Multichine 28 Ayty é muito lindo

A classe MC28 deve ter alguma coisa muito especial para que seja a escolhida por tanta gente como o barco de suas vidas. As razões para isso podem ser várias, mas provavelmente a mais importante seja a confiança que o projeto transmite de que é possível para uma pequena família viver a bordo ou fazer cruzeiros oceânicos com muita segurança.

Esse foi o caso do engenheiro eletrônico Arapoan Fernandes. Possuindo um cargo importante numa multinacional estabelecida no Silicon Valley, e também sendo um apaixonado pelo mar, mesmo tendo podido construir um barco maior, escolheu o Multichine 28 como seu barco definitivo. Arapoan tem uma afinidade conosco em acreditar que um barco de cruzeiro com pé direito adequado (1.85m) e espaço suficiente para que uma pequena família possa viver a bordo, mesmo sendo um veleiro de 28 pés, (na realidade o MC 28 mede 9.20m, o que é mais do que trinta pés, sendo a medida de 8.60m a distância do bico de proa até o eixo do leme, sem contar a plataforma de popa), esse barco pode até ser mais adequado para fazer viagens oceânicas do que um outro maior, que, sem dúvida, irá requerer maior trabalho de manutenção.

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália) nos tornamos bons amigos de sua família desde a aquisição dos planos, e de lá para cá nossa amizade só tem aumentado, e é por isso que conhecemos bem a parte náutica da história da família Fernandes.

Quando os conhecemos, os Fernandes só tinham um filho adolescente, e seu plano era então construir o MC28 e viajar com ele para a Nova Zelândia, onde a família gostaria de se estabelecer. Arapoan enviou seu currículo para a conhecida empresa de eletrônica neozelandesa Navman, e logo em seguida recebeu um convite para trabalhar lá, o que garantiria a sobrevivência da família. No entanto a cegonha preparava uma surpresa para eles, a garotinha que está olhando pela gaiuta de proa. Agora com o filho mais velho já cursando a universidade, os Fernandes vão precisar de um bom tempo para planejar uma longa viagem oceânica, mas eles estão tão contentes com a nova tripulante e com o barco que o plano original no momento tem pouca importância.

Depois de adquirir os planos, Arapoan encomendou a obra a um estaleiro artesanal para construir o barco, mas tão logo a carpintaria bruta ficou concluída transportou a obra inacabada para um clube náutico, e, contratando um excelente marceneiro, fez o restante da obra sob sua administração direta com o máximo esmero. O resultado foi impressionante. O barco tornou-se uma obra de arte, principalmente porque cada envolvido na empreitada se concentrou em fazer sua parte em grande estilo. Val, a esposa de Arapoan, é arquiteta, e foi ela a responsável pela decoração interna, para a qual escolheu, muito apropriadamente, adotar um estilo alegre, bem tropical. O marceneiro deu um verdadeiro show de bola ao fazer uns acabamentos de alta classe no mobiliário, e Arapoan, como era de se esperar, com a colaboração de Roberto Shultz, um excelente profissional de instalações elétricas em iates, fez um sistema elétrico/eletrônico de dar água na boca.

Agora o barco já está na água há três anos, mas para quem não sabe, vendo-o, pensa que foi inaugurado ontem. Sem dúvida Ayty é a menina dos olhos de Arapoan, e, para ele, possuir esse veleiro é a melhor válvula de escape que poderia encontrar para compensar seu árduo trabalho profissional.

Quando você sinceramente acredita que um veleiro não necessita ser excessivamente grande para levá-lo aos mais longínquos lugares, ou viver feliz dentro dele, tudo fica bem mais fácil para seu lado. Para nosso amigo obter o mais alto padrão de qualidade ao construir seu barco foi a maior moleza, pois o gasto representou somente uma pequena parte de seu patrimônio. Isso o permitiu adquirir os melhores equipamentos, independentemente de preço, valendo mais a qualidade e confiabilidade.

Como o casal gosta de cozinhar, é compreensível que tenham especialmente apreciado o conforto que a cozinha do Ayty proporciona. Tendo fogão com forno, geladeira, uma bancada de dimensões para ninguém botar defeito, com duas pias, um poço para estiva acessível por cima, lixeira, e um espaço considerável dentro de armários para guardar mantimentos e utensílios de cozinha, não é de se admirar que se sintam em casa quando trabalhando ali.

Para Arapoan a mesa de navegação e rádio-comunicação é uma importante área de trabalho. No MC 28 esse compartimento também é privilegiado, e nosso amigo se sente muito bem instalado quando utiliza essa área. O amplo armário de cartas náuticas sob o tampo da mesa é um lugar seguro e protegido para guardar seu note-book quando não está em uso, e a mesa é servida por duas anteparas com lugar de sobra para instalar todos os instrumentos desejados.

Mas para conquistar de verdade o coração da arquiteta da família o mais importante compartimento do barco teria que ser a cabine do proprietário. E isso, com um toque de bom gosto, ela conseguiu, sendo a cabine de popa a jóia do arranjo interno.No barco deles a cabine de popa é muito aconchegante, sendo bem ventilada, bem iluminada, e possuindo um isolamento térmico muito eficiente. Além disso, possui uma profusão de armários com volume para guardar os pertences da família com sobra. Finalmente uma cama de casal digna desse nome é mais um motivo para deixar os Fernandes orgulhosos com seu veleiro.

A entrada da cabine é outro lugar especial. Foi lá que instalamos o chart plotter no MC 28 Fiu, o barco da classe que construímos para uso de nossa família e que depois se tornou um ícone para outros construtores, acoplado à parede que separa essa entrada do banheiro. Esse lugar é perfeito para a instalação deste instrumento, pois ele tanto pode ser monitorado desde o degrau de entrada já dentro da cabine, quanto do assento do cockpit, tornando desnecessário um repetidor lá fora, além de deixar esse instrumento protegido das inclemências do clima, o que é um fator importante para sua durabilidade.

Como temos Multichines 28 sendo construídos nos mais diferentes lugares em quatro continentes, temos certeza que ao divulgar detalhes de barcos da classe que já estão prontos, detalhes esses que só podem ser integralmente apreciados por quem já está navegando, é o melhor incentivo que podemos oferecer à galera que ainda está construindo. Essas informações servem como vitamina para animá-los na construção, e as ilustrações ainda podem ajudar com alguma nova idéia.

Clique aqui para saber mais sobre a classe Multichine 28.


Roberto Barros Yacht Design