Cabo Horns 35 em flotilha

A classe Cabo Horn 35 continua cada vez mais ativa. Agora em setembro teremos três de seus representantes inscritos na Refeno 2010. São eles Stella Maris, de Roberto Kivitis Nogueira, de Maceió, Alagoas, Thalassa, de Marcelo Augusto Balbo, de Ilha Bela, São Paulo, e o legendário Utopia, agora tendo Manrico D’Alessandro, de Santa Catarina, como seu novo proprietário.
Coroando nossa costumeira presença nesse evento, esse ano deverá ocorrer um recorde de barcos projetados por nosso escritório participando da regata. São ao todo dezesseis inscritos, alguns deles verdadeiros ícones entre os projetos que já desenhamos como é o caso do Utopia, (veja em clube na página do Cabo Horn 35 em nosso site), e do não menos famoso veleiro polar Paratii II, o mais conhecido dentre os projetos com os quais já nos envolvemos, um iate que já teve até selo de nossos correios editado em sua homenagem.

Dentre os projetos dos quais participamos o carro chefe na próxima Refeno será sem dúvida o veleiro vermelho Paratii II, um barco laureado com o cobiçado “Tillman Prize”, auferido pelo Royal Cruising Club da Inglaterra, e ainda tendo sido agraciado com a edição de um selo dos Correios Brasileiros

Ainda iremos reportar sobre todos esses barcos, mas dessa vez serão os três veleiros de construção amadora da classe Cabo Horns 35 inscritos na Refeno os barcos que desejamos homenagear.
Muitos de nossos clientes nos informam que sonham em um dia participar da Refeno, devendo ser por essa razão que, ano após ano, tem havido um gradativo aumento de barcos de nosso projeto inscritos na competição.

 

O interior do Cabo Horn 35 com seu salão social à ré é bem fora do convencional

Por ser a regata um evento onde o que mais importa para a maioria dos participantes é o fato de estar lá, a vitória em sua categoria representando apenas um bônus extra, muito provavelmente é esse o fator principal para que, tanto nossos veleiros de cruzeiro/regata, quanto os assumidamente de cruzeiro como é o caso dos Cabo Horns 35, façam essa prova como um dos grandes sonhos de realização de seus comandantes. Afinal quem não iria apreciar poder comandar seu barco de dentro de um pilot-house num daqueles dias em que se pergunta o que se está fazendo ali. Por que não ter ficado no bem bom de sua cama sequinha, ou no aconchego de sua sala de estar, ao invés de ter que enfrentar um molhado cockpit, seja por chuvas torrenciais, ou por ondas traiçoeiras estourando no convés.

Fernando de Noronha sendo um parque nacional ainda não foi estragada por turismo excessivo

Nossos três competidores têm em comum as histórias de suas sagas para serem fabricados. São construções amadoras feitas com muita competência e dedicação que resultaram em três barcos maravilhosos.

A deslumbrante vista para o ancoradouro a sotavento da ilha onde ficam estacionados os veleiros da regata

Como são três unidades do mesmo projeto, os comandantes poderão reivindicar o status de classe para os Cabo Horn 35, com premiação específica. Pelo menos foi assim em regatas anteriores, e nada seria mais justo do que oferecer esse status aos três veleiros.  

O Stella Maris foi construído artesanalmente por seu proprietário, Roberto Kivitis Nogueira em Maceió, Estado de Alagoas

O Stella Maris foi construído com muita competência por seu proprietário Roberto Kivitis Nogueira no galpão de sua empresa em Maceió, Alagoas. Roberto, que nunca construíra um barco antes, fabricou o seu com a intenção de atravessar o Atlântico navegando pelas latitudes beirando os quarenta graus até a cidade de Cape Town e dali em diante realizar uma volta ao mundo. (Veja artigo sobre o Stella Maris – Alagoano prepara Cabo Horn 35 para dar a volta ao mundo. Extrato de artigo publicado no jornal “Gazeta de Alagoas”). O barco inegavelmente está muito bem preparado, e, se por enquanto essa viagem ainda não foi realizada, pelo menos o Stella Maris já é um veterano na Refeno.

Roberto Kivitis Nogueira recebendo de Roberto Barros a placa comemorativa pela participação do Stella Maris na regata de 2004 quando doze barcos projetados pelo escritório Roberto Barros Yacht Design estavam presentes na competição. Esse ano de 2010 são dezesseis inscritos

Na regata de 2004 o escritório foi representado por doze participantes. Na ocasião marcamos um almoço de confraternização realizado no Pernambuco Iate Clube convidando todas as tripulações desses barcos. Foi então entregue a cada comandante uma placa comemorativa pela participação no evento, e um deles era o Stella Maris, então um barco recém-inaugurado. Agora em 2010 o barco está mais completo ainda para realizar qualquer aventura marítima, parecendo ser novo em folha.

Thalassa é um Cabo Horn 35 extremamente bem construído por dois amadores totalmente inexperientes, Álvaro Brant de Carvalho e seu pai, João Brant de Carvalho, em Santa Rita de Passa Quatro, Estado de São Paulo

O Thalassa é um belo exemplo de veleiro da classe Cabo Horn 35. Ele é tão bem construído e bem acabado que mereceu uma reportagem recente na prestigiosa Revista Náutica. Seu atual proprietário, Marcelo Augusto Balbo, é um apaixonado pelo Thalassa, ao ponto de ter criado um site/blog (veja em nossos links – Cabo Horn 35 Thalassa) onde conta seus planos e dá muitas informações sobre o veleiro, inclusive com ótimas fotos em alta definição. Thalassa está inscrito no cruzeiro da costa leste, de modo que desde já vamos ter muitas novidades sobre ele.

        O salão do Thalassa combina verniz com estofamento claro

Imaginamos que como todos os donos de Cabo Horn 35, Marcelo deverá sentir uma forte tentação de esticar o cruzeiro para um horizonte mais longínquo, mas isso já será outra história.

Utopia é o mais famoso veleiro da classe Cabo Horn 35. Em seu currículo consta uma volta ao mundo e o fato de ter sobrevivido a um furacão e a um tsunami

O veleiro Utopia é considerado o barco de sete vidas. Sua história completa é um livro de aventuras daquelas de tirar o fôlego. Ele foi construído em Guaraparí, Espírito Santo, por Fausto Pignaton, um construtor de caiaques de fibra de vidro. Batizado então com o nome de Guruçá, pouco após ter sido inaugurado saiu em um cruzeiro de longa distância com destino ao Caribe. Após passar toda uma temporada nas ilhas fazendo charter para ajudar a financiar a viagem, foi pego de surpresa pelo mais violento furacão que já assolara a ilha de Saint Martin, o devastador Louis, que ao atingir a laguna onde Guruçá procurou abrigo, de novecentos barcos ali estacionados, salvaram-se oitenta, mesmo assim nenhum deles ileso. Duas semanas após a catástrofe, depois de fazer pequenos reparos, Fausto voltou ao Brasil navegando em solitário, tendo feito o trecho de Saint Martin até Fernando de Noronha em vinte e um dias, uma excelente singradura para um marinheiro sozinho.

Utopia ancorado numa laguna em uma ilha do Pacífico Sul

De volta ao Brasil Fausto tornou-se uma celebridade, sendo convidado para entrevistas em emissoras de televisão e tendo sua fantástica história sido publicada em diversos veículos de mídia. Seu barco tornou-se objeto de desejo de muitos cruzeiristas, e como Fausto tivesse outros planos de vida, resolveu colocar seu barco a venda.
Foi somente propagar a notícia e logo o barco já estava nas mãos de um novo dono, o piloto de helicóptero Marco Cianflonne.

Marco, um aventureiro nato, desejava dar uma volta ao mundo em solitário, e foi exatamente isso que conseguiu realizar em grande estilo. Se um gato tem sete vidas, não sabemos dizer exatamente quantas vidas teria esse excepcional veleiro. Ao longo dessa viagem Marco colidiu com uma rocha submersa quando navegava em águas da Indonésia, foi atingido pelo tsunamy que devastou a Tailândia e grande parte do litoral das regiões banhadas pelo oceano Índico, além de ter sido atacado por baleias quase no fim da viagem, já no Atlântico Sul, e apesar de ter seu eixo de propulsão retorcido pelo impacto, retornou ao ponto de partida de sua circum-navegação por seus próprios meios. (Leia em CLUBE do Cabo Horn 35 um extrato do artigo que Marco escreveu para uma importante revista).

Em 2010 o Utopia estátão sólido como no dia de sua inauguração apesar de todos os sustos por que passou, e, agora em mãos de um terceiro dono, Manrico D’Alessandro, está pronto para enfrentar novas aventuras, começando pela Refeno 2010.

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Roberto Barros Yacht Design