Boas Festas

Desejamos a todos os amigos e construtores de barcos da B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) um feliz Natal e que 2010 seja um ano pleno de realizações.

Nessa virada de ano estamos comemorando a consolidação de uma forma bastante expressiva nossa atuação no mercado internacional. Os projetos do escritório já estão sendo fabricados em mais de quarenta países e agora estamos nos acostumando a receber com regularidade informações sobre construção de nossos barcos nos mais diferentes lugares.

Como já é tradição, escolhemos doze fotos de nossos modelos em construção ou navegando, no Brasil e lá fora, mostrando algumas realizações importantes relacionadas ao nosso trabalho. Desta vez demos mais ênfase em mostrar pessoas do que simplesmente mostrar os barcos propriamente ditos. Afinal é para essa gente que confiou em nós que trabalhamos, não é verdade?

Como já dissemos em outras vezes, escolher doze barcos é uma tarefa complicada, mas como regularmente estamos colocando matérias novas sobre nossos construtores e proprietários, teremos chance de remediar as prováveis omissões do tipo daquelas que não têm desculpa. Boas festas para todos vocês, amigos e clientes!

JANEIRO – Pantanal 25 -  Maik Biela é um cidadão alemão residente em Santiago do Chile, onde recentemente inaugurou um estaleiro de construção de barcos sob encomenda. Seu primeiro ensaio nesta nova atividade foi construir um Pantanal 25 para uso próprio, o qual já deve estar praticamente concluído, pois essa foto com o casco já virado nos foi enviada há algum tempo. Esse barco deverá ser seu cartão de visitas, e, pelo que nos informou os primeiros pedidos já começaram a chegar.

Quando Maik inaugurar seu barco, pretendemos fazer uma reportagem sobre o lançamento e suas primeiras velejadas, uma homenagem à classe Pantanal 25, a que mais rapidamente está se expandindo no cenário nacional e internacional dentre todos os nossos projetos

FEVEREIRO – Multichine 28  - O americano Dave Cross (o mais à proa de boné branco), de Seattle, Estado de Washington, está construindo esse Multichine 28 com a intenção de participar de regatas locais na região de Puget Sound. Sua construção está muito bem feita e bastante aliviada no sentido de economizar peso ao máximo, pois, para sua turma, competição é coisa séria. Como na região predominam ventos fracos, desenhamos a seu pedido um plano vélico com mais área, que agora faz parte do pacote incluído no projeto. Embora o MC28 seja um barco assumidamente de cruzeiro, esperamos que com o casco bem aliviado, e com esse plano vélico especial, venha a ganhar uma razoável cota nas regatas locais.

MARÇO – Samoa 34 Zait – Esse Samoa 34 já está navegando e está estacionado no Iate Clube do Rio de Janeiro, sendo motivo de orgulho, não só por parte de seu proprietário, Daniel Sequerra, como também de seu construtor, Flavio Rodrigues, diretor dos Estaleiros Flab, de Campinas, São Paulo. Na foto Flavio está puxando “aquele” brilho na pintura do nome no costado. Daniel já experimentou seu barco em condições de tempo bastante adversas e o desempenho do Zait foi surpreendente, pois mal tomou conhecimento da tempestade. Estamos curiosos de saber quais serão os próximos passos do Zait. Sabemos que Daniel tem alguns planos...

ABRIL – Multichine 26C –  Omër Kirkal reside em Istambul, Turquia. Junto com sua esposa e ajudado por alguns amigos, está terminando a construção desse super-caprichado MC26C. Estamos aguardando ansiosos receber a notícia de que o barco já tenha sido lançado à água. Já temos outros veleiros navegando na região do Mar de Mármara, Mar Negro e Mediterrâneo, mas esse provavelmente deverá ser o primeiro MC26C a navegar, não só lá, mas em qualquer outro lugar, inclusive no Brasil. Desejamos ao casal Kirkal boas velejadas no ano de 2010.

MAIO – Multichine 34/36 Serenata – Essa foto é o sonho de consumo de muita gente. Ficar sentado sobre a cabine ao lado da mulher amada com o barco caminhando sozinho rumo à idílica ilha de Fernando de Noronha, navegando num mar azul marinho quase da cor do casco e vendo a proa cortar a água como se fosse uma flecha.

Marcelo Brasil, o proprietário do Serenata, é piloto de helicóptero e um apaixonado por aventura. O que ele está feliz com seu barco não está no gibi. Afinal, por aonde chega todos os olhos se voltam para seu barco, que é tão bonito por fora quanto por dentro.

JUNHO – Southern Voyager 38 Plaisirr  - Esse trawler metálico construído  por seu proprietário, o francês Philippe Lamoure é uma traineira de deslocamento de grande autonomia. Nela Philipe encontra bastante conforto para ele, sua família e convidados podendo realizar longas travessias sem precisar reabastecer.

Plaisirr, tanto quanto sabemos, é o primeiro barco da classe a navegar. Agradável como ficou, acreditamos que irá atrair o interesse de muita gente, pois considerando custo/benefício, ele é um bom investimento para o conforto que proporciona.

JULHO -  Samoa 34 Libertad – O primeiro morador deste Samoa 34 foi este esquilinho que encontrou nos cavacos de cedro com seu delicioso aroma o lugar ideal para fazer sua toca. Pena que tenha sido despejado quando o barco foi para a água e tivesse que esperar uma nova construção para refazer sua moradia. O Libertad foi construído pelos Estaleiros Franzen, de Curitiba, Paraná, um de nossos melhores construtores de barcos sob encomenda.

AGOSTO – Kiribati 36 Green Nomad – Luis Manuel Pinho e sua esposa Marli Werner estão curtindo uma das primeiras refeições a bordo com a presença de um casal de convidados e seu filho, isso acontecendo enquanto constroem o novo Green Nomad na cidade de Porto Alegre, RS.

Luis Manuel, um engenheiro metalurgista com grande talento para yacht design, foi convidado para fazer parte de nossa equipe e hoje é nosso especialista em arquivos para corte numérico. Nessa altura do campeonato, dezembro de 2009, o Green Nomad já está praticamente pronto, com partida programada para os primeiros meses de 2010, tendo como porta de entrada a Austrália, país do qual Luis e Marli são cidadãos e destino final o Pacífico com seus inúmeros paraísos. Mas até chegar lá muita água ainda irá passar por baixo da quilha do Green Nomad, que por sinal, sendo retrátil e pivotável, pode passar por lugares bem rasos. Aliás, o painel central da mesa de refeições é exatamente a caixa dessa quilha.

SETEMBRO – Samoa 34 Luthier – Dorival Gimenes, com a ajuda de sua esposa Catarina construiu no quintal de sua casa em Campinas, São Paulo, esse caprichadíssimo Samoa 34.

Quando o barco ficou pronto o casal Gimenes se mudou de mala e cuia para bordo, onde passou a residir permanentemente. Como barco não paga IPTU, resolveram subir a costa até Recife e participar da regata Recife - Fernando de Noronha de 2009, na qual foram os vencedores em sua classe, tendo ainda sido os fita-azul da categoria. Numa matéria recente em nossas notícias mostramos o casal Gimenes recebendo o prêmio pela vitória no pódio montado no galpão da festa de encerramento da regata, lá em Fernando de Noronha. Além de terem ficado bem contentes com o desempenho do barco, os Gimenes puderam constatar como é interessante a construção amadora quando se constrói com carinho e dedicação. 

OUTUBRO – Polar 65 Fraternidade – Aleixo Belov é um Ucraniano que escolheu a Bahia para viver uma vida sem pressa e muito bem vivida. Depois de dar três voltas ao mundo em solitário num veleiro de 40 pés, encomendou ao nosso escritório o projeto que denominamos Polar 65, com a intenção de realizar mais uma volta ao mundo, agora acompanhado por jovens cientistas. O sangue ucraniano, apesar dos muitos anos vividos nos trópicos, o seduz  a procurar as altas latitudes e os lugares mais inóspitos do planeta, para isso sendo o Fraternidade dotado de quilha retrátil pivotável, sendo capaz de entrar em abrigos inacessíveis a veleiros de quilha fixa, desta forma podendo se proteger muito melhor dos grandes ice-bergs, isso sem mencionar os inúmeros lugares que poderá explorar graças a seu calado reduzido.

O Fraternidade já fez os necessários testes de mar, e com tripulação já selecionada, está pronto para zarpar com destino aos lugares mais interessantes do nosso globo terrestre. Esse barco, imponente como ficou e com objetivos tão fora de série, com certeza irá aparecer em muitas capas de revista, e sua história irá correr mundo bem mais depressa do que a viagem propriamente dita. Boa sorte à turma que logo estará partindo, particularmente ao seu “jovem” capitão.

NOVEMBRO  - Pantanal 25 Dark Ice -  Nosso mais comentado projeto no ano de 2009 foi sem dúvida o Pantanal 25, em parte devido ao excepcional desempenho da primeira unidade a ficar pronta no Brasil, o Dark Ice de Jorge Intaschi, um velejador paulista que se apaixonou pelo projeto e construiu seu barco com a intenção de fabricá-lo em série.

Após vencer a maior parte das regatas em que participou, Jorge se associou ao Estaleiro Coopermarine, de Guarujá, Estado de São Paulo, para construir esse modelo em regime de cooperativa. A iniciativa foi tão bem sucedida que em pouco mais de três meses já existem dois barcos novos praticamente concluídos e um terceiro em fabricação. No ano de 2010 esperamos ver dezenas desses barcos sendo lançados ao mar e desejamos que o bom conceito que a classe já desfruta, aqui no Brasil e lá fora, faça do Pantanal 25 a primeira classe internacional nascida de um projeto brasileiro. Com o expressivo número de barcos sendo feitos aqui e no exterior esse desejo é bem provável que seja alcançado, e no Brasil, com o ritmo alucinante com que vem se desenvolvendo a produção da Coopermarine, com certeza a classe Pantanal 25 logo estará consagrada.  

DEZEMBRO – One-off Maitairoa – Esse barco tem história, e bota história nisso. Construído no início dos anos oitenta por Roberto Barros, o fundador do escritório B & G Yacht Design a partir de um projeto exclusivo desenvolvido pelo escritório, o Maitairoa foi totalmente fabricado no terreno de sua casa de campo, localizada em Itaipava, a quase mil metros de altitude, na Serra do Mar, região de Petrópolis. Quando o barco ficou pronto, Roberto Barros e família, junto com amigos, realizaram inesquecíveis aventuras, tendo atravessado o Atlântico Sul pelas latitudes dos roaring forties e depois viajado para regiões sub-antárticas, inclusive tendo passado por inesquecíveis aventuras no arquipélago das Falklands/Malvinas onde o Maitairoa sofreu um sério encalhe em uma praia deserta. Essas viagens foram narradas no livro, hoje um clássico da literatura náutica, “As Fantásticas Aventuras do Maitairoa, livro esse escrito por Roberto Barros em dupla com seu amigo e tripulante Roberto Allan Fuchs.

No início dos anos noventa o Maitairoa foi vendido para uma grande amiga de Roberto Barros, a argentina Sandra Sautu. Sandra, junto com Axel, seu marido francês, velejaram com o Maitairoa do Rio de Janeiro até Trieste no norte da Itália, quando de passagem pelas ilhas da Dalmácia conceberam  Calypso ( a que está sentada no lado de boreste) sendo o nome da filha uma homenagem à personagem da Odisséia.

Em seguida navegaram para Antibes, na Riviera Francesa, onde o barco está estacionado. Agora com o segundo filho já mais crescido, a tripulação estando completa, logo que o trabalho permitir, o Maitairoa deverá partir para outras aventuras.


Roberto Barros Yacht Design