Multichine 28 Access no Caribe

Flávio Bezerra é o navegador que mais longe já foi com um veleiro da classe MC 28.

Há três anos ele se aventura pelo Caribe, de vez em quando fazendo uma entrega de barco para a Europa  para faturar uma grana. Nós do escritório, que construímos o catamarã Bora-Bora 28 Oa-Oa ao lado do barco dele, acabamos ficando grandes amigos e agora vibramos muito com os emails de dar água na boca que costuma nos passar. Pelo último que nos mandou dá para imaginar que ele está levando a vida que pediu a Deus e que está muito feliz com seu MC 28:

Opa Cabinho, que saudade de vocês. Como vai a família?
O delivery para o Brasil não foi possível, pena, pois além do barco ser um Beneteau de 20 anos de idade, os parafusos da quilha estavam podres, as gaiutas pulando fora, o quadrante do leme partido no meio, o estaiamento velho e enferrujado e daí por diante ... o dono do barco ainda me pediu para tirar a qualificação profissional de Yacht Master da British Royal Yacht Association e fiquei um mês na Inglaterra. Foi super legal cumprir com as exigências dos ingleses. Interessante eles cobrarem que você saiba velejar e manobrar barcos grandes sem o auxílio do motor, usar sextante para navegar por estrelas, etc. Falmouth é um lindo lugar e peguei por sorte um mês de setembro ensolarado, atípico somente para anos de El Nino. A amplitude da maré chega a nove metros e nos canais a navegação em neblina e com correnteza é super exigida. Os caras exigem que você saiba tudo, nada de média para passar, tipo 70% ou 80%. Se você não acertar tudo os caras perguntam de novo, mas não aprovam até responder certo. Confesso que é puxado e foi até emocionante. Mesmo assim os donos do barco resolveram cancelar o delivery. Sabe lá, de repente dei sorte, preferia mil oceanos com meu Access que atravessar novamente o Atlântico num Beneteau. Agora eu entendo como nossos amigos que usam fazer isso se sentem e desabafam às vezes.

O Multichine 28 Access pouco após sua chegada ao Caribe. Agora o barco já está repintado e parecendo novo em folha. Flávio é um velejador fantástico. Ele foi do Rio de Janeiro até o Caribe em solitário, sem motor auxiliar, piloto automático, ou leme de vento. O barco dele é um dos mais bem construídos da classe. 

Eu acabo de chegar após 24 horas de velejada de St. Maarten para Antigua, contra o vento de 32 knots, às vezes 40, ondas de 3 m, mas o barquinho continua o mesmo e funcionando super bem. O leme grande dá sempre estabilidade, acredite ou não, posso lhe dizer que ainda não tenho piloto automático ou leme de vento, alguns cabos e elásticos na cana e é tudo. O Caribe continua lindo. Água cristalina, sempre lindas praias e vento todos os dias para quem gosta de velejar, um paraíso da vela. Talvez por isso uma grande concentração de lindos veleiros vindos do mundo inteiro. Não vejo melhor lugar para se ter um veleiro. Tem loja para comprar tudo de barco e para quem é construtor naval sempre dá para fazer um trocado. Tem gente de todo lugar do mundo e você sabe, já esteve aqui antes né! A música caribenha e super animada e para quem gosta de mergulhar então... Bem, só para ficar perfeito precisava de uma namorada brasileira, mas tudo bem, nada é perfeito né?! A gente vai vivendo essa vidinha mais ou menos! Mande um grande abraço para toda a família que foi minha por 4 anos enquanto construía o Access. Obrigado por tudo e um bom natal para todos.
Abraços;
Flávio.

Flávio tem lugar cativo em nosso site. Os e-mails dele são de tão alto astral que sempre publicamos em nossas notícias, pois temos certeza de que sempre irão animar a galera que está construindo outros Multichines 28.

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Roberto Barros Yacht Design