navegação à vela, poderíamos indicar um motor auxiliar a combustão, mas preferimos sugerir a instalação de motor elétrico capaz de utilizar a energia captada por painéis solares e gerador eólico. O Pop 25, sendo um barco projetado para ser ecologicamente correto, dessa forma ficaria dependente do vento e da luz para se locomover. Como diria Milton Nascimento, aonde tiver sol, é pra lá que eu vou...

O Pop 25 com suas velas e motor elétrico pode navegar em qualquer direção, esteja ventando ou não. Painéis solares, gerador eólico e eventualmente um hidrogerador fornecem a energia para ser utilizada pelo motor. O motor elétrico também tem a função de gerar energia enquanto o barco navega impulsionado pelas velas.

Motores elétricos são mais baratos do que os a explosão. Também são mais leves e compactos e sua instalação é bem mais simples. Por outro lado, como diz o ditado, não existe almoço grátis. Se a energia é infinita, em contrapartida as baterias são pesadas e volumosas. Quando projetamos o Pop 25 encontramos uma solução que resolveu essa questão de um modo bem prático. O banco de baterias foi colocado em um lugar estratégico, exatamente sobre a quilha laminada, e seu peso foi calculado para ser considerado lastro interno, esse peso sendo equivalente à diferença entre o peso de um motor diesel dimensionado para o Pop 25 e o elétrico equivalente. Dessa forma o barco ficou com seu deslocamento inalterado.

No caso de um dos motores sugeridos para o Pop 25 a energia que pode ser acumulada nas baterias é suficiente para uma autonomia de até oito horas de uso contínuo no modo econômico (24V) a uma velocidade de mais ou menos quatro nós. No modo de alta performance (48V) essa autonomia despenca para uns 45 minutos com aproximadamente 1.5 nós de aumento de velocidade.

Na curta carreira do projeto, pelo menos um de nossos clientes já vestiu a camisa da propulsão auxiliar elétrica, adquirindo o motor Electroprop 5.5kW fabricado na Califórnia, USA. Nosso cliente importou o motor, que já está instalado em seu veleiro, o Solaris. Esse barco está em fase de acabamentos finais no pólo de construção amadora do Rio de Janeiro, o Clube São Cristóvão. Seu construtor, Fernando Santos, nos ajudará a demonstrar a superioridade dessa escolha. Afinal poder navegar em qualquer direção por tempo indeterminado, em quase absoluto silêncio, sem precisar de combustível fóssil para isso é nossa aposta sobre como será o veleiro de cruzeiro do futuro.

O Electroprop 5.5kW já instalado no Solaris, um Pop 25 que está sendo construído na cidade do Rio de Janeiro. Cortesia: Fernando Santos

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Maitairoa, o barco desenhado e construído para o "day after"

Roberto Barros

Foi revelado no final de 2013 o discurso que a rainha da Inglaterra tinha pronto para ser lido sobre a terceira guerra mundial. Esse discurso havia sido escrito há exatamente trinta anos, o tempo que documentos estratégicos perdem o status de segredo de estado no Reino Unido. Naquele momento a guerra fria atingia seu clímax e o planeta estava ao alcance de um apertar de botão para ser inexoravelmente destruído pela estupidez humana. Isso é história, mas felizmente surgiu uma luz no fim do túnel e a catástrofe não se materializou.

Era inevitável que esse clima tão sombrio pairando sobre os espíritos da população mundial tivesse uma influência no comportamento das pessoas daquele tempo. Como reflexo dessa insegurança alguns construíram abrigos nucleares para usufruir um pouco mais a vida depois de o pior ter acontecido, esperando poder levar seus entes queridos e o que mais prezavam para esses abrigos. Outros preferiram torrar seu patrimônio e aproveitar a vida enquanto era tempo.

Essa foto foi tirada a umas duas mil milhas a leste da Patagônia, mais ou menos na latitude de Mar Del Plata, durante uma calmaria. Colocamos o caíque na água e nosso tripulante Roberto Allan Fuchs afastou-se do barco para tirar a fotografia. Sou eu quem está no leme e Eileen está a meu lado.

Minha própria história, no entanto, teve um foco diferente. Construí um veleiro oceânico que poderia velejar por meses seguidos sem precisar ser abastecido, de forma que minha família e eu pudéssemos desfrutar de algumas semanas a mais fazendo o que mais gostávamos: velejar na imensidão do oceano. Morávamos na cidade do Rio de Janeiro, um lugar que por estar fora do centro da disputa política provavelmente teria alguns dias a mais de sobrevivência. Mantinha o barco permanentemente abastecido para seis meses em alto mar e meu plano era navegar rumo ao Oceano Austral, mantendo contato com o que tivesse sobrado do mundo exterior, se ainda chegasse algum sinal, por meio de um receptor de ondas curtas e do rádio SSB de bordo. Para mim aquele era um plano emocionante! Estaríamos gozando a vida um pouco mais enquanto talvez bilhões de seres humanos estivessem morrendo. Quando chegasse nossa hora, se chegasse naquela ocasião, teríamos um sorriso irônico em nossos rostos, sendo provavelmente uns dos últimos a conhecer a história de como teve fim a vida em um planeta azul destruído pela arrogância de uma espécie que colocava interesses egoísticos acima de qualquer coisa. Então porque não dançar conforme a música, se aquelas eram as regras do jogo?

De certa forma éramos pioneiros no processo de globalização. Sou brasileiro, minha esposa Eileen é inglesa, e minha filha Astrid é uma nativa das ilhas dos mares do sul, pois nasceu em Tahiti, quando em 1969 estávamos realizando um cruzeiro pelo Pacífico, tendo partido dois anos antes do Rio de Janeiro em um barco de 25 pés sem motor auxiliar. (Essa história é contada no livro “Do Rio à Polinésia” o primeiro de aventura náutica escrito por autor brasileiro). Tínhamos sentido o gostinho da maçã proibida, a sensação de liberdade proporcionada por nosso estilo de vida.
Ser carioca eu considerava um privilégio. Afinal o Rio é um dos lugares mais bonitos do mundo, onde montanhas cobertas de floresta tropical se juntam ao mar, formando lindas praias nesse encontro, como Copacabana e Ipanema, os berços da Bossa Nova e onde o bikini fio dental foi inventado. Na verdade não queríamos ir embora, mas só imaginar esse lugar tão privilegiado sendo retorcido por explosões nucleares seria intolerável.

Maitairoa, o barco projetado para ser à prova de explosão nuclear, no estado em que se encontra nos dias de hoje, trinta anos após seu lançamento. Cortesia: Sandra Sautu

Em junho de 1983, Maitairoa, o veleiro de cruzeiro construído para o “day after”, foi lançado ao mar na Marina da Glória, a marina municipal próxima do centro da cidade. Meu sonho afinal se tornara realidade. Desejávamos que nossas preocupações em relação ao apocalipse fossem pura fantasia, e que a guerra nuclear nunca iria acontecer, mas por via das dúvidas nos sentíamos preparados para o pior. Como o pior não aconteceu, o prêmio pelo esforço de ter construído o barco preparado para o juízo final foi possuir um veleiro pronto para ir a qualquer lugar. E o Maitairoa nunca nos decepcionou.

Em fevereiro de1985, quando a Guerra fria já não estava mais tão fria assim, a família resolveu tirar proveito do trabalho de ter construído o barco acima de qualquer suspeita. Decidimos cruzar o Oceano Atlântico do Rio até Cape Town, onde mora a irmã de Eileen, mas agora com os espíritos bem mais leves. Maitairoa significa “tudo bem” em polinésio, uma das primeiras palavras que aprendemos quando moramos em Tahiti na década de sessenta, e não é que o barco sempre fez por merecer esse nome?
Na travessia de ida, a primeira a ser realizada por um veleiro de recreio com bandeira brasileira, fizemos a volta completa da ilha Inaccessible, uma experiência tipo livro de ficção de Julio Verne. Passamos tão perto do povoado de Edimburgo dos Sete Mares, em Tristão da Cunha, que deu para acenar para um local que estava trabalhando na plantação de batatas e receber sua retribuição ao aceno. Só não ancoramos porque o barco, um veleiro de dupla proa praticamente incapaz de planar, estava surfando a sete nós em árvore seca.

Em Cape Town passamos dois meses na casa da cunhada, deixando o barco estacionado no Royal Cape Yacht Club. Como chegamos de madrugada e não tínhamos avisado sobre a viagem com a intenção de não deixá-la preocupada, quase a matamos de susto telefonando altas horas da matina dizendo que estávamos lá.

Depois de umas férias adoráveis já era mais do que urgente empreender a viagem de volta. Afinal era o ano do vestibular de nossa filha Astrid, e na melhor das hipóteses estaríamos de volta em maio. Na ida tivemos a companhia de dois amigos, Max e Mário Hammers, que tiveram de voltar de avião por compromissos de trabalho. Agora então a tripulação era apena a família, mais a gata Mimi, o que para um veleiro de trinta pés era um número de passageiros mais adequado. Se a ida havia sido dura e cansativa, a volta foi um passeio, um sonho para qualquer cruzeirista. Passamos uma semana inesquecível na ilha de Santa Helena, um lugar surpreendente por sua beleza, sua história, e seu relativo isolamento, pois naquela época ainda não tinha aeroporto. De Santa Helena partimos para a perna final da viagem, passando colado a Martim Vaz, aquelas pedras no meio de lugar nenhum achadas com precisão pelo sextante de plástico Davis, o instrumento que tínhamos para determinar nossa posição, pois GPS em 1985 ainda não existia. Depois foi uma estirada curta até Trindade, quando também passamos raspando às ostras, achando o lugar tão exótico que prometemos voltar lá em breve.

Chegando ao Rio, não conseguíamos nos esquecer das aventuras fantásticas que tínhamos vivido a bordo, e em umas férias não muito distantes de nosso retorno, saímos rumo à Ilha da Trindade, o lugar que prometêramos voltar, de lá seguindo para Salvador, voltando ao Rio com uma escala inesquecível no Parque Nacional de Abrolhos, onde passamos a maior parte do tempo em baixo d’água.

A próxima grande aventura foi uma viagem rumo ao Oceano Austral, quando o Maitairoa sofreu um encalhe em uma remota praia das Ilhas Falkland/Malvinas, sobrevivendo inteirinho, um episódio digno de uma novela de Jack London. Os acontecimentos nessa ocasião foram tão inusitados, que ao retornar, com a ajuda do amigo Roberto Allan Fuchs, tripulante nessa expedição, escrevemos a quatro mãos o livro: “As Fantásticas Aventuras do Maitairoa”.

Em uma noite de tempestade, empurrado por uma forte corrente de maré, o Maitairoa encalhou em uma praia deserta no arquipélago das Falkland/Malvinas.

O encalhe gerou uma operação de salvamento emocionante. Com a ajuda do exército britânico, das autoridades locais e do pessoal das fazendas, o barco flutuou de novo praticamente sem sofrer qualquer dano.

Vestígios da guerra. Eileen sentada na grama, Roberto Fuchs, eu, uma policial inglesa que ficou nossa amiga e Astrid tendo ao lado um campo minado. Os pingüins são muito leves para detonar as minas. Forma radical de preservar o meio ambiente!!!

Depois do acidente o barco empreendeu uma viagem de três mil milhas sem escalas de Port Stanley até o Rio de Janeiro, tendo ocorrido nessa passagem uma colisão frontal com um cachalote sem causar dano algum ao Maitairoa.

De volta à rotina, ficou evidente que eu precisava trabalhar mais e viajar menos para garantir a sobrevivência da família, e foi então que foi fundado o escritório Roberto Barros Yacht Design. Em 2007, quando a firma foi transferida do Rio de Janeiro para Perth, Austrália Ocidental, foi que o nome da empresa foi trocado para B & G Yacht Design.

Calypso, a filha de nossa amiga Sandra, foi concebida na ilha grega onde Ulisses iniciou a odisséia. Maitairoa é o lugar que ela pode chamar de lar. Cortesia: Sandra Sautu

O barco de sete vidas agora estacionado em uma marina na Riviera Francesa. Cortesia: Sandra Sautu

Sandra deixou o Rio De Janeiro a bordo do Maitairoa com destino ao Mediterranean, e agora vive na França em comanhia de seu casal de filhos, Calypso and Sansom. Cortesia: Sandra Sautu.

A necessidade de estar sempre experimentando novas idéias nos fez vender o Maitairoa para tentar um novo projeto, o MC28, o qual também pretendia construir um para uso da família, incorporando ao projeto algumas lições que o velho de guerra Maitairoa havia nos ensinado. O barco foi vendido para uma boa amiga nossa, a física argentina Sandra Sautu, a qual empreendeu uma longa viagem com ele, indo para o Caribe, Açores e Mediterrâneo. Depois de passar um tempo em Trieste, onde trabalhou em um conceituado laboratório de física, navegou para a Riviera Francesa, onde mora a bordo até os dias de hoje em companhia de um casal de filhos, nascidos a bordo e ninados pelo balançar das ondas.

O novo barco, o MC28 Fiu, tornou-se um dos maiores sucessos da carreira de nosso escritório, mas o Maitairoa será sempre lembrado por nossa família como o barco projetado para o “day after”.


Pop Alu 32: Um veleiro seguro e com espaço comparável a um 36

Novidades na carreira do projeto Pop Alu 32. O primeiro casco já pronto foi vendido pelo estaleiro Ilha Sul construções Náuticas de Porto Alegre para um cliente de Santa Catarina, que vai levá-lo com apenas o motor instalado para terminá-lo próximo de casa.

Este casco em breve estará em Santa Catarina

A unidade de Córdoba, Argentina, do nosso cliente Walter Baitella, deve iniciar construção em seguida, pois Walter está afinando todo o seu aparato de construção de forma muito séria, construindo duas unidades do nosso outro desenho Pop Star 21. Quando estas ficarem prontas o Pop Alu 32 deve entrar para esta verdadeira linha de produção de veleiros de alumínio.

Irmão menor, o Pop Star 21 quase pronto em Córdoba, Argentina

Como o Pop Alu 32 é um conceito inovador, tal como seu irmão menor, o Pop 25, gostamos de avaliar todos os ângulos do projeto, e recentemente fizemos uma simulação com um programa novo de computador de como ele se comporta ao adernar, o que obviamente já havia sido feito para os cálculos de estabilidade, só que desta vez o programa nos permitiu gerar imagens muito interessantes.

O resultado nos deixou ainda mais confiantes nas qualidades do projeto.

Nota: O modelo do casco está simplificado para uso em cálculos hidrostáticos. O costado prolonga-se até o fim da plataforma de popa no casco real.

As imagens dizem tudo. O barco não modifica o trim consideravelmente, e os lemes mantém sua eficiência em qualquer situação considerada normal em navegação.

Como se pode ver na figura mostrando o barco adernado 50 graus, a proa não está enterrada e o leme de sotavento ainda tem grande eficiência.

Outro ponto que nos agrada muito é a ótima estabilidade, com uma curva de estabilidade que mostra uma área dentro da parte de estabilidade positiva muito maior do que a área dentro da parte de estabilidade negativa. Para quem gosta de números, ela é quase 14 vezes maior. Para se ter uma noção do que isso representa, regras de regatas internacionais como a IMOCA 60 exigem que esse valor seja superior a 5.

O ângulo de estabilidade máxima também está acima da média encontrada na frota de veleiros de cruzeiro produzida em série atualmente.

A estabilidade inicial também é bem elevada, significando que o barco irá navegar pouco adernado na maioria das situações.

O espaço interno deve pouco a um veleiro de 36 pés, devido a sua forma de casco com grande volume.

Grandes tanques de água e uma área de estar com muito conforto

Interior luminoso e aconchegante

Aliado a este espaço interno que permite um grande conforto, outra característica que será um bônus para os donos do Pop Alu 32 será a possiblidade de encalhar o barco numa praia para fazer limpeza do fundo e manutenção, devido às duas quilhas que servem como um berço para o barco.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop Alu 32


Pop 25 - Um veleiro projetado para o futuro

Roberto Barros

Imagine uma família que construiu um veleiro de vinte e cinco pés no jardim de casa durante os fins de semana levando mais ou menos uns dois anos para realizar a obra. Quando ficou pronto, o barco foi levado para o clube para ser batizado. Depois de um pequeno e bem humorado discurso e ser quebrada a tradicional garrafa de champagne na quilha, quando o guindaste o colocou na água flutuou melhor do que o esperado, deixando o bico de proa e o espelho de popa bem acima da linha d' água. Nessa hora, para glória dos donos, todos os amigos convidados para o tão aguardado lançamento bateram palmas.

Horus, o primeiro Pop 25 a ficar pronto, no dia de seu lançamento. Cortesia: Daniel D' Angelo

De volta para casa começou o planejamento para o sonhado primeiro cruzeiro em família. Poucas semanas depois de ter realizado o primeiro teste de mar chegou o grande dia de soltar as amarras e sair mar a fora. A grande novidade desta história foi não ter precisado abastecer tanque algum com combustível. O banco de baterias abastecido pelos painéis solares estava carregado até o gogó. Para não dizer que era zero a quantidade de combustível levada a bordo, um pequeno camburão com etanol levava uma reserva para o fogão a álcool.

A boa surpresa foi que o barco flutuou melhor do que se esperava, mal tocando na água. Cortesia: Daniel D' Angelo, veleiro Horus, La Plata, Argentina

A primeira velejada nunca se esquece. Quando a proa começou a formar um bigode na proa e o barco acelerou impulsionado pela brisa, todos os cabelinhos dos braços ficaram arrepiados e a sensação foi de êxtase. O veleirinho, como que querendo conhecer o mundo para além de seus domínios, procurou mostrar a seus donos toda sua capacidade. Quase sem adernar e avançando a boa velocidade o barco caminhava em direção ao destino, deixando a tripulação em estado de graça. Depois de tanto tempo somente sonhando, e agora podendo entrar e sair da cabine, tomar banho de sol no cockpit, ouvir som stereo em auto-falantes instalados sob a targa, ver a paisagem passar corrida, tudo isso era a realização de um desejo acalentado por tanto tempo.

A primeira velejada é para não ser esquecida. Com vento de oito nós o Horus navegava a quatro nós. Cortesia: Daniel D' Angelo, veleiro Horus, La Plata, Argentina.

Com o cair da tarde o vento foi perdendo intensidade até acabar completamente. Então foi só apertar um botão e sem o mínimo ruído, o barco timoneado pelo piloto automático continuou avançando no rumo desejado com a mesma velocidade que navegara antes, impulsionado pelo motor elétrico auxiliar. Uma vez chegado ao destino, foi só pisar em um pequeno pedal para que âncora e corrente caíssem em alguns segundos, proporcionando uma perfeita ancoragem. Então o barco já não era mais um veículo, mas sim um pequeno lar flutuante. Apesar de ser uma noite quente de verão, a temperatura dentro da cabine se mantinha bem agradável, graças ao especial isolamento térmico, marca registrada do projeto.

Enquanto o jantar ia sendo preparado, os tripulantes se socializavam na confortável salinha muito bem iluminada por lâmpadas LED embutidas no forro do teto. Na hora da refeição uma mesa desmontável, ampla o suficiente para quatro pessoas, foi instalada no corredor do salão.

As acomodações internas do Pop 25 são comparáveis às de barcos com dois ou três pés a mais. Uma cortina separa a cabine de proa do banheiro e outra separa o banheiro do salão.

Antes de o sono chegar, todo mundo foi para o cockpit a fim de apreciar uma noite estrelada típica de verão, o papo se estendendo até altas horas. Finalmente quando bateu aquele sono, conseqüência de um dia longo com muitos acontecimentos, os dois filhos escolheram seus beliches de cada um dos lados do cockpit, enquanto o casal se instalava na cama de proa isolada do resto do barco por uma cortina descida sobre a cabeceira. Se fossem três casais, todos teriam suas camas de casal, pois os beliches de popa também são desenhados para duas pessoas.

Depois do café da manhã nossa feliz família saiu para nadar e mergulhar. Foi então a plataforma de popa com mais de dois metros de largura com sua escada de mergulho que brilhou intensamente.

Quando o vento da tarde entrou já estava em boa hora de se preparar para a volta. Com as baterias parcialmente recarregadas pelo sol da manhã, içar a âncora foi novamente um trabalho de pisar em um pedal embutido no convés. De novo navegando, enquanto o barco ia avançando à vela, a função regenerativa do motor elétrico ia completando o carregamento das baterias, tudo isso sem requerer trabalho algum.

O cockpit do Pop 25 é bem amplo. Seis pessoas encontram lugar para sentar sem se sentirem espremidas. Cortesia: Daniel D' Angelo, veleiro Horus, La Plata, Argentina.

Depois de um uso intensivo, um dia o barco já estava precisando de uma raspagem de casco para retirar cracas que começavam a infestar o fundo, afinal os órgãos ambientais só permitem fazer tintas anti-incrustantes com formulações que não sejam prejudiciais à saúde das mesmas. Foi então utilizada a mais atraente característica do projeto, a possibilidade de deixar o barco em seco apoiado em suas quilhas gêmeas, que esse problema tão angustiante para os donos de outros veleiros de quilha fixa, foi resolvido de uma forma de deixar muito cruzeirista com água na boca.

Poder fazer manutenção de fundo pelo proprietário na variação de maré é a solução para a escassez de pátios, sendo uma boa forma de evitar os preços exorbitantes cobrados pelos prestadores de serviço. Essa é uma das características mais desejáveis do Pop 25.

Essa parte da história relata o final feliz de uma empreitada bem sucedida. Para receber esse prêmio teve muito trabalho realizado antes. No entanto o desafio não foi muito difícil de ser superado. Construir um Pop 25 é bem diferente de construir outros barcos igualmente projetados para construção amadora, e como está sendo constatado, de uma maneira geral mais simples e gratificante, a começar pela ajuda de um roteiro muito bem ilustrado que explica passo a passo como realizar a construção.

A primeira fase da obra é se construir doze anteparas ou semi-anteparas em bancada, todas elas bem simples de serem feitas, havendo vasta explicação, tanto nas plantas, como em ilustrações apresentadas no roteiro, de como fabricá-las. Essa fase representa alguns dias de trabalho, e é tão agradável que produz um efeito fantástico, capaz de levantar o moral do menos otimista dos construtores. Desse ponto em diante a construção continuando nesse nível de dificuldade, a vitória estaria garantida.

O trabalho começa com a fabricação em bancada de doze anteparas ou semi-anteparas que dão forma ao barco, têm papel estrutural e ainda constituem a parte transversal da divisão interna. Cortesia: Petr Novack, construtor amador de um Pop 25 na República Tcheca.

A fase seguinte, a construção do casco, é mais sedutora ainda. Para fazer a montagem basta colocar as anteparas antecipadamente construídas em bancada na posição vertical, uni-las com sarrafos que se encaixam em entalhes também pré-fabricados em bancada e revestir com compensado. Nessa altura a febre de ver o casco concluído é quase incontrolável e num piscar de olhos nossos construtores terminam essa fase já se sentindo os felizes proprietários de um imponente iate oceânico.

Mas a construção do Pop 25 esconde um grande segredo. Existe uma sensível diferença entre a maneira de construí-lo e aquela usualmente empregada em outros projetos. Essa diferença é a parede dupla dos costados, o segredo da robustez e do isolamento térmico do modelo. As pessoas só se dão conta de quanto essa solução torna o barco robusto quanto um tanque de guerra no dia em que o casco é virado de cabeça para cima e se descobre durante a operação da virada que ele não se deforma um mísero milímetro.

O casco do Pop 25 é o sonho tipo " faça-você-mesmo" de qualquer construtor amador. As paredes laterais são verticais e o fundo é plano no sentido transversal. Cortesia: Francico Aydos, veleiro Rancho Alegre, Porto Alegre, RS.

O grande lance do Pop 25 é esse sistema de construção com costado e superestrutura duplos. A resistência à deformação fica incomparável, além de proporcionar um isolamento térmico sem paralelo. Esse método construtivo é o equivalente ao sistema de construção em sanduíche de fibra de vidro, porém mais barato e fácil de ser feito. Cortesia: Marcelo Schurhaus, veleiro Konquest, Santa Catarina

Quando o casco é virado de cabeça para cima, a nova etapa da obra gera um nível de adrenalina difícil de ser controlada. Afinal já se tem um barco que flutua e até mesmo pode navegar com a ajuda de um longo remo. Então se existia alguma resistência quanto às despesas que a construção vinha acarretando, nessa altura do campeonato todos na família passam a desejar contribuir para que o barco fique pronto sem demora. Por essa época o casal começa a se preocupar com a instalação da cozinha e a decoração interna, enquanto os equipamentos começam a ser adquiridos como se todo dia fosse dia de Natal. O interior vai adquirindo um aspecto de casinha e aí fantasia e realidade praticamente não se distinguem. Talvez essa seja a fase de maior empolgação de toda a construção, e por causa do sistema construtivo, onde toda a parte transversal do arranjo interno foi pré-fabricada em bancada, em um piscar de olhos o interior está concluído.

Construir o interior do barco é muito rápido. Como as anteparas transversais fabricadas em bancada já fazem parte da divisão interna, o trabalho se limita a instalar os painéis longitudinais. Cortesia: Marcelo Schürhaus, veleiro Konquest.

A última fase da obra, fabricação da superestrutura e acabamentos finais, é quando a ansiedade toma conta dos espíritos. Todos os envolvidos já querem ver a luz no fim do túnel e então parece que a obra começa a se arrastar. É possível que nessa etapa seja cometido algum pequeno pecado com a intenção de cortar caminho, tipo dar uma demão de verniz a menos do que o programado, com a promessa que aquela falha será consertada mais adiante na primeira manutenção. Mas então a confiança na capacidade de terminar a obra já é total.

A fabricação da superestrutura é semelhante à construção dos costados. Ela também possui parede dupla preenchida com espuma para isolamento térmico. Cortesia: Müntaz Karahan, veleiro Hayal, sendo construído na Turquia.

O Pop 25 é um projeto recente. Em pouco mais de dois anos desde seu lançamento já são cinqüenta e um construtores em doze países diferentes, e o Horus, primeiro veleiro da classe a estar navegando, vai demonstrando que o barco é tudo o que se esperava. Como outros Pop 25 em construção estão ficando prontos em diversos países, breve a classe deverá estar estabelecida internacionalmente. Essa foi a contribuição do escritório B & G Yacht Design para tornar a vela de cruzeiro oceânico mais acessível a pessoas que sonham com a vida de cruzeiro, mas que não têm a disponibilidade de deixar um cheque de algumas dezenas de milhares de dólares nas mãos de um corretor durante um salão náutico. Além do mais é um barco desenhado para o futuro, com quase zero de pegada ecológica, talvez mesmo tendo saldo positivo de emissão de carbono, uma vez que a madeira utilizada na construção, sendo plantada, representa carbono retirado da atmosfera.

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MC 26C Evrensel - Velejada alegre no Mar de Mármara

Nosso cliente Ömer Kirkal está tendo bons momentos a bordo do Evrensel, o Multichine 26C que construiu em Istambul, Turquia. Publicamos há uns quinze dias um artigo contando como nosso amigo estava contente por ter construído e agora estar navegando com seu barco. Dessa vez ele nos mandou um vídeo que é uma delícia de ser visto, demonstrando como ele está curtindo seu veleirinho. Aproveitamos para cumprimentá-lo pela edição do vídeo. Não é que ele conseguiu colocar a trilha musical em sintonia com o ritmo das ondas? A expressão de absoluta felicidade dos seis tripulantes, um deles sentado na entrada da gaiuta principal e os outros cinco muito bem instalados no cockpit, também nos deixou muito bem impressionados.

Afinal é isso que velejar significa, não é mesmo? Publicamos uma nota no Face Book mostrando esse vídeo e pouco tempo depois estávamos recebendo um comentário de Rui Jorge, outro proprietário de um MC 26C, o Xangô, igualmente uma construção amadora, essa obra tendo sido realizada no pólo de construção amadora localizado no Clube São Cistóvão, Rio de Janeiro, contando que no último fim de semana velejava de Mangaratiba para a Ilha Grande quando foi assolado pela violenta frente fria que acabou de passar por nossa região, e que o barco velejou de buja e grande rizada, quase sem adernar, chegando a fazer 9.8 nós no GPS sem que ninguém estivesse sentindo desconforto a bordo.

Xango é um MC26C construído no Rio de Janeiro por nosso amigo Rui Jorge, um amador que nunca construíra um barco antes. Todos que visitam o Xangô se impressionam ao constatar como ele é bem feito.

É agora com a inauguração dos primeiros MC 26S que a classe está começando a ser mais conhecida. É de se esperar que baseado no entusiasmo de nossos clientes pelo modelo, cedo a classe a se torne um dos nossos projetos favoritos.

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Pop Star 21 já em construção

Já está em avançada fase de construção o primeiro casco do nosso novo projeto Pop Star 21.

A primeira unidade está sendo construída por nosso cliente e amigo Walter Baitella, de Córdoba, Argentina, que também foi o primeiro cliente do projeto Pop Alu 32.

Walter é um arquiteto especializado em construir resorts e em seu último projeto, o Hotel de Piedra Los Molinos, que está sendo construido em frente a um lago, uma flotilha de Pop Star 21 irá oferecer lazer de alto nível com velejadas num barco de concepção moderna e arrojada.

Hotel de Piedra Los Molinos, em Córdoba, Argentina (www.hoteldepiedralosmolinos.com)

O Pop Star 21 foi concebido para construção em alumínio com um projeto eletrônico de última geração que fornece arquivos de corte CNC para todo o barco.

Com sua quilha e lemes retráteis ele se adapta bem a lagos, rios e represas com baixo calado e pode ser rebocado num trailer com facilidade. Cruzeiros costeiros e em baías abrigadas com segurança são garantidos pela construção selada do fundo do cockpit, com flutuabilidade garantida mesmo em caso de alagamento.

A construção em alumínio garante robustez e facilidade de manutenção e deverá proporcionar sensações de velocidade e muita adrenalina em ventos fortes sem medo de quebras, ou ótimo desempenho em ventos fracos devido a seu plano vélico esportivo generoso.

Um plano vélico mais moderado e econômico também foi previsto para quem quiser velejadas mais relaxadas.

Estamos tendo a satisfação de ver uma nova classe aparecer na Argentina com grandes possibilidades na vela de competição ou em velejadas rápidas e camping náutico, e com unidades do projeto já vendidas no Brasil o mesmo deverá ocorrer aqui em breve.

O lançamento oficial do projeto só depende da finalização do material descritivo para a página da internet, uma vez que o projeto em si está inteiramente concluído.


Multichine 28 Bagual - A história

A História começa há algum tempo atrás, mais efetivamente a cinco anos. Estava na casa de meu amigo Alexandre mostrando para ele o website de um escritório de Yach Designer chamado B&G, propriamente sobre um projeto do velejador e projetista Cabinho já nosso conhecido por livros. O entusiasmo era tanto na frente do meu amigo que ele me disse: - Gaúcho (meu apelido depois que mudei para São Paulo) porque tu não compra logo este projeto já que tu fala dele a tanto tempo, começa logo este negócio, tá esperando o que?

Estava falando sobre o Multichine 28 e foi ali, naquele momento que firmei palavra: - pois é o que vou fazer, se tu quer saber, vou comprar este projeto e depois vejo o que vou fazer e como vou fazer... e, tem mais, tu vai ser o padrinho do barco e vai dar o nome ao mesmo...

Durante a semana entrei em contato com o escritório e adquiri o projeto, pagando com cartão de crédito... dinheiro eu não tinha mesmo... bem que esperava receber um monte de plantas mas o escritório me mandou o projeto em PDF devidamente chancelado a permissão para a construção de uma unidade com o meu nome gravado no quadro identificativo da planta.
Daquele momento, depois de tanto navegar pelo web do escritório, comecei a degustar e apalpar um sonho que de imaginação começava a virar realidade.

- Agora vai, pensei e ouvi do meu amigo padrinho...
Durante um tempo fiquei assim, pensando em como executar o projeto... imaginava construir todo o veleiro desde o inicio, pensei em alugar uma pequena sala em uma galeria no centro de São Paulo e construir as seções para depois levar o material e montar o picadeiro em outro lugar... logo desisti de tal ideia pois pretendia trabalhar após as 18 horas e, além de apertado os vizinhos certamente iriam reclamar do barulho à noite...
Fiquei pensando bem uns vinte dias em como fazer... Comecei consultar alguns estaleiros e prestadores de serviços dos quais, alguns obtive resposta negativa para o proposto pois queria um KIT, outros estaleiros propuseram orçamentos absurdos que meu dinheiro não alcançaria nem pro inicio outros se quer responderam minha consulta... bom, isto desanimou um pouco mas eu tinha meu amigo para já dividir via skype as noticias do andamento “ou não” do veleiro e das primeiras aflições e alegrias...
Resolvi construir o veleiro basicamente por dois motivos. O primeiro é porque eu queria ter nas mãos algo que eu realmente conhecesse e soubesse das qualidades e possibilidades que o barco me permitiria. O outro motivo foi o financeiro a ideia de ir dispondo do dinheiro em parcelas me agradava. A questão financeira é bem interessante e o veleiro pode ser construído com qualidade e muita economia. O preço final vai variar do que pretende o proprietário, mas dá para fazer um MC28 pelo mesmo valor de um carro médio de bom porte. Se a pessoa trabalhar construindo seu barco e buscar alternativas fora do fantasioso e absurdo sistema náutico brasileiro (aquele que se você tem barco você é rico e otário - sim a palavra é otário porque mesmo sendo rico você tem que ser otário para consumir certos preços) vai conseguir um excelente veleiro a um preço justo e alcançável.

Mas voltando o assunto para a construção foi que efetivamente passei a pensar muito em como fazer para efetivar o projeto, a coisa não estava desenrolando e aquilo começou a soar na minha cabeça a todo momento e a toda hora. Estava em um momento destes, na frente do computador imaginando uma alternativa, pois que, me vem um email enviado da Itália, dos meus amigos Paola e Luigi (Santavacanza) me noticiando que havia saído o novo livro do Tarcísio Silva do veleiro Polinézio...

_ Bang! não pensei se quer no livro, mas sim no Tarcísio. Já conhecia esta pessoa e sabia das suas habilidades com construção náutica, sabia que ele era capaz de atender o que eu estava procurando! E assim foi, entrei em contato com o Tarcísio e marquei uma visita, na época ele estava em Paraty e fui com alguns amigos lá como quem nada quer conversar com ele. Pelas tantas da conversa, após comprar o seu livro, assim meio de canto perguntei: - Tarcísio topa em construir um MC28? Mas quero um kit, casco, interior sem acabamento e convés.

- olha Fábio, este projeto te posso dizer que conheço bem, já estudei ele por algum tempo. Posso sim fazer o mesmo.
Sinceramente com a maldade que nos é inerente pensei: - há! ele esta falando o que eu quero ouvir. Ledo engano, Tarcísio é o cara mais sincero que conheci até hoje. A confirmação veio quando estava devorando as páginas de seu livro que contava, logo nos primeiros parágrafos que ele havia adquirido os planos de estudo do veleiro MC28 e este decorou por algum tempo as paredes do seu quarto... O livro já estava escrito muito antes de nossa conversa.
Tarcísio me confidenciou mais tarde que, mesmo firmando palavra, pensou que eu era mais um curioso (dentro tantos que ele já havia atendido) que estava sonhando com os pés nas nuvens e que nada faria. Mudou de opinião quando cheguei com 200 kg de resina epóxi.

Foi assim que se acertou a construção do veleiro, a partir daquele momento e alguns emails trocados começamos a obra. Comprei logo um tonel de resina epóxi, encomendei os compensados na Monteiro em SP e mais uma vez ouvia... “Agora não tem volta” o veleiro vai existir, ele já existe... ainda sem nome pois o padrinho estava fazendo surpresa...

Foi em uma conversa de meia noite, com churrasco e cerveja que o padrinho Alexandre me disse o nome, e eu perguntava pela terceira vez quando ele disse: - já disse o nome do veleiro três vezes e tu não percebeu, é Bagual tchê.

Bagual, este era o nome, um termo usado na minha terra, um termo legitimamente gaúcho que pode ter vários significados, mas o que mais serve é: o Forte, o Destemido, o Rústico, o que tem Qualidade.

No dia seguinte, via SMS para o Tarcísio: - o nome é Bagual, Tarcísio o nome é Bagual, MC 28 Bagual.

Passo a passo o Bagual foi se armando, seção por seção, vau por vau o veleiro foi surgindo.

Sempre com a ideia de que “agora não tem mais volta” ainda bem no inicio reverti um pequeno patrimônio que tinha (metade do valor de um carro) e comprei o que de maior gasto representa para o veleiro: quilha, mastro e motor. Minha ideia sempre foi esta e trabalhei a construção do veleiro como um grande lego, sempre que dava comprava alguma coisa e guardava e isto realmente é uma delícia!!! Um cunho faz você imaginar o barco inteiro, pronto, com velas enfunadas sendo que ele esta recém com a primeira antepara cortada. Que delícia quando comprei as catracas, rodava e ouvia o som imaginando que estava caçando a vela genoa. Quando chegou o motor parecia que estava ouvindo o seu ronco, vez ou outra abria a caixa para sentir a máquina, o seu cheiro. Este tipo de coisa só experimenta quem constrói um veleiro e isto eu acho que é muito gratificante. Não vou dizer que todos os dias comprava alguma coisa para o Bagual, mas quando estava liso de grana passava em lojinha de R$ 1,99 e comprava qualquer coisa, um tapete, um potinho, uns pratos de plástico (melanina) acabou que copos de plástico devo ter uns vinte!

Minha vida pessoal deu uma guinada bem forte ainda quando estava com os planos do veleiro em mãos e imaginando como seria a construção. O veleiro “segurou bastante a minha onda” me fez sonhar e esquecer os problemas que estava enfrentando.

A construção foi se realizando sob as mãos do artista plástico Tarcísio e as visitas e conversas ajustavam todos os detalhes. Chegou a hora do picadeiro, ali sim, experimentei pela primeira vez o volume real do Bagual, que maravilha! Que forte! Quanto detalhe!
– olha esta proa! mostrava para o padrinho enquanto caminhava no entorno como uma criança admirada.
– Aqui vai ser o banheiro! Dizia eu mexendo os braços para cima e para baixo, para a direita e para esquerda tentando marcar o local, como se ninguém soubesse. Ainda bem que este padrinho, com muita paciência, compartilhava da minha alegria e só me ouvia concordando com um sorriso.

Mais algum tempo, após o tal afagamento, tarefa que mais parece castigo para a ansiedade, começou o fechamento do casco com os primeiros compensados fazendo sombra para o interior e o que dizer desta fase? é o barco, o veleiro esta ai e é assim que ele vai ser. Neste momento você tem certeza do que tem na mão e se alguma dúvida ainda existia esta some imediatamente. Inevitável o comentário sobre a robustez do veleiro, sem laminação já é sólido e de linhas que esquentam o coração, a imaginação e faz qualquer proprietário pular de alegria.

A laminação foi executada com a receita tradicional de tecido e manta e a opção de resina foi pela resina epóxi. Coisa que nunca abri mão foi fazer o melhor possível para o Bagual. O epóxi é material de melhor qualidade indubitavelmente vale o investimento.

Fizemos em duas etapas com uma pequena equipe. Veio a fase do Ovo, surgiu a brincadeira da “fase do Ovo” pois o mestre Cabinho usa tal expressão no roteiro de construção, recomendando o lixamento até que o casco fique liso “como a casca de um ovo”. Fase do OVO é dura mas vale muito a pena caprichar pois o resultado se mostrará futuramente quando da pintura.

O Bagual foi construído em um lugar muito bonito, a beira mar, com coqueiros e o forte verde da mata atlântica, cheiro de mar. Certa feita, lá pelas tantas, encontrei em seu interior um pequeno caranguejo já morto, o pobrezinho queria ser o primeiro a habitar o veleiro que agora estava virado e livre da estrutura do picadeiro. Foi durante um dia da semana que o Bagual tomou sua posição definitiva e no final de semana que tirei os tênis pela primeira vez para entrar no seu interior. Quanta alegria! Que lindo que é este barco, que grande, que forte. “Acho que só vou passar um verniz e deixar tudo assim como esta”, pensava.

Segunda fase começando, construção do interior, dos tanques, dos móveis, da bancada da cozinha, do camarote, do banheiro, da cama de proa, tudo se consolidando, se amarrando a estrutura e deixando tudo ainda mais forte, mais robusto, mais Bagual!!!! Resina epóxi, parafuso colocado, tanque laminado e o artista vai dando forma a sua arte!

Terceira fase começada. Veio o sombreamento do interior novamente, o convés estava sendo fechado, surge a proa e você pode caminhar no seu convés, pode imaginar aquele cunho no lugar, aquela catraca, o trilho, tudo vai tomando lugar na imaginação do futuro capitão. Todas as coisas que foram adquiridas durante a construção agora já estão sendo aplicadas em seu lugar definitivo mesmo que ainda na imaginação. Agora você sabe exatamente o volume interno do seu veleiro e todos os paióis para estivar coisas. Surge o casario, as braçolas e o cockpit. Sentei ali, com as pernas para o poceto e imaginei o leme, a cana de leme e, quase, por bem pouco, não escutei o ‘trarrarara’ da catraca sendo caçada! E ISTO NÃO TEM PREÇO!.
Convés laminado e voltamos para a FASE DO OVO, lixa, lixa, lixa... esta pronto! liso como um Ovo!

Fomos despejados do nosso pequeno estaleiro próximo da Ilha do Araújo em Paraty, após algumas desventuras como falta de luz e incertezas sobre a propriedade do local, pediram gentilmente que nos retirássemos. “Just in Time”, pois agora começa outra fase, a quarta fase do nascimento do Bagual, pintura e montagem.

O veleiro foi embarcado em um caminhão, o que causou certo desconforto estando tão perto do mar ter que sair de caminhão, agradeceu e disse adeus para o mestre artesão quase como um filho que vai seguir seu caminho. O Saco da Ribeira em Ubatuba sua nova morada provisória.

Quando li um comentário do escritório B&G dizendo que “parece todo MC28 querer ser obra de arte”, não pude pensar outra coisa do que consolidar, “se tem algum MC que quer ser obra de arte é o Bagual”. Agora na sua nova morada conheceu o segundo artista plástico da sua vida, David Lourenço, proprietário de um negócio situado em espaço muito bem estruturado no município de Ubatuba. O David no final do dia e inicio da noite dedica-se a pintar maravilhosos quadros de paisagens e rostos. Com uma amizade crescente foi para ele confiado, em segunda instancia, a pintura do veleiro. Em segunda instância pois, como nem sempre acertamos, fiz a bobagem de contratar um sujeito experimentando logo o peso do erro. Imaginava ser o sujeito, do qual prefiro não dizer o nome, habilidoso e conhecedor dos trabalhos. Contratar esta pessoa que é conhecida lá pelas bandas da Ribeira foi o único erro que cometi durante a construção do veleiro e trago este relato até para chamar atenção de quem futuramente construa um barco pois carrego uma parcela da culpa, não digo que não, tive chance durante as conversas para perceber que a pessoa não era capacitada para fazer mais do que uma raspagem de casco. Acredito que minha ansiedade me traiu e acabei contratando o sujeito que fez promessas de agilidade e facilidades mas, após algum tempo e os primeiros trabalhos, demonstrou não só ser um ignorante completo não tendo conhecimento nem habilidade para executar o serviço mas também pessoa portadora de má-fé. Conclui que não foi só ignorância, o que é escusável, mas a falta de caráter se fez presente também pois sabia que estava fazendo coisa errada e mesmo assim fez pouco se importando com o resultado. Este episódio teve um bom começo mas de forma alguma teve um bomfim.

Passado o episódio corrigimos os erros, arrancando a massa plástica e a massa de calafeto que o sujeitinho aplicou no veleiro e realizamos a pintura interna. Encomendei em uma marcenaria do centro de São Paulo as portas da cabine e do banheiro e as portas dos armários, bancadas de cozinha e de banheiro, ficou ótimo, feito em cedro rosa, a madeira que usamos na construção, envernizados com verniz fosco. O marceneiro demorou para fazer o serviço mas fez muito bem feito, pessoa bastante caprichosa, e, ai, foi chegar e colar no local como ficou lindo!!!! bem como eu queria! agora já posso estivar coisas e fecha-las no interior dos armários!

Comecei a fazer a montagem da hidráulica, ligação dos tanques, bombas de pedal, bomba pressurizada, bomba de porão foram duas, boiler, passa casco, vaso sanitário, água salgada na pia da cozinha etc.

Enquanto instalava a hidráulica já tilintava na minha cabeça o próximo passo a parte elétrica o que, para mim, era um mistério.

Nos trabalhos de elétrica, desde o inicio da construção já tinha decidido por usar LED na iluminação, sem dúvida uma maravilha. Passei a fiação e montei o quadro de distribuição. Neste momento que vem bem lembrar uma excelente ajuda que tive que foi do Luiz Dutra, ITM náutica, profissional que não se importa em dividir conhecimento. Assim preparei os chicotes da iluminação e instalação das luminárias. O Luiz fez a distribuição e organização dos bancos de bateria. Na elétrica marcou bastante o dia que liguei o som, que maravilha ficou a cabine com os dois alto-falantes que instalei lá, presos nas paredes dos armários, ficou realmente show. O animo mudou dentro do veleiro e já podia imaginar o embalo curtindo um som. O Bagual teve todos os fios comprados na Ocean Brasil, cabo estanhado de ótima qualidade. No inicio montar a elétrica do veleiro me assustava um pouco mas quando comecei o serviço fluiu e ficou muito bom. Todas as emendas foram soldadas e recobertas com fita alto-fusão da 3M. Na elétrica teve um fato interessante, que faço questão de relatar para demonstrar e reforçar como é possível se obter resultados ótimos com economia e fugindo da “exploração do mundo náutico”. O fato foi que entrei quase que por descuido em uma grande loja de auto-peças em São Paulo e descobri um balcão com um monte de luzes de LED. Me chamou atenção um pisca lateral do carro Meriva, muito bonitinho em forma de torpedo, com borracha que faz a vedação e tudo mais, comprei dois deles e hoje, no Bagual, fazem a vez de luz de cortesia. Comprei também uma régua de LED montados para BreakLight, destes que se gruda no vidro traseiro do carro, e que é vermelho, ficou ótimo sobre a mesa de navegação. A luz vermelha (ou encarnada - para salgar o vocabulário) é essencial para não ofuscar a visão em navegadas noturnas. Este conjunto tem movimento no eixo o que permite direcionar o foco. Paguei R$ 14,00 no aparato. No mercado náutico, com sorte, você pode encontrar uma luminária para fazer a mesma coisa a partir de R$ 240,00. Conto este fato para ilustrar o que disse lá no inicio deste relato: - você não precisa ser rico para ter um veleiro! Se você for habilidoso, poderá ter um excelente barco com um preço bem reduzido quando comparado com veleiros prontos vendidos no Brasil.

Preocupei-me bastante com o quadro de distribuição e montagem dos bancos de baterias mas, como já contei, neste ponto o Luiz Dutra me ajudou ou, melhor, eu ajudei o Luiz Dutra e ele montou o sistema. Atualmente são três baterias de 100 ampéres, uma somente para o motor e duas para o banco de serviço. Como sobrou cabo fizemos reserva para instalação futura de mais duas para o banco de serviço.

Ao Luiz Dutra coube também instalar o motor do Bagual, eixo, hélice fazer o alinhamento e a entrega técnica pois ele é autorizado da fábrica Yamar. Foi sábio ter entregue este serviço para o profissional pois não é algo tão simples assim deixar o motor bem alinhado e, o gasto realizado neste item, certamente vai ter retorno através da economia do sistema. Não posso dizer que não é possível ser instalado pelo próprio proprietário, no meu caso, preferi delegar por não sentir confiança suficiente nas minhas habilidades neste setor.

Quando chamei o Luiz Dutra para cuidar do motor ele logo me deu várias dicas em outras áreas da embarcação também. Uma delas foi para abrir espaço na frente do motor, rebaixando e cortando o compensado fazendo ali um encaixe em guilhotina. O motor que equipava o projeto originalmente não é mais fabricado pela Yanmar e, o que substituiu, teve a posição da bomba d’agua modificada exigindo assim uma alteração (para acesso) também na região da caixa do motor. Fica a sugestão para a B&G uma revisão neste sentido. Alargar os furos do alto das anteparas também foi valiosa dica, jamais conseguiria passar por ali o ‘chicote’ de fios que engrossou com a instalação dos aparatos.

Com a elétrica e hidráulica praticamente concluídos passei a pensar na quilha, no leme, instalação das gaiutas, vigias e ferragens de convés. Foi o que tomou prioridade então. Nesta fase nada de complicado, um pouco trabalhoso, pois tudo foi pré-instalado, colocava no lugar, tirava uma foto e guardava a ferragem dentro do barco novamente. Impreguinar com epóxi qualquer corte, furo ou lixação é um dever moral no Bagual e esta tarefa é bem amiga da ansiedade, que faz sofrer um pouquinho, confrontando a vontade de ver o trabalho pronto. No dia seguinte ou por vezes na próxima semana instalava de forma definitiva a ferragem, ai é um gosto indescritível. Girar a catraca e ouvir o som que ela faz, saber que agora ela não sairá mais dali é muito legal.

Com o andamento dos trabalho chegou a hora de instalar a quilha e para isto o Bagual precisaria de uma carreta alta. Após pesquisar o preço de locação logo conclui que não iria pactuar com a “exploração náutica” e oportunistas de plantão que oferecem seus ferros-velhos por R$ 50,00 a diária! Projeto carreta em andamento! comprei em desmanche eixo e rodas do furgão Mercedes. Encomendei vigas de madeiras, barra roscadas, porcas e arruelas galvanizados e, depois de alguns dias entre furadeira e cerra circular, estava com a carreta pronta. Não ficou barato mas fiz a minha parte e, certamente, custou menos do que alugar uma. Ficou de presente para o David que vai passar a alugar a mesma por um preço justo.

Na instalação da quilha tive novamente ajuda do Luiz Dutra, na verdade, quando você esta em um lugar com mais barcos e, quando o trabalho é grande, todos acabam se empenhando e ajudando, acho que isto só acontece com quem constrói veleiros, vira uma comunidade, com troca de experiências permanente. Neste dia o Claudio, construtor de outro MC28 o ‘De Capitani’ também ajudou, ajudou muitas vezes mais, na colocação do leme, por exemplo, e quando sofria para enfiar as mangueiras nos bocais dos aparatos me deu a mais simples das dicas: - Passa sabão líquido na boca da mangueira Gaúcho! Puxa vida! como não tinha pensado nisto antes? Valiosa e tão simples dica.

O Claudio fez para o Bagual algum trabalho de marcenaria também. Confiei as réguas que dão acabamento no entorno das pias, no entorno dos bancos da dinet (que fazem o encaixe para segurar as almofadas) e na cabine.

Após mudar novamente para o Rio Grande do Sul fiquei mais longe do Bagual, mas mesmo com a distância ia sempre adiantando algum assunto, provendo alguma necessidade futura, como o jogo de velas, por exemplo. Neste sentido o David me ajudava frequentemente. Passei a fazer temporadas maiores quando trabalhando no veleiro e isto foi até uma coisa boa, o serviço ganhou mais sequencia e andou mais rápido. O mastro foi comprado em Porto Alegre, na Manotaço, logo no inicio da construção, resolvi pintar o mesmo aumentando a proteção do mesmo. A pintura foi com a tinta que tinha sobrado da mesma cor do costado, amarelo. A montagem do mastro foi terceirizada e confiada ao Telesmar. Inicialmente pensava em fazer eu mesmo o serviço mas acabei comprando em uma promoção esticadores prensáveis daí veio o medo de errar na medida do estaiamento. Falando com outras pessoas conclui que o melhor mesmo era delegar. Quando optamos por construir um barco temos a vantagem do tempo. Tempo de pensar e procurar alternativas, escolher o melhor material para ser usado, tempo para fazer propostas e escutar propostas. Assim foi com o Telesmar onde conseguimos casar interesses de quatro pessoas e onde não circulou, propriamente dito, dinheiro. Excelente trabalho executado.

Após umas três datas previstas finalmente chegou o dia de colocar o veleiro na água. A ansiedade era tanta mas, no dia, veio uma calma absoluta, certeza de que tudo estava certo e a ajuda e presença dos amigos e dos amigos profissionais aplacou qualquer aflição.

Assim foi, o Bagual desceu a rampa e beijou a água salgada pela primeira vez. O motor foi ligado, tiramos a carreta pela lateral do veleiro. Saímos com marcha a ré e o Luiz Dutra no comando. Agora o Bagual estava experimentando a liberdade. Fizemos um giro até mais a frente no canal onde assumi o comando e retornei para a primeira manobra, encostar no píer. Ficamos ali mais um tempo finalizando algumas coisas, meu amigo David veio abordo, o padrinho também e fomos para a morada provisória em uma poita da marina. Agora o padrinho também estava a bordo e fizemos umas pequenas brincadeiras marinheiras com o Bagual. Decidi que o Bagual também tem dois padrinhos, digamos que de outro plano: em homenagem a Jairo Leal, um eterno amigo e o Hélio Setti Júnior navegador do qual recomendo a leitura do livro.

Neste tempo de construção muita água rolou acredito ter aprendido muito e de ter ensinado também, não só coisas de barco, mas sobre convívio e amizade também. Fiz novos amigos, conheci pessoas e espero ter deixado um saldo positivo.

Durante toda a construção do veleiro tive ajuda incondicional de uma pessoa muito especial que hoje esta comigo e compartilha meus sonhos e minhas aflições. Uma pessoa que sabe dizer uma palavra amiga e que tem um brilho muito especial no olhar.

A muito tempo estava no Rio Boat Show, na marina da Glória, quando conheci o Luiz Gouveia, meio assim de canto junto com outra pessoa mais próxima a ele, fui indo de carona quase como “papagaio de pirata”. “O vento sempre sopra a nosso favor quando realmente acreditamos que é possível realizar nossos sonhos.” Fiquei muito contente quando percebi que poderia ir a bordo de um MC28 pela primeira vez. Já conhecia o projeto pelo website mas nunca havia entrado em um MC28. Mas a expectativa maior era de que estaria conhecendo um MC28 especial, era o Fiù, o veleiro do Roberto Barros e de sua esposa Sra. Eileen, o veleiro do mestre Cabinho. Naquela noite passei bem mais de hora, ali sentado, absorto, escutando as pessoas e ao mestre Cabinho. Fui agraciado com uma janta gentilmente servida por sua Sra. e que satisfação estar ali, conhecendo, mesmo que brevemente, o veleiro e as pessoas que o projetaram, o navegador e sua esposa, conhecendo aquelas pessoas que em tempo realizaram o feito de velejar do Rio de Janeiro até a Polinésia em um pequeno veleiro. Estar ali conhecendo as pessoas que me fizeram viajar através da leitura do seu livro e consolidaram para mim o que me disse meu amigo Jairo Leal “que não é preciso ser rico e ter fortuna para ser proprietário de um veleiro” e, complementando, fazer coisas incríveis, viver uma vida de forma mais leve, mais feliz. Naquela noite eu decidi que construiria um MC28, naquela noite começa a história do Bagual.

Grato a família que faz o escritório B&G.

Fábio.


Multichine 26C Evrensel

Agora é a vez da classe MC26C mostrar sua cara. De vez em quando recebemos e-mails de nossos construtores elogiando as características do projeto. Agora foi a vez de nosso cliente Ömer Kirkall,de Istambul, Turquia, que construiu o Evrensel (quer dizer universo em turco – ou seria Miss Universo?). Seguimos a construção do seu barco construído no jardim de sua residência graças a uma galeria de fotos que ele nos enviou. Até reproduzimos uma série de três vídeos divulgados em um programa de náutica da televisão local denominado Nereide, programa de grande audiência naquele país de aficionados pela vela e pela construção amadora. (Como é bom um país que não dificulta a vida das pessoas!). Mesmo sem entender o que diziam os vídeos são muito bonitos e agradáveis de serem vistos.

Evrensel velejando no mar de Mármara. Ömer está muito contente com o comportamento do barco quando navegando com ventos fortes. Cortesia: Ömer Kirkall.

O e-mail que Ömer nos enviou soou como música em nosos ouvidos. Ele enfatizou os pontos fortes do projeto comparando com outros planos para construção amadora de barcos de aproximadamente o mesmo tamanho.

Oi Luis

Em primeiro lugar gostaria de agradecer a vocês por terem desenvolvido esse projeto. Tive a oportunidade de examinar muitos projetos de outros yacht designers antes de adquirir os planos do MC26C. Comparando com os outros fiquei convencido que o projeto do MC 26C foi um passo importante para ajudar os construtores amadores, graças ao seu processo de construção e ao alto grau de detalhamento das plantas. Além disso, vendo que se trata de um barco super-robusto, se comparado a outros barcos de aproximadamente o mesmo tamanho, ficou fácil para mim fazer a escolha do projeto.

Gostaria de informar que fiz duas modificações no projeto. Uma delas foi alongar a entrada da cabine pela gaiuta principal em 5 -6cm (no entanto ainda bato com a cabeça). A outra foi ter mudado o tanque de combustível de posição, o tendo colocado no armário de popa do cockpit (instalei um tanque de polipropileno, dessa forma aumentando o espaço e o conforto no banheiro. Outra alteração foi que aumentei a potência do motor. Instalei um Daihatsu de 27hp.

Considerando o conforto interno, uso o barco principalmente para velejadas curtas. Em minhas férias anuais pude navegar 200 – 300 milhas náuticas no Mar de Mármara com quatro adultos a bordo.

Tenho o barco estacionado no Mar de Mármara, que como vocês sabem, é um mar interior. Um lado se comunica com o Mar Negro pelo Estreito de Bosphorus, e o outro com o Mar Egeu pela passagem de Çanakkale, respectivamente. Dependendo das condições de mar e de tempo podem se formar correntes de quatro nós de velocidade. Quando as condições são duras formam-se ondas não muito altas, mas muito íngremes.

Quando está ventando a uns 30-35 nós, posso navegar tranquilamente com a buja e a grande no segundo rizo. Nessas condições o MC26C tem um desempenho fora de série, e, considerando-se seu tamanho, oferece uma sensação de segurança sem comparação.

Em ventos médios, navegando a motor, consigo atingir 5.5 - 6.2 nós a 2000 – 2200 rotações. Navegando à vela em ventos de 10 – 15 nós eu alcanço 5.5 – 6.2 nós de velocidade. O barco praticamente nunca atravessa nas rajadas. Quando isso acontece é porque não quis rizar a vela grande quando isso já estava para lá de necessário.
Em condições tempestuosas, mesmo quando a proa corta as ondas, muito pouca espuma atinge o cockpi, permitindo que a tripulação se mantenha seca ali. Quando velejando o casco se amolda perfeitamente nas ondas obedecendo ao leme com o mínimo de esforço.

O tamanho e a localização da cozinha são fantásticos. Ela dá um banho de conforto e espaço quando comparada a barcos de seu porte.

Carrego 80m de corrente 6mm. Quando içando a âncora às vezes a corrente me puxa. A caixa da amarra talvez seja um pouco pequena para 80m de corrente.

Isso é o que estou me lembrando agora sobre o barco...
Graças a vocês eu possuo um barco que foi delicioso de ser construído e agora de ser velejado.
Saudações.
Selam, Segvi, Saygi...:)

Ömer Kirkall

Esse e-mail do Ömer massageou nosso ego. Dizer que achou os planos super-detalhados e fáceis de serem seguidos por amadores inexperientes é o que mais gostamos de ouvir. E ainda mais, ter agradecido a nós pelo prazer que a construção lhe proporcionou, e agora pelas velejadas que está realizando, isso justifica nosso empenho em nos dedicarmos ao máximo para tornar viável o sonhos dos que escolhem nosso projetos.
O mundo está se tornando cada dia mais congestionado, e hoje em dia é no mar e nos lugares mais retirados onde conseguimos chegar com nossos barcos, onde a gente ainda encontra um pouco de liberdade a bordo desse planeta muito louco. Nossos clientes confiarem nos barcos que projetamos, essa é a melhor remuneração por nosso trabalho. Então é a nossa vez de agradecer ao Ömer.

A região do Saco da Ribeira, em Ubatuba, vai mesmo se tornando um importante polo de construção amadora, especialmente no que se refere à classe MC28. Olhem que MC28 lindo está sendo inaugurado junto com o Bagual! Juntamente com o Marimbondo, também novinho em folha, eles irão formar um trio para ninguém botar defeito.

O interior do MC26C é uma verdadeira casinha. Com 1.85m de pé direito, duas camas de casal, uma delas em cabine exclusiva, uma cozinha para ninguém botar defeito e um banheiro com ducha, isso é tudo que se possa precisar para morar a bordo e para fazer travessias oceânicas com conforto e segurança.

Enquanto isso outros MC 26C avançam em suas obras, ou já estão navegando, como é o caso do Anauê, do Xangô, do Furabolos e outros. Sempre que formos recebendo notícias, iremos publicando em nossa seção de novidades.

Evrensel é um barco construído com muita competência e está preparado para navegar não importa para onde seu dono deseje ir. Cortesia: Ömer Kirkall

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Multichine 28 Bagual

O Saco da Ribeira, em Ubatuba, SP, é um centro de construção amadora no país que não pára de se expandir. Esse crescimento trouxe para o lugar um seleto grupo de profissionais extremamente competentes que dão apoio aos construtores amadores, resultando em barcos fora de série. Claudio Bortolato é um desses técnicos. Ele já ajudou inúmeros clientes nossos. Outros especialistas também têm ótima reputação, como Luis Dutra e Telesmar Lira, que também já se tornaram legendários na região.

Claudio Bortolato colocou essa nota no Face Book:
Mais um MC28 na água, agora o Bagual, cujo feliz proprietário é o Sr.Fábio Fabbris Fabbris. O homem tá rindo a toa!!!

Primeira navegada a motor. Esse é um grande dia na vida de um construtor amador que acaba de inaugurar o barco de seus sonhos. Cortesia: Cláudio Bortolato

A superestrutura do Bagual é muito caprichada. Breve o Fábio estará saindo por aí. Cortesia Claudio Bortolato

Olha o Sr Telesmar Lira instalando mais um mastro, desta vez no MC28 Bagual. Cortesia: Claudio Bortolato

A região do Saco da Ribeira, em Ubatuba, vai mesmo se tornando um importante polo de construção amadora, especialmente no que se refere à classe MC28. Olhem que MC28 lindo está sendo inaugurado junto com o Bagual! Juntamente com o Marimbondo, também novinho em folha, eles irão formar um trio para ninguém botar defeito.

De Capitani é o mais novo MC28 a ser lançado à água. É impressionante o acabamento do costado. Cortesia: Claudio Bortolato

De Capitani está quase pronto. Será a glória se o De Capitani e o Bagual saírem para suas velejadas inaugurais lado a lado. Cortesia Claudio Bortolato

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Multichine 28 - Dois barcos, duas propostas

O que os velejadores de oceano mais desejam é poder estar a bordo de um barco quase sem sentir diferença para estar em terra firme. Esse é o grande desafio que um escritório de yacht design tem que enfrentar quando está desenvolvendo um projeto de veleiro de oceano. A equação para se atingir esse objetivo é bem complexa. Os barcos maiores são mais confortáveis internamente, mas são mais difíceis de serem manobrados. Os barcos muito pequenos são exatamente o contrário. O Multichine 28 é o projeto que desenvolvemos que talvez seja o melhor compromisso entre esses dois mundos. Como nós do escritório construímos em dupla com um amigo, Roberto Ceppas, dois barcos da classe, o Makai e o Fiu, e em seguida ao lançamento do nosso barco, o Fiu, moramos por dois anos e meio a bordo e velejamos mais de seis mil milhas com ele em viagens oceânicas, podemos dizer com conhecimento de causa que ele é uma moradia fantástica para ser habitada, seja quando em um ancoradouro, seja em alto mar.

Que o MC28 seja adequado para se morar a bordo e seja um barco fantástico para cruzeiro oceânico, quanto a isso temos experiência de sobra para afirmar. No entanto, que ele seja excitante como veleiro de regatas locais, isso ainda precisa ser confirmado. Em regatas oceânicas de percurso com vento mais forte ele já se provou ser o capeta (veja em clube do MC 28 o artigo escrito pelo bloguista Hélio Viana: Makai, o MC28 voador), como nas regatas Recife-Fernando de Noronha, quando sempre que um barco da classe participa, ele se dá super-bem, mas em regatas triangulares em águas abrigadas, isso ainda está faltando comprovar. Esse artigo fala de dois MC28, um deles veleiro de cruzeiro oceânico assumido, sendo o outro turbinado para participar de regatas locais na região de Pudget Sound, Estado de Washington, Estados Unidos, que está na reta final para ser lançado à água.

O layout do interior do MC 28 é tão perfeito para se viver a bordo quanto um barco de seu comprimento possa ser. Existe um absoluto equilíbrio entre os vários ambientes de modo a transmitir uma sensação de bem estar em qualquer compartimento do barco.

Um exemplo de utilização radical para cruzeiro oceânico é o MC28 Vagamundo, de Ricardo Costa Campos, de Vitória, Espírito Santo. Ricardo é um amador em construção de veleiros, mas nem parece ser. O padrão de qualidade que deu ao seu veleiro chega a superar muitas construções profissionais. Vagamundo é na realidade um dos barcos mais bem construídos de nossa linha de projetos.

A mastreação de cruzeiro proporciona excepcional estabilidade e fácil manobra, qualidades especialmente bem-vindas quando se veleja com uma tripulação reduzida.

Uma importante mudança de rumo na vida de Ricardo foi quando ele decidiu trocar a desgastante carreira de mergulhador de águas profundas pela atividade de comandante de iate de charter e professor de vela, usando o Vagamundo como seu barco de trabalho. Sua decisão foi tão radical que passou a ter o barco como sua moradia permanente. Nesse meio tempo Ricardo se casou, teve um filho, João, um verdadeiro peixinho, uma criança totalmente feliz e adaptada a viver em um veleiro de oceano. Hoje Ricardo se dedica em tempo integral às novas atividades. O empreendimento está indo de vento em popa, uma das razões sendo a grande simpatia e competência do comandante, conquistando amigos para a vida toda a cada charter empreendido. Ricardo está no Face Book – Veleiro Vagamundo. Ele costuma atuar entre Vitória e Parati, no Rio de Janeiro, volta e meia fazendo esse percurso de mais de 400 milhas náuticas em grande estilo. Além de charter, ele opera um curso de vela oceânica.

João, o filho do Ricardo, é um verdadeiro peixinho. Na foto ele está usando a mesa de navegação como seu cantinho particular. Ele faz boa parelha com minha neta Juliana, tomando banho na pia da cozinha do MC28 Fiu quando tinha poucos meses de idade. As crianças parecem se dar bem habitando o interior de um MC28. Cortesia: Ricardo Costa Campos.

Minha neta Juliana tomando banho na pia da cozinha do MC28 Fiu. Para criança pequena o interior do MC28 deve parecer um navio de cruzeiro.

Vagamundo saindo do nevoeiro a todo pano. Uma das melhores virtudes do modelo é sua excelente estabilidade. As pessoas se sentem super seguras quando velejando a bordo de um MC28. Cortesia: Ricardo Costa Campos.

Vagamundo é inquestionavelmente um barco excelente para cruzeiro oceânico. O dodger sendo conectado a um bímini que se estende até a targa onde estão instalados os painéis solares é a solução ideal para proporcionar abrigo e conforto a quem esteja no cockpit. Cortesia: Ricardo Costa Campos.

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A outra história de MC28 nesse artigo vem de Tacoma, Estado de Washington, USA. Nosso cliente, Dave Cross, embora familiarizado com construção amadora, também é um regateiro contumaz. Não estando particularmente interessado em fazer cruzeiros oceânicos, ele nos consultou sobre a possibilidade de desenvolvermos uma versão mais regateira para o projeto do MC28. Não poderíamos ter ficado mais empolgados com o desafio que ele estava nos propondo, e topamos de imediato produzir essa versão.

A mastreação voltada para regata é a ideal para o Estreito de Pudget, uma região de ventos predominantemente fracos. Vamos tocer para que Dave ganhe a cota de regatas locais que merece. Seu esforço para construir um barco mais leve e veloz foi impecável.

Desenhamos um plano vélico com mastro mais alto e mais área vélica, e para contrabalançar projetamos uma quilha de chumbo mais pesada e profunda, com hidrofólio mais adequado para regata e com uma melhor relação de aspecto. O Dave contribuiu com sua parte com o máximo esmero e agora resta esperar pelo resultado do esforço conjunto. A costa noroeste é uma região de ventos predominantemente fracos, de forma que tudo leva a crer que a experiência será um sucesso. Já ficou evidente que não teremos que esperar muito tempo para saber como o coelho da família MC28 irá se sair nas regatas locais.

Os paineiros envernizados de teca e pau marfim ficaram uma beleza e já estão prontos para ir para o lugar. O barco ficará show de bola quando estiver concluído. Cortesia: Dave Cross

O MC28 é quase um casco Redondo. Dave não construiu a plataforma de popa do projeto, o que fez todo o sentido em se tratando de um barco de regata. Assim ele cortou peso desnecessário e aumentou a sustentação de popa, uma boa medida para melhorar o desempenho. Cortesia: Dave Cross

A cabine de popa não foi alterada. Seu excelente beliche de casal e a profusão de armários são marca registrada do projeto. Cortesia: Dave Cross

O salão do barco do Dave em sua versão regateira é ideal para tomar uma cervejinha gelada depois de uma regata batendo um papo de como a regata foi ganha ou perdida naquela tarde de domingo. Cortesia: Dave Cross

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Novidade: mais um MC28 foi lançado à água. Dessa vez foi o De Capitani, construído em Ubatuba, Estado de São Paulo. Essa classe está sempre nos surpreendendo pela beleza do acabamento dos barcos que vão ficando prontos.

De Capitany é o mais novo MC28 a ser lançado à água. É impressionante o acabamento do costado.

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Kiribati 36 aparece em selo postal da República de Kiribati

Recentemente fomos contatados pelo Sr. Hugh Bennet pedindo permissão para usar imagens e o nome do projeto Kiribati 36 num selo postal emitido pela República de Kiribati.

O selo foi oficialmente lançado no dia 5 de Outubro de 2013.

Fomos indagados sobre o motivo do desenho ter este nome e explicamos que tudo derivou da forte marca que nossa passagem por Kiribati a bordo do primeiro Green Nomad deixou em nós.

Passamos quase um ano no grupo chamado Gilbert Islands de Kiribati, que tambem possui outros grupos de ilhas, as Line Islands e as Phoenix Islands.

Na maioria o país consiste de atois de coral, com lagoons protegidos cheios de águas das cores mais lindas imagináveis.

Ancoragem em Tarawa

A capital, Tarawa, tem uma população de quase 20 mil habitantes e é muito interessante, com seu grande movimento de carros num lugar que realmente tem uma rua só, que vai seguindo a estreita faixa de coral que forma o atol.

Uma rua da capital Tarawa

Os taxis são mini-vans onde o som está sempre em alto volume, e uma experiência inigualável é voar a 100km por hora por cima das águas cristalinas do Oceano Pacífco numa ponte que une duas ilhas.

Kiribati Blues

Mas o interessante mesmo foi compartir o dia a dia com diversas famílias que conhecemos nos atóis que ficam próximos a Tarawa, como Abaiang, Abemama e Butaritari. Ali vivemos a verdadeira experiência de Kiribati, tendo até uma criança que recebeu o nosso nome combinado, passando a se chamar Luimar.

Uma família de Kiribati, atol de Butaritari

O povo em Kiribati ainda vive dentro dos meios sustentáveis que seus antepassados desenvolveram, e conviver com eles nos ensinou muito.

Canoas e amigos do vilarejo de Kuma, Butaritari

Casa típica dos atois de Kiribati

Esta notícia sobre o selo só reforçou nossa vontade de voltar a visitar estas ilhas maravilhosas, e desta vez a bordo de um barco cujo projeto foi nomeado pensando nelas.

O Kiribati 36 Green Nomad em Camamu, Bahia

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Green Nomad em movimento

Depois de quase 2 anos passados entre Parati e Ilha Grande resolvemos que este ano eu não iria para a Antártica em ações ambientais com a ONG Sea Shepherd e que era chegada a hora de seguir caminho com o nosso Kiribati 36 Green Nomad.

Depois de algum tempo passado em Sítio Forte, na Ilha Grande, aproveitamos uma pequena frente fria para ir até Buzios. e lá esperamos alguns dias com ventos de Nordeste de até 30 nós pelas condições para prosseguir viagem.

Green Nomad em Buzios

Resolvemos sair com uma condição de calmaria e passamos o Cabo de São Tomé a motor, a umas 30 milhas da costa, e já sabíamos que depois do Cabo teríamos umas 20 horas de ventos contrários de Nordeste, e durante esse período avançamos lentamente no rumo de Vitória, pois como estávamos bem afastados de terra tínhamos espaço para andar para Noroeste.

Pela manhã do segundo dia estávamos bem em frente a Vitória, e o vento já acalmava e em pouco tempo o esperado vento de SSW chegou e cresceu lentamente de intensidade até uns 25 a 30 nós, e a partir daí tivemos ventos favoráveis de S e SSE até a chegada em Camamu, na Bahia.

Estamos agora ancorados num local muito bonito, entre as Ilhas do Campinho e Goió, uma área de manguezais e com algumas praias de coqueiros.

Baía de Camamu

A viagem serviu para mostrar que o barco é bastante equilibrado mesmo em tempo forte, com um comportamento fácil no leme com o vento em popa, com umas descidas de onda bem rápidas que os dois lemes controlavam com facilidade. O piloto automático controlou o barco muito bem, e como nosso dog house é bem amplo e com um fechamento por trás também, a viagem transcorreu com bastante conforto.

As camas para navegação ficam nos sofás da sala, e como existe bastante espaço entre o encosto e o casco, esse local, além de ter o menor movimento, também é muito silencioso.

Fomos visitados por golfinhos e baleias diversas vezes, e pela rota bem distante da costa que escolhemos, estando a mais de 70 milhas de terra, essa foi muitas vezes a única companhia que tivemos.

Uma boa mudança nesta viagem foi que a Marli descobriu um novo remédio para enjoo chamado Bonine, e com ele se sentiu tão bem que pode cozinhar normalmente, até fazer pão. Antigamente para chegar a esse estágio numa viagem eram necessárias quase duas semanas, resultando que só em travessias bem longas ela podia começar a se sentir bem.

Padaria em alto mar

Pão de centeio no Green Nomad

Vamos continuar seguindo, mas o passo da viagem é o local que dita, se gostamos ficamos mais. Fizemos amizade com vários barcos de cruzeiristas estrangeiros, e infelizmente todos tem o mesmo problema, só 3 ou 6 meses de visto para permanecer no Brasil não são suficientes para conhecer e aproveitar toda a costa, e com isso quem perde também são as populações locais, pois normalmente a troca de experiências com esses navegadores é muito apreciada pelos habitantes dos povoados pequenos.

Aqui na baía de Camamu estamos encontrando um estilo de vida bem autêntico, com um passo que nos agrada, sem correrias. Para mandar este artigo fomos de bote com um Ipad até a beira de um manguezal, onde se pode ter uma visada direta para a pequena cidade de Camamu, e lá conseguimos um sinal de celular, de onde mandamos o email para o Cabinho e o Luis Gouveia.

Internet só no mangue!

Segurança no trânsito!

No dia a dia usamos nosso sistema de email via rádio SSB, com um modem Pactor III. Tambem conseguimos receber arquivos com informações sobre o tempo pelo mesmo sistema.

Em breve teremos também um pequeno filme que estamos editando com trechos da viagem.
Seguiremos mandando boletins dos cantos sossegados do mundo!

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Kiribati 36 Green Nomad já está a meio caminho do Caribe

Progride rápido a viagem do Green Nomad. Vocês que seguem as aventuras do casal Marli Werner/ Luis Manuel Pinho desde Porto Alegre e acompanharam a temporada prolongada na região de Angra/Ilha Grande, de agora em diante irão ter cenários bem diferentes ilustrando nossas notícias.

No dia 25 de setembro recebemos esse e-mail enviado pelo SSB de bordo:

"Hoje as 15:45 locais estavamos passando a 35 NM a Sudeste de Abrolhos. Ficamos bastante tempo olhando baleias brincarem perto do barco. A próxima parada será em Camamú."

Nossos parceiros tiram todo o proveito da frente fria que os levou de Búzios até o sul da Bahia.

No dia 27 as notícias foram melhores ainda:

Oi Pessoal,

Oi da Bahia. Estamos agora as 15:00 do dia 27 a 70 milhas ao largo de Porto Seguro, com vento ESE de uns 12 nós, andando com vento quase de popa, por isso a velocidade anda entre 4.5 e 5.5 nos, pois não temos pau de spinnacker. Faltam umas 190 milhas náuticas para Camamú. Tudo bem a bordo, noite tranquila, pois viemos bem longe da costa para evitar os pesqueiros.

Abraços,
Luis e Marli

O Kiribati 36 é barco para todos os climas além de ter calado regulável. Luis Manuel Pinho, depois de ter viajado por dez anos a bordo de seu anterior veleiro com quilha fixa, decidiu-se pelo sistema de quilha retrátil para poder encontrar melhores abrigos quando estiver velejando durante a estação de furacões no Pacífico Sul. Tendo se associado ao nosso escritório, uma de suas maiores contribuições à nossa parceria é sem dúvida o Kiribati 36, o sonho de consumo de muitos cruzeiristas potenciais.

Marli e Luis já estão morando a bordo por três anos

Continuaremos divulgando com regularidade a viagem do Green Nomad, juntamente como a atualizações no blog do casal Pinho.

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36


MC 26C Furabolo

Em setembro de 2013 mais um barco da classe MC26C foi para a água. O barco em questão é o Furabolo, inaugurado em Vitória, Espírito Santo. O barco foi muito bem construído por seu proprietário, Hilton Monteiro, um amador que não encontrou dificuldades para vencer todas as etapas da obra.

Furabolo chegando no lugar do lançamento. Cortesia: Hilton Monteiro

Hora da verdade: o guindaste retira o barco do caminhão para colocá-lo na água. Hilton foi um pouco pessimista em relação à linha de flutuação. O barco flutuou bem melhor do que ele esperava. Cortesia: Hilton Monteiro

O champagne foi salvo para fazer um brinde a Netuno: Cortesia: Hilton Monteiro

Furabolo já flutuando em seu elemento. Esse é o grande dia na vida de um construtor amador. Cortesia: Hilton Monteiro.

O projeto vem impressionando muitas pessoas pelo seu layout. É difícil de entender como um 26 pés pode ser tão confortável. Como Hilton postou no Face Book, o Furabolo é o 26 pés mais metido a 30 pés que ele conhece! Agora que a classe vai se tornando conhecida em vários lugares, as pessoas vão descobrindo que o modelo é realmente diferenciado. Cada barco que vai sendo inaugurado vai se tornando motivo de espanto junto a comunidade náutica local.

Para que fazer um barco maior se o MC 26C lhe oferece tudo o que é necessário para se viver bem a bordo? Isso é o que as pessoas vão descobrindo onde quer que já exista um MC 26C velejando.

Xangô é um MC 26C construído por um amador no clube São Cristóvão, um pólo de construção amadora no Rio de Janeiro, onde a maioria dos barcos sendo feitos ali são projetos de nosso escritório. Foto: Roberto Barros

Evrensel (Universal em turco), construído por Ömer Kirkal com a ajuda de sua esposa, foi o primeiro MC 26C a ir para a água. O barco ficou muito bem acabado e seu dono está orgulhoso com seu desempenho. Cortesia: Ömer Kirkal

Clique aqui para saber mais sobre o MC 26C.


Pop 25 - Horus é o primeiro barco da classe a ficar pronto

Agora é pra valer. Recebemos um e-mail de nosso amigo Daniel D’Angelo, de City Bell, Buenos Aires, Argentina, informando que o Pop 25 Horus, que ele construiu em dupla com seu amigo Alejandro, deverá estar navegando no início de outubro. O barco já está quase pronto, com quilhas e lemes já fabricados, só faltando serem instalados. Então essa será a segunda vez que Daniel será o primeiro a concluir a construção de um projeto novo de nossos escritório, a primeira tendo sido o Samoa 28 Sirius, um barco lindo que construiu com suas próprias mãos nesse mesmo local onde está sendo feito o Horus.

Em agosto de 2013 o Horus estava nesse estado. Agora já deve estar reluzente, pronto para entrar na água. Cortesia: Daniel D’Angelo.

Para nós que desenvolvemos o projeto, o dia que o Horus der a primeira velejada será um marco na história do escritório. A razão dessa importância é o fato que o Pop 25 foi desenhado com o objetivo de permitir que pessoas de todas as idades que não estejam montadas na nota possam ter um barco verdadeiramente oceânico, capaz de fazer o mais radical dos cruzeiros, o que de outra forma estaria fora de seu alcance. Ele ter sido projetado para construção amadora, ser de construção simplificada, ser insubmergível e ter isolamento térmico eficiente, são os motivos que nos fazem ficar esperançosos em termos feito uma contribuição no sentido de proporcionar a sensação de liberdade que cada vez mais só pode ser encontrada no oceano sem fim.

Você pode seguir a construção do Horus abrindo o blog do Horus que está incluído no site: www.velerosirius.com.ar, ou clicando em nossa página de links, coluna da esquerda, Pop 25 Horus. Como outras construções, como o Solaris, que está sendo feito no Rio de Janeiro, o Rancho Alegre, em Porto Alegre, o Konquest em Santa Catarina, o Hayal e vários outros que estão sendo construídos na Turquia, seguem em sua esteira, esperamos que em breve a classe já esteja estabelecida. O que existe em comum entre todos os nossos clientes é um entusiasmo enorme em construir o barco, resultado da descoberta de que a obra está dentro das possibilidades de um amador inexperiente realizar. Agora, a partir de outubro já teremos a confirmação sobre se nosso esforço em proporcionar esse veleiro oceânico fácil e barato de ser construído irá ajudar a democratizar o esporte do cruzeiro à vela de oceano.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25.


Por dentro do Pop Alu 32

Recentemente a Marli visitou o estaleiro Ilha Sul Construções Náuticas em Porto Alegre e teve a oportunidade de conhecer de perto o primeiro casco do desenho Pop Alu 32 a ficar pronto.

Linhas modernas e o potencial para velocidade e robustez combinadas

Além de confirmar as impressões que tínhamos do barco ser esteticamente bem agradável por fora e da qualidade impecável da construção, ela pode entrar e ficar espantada com o incrível espaço interno.

O construtor Jairo Oliveira e sua esposa Cláudia

Como ela vive a bordo de um Kiribati 36, a comparação da sensação de espaço é muito significativa. Claro que o 36 tem mais espaço para armazenagem e carga, mas o espaço habitável é muito bom no Pop Alu 32.

As fotos mostram mais do que mil palavras, por isso colocamos várias a seguir.

Marli dentro do Pop Alu 32

Um interior com ampla ventilação e iluminação natural

Outros pontos que impressionaram foram a já esperada solidez do casco, com sua chapa de 8mm bem estruturada. O barco foi desenhado para poder ficar apoiado nas das quilhas em bulbo e facilitar a manutenção, podendo ser encalhado numa maré baixa.

Fundo de 8mm reforçado

Os detalhes, robustez e limpeza da obra são impressionantes.

A grande plataforma de popa e o acesso ao sistema de lemes

Imaginamos que o feliz construtor amador que comprar este casco poderá ter um barco de cruzeiro rápido e de alta segurança pronto em pouco tempo, pois além do modelo dispor de um kit CNC para o corte de todo o alumínio utilizado, um kit para o corte dos compensados navais da mobília interna também está disponível. Com este kit completar o barco por dentro será uma tarefa muito simplificada, permitindo grande economia.

As partes do kit pré-cortado para a mobília interna

Para saber mais sobre o Pop Alu 32 clique aqui.


Charter em Phuket

Quando terminamos nossa temporada na Coreia e nos preparávamos nossa volta para a Australia resolvemos que merecíamos umas boas ferias para recarregar as baterias. Pensamos também que não poderíamos terminar nossa temporado no Sudeste Asiático sem visitarmos a Tailândia e decidimos então visitar Phuket e que parte destas ferias teria que ser a bordo de um veleiro. Entramos em contato com uma companhia de charter e reservamos um barco por uma semana, o relato desta viagem está a seguir.

Primeiro dia:

Chegamos na Yacht Heaven Marina as 11:00 e a administradora da empresa de charter já estava a nossa espera. Levamos as malas e as compras para o barco e formos para a administração preencher os papeis.

Ainda na administração recebemos as orientações sobre os melhores lugares que poderíamos visitar, onde teríamos boa ancorarem para passar a noite e também recebemos a previsão dos ventos para os dias que passaríamos a bordo. A previsão era que teríamos ventos de 15 a 20 nós nos primeiros 3 ou 4 dias e de 20 a 25 com rajadas nos dias seguintes. Decidimos então fazer primeiro a parte sul da baía que é mais aberta para o vento de Sul-sudoeste e depois a parte norte que é mais protegida.
Marcamos a primeira parada para a ilha Ko Yau Yai, aproximadamente 18 milhas da marina. Na parte central da ilha pelo lado oeste tem uma pequena baía que não é muito protegida, mas tem boa ancoragem e um hotel onde poderíamos desembarcar para jantar e não precisar fazer comida a bordo.

Terminada a parte burocrática e o briefing da previsão meteorológica fomos para o barco para recebermos as instruções sobre os sistemas de bordo e equipamentos em geral. O barco que escolhemos foi um Bavaria 36 de 2010 com 3 cabines e um banheiro.

Saímos da Marina às 2:30. A saída do finger é bem apertada, pois os piers são bem próximos uns dos outros e o espaço para manobra é pouco, um bote da marina tem que vir ajudar para puxar a proa do baco para a direção correta. Logo a uns 50 metros após a entrada do canal entre os piers tem um enorme banco de areia com um veleiro antigo encalhado no meio, uma visão não muito legal logo de inicio. Para fugir do banco de areia temos que virar 90 graus para boreste logo assim que termina o píer e passar quase raspando nos iates de luxo de milhões de dólares que ficam nos finges mais extermos.

Navegando na saída do canal onde fica a marina.

Navegamos o canal mais estreito na saída da marina a motor e continuamos por mais meia hora até que o canal principal ficou mais largo, então abrimos as velas e desligamos o motor. Velejamos o resto da tarde e chegamos em Ko Yau Yai já anoitecendo. Ancoramos e decidimos preparar o jantar no barco mesmo e fomos dormir.

Curtindo a velejada para Kho Yau Yai.

Chegando na praia em Ko Yau Yai.

Segundo dia:

À noite ventou bastante até a madrugada e o barco sacudiu muito, mas a âncora segurou bem. Acordamos cedo, tomamos o café da manha e nos preparamos para sair. Quando íamos começar a levantar a âncora um barquinho de pesca se aproximou e os pescadores vieram nos oferecer algumas sardinhas e quatro camarões tigres; o almoço já estava garantido.

Saímos de Ko Yau Yai em direção a Phi Phi. Com pouco vento navegamos a motor por cerca de uma hora e meia quando avistamos uma pequena ilha com uma praia que parecia bem convidativa. No pilot book verificamos que o nome da ilha era Koh Khai Nai e que tinha uma boa ancoragem com tempo favorável e como continuavamos quase sem vento decidimos parar. Chegando um pouco mais perto percebemos alguns barcos ancorados e o que parecia ser uma cabana. Quando nos aproximamos mais começamos a ver que a ilha não estava tão vazia quanto imaginávamos, vimos restaurantes e barracas de praia na areia mas mesmo assim decidimos ancorar. Mais tarde viríamos a descobrir que esta ilha e bem popular e que varias operadoras de turismo levam centenas de visitantes para lá em passeios diários. Caminhamos um pouco pela areia, tomamos água de coco e partimos para continuar nosso caminho.

Kho Khai Nai parecia uma ilha vazia quando estávamos navegando…

…mas chegando perto vimos que era um ponto bem explorado pelo turismo.

Chegando na ponta Sul de Ko Yau Yai viramos para sul-este na direção de Phi Phi e o vento começou a entrar, logo estávamos navegando com 15 nós pela alheta e começaram a aparecer nuvens de temporal. Em pouco tempo o vento passava de vinte e cinco nós, e veio a chuva. Não durou muito e meia hora depois estávamos novamente com 15 nós.

Chegando em Phi Phi.

Phi Phi na verdade é um conjunto de ilhas, a maior e principal e Phi Phi Don e é onde fica o lugarejo e os hoteis. Chegamos lá no final da tarde ainda com bastante luz para procurar um bom lugar para ancorar. O movimento de barcos na ilha é bem grande e o local de ancoragem não é longe do canal que os barcos de turismo usam para chegar ao píer.
Tomamos um bom banho e fomos jantar em terra.

Procurando um lugar para ancorar.

Terceiro dia:

Decidimos deixar o barco ancorado e compramos um passeio local para visitar a ilha Phi Phi Lay. O lugar é muito bonito com várias reentrâncias, lagoas internas e água transparente, perfeito para mergulho.

Loh Samah Bay em Phi Phi Lay.

Pileh Cove em Phi Phi Lay.

Maya Bay em Phi Phi Lay.

Voltamos à tarde e fomos passear pela vila de Phi Phi, lotada de turistas, e a baia do outro lado da ilha. Jantamos em terra e pegamos o bote de volta para o barco.

De volta a Phi Phi fomos conhecer a praia do outro lado da ilha.

Quarto dia:

Acordamos cedo e logo levantamos âncora. O destino final para esse dia era as ilhas Koh Doeng, ou Chicken Island, próximas a Krabi, mas com uma parada no caminho na ilha Koh Yung, conhecida também como Bamboo Island. No pilot book dizia que havia um restaurante na ilha e que o local também era bom para snorkelling.

Bamboo Island é um parque nacional e para desembarcar lá e necessário pagar uma taxa de 200 Brath por pessoa (U$7.00), mas o guarda local deu um desconto e pagamos 500 Brath para a família. Valeu a pena! O restaurante é simples e só serve arroz frito mas a praia de areia branquinha e o mergulho nos corais valeram a parada.

A praia de areia branca e o mergulho nos corais valeram a parada em Bamboo Island.

Levantamos âncora e partimos para Krabi. Fizemos uma boa velejada, ventos pelo través entre 10 e 15 nós, mas sabíamos da previsão da entrada de uma frente fria. Pretendiamos ancorar para dormir em Koh Doeng, mas o tempo foi mudando e quando estávamos chegando nas ilhas entrou o temporal com ventos de até 30 nós. Percebemos que com aquele vento não teríamos uma ancoragem segura nas ilhas e resolvemos continuar até o continente e ancorar na praia Ao Nang onde tem um lugarejo e oferecia uma boa proteção contra o vento.

Pretendiamos parar em Chiken Island mas com o vento apertando não teríamos um boa ancoragem.

Não fomos os únicos a procurar refúgio em Ao Nang.

Quinto dia:

Durante toda a noite os temporais vinham e paravam o tempo todo, e iria continuar assim pelos proximos dias. Resolvemos aproveitar um intervalo entre chuvas para colocar o bote na água e ir conhecer o vilarejo. Descobrimos que no lugar haviam vários resorts e fica cheio de turistas que procuravam lugares "afastados e tranquilos".

A vila de Ao Nang.

Relaxando um pouco antes de seguir viagem.

Apesar de ficar no continente as estradas para Ao Nang são muito ruins e a melhor forma para os turistas chegarem e sairem de lá é por mar, transportados por pequenos barcos que se aproximavam da praia até ficarem atolados. Na mare baixa as pessoas tinham que andar uns 50 metros na lama com as malas nas costas para embarcar e desembarcar. Como chegamos na maré alta seguimos com o bote até a praia, mas na saída tivemos que carregar o bote na lama até chegarmos na água.

Turistas embarcando para deixarem Ao Nang.

Saimos de lá logo depois do almoco. Nossa programação era velejarmos umas 18 milhas até o outro lado de Ko Yau Yai Noi e ancorarmos perto de um resort que dá uma boa acolhida aos veleiros, deixando usar a piscina e o restaurante. Logo que dobramos o cabo vimos que não seria tão fácil, iríamos velejar contra o vento que ainda continuava forte, contra as ondas e contra a correnteza. Os temporais continuavam a entrar de tempos em tempos trazendo ventos muito fortes. Duravam de 30 minutos a 1 hora e para piorar descobrimos que a água de refrigeração do motor não estava circulando muito bem e toda vez que colocavamos mais de 1200 rotações soava o alarme.

Velejando na saída de Ao Nang.

Pretendiamos passar pelo arquipélago Koh Hong Krabi, mas com estas condições de vento e sem poder confiar no motor desistimos e resolvemos passar por fora das ilhas. Por volta de 6:00 da tarde o vento normal acabou e só ficaram os temporais irregulares e ainda estávamos no meio do caminho. Seguimos motorando fazendo entre 1 e 2 nós no GPS e chegamos na praia do resort já bem tarde. Desistimos da piscina e do restaurante e fomos logo dormir.

Algumas ilhas do arquipélogo Koh Hong Krabi.

Sexto dia:

Acordamos bem cedo para mergulhar e tentar desentupir a entrada de água do motor. A correnteza continuava muito forte, pelo menos mais de um nó, e eu tinha que ficar amarrado ao barco para não ser levado. Nao conseguí achar o problema e resolvemos sair logo. Sem vento, fomos com o motor meio capenga contra a correnteza, fazendo em média um nó e meio.

No meio da manhã entrou uma brisa suave que não chegou a mudar muito nossa velocidade. Perto da hora do almoco estávamos na ponta norte de Ko Yau Noi. O vento começou a aumentar e mudou de direção. Iriamos ter um bom cotravento pela frente, mas pelo menos agora a maré estava a favor. Velejamos assim por umas duas horas até que as nuvens baixas começaram a aparecer e o vento a aumentar. Pretendíamos passar pela ilha Khao Phing Kan, mais conhecida como a Ilha de James Bond porque aparece em um dos filmes de 007. Por ser famosa e bem acessível para os barcos de turistas a ilha fica lotada durante o dia. Queríamos apenas passar para tirar umas fotos, mas dormir em alguma das outras ilhas próximas, que são tão bonitas quanto e ficam vazias.

No meio da tarde os temporais irregulares voltaram com ventos 25-30 nós. Chovia e ventava muito por meia hora e depois parava para voltar novamente pouco depois. Desistimos de James Bond e rumamos para Koh Hong. A área toda é de sedimentação de varios rios, a profundidade cai de repente de 6 metros para 2 metros e a correnteza chega a superar 3 nós. Novamente estávamos com correnteza e vento contra, em um dos bordos conseguíamos avançar a dois nós pelo GPS, quando canbávamos e ficávamos de lado para a correnteza voltávamos a dois nós. Era como na música, "são dois pra la, dois pra cá".

Passamos quase todo o sexto dia brigando contra os temporais e a correnteza.

Estava anoitecendo e os temporais ficavam piores, ou pelo menos pareciam piores na escuridão. Estávamos a 12 milhas da marina e a cinco de onde pretendíamos parar. No dia seguinte teriamos que entregar o barco até meio dia. Decidimos então ligar o motor capenga e ir motorando direto para a marina. Faziamos ente 1.5 e 2 nós; entramos no canal por volta de 10:00 da noite e chegamos na marina ja depois de 1:00 da manhã. Fundeamos do lado de fora, pois naquela hora não teríamos ajuda para entrar no pier e manobrar para colocar o barco na vaga. .

Setimo dia:

Acordamos com calma, tomamos um bom cafe da manha e comecamos a arrumar nossas coisas e a preparar o barco para a entrega. Por volta da 10 horas levantamos a âncora e chamamos a marina pelo radio para avisar que estaríamos entrando, logo chegou o bote que nos guiaria por entre os bancos de areia da entrada. Passamos novamente raspando nos mega-iates que ficam na ponta do pier e o bote de apoio nos guiou até o finger onde nosso barco deveria ficar. Juntamos nossas coisas, deixamos o barco e fomos ao escritório da empresa de charter para formalizar a entrega do barco. Almoçamos um pad thai delicioso em um restaurante local perto da marina e fomos para o hotel.

Essa foi nossa primeira experiência de fazer um charter e gostamos bastante. É uma opção bem interessante se você não tem tempo para fazer uma longa viagem, mas quer conhecer lugares distantes, no entanto é muito diferente de ter o próprio barco. É como viajar e ficar em um hotel, é bom por um tempo, mas você não se sente tão a vontade quando em sua própria casa.

Quanto ao barco, ele cumpriu bem o papel de um veleiro para passeios curtos em águas relativamente abrigadas. O conforto interno fica um pouco limitado por causa das 3 cabines em um 36 pés e por valorizarem mais a area externa, também não sobra muito espaço para almazenamento e para um bom paiol. A cozinha e o banheiro são bem mais apertados que em barcos bem menores como o multichine 28 e as roupas e comida para uma semana lotaram completamente os armários e despensas. Não pegamos mar aberto e o vento maximo ficou em uns 30 nós nas rajadas, em aguas tranquilas se comportou bem, mas se eu fosse fazer uma travessia mais longa e em mar aberto ficaria bem mais contente se estivesse em um Samoa 34, Samoa 36, Multichine 36 ou no Kiribati.


Pop 25 - O atalho para se obter um veleiro de cruzeiro

Nada é mais frustrante do que se ter um sonho que não possa ser alcançado. Cruzeiro a vela é uma atividade que pode trazer uma infinita sensação de liberdade, que, no entanto pode parecer fora do alcance de muitas pessoas.

Possuir um veleiro de oceano adequado não é moleza para quem não tem muita grana. Trabalhando em projetos de iates aprendemos que um montão de gente de todas as idades sonha em ter um veleiro sem terem a menor idéia de como irão conseguir realizar esse sonho.

Como amamos a vida de cruzeiristas tanto quanto gostamos de desenhar barcos, para nós é fantástico tentar democratizar esse esporte. O principal atalho que podemos conceber é projetar para construção amadora. Foi com essa idéia na cabeça que desenhamos o Pop 25, um barco fácil de construir especificado para ser feito por um método novo que permite ver o resultado da obra em pouquíssimo tempo.

Nossa proposta era a de criar um veleiro de vinte e cinco pés verdadeiramente oceânico. No entanto algum compromisso teria que ser admitido para que isso pudesse ser conseguido, sabendo que não dá para fazer milagre. Ser menor significa ser mais barato e mais simples de ser construído, e foi por aí que nos aventuramos. É como possuir um carro compacto. Não tem muito espaço de sobra lá dentro, mas você pode ir com ele aonde quiser. Os recursos que tivemos que utilizar para tornar nosso esforço bem sucedido foi dotar o salão de um pé direito razoável (1.79m máximo sob a gaiuta principal quando fechada), uma grande capacidade de armazenagem de água para um barco desse porte (260l), super-confortáveis beliches de casal, ventilação natural e isolamento térmico eficiente. Acrescente-se a isso a possibilidade de fazer manutenção de fundo sem ter que pagar pelo serviço onde quer que se tenha uma variação de maré maior do que 1,10m, sentimos que alcançamos nosso objetivo.

Ser possível fazer manutenção de fundo sem precisar pagar por isso não tem preço. Se esse barco ainda é capaz de realizar travessias oceânicas além de ser fácil e barato de ser construído, então temos razão para acreditar que ele represente um marco em projetos de veleiros de cruzeiro oceânico.

Nossa mensagem foi capturada por gente do mundo inteiro. Mesmo sendo um projeto recente, hoje tem gente de tudo quanto é continente construindo Pops 25. Não importa de onde você seja; a atração por um barco de capacidade oceânica de baixo custo está aí para enfeitiçar você. Por que ficar preso em terra firme se você pode ir aonde quiser em um barco construído por um baixo custo com suas próprias mãos?

Um bom exemplo do entusiasmo que esse modelo exerce é a construção do Konquest, que está sendo feito em Santa Catarina pelos irmãos Marcelo e Vandeli Schurhaus. Eles estão se divertindo um bocado na construção de seu barco. Ao fazer a mesa de navegação, tiveram a classe de entalhar uma rosa dos ventos no centro da tampa da mesa, um espetáculo!

Um autêntico veleiro de oceano merece uma mesa de navegação de verdade. O Pop 25 é particularmente bem servido nesse sentido. O navegador se senta voltado para a proa tendo uma antepara à sua frente onde podem ser instalados o monitor do radar e o chart plotter. Além disso, possui um amplo armário de cartas náuticas. A rosa de ventos machetada no centro da mesa de navegação mostra o carinho com que os irmãos Schurhaus estão se dedicando à construção do Konquest. Cortesia: Marcelo Schurhaus.

Quantos veleiros desse porte possuem beliches largos como esse? Cortesia: Marcelo Schurhaus.

Outro exemplo de dedicação e entusiasmo é a construção do Hayal, que está sendo feito na Turquia por Selim Karahan com a ajuda de seu pai. Mesmo sendo totalmente inexperientes em construção de barcos de recreio, eles conseguiram construir o barco em muito pouco tempo. O Hayal já está praticamente concluído, e seus construtores estão muito orgulhosos com o resultado. O interesse local por ver o Hayal velejando deve ser grande, pois existem vários outros Pop 25 sendo feitos naquele país.

Hayal já deve estar concluído, ou quase. Essa foto já tem uns dois meses quando foi divulgada no blog dos Karahan. Eles estão instalando um motor auxiliar Yanmar 2YM15 de rabeta em vez do motor elétrico sugerido no projeto. Para ajudá-los fizemos a planta para a instalação desse motor como cortesia, uma contribuição para a classe. Foto: Selim Karahan.

Seguimos com regularidade os progressos de nossos construtores que editam blogs para relatar o andamento de suas obras. Um deles é o Rancho Alegre, sendo construído por Francisco Aydos, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Esse Pop 25 também está na reta final da construção e breve deverá estar navegando.

Rancho Alegre está nos últimos estágios de construção. O interior já está concluído e todas as ferragens específicas do projeto já entregues e prontas para serem intaladas, inclusive as quilhas gêmeas. Cortesia: Francisco Aydos.

Francisco optou por um Volvo D1-13 sail-drive diesel em vez de a motorização auxiliar elétrica sugerida. Cortesia: Francisco Aydos.

Está faltando bem pouco para terminar a construção do Rancho Alegre. As duas quilhas do barco, protegidas por galvanização a quente, já estão prontas. A possibilidade de fazer essas quilhas em qualquer oficina que tenha um torno mecânico é uma das vantagens do projeto. Cortesia: Francisco Aydos.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25.


Pop 25 Konquest - Construindo o barco da família

Consideramos ser um privilégio quando uma família se reúne em busca de um sonho. É isso que está acontecendo com a construção do Pop 25 Konquest que está sendo feito em Santa Catarina pelos irmãos Marcelo e Vandeli Schurhaus. O desafio da família Schurhaus não é desprovido de obstáculos. O barco está sendo construído exclusivamente nos fins de semana sobre a laje da garagem de sua residência sem que haja corrimão de proteção em suas beiradas, nem abrigo para proteger a obra das inclemências do tempo, além de uma lona para cobrir a obra no fim de cada dia de serviço.

O barco visto da popa tendo a filhinha do Marcelo já se acostumando com o que será seu futuro beliche...sempre ao alcance dos olhos atentos da mãe. Foto: Marcelo Schurhaus.

Com somente os fins de semana para trabalhar e ainda tendo que contar com um bom tempo, apesar dessas limitações a obra avança bem rápido, o interior já estando praticamente concluído, tendo sido feito a toque de caixa. Recentemente publicamos um artigo mostrando um vídeo da virada do casco, esse vídeo proporcionando um show de competência e bom planejamento bonito de ser visto. Temos o link para o blog que Marcelo edita regularmente – “Pop 25 Konquest”. Caso deseje abri-lo, irá conhecer toda a história dessa construção. No entanto estamos escrevendo essa nota somente para mostrar como o interior do Konquest já está ficando com cara de pronto.

Por essa altura fica comprovado que a construção do interior do Pop 25 é uma operação rápida e fácil de ser executada. As anteparas transversais já representam uma boa parte da mobília interna, e elas foram pré-fabricadas em bancada antes de qualquer outra coisa. Também os painéis longitudinais de compensado são em sua maioria retangulares, as poucas portinhas da mobília podem ser construídas em bancada e as guarnições e acabamentos são sarrafos retos cujo acabamento nas extremidades é feito com juntas de topo, as mais fáceis de serem realizadas. Um método tão fácil de construir assim dá um desejo de terminar o interior num piscar de olhos para que possam ver como o barco fica sendo por dentro, e para logo em seguida iniciar a fabricação da superestrutura. Esse tem sido o caso de todos os construtores de Pop 25, a família Schurhaus não send exceção. A meta é terminar o barco antes do fim de 2013.

A carpintaria básica do móvel da cozinha já está concluída, faltando apenas instalar os acabamentos. A privada também já está instalada em seu compartimento. Foto: Marcelo Schurhaus

Nós da B & G Yacht Design desejávamos que o Pop 25 viesse a ser conhecido como um veleiro oceânico de preço acessível e fácil de ser construído. Isso, aliás, está sendo confirmado por nossos construtores. Agora estamos descobrindo que ele também pode vir a ser o barco de oceano ideal para uma família.

É nessa idade que se conquista o amor pela náutica. Se toda a família se diverte a bordo, os filhos vão gostar de velejar para sempre. Foto: Marcelo Schurhaus

Clique aqui para conhecer mais sobre o Pop 25.


Plate Alloy, uma nova parceria na Austrália

Estamos iniciando uma nova parceria com a empresa Plate Aloy, em Melbourne, que irá facilitar e dar um grande avanço na construção dos nossos projetos desenhados para alumínio na Austrália, Nova Zelândia, Oceania e sudeste asiático.

A Plate Alloy irá produzir kits para construção particular para alguns de nossos projetos.

A Plate Alloy é uma empresa especializada em corte numérico de chapas de alumínio, fornecendo vários kits previamente cortados para construção particular de pequenas lanchas e barcos de serviço. O proprietário da empresa, John Pontifex, comentou que já há algum tempo vinha pensando em ter também um linha de kits de veleiros e quando conheceu nossos projetos viu que possuíam as características que estava procurando e logo em seguida entrou em contato com nosso escritório em Perth, Austrália Ocidental. Todos os kits fornecidos pela Plate Alloy vêm acompanhados de um manual ilustrado mostrando detalhes da montagem de cada peça e várias informações úteis para os construtores particulares.

Dois modelos de lanchas construídos com os kits fornecidos pela Plate Alloy.

Inicialmente vamos começar a parceria com três projetos, os já consagrados Kiribati 36, o Pop Alu 32 e nosso próximo lançamento, o Pop Star 21. O Kiribati 36 já começou bem com duas pessoas interessadas em adquirir o kit, antes mesmo de anunciarmos nossa parceria. Eles também poderão fornecer o serviço de corte de chapas para outros modelos em alumínio de nossa linha de projetos, como o Multichine 41 e o Polar 50. Como estando fascinados por este ramo de construção em alumínio, podemos fazer a conversão para este material de outros modelos inicialmente desenhados para aço, como o Multichine 45 e a Curruira 42.

Luis Gouveia e John Pontifex no galpão da Plate Alloy.

Além dos kits para construção e o corte de chapas, outro serviço muito interessante oferecido pela Plate Alloy são os cursos de construção e soldagem em alumínio. Os cursos começam com as noções básicas de soldagem e equipamentos de solda, materiais, e informações importantes para quem deseja fabricar um barco. Logo no primeiro dia começa também a parte prática com os alunos treinando em peças avulsas em diferentes posições e tipos de juntas, e continua passando para peças mais complexas. Quando os estudantes passam a dominar as noções básicas eles passam para a montagem de um kit de um barco real. Normalmente estes cursos têm a duração de 5 dias e os alunos terminam com todo o conhecimento necessário para partirem para a construção de seus próprios barcos.

Barco produzido pelos alunos durante um dos cursos soldagem em alumínio e construção oferecido pela Plate Alloy.

A clássica foto de graduação de diferentes classes de alunos inscritos no curso de montagem de kits. Foto: John Pontifex.

Quem estiver interessado em conhecer mais sobre a Plate Alloy e os serviços que eles fornecem podem visitar o site www.platealloy.com.au.

Clique aqui para conhecer mais sobre o Pop Alu 32.


Curruira 33 Milestone já está na água

Recebemos uma boa notícia vinda da Turquia, esse país surpreendente que vê sua economia crescendo a passos largos enquanto seus vizinhos da Comunidade Europeia patinam em dificuldades financeiras. Foi nesse país que o primeiro trawler da classe Curruira 33 ficou pronto.

A Curruira 33 é um trawler de casco redondo desenhado para navegação em alto mar. O projeto favorece longa autonomia ao proporcionar um plano de linhas com formas de baixa resistência ao deslocamento, além de oferecer abundante flutuação de reserva. Cortesia: Emre Yilmaz.

Nosso cliente, Emre Yilmaz, nos informou que o primeiro teste com seu novo barco foi uma travessia de 250 milhas partindo de Gemlik, no Mar de Mármara, onde o barco foi construído, com destino a Ayvalic no Mar Egeu, onde ficará estacionado numa marina. Ele informou que a viagem foi um sucesso e que está encantado com o comportamento do barco no mar. O e-mail que nos enviou segue abaixo:

“Caros Roberto e Luis da B & G Yacht Design;
 
Lançamos a Curruira 33 (MILESTONE) à água no dia 26 de maio de 2013 na localidade de Gemlik, na costa leste do Mar de Mármara. Após fazer alguns testes com distribuição de lastro, deixamos o porto de Gemlik no dia 29 de maio às 05:30, com a intenção de cruzar toda a extensão do Mar de Mármara. Chegamos à ilha de Avsa às 15h00min, depois de dez horas de navegada ininterrupta, mantendo uma média de sete nós durante o percurso. Depois de uma rápida parada, atingimos Aksaz, um vilarejo localizado na entrada do canal de Hellespont, às dez da noite. Nosso plano era pernoitar lá , deixando a viagem para ser realizada durante o dia, mas como fomos informados de que o tempo estava para mudar, decidimos partir de noite mesmo. Saímos de Aksaz para chegar à entrada do Mar Egeu às cinco da tarde. De lá seguimos para Babakale (em frente a Lesvos) para atingir a entrada da marina de Ayvalik Setur, o lugar de estacionamento da Milestone, às onze da noite.

Agora, depois de passar por seu primeiro teste, uma viagem sem incidentes, tendo obtido uma média de sete nós de velocidade, Milestone está em Ayvalik, seu porto de registro. Gastamos 200 litros de combustível, o que me faz estimar que nosso Yanmar 75hp consome em torno de sete litros por hora a 2400rpm.
Senti alguma dificuldade no comando quando manobrando de marcha a ré, tendo necessitado da ajuda do bow-thruster para auxiliar na manobra.

Dividindo com vocês minha curta experiência com o barco, minha conclusão é que ele é fantástico, com muitos pontos positivos e poucos negativos.

A formação de ondas com o barco navegando a toda marcha é sensacional. Graças ao seu casco redondo e suas linhas d’água suaves ele desliza na crista das ondas como se fosse uma prancha de surf. Os porões não têm uma gota d´água, não existe uma só goteira e muito menos condensação.

Estou apaixonado pela vista lateral do barco. Ele se parece com uma robusta traineira com um design charmoso. Concordo com o comentário que Luis fez de que ele é o barco mais bonito da marina. Se não tivesse feito esse barco, estava em meus planos adquirir um Beneteau Swift Trawler 34, mas agora posso dizer que tive muita sorte por ter escolhido a Curruira 33.

Obrigado por tudo.

Saudações
Emre Yilmaz

A viagem inaugural do Milestone desde Gemlik, a localidade onde foi construído no Mar de Mármara, até a marina de Ayvalic, onde ficará estacionado no Mar Egeu.

Nossa resposta segue abaixo:

“Olá Emre

Observamos suas fotos cuidadosamente e ficamos encantados. Que boa qualidade! Parabéns para seu construtor, o Sr Saban. Também achamos que o estilo que demos ao projeto ficou bem agradável. É bom saber que você também está gostando das linhas do barco e que ele esteja se destacando na marina onde está estacionado.

Curruira 33 Milestone estacionada na Marina de Ayvalic, no Mar Egeu. Cortesia: Emre Yilmaz.

Sobre as qualidades marinheiras da Curruira 33, essa é mesmo nossa aposta. Projetamos trawlers para terem longa autonomia navegando em velocidade típica de barcos de deslocamento.
Notamos em uma de suas fotos que faziam um lanche com o barco navegando, e pela janela pudemos ver que o mar estava bem mexido lá fora. No entanto nada caía da mesa. Isso é motivo para comemorar. Você fez bem em distribuir os lastros para que o barco flutuasse corretamente.

Dá para acreditar que a Milestone seja um barco de apenas 33 pés de comprimento? Cortesia: Emre Yilmaz

Em nossa opinião o sistema construtivo Madeira/epoxy é um dos melhores que existem, e seria um motivo de decepção saber que seu barco tinha a mínima goteira.
Sobre a manobrabilidade na marcha a ré, isso é típico de trawlers com um só motor. O bow thruster é importante para que tenha um bom controle da manobra. Em relação à velocidade máxima, não adianta colocar um motor maior, pois o aumento será insignificante, além de requerer maior capacidade de armazenar combustível e de aumentar o deslocamento, o que em si só já reduziria a velocidade.
Saudações
Roberto e Luis.”

Apesar do mar mexido lá fora, nada parece estar escorregando em cima da mesa. Cortesia: Emre Yilmaz

Emre nos informou que irá nos mandar um vídeo sobre essa sua primeira viagem, o qual será um prazer publicar em nosso site.

O layout da Curruira 33 inclui duas cabines em suíte com cama de casal, um luxo em um trawler de 33 pés de comprimento. Cortesia: Emre Yilmaz

O convés da Milestone é todo forrado com teca em um acabamento primoroso. Cortesia: Emre Yilmaz.

Clique aquí para saber mais sobre o Curruira 33.


Construindo o interior do Pop 25

Desenhar um projeto novo é uma atividade muito prazerosa. Quando se está produzindo um novo barco um dos grandes desafios é procurar soluções inovadoras que possam ajudar as pessoas a se sentirem seguras e confortáveis quando navegando dentro da cabine.

Seguir a construção das primeiras unidades do projeto também é muito excitante. Essa sensação de ansiedade é novamente repetida quando somos informados que um barco está para ser inaugurado, ou mais ainda saber que um deles realizou um longo cruzeiro.

No momento nossas histórias se resumem a relatos de construção, ou seja, estamos ainda nos primeiros capítulos de uma novela que não tem data para terminar.

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Um desses barcos em construção é o Solaris, que está sendo feito por Fernando Santos no Clube São Cristovão, um popular reduto da construção amadora no Rio de Janeiro. Fernando iniciou sua construção em agosto de 2012, e nessa altura do campeonato está construindo a superestrutura, de modo que já é possível visualizar como o interior é volumoso.

O interior do Solaris já está quase pronto. A cabine de proa é surpreendentemente espaçosa para um veleiro de seu porte. O que é mais fora do usual é o fato de ainda existirem outros dois beliches de casal, esses mais amplos ainda. Cortesia: Fernando Santos.

No caso do Pop 25, ao seguir a construção do Solaris e de outros pioneiros da classe, podemos dizer com convicção que a gente colhe o que planta, e estamos confirmando nossa previsão de que o barco é um campeão em conforto interno e funcionalidade para um veleiro de cruzeiro de vinte e cinco pés de comprimento.

O banheiro se estendendo de bombordo a boreste e é suficientemente amplo para permitir que se tome uma ducha em seu compartimento. Uma cortina instalada na porta da antepara que separa o salão do banheiro permite obter privacidade e impede que água molhe o corredor na área da cozinha. Cortesia: Fernando Santos.

Pia do banheiro já instalada. A opção por uma pia oval é elegante, mas nossa especificação por uma pia igual à da cozinha tem uma razão de ser: poder usá-la em emergência drenando para o holding tank quando o barco estiver em lugares onde não seja permitido lançar efluentes na água. A pia retangular indicada nas plantas é mais adequada para se lavar louças e panelas numa emergência. Cortesia: Fernando Santos

Fernando aceitou nossa sugestão e instalou o fogão não pressurisado a alcool Origo, o que tem tudo a ver com a filosofia do barco, de ser ecológicamente correto, prescindindo de combustíveis fósseis. Cortesia: Fernando Santos

É impressionante como é extenso o corredor central da cabine. Imaginamos como o Solaris irá ficar simpático quando estiver com o acabamento concluido. Cortesia: Fernando Santos.

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Já existem vários barcos da classe envolvidos com a construção do interior. Um deles é o Hayal, que está sendo construído na Turquia por Selim Karahan com a ajuda de seu pai. Esse Pop 25 está mais adiantado em sua construção do que o Solaris. Não ficaríamos espantados se recebêssemos um e-mail dizendo que o barco já está terminado, pronto para sair velejando. O que sabemos que está faltando é a instalação do motor, que Selin optou pelo Yanmar 14 hp com rabeta. Como não é a primeira opção do projeto, o estamos ajudando a definir seu posicionamento, pois abemos que nem todos irão desejar instalar motorização elétrica.

Hayal já está com o interior concluído e o convés com o forro instalado. Essa foto não sendo recente é provável que tenham outras novidades já no lugar. Cortesia: Selim Karahan

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Enquanto Hayal já está vendo a luz no fim do túnel em relação à construção do interior, outro Pop 25 está apenas vendo a entrada do túnel a sua frente. Esse barco é o Konquest, sendo feito por Marcelo Schurhaus e seu irmão Vandeli na laje da garagem da casa dele onde o barco está sendo construído (veja seu blog em nossa página de links – Pop 25 Konquest). A seguir mostramos a precisa operação de virada do barco nesse vídeo do You Tube:

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Outros Pop 25 estão avançando suas construções em diferentes lugares. Ficamos mais atualizados com os as obras cujos donos criaram blogs para informar sobre os seus progressos, mas as vezes recebemos e-mails nos contando sobre alguma novidade sobre a classe. Uma dessas é sobre um Pop 25 que deverá ser construído no ANI (Associação Náutica de Itajaí) por João Marcos Pereira. O lugar tem uma atmosfera muito bacana, parecendo um centro de construção amadora da Nova Inglaterra, onde construção em madeira é uma tradição de séculos.

Nessa oficina de construção amadora na cidade de Itajaí, Santa Catarina, deverá ser construído mais um Pop 25. Cortesia: João Marcos Pereira.

João Marcos nos encaminhou esse e-mail:

Saudações Náuticas.
Este casco esta sendo confeccionado pelo grande amigo Evandro (Cc) e o Rodrigo, sob a orientação do incansável Wilson da ANI, em um galpão alugado recentemente na Praia Brava em Itajai.
O barquinha e bem talhado, mas o projeto não tem muitos detalhes e o pessoal tem penado um pouco para dar andamento.
Apresentei o projeto plotado do POP para o pessoal e fiquei surpreso com o entusiasmo da turma.Via de regra todos já conheciam alguma coisa do POP, mas ficaram bem impressionados com o grau de detalhamento e a concepção do projeto como um um todo. Creio que tanto o POP como outros projetos terão boa aceitação na região, desmistificando a idéia que construir um barco para lazer e inviável.
Bons Ventos.
Bacco.

Nosso veleiro de oceano de custo acessível e fácil construção vai realizando uma promissora carreira. As novidades sobre a classe serão regularmente divulgadas em nossas notícias. Pretendemos fazer uma edição especial quando o primeiro barco da classe for inaugurado. Ainda existe um suspense a esse respeito, de qual será o barco a realizar esse feito. Por enquanto temos apenas alguns favoritos

Clique aquí para saber mais sobre o Pop 25.


Pop Alu 32 em Porto Alegre: Primeiro da classe com caldeiraria terminada

Ja se encontra terminado em Porto Alegre o primeiro casco do Pop Alu 32. Nosso amigo e construtor Jairo, do estaleiro Ilha Sul Construções Náuticas nos enviou fotos recentes.

Para um aspirante a navegar com a segurança inerente a um casco bem construido em aluminio esta é uma excelente oportunidade de atingir o obetivo a curto prazo.

O Pop Alu 32 tem aspectos de vanguarda no desenho, e com suas duas quilha de bulbo pode fácilmente ser encalhado para manutenção em qualquer lugar com maré de um metro ou mais, e mesmo em pátios de estaleiro, por poder ficar apoiado sobre as quilhas, será um barco fácil de manusear, pois não precisa de berços e apoios especiais.

Com o custo elevado para se tirar um barco da agua, que com o desenvolvimento imobiliário junto ao mar só tenderá a aumentar, poder fazer a manutenção do barco numa baixada de maré poderá suavisar em muito o custo de se manter um barco.

Juntamente com o Pop 25 este desenho incorpora muitas inovações tanto em métodos construtivos como em linhas de casco e apéndices, e temos certeza que muitos velejadores vão encontrar nestes projetos a plataforma que aspiram para viver seus sonhos de cruzeiro.

A oferta de kits pré-cortados para todas as peças de aluminio e também para todo o compensado da mobília interna faz com que esses sonhos possam ser atingidos mais rápida e económicamente.

Clique aquí para saber mais sobre o Pop Alu 32.


De Volta Para a Australia

Depois de uma temporada na Ásia nosso escritório de projetos está de volta para a Austrália. Foi uma experiência muito interessante tanto na parte pessoal quanto profissionalmente.

Centro de Perth visto de Matilda’s Bay

No início de 2009 quando já nos sentíamos completamente adaptados à Austrália a Astrid recebeu um convide para assumir a gerência de engenharia representando uma empresa brasileira que estava construindo em Cingapura duas plataformas de perfuração para prospecção de petróleo em águas profundas. Não foi uma decisão fácil, a empresa de projetos de iates que abrimos na Austrália, a B & G Yacht Design, estava para completar um ano e não queríamos interromper ou adiar os planos de internacionalizar nosso escritório. Descobrimos que seria viável operar a empresa mesmo estando fora do país operando pela internet e mantendo em dia nossas obrigações com o governo australiano. Decidimos então partir para mais uma aventura em um outro país.

Cingapura é um lugar bem interessante. É uma cidade/estado que ocupa uma ilha no sul da Malásia. De carro demora-se cerca de duas horas para circundar todo o país. É um centro comercial, industrial e portuário dos mais avançados da Ásia, e como país independente tem apenas cerca de 50 anos de existência. Trabalha-se muito, mas o nível de vida é alto, um bom exemplo do que uma boa administração, governantes sérios e um povo trabalhador podem dar para países bem maiores, mais antigos e com mais recursos.

Cingapura, uma pequena ilha ao sul da malásia que em 50 anos após a independência é um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Ficamos um ano e meio em Cingapura. Quando chegamos, a construção da primeira plataforma já estava na metade e a segunda prestes a começar. Em meados de 2010, perto do final da construção, a mesma empresa brasileira começou a negociar a construção de dois navios sondas com o estaleiro Samsung na Coreia, e novamente Astrid foi convidada para continuar como gerente de engenharia e mais adiante assumir gerência geral do site. Desta vez a decisão de partir foi mais simples, já tinha a comprovação que trabalhar à distância era algo possível e de certa forma bem simples, a B & G Yacht Design continuava a crescer e nossa marca já estava mais conhecida internacionalmente, e novamente teríamos a oportunidade de conhecer um novo país e uma nova cultura. Em setembro de 2010 deixamos Cingapura para viver em outra ilha, Geoje, na Coreia do Sul.

Estaleiro Samsung na ilha Geoje, na Coréia do Sul.

Na Coreia do Sul minha rotina mudou um pouco. Além do trabalho normal em nosso escritório de projetos também trabalhei como consultor de engenharia naval, estrutura e máquinas no acompanhamento da construção dos dois navios sonda no estaleiro Samsung. O estaleiro é o terceiro maior da Coreia com capacidade para produzir até 85 navios por ano, e operando bem perto deste limite. Foi uma experiência nova e interessante poder acompanhar desde o inicio uma construção bem diferente das que estamos acostumados a projetar no escritório. O tempo de construção foi mínimo considerando a complexidade dos navios, 18 meses do primeiro corte de chapa até a entrega, e a qualidade final ficou comprovada pelo tempo curto da aprovação pela Petrobras e pelos órgãos governamentais brasileiros para que os navios pudessem entrar em operação.

Vídeo da saída do Navio Amaralina Star filmado pela tripulação do Laguna Star no estaleiro Samsung

Amaralina Star, um dos navios que participei da construção na Coréia.

No final de 2011 recebi um convite para um serviço interessante e inusitado. Por intermédio do nosso parceiro Luis Manuel o pessoal da fundação Sea Shepherd me contatou sobre a possibilidade de eu inspecionar um navio que estavam interessados em adquirir para a sua frota. Até aí tudo bem, só que o navio estava no Japão e havia pertencido ao governo Japonês, caso desconfiassem que eu estava representando a fundação Sea Shepherd cancelariam o negocio na hora. Criaram uma história em que eu havia sido contratado por um agente nos Estados Unidos que representava um milionário americano que pretendia transformar o navio em um iate de luxo. No final saiu tudo bem, o navio estava em bom estado e dei um parecer positivo. A compra foi efetivada e o navio hoje está ajudando a combater os pesqueiros japoneses que caçam baleias. Mais legal ainda é que nosso amigo e colaborador Luis Manuel foi escolhido como capitão. Essa história vou contar com mais detalhes em outra matéria.

O Seifu Maru ancorado no porto de Shimonoseki.

Terminada a construção dos dois navios fomos convidados para continuarmos na Coreia seguindo a construção de outro navio para a mesma empresa, mas decidimos que havia chegado a hora de voltar para a Austrália. Arrumamos as malas, empacotamos novamente nossas coisas e em setembro de 2012 saímos de Geoje para voltar para Perth. No caminho de volta, 15 dias de ferias na Tailândia incluindo uma semana de charter em um veleiro na baia de Phuket. Essa viagem eu também vou contar em outra matéria.

Navegando na saída do canal da marina em Phuket.

Chegando na Austrália é hora de remontar nossa estrutura novamente. Arrumar um lugar para morar, esperar pelo conteiner com a mudança, desempacotar nossos pertences, montar de volta o escritório, escolas para crianças e tudo o mais. Leva um tempo, mas é parte da diversão.

Novo escritório da B & G Yacht Design em Perth.

De volta ao trabalho, certamente teremos um ano cheio de desafios pela frente. Os projetos mais recentes vão ganhando força com vários barcos em construção. O Kiribati já tem um segundo modelo praticamente pronto para ser lançado. O Pop Alu 32 conta com duas unidades em construção. O Pop 25 é um sucesso de vendas e impressiona pela facilidade de construção, com um barco quase pronto para ser lançado e varias unidades em diferentes etapas de construção, e a Curruíra 33 terá o primeiro barco lançado ainda no primeiro semestre na Turquia.

Os projetos anteriores também vão expandindo sua presença no Brasil e no exterior e constantemente temos barcos ficando prontos e navegando em diferentes lugares.

Pop 25, Curruíra 33 e Pop Alu 32, projetos recentes que vão se firmando no mercado.

Sobre os futuros projetos temos dois novos desenhos na prancheta, ou melhor, na tela do computador. O primeiro é um Day-sailer de 21 pés para ser lançado ainda no mês de abril e o segundo um catamarã de 34 pés para ser lançado ainda no primeiro semestre. Algumas outras ideias interessantes vão sempre surgindo e outras novidades certamente irão aparecer em nosso site durante o ano. Fiquem de olho nas atualizações do site e se quiserem alguma informação adicional sobre qualquer um de nossos projetos escrevam uma mensagem para mim no e-mail info@yachtdesign.com.br.

Pop Daysailer 21, o próximo lançamento da B & G Yacht Design


Um Trabalho Diferente no Japão

No final de 2011,quando ainda estava na Coréia, recebi um convite para um servico interessante. Por intermédio do Luis Manuel o pessoal da fundação Sea Shepherd entrou em contato comigo perguntando sobre a possibilidade de eu inspecionar um navio que eles estavam interessados em adquirir para a sua frota. Até ai tudo bem, seria um trabalho diferente e uma oportunidade de ajudar nas causas que eles defendem, só que o navio estava no Japão e havia pertencido ao governo Japonês, caso desconfiassem que que eu estava representando a fundação Sea Shepherd cancelariam o negocio na hora. Criaram uma história em que eu havia sido contratado por um agente nos Estados Unidos que representava um milionaário americano que pretendia transformar o navio em um iate de luxo.

Marcamos a data da inspeção com o brooker japonês, peguei o avião de Bussan para Fukuoka e de lá fui de trem para Shimonoseki onde o navio estava ancorado. Nao tinha ideia do estado do navio e sempre fica o receio de não estar bom e nada funcionar direito. Certa vez eu e o Roberto fomos contratados para inspecionar um veleiro e fizemos um relatorio para nosso cliente com as coisas que achávamos que nao estavam boas. No fim o cliente e o brocker ficaram chateados com agente, o primeiro porque achou que estaria comprando um joia e nós acabamos com o sonho dele, e Brocker porque queria que agente tivesse aliviado no relatorio.

O Seifu Maru, posteriormente renomeado para San Simon, no proto de Shimonoseki.

No final saiu tudo bem, o navio estava em bom estado e dei um parecer positivo. A compra foi efetivada e o navio hoje está ajudando a combater os pesqueiros japoneses que caçam baleias. Mais legal ainda é que nosso amigo e colaborador Luis Manuel foi escolhido como capitão.


Kiribati 36 - De volta ao Green Nomad

Depois de 6 meses a serviço da ONG Sea Shepherd chegou a hora de voltar ao Green Nomad. Nossa viagem com o novo barco esta lenta, mas consideramos importante lutar pela preservação dos oceanos, pois é neles que navegamos, e um oceano sem vida não será viável.

Fui comandante do navio Sam Simon na última campanha de defesa das baleias na Antártica. Mas o envolvimento do escritório Roberto Barros Yacht Design com o Sam Simon não para aí: Luis Gouveia foi a primeira pessoa a ir ao Japão para avaliar se o navio seria uma boa aquisição para o Sea Shepherd, e deu o sinal verde.

O Sam Simon em Hobart, Tasmania.

E não estava errado: o Sam Simon provou ser um navio em ótimo estado e muito confiável, seguro e robusto. Enfrentamos tempestades no Oceano Austral de por a prova qualquer navio, e andamos por campos de gelo em que o casco reforçado foi uma grande garantia.

O Bob Barker a Leste do Mar de Ross, Antartica.

Agora, voltando ao Green Nomad tenho ainda mais interesse em desenvolver e promover nossos desenhos em alumínio com cascos de grande robustez e adequados a aventuras polares, desde o Kiribati 36 até o Polar 65, passando pelo Multichine 41 SK, Polar 50 e outras ideias para o futuro.

O Green Nomad agora navega por mares tropicais, pois ainda faltam vários equipamentos de convés e aquecedor que um dia permitirão que visitemos mais altas latitudes. Mas a base já temos, e estamos muito felizes pela escolha que fizemos.

Sam Simon passa ao largo de Heard Island, Oceano Indico.

Uma ideia que me ocorreu ao passar por Heard Island, uma ilha sub antártica pertencente a Austrália, e um cruzeiro polar bem viável: Sair de Cape Town no meio de Novembro, velejar para o Cooperation Sea, onde estivemos este verão com os navios do Sea Shepherd ( aproximadamente 68 graus latitude Sul 075 Graus Longitude Leste ), aproveitando os ventos favoráveis, ficar um mês na área, com o tempo favorável do auge do verão, e depois velejar para a Austrália ou Nova Zelândia, também com ventos favoráveis. Um barco como o Green Nomad poderia fazer essa viagem sem problemas, respeitando as condições meteorológicas que usualmente são favoráveis em Dezembro e Janeiro para a Antártica.

Uma viagem Antártica viável para veleiros de pequeno e médio porte.

Bela imagem capturada no Cooperation Sea, Antartica.

Uma das melhores coisas que proveem de se ter um barco de cruzeiro oceânico competente é a possibilidade de olhar para o mapa do mundo e decidir: vamos conhecer este ou aquele lugar, levando nossa casa e podendo ficar o máximo de tempo possível sem preocupações de custo, respeitando as condições impostas pela natureza.

Um competente veleiro de cruzeiro de altas latitudes, o Kiribati 36 Green Nomad.

Vale lembrar que para realizar a viagem acima é necessário pesquisar e obter as devidas permissões.

Para saber mais sobre nossos desenhos adequados a grandes viagens polares, visite nossa pagina de projetos clicando aqui.

Clique aqui para saber mais sobre a Kiribati 36.


Samoa 28 - Vela para regata de clube. Novo lançamento.

Mastreação de cruzeiro:

É uma constante em nossa empresa o desenvolvimento de produtos novos, seja na forma de projetos, seja com novos detalhes para projetos já existentes. Sempre que desenhamos um projeto de estoque, o plano vélico que especificamos originalmente é o que melhor preencha a função de cruzeiro oceânico. Essa armação com uma área velica de dimensões moderadas é a mais fácil de ser manobrada por uma tripulação reduzida, especialmente quando se muda de amuras pela popa, além de permitir que o barco veleje muito mais em pé no vento forte. Essa armação também é bem robusta, a prova mesmo da tempestade perfeita. Ela é ideal para quem tem como meta realizar cruzeiros, seja de longa distância, ou do tipo fim de semana, a maior parte das vezes com família a bordo, não necessariamente muito familiarizada com as técnicas de velejar. Essa mastreação compacta é nossa primeira opção porque projetamos nossos veleiros de cruzeiro para navegarem em qualquer latitude e em qualquer condição de tempo.

Samoa 28 Sirius velejando no Rio da Prata. Esse foi o primeiro veleiro da classe a ficar pronto. Com sua mastreação de cruzeiro ele se destaca em ventos fortes. Cortesia: Daniel D’Angelo.

O Samoa 28 com seu plano vélico de cruzeiro é um barco para cruzar oceanos como se estivesse passeando. Seu casco é resistente como uma rocha, enquanto que sua elevada estabilidade proporciona uma sensação de conforto e segurança quando realizando longas travessias comparável a barcos bem maiores. São essas características que têm consagrado esse projeto como um dos mais bem preparados para realizar longos cruzeiros.

O plano vélico em sua versão cruzeiro é sempre o primeiro que projetamos. Essa configuração privilegia a facilidade de manobra além de oferecer mais estabilidade e segurança.

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Mastreação de regata:

Apesar de privilegiarmos nossa mastreação de cruzeiro, pois afinal o Samoa 28 foi projetado para atravessar oceanos, uma boa parte de nossos clientes vive uma realidade diferente. Seja por falta de tempo, seja por falta de vontade, cruzeiros de longa distância estão fora de cogitação nas suas vidas. No entanto as regatas de fim de semana são para eles uma opção atraente, quando a prática da vela passa ser um esporte de competição divertido e animado, sendo uma oportunidade de comparar com tripulantes e concorrentes o desempenho na regata, sem falar na confraternização após a chagada na varanda do clube. Esse divertimento não tem preço, e para quem pratica acaba se tornando um vício. Para essa comunidade projetamos a mastreação voltada para um desempenho mais acurado, especialmente em ventos mais fracos. Essa é a nova mastreação que estamos incluindo no pacote do projeto do Samoa 28.

A nova versão de plano vélico, a qual denominamos mastreação para regatas de clube é mais indicada para aqueles que desejam participar de competições em sua área, ou que velejam primordialmente em regiões onde prevalecem ventos fracos.

Clique aqui para saber mais sobre a Samoa 28.


Samoa 28 - O super barco de cruzeiro

B & G Yacht Design é tradicionalmente conhecida por seu envolvimento com projetos de veleiros de cruzeiro. Desde o início de suas atividades, quando operava desde o Rio de Janeiro com o nome de Roberto Barros Yacht Design a empresa sempre procurou ajudar a todos aqueles que sonham em possuir um veleiro capaz de sair em mar aberto com conforto e segurança.

Sendo experientes cruzeiristas com várias passagens oceânicas realizadas em veleiros de nosso projeto temos uma boa noção do que realmente é importante para que se possa realizar travessias com segurança e bem estar em qualquer condição de tempo.

O Samoa 28 é um barco simples de ser velejado. Sua genoa 110% acoplada a um enrolador de vela de proa em uma armação fracionada faz o barco ser extremamente fácil de ser manobrado por uma tripulação reduzida. Cortesia: Bernardo Sampaio

Esse artigo tem a intenção de ressaltar certos aspectos do projeto que podem ser esclarecedores para aqueles que pretendem realizar passagens oceânicas. Construir um iate é uma ocupação bem divertida e empolgante, mas nada como uma vez concluída a obra navegar na embarcação construída com as próprias mãos. Se o barco então corresponder às expectativas quanto ao desempenho e outras características, então é a felicidade total.

Terrius foi um dos primeiros Samoa 28 a navegar. As informações que seu dono nos passou depois da primeira velejada foram bem positivas. Nada como um consumidor satisfeito para sabermos que nosso trabalho deu bom resultado. Cortesia: Bernardo Sampaio.

Recentemente recebemos um e-mail de Bernardo Sampaio contando o seguinte:

Estamos curtindo o barco praticamente todos os finais de semana. É a nossa casa de Praias.
Convivendo com outros velejadores e veleiros é que percebemos as qualidades do projeto. Altura do teto( pé direito), dimensões do banheiro, o conforto da popa larga e a prainha, alem da quantidade de lugares para guardar a tralha, tudo isso lembrando que se trata de um 28 pés, e sabemos que alguns pés a mais sempre fazem diferença. Quando viajamos com outros veleiros não temos problemas de água doce, pois os tanques do Terrius sãobem grandes...

O interior do Terrius é tão confortável como um rancho canadense na floresta. Cortesia: Bernardo Sampaio

O Samoa 28 é um autêntico encouraçado de guerra. A mais importante decisão que tomamos quando estávamos planejando realizar o projeto foi sobre o método construtivo que iríamos adotar. Queríamos um barco fácil de ser construído, que fosse robusto e marinheiro. Escolhemos então o método sanduiche de strip-planking para fazer o casco, e o sistema ply-glass (compensado/epoxy revestido com fibra de vidro) para a superestrutura.

Essa foi uma escolha feliz. O barco se provou ser fácil de ser construído, strip-planking permitindo a construção de um casco redondo, a preferência de muitos, enquanto que a construção em sanduiche proporciona uma imensa rigidez ao casco. Por outro lado a construção do interior e do convés com compensado provou-se ser ao alcance de um amador inexperiente poder construí-lo. No final o Samoa 28 ficou sendo um barco de linhas modernas, de grande durabilidade, confortável e marinheiro.

O método “sanduiche de strip-planking” adotado no projeto pode ser a principal fator que impulsionou a carreira do Samoa 28. O casco relativamente leve, sólido como uma rocha, e sendo ao alcance do amador poder construí-lo, animou muitas pessoas a escolherem o projeto.

Strip-planking para a construção de cascos já é um método para lá de consagrado, enquanto construção em sanduiche proporciona a construção de cascos de imensa rigidez. Embora o material indicado para construir o miolo do sanduiche seja ripas de madeira, essas podem ser substituídas sem restrições por tiras de espuma de PVC. Outra vantagem do sistema adotado é não ser necessário construir cavernas internamente. Não demorou muito para que o projeto começasse a atrair a atenção de cruzeiristas de diferentes lugares que desejavam possuir um barco de cruzeiro nessa faixa de tamanho. O projeto está fazendo uma impressionante carreira tendo barcos em construção em cinco continentes.

O layout interno do Samoa 28 é o que pode ser considerado o que existe de mais funcional em barcos desse porte para quem quer viver a bordo por longos períodos. O barco sendo muito estável favorece o conforto da tripulação quando o mar estiver agitado.

Alguns de nossos clientes editaram blogs que estão com links desde nosso site, página de links, coluna da esquerda. São eles: Sirius, Caprichoso, Furioso, Baleia e Paloma. Sirius foi o primeiro veleiro da classe a navegar, enquanto que Caprichoso, Furioso e Baleia estão na reta final para ir para a água. Paloma que teve a construção iniciada bem mais recentemente, ainda está na fase de construção do casco. Outros construtores que tenham criado blogs, ou estou planejando fazê-lo, podem contar com o escritório para divulgá-lo em nossa lista de links.

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 28.


Pop 25 - Começa a temporada de virada de cascos

Parece ter sido coisa combinada. Três cascos de Pop 25 foram virados de cabeça para cima em um curto espaço de tempo. Esses barcos são o Solaris, que está sendo construído no Clube São Cristóvão, o polo de construção amadora no Rio de Janeiro, e que teve seu casco virado em dezembro de 2012, o Rancho Alegre, que está sendo feito em Porto Alegre, cujo casco foi virado no carnaval de 2013, e o Hayal, sendo feito na Turquia, esse tendo sido virado no início de março.

***

A virada do Rancho Alegre’s foi comemorada em grande estilo. Depois da bem-sucedida operação, nosso cliente Francisco Aydos deu um churrasco na melhor tradição gaucha, uma festinha para não ser esquecida. Além de ter podido contar com uma impressionante equipe de colaboradores, Francisco ficou especialmente agradecido à sua esposa Iara, e à sua filha Márcia, por terem filmado toda a operação e editado os vídeos que mostramos a seguir:

Agora irá começar a parte mais divertida, a construção do interior. De agora em diante cada dia de trabalho irá mostrar uma nova faceta do seu futuro iate.

Os amigos de Francisco assumindo suas posições antes de iniciar a virada. Cortesia: Francisco Aydos

De agora em diante todos os santos ajudam. Nessa altura do campeonato Francisco deve ter se sentido o feliz proprietário de um veleiro de cruzeiro oceânico. Cortesia: Francisco Aydos.

A primeira grande surpresa é descobrir como o interior do Pop 25 é volumoso. Cortesia: Francico Ayudos

Depois de um evento tão marcante como esse nada melhor do que um bom churrasco para recuperar as energias. Francisco é o quarto a partir da direita. Cortesia: Francico Aydos


Embora o barco ainda esteja em seco, toda sua tripulação pulou na água. Para afogar a sede depois do churrasco nada como uma cervejinha gelada. Cortesia: Francico Aydos

***

Ficamos espantados de saber que um Pop 25 cujo dono adquiriu o projeto em julho de 2012 já está com o casco virado de cabeça para cima. Esse barco é o Hayal (significa sonho em turco), e está sendo construído na Turquia pelo amador Selim Karahan com a ajuda de seu pai.

É impressionante a rapidez com que nossos construtores estão fazendo os cascos. A primeira notícia que recebemos de Selim foi para informar que seu casco já estava de cabeça para cima. Cortesia: Selim Karahan.

Selim publicou um blog,  http://pop25hayal.blogspot.com/ , que logo estará em nossa lista de links, coluna da esquerda, com a intenção de ajudar outros que estejam construindo um Pop 25 e que também não tenham experiência prévia. É legal que ele tenha criado esse blog, uma vez que sabemos que nossa galera segue rotineiramente todos os blogs da classe, trocando constantemente informações entre eles. A história da classe está se tornando um caso de interatividade, com vários construtores trocando figurinhas entre si. É verdade que no caso do Selim sua contribuição será mais efetiva para os outros construtores que estão fazendo o barco na Turquia, mas para quem não sabe ler turco e está construindo um Pop 25, somente ver as fotos do blog já é bem positivo. Já temos seis blogs da classe, incluindo o Hayal, em quatro línguas diferentes, e estamos confiantes que isso seja apenas o começo.

Se existe algo realmente surpreendente no projeto do Pop 25, esse detalhe pode ser a rapidez e a facilidade com que um casco pode ser construído. Nossos clientes não estão encontrando a mínima dificuldade em fabricarem os cascos. Selim ainda está recebendo uma ajuda preciosa de outro cliente nosso, Omer Kircal, que construiu um MC 26C, o Evrensel, que, aliás, ficou uma beleza. Cortesia: Selim Karahan.

Selim nos enviou um e-mail que transcrevemos abaixo:

Prezado Luis,
Como você sabe estamos construindo um Pop 25. Você pode acompanhar nossa construção seguindo o blog: http://pop25hayal.blogspot.com/ . 

É realmente um desafio e tanto para amadores como nós, mas na verdade é um desafio muito agradável. O barco irá se chamar Hayal, que quer dizer sonho em turco, pois afinal esse é o nosso sonho.

Estamos construindo em dupla, meu pai e eu. Meu pai sempre desejou possuir um veleiro como esse. Profissionalmente trabalhamos fabricando peças para navios, tais como escotilhas, portas estanques, etc. Meu pai desejava ter um veleiro, mas aqui na Turquia o preço de veleiros é proibitivo.

Um dia um amigo nosso conversou sobre construção amadora. Você deve se lembrar dele. Seu nome é Ömer Kirkal. Ele construiu um Multichine 26C , o Evrensel. Ele nos apresentou o site de vocês na internet, e foi então que pensamos; se analisarmos friamente nunca iremos ter um veleiro, uma vez que não temos dinheiro sobrando, nem experiência. No entanto nosso desejo de ter um veleiro era muito forte. Isso nos trouxe a coragem de adquirir os planos, comprar um estoque de compensado naval e colocar mãos à obra.

Ömer tem sido muito prestativo. Ele está regularmente nos dando uma mão sempre que temos alguma dificuldade. Mas, estudando e aprendendo, vamos seguindo em frente.

Nossos sentimentos devem ser bem diferentes, uma vez que vocês criaram o projeto e essa é sua especialidade. A sensação de segurança que o projeto nos transmite não tem preço. Ele parece ser poderoso!
Muito obrigado por nos ter dado essa chance e por seu apoio.
Saudações

Selim Karahan

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O Pop 25 Solaris teve seu casco virado de cabeça para cima em dezembro de 2012. Fomos convidados para o churrasco de comemoração da virada oferecido por nosso cliente, Fernando Santos, quando tivemos a oportunidade de ver pela primeira vez um barco da classe apoiado em suas duas quilhas gêmeas. Esse dia foi importante, uma vez que acreditamos ser a mais desejável característica do projeto sua capacidade de ficar apoiado em suas duas quilhas sem precisar de carrinhos, travel-lifts, ou rampas de serviço.

Fernando Santos não quis fazer os holding-tanks especificados no projeto. Naquele compartimento ele colocou garrafas PET para aumentar a flutuabilidade do barco. Substituir o isopor especificado por garrafas PET é uma boa ideia que tem tudo a ver com o projeto, cuja intenção é ser ecologicamente correto, uma vez que garrafas PET usadas são de graça, e aproveitá-las em vez de descartá-las, ajuda o meio ambiente. Cortesia: Fernando Santos

O Solaris já está com a carpintaria interna concluída e agora está iniciando a construção da superestrutura. As partes visíveis dos painéis de compensado internamente foram revestidas com fórmica branca o que conferiu um aspecto de amplidão ao interior. Como a aplicação do forro interno do teto da cabine é uma operação para durar um ou dois dias, logo o interior já estará fechado, mostrando sua aparência definitiva.

O beliche de proa do Solaris já está construído. É um luxo um veleiro de 25 possuir três beliches de casal. Cortesia: Fernando Santos

A classe Pop 25 sendo tão recente faz com que cada novidade instalada em um dos barcos em construção se torne motivo de grande curiosidade. Esse foi o caso do motor elétrico que já está fixado em seu compartimento. Fernando adquiriu o Electroprop 5.5kW, fabricado pela Propulsion Marine, de Santa Bárbara, Califórnia logo no início da construção. O custo do pacote completo foi bem menor do que seria se o motor fosse diesel e a instalação, essa então dá de goleada em simplicidade se comparada ao motor à explosão equivalente. Se considerarmos esses fatores, mais todas as outras vantagens que o motor elétrico proporciona, ficamos imaginando que num futuro próximo o motor elétrico será regra geral como propulsão auxiliar em veleiros de cruzeiro.

Solaris é o primeiro Pop 25 a instalar um motor elétrico de centro. O telescópio do eixo é feito de tubo de PVC revestido com tecido de vidro de ponta a ponta. Na ponta de cima será instalado o selo mecânico. Cortesia: Fernando Santos.

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Sendo um projeto novo o Pop 25 ainda está ensaiando seus primeiros passos. No entanto, pelo entusiasmo demonstrado pelos nossos construtores em seus blogs temos razões de sobra para acreditar que o Pop 25 será um campeão de popularidade entre os veleiros de cruzeiro de seu tamanho.

Clique aqui para saber mais sobre a Pop 25.


Samoa 28 - Um barco que gostaríamos de construir

Roberto Barros

Yacht design pode ser uma atividade fascinante. Quando um projeto é iniciado é dada a oportunidade ao projetista de produzir um barco que realmente atenda às necessidades do usuário, ou simplesmente desenhar um modelo parecido com os já existentes, sem nada de especial para oferecer.

Esse Samoa 28, o Terrius, foi construido por Bernardo Sampaio em Ubatuba, São Paulo. Nosso cliente está satisfeito com o desempenho do barco, assim como com o conforto interno. Cortesia: Bernardo Sampaio.

Nosso objetivo no caso deste projeto foi o de desenhar um barco destinado à navegação oceânica que pudesse ser controlado nas pontas dos dedos em qualquer condição de tempo. Essa meta poderia ser bem simples de ser alcançada, se a única característica a ser garantida fosse integridade estrutural. Nesse caso seria suficiente superdimensionar um pouco o projeto e teríamos um veleiro praticamente indestrutível. Mas apenas isso não nos deixaria satisfeitos. Queríamos projetar um veleiro que fosse competitivo em regatas de clube, e que ao mesmo tempo fosse confortável para uma família morar a bordo, tanto em porto quanto em alto mar. O barco teria que ser o sonho de consumo de nossos construtores, por mais ambiciosos que fossem os projetos de aventuras colocados nas agendas de seus proprietários.

O interior do Samoa 28 é adequado para se viver a bordo tanto em porto quanto em alto mar. Com 1,85m de pé direito no salão, banheiro com chuveiro e camarote do proprietário com hall de entrada, sofá e armários, o barco é extremamente espaçoso para seu comprimento.

O barco também teria que ser amigável para o construtor amador, ficando ao alcance do mais inexperiente deles poder fabricá-lo somente seguindo as instruções contidas no manual de construção. Essa confirmação nós já obtivemos, pois existem vários barcos da classe navegando, todos tendo sido muito bem construídos. Na realidade o processo construtivo é bem linear, do tipo “siga a seta”, e aqueles que seguem as instruções vão construindo sem problemas.

Samoa 28 Sirius em Punta del Leste, Uruguai. Sirius foi construído em City Bell, província de Buenos Aires, Argentina, pelo construtor amador Daniel D’Angelo, tendo sido o primeiro barco da classe a ir para a água. Pouco depois da inauguração participou da regata oceânica Buenos Aires – Punta del Leste, tendo obtido uma boa colocação em sua classe. Cortesia: Daniel D’Angelo.

O preço de se adquirir um barco adequado para atravessar oceanos em um salão náutico é fora do alcance da maioria das pessoas. Por outro lado um amador construir seu veleiro com o fluxo de caixa mensal que caiba em seu bolso está ao alcance de quase todo mundo. Aí é que ser um veleiro de 28 pés, e não um maior, ajuda para caramba. Afinal o custo do barco, em última análise, está principalmente vinculado ao seu deslocamento.

O salão do Samoa 28 é o mais completo possível para um barco de 28 pés. A cozinha com fogão de duas bocas e forno, geladeira, pia, lixeira embutida na bancada e uma profusão de armários é o sonho de consumo de qualquer cordon bleu náutico. A dinete também é muito confortável, com espaço de sobra para seis pessoas se socializarem ou quatro adultos fazerem uma refeição sem se se sentirem apertados.

Ser capaz de sair mundo a fora em um barco construído com as próprias mãos é uma conquista difícil de ser esquecida, seja ela realizada por jovens ou marinheiros experientes, e foi pensando nessa gente que desenvolvemos o projeto. Nossa mensagem foi ouvida por cruzeiristas do mundo todo, e hoje o projeto é um dos mais espalhados que temos em nossa lista de planos de estoque.

O interior do Furioso pouco depois de ter a estrutura da cabine instalada, ainda faltando fazer a carpintaria interna. Cortesia: Jorge Dias

A decisão de desenvolver o projeto do Samoa 28 é uma história que tem tudo a ver com as nossas próprias aspirações. Nossa família desejava possuir um barco que pudesse nos conduzir a lugares remotos, como, por exemplo, países de outros continentes e ilhas oceânicas, e o jeito que visualizávamos para poder realizar esses sonhos, e por extensão, os sonhos de outras pessoas que queriam a mesma coisa, acabou nos tornando especialistas em projetos de veleiros de cruzeiro oceânico para construção amadora ou particular.

Nossa experiência com projetos de barcos na faixa de 28/30 pés teve origem nos anos oitenta quando desenhamos e construímos o Maitairoa, um doble-proa de trinta pés com o qual realizamos inesquecíveis aventuras no Atlântico Sul. Hoje ele pertence à nossa amiga Sandra Sautu, que vive a bordo dele na Riviera Francesa em companhia de seu casal de filhos. A foto mostra a filha Calypso, que praticamente nasceu a bordo, brincando com suas bonecas antes de ir dormir, Cortesia: Sandra Sautu.

Desde o começo nossa carreira de yacht designers e nossas vidas particulares se misturaram, não deixando separação entre o trabalho profissional e nossa paixão pelo cruzeiro oceânico. Isso foi fundamental para que aprendêssemos com nossa própria experiência o que era preciso para se viver bem a bordo de um veleiro, fosse em porto, ou em alto mar.

Como nosso grande prazer era projetar e em seguida experimentar nossa própria criação, depois de construir e usar um de nossos barcos por algum tempo, começava a nos dar uma coceira irresistível para começar tudo de novo, projetando e construindo um novo modelo, aquele que seria o nosso amor para o resto da vida. Foi assim que desenhamos o Multichine 28, o qual depois de construir um para nosso uso, ficando com ele por oito anos e tendo morado por dois anos a bordo, começamos a namorar um novo modelo, o qual não é nenhum outro que o próprio Samoa 28. Na verdade o novo desenho teria que possuir todas as qualidades do barco anterior, o qual nós achávamos ser fantástico, a principal diferença sendo o método construtivo, que em vez de compensado/epóxi, como no projeto do MC 28, esse novo seria em sanduiche de strip-planking. Adoramos o sistema construtivo compensado/epóxi, na versão ply-glass, aquela em que o barco é encapsulado com fibra de vidro, mas acontece que também gostamos de estar sempre experimentando coisas novas. A vantagem é que ao fazer esse novo projeto, acabamos deixando para nossos clientes escolherem dois tipos de construção para decidirem qual fazer, baseados em suas preferências pessoais.

A vida é muito curta para se ficar projetando, construindo, morando a bordo e viajando em barcos novos com os quais começávamos a sonhar em possuir. Por isso o Samoa 28 acabou ficando para outros construírem, nós do escritório ficando simplesmente como seguidores das obras. Para quem tinha uma participação ativa, essa situação é um pouco angustiante, a de ver os outros construindo o que gostaríamos de estar fazendo nós mesmos. No entanto, exceto pelo fato de não podermos ser os protagonistas principais, só podendo ser expectadores, mesmo assim dá um grande prazer ver nossos projetos tomando forma para depois se tornarem veleiros de verdade.

Nossa segunda experiência na faixa de veleiros entre 28 e 30 pés de comprimento foi o MC 28 Fiu. Eu e minha esposa Eileen moramos por dois anos a bordo desse barco, quando descobrimos que ele é tão confortável quanto um pequeno apartamento em terra firme. Foto: Roberto Barros

Por nossa sorte, vários de nossos clientes que estão construindo Samoas 28 criaram blogs para relatar suas construções, para os quais fizemos links desde nosso site, página de links, coluna da esquerda, os quais estão listados nessa ordem: Sirius, Caprichoso, Furioso, Baleia e Paloma. Se você está construindo um Samoa 28 e pretende editar um blog relatando sua construção, será um prazer para nós incluir seu blog nessa lista. Somos seguidores de carteirinha de todos esses blogs e acompanhar os progressos de nossa galera é uma compensação por não estarmos construindo nós mesmos.

Quando o Sirius, o primeiro Samoa 28 a ser inaugurado, foi lançado à água, pouco depois se inscreveu na regatta oceânica Buenos Aires – Punta del Leste, tendo obtido uma boa colocação em sua classe. De lá para cá foram realizados vários cruzeiros até o vizinho Uruguai, a família de Daniel ficando totalmente apaixonada pelo barco. Essa foi nossa certeza que tínhamos conseguido projetar o barco com que sonháramos. Cortesia: Daniel D’Angelo

Como nossa turma de blogueiros está bem adiantada com suas obras, estamos esperando para breve poder relatar muitas novidades sobre a classe. Já tem gente falando em dar a volta ao mundo, o que para nós seria uma glória.

O Samoa 28 foi desenhado para velejar em bom ou mal tempo, tendo a tripulação controle total do barco na ponta dos dedos.

Clique aqui para saber mais sobre a Samoa 28


Curruira 33 - O primeiro barco da classe está quase pronto

Vem da Turquia a notícia de que a primeira Curruira 33 está quase pronta para ir para a água. Nosso cliente Emre Yilmaz está realizando uma construção fantástica, tudo isso acontecendo em tempo record.

Para uma embarcação de 33 pés a Curruira 33 parece ser enorme. Emre pretende estar navegando ainda nesse primeiro semestre. Cortesia: Emre Ylmaz

A Curruira 33 é um trawler que desenhamos baseados no conceito que se alguém deseja navegar por longas distâncias em mar aberto em um iate a motor, um casco adequado para navegar em alto mar é essencial. Por essa razão adotamos linhas d’água suaves para esse tipo de embarcação, essas linhas já tendo sido testadas com imenso sucesso em um projeto anterior, a Southern Voyager 28, cuja unanimidade entre os proprietários desses barcos é que seus cascos são excelentes quando navegando em mau tempo, bem superiores aos cascos semi-planantes mais facilmente encontrados no mercado.

Agora com o novo modelo estamos seguros que essa sensação de segurança já obtida com o modelo menor será mais sentida ainda e deverá conquistar os corações de novos construtores. Para nosso cliente Emre pode haver certo grau de ansiedade quanto ao desempenho de seu iate. No entanto para nós da B & G Yacht Design, que já conhecemos bem essas linhas, estamos seguros que o novo modelo irá parecer mais seguro ainda que o irmão menor. De qualquer forma qualquer dúvida logo estará dissipada quando Emre estiver navegando.

Durante a construção, ao longo de uma intensa troca de e-mails, fomos construindo uma relação de amizade com nosso cliente. Como retribuição Emre está pretendendo editar uma série de vídeos no You Tube denominada Curruira 33, a qual nos ofereceu para divulgarmos em nossas notícias.

Emre decidiu construir uma escada mais amigável do que a escada quebra peito que projetamos para acessar o fly-bridge, o que achamos uma boa ideia, uma vez que a cozinha é ampla o suficiente para permitir perder um pouquinho de seu volume por essa invasão em seu compartimento. Cortesia: Emre Yilmaz.

Para nós que dedicamos uma boa parte de nosso tempo projetando embarcações para construção amadora ou particular, a coisa mais importante que existe é que nossas embarcações se destaquem pelos seus conceitos diferenciados, e que nossos clientes se sintam plenamente recompensados com suas escolhas. Isso já vem acontecendo com a SV 28. Agora vamos esperar que o mesmo aconteça com a Curruira 33. Pelo menos em empolgação pré-inaugural já tem um bom agito. Já tem cliente da SV 28 falando em up-grade.

A praça de popa da Curruira 33 é grande o bastante para promover uma festinha ali. A superfície plana à ré do espelho de popa é a plataforma de embarque. Cortesia: Emre Yilmaz.

Enviamos ao Emre um e-mail cumprimentando-o, e ao seu construtor, Sr Saban, pela bela obra que vêm realizando, o qual foi prontamente respondido com as seguintes palavras:

Caros Roberto e Luis
Obrigado pelos seus preciosos cumprimentos sobre meu barco. Também estou muito bem impressionado com a construção. O Sr Saban e seu time estão fazendo um excelente trabalho. Já fiz reuniões com o capoteiro e com o eletricista, para fechar contrato sobre essas coisas que ainda estão faltando. Estou imaginando que o barco ficará fantástico quando concluído.
Irei fornecer uma coleção de fotos e vídeos os quais vocês poderão utilizar à vontade para qualquer divulgação que desejem fazer.
Abraços

Emre Ylmaz

Agora vamos esperar ansiosos pelo e-mail informando que o barco já está na água. Por aqui a torcida é grande.

Clique aqui para saber mais sobre a Curruira 33


Pop 25 - Um barco chamado Splash

Roberto Barros

Nosso cliente James Gyore, que está construindo o Pop 25 Splash (http://aboatcalledsplash.blogspot.com.au), em Melbourne, Austrália, é um de nossos mais fieis apoiadores do projeto. Recentemente ele promoveu o projeto escrevendo uma nota na revista de iatismo australiana Cruising Helmsman que transcrevemos abaixo:

James pretende colocar em um só pacote as atividades de cruzeirista em mar aberto e a de chef de cozinha de nível sofisticado, o que tem tudo a ver com a filosofia do projeto, que é a de ser um veleiro oceânico de baixo custo capaz de oferecer um nível de conforto comparável a veleiros bem maiores. Cortesia: James Gyore

Estamos seguros de que essas duas atividades tão prazerosas como navegar em alto mar a bordo de um veleiro de 25 pés fazendo uma cozinha de qualidade, até mesmo com um fogão de uma só boca, podem se combinar muito bem dependendo do jogo de cintura do cozinheiro. Lembramos com saudades de como gostávamos da seção especializada da revista Cruising World, " It's the appetite that makes eating a delight!" Mesmo o Pop 25 sendo especialmente espaçoso para um veleiro de 25 pés, há limites no que pode ser obtido, como é o caso da cozinha. O fogão de uma só boca e sem forno especificado é menos do que James gostaria de ter a bordo, é verdade. Ele também gostaria de ter duas pias na cozinha e refrigeração elétrica, o que é possível no Pop 25, mas somente quando não estiver utilizando o motor, o que felizmente costuma ser a maior parte do tempo.

A cozinha do Pop 25, mesmo sendo compacta, é bem resolvida e funcional. Renderização: Murilo Almeida

Mas aí é que reside o grande desafio. Estamos sugerindo colocar uma churrasqueira no púlpito de popa, assim como adquirir uma panela/forno, onde se possa fazer bolos e tortas a bordo. Esses dois acessórios vão lhe permitir fazer as receitas que o estão consagrando como cordon bleu na cidade de Melbourne.

Essa panela permite fazer bolos e tortas a bordo de um veleiro que não tenha forno em sua cozinha. Os quatro furos próximos à borda da panela permitem a saída de ar quente, impedindo que a massa queime. Foto: Roberto Barros

Dizemos isso baseados em nossa própria experiência. Quando minha esposa Eileen e eu saímos para uma velejada de meia volta ao mundo a bordo de um veleiro de 25 pés, tendo um fogareiro de pressão a querosene de uma só boca como único meio de preparar refeições quentes a bordo, Eileen conseguiu realizar verdadeiros prodígios, fazendo refeições às vezes para até cinco pessoas. (Essa história é relatada no livro " Do Rio à Polinésia" ).

James já conseguiu assar o soufflé de chocolate, que é sua marca registrada, utilizando a churrasqueira que irá instalar no púlpito de popa do Splash. Cortesia: James Gyore

James concorda plenamente conosco que todas as facilidades de uma cozinha completa por si só não fazem um chef, como um kit dispendioso de ferramentas não fazem um bom artesão. O uso inteligente dos recursos disponíveis é o que mais conta. O treino também ajuda em muito.

Eileen conseguiu operar alguns milagres com esse fogareiro a querosene de uma só boca. Velejamos a metade do mundo durante mais de três anos cozinhando regularmente nele. Todavia, o Pop 25 parece um navio de cruzeiro perto do Sea Bird, o barco que nos levou do Rio de Janeiro até o Tahiti. Foto: Roberto Barros

Outro desenho que nos trouxe larga experiência foi o nosso clássico Multichine 23. Sendo bem menor do que o Pop 25, mas possuindo um layout de interior com o mesmo conceito, o MC23 há muitos anos faz grande sucesso no Brasil e no exterior, com centenas de barcos navegando ou em construção.

Apesar do layout do interior ser praticamente o mesmo do Pop 25, a cozinha do novo projeto é muito mais ampla. Cortesia: Flávio Traiano

Instalar uma churrasqueira no púlpito de popa do Pop 25 vai ser uma mão na roda para ajudar James a fazer refeições de luxo a bordo. Cortesia: Flávio Traiano

Se podemos dizer que contribuímos para que o James seja bem sucedido com seu sonho de dar a volta da Austrália com o Pop 25, aprontando refeições a bordo de dar água na boca, isso terá sido por termos desenhado uma cozinha bem funcional, ainda sendo bastante ampla para um barco desse porte. Até uma mesa removível é possível ser instalada no salão, permitindo que quatro pessoas possam fazer refeições muito bem acomodadas.

A primeira antepara cortada a gente nunca esquece. É esse tipo de emoção que leva nossos construtores a seguir em frente até o dia do lançamento. Cortesia: James Gyore

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25.


Multichine 28 Marimbondo. Muito obrigado pelo projeto

É muito gratificante para nós quando um construtor amador de um de nossos barcos nos escreve informando que ficou feliz com sua escolha de projeto, e que após uma prazerosa construção descobriu que o barco que fez o surpreendeu favoravelmente. Foi isso que aconteceu com o professor universitário André Luis Ferraz. O e-mail que ele nos enviou soou como música em nossos ouvidos:

Caro Cabinho,
Fiquei lhe devendo um email com umas fotos do MC28 Marimbondo. A correria de fim de ano foi grande, mas conseguimos acertar os ponteiros para tirar Janeiro inteiro de férias e permanecemos (eu e a Elaine, minha esposa) a bordo do Marimbondo quase todo o mês. O barco supera todas as expectativas. É muito cômodo. Eu fui proprietário de um O´day 23 (que é muito bom para um 23 pés) por 15 anos e quando entro no MC28 tenho a sensação de entrar numa mansão.

André Ferraz ao lado de sua obra recém-concluída. Podemos imaginar o orgulho que devia estar sentindo por ter construído um barco tão perfeito. Cortesia: André Ferraz.

Fizemos um minicruzeiro de uma semana pela região de Parati, Angra e Ilha Grande e a primeira boa surpresa foi perceber como os tanques de água dão enorme autonomia. Não precisamos reabastecer nenhuma vez e ainda sobrou muita água quando atracamos de volta em Ubatuba. As primeiras velejadas de aprendizado com o barco novo foram feitas principalmente em Ubatuba que é o nosso quintal. O barco foi muito bem em ventos fracos. Com vento entre 6 e 10 nós, ele atingiu facilmente 3-4 nós. Com ventos "fortes" foi excepcional. Colocamos o barco na alheta de um vento de 20-28 nós, e o GPS mostrava 7,5-8 nós de velocidade. Tudo com muita segurança e tranquilidade a bordo. O título do email não é por acaso não. Realmente, muito obrigado pelo projeto e pelo apoio na construção.

Marimbondo ancorado na região de Angra. Cortesia: Andre Ferraz

Abraço
André e Elaine

Como não poderia deixar de ser também o respondemos com um e-mail eloquente:

Caros André e Elaine
Que gentil você nos enviar esse e-mail e ainda dar uma força em nosso forum! Para nós a coisa que nos deixa mais felizes é saber que quem confiou na gente ficou contente com a escolha.

Nossa família teve um MC28 por oito anos e todos nós o achamos o melhor barco que já tivemos. Fizemos muitos cruzeiros com ele, tendo navegado mais de 6000 milhas, e moramos a bordo por dois anos. Por isso entendemos bem o que você nos contou. Mas eu dizer isso é diferente. Dito por quem construiu um sem sermos nós falando da gente mesmo é outra coisa. Mas você também tem muito a ver com o bom resultado. Seu barco está simplesmente lindo.

Os tempos estão mudando e as pessoas vão começar a sentir que você não precisa ter um mega iate para ser feliz. Na verdade é o contrário, quem tem um MC28 é muito mais livre do que o CEO que possui um veleiro em uma marina da Riviera
Francesa. E isso será cada vez mais verdade.

Você não imagina como gostamos de receber e-mails como o seu. Vamos fazer uma matéria usando suas palavras e sempre que você quiser nos mandar um relato de um cruzeiro será um prazer publicar.
Abraço grande e boas velejadas para você e a Elaine.

Cabinho

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28.


Maitairoa - Um barco e uma amizade

Roberto e Eileen Barros
Trinte anos atrás o doble proa Maitairoa deixou o galpão onde estava sendo construído, numa casa de campo em Itaipava, nas serras ao norte da Cidade do Rio de Janeiro, para iniciar uma carreira de aventuras. Depois de passar por algumas experiências emocionantes pelo Atlântico Sul e Oceano Austral, quando então pertencia à família Barros, o Maitairoa mudou de mãos, e mudou de mãos de novo, dessa vez para Sandra Sautu, uma boa amiga nossa que já curtia o Maitairoa desde longo tempo. Pouco depois de adquirir o barco Sandra partiu para o Caribe e de lá para o Mediterrâneo onde vive até hoje na Riviera Francesa.

Sandra e seu casal de filhos, Calypso e Sanson (à esquerda da foto), aproveitando as férias de fim de ano em Paris. Foto: Sandra Sautu

Mesmo as duas famílias estando separadas por uma longa distância, sempre mantivemos contato, especialmente durante as festas de Natal, quando colocamos em dia nossas novidades. Esse ano Sandra contou que viajou em dezembro para Paris sendo hospedada por uma amiga que conheceu quando morou em Estocolmo, com filhos mais ou menos da mesma idade que os dela. No entanto o espírito de Natal continuou presente a bordo, onde montaram uma árvore de Natal na cabine e içaram uma guirlanda de lâmpadas led no mastro, para completar a atmosfera natalina.

Os filhos da Sandra nasceram e foram criados a bordo, o que dá mais brilho a carreira desse veleiro protagonista de tantas histórias, como sendo um lar flutuante. Trinta anos antes nossa filha Astrid também curtiu uma boa temporada vivendo a bordo. Foto: Sandra Sautu

O Maitairoa parece tão bom quanto quando era novo, talvez até melhor cuidado do que antes, graças ao carinho com que Sandra cuida dele, enquanto a amizade entre as duas famílias é tão forte como sempre. A lição que tiramos dessa experiência é que um barco e uma amizade podem durar para toda a vida.


Cabo Horn 35 Kalloni

Recebemos esse e-mail enviado por Roberto Cruz, o mais novo proprietário de um Cabo Horn 35. Ele nos relata ter vivido uma longa batalha, mas está feliz com o resultado:

Caro Cabinho e Família

Em 1996 estive em seu escritório no Rio para comprar um projeto de um Multichine 37 de aço, quando Astrid me perguntou quem iria velejar comigo e eu disse que minha família, e ela indagou: quantos sabem velejar? E eu disse somente eu.

Então não seria melhor optar por um barco menor que pudesse leva-lo sozinho?... e me apresentou os planos do Cabo Horn 35. Aí foi amor a primeira vista, de lá até hoje muita coisa mudou e nunca esqueci a sua frase que a aventura começa na construção do barco.

Nesse período de 1996 até hoje já dá para escrever um livro de tantos acontecimentos, me separei, casei de novo, fiquei sem grana para construir, sem tempo devido ao trabalho, meus amigos chegaram a apelidar o veleiro de a Lenda, Ghost..., pois eu não terminava nunca, mas nada disso me abalou e o que perdurou nesse período foi a determinação que um dia meu sonho se realizaria, o que aconteceu em 13/12/2012, quando o veleiro Cabo Horn 35 Kalloni foi para a água, em Ubatuba, SP.

A Classe Cabo Horn 35 ganha mais um irmão fiel totalmente ao projeto, espelho de popa curvado, buja e genoa, interior. Só não foram colocadas as vigias no costado, somente as de popa.

Tenho ainda mais uns 30 dias para finalizar, como a colocação das velas e detalhes internos, que devido às festas de final de ano acabaram atrasando, mas o que são 30 dias para quem esperou esse tempo todo.

Aproveito para desejar a todos um feliz e próspero 2013, e que vocês continuem a criar sonhos.

Roberto Cruz e Família

Falta pouco para Cabo Horn 35 Kalloni estar velejando. Foto: Roberto Cruz

Clique aqui para saber mais sobre a classe Cabo Horn 35.


Pop Alu 32, Kiribati 36 e Multichine 41 SK: Kits pré-cortados à disposição dos amadores

Nosso cliente Jean Abreu Machado através de seu estaleiro North Metalúrgica (http://www.northmetalurgica.com) está tornando o sonho de muita gente possível: Vai fornecer os kits pré-cortados para os barcos de alumínio que tem arquivos de corte disponíveis, entre eles o Kiribati 36, o Pop Alu 32 e o Multichine 41 SK.

Olhem o vídeo abaixo para ver como construir um barco de alumínio está se tornando a cada dia um sonho mais próximo da realidade.

Jean adquiriu sua própria máquina de corte CNC e além de construir seu próprio Pop Alu 32, irá construir barcos para clientes em vários estágios de acabamento, desde kit de peças cortado até o barco pronto.

A mesa de corte da North Metalúrgica tem tamanho que permite o corte econômico das peças

Com um kit pré-cortado, o tempo entre decisão de comprar um projeto e ter um casco montado para acabamento pode ser muito reduzido. A obra também pode ser considerada relativamente limpa, gerando muito poucos resíduos sólidos e poeira, ideal para quem quer construir sem incomodar os vizinhos.

As máquinas de solda modernas também ajudam muito aos construtores amadores. É comum ouvirmos a frase –“mas a solda de alumínio é complicada”- mas na verdade essa afirmação já foi procedente mas em outra época. Hoje existem máquinas que compensam os parâmetros para corrigir flutuações na mão do operador, com programas específicos para alumínio.

Uma chapa com as peças já cortadas

Também existe a possiblidade de se montar a estrutura e depois chamar um soldador para as partes mais críticas de solda, a exemplo de muitos construtores amadores em outros materiais, que por exemplo chamam um laminador na hora de revestir os cascos com fibra de vidro.

Uma estrutura interna do Pop Alu 32 já montada

Esperamos ver a frota de veleiros de alumínio do escritório crescer consideravelmente com tantas facilidades. Podemos corroborar por experiência própria que o casco de alumínio dá muito pouca preocupação. Nosso Green Nomad não é tirado da água desde Fevereiro de 2010 e como temos partes sem pintura onde os anodos ficam montados, podemos ver que o casco está sem sofrer qualquer mudança, nos dando bastante confiança no material.

Um Pop Alu 32 toma forma na North Metalurgica

Clique aqui para saber mais sobre o Pop Alu 32, que é o barco que aparece sendo construído no vídeo.


Caravela 1.7 - Cuidado com o Perigo Amarelo!

Esse aviso nada tem a ver com a declaração que Napoleão fez dois séculos atrás sobre o perigo geopolítico representado pelo Império do Centro. É verdade que duzentos anos depois possamos conferir que sua previsão foi impecavelmente acurada, mas nesse caso estamos nos referindo a outra ameaça, essa incomparavelmente mais insignificante, o dinghy Caravela 1.7.

O Caravela 1.7 poderia ser um bom barco de apoio para o clipper Flying Dutchman

Pergunte a qualquer proprietário de um Caravela 1.7 e ele muito provavelmente terá algum caso esdrúxulo para relatar sobre seu dinghy. Um veleirinho oceânico de 1.70m de comprimento realmente é difícil de ser levado muito a sério. No entanto a filosofia por trás do projeto é a de que ter um Caravela 1.7 para se pular dentro quando o barco mãe esteja soçobrando é infinitamente melhor do que não ter barco algum.

O verdadeiro Perigo Amarelo é o dinghy que serviu de caíque de apoio para o Sea Bird, visto ao fundo. Esse além de ser bem menor, não era insubmersível. Para saber mais sobre esse perigoso caíque você pode adquirir o livro “Do Rio à Polinésia anunciado na primeira página do site da B & G Yacht Design em português ou então fazer download grátis da versão em inglês em nossa home-page nessa língua.

A verdadeira mãe da ninhada de Perigos Amarelos é esse caíque que era levado sobre a cabine do Sea Bird. Em algumas ocasiões ele teve que fazer longas travessias com duas pessoas a bordo, mais provisões adquiridas em supermercado.

Perigo Amarelo foi um apelido dado ao Caravela 1.7 por seus construtores. Na verdade esse era o nome do caíque que Roberto e Eileen Barros construíram para ser o barco de apoio do veleiro Sea Bird com o qual velejaram desde o Rio de Janeiro até a ilha de Tahiti no Pacífico Sul, uma aventura narrada no livro “Do Rio à Polinésia” um clássico da literatura náutica brasileira.

Christian, o neto de Roberto Barros, então com três anos de idade, explorando o Saco do Céu, na Ilha Grande. Nessa idade um caíque de 1.70m de comprimento deve parecer um navio de cruzeiro.

O que nos fez ter a ideia de escrever esse artigo sobre o Caravela 1.7 foi um e-mail que Roberto Barros recebeu de Beto Roque, o velejador que adquiriu o Multichine 28 Fiu, rebatizado Stella Del Fioravante, agora encontrando-se em Florianópolis. Beto contou nesse e-mail que Lorena, a filha de Rubens, um amigo seu, com três anos de idade, saiu passeando sozinha no Caravela 1.7, e ficou apaixonada pelo caíque, afetivamente só chamando-o de Perigo Amarelo. Foi então que nos demos conta que Christian, o neto de Roberto Barros, também saiu sozinho remando esse mesmo caíque pelas águas da Ilha Grande, quando também tinha três anos de idade. Imaginamos então como deve parecer um barco grande para a cabeça de uma criança dessa idade.

Juliana, a neta de Roberto Barros, então com dois anos de idade, velejando com seu pai, Luis Gouveia, na Marina da Glória, Rio de Janeiro, a bordo do Pinta, o Caravela 1.7 construído para ser caíque de serviço do MC 28 Fiu.

Roberto Barros, juntamente com dois amigos que também possuíam veleiros da classe Multichine 28, Roberto Ceppas e José Manuel Gonzales Fernandes, o Manolo, respectivamente sendo os proprietários do Makai e do Sabadear, decidiram construir juntos três caíques Caravela 1.7 cujo projeto tinha sido desenvolvido para caber sob medida no convés de proa do Multichine 28. Esses caíques foram construídos em conjunto pelos três amigos e em referência ao nome do projeto foram batizados com os nomes de Santa Maria, Pinta e Niña. Até então esse apelido de Perigo Amarelo simplesmente não existia.

Em honra aos seus ancestrais nórdicos, Roberto Ceppas está evocando os deuses vickings pedindo proteção para sua criação. Ele achou que o uso dos chifres no elmo seria um exagero e não os colocou. Um segundo Caravela 1.7 é mostrado ao fundo da foto.

Foram fins de semana muito agradáveis aqueles passados na construção dos caíques. Após um dia de trabalho puxado os três amigos iam para uma padaria na vizinhança tomar umas geladas e combinar o trabalho para o fim de semana seguinte. Foi então que o escritório viu a importância de oferecer um projeto grátis para que os potenciais construtores de barcos maiores pudessem se familiarizar com a construção amadora de uma forma fácil e barata.

Pinta, o Caravela 1.7 que ficou sendo o caíque de apoio do MC 28 Fiu, foi intensivamente usado durante os oito anos que o barco pertenceu a Roberto Barros, tendo fielmente sido levado a bordo, firmemente fixado ao convés de proa por meio de duas cintas cruzadas, por mais de seis mil milhas navegadas, tendo feito longas viagens, como ir do Rio a Santos, e velejar por duas vezes do Rio até o Nordeste, tendo sido fundamental nessas viagens para dar o conforto desejado quando se está ancorado. O uso como veleirinho foi um bônus extra. A opinião da família de Roberto Barros sobre o caíque é a de que ele é um excelente barco de serviço e bem gostoso para ser usado para recreio. Todavia já existe extenso folclore sobre esse dinghy para ser contado.

Uma vez assistimos ao vídeo sobre a viagem de Jarle Andhoy, um navegador norueguês que tinha um caique Caravela 1.7 como barco de serviço a bordo de seu veleiro de 27 pés com o qual estava navegando para a Antártica. Para nossa surpresa vimos o norueguês lançar o caíque ao mar e rebocar o veleiro que estava com o motor auxiliar enguiçado, levando-o remando até o píer da base científica que o acolheu. Outro incidente fora do comum foi o que aconteceu com um Caravela 1.7, que estava estacionado na posição vertical sobre o convés de um veleiro, na Marina da Glória, quando uma trovoada de verão se aproximou com grande rapidez. O caíque que estava preso a uma adriça, levantou voo indo aterrissar na cruzeta do veleiro que estava a sua frente do outro lado do píer. Só pode ter sido pela proteção do Cristo Redentor, que abençoa a cidade do Rio de Janeiro, que um acidente mais grave não aconteceu.

Dá para acreditar que esse Caravela 1.7 decolou do convés de proa do veleiro que estava do outro lado do pier para ir pousar na cruzeta do barco em frente, ficando ali encarapitado até que alguém viesse retirá-lo?

Outra história sobre o dinghys Caravela 1.7 foi o concurso de quem faria o barco mais maluco que completasse um determinado percurso ao longo do Rio da Prata, em Buenos Aires, Argentina. O vencedor foi Adrián Callejón, o construtor amador de um Multichine 28 que foi capaz de produzir um dinghy de $1.99, todo feito de papelão, fita crepe e jornal, as velas sendo de plástico encontrado no lixo.

Esse foi o Caravela 1.7 construído por Adrián Callejón com papelão, jornal e fita crepe, para participar de um concurso realizado no Rio da Prata para escolher quem faria o barco mais maluco capaz de navegar por um trecho com seu construtor a bordo. Cortesia: Adrián Callejón.

E então Adrián navegou sua Caravela ao longo do percurso determinado para ser o vencedor da competição. Cortesia: Adrián Callejón.

Aristides, o proprietário de um Cabo Horn 35, construiu esse Caravela 1.7 para ser o caíque de serviço de seu barco. Aqui ele está velejando pelo canal da Marina de Bracuhi, navegando muito bem para o vento existente. Aristides considera o caíque como sendo fantástico.

Marco Veras fez esse Caravela 1.7 para levar no convés de proa do MC28 Bacanga, estacionado na Marina da Glória, onde mora a bordo.

O Caravela 1.7 pode ser movido a remo, motor de popa ou a vela. Pesando pouco mais de vinte e três quilos e tendo uma rodinha à ré, ele também é fácil de ser transportado por terra.

Os planos do Caravela 1.7 estão disponíveis de graça na pagina do projeto em nosso site. A razão de oferecer esse projeto gratuitamente é nosso desejo de incentivar a construção amadora permitindo que uma pessoa sem qualquer experiência possa fabricar seu próprio barco para se sentir mais confiante se depois desejar realizar sonhos mais ambiciosos.

Clique aqui para saber mais sobre o Caravela 1.7


Multichine 28 Marimbondo e Ipê - Dois novos membros da classe

A classe MC 28 talvez seja a mais aclamada entre nossos projetos. Desde que o projeto foi introduzido, cada cliente nosso que termina a construção de um MC 28 se torna um propagandista do modelo, essa sendo a melhor publicidade que existe.

Luciana Alt verificando a precisão da curva do hidrofólio de leme. Sendo arquiteta por profissão, assim como seu marido Vitor Moura, eles estão construindo seu MC28 como se fosse uma obra de arte. Foto: Vitor Moura

O leme pronto para ser revestido com fibra de vidro. O trabalho ficou tão benfeito que dá até pena ter que pintar essa peça, que mais parece uma escultura. Um dos pontos fortes do projeto é seu leme externo, preso com dobradiças ao espelho de popa. Utilizando-se o sistema de redução da vela grande, caso o barco tenha uma targa, o leme pode ser facilmente retirado e colocado por uma só pessoa. Foto: Vitor Moura

Luciana e Vitor são espeleólogos amadores muito ativos. Eles já exploraram cavernas nos quatro cantos do mundo e participam ativamente de entidades dedicadas a esse assunto. Agora desejam adicionar um novo esporte em suas vidas, a de cruzeiristas de longo curso, um novo estilo de aventura que também os fascina. Como durante o tempo que realizaram a construção do Ipê o escritório manteve um ótimo relacionamento com a dupla, gerando nesse tempo uma boa amizade, será um prazer e uma honra para nós relatar as aventuras que vierem a fazer, começando pelo lançamento do barco à água, que está programado para o primeiro trimestre de 2013.

O interior do Ipê está praticamente pronto. Vitor e Luciana conseguiram obter um nível de acabamento que não fica devendo em nada a um estaleiro profissional. Foto: Vitor Moura

O convés do Ipê é revestido com o renomado material antiderrapante Treadmaster fabricado no Reino Unido. Além de suas excelentes propriedades anti-deslizantes, o Treamaster é muito durável e ainda é um excelente isolante térmico. Foto: Vitor Moura

Quando o jovem casal estava procurando o projeto que iriam construir, eles fizeram uma visita ao escritório B & G Yacht Design (então Roberto Barros Yacht Design), na época estabelecido no centro da cidade do Rio de Janeiro. Roberto e Eileen Barros eram os proprietários do MC28 Fiu, hoje Stella Del Fioravante, onde moravam a bordo na Marina da Glória, a marina que fica praticamente no centro da cidade. Depois de passarem a tarde no escritório conversando sobre detalhes do projeto, Eileen convidou o casal para visitar o Fiu, para que pudessem ver ao vivo aquilo que tinha sido conversado sobre o barco. Enquanto Vitor e Roberto conversavam na dinete do salão, Luciana se ofereceu para dar uma mão à Eileen para preparar um jantar a bordo na ampla cozinha do Multichine 28.

Depois do jantar o grupo continuou batendo papo até tarde, quando então mais uma vez Eileen convidou o casal, agora então para dormirem a bordo. Na manhã seguinte, após terem sido servidos com um café da manhã tipo cinco estrelas, a dupla se despediu e seguiu para o aeroporto para retornar a Belo Horizonte, a cidade onde vivem. Naquele mesmo dia comunicaram ao escritório que seria o MC 28 o barco que iriam construir.

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O outro barco que se juntou ao clube dos Multichine 28 foi o Marimbondo, de André Luis Ferraz; Sendo professor universitário, André teve pouco tempo livre para fazer sua construção, mas por outro lado não faltaram recursos para que o barco fosse feito utilizando-se tudo de melhor. O resultado foi mais um Multichine 28 magnificamente bem construído, um fato que tem sido a regra nessa bem sucedida classe. André nos enviou um e-mail relatando o grande dia da inauguração que transcrevemos a seguir:

O MC28 Marimbondo boiou "nas linha" no último dia 15. Está inquieto numa poita da Marina Kauai em Ubatuba. A encomenda das velas na North Sails já foi feita, mas só chegam em 15-20 de dezembro. Por enquanto estamos nos
ajustes internos que nunca acabam....

Não dá nem pra saber o que se sente na hora, mas uma garrafa de champanhe espanhola foi bebida de uma vez, dividida entre o Marimbondo, a Elaine e eu. O Marcelo só chegou à noite. No último fim de semana eu não me contive e velejei só com uma genoa emprestada do MC26 do meu irmão. Para minha enorme satisfação, o barco andou a constantes 5 nós com um vento de 10-15 nós pelo través (só com a genoa).

Assim que eu velejar pra valer, posto mais informações. Vale marcar que nos últimos 45 dias o barco esteve na marina Kauai de Ubatuba recebendo a quilha, a instalação elétrica, o eixo do motor e a mastreação. Contar com gente tão competente e profissional como o Luiz Dutra (elétrica, motor e quilha) e o Telesmar (mastreação) foi muito importante. O Sidnei (marinheiro do meu Oday 23) também deu uma boa força, fazendo a pintura de fundo. Recomendo estes profissionais para todos que estejam nos finalmente de seus barcos.

Abraços
André

Multichine 28 Marimbondo quase pronto para ir para a água. Foto: André Ferraz

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Desenhamos o Multichine 28 para ser um verdadeiro veleiro de cruzeiro oceânico. Especificamos seu índice de estabilidade (STIX) para ser cat. A de acordo com as normas da Comunidade Europeia para veleiros monocasco. Agora é muito gratificante para nós saber que o barco já é reconhecido por muita gente como um dos melhores veleiros oceânicos de seu tamanho.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28.


Multichine 41SK Bepaluhê velejando entre Ilha Grande e Paraty

Velejar com a família em um barco de cruzeiro é muito bom. Velejar com a família na Baia de Angra entre Ilha Grande e Paraty, então, é melhor ainda. Nosso amigo Paulo Ayrosa colocou em seu blog mais um de seus vídeos de dar água na boca. A máquina de realização de sonhos Bepaluhê está cada dia melhor e mais bem equipada, parecendo velejar com a graça de uma bailarina clássica. Se você quiser conferir o que estamos dizendo, veja o mais recente vídeo do Bepaluhê:

Para ler a última entrada completa no blog, clique em Multichine 41SK Bepaluê em nossa página de links. Como o Bepaluhê veleja em um dos lugares mais bonitos do mundo, seguir seu blog e ver seus vídeos no You Tube é um colírio...

O Convés de proa desimpedido do Bepaluhê é um dos pontos fortes do barco. Cortesia: Paulo Ayrosa

Idade certa para começar a velejar. Cortesia: Paulo Ayrosa

Quando se navega para chegar a um destino desses, o prazer é dobrado. Cortesia: Paulo Ayrosa

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 41SK.


Cabo Horn 40 - Últimas notícias sobre a classe

O Cabo Horn 40, um veleiro projetado para realizar longos cruzeiros ou expedições náuticas, está regularmente gerando notícias em nosso site. Sendo um modelo que se mantém em contínua expansão, tanto em número de unidades, quanto geograficamente, ele é um de nossos carros chefes como o barco ideal para uma família. O que temos mais observado desde o primeiro barco a ficar pronto é que quando alguém se refere a esse modelo é sempre para promover suas qualidades, sendo os proprietários das unidades navegando os principais propagandistas da classe.

O Aya, de Tadeu Corseuil, é um barco de muitas milhas navegadas, sempre participando de regatas de longo curso. Este ano, após tirar segundo lugar em sua classe na Regata Recife- Fernando de Noronha, segue viagem para o Caribe, onde deverá chegar ainda em dezembro.

O primeiro barco da classe a ficar pronto foi o Aya, de Tadeu Corseuil. Esse barco magnificamente construído pelo Estaleiro Estrutural, de Cabo Frio, Rio de Janeiro, já realizou muitas regatas oceânicas, sempre mostrando excelente desempenho em qualquer condição de tempo, inclusive tendo vencido a regata Recife - Fernando de Noronha em sua categoria numa de suas participações.

Em 2012 Tadeu se inscreveu de novo nessa regata, tendo o Aya ficado em segundo lugar em sua classe. A diferença para os outros anos é que dessa vez, ao contrario das outras quando voltou para o Rio de Janeiro depois de concluído o programa, está seguindo para o Caribe onde deverá ficar até o meio do ano de 2013. Então será feita a decisão de como será o retorno, se será uma navegada até o meio do Atlântico Norte e uma volta direta, ou se será realizando o circuito do Atlântico, passando pela Europa antes de retornar ao Brasil. Em qualquer hipótese é como se o Aya estivesse encontrando sua verdadeira vocação, a de veleiro de cruzeiro projetado para fazer longas viagens.

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Um Cabo Horn 40 que facilmente poderia ser classificado como Loyds 100 A1, como máximo em qualidade, é um que está sendo construído no interior do Paraná por nosso cliente Sérgio Danilas. Sendo engenheiro químico por profissão, Sérgio decidiu substituir os sarrafos de madeira especificados no projeto por tiras de espuma de PVC, dessa forma construindo um levíssimo casco de sanduiche de espuma.

Fotos da virada do Cabo Horn 40 de Sérgio Danilas

No momento a obra está bem mais adiantada, sendo que o barco deverá estar navegando no ano de 2013. Existem vários outros Cabo Horn 40 na reta final para serem lançados, e como sempre fazemos, sempre que formos sendo notificados de um lançamento iremos informando em nossas notícias.

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Outro Cabo Horn 40 que começa a fazer sua história é o Al Sharif do advogado carioca João Fragoso. Esse barco, uma construção totalmente amadora, foi feito em sua casa de praia em Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro, e acabou se tornando um belíssimo exemplo da classe. Seu lançamento à água se deu no mês de outubro de 2012, após alguns anos de trabalho árduo. Mas de agora em diante é só aproveitar. Fragoso se prepara para uma longa viagem com destino à Costa Azul Francesa, o sonho que o levou a construir o Al Sharif. Ao nosso amigo desejamos que breve esteja partindo para realizar seu sonho, que com certeza será regularmente informado em nosso site.

Al Sharif, lançado à água em outubro de 2012, é o mais recente Cabo Horn 40 a ser inaugurado. João Fragoso, seu proprietário se considera uma pessoa abençoada pelo fato de ter construído um barco tão bonito.

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O Cabo Horn 40 não é um veleiro como os barcos produzidos em série. Ele é projetado para não ser descartável depois de alguns anos de uso. Ele é feito para durar uma eternidade quase sem requerer manutenção. Toda sua parte de sistemas de bordo, como hidráulica, elétrica e manutenção do motor, é de fácil acesso e não é caixa preta prevista para só ser mexida por pessoal especializado. O sistema construtivo madeira/epóxi praticamente não requer manutenção e o fato dele ser um barco de médio deslocamento lhe confere uma potência impressionante quando está velejando com vento de proa em mar grosso. Além disso, seu arranjo interno é feito para uma família morar a bordo esbanjando conforto. É por isso que o barco é tão bem cotado e até agora só sabemos de clientes contentes por terem feito essa opção

O arranjo interno do Cabo Horn 40 se equivale ao de um confortável apartamento

Clique aqui para saber mais sobre o Cabo Horn 40.


Curruira 33 - Novo trawler no mercado náutico

Estamos introduzindo um novo iate a motor no mercado. Esse barco, acreditamos, deverá deixar muita gente com água na boca. De acordo com uma pesquisa que fizemos antes de desenvolver o projeto, existia um nicho de mercado expressivo entre os suntuosos trawlers de luxo e os trawlers mais populares, aqueles com menos de trinta pés de comprimento. Agora que o projeto já está pronto e que a primeira unidade da classe já está quase concluída, pudemos constatar como nossa previsão estava correta, e estamos confirmando que existe grande interesse por esse modelo de tamanho médio.

Nossos clientes experimentando a plataforma de embarque da Curruira 33. Cortesia: Emre Yilmaz

Nosso primeiro cliente veio da Turquia, o país emergente que mais expande sua economia depois da China. Emre Yilmaz, nosso pioneiro na construção de uma Curruíra 33, iniciou sua obra mesmo antes mesmo do projeto estar 100% concluído, e dali em diante colocou o pé no acelerador. Agora com o barco quase pronto ele nos informou que irá enviar vídeos e fotos de sua inauguração, o que com certeza iremos publicar em nossas notícias.

A Curruira 33 surpreende por seu volume. Essa primeira unidade está despertando grande interesse no mercado local. Cortesia: Emre Yilmaz

Como o projeto ainda é desconhecido de nossos visitantes, resolvemos repetir o texto da descrição do projeto que consta da página da Curruira 33 nessa nota. Segue o texto abaixo:

A Curruira 33 é um trawler de deslocamento projetado para ser embarcação de recreio oceânico costeira apta a fazer cruzeiros de longas distâncias. O projeto é baseado em um predecessor, o trawler de 28 pés Southrern Voyager 28. O SV 28 vem fazendo uma bela carreira entre nossos projetos de estoque com várias unidades construídas, tendo até sido escolhido como moradia por alguns de nossos clientes. Embora o conforto interno do SV28 seja surpreendentemente bom para um barco desse porte, ele ainda pode ser considerado pequeno por muitas pessoas que desejam ter a bordo um conforto comparável ao de um apartamento. Foi pensando em atender a essa faixa de mercado que decidimos fazer o novo modelo.

O grande diferencial entre o Southern Voyager 28 e esse novo projeto é o fato da Curríra 33 possuir um piso superior sobre o salão social onde está instalado um segundo comando. Até então nossa menor embarcação a motor possuindo fly-bridge era a Southern Voyager 38, um barco que se provou ser muito eficiente e confortável, mas que se enquadra numa categoria de iates de custo mais elevado. Agora com esse novo modelo de custo muito mais acessível, estamos ocupando um espaço vazio em nossa gama de barcos a motor, tendo encontrado um tamanho bem coerente com os novos tempos, de não se querer ter mais do que o que realmente se necessita.

Arranjo interno: A Curruira 33 é uma embarcação para dois casais fazerem pernoite com total privacidade, para isso possuindo duas cabines em suíte localizadas no compartimento de proa. Como costuma ser a divisão interna de trawlers deste porte, o pilot-house é também a área social e é ali onde se localiza a cozinha. No pilot-house a cozinha e o assento do piloto ficam a estibordo, enquanto a bombordo é instalado um sofá em U circundando uma ampla mesa de refeições.

O interior da Curruíra 33 é amplo e desobstruído. O fato de o layout contemplar duas suítes com cama de casal lhe confere um status de iate de luxo para um barco desse porte.

Descrevendo o barco de proa para popa, as suítes de proa se localizam logo à ré do compartimento da amarra de fundeio e são simétricas, sendo separadas uma da outra por uma parede na linha de centro. Cada uma possui uma cama de casal, um hall com poltrona e seu banheiro privativo, ambos possuindo privada, pia e ducha para chuveiro. O banheiro de bombordo tem acesso tanto pelo camarote quanto pelo corredor, sendo o banheiro social quando houver mais de quatro pessoas a bordo.

As suítes de proa são simétricas, ambas possuindo um hall com poltrona e um banheiro exclusivo. O acesso a essas suítes se dá por meio de um corredor central.

O hall de entrada das suítes possuindo poltrona, estante e mesinha com armário em baixo, oferece conforto e privacidade para um casal. A iluminação e a ventilação natural são proporcionadas por uma vigia de abrir localizada na parede de cabine e uma gaiuta instalada no teto.

Seguindo para a popa, o pilot-house, que tem seu piso elevado para poder oferecer uma visão adequada ao piloto, permite que o motor fique instalado sobre esse piso, criando um espaçoso compartimento de máquinas, com bastante volume para que se possa fazer manutenção sem necessitar ser um contorcionista. O acesso à casa de máquinas se dá por uma abertura na antepara da Seção 5, para isso os degraus que levam ao pilot-house sendo removíveis. O salão tem a bombordo um grande sofá em U, com uma ampla mesa de refeições em seu centro. Essa mesa, caso sua coluna de sustentação seja telescópica, pode ser rebaixada até a altura dos assentos, fazendo assim uma terceira cama de casal, que pode ser usada em caso de seis pessoas fizerem pernoite.

O sofá em U e a mesa de refeições ocupam o lado de bombordo do pilot-house. As amplas janelas nas paredes laterais do salão permitem que os ocupantes apreciem a paisagem exterior além de oferecer excelente iluminação natural.

A estação de pilotagem, rádio e navegação, se localiza a estibordo logo à ré da Seção 5. Ela consiste em um console onde estão instalados os comandos do motor, a roda de leme do interior da cabine e uma bancada à frente onde podem ser instalados o chart-plotter, rádio VHF, monitor de radar e outros instrumentos.

O pilot-house totalmente enjanelado proporciona ao piloto uma boa visibilidade. O banco do piloto é largo o suficiente para permitir a um casal sentar-se lado a lado.

À ré da estação de pilotagem localiza-se a bancada da cozinha. Essa bancada possui uma grande pia e um fogão de duas bocas. Sob a pia existe um amplo armário para estiva de materiais de cozinha e mantimentos, enquanto que sob o fogão localiza-se a geladeira, que tanto pode ser elétrica como ser acionada por um compressor acoplado ao motor por meio de uma correia.

A cozinha da Curruira 33 é bem prática de ser operada e mantida graças ao seu arranjo linear.

Acomodações externas: A praça de popa da Curruira 33 é uma segunda área social. Tendo a maior parte de sua área protegida por um teto que é a parte em balanço do piso do pilot-house, a praça de popa forma uma verdadeira varanda para ser aproveitada em ocasiões quando a temperatura estiver mais elevada. Possuindo dois bancos em L, cada um em um dos cantos entre o espelho de popa e o costado, além de uma bancada com pia e armário em baixo, essa praça de popa é muito popular quando se quiser promover uma festinha, ou quando o número de pessoas a bordo for mais elevado. A porta de entrada no barco se localiza entre os dois bancos na popa e o acesso ao fly-bridge se faz por uma escada junto à parede de popa do salão.

A praça de popa é o lugar perfeito para se promover uma festinha ou se confraternizar com amigos tomando uma cerveja gelada em uma noite de verão.

A terceira área social da Curruira 33 é o fly-bridge. Além do segundo comando com roda de leme, repetidores de instrumentos de navegação e controles de comando, o fly-bridge também possui dois sofás laterais e lugar suficiente em seu piso para se tomar banho de sol sobre um colchão de ar. Na extremidade da parte de ré do piso do fly-bridge é instalado um pórtico para radar e painéis solares, se esses equipamentos forem desejados. O acesso ao castelo de proa se faz por meio de dois corredores laterais dispostos em dois níveis. Os degraus de acesso a meio caminho ficam protegidos pelas balaustradas de aço inoxidável colocadas sobre as bordas falsas dos dois lados, indo desde um pouco à ré do bico de proa até o início do piso mais baixo das passagens laterais. O castelo de proa é uma área de trabalho, ali só existindo o guincho de fundeio, o frade de amarração e o tampo de acesso ao compartimento da amarra de fundeio.

Clique aqui para saber mais sobre o Curruíra 33.


Kiribati 36 veleja contra vento e corrente

Luis Manuel Pinho

Recentemente eu estava na Ilha Grande aguardando a Marli chegar de uma visita à familia no interior do Rio Grande do Sul e sabendo que ela viria para a enseada do Abraão, resolvi aproveitar uma semana de ventos de leste bem fortes para testar o barco nessas condições, pois na vinda de Rio Grande para a região de Angra não tivemos que enfrentar situações semelhantes. O resultado está neste vídeo:

A rota seguida mostra que a correnteza estava bem forte, pois era Lua Nova, e para vencê-la e também aos 20 nòs de vento de proa, tive que dar vários bordos, como pode ser visto na captura de tela abaixo.

O percurso entre Sitio Forte e Abraão na Ilha Grande, 20 milhas náuticas com os bordos.

Levei algumas horas para fazer o percurso, e a velejada mais parecia uma brincadeira de monotipo do que um percurso num barco de oceano. A cana de leme se mostrou muito bem dimensionada, e nada como timonear com uma cana para aproveitar bem as rajadas e variações do vento para melhorar o progresso. Em viagens oceânicas praticamente nunca timoneamos, e para este percurso curto isso foi encarado como uma diversão.

Cockpit livre e espaçoso, com a cana de leme bem dimensionada

O barco andou muito bem, levando-se em consideração que a vela grande tem uns 20 anos, tendo nos sido oferecida por um amigo de Rio Grande, e teve que ser cortada e adaptada. Os lemes foram sempre bem eficientes, e em alguns momentos o barco velejava mesmo sem que eu pusesse a mão na cana.

Na chegada o vento deu uma rondada e pude dar uma boa velejada de través, onde o barco andava a 7.5 nós, mesmo com as velas rizadas. O piloto automático também não teve problemas para governar o barco em todas as situações encontradas.

Achamos muito importante que um barco consiga ter um bom desempenho mesmo em situações adversas de contravento, pois a habilidade de poder escapar de uma costa perigosa pode significar a diferença entre um cruzeiro bem sucedido ou um desastre.

Com sua capacidade de procurar abrigo em águas razas e também seu bom desempenho à vela, o Green Nomad nos oferece uma boa plataforma para explorar os lugares remotos que povoam nossa imaginação. Isso aliado à robustez e manutenção fácil do casco de alumínio nos permite levar a vida que gostamos com um mínimo de gastos.

Luis Manuel Pinho é parceiro do escritório Roberto Barros Yacht Design, velejador desde os 6 anos de idade e Engenheiro Metalurgista por formação. Luis vive a bordo do seu Kiribati 36 Green Nomad com sua esposa Marli Werner desde 2008 e é coautor do projeto.

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36


Multichine 26C Xangô já está na água

Nosso esforço de projetar veleiros de cruzeiro de baixo custo com grande volume interno continua dando bons resultados. Dessa vez o modelo em destaque é o Multichine 26C, um barco difícil de acreditar que meça apenas vinte e seis pés desde seu bico de proa até seu espelho de popa. Com 1.85m de pé direito sob o teto da cabine, duas camas de casal, um camarote privativo com porta e hall de entrada e tendo um conjunto banheiro/cozinha típico de iates bem maiores, o MC26C tem tudo grande em seu interior.

Agora que começam a serem inaugurados os primeiros Multichines 26C no Brasil, o barco vai se tornando mais conhecido pela comunidade náutica, e os velejadores vão descobrindo como ele é diferente. Os pioneiros no Brasil são o Xangô, construído por nossos amigos Rui Jorge e Fátima no Clube São Cristóvão, Rio de Janeiro, e o Anauê, construído por Amauri Ferraz em Santa Bárbara d' Oeste, Estado de São Paulo. Outros barcos da classe já podem até estar navegando aqui no Brasil, mas isso não sabemos dizer, pois não fomos informados.

MC26C Xangô no dia seguinte à sua entrada na água. O prazer que dá ver o barco construído com as próprias mãos flutuando só pode ser avaliado plenamente por quem já passou por essa experiência. É um momento de gloria na vida de uma pessoa!

Em setembro visitei na Marina da Glória, Rio de Janeiro, o recém-lançado Xangô. Fui recebido pelo radiante casal Rui e Fátima, que, como não poderia deixar de ser, estavam eufóricos com a inauguração. Afinal esse é o momento de glória de todo construtor amador.

A cozinha do MC26C Xangô com pia geladeira e fogão de duas bocas com forno, além de uma profusão de armários, é a mais completa que se possa desejar em um veleiro de vinte e seis pés. A bancada de granito, embora não seja nossa preferência por causa do peso excessivo, tem sido ultimamente a escolha de cem por cento de nossos clientes. Afinal moda é moda, não é?

Minha visita valeu a pena. Ainda não tinha visto um barco da classe dentro d' água e nesse dia tive uma grande surpresa: o MC26C é mesmo um barco enorme para um veleiro de 26 pés. E como é confortável internamente! Como era de se esperar, nesse dia a conversa girou em torno de planos para realizar longos cruzeiros, tipo cruzeiro da costa leste, regata Recife Fernando de Noronha, e, quem sabe, uma esticada até o Caribe. Embora o barco ainda não estivesse arrumado e ainda faltando alguns detalhes a ser concluídos, tive uma impressão geral extremamente positiva. Só o excelente pé direito já é um fato a ser apreciado, mas a sensação de espaço que a cabine transmite, essa é realmente impactante. Já na primeira noite do barco na marina, Hugo, um dos filhos do casal, retornou da faculdade diretamente para bordo e inaugurou o camarote de popa, pela manhã tendo feito eloquentes elogios ao conforto do beliche.

Para nós do escritório é muito prazeroso ver que o conjunto de plantas que produzimos resulte num veleiro tão impactante. Vale ressaltar a competência dos nossos amigos para fazerem um barco tão bem construído sem nenhuma experiência prévia. Como me disse Fátima naquela manhã, nem mesmo casinha de cachorro Rui tinha feito anteriormente.

Como o barco tinha entrado na água no dia anterior, a cabine ainda estava um pouco desarrumada e faltando completar alguns detalhes de acabamento, mas já deixando uma ótima impressão de seu conforto interno e aspecto acolhedor.

Mas para chegar-se há esse dia inesquecível foi necessário vencer várias etapas, cada uma delas representando um marco importante, digno de ser comemorado. Recapitular como a obra foi avançando é compreender como o sonho foi se transformando em realidade. Primeiro existe apenas um desejo. Um dia vem a decisão de adquirir um projeto. Recebidos os planos, eles são minuciosamente estudados e começam os preparativos para a construção.

O dia da virada do barco geralmente é comemorado com um churrasco e costuma ser o marco mais importante antes do lançamento à água. Daí em diante o prazer de ver o barco ficando pronto é a mola que impulsiona a obra até sua conclusão final.

O pontapé inicial é dado quando se constroem as anteparas transversais. Depois vem a montagem do casco, o revestimento de fibra de vidro e finalmente o grande dia quando o casco é colocado de cabeça para cima. Esse dia costuma ser comemorado de alguma forma, geralmente com um churrasco no próprio local da obra. Então é como se fosse um bom livro, a obra segue em frente pelo desejo de ver como a história irá acabar. Mas a diferença é que o construtor é mais do que um simples leitor de uma novela, ele é o próprio personagem da trama. E então a continuação da história já é outra novela, agora uma de cruzeiros e aventuras, que podem ser ainda mais emocionantes.

O MC26C Anauê já está totalmente concluído. Seu acabamento é simplesmente primoroso. Cortesia: Amauri Ferraz.

Agora a classe já vai se tornando uma realidade com muitas unidades sendo construídas em diferentes países, algumas delas já ficando prontas. Um bom exemplo é o Anauê, de Amauri Ferraz. Esse barco, um primor de construção, já está pronto, e uma hora dessas deve estar navegando.

Multichine 26C Geko construído em Istambul, Turquia, por Ömer Kirkal. Esse foi o primeiro barco da classe a navegar. Geko está fazendo um tremendo sucesso, inclusive ganhando regatas. Cortesia Ömer Kirkal.

Mas, com certeza o primeiro barco da classe a navegar foi o Geko, construído na Turquia pelo casal Ömer e Firuzan Kirkal. Esse barco além de ter ficado muito bonito ainda está se dando bem em regatas locais e seus donos estão entusiasmados com seu desempenho à vela.

A classe Multichine 26C tem tudo para se tornar famosa. Agora ficamos aguardando os relatos das primeiras aventuras náuticas de um dos barcos que já estão prontos e dos que estão quase lá.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine26C


Pop Alu 32 avança: 3 unidades do veleiro de alumínio em construção

Coincidente com o envio das últimas fotos do Pop Alu 32 sendo construído pelo estaleiro Ilha Sul, de Porto Alegre, recebemos também fotos do início da montagem de duas outras unidades do projeto, uma em Córdoba, Argentina, e outra em Tubarão, Santa Catarina.

Pop Alu 32 na Ilha Sul, em Porto Alegre

A unidade da Argentina foi na verdade a primeira vendida do projeto, quando nosso cliente Walter Baitella viajou de Córdoba a Rio Grande para conhecer o Green Nomad e encomendou o projeto do Pop Alu 32 antes mesmo deste estar pronto.

Início da montagem do berço em Córdoba, Argentina

Já a unidade de Tubarão é a mais recente vendida, e nosso cliente Jean Abreu Machado pretende iniciar uma produção em série do modelo, tendo até adquirido o equipamento para corte CNC das chapas.

Jean também irá fornecer os kits pré-cortados para construtores amadores, facilitando em muito a vida dos mesmos.

Berço do Pop Alu 32 em Tubarão, Santa Catarina

A construção do Pop Alu 32 é do tipo “Quick Assembly”, em que o casco é montado já na posição normal, e com o kit CNC de todas as partes de alumínio pré-cortadas, o progresso é extremamente rápido e o processo todo otimizado economicamente.

Com tantas opções de construtores esperamos ver um número considerável de barcos desta classe aproveitando os litorais das Américas e provávelmente mais distantes num curto espaço de tempo.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop Alu 32


Kiribati 36 - Uma visita em vídeo ao barco

Abaixo está um vídeo que foi editado por mim e minha esposa, Marli Werner. Se você está chegando agora, nós construímos o protótipo do projeto Kiribati 36, o Green Nomad.

Após navegar extensamente em nosso primeiro barco, incluindo quase um ano em Kiribati, na Oceania , de onde o nome do projeto foi tirado, nós decidimos construir um novo barco incorporando muitas idéias acumuladas durante os quase 16 anos de cruzeiro e vida a bordo ( isso porque ainda hoje consideramos o Green Nomad em construção e recebendo aperfeiçoamentos que são fruto da experiência do dia a dia ).

Nós encontramos no desenho do Multichine 36 SK a plataforma ideal sobre a qual construir nosso novo veleiro, e o resultado é o que pode ser visto no vídeo.

As viagens dos Green Nomads, em vermelho, verde e azul o primeiro, e em amarelo a nova fase com o Kiribati 36

Nós saímos do Rio de Janeiro em 1996 com o primeiro barco, e depois de visitar algumas ilhas do Sul do Caribe, fomos para as Ilhas San Blas, no Panama, antes de cruzar o canal e visitar as Galápagos e então fazer o grande pulo do Oceano Pacífico. E foi nas Ilhas do Pacífico que encontramos nosso lugar na Terra, e é para lá que estamos novamente nos dirigindo com o Green Nomad.

Algumas das áreas que gostamos são sujeitas a ciclones, por isso o Kiribati 36 tem quilha retrátil para nos permitir encontrar e entrar nos melhores abrigos. Outros lugares são bastante profundos, e por isso agora temos 80 metros de corrente de 10mm, e o sistema adequado para manusear tudo isso. E para cruzeiro em áreas tropicais muita ventilação é uma boa característica, e a beleza em redor pode ser uma companhia constante devido à vista panorâmica que agora nós temos no Green Nomad.

É bom avisar que alguns detalhes no nosso barco diferem um pouco do plano de estoque do Kiribati 36, a razão principal sendo que nós tivemos que morar a bordo enquanto fazíamos o interior, e alguns refinamentos como portas e degraus no piso foram abolidos para economizar tempo.

Green Nomad velejando em direção á Ilha Grande...

... e no saco do Mamanguá, na região de Parati.

Para ler mais sobre as nossas viagens e ver muitas fotos, visite o web site do Green Nomad.

Luis Manuel Pinho é parceiro do escritório Roberto Barros Yacht Design, velejador desde os 6 anos de idade e Engenheiro Metalurgista por formação. Luis vive a bordo do seu Kiribati 36 Green Nomad com sua esposa Marli Werner desde 2008 e é coautor do projeto.

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Pop 25 - Rancho Alegre e Horus avançam em suas obras

O pessoal da classe Pop 25 deve estar entusiasmado com o progresso da obra do Rancho Alegre, que está sendo construído por Francisco Aydos em Porto Alegre, RS. Francisco já fechou o casco e breve deverá estar aplicando a fibra de vidro externamente. Sendo uma classe tão nova, ficamos contentes de constatar que construir um casco de Pop 25 é rápido e fácil de ser realizado, exatamente como planejáramos. Francisco é muito competente e seu trabalho está ficando excelente. Pela velocidade que o barco está sendo feito não deverá demorar muito para que esteja navegando.

Rancho Alegre na reta final para concluir a construção do casco. Francisco Aydos ficou surpreso como os painéis intermediários se assentaram no lugar com a maior facilidade. Foto: Francisco Aydos.

O Pop 25 mais avançado continua sendo o Horus, que está sendo construído em City Bell, Buenos Aires, Argentina. As fotos mais recentes postadas no blog do Daniel mostram que os últimos detalhes, tais como ferragens de cana de leme e gaiuta principal, já estão sendo instalados, o que significa que falta muito pouco, muito pouco mesmo, para que o barco navegar.

A ferragem da cana de leme já instalada. Falta muito pouco para o Horus ir para a água. Foto: Daniel D’Angelo

Konquest já com as anteparas instaladas no picadeiro. Esse é mais um Pop 25 feito com muito capricho. A classe está nascendo com um astral muito alto. Cortesia: Marcelo Schurhaus.

Pop 25 que está sendo construído no Clube São Cristóvão, o centro da construção amadora no Rio de Janeiro, por John Mathesson para o velejador carioca Fernando Santos. A ideia de levar as anteparas já pintadas para o picadeiro é muito interessante. Foto: John Mathesson

O Pop 25 em sua curta existência já se tornou um projeto para lá de bem sucedido. Em menos de dois anos já temos barcos sendo construídos em nove países diferentes, sendo eles por ordem alfabética: Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Estados Unidos, Portugal, Nova Zelândia, República Checa e Turquia.

O arranjo interno do Pop 25 é surpreendente para um veleiro de 25 pés.

Enquanto nossos construtores ficam se divertindo com suas construções, eles nunca param de sonhar com o dia de poderem se mudar de mala e cuia para bordo. Um dos comentários que mais ouvimos é que o que mais impressiona no projeto é o conforto interno que o Pop 25 oferece para um barco de 25 pés. Uma das poucas duvidas sobre o projeto que às vezes nos questionam é se seus bulbos não seriam vulneráveis a se embaraçarem com redes de pesca. Sem dúvida que se o barco colidir frontalmente com uma rede, ele irá parar, mas ao contrário das quilhas sem bulbo, que tão logo a rede passe por baixo irá subir de novo e provavelmente se instalar no hélice, isso não irá acontecer com o Pop 25. É provável que baste acionar a marcha à ré e o barco estará livre. Em contrapartida o dono de um barco de um só fin-keel irá morrer de inveja de não poder encostar-se a uma praia e esperar a maré baixar para fazer manutenção de fundo sem precisar gastar um tostão por isso.

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Pop 20 - Navegar é preciso, viver não é preciso

Roberto Barros

Tenho um amigo cuja amizade é muito prezada por mim. Seu nome é Webb Chiles, e imagino que muitos de vocês nossos visitantes já ouviram falar dele, uma vez que é um dos mais conhecidos cruzeiristas americanos. Webb está nos preparativos finais para realizar sua sexta volta ao mundo, desta vez a bordo do Gannet, um veleiro de 24 pés desenhado na década de setenta. No entanto esse não é o menor veleiro com o qual se envolveu numa empreitada desse tipo. Antes ele tinha dado uma volta ao mundo a bordo de um veleiro totalmente aberto, sem cabine e sem quilha, chamado Chiddiock Titchborne.

Webb e eu nos conhecemos em 2002, durante sua quinta volta ao mundo, quando em companhia de sua esposa Carol, fez escala na Marina da Glória, Rio de Janeiro, onde na época eu morava com minha esposa Eileen a bordo do Multichine 28 Fiu. Parece que uma afinidade mútua atraiu os dois casais, pois no tempo em que os dois veleiros permaneceram lado a lado surgiu uma forte amizade que perdura até os dias de hoje. Talvez o principal motivo para nossa afinidade residisse em nossa paixão comum pelos veleiros pequenos. Saber que ele está se preparando para realizar mais uma volta ao mundo a bordo de um anão de oceano me trouxe boas recordações, especialmente da viagem que Eileen e eu realizamos do Rio de Janeiro até o Pacifico a bordo de um veleiro de 25 pés. Essa experiência foi relatada no livro “Do Rio à Polinésia”, o primeiro do gênero escrito por autor brasileiro. Quando retornamos ao Brasil depois dessa viagem, Eileen e eu estávamos tão encantados com nossa experiência, que decidimos dedicar uma boa parte de nosso tempo a ajudar outras pessoas a fazerem a mesma coisa, numa tentativa de proporcionar a outros momentos tão inesquecíveis como os pudemos desfrutar. Foi por essa razão que nosso escritório desenvolveu uma coleção de veleiros compactos de baixo custo para construção amadora.

Como mantenho um contato regular com Webb, sabendo de sua partida iminente, para agitar o clima de grande aventura que sempre acontece antes de uma partida, apresentei ao meu amigo o fado de Caetano Veloso, “Os Argonautas”, que imaginava que ele não conhecia. Webb, um talentoso escritor com sensível veia poética, ficou encantado com a canção, para a qual fez um link em seu blog (veja em nossa página de links, coluna da direita, “In the Present Sea”. O texto que ele publicou segue abaixo. Deixei o texto em inglês para vocês observarem como a letra da canção tocou no coração de meu amigo.

You are a good group and you do me honour by reading this journal. Often you bring to my attention something I did not know. So it was with the Portuguese words above which came to me Sunday in an email from the Brazilian sailor and yacht designer, Roberto Barros.
I’ve seen more of the sea and the world than most. I’ve been reading seriously and listening to music for more than a half a century. Yet still I am often startled by my ignorance.
Carol and I met Roberto and his wife Eileen at Rio de Janeiro’s Marina da Gloria in 2002.
In the 1960s, Roberto and Eileen sailed from Brazil in a 25’ engineless vessel to the South Pacific where they cruised for three years. Although such voyages have never been common in small boats, in the 1960s they were not common in any size boat.
Roberto shares my particular affection for small craft. He once designed a boat that he describes as a near sistership to GANNET; and while he followed my voyages in THE HAWKE OF TUONELA, he is more interested in what I do with the less predatory bird.
The Portuguese words, which are attributed to Don Henrique, the prince who in English is known as Henry the Navigator, founder of the first school of navigation and prime mover in the Portuguese voyages of discovery, can be translated as “To sail is necessary; to live is not.”
For the Portuguese this was literally true.
In the north they grow grapes and make good wine, but the sea is--or was--the nation’s life.
Roberto told me of a fado by the Brazilian composer, Ceateno Veloso.

I found an English translation of the lyrics:

The Argonauts

The ship, my heart cannot handle it
Such torment, happiness
My heart is discontent
The day, the limit, my heart, the port, no
Navigating is necessary, living is not
The ship, night in the beautiful sky
The free smile, lost Horizon, morning dawn
The laugh, the arc, of morning
The port, nothing
Navigating is necessary, living is not
The ship, the brilliant automobile
The free track, the noise
Of my tooth in your vein
The blood, the swamp, slow soft noise
The port - silence
Navigating is necessary, living is not

Gannet é um veleiro anão de oceano desenhado na década de setenta, uma época em que navegar era preciso, viver não era tão preciso, pelo menos sem uma boa dose de aventura. Depois, com a prosperidade mundial que se prolongou por tantos anos, os veleiros se tornaram verdadeiros palácios flutuantes. Cortesia: Webb Chiles.

Enviei a ele duas fotos do Pop 20, o veleiro que nosso escritório projetou para ajudar as pessoas a saírem para o mar, e que tem tanto a ver com o Gannet, para que pudesse constatar que o gosto por barcos compactos não era simplesmente um papo furado de minha parte. Afinal os dois modelos têm mais coisas em comum do que diferenças.

O Pop 20 é um veleiro desenhado para as pessoas de espírito simples. Ele é fácil de ser navegado e barato de ser construído. A sensação de liberdade proporcionada por quem veleja em um veleiro compacto só pode ser avaliada por quem possua um desses barcos

O interior do Pop 20 é muito confortável para um barco desse porte. Com acomodações para pernoite para até quatro pessoas, ainda possuindo cozinha com pia e um toalete químico sob o beliche de casal de proa, ele é surpreendentemente amplo para seu tamanho.

Além do Pop 20 temos outros projetos de estoque de barcos compactos para construção amadora próprios para navegar em mar aberto, tais como o conhecido Multichine 23, com centenas de barco navegando ou em construção, e agora o recém-lançado Pop 25. Mas nenhum deles é tão barato e tão fácil de construir como o Pop 20. O nome que demos ao projeto tem tudo a ver com a afinidade de gostos por barcos pequenos que Webb e eu compartilhamos, embora em comparação direta com o Gannet, nossos modelos que mais se aproximam com seu barco sejam o Pop 25 e o Multichine 23.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 20


Pop 25 - Horus quase pronto para o lançamento

Bons ventos voltaram a soprar para a classe Pop 25. Recebemos um telefonema de Daniel D’Angelo, o construtor amador que muito provavelmente será o primeiro a concluir a construção de um Pop 25, quando nos contou que após três meses sem atualizar seu blog (veja em nossa página de links: Pop 25 Horus), finalmente as coisas voltaram a acontecer com sua obra, agora em ritmo bem rápido. Daniel nos contou que pretende levar o barco para seu clube em La Plata, Argentina, onde os outros dois barcos que construiu, o Samoa 28 Sirius e o Pantanal 25 Vega, estão estacionados. No primeiro trimestre desse ano informamos que o Horus logo estaria navegando. No entanto, por razões pessoais Daniel interrompeu seu trabalho por um tempo, só tendo agora reiniciado a obra. Agora ele está ansioso para ver o barco na água, e está disposto a fazer isso antes mesmo de estar tudo devidamente concluído.

Sonhando com o Pop 25: os construtores de Pop 25 mal podem esperar para ver o primeiro barco da classe velejando. Fotoshop: Murilo Almeida.

A corrida para ver qual será o primeiro barco da classe a ficar pronto está praticamente vencida pelo Horus. No entanto outros também estão avançando rápido, como o Konquest, de Marcelo Schurhauss, que está sendo feito em Florianápolis, Santa Catarina, e o Rancho Alegre, que está sendo construido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, por Francisco Aydos. Temos informações seguras a respeito desses dois construtores porque eles criaram blogs, com links desde nosso site, nos quais relatam o andamento de suas obras. Outros podem até estar mais adiantados em suas construções, mas isso não sabemos dizer.

Rancho Alegre, de Francisco Aydos, que está sendo feito em Porto Alegre. Ficamos impressionados com a qualidade do galpão onde o barco está sendo construído. Em um lugar assim tão aconchegante só é esperado se realizar uma obra de primeira classe. Cortesia: Francisco Aydos.

A razão para desenvolver o projeto do Pop 25 reside no fato de já termos sentido na própria pele como é difícil se obter um autêntico veleiro de cruzeiro oceânico. No início de nossa carreira desejávamos ardentemente possuir um veleiro para empreender viagens oceânicas, mas com os recursos de que dispunhamos nem podíamos sonhar em contratar um estaleiro profissional. Vendo como é difícil para muita gente conseguir realizar esse sonho decidimos dedicar boa parte de nosso tempo a desenvolver projetos para construção amadora. Foi então que compreendemos que o que realmente conta é se possuir informação detalhada que permita ao amador construir com a mesma qualidade do estaleiro profissional.

O espelho de popa do Konquest pronto para ir para o picadeiro. A estrutura que segura os dois eixos de leme e o pino de pivotamento da cana de leme é pré-construída em bancada, só requerendo que os eixos dos lemes sejam encaixados nelas quando o barco ficar pronto. Foto: Marcelo Schurhauss

Estamos descobrindo que nossa estratégia de suprir informações detalhadas de como construir as anteparas estruturais, essas anteparas já de início sendo bastante simples, pois são praticamente retangulares em formato, está se mostrando ser o segredo para que todos estejam sentindo firmeza em sua capacidade de construir o barco.

O cockpit do Pop 25 em forma de T é espaçoso e funcional. Foto: Daniel D’Angelo.

A construção do Horus foi uma boa prova de que nossa intenção de fornecer um detalhamento minucioso rendeu dividendos. Daniel nos informou que não encontrou dificuldade alguma para construir o barco, e a rapidez da obra foi impressionante. Sendo geólogo por profissão, seu trabalho o obriga a passar um mês no campo, tirando em seguida um mês de folga, tempo esse que dedica ao veleiro. Se você visitar seu blog, Pop 25 Horus irá ver que o tempo que levou para fazer as várias etapas do trabalho foi muito curto. Agora ele está ansioso para ver a luz no fim do túnel, e está disposto a levar o barco para o clube sem demora. Quando a obra básica fica pronta ninguém se importa de fazer as últimas tarefas já dentro d’água. Essa fase da obra, a de instalar ferragens e equipamentos eletrônicos, é como abrir presentes no dia de Natal.

Horus já protegido com duas mãos de base epóxi. Os lemes e as quilhas, assim como a mastreação e ferragens, já foram adquiridos, de modo que praticamente não falta nada para o barco ir para a água. Foto: Daniel D’Angelo.

Agora fica faltando dar a pintura de acabamento e instalar as ferragens. Mastreação, equipamentos e velas já foram adquiridos e Daniel já nos informou que a próxima atualização do blog será para mostrar o barco navegando.

Ficar imaginando como será o barco pronto é o combustível que impulsiona nossos construtores a seguirem em frente. Fotoshop: www.ideebr.com

O Pop 25 foi desenhado com intenções sociais em mente, a de permitir que pessoas de todas as idades que possuam recursos modestos possam ter seu veleiro de cruzeiro oceânico, tornando o esporte de cruzeiro a vela uma atividade mais democrática.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Multichine 31 - A força do destino

Quando desenvolvemos o projeto do veleiro de cruzeiro MC 31 nem de longe poderíamos imaginar que tantos velejadores iriam escolhê-lo como o projeto do barco de suas vidas. Todas as vezes que decidimos projetar um novo modelo temos que encarar o mesmo desafio: fazer o barco mais confortável que conseguirmos dentro do tamanho escolhido e que tenha o menor custo possível. Como diz o ditado que os americanos tanto gostam de usar, não existe almoço grátis. Para se conseguir alcançar o privilégio de se possuir um veleiro de comportamento marinheiro, tendo um interior muito confortável, ou você é cheio da nota, ou está disposto a ralar muito para construí-lo com as próprias mãos. Nenhum desses dois caminhos é necessariamente um mar de rosas, mas nossa longa experiência mostra que em média o grupo mais feliz entre os nossos clientes é o dos construtores amadores.

O impressionante volume interno do MC31 talvez seja o fator primordial para que tenhamos tantos clientes para esse modelo, considerando-o o barco de suas vidas. Renderização: www.ideebr.com

Na semana passada recebemos esse simpático e-mail de Luca Di Agostino, que está construindo um MC 31 na Itália. Ele estava precisando de um desenho em 3D do fin-keel para poder fabricar o molde do lastro por CNC. Como essa é uma tendência mundial, e temos todo o projeto já projetado em 3D, isso para nós não foi problema, e oferecemos ao Luca o arquivo da planta tridimensional da quilha sem lhe cobrar coisa alguma por isso, dessa forma enriquecendo o plano de estoque, ao mesmo tempo em que fazíamos um novo amigo italiano. Leia abaixo o e-mail que ele nos enviou:

Prezados,

Comprei de vocês o projeto do Multichine 31 há aproximadamente três anos, e agora, com a ajuda de meu pai, praticamente terminei a construção, esperando estar com o barco pronto lá pelo outono desse ano. Breve devo estar mandando para vocês uma galeria de fotos da construção. Pedimos orçamento a várias fundições para encomendar nossa quilha a ser fundida em ferro, mas todas elas nos pediram o arquivo em 3D para que pudessem produzir o molde por CNC, uma vez que nos informaram que não entendiam a planta em 2D original do projeto, e que para fazer o modelo sem o arquivo CNC iriam cobrar uma fortuna. Se vocês puderem me ajudar eu agradeceria, pois espero fazer um barco muito bem construído. Saudações

Luca.

A renderização do modelo da quilha em 3D que agora faz parte do pacote do projeto de estoque do MC 31. Photoshop: Murilo Almeida

A comunidade de construtores de MC31 está espalhada por muitos países. No entanto temos mais contato com aqueles que criaram blogs para relatar suas construções e que nos informaram sobre isso. Estamos confiantes que eles estão muito felizes com suas construções e nos sentimos gratificados por termos contribuído para isso, por menor que tenha sido nossa contribuição. Para nós é muito bom quando sabemos sobre as dificuldades que nossos clientes encontraram e se estão felizes com seus empreendimentos. Por nossa sorte, até o momento, só recebemos boas notícias, pois o pessoal que já terminou a obra só nos tem informado boas coisas sobre o modelo.

O MC31 é um barco basicamente desenhado para construção amadora ou para ser feito por um estaleiro artesanal. Considerando que a diferença de custos entre barcos de 35 pés e barcos de 31 pés é expressiva, porquê não projetar um barco de 31 pés com aproximadamente o mesmo volume de um outro de 35 pés? Fotoshop: www.ideebr.com

Sempre ficamos curiosos a respeito dos feitos que eventualmente tenham sido realizados por algum barco construído a partir de um de nossos projetos. De vez em quando publicamos um artigo escrito por algum de nossos construtores relatando alguma viagem oceânica, seja ela uma viagem curta, ou uma volta ao mundo. No entanto ainda não tivemos a sorte de receber um relato de uma boa aventura realizada por um proprietário de MC 31. Mas isso deve estar com os dias contados, pois sabemos que planos não faltam entre os donos de MC 31. Afinal eles sabem que têm barco de sobra para isso.

Dá para acreditar que esse interior é o de um barco de 31 pés? Renderização: www.ideebr.com

Nosso escritório oferece uma extensa lista de planos de estoque de veleiros de cruzeiro oceânico para serem construídos com vários materiais diferentes com o intuito de agradar a diferentes preferências. Também temos projetos com uma larga opção de tamanhos, um para cada poder aquisitivo. No entanto uma coisa é comum a todos os modelos destinados à navegação em mar aberto: o conceito que tenham que ser expressivamente robustos e marinheiros. Nesse aspecto somos intransigentes, mesmo que assumindo o risco de sermos considerados conservadores. No entanto acolhemos comentários desse tipo como elogios, pois com nossa longa experiência de navegação oceânica sabemos que quando se está lá fora e a coisa fica preta, o que mais se deseja é poder confiar no barco que nos está abrigando.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 31.


Kiribati 36 Green Nomad se encontra com Samoa 34 Luthier e MC 28 Kyriri Ete

Um encontro nem tão raro de barcos do escritório aconteceu neste mês em Parati, onde o Multichine 28 Kyriri Ete, o Samoa 34 Luthier e o Kiribati 36 Green Nomad dividiram uma ancoragem por alguns dias. Nem tão raro porque nesta região se encontram muitos barcos construídos com desenhos nossos.

Kiribati 36 Green Nomad, Samoa 34 Luthier e Multichine 28 Kyriri Ete em Parati.

Estes tres barcos ilustram a recompensa no fim do trabalho de uma construção, trabalho esse que muitas vezes é lembrado até com saudade por alguns clientes.

O Multichine 28 Kyriri Ete foi construído em Florianópolis, Santa Catarina, pelo nosso cliente Giovanni dal Grande, que fez o barco inteiro praticamente, e hoje se mudou para bordo.

O Luthier jà é bem conhecido dos nossos construtores amadores, e foi construído pelo casal Dorival e Catarina Gimenes. Depois da construção o Luthier participou de duas Refenos e ao final da segunda partiu para um longo cruzeiro, conhecendo Caribe, Açores, Portugal, Espanha, Madeira, Cabo Verde e fechando o ciclo em Salvador, tendo agora descido a costa para Parati.

Já o Green Nomad se prepara para subir a costa, em direção ao Caribe e depois Pacífico. Mas sem pressa, pois o casal Luis Manuel e Marli trabalha a bordo, onde Luis participa de vários projetos em parceria com o escritório Roberto Barros Yacht Design, com ênfase em barcos de alumínio.

Luis Manuel, Murilo Almeida e Roberto Barros a bordo do barco escritório

A opção de construir um barco e morar a bordo foi comum às três tripulações, e disto não parece que nenhuma se arrepende. E morar a bordo da forma mais econômica e prazerosa, em ancoragens, transportando água para o barco, tendo como quintal praias e recantos de grande beleza e tranquilidade.

Buscando água em terra, com o carro ( bote ) que serve de transporte

Todos concordam que o fato de terem construído seus barcos a partir de projetos escolhidos para atender às suas necessidades foi uma boa decisão, que permitiu que tivessem barcos com um padrão de qualidade e a menor preço do que se tivessem procurado o Mercado de usados ou de barcos de série novos.

O Luthier, belo exemplo de construção amadora, um barco de excelente desempenho, que ganhou até a sua classe na regata Recife Fernando de Noronha.

Multichine 28 Kyriri Ete em Florianópolis

Luis Manuel e Dorival a bordo do Green Nomad

Marli e Catarina numa tarde em Parati

Kiribati 36 Green Nomad, um barco para viajar o mundo em segurança

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36.


Multichine 41SK Bepaluhê. Yo no soy marinero, soy capitán.

Essa nota é para dar os parabéns ao "capitão amador" Paulo Ayrosa e à sua simpática família pelo fato do lindo Bepaluhê agora estar sob o comando de um capitão licenciado. Segue abaixo o vídeo que Paulo produziu comemorando a obtenção de sua carta de Capitão Amador:

Você pode ler a nota que Paulo escreveu em seu blog, com link de nossa página de links: Multichine 41SK Bepaluhê, seja entrando diretamente no blog: http://bepaluhe.blogspot.com.br/, ou entrando em nosso link: Multichine 41SK Bepaluhê

Se você entrar no Wikipedia e fizer uma busca: Veleiro de cruzeiro de quilha retrátil construído em alumínio; Paraty, o paraíso na terra, provavelmente irá encontrar a resposta: Bepaluhê, o barco da família feliz

O Bepaluhê é o veleiro universal. Ele tanto pode ser usado em lugares onde só entram barcos de baixo calado, como pode atravessar oceanos com segurança e conforto. Essa versatilidade proporcionada pela quilha retrátil tem sido muito apreciada pela família Ayrosa, em suas incursões pelo Saco de Mamanguá, na parte oeste da Baía da Ilha Grande. Mas ele também é um barco para ser usado em qualquer clima. Nos trópicos, onde se encontra no momento, além do isolamento térmico padrão em todos os veleiros construídos em alumínio, ele é beneficiado por uma excelente ventilação natural, além de possuir ar condicionado para ser usado naqueles dias de verão escaldante.

Bepaluhê pode ancorar bem mais próximo de praias como essa do que outro veleiro de quilha fixa, sendo isso motivo para causar inveja em donos de veleiros de mesmo tamanho. Cortesia: Paulo Ayrosa

Quando navegando em clima frio, seu isolamento térmico funciona igualmente bem, e os camarotes com porta permitem que o ambiente fique tão aconchegante como um chalé alpino

Paulo Ayrosa está em sua primeira temporada com seu barco, que ainda está com cheiro de novo, e por enquanto está curtindo junto com a família tudo que a região da Baía da Ilha Grande, um dos lugares mais bonitos do mundo, tem para oferecer. Mas essa carteira de capitão amador nos faz imaginar que existem sonhos bem mais ambiciosos aguardando para serem concretizados.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 41SK.


Multichine 28. Vinte anos de história

Roberto Barros

Como passou rápido! O MC28 está fazendo vinte anos! Em um artigo recente contamos que o conceito teórico desse veleiro vitorioso foi concebido em longos papos de cockpit durante uma viagem ao Oceano Austral a bordo do veleiro Maitairoa. No portal do projeto em nosso site na internet existe um link  História  onde contamos os principais fatos sobre os primeiros dez anos da classe, mas de lá para cá já se passaram outros dez anos, e, como no caso de um vinho de boa safra, cada ano que passa o projeto vai se tornando cada vez mais consagrado como um dos melhores barcos de cruzeiro de seu porte.

Sabadear, de Manolo Fernandes, o primeiro MC28 a navegar.

O projeto levou algum tempo para ser concluído, mas antes mesmo de estar totalmente finalizado já existiam as primeiras unidades em construção. Foi, no entanto, no ano de 1992 que o primeiro MC 28, o Sabadear, de José Manuel Gonzales Fernandes, foi para a água na Cidade de Cabo Frio, Estado do Rio de Janeiro. Esse acontecimento é relatado no link  História da página do MC 28 em nosso site, assim como nos referimos aos barcos que ficaram prontos em seguida, como o Utopya de Breno Faria Lima e o Tatuamunha de Fábio Orsini, construídos em Recife, e que pouco depois estavam navegando em águas nordestinas. Mas os dois barcos que trouxeram mais informações para o escritório, pois foram construídos pela família Barros, que elaborou o projeto, com a colaboração do amigo Roberto Ceppas, foram sem dúvida o Makai e o Fiu, os dois MC 28 que realmente popularizaram a classe.

Trabalhar em um projeto, construir um barco e depois navegá-lo intensamente, além de passar uma longa temporada morando a bordo, é sem sombra de dúvida a melhor maneira de se ficar conhecendo o modelo melhor do que ninguém.

Multichine 28 Fiu rompendo mar de proa quase sem adernar, como é sua característica. Fotos tomadas pela câmera automática durante a travessia de mil milhas feitas em solitário quando fui de Recife ao Rio de Janeiro sem fazer escalas.

Foi assim com o Fiu. Cada melhoramento feito no barco durante essa época era incorporado ao projeto. Mas, sem dúvida, foram as milhares de milhas navegadas que mais trouxeram conhecimento de causa, o teste definitivo tendo sido uma frente fria que me obrigou a entrar em capa por quarenta e oito horas na viagem em solitário que fiz de Recife ao Rio de Janeiro no ano de 2005 (veja em clube do Multichine 28, diário de bordo n° 22 no site em inglês) . Lembro bem que as ondas quebravam com fúria nos vidros das janelas frontais da cabine, enquanto que lá dentro tudo permanecia tranquilo e aconchegante como sempre.

Dois projetos que fizeram nome entre os planos de estoque do escritório B & G Yacht Design: o Cabo Horn 35 e o Multichine 28. Nessa foto tirada no Saco do Céu em Ilha Grande, estão a contrabordo o Cabo Horn 35 Tauá, de Ricardo Lepreri e o MC 28 Fiu construído por mim para uso de nossa família.

Como a classe está continuamente aumentando em número de construtores e de barcos concluídos, é frequente a chegada de notícias sobre lançamentos ou sobre um cruzeiro empreendido por algum de nossos clientes. A mais recente notícia que recebemos foi a de que o MC 28 Access, do construtor amador e aventureiro Flávio Bezerra, já se encontra no Pacífico, pronto para partir para a Polinésia (veja artigo recente que publicamos sobre esse feito em nossas notícias).

Multichine 28 Access é o veleiro da classe que até agora tem o maior número de milhas navegadas. No momento ele está em águas do Pacifico, tendo partido do Rio de Janeiro e velejado por todo o Caribe.

Nesses últimos anos temos recebido muitas fotos de MC 28 sendo inaugurados, ou que estão em reta final de construção. Aqui seguem algumas delas:

Multichine 28 Ayty, do engenheiro eletrônico Arapoan Fernandes. Esse barco foi construído com muito carinho e ficou um espetáculo. A foto em baixo foi tirada no dia do lançamento. Atualmente o barco está em Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro

Kiriri ete, de Giovani Dal Grande, sendo lançado à água no Iate Clube de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. Esse barco é um show de competência em construção amadora.

Multichine 28 sendo construído por David Cross, em Seattle, Estado de Washington, U.S.A. Como essa foto já tem algum tempo, acreditamos que o barco a essa altura do campeonato já esteja navegando. No último e-mail que Dave nos enviou informava que já tinha encomendado a quilha e que o barco já estava praticamente pronto.

Multichine 28 Marauder, de São Sebastião, Estado de São Paulo Brasil. Esse barco é o único que preferiu roda de leme até o momento.

Riccardo Guardalben

Multichine 28 Safo. Claudiné Franco, seu construtor está na reta final dos preparativos para realizar uma viagem programada de Paraty até a Ilha de Capri, no Mediterrâneo. Na foto de cima pode-se notar que Safo já está embrulhado para presente, pronto para ir para a água. Na foto de baixo Claudine já tira proveito de sua toquinha com sua família a bordo.

Em julho de 2012 temos barcos da classe sendo construídos em dez países diferentes (Argentina, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Inglaterra, Nova Zelândia e Turquia), alguns deles tendo blogs ou sites em nossa página de links. Além disso, mantemos contato com muitos construtores, uns já navegando e outros ainda construindo, mas todos eles muito entusiasmados com seus barcos. Vejam esse e-mail que acabamos de receber de Vitor Moura e Luciana Alt, que estão construindo o Ipê, com site em nossa página de links, em Belo horizonte, MG:

Oi Cabinho!
Ficamos muito felizes em acompanhar o sucesso que o MC28 está fazendo por aí. Pra gente, o MC28 foi amor à primeira vista! Quando entramos no barco de vocês, na Marina da Glória, ficamos encantados e passamos a sonhar em construir um também. Agora estamos quase lá! Podem contar com a gente prá divulgar os pontos fortes do MC28, por onde a gente passar!

Abraços prá você e Eileen,
Luciana e Vitor

Esse ano temos a intenção de aproveitar o aniversário de vinte anos do projeto, e os muitos MC 28 que estão ficando prontos com planos de sair por aí em grandes cruzeiros, para publicarmos uma série de matérias sobre a classe. Novidades com certeza não irão faltar.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28.


Multichine 28. Um veleiro projetado em torno de uma cozinha

Foi no ano de 1989, durante uma viagem ao Oceano Austral a bordo do veleiro da família Barros, o doble-proa Maitairoa, que durante os intermináveis quartos de leme nas geladas fins de noite o conceito de um próximo projeto do escritório B & G Yacht Design foi ganhando forma.

Roberto barros Yachtdesign

A bancada da cozinha do Fiu, hoje Stella Del Fioravante é de dar inveja a alguns donos de veleiros de 40 pés.

A bordo estavam Roberto e Eileen Barros, a filha Astrid e o amigo Roberto Allan Fuchs. Todos eram unânimes em considerar o salão do Maitairoa tão aconchegante quanto um pub londrino, mas seu fogão de uma só boca deixava uma sensação de que alguma coisa estava faltando a bordo para que o barco tivesse o status de uma verdadeira casa. Foi então, com uma entusiástica participação de Eileen Barros, a artista que oferecia dois ou três pratos quentes por refeição cozinhados naquele fogãozinho de uma só boca, que em pleno oceano surgiu o layout do próximo lançamento do escritório, um de nossos campeões de popularidade, o Multichine 28.

Roberto barros Yachtdesign

Roberto barros Yachtdesign

Duas cozinhas de Multichine 28. A de cima, a bancada do Fiu, foi organizada por Eileen Barros. A de baixo é mais casual, pois Flavio Bezerra, o navegador solitário que a construiu e a utiliza em seu charmoso veleiro Access é o perfeito exemplo de como os homens costumam administrar esse assunto.

Roberto barros Yachtdesign

Uma das coisas que mais gostamos de apreciar é a personalização da decoração em cada um dos barcos. A divisão interna é exatamente a mesma, mas cada um tem seu próprio estilo. Esse Multichine 28 é o Atairu, de Antônio e Ivana Piqueres. de Porto Alegre, RS. Esses sabem tirar proveito da super-cozinha de bordo. Dá para ficar com água na boca em imaginar o banquete que foi servido naquela noite!

Não é exatamente que o MC 28 seja apenas uma cozinha com um barco à sua volta. Ele é muito mais do que isso. O barco é todo resolvido para se viver bem a bordo com o máximo de conforto. Ainda falando sobre o módulo da cozinha e sua funcionalidade podemos destacar a lixeira pivotante na face frontal do móvel das pias com volume suficiente para utilizar um saco de lixo doméstico, daqueles vendidos em qualquer supermercado. A geladeira, com seus 120 litros de volume interno também é fora dos padrões para um 28 pés. A capacidade de 420 litros de água doce, essa então é de dar inveja a muito proprietário de veleiro de cruzeiro. O fogão com dois queimadores e forno também é tudo o que faltava no Maitairoa.

Mas muitos outros fatores contribuem para que se possa levar uma dolce vita a bordo do MC 28, tais como uma ventilação natural de proa ao espelho de popa tão eficiente que nunca houve problemas com mofo durante todo o tempo em que o casal Barros morou a bordo, um camarote de popa com hall de entrada, sofá e um monte de armários para se guardar o que for necessário para se viver normalmente dentro de um veleiro, um banheiro super-espaçoso, e por aí vai...Em todos os seus compartimentos existiu o cuidado durante a elaboração do projeto de torná-lo uma verdadeira casinha.

Quando o barco foi desenhado, no início da década de noventa, a economia mundial estava bombando, e o marketing náutico era muito mais voltado para barcos grandes. Mas será que ter um barco grande, caro e de difícil manutenção é realmente vantajoso?

Nós acreditávamos que não, contanto que o barco menor fosse bem projetado. Mas isso é o verdadeiro trabalho de um escritório de yacht design. Os projetistas têm que pensar em em cada detalhe para que o barco fique realmente agradável para se viver a bordo. São os detalhes que fazem a diferença.

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Pop Alu 32 casco 1: novidades

É impressionante o ritmo da construção do casco número 1 do Pop Alu 32 no estaleiro Ilha Sul, de Porto Alegre.
Há duas semanas postamos as primeiras fotos, e agora já podemos colocar aqui fotos do casco concluído.

Caldeiraria praticamente completa em 3 semanas!

Este método de construção aliado ao corte CNC de todas as peças do barco está permitindo uma construção relâmpago.

Normalmente não colocamos notícias tão seguidas sobre um mesmo projeto, mas neste caso achamos que a própria rapidez da construção sugere um acompanhamento mais constante.

O Pop Alu 32 tem uma estrutura muito simples, porém robusta, e seu método de construção permite que o barco já nasça na posição normal, como podemos ver nas fotos.

Esta construção até inspirou nosso amigo e cliente Paulo Ayrosa, que construiu seu Multichine 41 SK, o Bepaluhê, no mesmo estaleiro a colocar uma matéria em seu blog que reproduzimos a seguir:

"Caros amigos,

hoje é um dia de muita alegria a todos que apreciam a construção amadora de barcos e mais ainda, daqueles que escolheram o alumínio como matéria prima para as paredes de seu sonho.

As paredes de meu sonho são de alumínio, ele se chama Bepaluhê, e é nele que temos vivido grandes e deliciosos momentos familiares e o início de muitas aventuras náuticas.

Mas não é do meu sonho que eu quero falar, hoje me permiti falar do seu sonho...
aquele ainda inominado, aquele escondido no fundo do pensamento de todo homem do mar: o barco dos seus sonhos!!

Tenho certeza que este novo modelo de veleiro lançado pelo escritório do Cabinho (Roberto Barros Yacht Design), o POP Alu 32, pode vir a ser o barco dos sonhos de muitos amigos, e é por esta razão que hoje resolvi abrir este espaço aos sonhos dos meus amigos presentes e futuros e contar-lhes que já está em construção o primeiro casco deste lindo projeto."

Clique aqui para saber mais sobre a classe Pop Alu 32.


Dinghy Andorinha. O prazer de fazer com as próprias mãos

O projeto para construção amadora do Dinghy Andorinha tem nos reservado boas surpresas. Além de ser o terceiro veleiro de nossa linha de projetos de estoque com mais unidades em construção ou navegando, só sendo superado em número de construtores pelo MC23 e o MC 28, ele também é um dos modelos que as pessoas se sentem mais realizadas ao construí-lo. É difícil para alguém de fora imaginar o efeito mágico que representa adquirir o pacote de um projeto, constando de um arquivo PDF de uma série de plantas, e algum tempo depois sair velejando com o barco feito com as próprias mãos. Esse dia costuma ser muito comemorado pela família e amigos, tornando-se um acontecimento importante na vida daquela família.

Para testar o projeto, Astrid Barros e Luis Gouveia construíram esse dinghy Andorinha. O barco ficou tão gostoso de velejar que ao se mudarem para a Austrália, não desejaram vendê-lo, mantendo-o até hoje guardado no Rio Sailing Yacht Club, em Nireroi, Estado do Rio de Janeiro.

O bom resultado obtido pelo projeto não é fruto do acaso. A fórmula do sucesso residiu no processo construtivo que adotamos: o método denominado " stitch and glue" , significando literalmente costure e cole.

Painéis planificados do casco do dinghy Andorinha. O desenho dessas peças expandidas fornecido com o projeto é o principal segredo do êxito obtido por tantos construtores.

Como os formatos dos painéis de compensado do casco são fornecidos em plantas que os definem em seus formatos verdadeiros, a construção se resume a costurar os painéis entre si, pois já nessa hora o casco adquire sua forma final. Então é aplicar fibra de vidro nas juntas, que no caso do Andorinha, acaba sendo revestir o casco todo externamente. Ora, essa operação qualquer um se sente confiante em realizar, e daí em diante o trabalho restante é mais simples ainda.

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Quando o casco termina de ser costurado o formato correto do barco já é obtido. Daí em diante o casco deve ser revestido com fibra de vidro externamente, e, internamente, cada junta costurada deve ser filetada com massa epóxi e depois recoberta com uma tira de tecido de vidro saturado com resina epóxi.

O processo "stitch and glue" é um velho conhecido da família Barros. Durante a década de sessenta o casal Roberto e Eileen Barros construiu o caíque que chamaram de Perigo Amarelo para servir de barco de apoio ao veleiro Sea Bird, com o qual foram velejando do Rio de Janeiro até à Polinésia Francesa. O caíque, construído na sala de jantar de um apartamento no quinto andar de um edifício em Ipanema, Rio de Janeiro, depois de descer pelo elevador até a garagem do prédio, foi levado para bordo com a finalidade de realizar um duro serviço. Pesando menos de dez quilos e sendo protegido apenas nas emendas por uma fina camada de fibra de vidro, chegou inteirinho ao outro lado do mundo depois de ser submetido a um uso pesado sem nunca ter requerido qualquer tipo de manutenção. Tanto quanto saibamos, o Perigo Amarelo foi o primeiro casco construído por esse processo no Brasil, e sem dúvida seu teste foi totalmente favorável.

As propriedades de resistência, durabilidade e leveza proporcionadas pelo método construtivo denominado " stitch and glue" (costure e cole) foram testadas pela primeira vez no Brasil com esse caíque de 1.50m x 0.9m construído na década de sessenta. Essa foto de Eileen Barros vindo de bordo para o píer da marina foi tirada em 1968, em Caracas Bay, Curaçao, Antilhas Holandesas.

O projeto do Dinghy Andorinha foi o primeiro que o escritório realizou para ser um plano de estoque utilizando esse método construtivo. Dedicamos o projeto aos jovens e às famílias recém estabelecidas e ficamos aguardando o resultado de nosso trabalho. Não demorou quase nada e já tinha um Andorinha navegando no delta do Rio Parnaíba, surpreendentemente na frente dos maiores centros de vela do país, colocando o Piauí como o estado pioneiro da classe.

Li-Si-Ri, o primeiro Andorinha a navegar.

Então começaram a ficar prontos muitos Andorinhas, construídos nos mais variados lugares. No entanto nesse artigo só iremos citar os dois últimos que nos comunicaram seus lançamentos. Esse cliente nos escreveu de Mar Del Plata, Argentina:

Luis:
Acá te paso algunas fotos de la primera prueba del Andorinha en Puerto Mar del Plata. Estoy impresionado por como navega. Luego lo probé con cuatro personas y también andaba muy bien.

Saludos

Roberto Mahmoud

Esse Andorinha foi construído por Roberto Mahmoud, de Mar del Plata, Argentina. Como é bom saber que nossos clientes constroem seus barcos sem dificuldades e depois se sentem felizes com sua realização.

A mais recente novidade da classe foi a inauguração do Russão. Esse barco ficou lindo e parece que também trouxe muita alegria para a família, como já está se tornando praxe. Recebemos esse gentil e-mail:

Roberto Barros e Luiz Gouveia

Mais um Andorinha navegando. O batismo foi no sábado, 2/6/12. Ficou fantástico e anda muito, agora vamos testar em ventos forte e medir com GPS para ver quanto está andando.

Depois vou mandar fotos bacanas, pois eu mesmo ainda não tirei fotos.

Segue algumas fotos da inauguração em anexo.

Utilizei mastreação do daysailer , mas fiz a retranca maior, foi para 2,80m e genoa para 2,15m. Ficou um foguete .

Se for possível ponha um artigo dele e de outros que estão fazendo o Andorinha. Acho que vão gostar. Mando fotos .

Agora vamos para o cabinado.
Abraços

Leonardo Oliveira

Itatiba, SP, Brasil

Como pode ser visto no slide show o Dinghy Andorinha está conseguindo realizar com sucesso seu objetivo social, o de trazer famílias para o esporte da vela, e para isso, pelo menos como o primeiro barco, ele parece que vem atendendo plenamente.

Clique aqui para saber mais sobre o Dinghy Andorinha.


Multichine 28 Access no Pacífico

Finalmente chegou ao Pacífico o Access de Flávio Bezerra, o membro do clube da classe MC28 que até agora foi quem mais navegou por aí. Embora tenhamos outros barcos da classe navegando ou sendo construídos em países banhados pelo Oceano Pacífico, da costa oeste dos Estados Unidos à Nova Zelândia, essa foi a primeira vez, tanto quanto sabemos, que um barco da classe cruzou o Canal de Panamá.

O Multichine 28 Fiu estava sendo preparado para viajar para o Pacífico quando houve uma mudança de planos e o barco foi vendido para o brasileiro-canadense Roberto Roque. Essa foto foi tirada quando nosso amigo açoriano Pedro Pinto (na esquerda da foto) nos fez uma visita. A travessia do Access serviu como compensação pelo fato de a viagem do Fiu ter sido cancelada. Cortesia: Pedro Pinto.

Flávio passou alguns anos no Caribe fazendo entregas de barcos, principalmente para a Europa, tendo sido essa sua principal fonte de renda neste período, uma vez que sendo capitão licenciado pelo Royal Cruising Club da Inglaterra, além de ter grande experiência como navegador, para ele esse tipo de serviço nunca irá faltar. Durante esse tempo juntou dinheiro para comprar um motor de centro, que não tinha quando iniciou a viagem no Rio de Janeiro, e agora, já com propulsão auxiliar instalada, aventurou-se para o outro lado do mundo, estando no momento estacionado no Panamá. A viagem do Access é um grande incentivo para um monte de gente que está preparando seus MC28 para realizarem longos cruzeiros. Como projetamos o MC 28 para realizar grandes cruzeiros, seguir o caminho do Access pelos mares do sul será muito gratificante.

Há quarenta e quatro anos o veleiro de 25 pés Sea Bird ancorou em Hiva-Oa na Polinésia Francesa. Era a primeira vez que um veleiro de cruzeiro com bandeira brasileira chegava a esse paraíso na terra. De lá para cá vários outros veleiros projetados por nosso escritório também cruzaram o Oceano Pacífico, mas ainda estava faltando um Multichine 28, o veleiro que escolhemos para voltar ao lugar que nos deixou tantas saudades, realizar esse feito. Nessa foto Eileen Barros se banha num riacho paradisíaco no interior da ilha. Foto: Roberto Barros.

Flávio publicou fotos no Face Book surfando as ondas de St Catalina, na costa oeste do Panamá, e assim ficamos sabendo que nosso amigo aventureiro não fica parado. Até que passamos um e-mail para ele perguntando pelas últimas novidades, mas com uma agenda cheia como a dele, é difícil sobrar tempo.

Flávio Araujo Bezerra surfando na costa oeste do Panamá. Agora o Access terá um oceano inteiro para ser explorado. Do jeito que Flávio é aventureiro estamos contando com muitas emoções pela frente. Cortesia: Flávio Bezerra

Existem tantos MC 28 navegando, e seus proprietários são tão determinados em realizar grandes travessias, que esperamos estar volta e meia publicando alguma novidade sobre a classe em nossas notícias. Nossa galera é unânime em afirmar que o barco é muito marinheiro e inspira grande confiança. Beto Roque, que adquiriu o Fiu, hoje se chamando Stella del Fioravante, pouco depois de receber o barco foi navegando com um amigo do Rio de Janeiro até Florianópolis, e mais tarde fez uma viagem de mil milhas em solitário, indo de Florianópolis ao Rio de Janeiro e voltando, sem ajuda de ninguém. O barco anteriormente já tinha navegado seis mil milhas, quatro mil delas em solitário, sendo portanto esse MC 28 um representante da classe já bem rodado

A temporada no Caribe deve ter sido bem divertida para o Flávio, uma badalação só. English Harbour, Antigua. Cortesia: Flavio Bezerra.

No entanto, quem mais nevegou com um barco da classe até agora é disparado o Flávio Bezerra. Ele já navegou mais com o barco do que a maioria das pessoas faz por uma vida inteira. E olha que está só começando!

Clique aqui para saber mais sobre a classe Multichine 28.


Samoa 34 - Reunião de cúpula dos construtores amadores

Como já constatamos há muito tempo, Santa Catarina é um centro de excelência na construção amadora de veleiros. É nesse estado que talvez tenhamos a flotilha mais caprichada de barcos de construção particular, ou navegando, ou com a obra avançando rápido para a sua conclusão.

Quatro construtores particulares se encontraram em Joinville. Da esquerda para a direita: Sérgio Danilas, que está concluindo a construção de um Cabo Horn 40, João e Maria Scuro, que construíram esse casco belíssimo sem qualquer experiência prévia, João de Deus Assis, que fabricou a máquina de regatas Green Flash 33 Bicho Grilo, que ganha as principais regatas em que participa em sua região, e Jorge Dias, que está na reta final da construção do Samoa 28 Furioso. Cortesia: João Scuro

Um desses polos de construção particular é a cidade de Joinville, no norte do estado. Ali já tivemos inúmeros construtores de nossos projetos, todos muito competentes, já tendo até acontecido um fenômeno raro de miscigenação genética, quando um cliente nosso construiu um Van de Cabinho!

Pela qualidade da fabricação das anteparas estruturais já dava par notar que o casal Scuro estava disposto a construir um barco diferenciado. Foto: João Scuro

João Scuro e sua esposa Maria são o tipo de casal que gratifica nossa profissão de yacht designers. João é advogado e sua esposa funcionária pública. Após terem realizado carreiras de muito trabalho e pouca emoção, ao se aposentarem decidiram vender sua casa própria na cidade de São Paulo e comprar um terreno em Joinville onde construíram um galpão com uma extensão onde fizeram um quarto com banheiro apenas para terem onde passar a noite. Sem qualquer experiência em construção de embarcações de recreio adquiriram o projeto do Samoa 34 com a intenção de construí-lo e depois morar a bordo.

Dá para imaginar que um casal sem a mínima experiência prévia conseguisse construir um barco tão benfeito sem ajuda de ninguém? Cortesia: João Scuro

Assim planejaram e assim fizeram. Pelas perguntas típicas de principiantes que nos dirigiam no início da obra acreditávamos que iria ser muito penoso para o casal realizar seu sonho. Como estávamos enganados! Internamente, esbanjavam energia e dedicação, e a disposição deles era a de realizar uma obra prima. E foi exatamente que o Brasas foi sendo construído.

O interior do Samoa 34 tem atraído muitos construtores que veem o barco como a solução definitiva para morar a bordo e viver uma vida de aventuras.

A rotina do casal era a de acordar cedo e iniciar o trabalho, só interrompendo o serviço para duas rápidas refeições. Em suas cabeças a única coisa que contava era a obra, e a recreação era ficar planejando os próximos passos a serem realizados. Com um comprometimento assim tão radical, não é de espantar que a obra tenha evoluído bastante rápido e agora os horários de folga para fazer o habitual lanche da tarde já seja o interior da cabine, que já vai se tornando uma autêntica casinha

O dia em que o Brasas amanheceu de cabeça para baixo e foi dormeir de cabeça para cima. O casal Scuro teve todo o motivo do mundo para sentir um profundo orgulho de sua realização

Quando uma obra chega a esse estágio, fantasia e realidade já se tornam uma coisa só, e a imaginação não para mais, com os planos a curto prazo se acumulando com os sonhos mais distantes de grandes aventuras pelos mares do mundo.

Agora já dá para apreciar como vai ficando agradável o interior do Brasas. O casal Scuro já tem onde ficar a bordo quando chega a hora da pausa para fazer o lanche da tarde.

A classe Samoa 34 é uma de nossas mais famosas, talvez porque o barco já seja suficientemente amplo e marinheiro para que se possa morar a bordo e viajar com ele esnobando conforto e autonomia. Os Scuro estão longe de serem o único casal que optou por construir esse modelo para depois viverem a bordo. Essa fascinação que o modelo exercce sobre as famílias é um fenômemo que gostaríamos de entender melhor, mas que por enquanto já nos satisfazemos em nos sentir realizados por ter produzido esse projeto. Afinal ele é um embaixador do escritório, como ficou demonstrado na reunião dos construtores amadores mostrada na primeira foto desse artigo. Em tempo, no início de junho outro casal da classe Samoa 34, Dorival e Catarina Gimenes, irão dar uma palestra no Bracuhy, no aniversário da Associação Brasileira de Veleiros de Cruzeiro sobre o périplo do Oceano Atlântico que acabaram de realizar a bordo de seu impecável Luthier. Vale à pena assistir à palestra desse outro simpático casal, assim como os Scuro, totalmente voltado para a classe Samoa 34.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Samoa 34.


Pop Alu 32: Casco número 1 avança na Ilha Sul

Do virtual para o real em tempo recorde

O casco tomando forma no estaleiro Ilha Sul

Ficamos muito contentes quando o estaleiro Ilha Sul Construções Náuticas, de Porto Alegre, RS, www.ilhasulnauticas.com.br, decidiu fazer algo até agora inusitado na cena de barcos metálicos para lazer: está construindo o primeiro casco do Pop Alu 32 para estoque, o que significa que o tempo decorrido entre um futuro proprietário decidir que quer um barco deste desenho e efetivamente ter o barco na água será imensamente reduzido.

E a julgar pelo progresso que vimos nas fotos, esse tempo será realmente curto, pois em menos de uma semana a construção chegou ao estágio que podem ver.

Em uma semana o avanço é espantoso

Na França a prática de se produzir barcos de série em alumínio já é bem estabelecida, e agora o Brasil começa a entrar nessa tendência. Fábricas como Alubat e Garcia concorrem com sucesso no mercado de veleiros de série na Europa, oferecendo produtos diferenciados e para um público que quer algo que só uma construção metálica pode oferecer em termos de personalização e resistência e ainda manter custos competitivos.

O casco de alumínio com 8 mm de espessura oferece a possibilidade de um barco extra-forte e que pode ser adaptado a diversos programas de navegação.

O Pop Alu 32 casco número 1 pode ser de qualquer internauta que esteja lendo esta reportagem, e isso deverá se repetir no futuro com outras unidades.

Em breve a foto terá um barco real

Clique aqui para saber mais sobre o Pop Alu 32.


Pop 25. A classe comemora seus primeiros trinta construtores

O Pop 25 está fazendo uma carreira sem precedentes na história de nosso escritório. Em seus primeiros sete meses de disponibilidade o projeto já conseguiu somar trinta construtores em nove países diferentes, alguns deles tendo editado blogs para divulgar suas construções.

O Pop 25 é uma opção alternativa de baixo custo para se possuir um verdadeiro veleiro de oceano. Projetado para construção amadora, em bem pouco tempo deverá estar se tornando um marco na vela de cruzeiro. Fotoshop: Murilo Almeida.

Agora que o projeto demonstrou que teve ótima aceitação, já podemos compreender claramente o motivo para este sucesso. Muitos potenciais cruzeiristas desejam ter um barco verdadeiramente oceânico, mas o custo para adquirir um veleiro com essa capacidade é fora de seus poderes aquisitivos. Ora, o Pop 25 é uma saída para esse impasse. Ele é barato e rápido de construir, é capaz de realizar uma travessia oceânica com muita segurança e dá para uma família de até umas quatro pessoas passarem boas temporadas a bordo sentindo-se muito bem a bordo.

Nossa própria experiência nos dá uma firme ideia de como o Pop 25 é realmente uma boa alternativa. Há mais de quarenta anos sonhávamos em nos livrar da corrida de ratos que disputávamos em terra firma e decidimos sair mar a fora, sem lenço nem documento, a bordo do Sea Bird, um veleiro de exatamente 25 pés. Com esse veleiro realizamos a viagem mais fantástica de nossas vidas, uma aventura inesquecível relatada no livro "Do Rio à Polinésia" . Caso tivéssemos que esperar para ter os recursos necessários para poder partir a bordo de um veleiro maior, é possível que não teríamos ido a lugar nenhum. Mais importante ainda, não teríamos adquirido o conhecimento para que hoje, tanto tempo depois, pudéssemos projetar um barco com o mesmo comprimento, mas infinitamente mais confortável e apropriado para realizar um longo cruzeiro do que era o bravo Sea Bird.

Início da construção do Pop 25 Rancho Alegre que está sendo fabricado por Francisco Alberto Dutra Aydos, de Porto Alegre, RS. Foto: Francisco Aydos.

A história do Pop 25 começou quando no início de 2011 decidimos experimentar um novo método construtivo que permitisse ter a estrutura transversal pré-fabricada em bancada concluída em um mínimo de tempo. Tínhamos a convicção de que se a pré-fabricação dos elementos estruturais em bancada fosse bem rápida, quem concluísse essa fase estaria suficientemente motivado para seguir adiante com a obra até a sua conclusão. Com a intenção de provar nossa teoria, convidamos nosso velho amigo Daniel D' Angelo, de City Bell, Buenos Aires, Argentina, que já tinha sido o primeiro construtor a terminar um de nossos projetos, o belíssimo Samoa 28 Sirius, para ser o pioneiro na construção dessa nova criação. Daniel aceitou o desafio iniciando a construção do Horus em abril de 2011. Com a colaboração de seu amigo Alejandro, que será o proprietário do barco, construiu as anteparas transversais com uma velocidade estonteante e logo o barco estava sendo montado no picadeiro. O barco hoje já estaria navegando não fosse um contratempo que Daniel enfrentou, (veja em nossa página de links, coluna da esquerda, Pop 25 Horus) mas a obra está tecnicamente concluída.

John Mathesson está construindo um Pop 25 para um cliente, Fernando Santos, no Clube São Cristóvão, o reduto da construção amadora no Rio de Janeiro. Nesse dia ele recebeu a visita de Roberto "Cabinho" Barros (à direita da foto). Foto: Murilo Almeida.

Um novo fator que tem impulsionado as classes de nossos projetos por parte dos construtores amadores tem sido a criação de blogs relatando o dia a dia das suas obras. Além da divulgação do modelo, essa iniciativa traz outras vantagens, como troca de informações e apoio mútuo entre construtores, que quase como regra se tornam amigos entre si.

Antepara 4 do Pop 25 Konquest construído por Marcelo Schurhaus de Santa Catarina, Brasil. Marcelo é um construtor amador com muita energia e compentência. Ele está realizando um excelente trabalho e em junho deverá estar fazendo a montagem do casco. Cortesia: Marcelo Schurhaus.

Da parte do escritório também temos feito um grande esforço para ajudar nossa galera de construtores de Pop 25. Primeiro produzimos um roteiro informando em linhas gerais como proceder em cada operação da construção. Enquanto os primeiros clientes davam início às suas obras continuamos trabalhando nesse manual e agora já fornecemos a todos eles uma versão ampliada com muito mais detalhes e com ilustrações bastante didáticas.

 

Como é bom poder sair com o barco construído com as próprias mãos! A aventura começa com o início da construção e não tem limites para terminar. Fotoshop: Murilo Almeida.

Também temos acompanhado com assiduidade, tanto quanto possível, as obras e os blogs de nossos amigos. E a colaboração mais prazerosa é ir divulgando as novidades da classe em nossas notícias. A mais recente delas é a construção de um Pop 25 em Melbourne, Austrália que começa a ser realizada. James Gyore, o construtor, um profissional da área de cinema, ficou de mandar um vídeo de uma entrevista que fez com nosso parceiro, Luis Manuel Pinho, quando se encontraram nesse mês de maio após a travessia de Perth a Melbourne feita a bordo do trimarã Brigitte Bardot, da organização protecionista "Sea Shepherd" , na qual Luis atuou como capitão da embarcação. Pretendemos divulgar em breve essa história em nossas notícias.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Multichine 34/36 Cabin Boy. Fabricado na Nova Zelândia

É muito gratificante para nós quando vemos um de nossos barcos sendo construído com o máximo esmero. Esse é o caso do MC34/36 construído por nossos clientes Howard e Noelle Bennet, de Dunedin, Ilha do Sul, Nova Zelândia. A determinação desse casal em construir o barco definitivo da vida deles com a intenção de assim que a obra estiver concluída se mudar de mala e cuia para bordo, talvez seja o segredo para tanto empenho. Nossa longa experiência com construção amadora nos ensinou que esse comprometimento é o melhor caminho para o sucesso. Um fato novo, no entanto, é a constatação de que pessoas que criam um blog para relatar suas construções se tornam mais comprometidas ainda com a causa, nesses casos ultrapassando limites ao se dedicarem ao objetivo final.

O Cabin Boy se enquadra como uma luva nessa categoria de colocar o barco como máxima prioridade de vida. Dentro dessa nova moda de criar um blog para contar a saga da construção, os Bennet criaram o deles que é uma delícia de ser lido. A Nova Zelândia já é um país que todo mundo gostaria de conhecer, então já começa a ficar mais fácil entender porque ficou tão atraente a história desse casal. Vocês podem acompanhar a construção do Cabin Boy, ou entrando em nossa página de links e clicando em Multichine 34/36 Cabin Boy, ou entrando direto no endereço eletrônico deles: www.nzcabinboy.blogspot.com. Como introdução, estamos transcrevendo a entrada no blog referente à construção do casco, mas vocês vão encontrar muito mais do que isso, inclusive algumas fotos de tirar o fôlego.

E então, o que vocês acham que essa figurinha está fazendo ali?

E assim, com um felpudo aconchegado sobre a primeira peça fabricada, a construção do Cabin Boy teve a sua inauguração oficial. O que não estava faltando era entusiasmo transbordante. De fato o gato Sam estava tão impressionado com tanta atividade que teve que dar um tempo e tirar uma soneca enquanto a construção acontecia frenética ao seu redor! Esse aparente desejo incontrolável de dormir sobre qualquer coisa que estivesse sendo feita nos obrigava a tomar um baita cuidado para não acabar saturando seus pelos com resina epóxi.

Um consumo estonteante de chapas de compensado estava acontecendo diariamente sem que eu tivesse a mínima idéia para onde elas estavam indo.

"Como foi seu dia?" Perguntava ao Howard quando chegava do trabalho.

"Fantástico, obrigado. E como foi o seu?"

"Bom também" , era minha resposta. Sabia que estava perguntando o óbvio, mas o que queria mesmo saber era o que estava realmente acontecendo. Mas a resposta pouco esclarecia:

"Estava construindo um barco" , replicava Horward.

"Beleza, Horward, agora sim ficou tudo claro!"

"E o que você acha disso tudo? Dizia meu marido apontando com o dedo para sua obra do dia, alguma estrutura com um formato para lá de estranho. Então eu estudava apaixonadamente o objeto recém construído que me havia sido apresentado naquele momento, demonstrando um desejo antecipado de ver aquela peça transformada em alguma coisa material dentro do barco. Mas tenho que admitir que invariavelmente minha tentativa de decifrar fosse um fracasso. Para não me dar por vencida dizia que até estava entendo o que ela representava, só não conseguia visualizá-la.

E assim foi acontecendo até que numa noite cheguei em casa e me dirigi para o galpão da construção, imaginando como toda aquela obra iria estar naquele dia. "Por quanto tempo ainda terei que ficar mentindo que estava entendendo tudo o que aquele monte de estruturas significava?" pensei com meus botões. Foi então que olhando em frente quase caí para trás. Ali estava a escultura de um esqueleto de alguma coisa que tinha tudo a ver com um casco de barco. Estava de cabeça para baixo, eu asseguro, mas o formato era inegavelmente o de um casco!

Dei uma volta em torno do esqueleto, estudando-o de todos os ângulos, e não importando a perspectiva em que olhasse, a figura era definitivamente a de um barco.

Fiquei estupefata e extraordinariamente excitada. Todas aquelas figuras estranhas de repente se transformaram em uma escultura que fazia sentido em minha cabeça. Como pude não ter percebido como seriam todas aquelas partes individuais quando estivessem montadas?

"Puxa vida, isso é um show!" disse ao Howard entusiasmadamente. "Aposto minhas fichas que você também está extasiado, não é verdade?"

"Sem dúvida, ficou bem legal" , concluiu Howard, sentindo-se o mestre daquela realização.

Aproveitando o momento, está em boa hora explicar um pouco do que se trata o projeto e dar algumas informações técnicas sobre o modelo, antes que alguém fique pensando por que raios não conto logo o que estamos construindo. Vou colocar algumas palavras entre parênteses para aqueles que não estão familiarizados com o jargão náutico.

Então, ele é um Multichine 34/36 projetado por Roberto Barros Yacht Design (B& G Yacht Design na Austrália) fabricado em ply-glass (compensado/epóxi com um espesso revestimento de fibra de vidro pela face externa). Seu comprimento total será de 11.16m, a boca máxima, 3.82m, com um pé direito de 2,00m. O barco terá dois camarotes, um banheiro de dimensões residenciais, um salão social e ainda uma cozinha muito espaçosa, além de uma mesa de navegação. (Por ora é assim que achamos que irá ficar)

O trabalho no barco continuou mantendo o mesmo ritmo. Howard ficava trabalhando nele por todo o dia, dando uma parada para almoço e uma eventual xícara de café à tarde. Ao retornar de meu emprego o encontrava feliz da vida encarapitado sobre o casco emborcado, carinhosamente trabalhando em alguma parte do que será nosso futuro lar.

"O que você quer para o jantar?" perguntava, sugerindo uma rápida pausa no seu trabalho, já sabendo que tinha mais uma vez se esquecido de tirar alguma coisa do freezer com antecedência! "Puxa vida, esqueci até que estava com fome" , veio a resposta. "Qual é sua sugestão?"

Eu preparava alguma coisa bem básica e o intimava a parar de trabalhar de modo que pudéssemos nós dois juntos apreciar uma refeição. Saciada a fome, lá ia o Howard de volta para o trabalho, desaparecendo em baixo do galpão de lona vinílica.

"Só vou dar uma arrumadinha no galpão e guardar as ferramentas" , dizia ao sair do trailer onde estávamos vivendo. "Volto já" . Esse "volto já" era uma eternidade; na prática era quando escurecia que o trabalho encerrava. Howard estava mais contente do que pinto no lixo, mas estava se tornando um pinto muito cansado! Comecei até a ficar preocupada, mas ele insistia que estava tudo bem.

" Só quero aproveitar os dias mais quentes do verão e avançar a obra o máximo possível" explicou.

" Tudo bem, mas vê se te cuida, e não se estresse demais" . Eu fazia o maior esforço para não ser mandona, mas muitas vezes fracassava redondamente. Ficava evidente que estava falando para o vento. Os homens podem ser tão teimosos!!!

Alguns dias depois cheguei do trabalho morrendo de cansada, sentindo um alívio de estar de volta em nosso cantinho aconchegante, o trailer onde estamos morando. Tinha chovido pesado o dia inteiro, o que significava que Howard não tinha conseguido progredir muito no trabalho, uma vez que umidade excessiva prejudica a cura do epóxi, de modo que dessa vez ele tinha preparado um chá e estava me esperando para fazermos um lanche. Ele me olhou cuidadosamente por um momento e disse: " Parece que você teve hoje um dia de cão, não é verdade? Você parece estar num bagaço!"

"Você acertou na mosca", concordei.

"Bem, acho que estamos precisando de um refresco. Que tal dar um tempo e pegarmos nossa utilitária e tirar uns dias de férias em Marlborough Sounds..." Não foi nem um pouquinho difícil para ele me persuadir.

"Essa foi a melhor proposta que você já me fez nos últimos tempos" , foi minha resposta imediata. " Acho que vai nos fazer um bem incrível ir para Marlborough Sounds. Vamos nessa!!!"

Clique aqui para saber mais sobre o MC 34/36


Samoa 28 - Grupo de construtores chegando à reta final

Sempre achamos que o Samoa 28 é um barco especial. Embora requeira um bom número de horas para ser fabricado, seu princípio construtivo é fácil de ser assimilado pelo mais inexperiente dos construtores amadores. No momento um bom número deles encara o desafio de fazê-lo, sendo que, para nossa alegria, tanto quanto sabemos, estão conseguindo tocar suas obras sem dificuldades, guiados pelas informações contidas no roteiro que acompanha o projeto.

Samoa 28 Terrius. Esse barco é um show de bola. Seu proprietário, Bernardo Sampaio, está feliz da vida com sua obra. Ele sabe que nesse tamanho não encontraria outro barco que lhe inspirasse tanta confiança. Essa foto foi tirada no seu lançamento em Ubatuba, Estado de São Paulo. Foto: Bernardo Sampaio

Essa é uma parte da história do projeto. A outra é o fato de que o Samoa 28 é um cruzeiro oceânico ultra-seguro e confortável. Quando as pessoas entendem que construindo um Samoa 28 ficam possuindo um barco capaz de realizar qualquer aventura marítima com uma margem de segurança fora de série, aí então fica explicada a razão pela qual o modelo apaixona a tantas pessoas. A prova disso é o número impressionante de blogs de construtores de barcos da classe. A tribo de amadores, além de curtir a construção de uma forma surpreendente, ainda encontra energia de compartilhar suas experiências com outros construtores e o público em geral. Somente com links de nosso site (afinal só colocamos links para os blogs quando somos informados que foram criados), são meia dúzia, sendo eles na ordem que os apresentamos: Everest, Sirius, Caprichoso, Furioso, Baleia e Paloma.

Samoa 28 Sirius em Punta del Leste. Contruir um barco no jardim de casa e em seguida se inscrever numa regata internacional não tem preço. Foto: Daniel D'Angelo

Até março de 2012 já existiam quarenta e oito construtores do projeto espalhados por vários países em quatro continentes, mas somente ficamos sabendo tudo sobre suas construções quando nossos clientes criam blogs, ou nos escrevem contando as histórias de suas construções e enviando fotos.

Samoa 28 Sirius, de Daniel D'angelo, navegando no Rio da Prata, Argentina. Esse barco pouco depois de sua inauguração navegou de Buenos Aires até Punta del Leste, quando se provou ser um baita veleiro oceânico. Cortesia: Daniel D'Angelo

Agora está acontecendo um fato importante para a classe. Vários Samoas 28 de construtores amadores com blogs listados em nossos links estão na reta final de construção. Temos certeza que na cabeça de seus construtores o que menos devem faltar são sonhos ambiciosos. E, olha só, se alguém merece sonhar alto é esse pessoal. Os barcos que nossos bloguistas estão construindo estão ficando tão bonitos e bem feitos que não vemos outro destino para eles do que sair por aí com suas criações, dando retorno à tanta dedicação.

Em uma viagem de férias Luis Gouveia viajou de Perth, Austrália, ao Rio de Janeiro, e na ocasião visitou a obra do Baleia, em Macaé, Estado do Rio. Na foto Luis está à esquerda ao lado de Ubiraci Jardim, um fantástico construtor amador. Agora o Baleia já está praticamente pronto e Ubiraci já sonha em participar da regata Recife – Fernando de Noronha com direito a um esticão até o Caribe.

Ao pessoal dos blogs, Moacir Ribeiro, do Everest, de Blumenau, S.C. que está com seu barco praticamente concluído, Daniel D'Angelo, de City Bell, Buenos Aires, Argentina, construtor do Sirius, primeiro Samoa 28 a ficar pronto, Dimas Suppione, que está construindo o caprichado Caprichoso em Santo André, S.P., Jorge Dias, de Curitiba, PR, entusiasmado construtor do Furioso, Ubiraci Jardim, de Macaé, R.J., que está na reta final da construção do Baleia, e do mais novo membro do clube, Rogério Cavalcante, de Parnaíba, Piauí, que está iniciando a construção do Paloma, a todos vocês desejamos que seus barcos lhes proporcionem muita felicidade e cruzeiros inesquecíveis.

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 28


Explorer 39 Caroll. Palestra no Rio Boat Show

No dia 15 de abril de 2012, Raimundo Nascimento, nosso cliente mais recente a completar uma volta ao mundo com um veleiro projetado por B & G Yacht Design, o Explorer 39 Caroll, ofereceu uma sensacional palestra aos visitantes do Rio Boat Show, contando as aventuras de sua viagem relâmpago de circum-navegação, completada em dez meses e cinco dias.

Raimundo fazendo os últimos testes antes do início da palestra. Pouco depois o auditório estaria lotado. É surpreendente como ele conseguiu transmitir uma sensação de que sua viagem foi um verdadeiro passeio, e que até de piratas se livrou com facilidade, graças à espantosa velocidade de seu barco. Foto: Roberto Barros.

Compareci à palestra com uma curiosidade extra, saber como seria o salão náutico nesse novo endereço, o cais do porto do Rio de Janeiro. Para mim foi grande decepção. A impressão que tive é a de que o local não é adequado para uma exposição dessa natureza. Havia uma ressaca forte entrando pela barra, e o píer flutuante construído ao longo do cais para a atracação dos iates expostos balançava tão violentamente que as pessoas tinham que se segurar nos corrimãos para não caírem, e quem sofresse de enjôo não podia ficar ali por muito tempo sem risco de ficar mareado.

Luis Gouveia, em uma viagem de férias com a família, viajou desde Perth, na Austrália, ao Rio de Janeiro, nessa ocasião aproveitando para fazer uma visita ao Estaleiro Estrutural, e conhecer o Caroll, que nessa altura já estava praticamente pronto. Na foto ele examina a quilha pivotável já instalada em sua caixa na posição recolhida. A qualidade da construção do Caroll é fora de série. Raimundo, que já teve vários outros veleiros, contou na palestra que o barco se comportou de uma forma acima de suas expectativas, transmitindo-lhe grande confiança em sua capacidade de enfrentar o que viesse pela frente

Os barões da náutica, as grandes multinacionais do setor, interditaram seu espaço no píer, impedindo que quem não tivesse uma conta bancária num paraíso fiscal, ou sangue azul nas veias, pudesse ter seu direito de ir e vir assegurado, muito menos se aproximar das “exclusivas” embarcações em exposição. O simples mortal apaixonado pelo mar, o máximo que poderia alcançar seria visitar alguma lancha menor, ou um dos pouquíssimos veleiros em exposição. Definitivamente ficou faltando a esse salão o clima esportivo que a Marina da Glória, o endereço antigo, oferecia com tanta naturalidade.

Os filhos de Luis Gouveia, Christian e Juliana, experimentando o sofá da dinete do barco. A mesa do salão é também a caixa do motor, uma solução que já tínhamos testado em nosso projeto Cabo Horn 35, com imenso sucesso

Mas, voltando à palestra, foi nela que os que sonham em fazer algum cruzeiro desse tipo conseguiram encontrar algum prazer na visita ao salão. Pelo menos ali tinha alguém contando como é fazer o que tanta gente sonha, e que é o grande motivo de um salão náutico, que é mostrar um caminho de como conseguir sair para o mar com segurança e conforto.

O interior do Explorer 39 é projetado para um casal viver a bordo com todo o conforto, podendo receber até três convidados para pernoite. Renderização: www.ideebr.com

Adoramos ver pessoas comuns, alguns deles jovens casais, outros mais veteranso, no fim da palestra fazendo perguntas de como é se preparar para uma grande viagem, qual seria o custo mensal, que barco é mais adequado para isso, como é atravessar o canal do Panmá...enfim, todas as informações que podiam obter para acalentar um sonho de fazer alguma coisa parecida. De minha parte fiquei muito agradecido ao Raimundo, por ter confiado em nosso escritório para a escolha do projeto. Como de certa forma nos especializamos no assunto, procurando projetar veleiros de cruzeiro capazes de realizas qualquer aventura náutica, somente quando os pilotos de prova que saem por ai com nossos barcos, ficamos sabendo como nossas idéias funcionaram.

Chegada triunfal do Caroll ao píer do Iate Clube Fo Rio de Janeiro, após dez meses e cinco dias de viagem em volta do planeta.

Clique aqui para saber mais sobre o Explorer 39


Slide Show com montagem virtual do Pop Alu 32

Uma imagem vale por mil palavras, e como parte de um manual de construção da caldeiraria que está sendo desenvolvido para o Pop Alu 32, nosso novo projeto para construção em alumínio que poderíamos até chamar de um primo maior do Pop 25, elaboramos um slide show que mostra o processo de montagem deste veleiro.

O Pop Alu 32 é um barco extremamente espaçoso para um 32 pés. Sua forma e desenho arrojado prometem boas médias de velocidade, e sua vocação é o cruzeiro com boa performance e conforto, com toda a segurança que um casco metálico oferece.
Como pode ser visto no slide show, O Pop Alu 32 tem uma estrutura bastante simples, apesar de muito forte. O barco é montado já na posição correta, evitando a operação de viragem, o que economiza custos.

Clique aqui para saber mais sobre o projeto do Pop Alu 32


Brasileirinho BloodRowing começa a tomar forma

Dentro de um silo na gelada Quebec o caiaque Brasileirinho BloodRowing começa a ser construído. O barco que servirá para chamar atenção sobre um crime ecológico, o sacrifício de centenas de baleias piloto anualmente nas Ilhas Faroe, já tem suas primeiras anteparas construídas. Eric, o Remador, o está construindo sob uma tenda de plástico com estrutura de alumínio, para que no verão do ano que vem possa atravessar o Atlântico da Terra Nova até o Arquipélago das Faroe, tendo sua chegada programada para coincidir com a data do ritual macabro.

O trajeto a ser percorrido pelo BloodRowing desde Saint John, em Newfoundland, Canadá, até as Ilhas Faroe.

Quem entrou em contato conosco foi sua filha, Florentine Leloup, contando o grande plano, e perguntando se gostaríamos de participar dessa causa tão nobre, o que aceitamos sem vacilar. Passou-se um tempinho e agora o BloodRowing já está nascendo. Então, de agora em diante esperamos poder continuar colaborando com o projeto, publicando regularmente em nosso site novidades sobre os planos de nossos novos amigos.

Dá para entender como europeus do século 21 podem fazer uma carnificina com esses animais maravilhos?

Eric construiu esse silo ao lado de sua casa onde o Brasileirinho BloodRowing começa a tomar forma. Por seu cronograma o barco deverá ficar pronto em aproximadamente um ano de trabalho.

Eric irá fabricar o BloodRowing sem ajuda de ninguém e depois irá atravessar o Atlântico Norte em solitário.

"A antepara número 8 representa o espaço que terei para dormir e me acomodar quando dentro da cabine de popa. Depois de remar por quatorze horas não será difícil para mim conciliar o sono". Eric

O Brasileirinho é um caiaque de alto mar desenhado com potencial para cruzar um oceano. A primeira unidade a ficar pronta é o Brasileiro, de Gerson Canton. O barco já se provou ser estável, seguro e marinheiro. A viagem do BloodRowing será um importante teste para a classe.

O primeiro caiaque da classe a ficar pronto foi o Brasileiro de Gerson Canton, construído pelo Estaleiro Flab, de Campinas, São Paulo, www.flab.com.br.


Cruzeiro na Lagoa dos Patos - Parte I
De Porto Alegre ao Porto do Barquinho - Antonio Piqueres

"Se você procura, em um barco de cruzeiro, conforto e principalmente segurança,para você e sua família, os projetos da Yatch Design deverão ser a sua primeira escolha." Veremos adiante como o veleiro Atairu, um Multichine 28, resistiu bravamente aos infortúnios da Lagoa dos Patosdurante os 15 dias de cruzeiro. A Lagoa dos Patos é a maior lagoa de água doce da América Latina, medindo cerca de 280 km de comprimento no sentido noroeste-sudoeste, com larguras que oscilam entre 20 e 60 km e profundidade média de 6,5m, lançando suas águas no Oceano Atlântico através da Barra de Rio Grande. As águas são barrentas até próximo de São Lourenço do Sul, onde a água começa a se tornar clara e transparente até Rio Grande, devido às águas do Oceano que adentram pela barra.


Sábado,11 de fevereiro de 2012 - Viramos peixe (enrosco em rede de pesca)

Manhã de sábado. Estava atarefado colocando a escada no veleiro Atairu, uma das últimas pendências listadas para o cruzeiro na Lagoa dos Patos. Há duas semanas havia sido convidado por um grupo de velejadores do Clube dos Jangadeiros, o qual pertenço, a realizar um cruzeiro pela Lagoa dos Patos. Seriam quatro veleiros, com saída de Porto Alegre e destino final a cidade de Pelotas. Porém, por motivos particulares e a dificuldade de finalizar os preparativos de outro veleiro, a flotilha se reduziu a somente dois veleiros: o Atairu (MC 28), tripulado por mim e a Ivana, minha esposa e o Val Halla (Spring 25), tripulado pelo Cmte Fábio Beck, proprietário, e pelo José Campello, veterano velejador e o mais experiente de todos nós com relação a Lagoa. Enquanto os meus amigos testavam o nosso bote inflável de apoio com motor eu finalizava a colocação da escada. Nossa partida estava prevista para as 14:00h, mas estava difícil devido a faina que estava sendo realizada. Após finalizar a colocação da escada e prendermos o bote na proa, o Atairu zarpou às 15:00h do clube em direção a Praia do Sítio, no Rio Guaíba (Lago Guaíba nos dias de hoje, que banha a cidade de Porto Alegre, percorrendo aproximadamente 25 milhassentido noroeste-sudeste, até a Lagoa dos Patos. Tem largura mínima de 2,5 milhas e máxima de 13 milhas, com profundidade variando de 1m a 4m).

Seria uma navegada de aproximadamente 22 milhas náuticas, com tempo estimado de cinco horas e meia. O vento estava por volta dos 5 nós, do quadrante NW a W, facilitando o rumo para nosso destino. O Val Halla saiu na frente e nós na sua esteira. Dia ensolarado e com vento fraco, desta forma, velejamos uma parte do caminho, sendo o restante a motor. Acionamos o piloto automático (o tuzinho), pela primeira vez. Que descanso que ele nos deu, uma maravilha.

Por volta das 18:00h, eu e a Ivana conversávamos animadamente no cockpit sobre o que seria navegar pela lagoa, seria a nossa estreia com o Atairu, e os próximos quinze dias de navegação., quando a Ivana avistou, no través, uma bandeira de sinalização de rede de pesca,quase que imediatamente o Atairu parou e uma das coisas que eu mais temia aconteceu, fomos fisgados pela rede, viramos peixe. Rapidamente coloquei o motor em ponto morto e passei um rádio para o Val Halla e ele retornou em nosso socorro. Desligamos o motor e com o croque fomos pescando a rede e com uma faca de mergulho, fui cortando a mesma, não existia alternativa. Cortei um cabo grosso de nylon, mas o Atairu ainda estava enroscado. O Val Halla havia se aproximado e o Campello havia saltado para o Atairu para nos auxiliar, enquanto o Val Halla rondava em torno do Atairu.

Momento depois, o Fábio gritou um palavrão e de imediato o barco dele também parou, desligando o motor. Ele também havia se enroscado em outra rede, não sinalizada. Com uma faca, Fábio pulou na água para tentar cortar a rede que havia de enroscado no hélice (sistema pé de galinha). Enquanto isto, a Ivana com o croque, deu mais uma pescada e trouxe outro cabo grosso de nylon que foi cortado também. Neste momento o Atairu derivou e o Campellodisse para ligarmos o motor em marcha lenta. Lentamente o Atairu se safou do enrosco, porém o Val Halla não teve a mesma sorte.Era aproximadamente 20:00h quando amarramos um cabo no cunho de popa do Atairu e o mesmo iniciou o reboque do Val Halla.

Saímos em direção ao canal, pois não queríamos outro enrosco, e lentamente fomos na escuridão se dirigindo para a Praia do Sítio. Campello ia à proa, verificando as boias de iluminação, enquanto eu fazia uma navegação através do GPS. Às 22:00h ancorei na Praia do Sítio com o Val Halla a reboque.Jantamos e fomos dormir. No dia seguinte, pela manhã, antes do café, pulei na água com máscara, snorkel e a minha faca, para retirar a rede. Um, dois, três mergulhos e cheguei no hélice. Para a minha surpresa, não havia rede enroscada nem no hélice e nem no eixo. Campello ponderou que foi devido ao formato da quilha e ao "skeg" que evitou o enrosco da rede (se foi, ponto para o projeto). Estávamos pronto para continuar a viagem. No Val Halla, tivemos que amarrar meu cabo de amarra reserva (70m) ao cabo de reboque, desta forma o barco derivou até a beira da praia, devido ao seu calado baixo, facilitando, assim, o serviço de retirada da rede. O Fábio pulou na água com uma faca e iniciou o serviço, o qual só foi terminado por volta das 09:00h, retirando a rede e colocando em um saco plástico. Assim partimos para o nosso próximo ponto: Porto do Barquinho.


Domingo, 12 de fevereiro de 2012 - Montando um restaurante (encalhe no Barquinho)

Tomamos o café navegando, já dentro da Lagoa dos Patos. Dia ensolarado, com ventos entre 6 a 9 nós, do quadrante N a NW. Rumávamos para o Porto do Barquinho, (lado leste da Lagoa dos Patos, sendo um dos locais mais ermos da lagoa, distante de uns 12 km da cidade de Mostardas. Serviria para o escoamento das safras de arroz e cebola da região. O projeto do porto foi iniciado em 1924e reformulado em 1977, sendo quase finalizado em 1979. Como tantos outros projetos governamentais, este porto foi abandonado sem que as obras fossem concluídas, muito menos as estradas de acesso.Possui dois molhes, um de 837m e outro de 762m, bancos de areia e lodo permeiam de cada lado do seu interiore não está cartografado, porém, o porto é umexcelente abrigo para velejadores), distante aproximadamente umas 43 milhas náuticas da Praia do Sítio e aproximadamente 08:30h de navegação.Velejávamos calçados no motor, em torno de 5 nós, pois nosso objetivo era chegar ao Porto do Barquinho ao entardecer e o desenrosco da rede havia nos atrasado.

A navegação ocorreu sem contratempos. No GPS íamos acompanhando o nosso progresso.Próximo à chegada, a Ivana pegou o binóculos para encontrarmos a entrada do porto, pois os molhes ficam a flor da água. Enfim chegamos à entrada dos molhes, com vento NE a E fraco. Neste ponto combinamos que o Val Halla seguiria a nossa frente sondando a profundidade do local.

Na área mais aberta, estávamos com 3m de profundidade. O Val Halla foi mais a frente, passando junto a uma estaca, no canal, e seguiu adiante. Nós ficamos dando voltas, aguardando informações. Vimos que ao entrar um pouco mais a profundidade diminuía muito. Havia um pessoal acampado no lado leste do porto.

Recebemos um rádio do Val Halla com as instruções para a entrada, mas com a advertência que não poderíamos ir muito adiante devido à profundidade. Passamos pela estaca, mas quase no través de um trapiche de ferro, o barco tocou o fundo.Estávamos no meio do canal e não seria possível ancorar neste local.Campello informou pelo rádio que em frente ao trapiche também não seria aconselhado, devido a ferros submersos. Retornamos.

O por do sol estava lindo. Passando pela estaca, notei uma pequena baia rodeada de juncos. Minha intenção era jogar ferro ali e derivar para a baia. Guinei para bombordo saindo do canal e com o vento entrando pela popa não deu tempo para mais nada. O Atairu acabara de encalhar. Eram aproximadamente 18:00h. Imediatamente solicitei socorro ao Val Halla que demorou, devido a já estarem desembarcados. Com a aproximação do Val Halla e da noite que estava iniciando, Campello sugeriu levar o ferro do Atairu o mais longe possível, em um ângulo de 90° em relação ao barco, e acionar o guincho pra tentar girar e desencalhar o barco. Já havia anoitecido e lentamente o Val Halla se afastava levando a âncora do Atairu e liberando corrente, o mais longe possível, até quase o seu encalhe. A âncora foi largada. O Val Halla se afastou e recebi o sinal para ligar o motor, Máquina à frente e acionei o guincho. O corrente fez um barulho no carrinho da âncora devido ao ângulo e o Atairu girou sobre a quilha. Parecia que sairíamos, mas só parecia. Em um caturro o Atairu abaixou a proa e o guincho fez o ruído característico de força máxima, logo diminuindo como se fosse desligar, a âncora cravou ao máximo. Parei os motores e o guincho ao mesmo tempo. O Atairu não se mexia. Tentei mover o leme, que antes se movimentava com dificuldade no lodo, nada se mexia. Literalmente estávamos mais encalhados e prontos para montarmos um restaurante no Porto do Barquinho.

Eram 21:00h quando finalizamos a ancoragem a contrabordo com o Val Halla. Não havia mais nada a fazer. Amanhã será outro dia.O jantar foi realizado no Atairu. A Ivana fez um delicioso molho, com uma massa feita pelo Fábio.

Comemos nós quatro no amplo salão do barco, regado a um bom vinho e queijo colonial. Fomos dormir, eu praticamente não consegui dormir, tentando achar uma forma de desencalhar o barco, quem sabe puxando pela adriça do balão. Noite mal dormida devido aos piores pensamentos para o desencalhe.

Pela manhã, cedo, começávamos a discutir uma nova tentativa de desencalhe, quando se aproximou o Adriana, o barco do Cmte EmílioOppitz, velejador muito experiente na Lagoa dos Patos e nos mares. Foi a nossa salvação. De jeito simples e solidário dos bons e velhos velejadores sugeriu que o Val Halla puxasse pela proa do Atairu, enquanto que ele iria puxar pela adriça do balão atada a um cabo maior fazendo com que o Atairu adernasse e deslocasse à vante com motor ligado, desencalhando. Desfizemos o contrabordo e realizamos a faina conforme combinado. Prendemos tudo dentro do barco. Assim que o Cmte Emílio deu sinal, o Adriana deitava o Atairu pela adriça do balão, enquanto o Val Halla puxava a sua proa. Dei força à frente no motor e em um passe de mágica estávamos desencalhados. Tudo funcionou conforme planejado. Projeto muito bom e construção resistente o Atairu não sofreu nada com o desencalhe. Despedimos do Cmte Emílio e fui recolher a âncora, pois conforme o Campello seria difícil de resgatá-la. Fomos recolhendo a corrente gradativamente, quando estávamos quase em cima da âncora, o barco prosseguiu lentamente, avançando sobre a corrente.

Neste exato momento, em um reflexo involuntário segurei a corrente do guincho, então,em uma fração de segundos, o meu dedo mínimo da mão direita havia sido prensado pela corrente contra as castanhas que recolhiam a corrente do guincho. Um grito e retirei rapidamente a mão do guincho, mas já era tarde.Um corte profundo e metade da unha do dedo mínimo cortada e arrancada devido ao esmagamento. Instintivamente coloquei a unha no lugar e logo em seguida, peguei uma toalha e enrolei no dedo para tentar estancar o sangue e sentei no deck. A Ivana veio com a caixa de primeiros socorros, indispensável em qualquer cruzeiro, enquanto o Val Halla se aproximou do barco e,com habilidade, o Fábio me passou um copo com água. A Ivana fez uma limpeza e colocou pó antisséptico para estancar o sangue. Após o curativo com gaze e medicado, fui novamente realizar o recolhimento da âncora. Conseguimos desprendê-la do fundo e a coloquei e prendi no carrinho. A dor no dedo era muita e o socorro mais próximo ficava há dois dias, em São Lourenço do Sul. Avaliamos a situação e decidimos prosseguir, mas aprendi da pior forma: "Antes de manter a integridade do barco, deve-se prevalecer à integridade física." Por volta das 08:40h saímos do Porto do Barquinho em direção a Barra Falsa, ainda no lado leste da Lagoa dos Patos, nem imaginávamos o que viria pela frente.

Clique aqui para saber mais sobre o Multichine 28


Explorer 39 Caroll completa volta ao mundo

No dia 27 de fevereiro de 2012 o Explorer 39 Caroll completou uma volta ao mundo. Raimundo Nascimento, ou Marinheiro Raimundo, como prefere ser chamado, é mesmo um Marinheiro com M Maiúsculo. Para nós do escritório B & G Yacht Design esse é motivo para ficarmos orgulhosos, pois já é o sexto barco projetado por nós a realizar esse feito, o terceiro em solitário.

Últimos metros percorridos antes de completar a circum-navegação. Caroll se aproximando do píer do Iate Clube do Rio de Janeiro, onde seria calorosamente recebido por sua família, amigos e jornalistas.

Foi divertido acompanhar a viagem pelo SPOT e assistir aos vídeos que Raimundo editou no You Tube. O que mais nos deixava contentes foi ver Caroll avançando como uma flecha, fazendo uma linha praticamente reta a uma velocidade espantosa para um barco de cruzeiro. Um desses vídeos foi filmado entre Durban e Port Elizabeth, quando ocorreu a pior tempestade da viagem. Assistindo com atenção ficamos impressionados com a capacidade de o barco manter o rumo sem nunca perder controle. Num ponto do vídeo o Caroll dá uma inclinada mais forte e o mar chega ao convés por alguns segundos, mas logo se apruma sem perder o rumo. Raimundo nos contou que durante essa tempestade chegou a atingir 17.5 nós surfando uma onda. Com o passar da viagem Raimundo foi adquirindo tal confiança no barco que admitiu ter abusado em algumas ocasiões, mantendo mais pano em cima do que a prudência recomendava. O projeto foi desenvolvido exatamente para ter essas características, mas para confirmar uma intenção de projeto não existe teste mais adequado do que realizar uma volta ao mundo.

Já tínhamos relatado em uma de nossas notícias a primeira parte da viagem até ele ser atacado por piratas indonésios, quando escapou graças aos dez nós de velocidade do Caroll, uma das características do projeto, que naquela circunstância pode ter significado a sobrevivência de nosso amigo.

Caroll em Keeling Cocos. Esse atol no Oceano Indico foi a primeira escala após ter sido perseguido por piratas.

Em matéria de grande susto, após essa perseguição, tudo mais em sua viagem pode ser considerado anticlímax, mas nem por isso Raimundo deixou de demonstrar ser um bom marinheiro em todas as ocasiões quando foi solicitado.

Uma das escalas mais agradáveis da jornadafoi a parada na Ilha de Reunião.

Após fazer escala nas ilhas Mauricio e Reunião Raimundo seguiu para Durban, passando ao sul de Madagascar, tendo pegado depressões duríssimas nesse trajeto. De Durban para Port Elizabeth foi quando o Caroll demonstrou que é um veleiro de cruzeiro com características excepcionais, tendo enfrentado nessa ocasião a tempestade que nos referimos acima.

O Explorer 39 é um barco de cruzeiro com quilha retrátil. Depois do teste de dar a volta ao mundo vencendo todos os obstáculos que encontrou pela frente, o modelo provou ser tudo aquilo que planejáramos. O "piloto" Raimundo Nascimento também mostrou ser um competente velejador, tendo completado a circum-navegação em menos de onze meses, um Record para brasileiros.

O restante da viagem com uma escala na Cidade do Cabo foi feita em mar de almirante, até a chegada triunfal no Rio de Janeiro, onde foi recebido com muito carinho por uma platéia de parentes, amigos e jornalistas

Conheça mais detalhes da viagem do Caroll entrando no blog www.veleiro.net/veleirocaroll/ ou clicando em Explorer 39 Caroll em nossa página de links, coluna da esquerda.

Clique aqui para saber mais sobre o Explorer 39


Multichine 41 SK agora com arquivo CNC disponível

A página do projeto Multichine 41 SK foi renovada, com novas fotos e informações.

Este projeto agora está todo digitalizado, tendo disponíveis os arquivos para corte CNC na versão em alumínio para toda a estrutura, casco, convés, cabine, leme e quilha retrátil, permitindo uma construção mais rápida e econômica.

O Multichine 41 SK Bepaluhê em frente a Parati, RJ.

A primeira unidade feita com arquivo CNC, o Bepaluhê, já navega há praticamente um ano, e agora pode ser vista com seu feliz proprietário, nosso amigo Paulo Ayrosa, velejando pela baía de Parati e arredores, e com certeza irá levar seus proprietários a lugares que sempre sonharam, pois segurança e desempenho não faltam a este desenho.

O Bepaluhê no dia do lançamento, em Porto Alegre, Março de 2011.

É notável a tendência dos cruzeiristas para a aquisição de barcos de série em fibra de vidro nesta faixa de tamanho, e ficamos surpresos que não haja mais barcos de alumínio, ou até mesmo de outros materiais, personalizados para as necessidades dos seus donos, dividindo as ancoragens com o Bepaluhê, pois em termos de custo há pouca diferença, e provavelmente o balanço econômico ainda penderia para o lado da construção de uma unidade como o MC41SK.

O grande salão e a mesa apoiada na caixa da quilha retrátil.

Na Europa, mais notadamente na França, barcos como o Multichine 41 SK em alumínio representam o sonho de consumo do público de velejadores de cruzeiro, ficando em geral as unidades com grande produção em série em fibra de vidro para um mercado destinado a um uso mais casual, de fim-de-semana ou aluguel.

Essas unidades de produção em série atingem custos elevados, especialmente se pagam impostos de importação, que poderiam proporcionar ao velejador barcos bem mais personalizados, com características de grande robustez e baixo calado, como o Multichine 41 SK.

O layout do MC41SK é perfeito para uma família morar a bordo.

Estamos também produzindo o kit de corte CNC para o desenho do qual derivou o Multichine 41 SK, o Multichine 41, e desse modo o público terá à disposição dois projetos com toda a facilidade de construção que caracteriza nossos novos desenhos desenvolvidos em 3D.

Um barco com uma estrutura reforçada, adequado a grandes navegações.

Estes desenhos se adaptam perfeitamente a vários programas de navegação, desde cruzeiros costeiros, com grande conforto proporcionado por dois camarotes com banheiros, sendo um numa suíte separada, até navegações extremas em áreas polares, pois sua robustez, plano vélico e confiabilidade são características marcantes e adequadas a tais situações.

O Multichine 41 SK pode explorar lugares rasos como este...

ou extremos como este.

Optar por construir um barco adequado ao seu programa de navegação pode parecer a início um caminho mais longo e difícil, mas as inúmeras histórias de sucesso e felicidade que vemos se repetirem com nossos clientes mostram que o objetivo alcançado fica ainda mais gratificante.

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Curruira é o trawler! Assim falou Zaratustra

O projeto Curruira 42 é um caso de sucesso entre nossos projetos de estoque. Quando decidimos desenhar um trawler de deslocamento, de tamanho médio, que estivesse ao alcance do construtor particular, ou estaleiro artesanal, de construí-lo, não poderíamos ter imaginado que o modelo iria fazer tanto sucesso.

Agora que temos um bom número de clientes construindo esse barco em vários países diferentes, ficou claro que o segredo do sucesso residiu no fato do barco ser um casco de deslocamento, capaz de navegar longas distancias com baixo consumo de combustível, e não um semi-planador, como alguns outros trawlers oferecidos no mercado, que sugam ondas horríveis em volta do casco, simplesmente para obter umas poucas milhas a mais. Afinal sugar a água de uma baía inteira em volta de um casco para tentar fazer uma coisa impossível, que é planar com um casco de trawler (os que pretendem fazer essa mágica procuram fazer um arremedo de fundo de lancha em seus trawlers), o que não é nem mesmo uma atitude ecologicamente correta

A cabine do proprietário de uma Curruira que já está navegando. O layout interno do projeto é o grande motivo de sucesso do modelo. Foto: Flavio Rodrigues

Para aqueles que escolheram a Curruira como seu barco definitivo o que deve ter pesado mais na balança na hora da escolha deve ter sido o prazer de estar a bordo e a possibilidade que ela oferece de navegar longas distancias com conforto e segurança.

Nosso maior admirador do desenho é o construtor e amigo Flávio Rodrigues, do conceituado estaleiro Flab, www.flab.com.br, de Campinas, São Paulo, que está construindo pela segunda vez um desses barcos. Seu cliente, Fernando Rodrigues, é um engenheiro especializado em plataformas de petróleo, e um apaixonado por pesca de oceano. Fernando desejava um pouco mais de conforto interno, e por essa razão nos pediu para fazer uma alteração nos planos, espaçando as cavernas um pouco mais, para que o barco ficasse medindo quarenta e seis pés. Fizemos essa alteração sem restrições, e agora o casco já está virado de cabeça para cima, pronto para iniciar uma nova etapa de construção. O casco foi virado nesse mês de fevereiro e o vídeo que Flavio produziu, o mostra comandando toda a operação como um maestro de orquestra sinfônica.

A Curruíra é um casco de deslocamento especificado para construção em ply-glass (compensado colado com epoxy a uma estrutura interna e revestido externamente com fibra de vidro). Esse método favorece a construção particular, ou a encomenda a um estaleiro artesanal. Foto: Flavio Rodrigues

Você irá notar no vídeo que a borda do barco está com duas descontinuidades. Essa foi uma exigência de Fernando, que sendo um pescador apaixonado, deseja a mínima borda livre possível para trazer mais facilmente o peixe para a praça de popa. Agora estamos curiosos para ver essa Curruíra navegando. Desejamos que Fernando fique contente com sua escolha e que o barco navegue tão bem quanto ele sonhou, o que é justo esperar, pois a Curruíra original tem impressionado por suas qualidades marinheiras.

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Pop 25. Construção virtual em 3D finalmente concluída

Deu um pouco de trabalho, mas finalmente ficou pronta a construção virtual do Pop 25 em 3D. Murilo Almeida, nosso parceiro no projeto, fez a simulação de todas as etapas construtivas, as quais serviram como a mais perfeita revisão que se possa realizar em um projeto. Quem com certeza irá gostar da novidade é quem estiver construindo, pois agora que ficou fácil escolher qualquer imagem de todas as fases construtivas, já estamos preparando novas ilustrações para colocar no roteiro e torná-lo mais didático. Esse trabalho permitiu também uma revisão acurada do projeto, servindo para nos mostrar que um detalhe ou outro ainda poderia ser aperfeiçoado, e qualquer engano, por mínimo que fosse, acabou sendo descoberto nessa operação. Para ilustrar o grau de detalhamento a que chegamos podemos dar o exemplo da construção da antepara da Seção 3.

Nessa imagem damos os componentes que serão agregados à face de popa da antepara da Seção 3.

Agora mostramos a face de popa já montada. Fica praticamente à prova de enganos a construção de cada antepara.

A mesma antepara mostrada explodida pela face de proa. Achamos que todo mundo irá se sentir seguro ao construir uma antepara podendo visualizar cada peça a ser agregada

A face de proa já concluída. Fazer as anteparas é muito fácil, e uma vez prontas, a montagem do barco é pura consequência.

Podemos mostrar outro exemplo de como o projeto virtual pode ajudar a esclarecer cada etapa da construção, como a caixa dentro da qual a gaiuta principal desliza.

A construção virtual do barco irá permitir mostrar cada etapa da fabricação com todos os detalhes.

As partes podem ser mostradas explodidas ou já montadas. O projeto em 3D é uma contribuição valiosa à construção amadora.

Tendo longa experiência em realizar projetos para construção amadora, descobrimos que se a primeira fase do trabalho, aquela em que se constroem os componentes estruturais para a montagem do barco, forem bem rápidas e fáceis de serem feitas, o número de pessoas que irão se divertir com o hobby da construção particular irá aumentar em progressão geométrica. Aliás, isso já está acontecendo com o Pop 25 em sua curta carreira. As pessoas já estão descobrindo que esse barco é mesmo mais fácil de construir do que os outros e em poucos meses já temos dezenas de construtores, até o momento em sete países diferentes, que por enquanto são, por ordemalfabética: Alemanha, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Nova Zelândia, Portugal e Turquia. Ora, duas coisas estão acontecendo. O modelo está interessando e as pessoas estão entusiasmadas em construí-lo.

Quem tem nos ajudado muito a divulgar que a construção do Pop 25 é realmente rápida e barata é nosso amigo Daniel D'Angelo de City Bell, Buenos Aires, Argentina. Ele já está com o convés do Horus revestido de fibra de vidro, e está praticamente pronto para ir para a água. Novos construtores já estão pensando em criar blogs para divulgar suas construções, como é o caso dos irmãos Marcelo e Vandeli Schürhaus, de Florianópolis, Santa Catarina, que já estão com link em nosso site com o blog: www.pop25konquest.blogspot.com.

As anteparas do Konquest estão sendo feitas com grande rapidez

A classe Pop 25 irá ter muitas histórias para contar. Da parte do escritório, como estamos adorando a rápida aceitação que o projeto está obtendo, vamos colaborar ao máximo para que o clube dos construtores vá se estabelecendo. Quem desejar fazer um blog sobre sua construção, sempre gostaremos de divulgá-lo em nossos links. Como não paramos de trabalhar no projeto, mês passado revisamos o plano vélico, adotando um bem mais moderno, e agora estamos trabalhando na segunda edição do roteiro. Não foi por acaso que o vídeo do You Tube publicado na descrição do projeto tenha ultrapassado as dez mil visitas em janeiro de 2012.

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Multichine 26C Geko pega carona em tapete mágico

Foi publicada nesse mês de janeiro essa foto de gozação no fórum de náutica mais popular da Turquia. O barco em questão é o Geko, construído por nosso cliente Ömer Kirkal, de Istambul no quintal de casa, com a ajuda de sua esposa.

O barco mal acabou de ficar pronto e num papo local da marina onde está estacionado, Ömer recebeu o desafio de um velejador que acabara de adquirir um barco de série de fabricação francesa, também com vinte e seis pés de comprimento, para fazer um pega entre eles na primeira regata do ano, ficando combinado que quem perdesse pagaria a rodada de chope para a galera. Olha só, o barco de série é aquele dentro do círculo vermelho. Como foi outro cliente nosso, Ekin Tanulko, que se prepara para iniciar a construção de um Pop 25, quem nos contou essa história, e não sabemos falar uma só palavra em turco, sem acompanhar o fórum, acabamos sem entender direito a gozação. O que Ekin nos contou foi que apesar do "banho turco" que o Geko deu no outro barco, ainda houve algum problema com a retranca e a vela grande teve que ser controlada com os cabos de fortuna vistos na foto. Como o C de Multichine 26C significa Cruzeiro, é melhor que Ömer não aposte de novo a rodada de cerveja, pois da próxima vez o gênio da garrafa pode se recusar a aparecer.

Geko dando um "banho turco" em seu desafiante mostrado dentro do círculo vermelho. Vejam como o MC 26C feito em casa ficou bem acabado!

Que o Geko foi construído com todo o capricho necessário para ser uma casinha flutuante, isso ficou provado na galeria de fotos que Ömer nos enviou, inclusive em uma delas mostrando sua esposa instalando pastilhas de azulejo na parede do banheiro, mas como não sabemos qual é o barco de série do desafio, ficamos sem saber se ele é mais de cruzeiro ainda. Mas o que importa é que o Geko acabou ganhando a regata.

O casal Kirkal tem motivos para comemorar. Se mesmo com pastilhas coladas à parede do banheiro o barco ainda anda o bastante para vencer uma regata de clube, agora eles já podem ter certeza que o MC 26C é um é um veleiro veloz. Foto: Ömer Kirkal

Se você visita regularmente nosso site deve se lembrar da matéria que escrevemos sobre construção amadora que foi tema de um programa especializado em náutica da televisão turca, no qual Ömer e sua esposa Firuzan são entrevistados pelo apresentador do programa em três vídeos seqüenciais muito bem produzidos. Infelizmente para nós do escritório que não conhecemos uma só palavra em turco, a única coisa que conseguimos entender foi Roberto Barros Yacht Design. (Veja matéria em Todas as notícias: MC26C Geko é tema de programa na televisão da Turquia)

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Só sabemos notícias dos barcos que nossos clientes constroem quando eles nos contam, mas temos contato com alguns construtores de MC26C que estão com seus barcos praticamente concluídos, quase prontos para serem inaugurados. Acho que o tapete mágico que ajudou o Geko a fazer esqui aquático no Mar de Mármara vai ajudar a animar a galera de construtores de vários países que está vindo em seguida.

O MC26C é um autêntico barco de cruzeiro com 1.85m de pé direito, banheiro com chuveiro e conforto interno mais facilmente encontrável em barcos com mais de trinta pés. Saber que ele veleja rápido é um bônus extra. Renderização: www.ideebr.com

Esse ano de 2012 deverá ser o ano da confirmação do MC26C como um modelo que pode resolver o desejo de muita gente de ter seu barco de oceano. Tanto quanto sabemos todos os nossos clientes que estão terminando suas obras são construtores amadores, e todos eles com quem mantemos contato regularmente nos informaram que foi um sentimento de grande realização terem construído seus barcos com as próprias mãos.

Anauê, é um MC26C que foi construído no interior de São Paulo e está praticamente pronto para ir para a água, faltando somente a instalação de quilha, linha de propulsão auxiliar e leme. Como ele, vários outros barcos da classe estão prestes a serem inaugurados.

O MC26C foi um projeto que fizemos com a intenção de provar que um barco de 26 pés pode ser confortável e seguro para poder fazer qualquer tipo de cruzeiro oceânico Agora com os primeiros barcos da classe ficando prontos e entrando na água será possível confirmar o grau de acerto de nossa tentativa. Comparando com o barco de série dentro do círculo na foto que nosso amigo nos enviou, além de ter velejado muito mais rápido, o MC 26C estava navegando muito menos adernado do que o outro barco.

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Pop 25. Falta pouco para o Horus ser inaugurado

Bons ventos estão soprando desde a Argentina para a nova classe Pop 25. Nosso construtor pioneiro, Daniel D'Angelo, de City Bell, o pólo de construção amadora em Buenos Aires, acaba de atualizar seu site, mostrando as últimas fotos da construção do Horus.

A plataforma de popa do Pop 25 é suficientemente larga para ser usada como beliche em uma noite estrelada de verão. Foto: Daniel D'Angelo

Como todos os equipamentos e ferragens especiais já estão adquiridos ou fabricados, agora o que fica faltando fazer são os acabamentos, aplicar fibra de vidro na superestrutura, pintar o barco e fazer as instalações de ferragens e equipamentos.

O Cockpit do Horus se destaca por seu conforto e funcionalidade. A instalação de um dodger na saída da gaiuta irá proporcionar uma proteção extra a quem estiver sentado junto à parede de ré da cabine. Foto: Daniel D'Angelo

Enquanto a construção do barco avançava foram construídas simultaneamente as duas quilhas. Como foi mais fácil para ele, Daniel optou por construir os bulbos em ferro fundido, fixando-os às chapas da quilha por meio de parafusos de 20mm de diâmetro soldados à chapa. Como ferro fundido pesa um pouco menos do que aço, as quilhas ficaram ligeiramente mais leves do que o projeto, mas ainda dentro da tolerância. Levando em conta que as peças não são tão grandes assim, não será problema galvanizá-las a quente, tornando-as praticamente livres de manutenção por muitos e muitos anos.

Nessa foto as quilhas já estão prontas para receber a proteção anti-corrosiva, exceto pelos flanges de fixação ao fundo do barco, que a essa altura ainda não tinham sido soldados. Foto Daniel D'Angelo

Daniel nos trouxe informações muito animadoras sobre o modelo. Ele nos disse que teria construído o Horus em quatro meses corridos não fosse seu trabalho formal, e que o que mais o impressionou foi a facilidade de construção. Ele retorna à Argentina em fevereiro, e como seu interesse é regata, já espera participar de um campeonato em La Plata, onde o barco ficará estacionado, logo em seguida
É difícil para um projeto novo fazer uma carreira vitoriosa logo de saída. Afinal existem tantos lançamentos de barcos interessantes, que a concorrência sempre será muito grande. No entanto o Pop 25 tem dois fatores que podem fazer a diferença: a rapidez de construção, já demonstrada por Daniel, e seu baixo custo. Se um barco é barato e fácil de fazer, sendo um bom veleiro, a chance ser bem sucedido é muito grande. Daniel informou que o Horus custou, sem motor, U$15.000, isso sem subsídios, exceto pela mão de obra, uma vez que é construção amadora. O custo de vida na Argentina pode estar barato, mas mesmo assim é um preço incrivelmente baixo. Outra coisa que nos informou é que não se imagina como ele é volumoso por dentro. E o isolamento térmico também foi muito elogiado. Buenos Aires está sofrendo uma onda de calor fora do normal e para seu espanto, o interior do barco está sempre fresquinho.

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Enquanto nosso amigo vai concluindo sua obra, de nossa parte também continuamos totalmente envolvidos com o projeto, que é a menina dos olhos do escritório no momento. Apesar de o projeto ser um de nossos mais recentes, aproveitando o entusiasmo de Daniel para competir com o Horus, resolvemos aproveitar que o Pop 25 não possui estai de popa para envenenar um pouco mais a vela grande, fazendo um top horizontal, dessa forma melhorando o shape da vela em sua parte de cima. Outra vantagem de utilizar esse recurso é que no vento forte a parte superior da valuma se abre para sotavento, funcionando como uma válvula de escape para excesso de pressão na vela. Ora, não ter estai de proa e não tirar proveito disso é um vacilo. Afinal nosso projeto apesar de ser um veleiro de cruzeiro, sua previsão de desempenho é muito boa.

Novas figuras renderizadas irão mostrar detalhes da construção do Pop 25 com a maior clareza. Aqui está ilustrada a tampa do tanque d'água informando que ela é aparafusada e colada ao tanque.

Outro esforço que está sendo realizado para ajudar a galera que já adquiriu o projeto é ampliar as ilustrações do roteiro para tornar mais claro ainda o processo construtivo. Para isso nosso parceiro Murilo Almeida fez a construção virtual do barco, que não só serviu como uma super-revisão, como também tornou a construção mais clara ainda. Daniel não precisou desses recursos, mas que o pessoal que vem em seguida irá gostar das novas ilustrações, disso não temos a menor dúvida.

O novo plano vélico tornou a vela grande bem mais veloz fazendo melhor aproveitamento de sua parte superior.

Se você quiser visitar o site do Horus basta clicar em Pop25 Horusem nossa página de links, coluna da esquerda, de preferência clicando na bandeira argentina, pois espanhol é a língua que ele atualiza primeiro, e em seguida clicar em Horus.

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Southern Voyager 28 em versão Curruira

Foi para a água o Maroubar de Avelino Cruz, de Itacuruçá, Rio de Janeiro. Esse é um Southern Voyager 28 modificado pelo estaleiro Flab, de Campinas, www.flab.com.br, para o estilo de cabine que denominamos Curruíra. O barco ficou o máximo, e pelo vídeo pode-se constatar um sorriso de felicidade estampado no rosto de nosso cliente, Avelino Cruz.

O barco está andando que nem um foguete e seu volume interno é impressionante para um casco de vinte e oito pés. Foi uma mágica o que construtor Flavio Rodrigues conseguiu realizar. Esse bom resultado nos incentivou a produzir um modelo nos mesmos moldes, a Curruira 33, que será lançada em breve.

Os trawlers de deslocamento têm tudo a ver com os novos tempos. Com um motor pequeno e um consumo de combustível bem baixo, o prazer que proporcionam não está na velocidade de planeio, uma sensação de realização com méritos bem relativos e no mínimo um custo desproporcioal, mas sim na possibilidade de fazer cruzeiros de longa distância com muito conforto. O vídeo que Ivan Rodrigues, filho do Flávio, produziu, ficou uma delicia, pena que só seja de um minuto e meio.

Agora nossa esperança que o novo projeto, a Curruira 33 faça uma carreira bensucedida ficou mais consolidada, pois ela será uma versão aumentada do trawler do Avelino Cruz.

Avelino Cruz experimentando o posto de comando

Dá para imaginar que essa cozinha pertence a um trawler de 28 pés?

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Explorer 39. A viagem meteórica do Caroll

Nosso amigo Hélio Vianna publicou em seu blog: www.maracatublog.com, essa bonita matéria sobre a viagem de volta ao mundo que está sendo realizada por Raimundo Nascimento a bordo de seu veleiro Explorer 39 de quilha retrátil Caroll. Vejam que história interessante:

“Quando o baiano, lá de Juazeiro, Raimundo Nascimento viu o projeto do Explorer 39 na prancheta do escritório de Roberto “Cabinho” Barros , no Rio de Janeiro, foi amor a primeira vista. Era tudo o que ele precisava para realizar um projeto de mais de 20 anos: um veleiro de 12 metros, de quilha retrátil, pensado para navegações em solitário. Daí para a construção no Estaleiro Estrutural, de Marcos Toledo, em Cabo Frio, foi um pulo. Em 2010 o Caroll foi entregue tinindo de novo e equipado para a tão sonhada empreitada.

Raimundo soltou as amarras do Caroll no Iate Clube do Rio, em 23 de abril de 2011. Nas despedidas estavam o Thadeu, do veleiro Aya, e Ricardinho, do Seachegue, coincidentemente ambos projetados por Cabinho. Agora, enquanto digito este post, o barco já está em Port Elisabeth, na África do Sul. Conversei por telefone com o marinheiro Raimundo, que está em São Paulo e volta pra África no próximo dia 20 para retomar a jornada.

O plano, se “O Criador” assim o permitir, é só fazer escala em Cape Town para depois fechar o círculo no Rio. Quando Raimundo terminar sua epopéia, note que “é um projeto em andamento”, com 62 anos, ele será o mais velho lobo do mar brasileiro a completar uma circum-navegação em solitário. E em apenas 11 meses! Será um recorde.

Mesmo numa viagem meteórica como esta, passou pela quilha do Caroll quase a mesma quantidade d´água que molhou o Vagabundo, do navegador boa-praça Hélio Setti Junior, que junto com os livros do também baiano solitário Aleixo Belov e do Cabinho, são leituras obrigatórias a bordo. Água salgada e  muitas moções passaram pelo coração do comandante. Como a chegada em Nuku Hiva, nas Marquesas, depois de 31 dias solitários no mar. Ou a comemoração do seu aniversário de 62 anos em Cocos Keeling, um dos territórios da Austrália – “na realidade um atol de corais recoberto de coqueiros”. Ou ainda a tentativa de abordagem por mascarados, a 120 milhas do través da Ilha de Suman, na Indonésia. Um sufoco! A sorte é que o Caroll, navegando a 10 nós com velas e motor na rotação máxima, foi mais rápido que o decrépito pesqueiro atulhado de “pescadores oportunistas”.

A experiência náutica de Raimundo vem desde 1979, quando prestou exame para arraes amador. Das viagens longas, ele participou da edição de 2003 da Eldorado Brasílis Vitória – Trindade, a única regata realmente offshore em águas tupiniquins, e no ano seguinte fez a Refeno, no Delta 36 também chamado de Caroll, quando fez em solitário do Cabanga Iate Clube a Salvador. Cedo ele descobriu que esta seria sua sina: a esposa Solange costuma enjoar, mesmo em trechos curtos como de Ilhabela a Angra.

“O barco foi muito bem projetado e construído, o casco é em fibra de vidro maciça até a linha d´água, o resto é em sanduiche de CoreCell [até a mobília! – grifo meu]. Mas o Caroll não é um barco leve: das 10 toneladas de deslocamento, uns 3700 quilos vão no lastro e na quilha retrátil, um achado para navegar em águas rasas”, me respondeu um empolgado Raimundo, pra completar: “nossa média tem sido de 6 nós e fiquei impressionado com o comportamento do barco na capa, com ventos de 40 nós, manobra que realizei pela primeira vez na vida”.

Na mesa de navegação, entre outros equipamentos, o Caroll leva um rádio de longo alcance SSB e telefone por satélite, mais um radar de ultima geração que junto com o hoje indispensável AIS – mesmo passivo, que não transmite a posição –, permite o comandante dormir, em mar aberto, “por quatro horas seguidas”. Só aqui entre nós, Raimundo me confessou que já chegou a dormir por seis longas horas! Só não colocou o pijama, ficou de roupa de tempo, pronto pra qualquer coisa.

Pra finalizar nosso longo bate-papo (obrigado, TIM, pela graça alcançada a R$ 0,25 – mentirinha, foi ele que me ligou), Raimundo ainda frisou que “o verdadeiro herói da travessia em solitário é Aleixo Belov, que navegou na base do sextante. Eu até pensei em parar na escala que ele fez numa ilha na Barreira de Coral, mas como não estava cansado e controlava bem o rumo do barco com os instrumentos a bordo, achei mais perigoso ancorar do que continuar”.

Esta e muitas outras passagens o Raimundo vai contar num livro, que já está escrevendo e que terá toda a renda revertida para uma instituição que cuide de crianças em tratamento de câncer. Enquanto o livro não sai, você tem uma palhinha no blog do Caroll, lá no portal veleiro.net.

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No ano passado já tínhamos publicado em nosso site, www.yachtdesign.com.br,  uma matéria sobre essa viagem (leia em “Todas as Notícias” em nosso home-page: “Explorer 39 Caroll - Volta ao mundo”), e agora pretendemos colocar uma nova comemorando a realização de mais esse feito conseguido por um barco projetado por nosso escritório. Essa viagem está nos emocionando bastante, pois Raimundo é uma pessoal muito especial. Nossos agradecimentos ao amigo Hélio Vianna por nos ter autorizado publicar sua matéria

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Samoa 34 Luthier conclui o circuito do Atlântico

Mais um feito importante foi realizado por um veleiro projetado por nosso escritório. Dessa vez foi o Samoa 34 construído pelo casal Dorival e Catarina Gimenes, no jardim de sua casa em Campinas, Estado de São Paulo, que acaba de completar o circuito do Atlântico, o cruzeiroa mais agradável que se possa realizar por esse oceano. Essa viagem é um sonho de vida para inúmeros velejadores de cruzeiro, e no caso deles foi o resultado de muito esforço e planejamento. O cruzeiro se iniciou com a subida da costa brasileira, passando pelo Caribe e Açores, para em seguida chegar à Europa, tendo Portugal como portal de entrada. O retorno, realizando segundo a forma clássica, seguiu a rota via Madeira, Canárias e Cabo Verde. Uma viagem longa e bem sucedida como essa não é resultado de um acaso, mas um atestado de competência e determinação, e isso o casal Gimenes tem de sobra, sendo um exemplo para outros que desejem fazer a mesma coisa.

Luthier navegando no contravento em pleno Atlântico Sul. Essa foto foi tirada por outro participante na volta ao continente, após a vitória do Luthier na regata Recife-Fernando de Noronha de 2009. Foto: Dorival Gimenes

Vamos ser francos; talvez não exista nada mais gratificante do que você construir seu próprio veleiro de cruzeiro, somente isso já sendo um programa de vida. E então, se uma vez terminada a obra, sair oceano a fora, sendo o capitão de seu próprio navio, tendo a mulher amada como primeira oficial, aí nesse caso é a glória. Quando você chega como turista convencional aos recantos mais ambicionados pelos cruzeiristas, provavelmente, mesmo sendo um velejador experiente, nem irá conseguir sentar-se à mesa onde se juntam as tripulações para tomar uma cerveja e jogar papo fora, muito menos ter o que dizer, no caso pouco provável de ser convidado a juntar-se ao grupo. Com Dorival e Catarina foi exatamente esse sonho, o de se sentirem mestres dos seus próprios destinos, e membros de uma tribo de gente com a mesma cabeça, que foi realizado. Nossa impressão é que a aventura do valente casal superou todas as expectativas e que eles devem estar se sentindo para lá de amplamente realizados.

O casco do Luthier foi construído sob aquela cobertura à sua proa, anteriormente usada como garagem, em sua residência num distrito de Campinas, São Paulo. Essa foto foi tomada no dia em que o barco foi puxado para o jardim. Qualquer construtor amador teria motivos de sobra para se sentir orgulhoso por ter produzido um casco tão benfeito praticamente sozinho. Foto: Dorival Gimenes

Por esse feito Dorival e Catarina sem dúvida merecem ter o Luthier incluído em nossa galeria do Hall da Fama. Pelo blog delicioso que acompanhamos durante toda a viagem, estamos certos que foi um clímax na vida deles. Antes de partir Dorival nos enviou um e-mail onde conta um pouco da história do Luthier, e como o casal se preparou para essa grande aventura:

Em 2003, eu e minha esposa decidimos que iríamos nos preparar para morar a bordo de um veleiro, e empreender cruzeiros pela costa do Brasil. Para isso era necessário o preparo de diversos itens: finanças, família e certamente um veleiro adequado. Desejávamos um veleiro com boa capacidade de armazenamento de água, local para baterias, aposentos confortáveis, seguro, marinheiro, ou seja, um sonho, onde tudo começa.

O Samoa 34 Luthier é um dos barcos mais bem preparados para fazer cruzeiros oceânicos já fabricados por nossos construtores amadores. Foto: Dorival Gimenes

Tínhamos um bom veleiro de 33 pés, um projeto antigo, que não atendia nossas necessidades futuras e, sendo assim, decidimos procurar por um que pudesse ser reformado. Encontramos um Cabo Horn 35, feito de madeira moldada revestida com fibra de vidro e resina epóxi, muito bonito, mas, tinha algumas pequenas avarias no costado que eu não sabia avaliar. Entrei em contato com os projetistas da RBYD, Cabinho e Luis, e, enquanto eu tirava minhas dúvidas, algum felizardo comprou o barco. Esse evento fez com que o sonho se ampliasse, incluindo a construção do veleiro. Conversando com os projetistas, decidimos pelo Samoa 34. As plantas datam de 19 de junho de 2004. Um mês depois comecei a preparar os gabaritos e a laminar as duas primeiras cavernas da seção 0. Em 12 de dezembro de 2008, quase 4 anos e meios depois, seguidas todas as etapas previstas no roteiro, o Luthier foi lançado ao mar, faltando ainda a instalação de alguns itens de eletrônica e a montagem dos cabos das velas no convés, sem falar na arrumação de todas as nossas coisas, porque já viemos para morar a bordo. A construção amadora no quintal de casa sem ajuda profissional não foi uma opção, mas a única solução, porque morávamos em uma chácara distante 15 km da cidade, mal servida de transporte coletivo, o que dificultou a contratação de mão de obra. Contribuiu para a construção amadora do Luthier a minha experiência anterior com trabalhos manuais em madeira, utilizando apenas ferramentas manuais e elétricas portáteis. Para isso, optei por pré-cortar as madeiras e tupiar os strips em uma marcenaria, de acordo com as medidas da lista de materiais. Os estofados, ferragens, e fundição da quilha foram contratados de terceiros. O importante é realizar cada etapa da construção com bastante cuidado, para que o resultado final fique bom, e, como diz o Cabinho, sem atalhos. O acabamento do interior do Luthier é simples, mas bem adequado às nossas necessidades. A construção amadora, com ou sem ajuda profissional, ou em estaleiro, permite que o conhecimento que se tem da embarcação facilite em muito a futura manutenção. Pode-se ainda fazer pequenas alterações para melhor adequar a embarcação ao seu uso, desde que não altere a estrutura, a estabilidade, e, certamente, com a aprovação dos projetistas. O Luthier é o resultado de muito planejamento, estudo e dedicação, que materializou um projeto da RBYD, e que tem produzido comentários muito interessantes. Impressiona muito o pé direito da cabine e do banheiro; a cozinha é a preferência das mulheres por ser bem localizada, ampla, e com bons armários. Os velejadores gostam do convés limpo, e da organização dos cabos e ferragens. O lançamento do Luthier ao mar é a primeira parte do sonho. Agora vamos iniciar as rotinas de manutenção, melhorias, tentar manter a lista de tarefas administrável, e aprender a morar a bordo, porque já deu para perceber que barco não é uma casa.

Provisionar um veleiro para uma travessia mais longa é trabalhoso, mas é divertido. A empolgação pelos preparativos já faz parte do clima de partida iminente. Foto Dorival Gimenes

Morar a bordo, diferente da percepção de muitos leigos, deixa o dia cheio de atividades, com a manutenção, planejamento dos consumos de viveres, água, combustível e energia, acompanhamento das condições do tempo; quando sobra tempo, balançar em uma rede e, claro, velejar.

Estamos muito satisfeitos com o Luthier, fruto de um projeto cuidadoso, dedicado ao velejador de cruzeiro. Parabéns aos projetistas pelo desenho do Samoa 34.

Dorival

A bordo do veleiro Luthier

A trajetória do Luthier após a conclusão da construção foi rigorosamente a de seguir uma meta pré-estabelecida, e para segui-la o casal teve uma determinação de causar admiração. O primeiro programa mais ambicioso foi o de subir a costa brasileira de Parati até Recife, para em seguida participar da regata Recife-Fernando de Noronha. O e-mail que recebemos de Dorival nessa ocasião conta bem como foi esse primeiro teste:

Amigos e projetistas do Samoa 34, o Luthier é realmente um barco de cruzeiro rápido, e vocês podem se orgulhar muito por tê-lo projetado. Desde dezembro de 2008, quando ele foi para a água, só tem nos proporcionado alegria e bons resultados. Ganhamos a REFENO 2009 na nossa classe, Aberta B, e estamos conhecendo muitos lugares bonitos e interessantes da costa brasileira. Nossos relatos de viagem estão publicados no blog da página www.veleiro.net (blog.veleiro.net), administrada pelo comandante do Veleiro Yahgan, um Cabo Horn 35 que, feito há mais de 15 anos, navega tranquilo, tão novinho quanto o Luthier. Esses dois barcos são provas vivas de que a tecnologia utilizada, strip planking, é muito robusta e segura para construção amadora. Mas não é só isso, durante nossa viagem, encontramos muitos MCs de aço, Samoas 29, MC 28 de plyglass, Aladins etc... Aliás, conhecemos um MC 28, construído por um mergulhador de Vitória-ES, muito caprichado. Também vimos barcos do escritório feitos em estaleiros profissionais e artesanais.

Preparação para a largada da Refeno 2009 em frente ao Ponto Zero, Recife. Nessa altura do campeonato eles mal poderiam sonhar com serem os vencedores da regata em sua classe. Cortesia: Dorival Gimenes

Em todos os portos que vamos o Luthier desperta curiosidade. Sempre que dizemos que fomos nós que o construímos, as pessoas começam a olhar o casco, e ficam com aquela cara de dúvida e, invariavelmente, perguntam: mas é de madeira, mesmo? E lá vamos nós, mostrando o barco e as fotos da construção aos incrédulos. Em seguida, perguntam do tempo de construção, custo, dificuldade, etc, e finalmente, se minha mulher topa viver no mar. Para tempo de construção, custo, dificuldade, etc., eu tenho algumas respostas e indico o site do escritório, dentre outros, como referência. Já sobre minha mulher, digo que ela ajudou na construção, e adora nosso baby, como ela chama o Luthier. Dizem que os barcos têm alma, deve ser assim mesmo; o Luthier é inquieto, não gosta muito de ficar em “píers”, prefere poitas ou âncora, e gosta mesmo é de navegar. Viajar com o Luthier é muito confortável. Desenvolvemos velocidade média de seis nós, e, dependendo do mar, é claro, pode-se navegar a 7 nós, sem forçar nenhum equipamento. Com as velas bem ajustadas, o leme fica tão leve que o piloto automático quase não gasta energia para comandá-lo. Muitos outros cruzeiristas já me disseram que essa é uma característica típica dos projetos de vocês.

Mesmo sendo a casa de Dorival e Catarina, o Luthier é muito veloz para um veleiro de cruzeiro de 34 pés. Cortesia: Dorival Gimenes

Construir um barco e sair por aí cruzeirando, ou mesmo que seja para curtir os finais de semana, vale a pena, mas, têm que ter muita dedicação, planejamento, capricho, e controle da ansiedade e se conformar com o fato que, durante a construção, o escritório estará trabalhando e lançando novidades e atualizações nos seus projetos, o que vai causar certo desejo de mudança de idéia para um outro projeto, como ocorreu comigo, quando foi lançada uma nova versão do Cabo Horn 35.Vale a pena resistir. Terminar uma obra é uma sensação indescritível de prazer, e aí é que as opções de lazer se abrirão com um marzão a conquistar e conhecer. Além da construção, é necessário estudar muito, navegação, meteorologia, procedimentos de segurança e primeiros socorros, etc. Afinal, um bom barco precisa de um capitão à sua altura. Sempre temos o que aprender e sempre haverá um lugar para conhecer. Existe muita gente boa e interessante nesse caminho.

Dorival

A bordo do Luthier

Ser o vencedor da mais importante regata oceânica do calendário brasileiro com um barco feito com as próprias mãos no jardim de casa, não tem preço. Catarina e Dorival recebendo o prêmio de primeiro lugar em sua classe na Refeno 2009. Cortesia: Dorival Gimenes

Após vencer em sua categoria a regata oceânica mais prestigiosa do calendário brasileiro, Dorival e Catarina retornaram à Parati, considerando que essa viagem de testes já era suficiente para se sentirem preparados para a próxima grande aventura.

Fazer um cruzeiro a vela é entrar nos lugares pela sala de visitas, e não pela porta dos fundos, como acontece com aqueles que chegam de avião. Foto: Dorival Gimenes

Em 2010 finalmente partiram para realizar o círculo do Atlântico, a clássica viagem desde os tempos das grandes navegações, seguindo a direção predominante dos ventos, subindo a costa da América do Sul até o Caribe, e após tirarem bom proveito de sua passagem pelo paraíso turístico das Antilhas, rumarem para os Açores e Europa, entrando no velho continente pelo portal de Lisboa. Os relatos que Catarina e Dorival escreveram em seu blog: www.veleiro.net/luthier/ com link desde a página de links de nosso site, coluna da esquerda, Samoa 34 Luthier, fizeram grande sucesso, pois são muito bem escritos e muito gostosos de ler. Durante toda a viagem acompanhamos as entradas no blog nos divertindo muito com isso. O número de seguidores assíduos, como nós, é impressionante, o que é a certeza de que se tornou um dos sites favoritos dentre os leitores que curtem cruzeiro à vela, especialmente os amigos, virtuais ou reais, que fizeram durante a viagem.

Recebendo convidados para jantar a bordo. O salão do Luthier é aconchegante como poucos que já vimos. Catarina é uma ótima artista plástica. Os quadros com temas marinhos foram pintados por ela. Cortesia: Dorival Gimenes

A primeira parte da viagem foi bem uma repetição do cruzeiro de testes realizado no ano anterior; a subida da costa do Brasil com escalas nos pontos mais interessantes, culminando com a participação na regata Recife-Fernando de Noronha. Foi então que os enredos se modificaram radicalmente. Tendo pela frente a tarefa nada fácil de ter que honrar o título obtido no ano anterior, dessa vez nem foi necessário mostrar tanta perícia como competidores. Nessa ocasião a demonstração de competência foi confirmada de outra forma. Já bem próximos da chegada e novamente muito bem posicionados, abandonaram a regata para socorrer um veleiro de construção high-tec de alta competição que custou algumas centenas de milhares de dólares a mais do que o bravo Luthier, pois esse veleiro perdera o leme quando estava próximo à chegada, e sendo o Luthier o barco mais próximo, não só abandonou a regata para prestar socorro ao veleiro avariado, como navegou mais de duzentas milhas levando-o a reboque, numa operação de resgate digna de um filme de aventuras.

Catarina apreciou cada dia de sua viagem como a realização de um grande sonho. Não existe fator mais importante para um cruzeiro bem sucedido realizado por um casal do que uma participação entusiasmada da esposa. Foto: Dorival Gimenes.

Após rebocar o barco acidentado até a cidade de Natal, o casal Gimenes seguiu viagem em direção ao norte, fazendo uma escala imperdível nos Lençóis Maranhenses, um dos lugares mais fantásticos do litoral brasileiro, de lá seguindo para o Caribe sem escalas. Ao passar pela foz do Rio Amazonas o casal passou por um dos maiores pesadelos que podem ocorrer a quem faz um cruzeiro oceânico, ao serem perseguidos à noite por uma embarcação furtiva, somente se livrando por terem desligado o motor e todas as luzes de bordo, até mesmo a iluminação artificial da bússola. Parece que essa é uma sina de nossos construtores, pois meses mais tarde outro barco do escritório, o Explorer 39 Caroll, passaria por um pesadelo semelhante, quando nosso cliente Raimundo Nascimento, navegando em solitário em sua volta ao mundo, deparou-se com piratas indonésios, escapando de seus perseguidores por um fino, graças ao fato de poder atingir dez nós de velocidade, o que não era páreo para a traineira dos bandidos. Passado esse incidente o resto da travessia até o primeiro destino no Caribe, a Ilha de Tobago, se passou sem percalços, o Luthier correspondendo plenamente às expectativas, levando o casal para o início da parte internacional da aventura sem novos incidentes.

Luthier em Rodney Bay Marina, Santa Lúcia. Nessa altura da viagem os Gimenes já se sentiam totalmente à vontade como uma dupla de cruzeiristas internacionais, aproveitando cada escala para aumentar sua experiência. Foto: Dorival Gimenes

Quem vai para as Antilhas em seu veleiro passa por uma experiência única que é poder ir pulando de país em país, em viagens quase que diurnas, com mar de través e um sol tropical iluminando águas azuis-turquesa. As escalas são feitas em paraísos tropicais habitados por povos alegres e simpáticos, e você navega acompanhado de uma multidão de outros cruzeiristas, atualmente com um bom número de brazucas entre eles. Como no antigo paraíso tinha a história da maçã, no Caribe tem a equivalente, que é a de que você pode fazer o que quiser por lá, contanto que vá embora antes do início de junho, para não ser pego de surpresa por um furacão. Como ninguém deseja ficar de férias no mesmo lugar a vida toda, isso não se constitui em um grande problema, pois nos meses de abril e maio os barcos costumam seguir em revoada com destino à Europa, Estados Unidos e Panamá, destino daqueles que se dirigem para o Oceano Pacífico

A escala nos Açores com certeza foi um dos pontos altos da viagem. Essas ilhas, um autêntico jardim no Oceano Atlantico, são o lugar perfeito para quebrar o ritmo de uma longa travessia. Catarina à beira de um penhasco na Ilha de Flores

Mundo pequeno! Dorival e Catarina recebem a bordo o simpático casal Pedro Pinto e Andreia Aguiar, residentes na Ilha Terceira, Açores, velhos amigos nossos, inclusive tendo visitado o MC28 Fiu na Marina da Glória, em uma viagem que fizeram ao Rio de janeiro. Cortesia: Dorival Gimenes

No coração de Lisboa. Freguesia do Chiado. Uma viagem às nossas origens. Foto: Dorival Gimenes

Festival de Colombo. Porto Santo, Arquipélago da Madeira. A vantagem de se fazer um cruzeiro a vela por países distantes é que se aprecia acontecimentos que de outra forma nunca se iria assistir. Foto: Catarina e Dorival Gimenes

Catarina em frente ao fundeadouro de Las Palmas. Após passarem pelo Arquipélago das Canárias, os Gimenes ainda iriam fazer uma escala técnica em Mindelo, Cabo Verde. Foto Dorival Gimenes

O mais impressionante durante toda a viagem foi a facilidade com a qual o casal passou por todos os imprevistos que invariavelmente acontecem com quem faz um longo cruzeiro. O que Dorival e Catarina mais frequentemente relatam em seu blog são novas amizades obtidas pelo caminho, e experiências as mais interessantes em cada uma de suas escalas. No entanto nas entrelinhas pode ser constatado que um trabalho muito benfeito de manutenção e de melhoramentos no barco nunca foi jogado para segundo plano, como não é raro acontecer com outros cruzeiristas menos competentes. Também é bom lembrar que eles devem ter uma boa fada madrinha, pois até uma esperada erupção na ilha de Hierro, durante sua passagem pelas Canárias, o que poderia ocasionar risco de tsunamis e terremotos, acabou não acontecendo. A escala em Mindelo, em Cabo Verde foi mais uma parada técnica, pois já estavam realizados quanto ao sonhado cruzeiro, e o restante do percurso até Salvador, fechando o circuito do Atlántico, também ocorreu em mar de almirante. De volta ao país onde se plantando dá, os Gimenes podem estar seguros de terem plantado uma boa semente.

Clique aqui para saber mais sobre o Samoa 34


Kiribati 36 Green Nomad. Reunião de "trabalho" a bordo

No dia 13 de dezembro de 2011 finalmente Roberto Barros "Cabinho" pôde conhecer o Green Nomad. Como o barco foi construído no Rio Grande do Sul, foi mais fácil esperar pela programada escala em Parati do primeiro Kiribati 36 a navegar até agora, do que visitá-lo em Rio Grande, como fizera Luis Gouveia, outro sócio da empresa, durante suas férias em julho de 2011. Aproveitando a oportunidade, nessa visita juntaram-se três parceiros do escritório Roberto Barros Yacht Design: Luis Pinho, o co-autor do projeto, Roberto Barros e Murilo Almeida, o designer que trabalha com o escritório já há vários anos.

Kiribati 36 Green Nomad ancorado nas proximidades da Marina do Engenho, Parati, Estado do Rio de Janeiro. Foto: Luis Pinho

O encontro ocorreu em um dos lugares mais bonitos onde se possa fazer uma escala em um cruzeiro a vela: a Enseada de Parati, na idílica Bahia da Ilha Grande. É esperado que o Green Nomad faça inúmeras outras escalas em lugares paradisíacos. Afinal o barco está com viagem programada para o Caribe e em seguida para o Pacífico Sul, sendo que sua futura base será a Austrália. O veleiro com seu estilo inequívoco de "off the Road" dos mares sempre irá se sentir integrado à paisagem quando estiver ancorada nos lugares mais fantásticos que existem.

Kiribati 36 Green Nomad. Cabinho experimenta o confortável salão do Green Nomad.

Luis participou da construção da parte metálica de seu barco e fez absolutamente tudo que se seguiu, como marcenaria, instalação de sistemas e equipamentos de convés, sempre com a ajuda dedicada de Marli, e olha que o casal já estava vivendo a bordo durante todo esse tempo. Agora eles estão se sentindo como peixes dentro d'água, já tendo navegado umas boas 900 milhas desde Porto Alegre até Parati. Vocês podem acompanhar as aventuras do casal pelo blog do Green Nomad, acessando o banner da esquerda de cima de nossos home-pages em português e inglês. Lá vocês vão ficar sabendo tudo sobre as aventuras anteriores da dupla, dos atóis tropicais da Micronésia às geleiras do continente Antártico e os icebergs do Oceano Austral, visitados por Luis na temporada do verão de 2011 a bordo do navio ambientalista Steve Irwin. São aventuras para ninguém botar defeito! A galeria de fotos do blog está repleta de imagens de tirar o fôlego.

Marli preparando a mesa para o almoço de confraternização da equipe. O conforto interno do Kiribati 36 é impressionante. É um prazer morar a bordo de um barco tão bem resolvido como o GreenNomad

Os detalhes que mais chamaram a atenção de Murilo e Cabinho foram a claridade e boa ventilação do interior e a integração com a paisagem lá de fora, proporcionada pelas imensas janelas laterais, que na verdade são gaiutas de série, as mesmas usadas em qualquer convés de veleiro de cruzeiro. O piso mais elevado na área da cozinha e da mesa de navegação ajuda a fazer essa integração com o exterior de uma forma sem comparação com outros veleiros de cruzeiro, onde os tripulantes parecem ficar enfurnados em tocas sombrias.

O casal Pinho e Murilo se conheceram pessoalmente nesse dia. A mesa de navegação se transforma em bancada de trabalho quando o Green Nomad não está velejando e foi naquela cadeira giratória onde Murilo está sentado que Luis desenvolveu o projeto de sua última criação, o Pop Alu 32

Luis e Marli já são referências nos lugar onde fazem escala, o barco sendo regularmente visitado por outros cruzeiristas locais e internacionais que estejam compartilhando os mesmos ancoradouros. Não é por acaso que o casal tem amigos ao redor do mundo

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36.


Boas Festas  2012

Já é tradição de nosso escritório homenagear doze barcos de nossos projetos que realizaram algum feito importante, ou foram inaugurados nesse ano, tendo sido construídos de forma especial. Não é fácil para nós termos que escolher apenas doze barcos entre tantos que nos mandam fotos, e por isso pedimos desculpas aos nossos amigos e clientes cujos barcos não foram incluídos nessa lista.

Janeiro: Polar 65 Fraternidade – Nossa primeira lembrança esse ano é o veleiro escola Fraternidade. O velho marinheiro ucraniano Aleixo Belov acabou de completar uma volta ao mundo comandando esse autêntico veleiro de expedições, levando a bordo uma tripulação de jovens convidados para aprender a arte de navegar, que seu capitão tem de sobra para ensinar, pois já completou, com essa, quatro voltas ao mundo, três delas em solitário. Homenageando o feito alcançado, incluímos o Fraternidade no Hall da Fama dos barcos do escritório que realizaram feitos náuticos notáveis. Essa foto foi tirada da Avenida Beira Mar de Papeete, Tahiti, Polinésia Francesa

Fevereiro: Pantanal 25 Vega – Esse é um bom exemplo do que pode ser realizado por um construtor amador. Seu construtor, o geólogo argentino Daniel D'Angelo, fabricou esse barco em suas folgas, no jardim de sua casa em City Bell, Buenos Aires, Argentina, e agora com o barco pronto está vencendo regatas para espanto de seus adversários, alguns deles competindo com barcos bem maiores e mais caros do que o Vega.

Março: Kiribati 36 Green Nomad – Nosso novo associado, Luis Manuel Pinho projetou em parceria conosco o veleiro de cruzeiro oceânico de quilha retrátil Kiribati 36, colaborou na construção da caldeiraria da primeira unidade, e em seguida fez a mobília interna e todas as instalações, transferindo-se para bordo em companhia de sua esposa Marli Werner, que o ajudou em todas essas tarefas.  Quando o barco ficou pronto, partiu de Rio Grande, onde o barco foi concluído, para Parati, chegando lá alguns dias atrás. Em Parati o casal pretende se preparar para o próximo pulo, uma viagem de volta ao Pacifico, onde já viveram por dez anos, a bordo do primeiro barco que construíram. Luis transformou o barco em um estúdio flutuante e sua comunicação com o escritório será on-line, não importa onde o barco estiver. Você pode seguir as aventuras do simpático casal entrando no banner do canto esquerdo superior de nosso home-page: Green Nomad.

Abril: Multichine 41SK Bepaluhê – Esse veleiro de cruzeiro de quilha retrátil é uma história de sucesso. Seu proprietário, o médico paulista Paulo Ayrosa, encomendou a construção ao excelente estaleiro Ilha Sul, www.ilhasulnauticas.com.br, de Porto Alegre, e tão logo o barco ficou pronto partiu para uma viagem de oitocentas milhas até Parati, no Rio de Janeiro, onde agora o barco está estacionado. Nosso cliente está muito contente com seu barco, que, aliás, vem causando sensação pela boa qualidade da construção e bom gosto dos proprietários. A foto acima foi tomada no dia da inauguração do barco. Paulo é o segundo da direita, tendo Jairo, o construtor à sua esquerda. A esposa de Paulo está no centro da foto, Os outros são dois amigos e Marli Werner, a esposa de Luis Manuel Pinho.

Maio: Samoa 28 Terrius – Bernardo Sampaio é o feliz proprietário desse Samoa 28. O Terrius foi o segundo barco da classe a navegar, e com certeza já se tornou um ícone, tanto por sua beleza, quanto por seu conforto interno, robustez e boa performance. Não é de admirar que Bernardo esteja tão contente com sua aquisição.

Junho: Multichine 28 Access – Esse barco se enquadra na categoria de máquinas de sonho. Seu proprietário, o construtor amador Flávio Bezerra, trocou uma promissora carreira de analista de sistemas pela de capitão licenciado, fazendo contínuas viagens de entrega de barcos entre o Caribe e a Europa, tendo seu veleiro como base, na maior parte do tempo estacionado em Falmouth Bay, Antigua. Quando Flavio não está fazendo alguma entrega, ou não está vivendo a vida dura de ter que freqüentar as baladas mais cobiçadas pela galera, ele provavelmente estará em algum recanto do Caribe, mergulhando ou fazendo surf.

Julho: Curruira 42 Agenores – Esse trawler é uma obra de arte construída pelo estaleiro Flab, www.flab.com.br, e pertence ao médico aposentado Nico Araújo. Nico esccolheu Camamú, a pérola do litoral baiano, como seu refugio, e tem sua Curruira 42 apoitada em frente à sua casa.

Agosto: Andorinha 16 Finalmente – Esse foi o dia da inauguração desse muito bem construído Andorinha 16. Nosso cliente Fernando Luis Schreiner, de Porto Alegre, escolheu construir seu casco em sanduiche, utilizando espuma de PVC. Em consequência o barco ficou leve como uma pluma e está obtendo um desempenho fora de série. Luis Fernando está muito contente com seu empreendimento.

 

Setembro: Cabo Horn 35 Yahgan – Essa foto é uma celebração. Há vinte anos foi inaugurado o Yahgan, segundo barco da classe a ficar pronto, quando o projeto já estava fazendo um tremendo sucesso, graças à viagem do primeiro barco da classe a ficar pronto, o Tauá, que concluíra poucos meses antes uma impecável viagem de  ida e volta ao Caribe. Esse projeto talvez tenha sido o primeiro de nossa linha de planos de estoque com cara de barco para expedições. Vinte anos após, o barco está como novo, tendo nesse meio tempo outro barco da classe completado uma volta ao mundo cheia de emoções, como furacões, tsunamis e outros desafios. Agora para comemorar essa carreira vitoriosa estamos lançando o Cabo Horn 35 MKII, uma atualização no projeto, que por suas qualidades ainda deverá continuar fazendo sucesso por muitos anos. Nosso cliente e amigo, João Carlos Muniz de Brito, o proprietário e construtor amador do Yahgan, mora a bordo desde muitos anos e mantém o barco como se fosse uma jóia. Essa foto foi tirada em Loreto, Recôncavo Baiano, em um dos muitos cruzeiros de longa distância que o barco já realizou.

  

Outubro: Pop 25 Horus – Essa foto é um tributo à competência de nosso amigo Daniel D'Angelo, que já homenageamos nessa lista por sua brilhante atuação em regatas com seu Pantanal 25 Vega. Desta vez o barco em questão é nosso mais recente projeto, o Pop 25, cujo protótipo é ele quem está construindo, esperando lançar o barco ainda esse ano. Daniel levou três meses para construir o casco, e agora o barco já está virado, com o convés instalado. Todos os equipamentos e ferragens especiais já foram adquiridos ou instalados, de modo que não será impossível que consiga realizar sua meta.

Novembro: Samoa 34 Luthier – Esse Samoa 34 é mais uma prova eloquente que construção amadora vale à pena. O Luthier foi construído no jardim da casa do casal Dorival e Catarina Gimenes, em Campinas, estado de São Paulo, já com a intenção de morarem a bordo e realizarem cruzeiros de longa distância. Agora o casal está completando o circuito do Atlântico Sul e Norte, tendo viajado para o Caribe, Açores, Portugal, Espanha, Madeira, Canárias, Cabo Verde, e agora estão de volta ao Brasil. Essa foto foi tirada em Rodney Bay, Santa Lúcia. O casal se divertiu muitíssimo com esse cruzeiro e o blog que eles criaram com link de nosso site é um campeão de entradas. Também eles têm méritos de sobra por toda a competência que demonstraram, tanto na construção, quanto na viagem.

Dezembro: Explorer 39 Caroll. -  Nosso cliente e amigo Raimundo Nascimento está completando uma circum-navegação em solitário com seu Explorer 39. Ele nos enviou essa foto tirada durante sua escala Port Louis, na ilha Mauricius, Oceano Indico. Dar uma volta ao mundo com mais de sessenta anos de idade a bordo de um veleiro com mais de doze metros requer muita competência e com certeza alguma proteção lá de cima. Raimundo relatou um episódio de arrepiar os cabelos. Ele foi perseguido por piratas quando passava pelo sul da Indonésia, tendo escapado apenas porque seu barco navegava a dez nós e a traineira dos bandidos não andava tão bem assim, essa tendo sido apenas uma das muitas dificuldades que teve que superar. No momento o Caroll está contornando o sul do continente africano, e em breve estará de volta ao Brasil. Raimundo pretende editar um livro relatando a viagem, desejando reverter o faturamento do livro em benefício do Hospiltal do Cancer, de São Paulo, e com isso ajudar crianças carentes em tratamento. Um belo gesto, digno dessa comemoração natalina!


Green Nomad rumo ao Norte

Em 15 de Novembro de 2011 finalmente o Green Nomad, em sua segunda versão, agora um Kiribati 36, saiu para a vida que sempre sonhamos, o pulo de ancoragem em ancoragem pelos mais variados cantos do mundo.

Saímos de Rio Grande, onde nos acolheu com tanto carinho o Rio Grande Yacht Club, por um ano e um mês, situação que antes já havia se passado com o Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre, mostrando que a hospitalidade dos clubes gaúchos é maravilhosa.

Festa em Rio Grande, com os amigos do Rio Grande Yacht Club

Tivemos que ficar tanto tempo em Rio Grande devido ao período que passamos embarcados nos navios do Sea Shepherd, uma experiência que era tão atraente que justificou nossa parada.

Assim, embora eu tenha navegado 32500 milhas náuticas no intervalo, depois de 5 anos da venda do primeiro Green Nomad ,na Austrália, voltamos a navegar em nosso próprio barco.

Foi um caminho lento de um barco para o outro, e construir 2 barcos certamente não é a maneira mais direta de se ter um barco de cruzeiro, mas em nossa opinião é a melhor, pois oferece a liberdade de se ter o que se deseja, e a confiança de se saber exatamente em que barco estamos entrando.

A vida de construtor de barco, e principalmente de construtor morador, em que se constrói e mora no que será seu barco um dia, tem suas dificuldades, mas se não é o modo mais confortável, certamente é o mais divertido, pois em vez de pensarmos que temos que sair de casa em algum lugar para ir para um galpão onde o trabalho pesado aguarda, já estamos lá. De dia se trabalha, de noite se confraterniza com os outros barcos, e desse modo já nos sentimos parte da vida de cruzeiro.

Convidados para o jantar, cada um se senta onde pode

O período em que passamos em Porto Alegre foi de muito trabalho e acomodações escassas, mas a vida seguia normalmente, o barco não era um sonho distante no futuro, era uma realidade.

Até escritório de desenho o Green Nomad era, e mesa pendurada ou não, as coisas aconteciam.

O Multichine 41 SK Bepaluhê saindo do papel para o mundo virtual no escritório pendurado

Em Rio Grande a experiência continuava. Apesar de deixar o barco para ir navegar em mares distantes, da Antártica ao Mediterrâneo, o barco escritório continuava ativo e recebendo os retoques finais antes de sair para sua primeira viagem de mar aberto. O projeto do Pop Alu 32 foi todo realizado em Rio Grande, a bordo do Green Nomad, e terminado este começamos os preparativos finais para a saída.

Queríamos fazer uma boa viagem, com tempo bonito e sem encarar vento contra, de modo que fomos bem exigentes na escolha da situação meteorológica para a saída de Rio Grande. Não por falta de confiança no barco, embora não seja prudente testar um barco em condições adversas num dos piores trechos de costa da América do Sul, em que durante mais de 280 milhas não existe abrigo, e o vento pode jogar um barco na costa sem muita dificuldade.

Assim, esperamos e tivemos a sorte de ver aparecer uma situação meteorológica atípica, que pode ser vista na foto abaixo. Os ventos predominantes nesta costa e principalmente nesta época do ano são de Nordeste, diretamente contra, e usualmente para poder sair rumo a Santa Catarina se espera uma frente fria, com uma depressão se movendo de Oeste para Leste ao sul da Patagônia, o que provoca uma interrupção no regime de ventos de Nordeste e dependendo da intensidade do sistema traz desde calmarias até ventanias de Sul ou Sudoeste, e quase sempre chuva.

O sistema que apareceu foi no entanto uma depressão que deixou a costa do Brasil na altura do Rio de Janeiro e se moveu para Sul, ocasionando ventos de Sudeste e Sul na região de Rio Grande, mas sem a costumeira chuva e mar grosso que acompanham uma frente fria.

De 1 a 5, a depressão que empurrou o Green Nomad para o Norte

Para monitorar a situação usamos um sistema que recebe arquivos de meteorologia chamados de GRIB, que podem ser baixados da internet ( veja link no web site do Green Nomad ).

Depois da saída também podíamos receber os arquivos GRIB mesmo sem internet, pois temos um sistema de email a bordo via rádio SSB.

O resultado de tanta preparação e espera foi a saída num dia de sol radiante, com mar moderado e vento fraco de Sudeste, que nos empurrava com a ajuda do motor a mais de 7 nós.

Com isso atingimos o Cabo de Santa Marta em menos de 48 horas, e assim a pior parte ficou para trás.

O vento ficou bem fraco depois da passada do cabo, e durante aquela tarde e noite velejamos apenas, já que não havia mais risco de sermos empurrados de volta para Rio Grande pelo Nordeste, e mesmo que às vezes ficasse difícil perceber de onde vinha o vento olhando para o mar, de tão fraco, o Green Nomad andava a velocidades entre 3 e 5 nós.

Navegamos a boa distância da costa, chegando a 30 milhas, para evitar problemas com redes de pesca, e tivemos sorte, o plano funcionou. A desvantagem parcial era estar na rota dos navios, mas estes em condições de tempo tão boas eram fáceis de detetar e evitar.

Várias vezes ouvíamos aeronaves da FAB chamando navios pelo nome, e assumimos que era um controle de costa, e então chegou a nossa vez, um avião veio a baixa altitude e deu três voltas no Green Nomad, nos chamando pelo rádio VHF no canal 16.

Respondemos e estes foram muito gentis, perguntaram se estava tudo bem a bordo e desejaram boa viagem. É famoso este tipo de contrôle na aproximação da Austrália, mas o curioso é que já tinha chegadolá duas vezes por mar sem nunca ter sido controlado desta maneira.

Avião da FAB circula em volta do Green Nomad em operação rotineira de controle da costa

Na manhã do dia 18 nos aproximamos do nosso primeiro destino fora do Rio Grande do Sul, Porto Belo, em Santa Catarina, e o sol desta vez ficou tímido. Entramos na enseada de Porto Belo contornando a Ilha João da Cunha, e ancoramos em águas calmas e bem claras, apesar da falta de sol.

Logo veio ao nosso encontro o João Blauth, conhecido como Fininho, do veleiro Zuretta, que havia nos apresentado ao clube dos Jangadeiros, e nos deu as indicações da área, pois já está com seu barco aqui desde o início do ano ( O Fininho foi meu tripulante quando fui capitão do Gojira, o trimaran do Sea Shepherd , no transporte de Tahiti para a França, e cruzamos o canal do Panamá e o Atlântico juntos ).

Aproveitamos para entrar em contato com nossos amigos Vilmar Braz e Gina, do veleiro Jornal, já vendido por eles, com quem cruzeiramos boa parte do Pacífico em 1998.

Vilmar e Gina deram a volta ao mundo no Jornal, um Samoa 29 de desenho do escritório Roberto Barros Yacht Design, e hoje se dedicam a sua ONG a ANI, Associação Náutica de Itajaí, que tem por objetivo trazer para o mar jovens da região, ensinando-lhes marinharia e construção naval, um belo projeto.

Vilmar e Gina, que deram a volta ao mundo no Samoa 29 Jornal, nossos companheiros
de viagem no Pacífico em 1998

Assim estamos agora fazendo o que mais gostamos, rodeados de amigos em nossa casa autônoma, que gera sua própria energia elétrica e colhe água da chuva. Vida boa e com impacto ambiental mínimo.

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36.


Pop 25 Horus - Uma construção relâmpago

Estamos muito impressionados com a velocidade que nosso amigo Daniel D'Angelo, de City Bell, Buenos Aires, Argentina, está imprimindo na construção do Pop 25 Horus. Daniel, sendo geólogo, trabalha um mês em pesquisa no campo, atualmente na Floresta Amazônica, seguido por um mês de folga. É nesse mês de folga que se dedica à construção do Horus. Daniel recebeu os planos do Pop 25, nosso projeto de veleiro bi-quilha, com dois lemes e propulsão auxiliar elétrica, em abril de 2011, quando as plantas ainda não estavam totalmente digitalizadas.

Pop 25, o projeto que desenvolvemos para ajudar pessoas a possuírem um barco oceânico de baixo custo, rápido de construir e de grande durabilidade. Renderização: www.ideebr.com

Sem perder tempo, em dez dias Daniel já tinha toda a estrutura transversal fabricada, pronta para ir para a montagem. Esse desempenho não nos surpreendeu muito, pois o projeto foi planejado para que essa fase fosse realmente muito rápida de ser realizada. Afinal cada antepara tem formato praticamente retangular, uma novidade em design de veleiros, que ao ser introduzida na construção amadora, abriu as portas dessa possibilidade para muitos potenciais construtores.

Seção 1 e Seção 2 prontas para entrar no picadeiro. A Seção 3 igualmente concluída, pode ser vista em parte no canto direito da foto. Cortesia: Daniel D'Angelo

Anteparas das seções 6, 5 e 4 enfileiradas ao lado da piscina. Para construir as onze anteparas Daniel levou dez dias de trabalho contínuo. Foto: Daniel D'Angelo

A impressão que tínhamos de que uma rápida passagem por essa fase tivesse um efeito fantástico para elevar a moral, no caso de Daniel funcionou como prevíramos. Após terminar as anteparas Daniel voltou para a Amazônia, já com sede de terminar a construção do casco. Deve ter sido bem penoso passar um mês no campo, longe de sua obra que avançava a passos tão rápidos. É compreensível que Daniel voltou para a Argentina com sede de trabalho, e realmente não deu outra coisa. No mês seguinte ele conseguiu praticamente terminar o casco, apenas faltando alguma coisa de carpintaria e o revestimento externo com fibra de vidro. Então foi necessária uma boa dose de paciência para encarar mais um mês longe da obra, mas quando voltou já foi para concluir o casco.

O casco pronto para ser virado, já com uma camada de epóxi alcatrão aplicada no fundo até a linha d'água. Foto Daniel D'Angelo

Já tendo a experiência de ter realizado essa operação por duas vezes, Daniel chamou alguns amigos para ajudá-lo a virar o casco, essa ocasião sendo uma boa oportunidade para realizar um bom churrasco de comemoração. Só quem passou por essa experiência é capaz de avaliar a satisfação que proporciona ver o casco que acabou de construir já de cabeça para cima.

O volume interno do Horus é impressionante. Foto: Daniel D'Angelo

Aproveitando os poucos dias que lhe restavam antes de retornar ao trabalho, Daniel decidiu colocar logo o teto do interior da cabine, que no caso do Pop 25 é instalado antes de se fazer o convés propriamente dito. Como o barco fica estacionado no jardim, apenas coberto por uma lona, achou mais prudente já deixar o interior protegido contra qualquer imprevisto meteorológico, tendo feito a instalação do forro interno do convés logo após virar o casco.

Na próxima etapa Daniel deverá terminar o convés e fazer a instalação dos equipamentos, estando esperançoso de inaugurar o Horus antes do final do ano.

Se você deseja saber mais detalhes da construção do Horus, basta entrar em nossa página de links e na primeira coluna clicar em Pop25 Horus e, após escolher a língua clicando em uma das três bandeiras, clicar em Horus, no canto de cima da direita da página

Florence, a filha de Daniel, foi a primeira a inspecionar o Horus após a virada. Como esse é o terceiro barco que o pai constrói, ela já está ficando acostumada. Foto: Daniel D'Angelo.

O Pop 25 tem um sistema construtivo um pouco fora do usual. O teto interno da cabine é reto e horizontal no sentido transversal, o que torna sua instalação extremamente rápida. Sobre esse teto são instaladas longarinas de alturas variadas (mais altas no centro e mais baixas próximo à borda) que fazem a convexidade do convés. Entre o revestimento interno e o externo os espaços vazios são preenchidos com espuma, que no caso pode ser espuma de estireno, a mais em conta que existe, pois essa espuma não é estrutural.

Clique aqui para saber mais sobre o Pop 25


Pop Alu 32

Já está disponível o projeto do Pop Alu 32.

E o primeiro já foi entregue, similarmente ao projeto do Pop 25, para um cliente nosso da Argentina, o Sr. Walter Baitella, da cidade de Córdoba.

Walter veio nos ver em Rio Grande, e saiu decidido a construir um Pop Alu 32, este novo veleiro de alumínio que traz inúmeras inovações. Adiamos a saída do Green Nomad de Rio Grande para entregar o projeto completo, e hoje o mesmo está disponível, incluindo o kit de arquivos de corte CNC

Clique aqui para saber mais sobre o Projeto


Samoa 28 - Porque esse projeto é tão estimado

Um dos projetos do nosso escritório que mais temos promovido é o Samoa 28. A razão desse tratamento privilegiado é em parte subjetiva, mas na prática é uma constatação: O Samoa 28 é o nosso projeto que mais tem apaixonado nossos construtores amadores.

Samoa 28, o veleiro da família. Só quem fez um cruzeiro a vela para um país vizinho logo após seu barco ter ido para a água sabe o prazer que isso pode proporcionar. Viagem do Sirius à Colônia, Uruguai. Cortesia: Daniel D'Angelo

A confirmação dessa preferência pode ser medida pelo número de blogs de construtores amadores com relatos apaixonados exaltando a construção de seus barcos. A causa desse estado de espírito por parte de nossos construtores pode ser a certeza de terem feito uma boa escolha. Não que o Samoa 28 seja significativamente mais barato de ser construído do que qualquer outro veleiro de vinte e oito pés, mas pelo fato dele ser mais completo e mais preparado para realizar passagens oceânicas ou para se morar a bordo. Ora, se alguém dedica um grande esforço para conseguir alguma coisa e sabe que aquele esforço será recompensado com um produto de qualidade diferenciada, aí então a motivação para seguir em frente é sem comparação. É sem dúvida por isso que o clube dos construtores de Samoa 28 é tão animado e não pára de crescer.

Se o Samoa 28 não tivesse um baixo calado (1,50m com a quilha versão cruzeiro) e não fosse tão fácil de ser manobrado, dificilmente poderia entrar em recantos tão paradisíacos. Foto: Daniel D'Angelo

O barco de 28 pés é de um tamanho mágico. Ele já possui um bom pé direito dentro da cabine, 1.85m no caso do Samoa 28, enquanto oferece um conforto interno suficiente para uma pequena família morar a bordo. Alem disso sua inércia já é suficiente para enfrentar mar de proa com altivez, o que é o grande diferencial entre o Samoa 28 e outros barcos de seu porte. Isso se deve ao fato de não ser excessivamente leve e ter uma quilha com bulbo com baixo centro de gravidade.

O interior do Samoa 28 é adequado para uma pequena família morar a bordo. O camarote privado à popa com hall de entrada com pé direito e sofá é um luxo para um barco desse tamanho

Estamos convencidos que os barcos de oceano desse porte irão se tornar cada vez mais populares. Estamos entrando em uma era de consumo sustentável quando será cada vez menos politicamente correto pensar apenas em ter o maior e o mais caro, mas, ao contrário, dar preferência ao melhor e o mais durável. Se você pode fazer a mesma coisa gastando menos e sendo muito mais auto-suficiente, para que irá querer gastar mais e ainda ser mais dependente.

O casal D'Angelo saboreando uma das primeiras refeições no interior do recém-inaugurado Sirius. Foto: Daniel D'Angelo.

Estamos seguros que os fatores mais importantes que fazem um barco de cruzeiro proporcionar momentos agradáveis a seus tripulantes por períodos mais prolongados são relacionados a existir um equilíbrio entre a área social e as acomodações para pernoite. Quem possui um veleiro de 28 pés com uma sala com mesa fixa capaz de acomodar até seis pessoas, um bom banheiro e uma cozinha de dar inveja em donos de barcos bem maiores, além de ter uma ampla mesa de navegação e um camarote privado do proprietário, não vai sentir interesse em possuir um barco maior por nenhum motivo.

Sirius navegando no Rio da Prata. O Barco é bem dócil de ser velejado tendo o leme leve como uma pluma. Cortesia: Daniel D'Angelo

A galera dos que vestiram a camisa da classe Samoa 28 está ficando bem numerosa. Só de blogueiros relatando suas construções temos cinco com links de nosso site. São eles na mesma sequência como estão relatados em nossa página de links: Everest, Sirius, Caprichoso, Furioso e Baleia. Em cada um deles você pode ler o relato completo da construção até o estágio atual, e pelos textos dá para constatar o orgulho e o carinho que cada um tem pela obra que está realizando. Desses o primeiro a ficar pronto foi o Sirius, construído pelo geólogo argentino Daniel D'Angelo, um construtor amador que nunca fizera um barco antes. Pois bem, tão logo inaugurou seu barco Daniel atravessou o Rio da Prata e partiu para um cruzeiro pela costa sul do Uruguai visitando lugares paradisíacos aonde só se chega com um barco de recreio. Não é de causar surpresa que a família tenha se apaixonado pela vida de cruzeiristas

O Samoa 28 Terrius é um show de bola. Nessa foto ele está ancorado em frente à Ilha de Anchieta no litoral paulista. Cortesia: Bernardo Sampaio

A classe Samoa 28 apesar de ser bem recente já está bem estabelecida. Hoje temos construtores nos mais diferentes países, com muitos barcos na reta final de construção e alguns já navegando. O que é mais gratificante para nós é saber que o pessoal está bem contente com a escolha. Como o prestígio de um modelo depende da satisfação de seus proprietários, temos tudo para imaginar que a carreira do Samoa 28 só está começando,

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Polar 65 Fraternidade, nosso novo membro do Hall da Fama

Nosso carro chefe entre os planos de estoque de veleiros para cruzeiro oceânico é sem dúvida o projeto Polar 65. Esse barco feito para navegar em qualquer latitude, seja cruzando oceanos, seja entrando em águas rasas só acessíveis aos veleiros de baixo calado, é o que consideramos ser o barco de cruzeiro ideal para realizar qualquer tipo de aventura náutica.

A viagem inaugural do Fraternidade foi um cruzeiro de teste de Salvador até Fernando de Noronha. Cortesia: Hélio Viana

O Polar 65 foi projetado já possuindo um cliente para construir a primeira unidade, o velejador ucraniano naturalizado brasileiro Aleixo Belov, um experiente cruzeirista com três voltas ao mundo em solitário em seu currículo.

Tão logo recebeu os planos completos Aleixo iniciou a construção do barco de seus sonhos, o Fraternidade, uma obra que iria levar mais de cinco anos para ser concluída. Quando o imponente iate de teóricas quarenta e cinco toneladas com superestrutura totalmente fabricada em aço inoxidável, totalmente aparelhado para enfrentar qualquer parada, finalmente ficou pronto, não deixou dúvidas de que iria fazer história.

Como imaginamos acontecer com outros projetistas de veleiros de cruzeiro, o desejo de criar uma super-máquina capaz de resistir às piores condições de tempo, além de ter controle sobre seu próprio calado, foi um objetivo que sempre procuramos alcançar.

A primeira oportunidade que tivemos de projetar um barco assim foi quando desenvolvemos, em parceria com o engenheiro naval Gabriel Dias, o veleiro polar Paratii, do mundialmente conhecido velejador Amyr Klink, que com ele realizou a façanha de ter sido a primeira pessoa a circum-navegar o Continente Antártico em solitário.

Essa experiência bem sucedida serviu para atiçar mais ainda nosso empenho de projetar o super-veleiro de cruzeiro, sendo o Polar 65 nossa grande oportunidade.

A solução que adotamos para o Paratii, quilhote com bolina embutida, dessa vez foi substituída por uma quilha pivotável girando em um pino de aço inox de 200mm de diâmetro

Polar 65 Fraternidade em Rarotonga, Ilhas Cook. Aleixo nessa quarta volta ao mundo procurou reviver aventuras passadas, dessa vez repassando suas experiências para os diferentes grupos de jovens que o acompanharam na viagem. Cortesia: Aleixo Belov

Aleixo partiu em janeiro de 2010 para sua quarta volta ao mundo, tendo Salvador, a cidade onde construiu o barco, como porto de saída, desta vez levando a bordo uma tripulação de onze pessoas. O início da viagem foi de poucas escalas, como se estivesse querendo reservar para mais adiante os maiores desafios. No Caribe só fez uma escala em Granada, seguindo direto para Colón, a entrada do lado do Atlântico do Canal de Panamá.

No entanto a travessia do Oceano Pacífico também foi feita com pressa, como se houvesse uma determinação de não se estender por muito tempo naquelas paragens paradisíacas. O Fraternidade fez escala em Galápagos, Marquesas, Tahiti e Rarotonga, sempre fazendo paradas de curta duração, até entrar no Oceano Indico, onde aportou em Thursday Island, no Estreito de Torres.

A primeira escala importante no roteiro da viagem pode ter sido Bali, Indonésia, onde como já fizera nas circum-navegações anteriores, contratou um artesão local para entalhar nas vigas da estrutura do salão do barco esculturas com motivos orientais. De Bali o Fraternidade seguiu para Galle, em Sirilanka e Cochin na India, dali iniciando o trecho mais difícil da circum-navegação, atravessar o Indico Ocidental infestado por piratas, subir o Mar Vermelho e atravessar o Canal de Suez. No trecho mais arriscado do percurso Aleixo optou por fazer parte de um rally de iates liderado por um holandês, que guiou a flotilha para que todos navegassem colados a costa da península Arábica, dentro das águas territoriais dos países daquela península, evitando assim um ataque de bandidos. Depois de atravessar o Canal de Suez Aleixo seguiu para a Turquia, entrando então no Mar Negro, com o objetivo de visitar seu país natal, a Ucrânia, onde foi recebido como celebridade. De volta ao Mediterrâneo, o resto da viagem foi como se fosse o enredo de um filme de turismo, com passagens pelas Ilhas Gregas, Itália, Espanha, e já de volta ao Atlântico, Las Palmas, nas ilhas Canárias, e finalmente o retorno a Salvador em outubro de 2011,depois de deixar trinta e uma mil milhas em sua esteira.

Polar 65 Fraternidade em Rarotonga, Ilhas Cook. Aleixo nessa quarta volta ao mundo procurou reviver aventuras passadas, dessa vez repassando suas experiências para os diferentes grupos de jovens que o acompanharam. Cortesia: Aleixo Belov

Desejamos a Aleixo que continue aproveitando seu fantástico veleiro, realizando outras expedições, quem sabe então pelas altas latitudes, o objetivo maior do projeto. Mas no momento queremos dar-lhe parabéns pela linda viagem que acabou de concluir. O velho marinheiro ucraniano provou que seu veleiro está à altura do seu legendário conterrâneo, o encouraçado Potenquin. Bravo, Aleixo e seus jovens tripulantes!

Aleixo Belov (à direita) e o membro da equipe da B & G Yacht Design, o engenheiro naval Rafael Coelho, um dos tripulantes da expedição. Rafael permaneceu a bordo desde a Polinésia Francesa até o Sirilanka. É curioso que Rafael foi um dos colaboradores na elaboração do projeto, conhecendo em detalhes toda a parte teórica do Polar 65. Cortesia: Aleixo Belov

Em tempo; Nessa circum-navegação Aleixo usou o Fraternidade como um barco escola tendo alternado várias tripulações de jovens tripulantes durante toda a viagem. Seu objetivo foi o de passar sua experiência para outros apaixonados pelo mar, como ele sempre foi, e que desejamos que continue sendo por ainda muitos anos.

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ÍNDICE DE ESTABILIDADE EUROPEIA

Com a ampliacão de nosso mercado internacional, especialmente para a Europa, comecamos a receber solicitacoes de como nossos barcos se adequam as regras sobre indice de estabilidade ( stability index STIX ) estabelecidas pela Comunidade Europeia para classificar as qualidades marinheiras de monocascos. As regras levam em consideracao fatores diversos, tais como comprimento total e da linha dagua, relacao de deslocamento/ comprimento, deslocamento/boca maxima, capacidade de retornar a posicao vertical em caso de capotagem, um fator de estabilidade dinamica, a pressao do vento e outros dados pertinentes a estanqueidade do barco. Estes fatores estao agrupados numa formula que calcula o valor do STIX.
De acordo com o valor obtido os barcos sao classificados em quatro categorias.
A categoria A agrupa os barcos capazes de resistir as condicoes de mar com ondas de 7 m de altura e eventuais ondas de ate 14 m de altura em tempestades de forca 10 ou mais. Na categoria B, os barcos devem se comportar adequadamente com ondas regulares de 4 m de altura e ondas maximas de 8 m. As categorias C e D requerem barcos capazes de resistir a condicoes bem mais amenas.
Sendo o comprimento do barco um fator de peso na formula, os barcos pequenos tendem a ter indices menores. De um modo geral os barcos fabricados em serie na faixa dos trinta pes nao conseguem atingir a categoria A, o que prejudica sua comercializacao nos paises europeus. Ao contrario, nosso projeto Multichine 28 e classificado na categoria A, e os projetos maiores de nossa griffe, ultrapassam o limite minimo com folga. Estas qualidades ja eram reconhecidas na pratica, por muitos dos usuarios de veleiros da Roberto Barros Yacht Design que realizam cruzeiros importantes. A confirmacao teorica destas adequacao coloca nossos barcos no nivel mais alto da seguranca em alto mar sob o aspecto da estabilidade e nossos construtores e proprietarios podem se regozijar por isso.arti

Polar 65
Stix = 95,51
Cabo Horn 40
Stix =45,11
- Base Lengh Factor:
- Inversion Recovery Factor:
- Base Lengh Factor:
- Inversion Recovery Factor:
Lbs = 18,67
F4 = 1,19
Lbs = 11,10
F4 =0,97
- Displacement-Length Factor:
FIR = 1,19
- Displacement-Length Factor:
FIR =0,97
FI = 1,11
- Dinamic Stability Factor:
FI =1,00
- Dinamic Stability Factor:
F1 = 4,16
Agz = 83,46
F1 = 3,95
Agz = 46,97
FDL = 1,25
F5 = 1,18
FDL = 1,25
F5 = 0,85
- Beam-Displacement Factor:
FDS = 1,18
- Beam-Displacement Factor:
FDS =0,85
Fb = 1,85
- Wind Moment Factor:
Fb = 1,85
- Wind Moment Factor:
F2 = 1,04
Vaw =
F2 = 1,03
Vaw =
FDB = 1,04
F6 = 1,00
FDB = 1,03
F6 = 1,00
- Knockdown Recovery Factor:
FWM = 1,00
- Knockdown Recovery Factor:
FWM = 1,00
Fr = 13,71
- Downflooding Factor:
Fr =9,32
- Downflooding Factor:
F3 = 2,09
F7 = 1,50
F3 =1,70
F7 = 1,50
FKR = 1,50
FDF = 1,25
FKR = 1,50
FDF = 1,25
Samoa 34
Stix = 34,12
Multichine 28
Stix =34,30
- Base Lengh Factor:
- Inversion Recovery Factor:
- Base Lengh Factor:
- Inversion Recovery Factor:
Lbs = 9,33
F4 = 0,96
Lbs =7,85
F4 = 0,96
- Displacement-Length Factor:
FIR = 0,96
- Displacement-Length Factor:
FIR =0,96
FI = 0,97
- Dinamic Stability Factor:
FI = 0,93
- Dinamic Stability Factor:
F1 = 3,89
Agz =39,30
F1 = 3,82
Agz = 43,12
FDL = 1,25
F5 =0,78
FDL = 1,25
F5 = 0,93
- Beam-Displacement Factor:
FDS =0,78
- Beam-Displacement Factor:
FDS = 0,93
Fb = 1,85
- Wind Moment Factor:
Fb = 1,90
- Wind Moment Factor:
F2 = 1,03
Vaw =
F2 = 0,99
Vaw =
FDB = 1,03
F6 = 1,00
FDB =0,99
F6 = 1,00
- Knockdown Recovery Factor:
FWM = 1,00
- Knockdown Recovery Factor:
FWM = 1,00
Fr =3,98
- Downflooding Factor:
Fr = 5,95
- Downflooding Factor:
F3 = 1,23
F7 = 1,50
F3 = 1,40
F7 = 1,50
FKR = 1,23
FDF =
1,25
FKR = 1,40
FDF = 1,25

DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS

Projetamos a lancha Sea Baron 57 para ser a mais moderna e confortável lancha de passeio deste porte já fabricada no Brasil. Um arranjo interno exclusivo onde uma confortável suite de popa permite que um casal fique em um ambiente privado isolado do movimento de pessoas a bordo, coloca a Sea Baron 57 na categoria de iate de grande luxo.
Tendo o projeto sido desenvolvido pelo escritório Roberto Barros Yacht Design com a colaboração de engenheiro Jorge Nasseh no dimensionamento estrutural e do engenheiro Marco Antônio Vieira no dimensionamento da propulsão, foi realizado nesta lancha um dos mais completos projetos já feitos no Brasil.arti


Roberto Barros Yacht Design