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CURRUIRA 42

Festa da virada do casco da Curruíra 42 construído pelo estaleiro Flab.

No início de janeiro tive a grata oportunidade de estar em Campinas para participar de uma série de atividades técnicas e sociais no estaleiro Flab, culminando com a festa da viragem do primeiro casco em ply-glass de nosso trawler Curruíra 42.
Foi necessário para mim completar uma volta ao mundo para para participar deste evento, pois desde maio de 2007 nosso escritório está operando a partir de Perth, Western Austrália, e quando me mudei para lá, viajei via Santiago e Sidney, e agora retornei via Dubay, São Paulo.

Clientes e amigos – Fernando (Curruíra 46 “Rainha Janota”); Roberta e Nico (Curruíra 42 “Argenores”); Luis Gouveia; Joaquim (Southern Voyager 28); Rubens (Multichine 23 “Vida Dura”); Diana e Daniel (Samoa 34 “Zait”); Flávio; Roberto (Diamond 6.0 “Matisse”)

Apesar do cansaço pela longa viagem e das onze horas de diferença de fuso horário, somente chegar ao Estaleiro Flab já foi uma sensação muito agradável, já que ao invés de estar situado em uma região industrial, barulhenta, movimentada, cinza e poluída, o estaleiro fica em uma chácara toda arborizada em uma área rural próxima à cidade.  Os galpões, grandes e abertos para entrada de luz e ventilação natural, são altos e ainda assim se colocam de forma discreta na paisagem de forma a não agredir visualmente o local. Também chama atenção a limpeza e arrumação do local, coisas teoricamente básicas mas que somente os melhores e mais dedicados profissionais conseguem implementar em suas oficinas.  Atualmente o Flab está construindo cinco barcos de diferentes tamanhos, entre trawlers e veleiros, todos a partir de nossos projetos, e em breve mais um trawler de 46 pés será iniciado.

Ao entrar no galpão, o que chama a atenção é o tamanho do casco da Curruíra 42 (como os barcos crescem quando saem da tela do computador e tomam formas reais!).  Com uma boca generosa, seu volume interno é simplesmente imenso.  Mesmo de cabeça para baixo e com o interior ainda vazio, as anteparas estruturais já instaladas permitem visualizar a divisão dos principais espaços internos: a proa totalmente reservada para as acomodações de pernoite, a parte central do porão que será ocupada pelos tanques e casa de máquinas e a popa, onde será instalado o sistema de governo.  Externamente o casco mostra um desenvolvimento perfeito. Embora pintado apenas com um primer epóxi, está tão bem acabado que parece já estar com a tinta de acabamento final, com os chines desenvolvendo curvas muitos suaves e sem qualquer inflexão visível. 

Nos dias que antecederam a virada, eu e o Flavio, diretor dos Estaleiros Flab, fizemos várias reuniões técnicas a respeito de detalhes de projeto, e mais próximo da data da festa fiz outras reuniões técnicas com os vários proprietários dos barco que no momento estão em construção no estaleiro. Na véspera, uma sexta-feira, houve um jantar de confraternização, uma espécie de preparação de nossos corações para o grande evento do dia seguinte. 

No sábado de manhã o circo já estava totalmente montado; mesas, cadeiras, som, bebidas, a churrasqueira acesa e a Curruíra 42, a vedete do espetáculo, estática, apoiada nos dois pórticos como que esperando para realizar o ato principal da peça que iria acontecer a seguir.

Confraternizações, agradecimentos, discursos, fotos, um “Parabéns para Você” que não estava no script, pois embora não soubéssemos, o Flávio era aniversariante naquele dia, e finalmente chega a hora do grande show. Cada membro da equipe do estaleiro assume uma posição previamente combinada e, ao comando do maestro Flávio, começam a executar harmoniosamente sua parte no conjunto do espetáculo.  Inicialmente o barco é elevado até chegar à altura correta, quando, com a platéia em absoluto silêncio apenas se ouve o ruído das correntes das talhas em operação. Quando o casco chega à altura correta, começa a girar lentamente e ouve-se entre os presentes um murmúrio de expectativa, até que o convés assume uma posição vertical. Nesta altura parece que ninguém respira, e alguns segundos depois aquele casco lindo já está de cabeça para cima, como que flutuando no ar, pois quase não se percebe que a proa e a popa continuam apoiadas nos pórticos. 

Nessa hora algumas pessoas começam a bater palmas, mas logo param, pois percebem pela movimentação da equipe que o ato  ainda não está terminado.  O berço é colocado em baixo do casco e o barco vai descendo lentamente até estar firmemente apoiado.  Finalmente chega a verdadeira hora das palmas e confraternizações. O médico Nico, o proprietário do barco, deixa rolar algumas lágrimas de emoção e recebe muitos abraços.  Uma escada é colocada ao lado do costado, enquanto todos nós, seguindo os passos do Nico e do Flávio, vamos lá para dentro, sonhar com o interior quando estiver terminado, a praça de máquinas com motor e equipamentos instalados, a casaria ..., mas isso é uma outra história que teremos que contar mais para frente.  Por fim aparece o bolo de aniversário e todos cantam o “Parabéns para Você” oficial.

 

Tudo pronto para a virada

Festa no estaleiro Início da virada 45 graus Quase 90 graus

90 graus, convés

90 graus, casco Falta pouco Terminando a virada Descendo no berço Fim do Show, barco apoiado no berço Comemoração do Nico
 

Convés

Flávio, Nico e Luis  dentro da Curruíra Fim da festa, barco preparado para uma nova fase da cosntrução Sonhos futuros    


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