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MULTICHINE
28
História das Classe Multichine 28
A classe Multichine 28 foi lançada no início da década
de noventa, com a idéia de oferecer ao público entusiasmado
por cruzeiro a vela um barco barato e fácil de construir.
Era a época do congelamento das contas bancárias de todas
as pessoas, e de uma dura crise econômica. As pessoas não
estavam então com grandes planos de realizações que
requeressem investimentos pesados mas por outro lado mais de que nunca
sonhavam com alguma coisa que lhes trouxesse de volta aquela sensação
de liberdade perdida.
Há muito que Roberto Barros estava sonhando em desenhar um barco
simples, fácil de construir, barato e que ainda fosse um super
veleiro de cruzeiro, capaz de enfrentar qualquer mal tempo no oceano e
ainda ser confortável para se morar a bordo. Afinal era ele o primeiro
interessado em construir um destes barcos.
Em 1989 durante a viagem que realizou a bordo do seu então veleiro,
o Maitairoa, tendo como tripulação Eileen e Astrid Barros,
além do seu amigo e construtor de iates em aço, Roberto
Fuchs, em longas conversas ao cockpit, Roberto Barros expôs ao seu
amigo o conceito básico do que viria a ser posteriormente o MC28.
No entanto passaram-se três anos até que surgisse a oportunidade
para desenhar este novo modelo. O barco seria revolucionário muito
mais pela sua total simplicidade do que por oferecer inovações
mirabolantes. Estava prevista uma popa plana e vertical, um convés
corrido e um aproveitamento interno otimizado com sua utilização
desde a caixa da corrente de âncora até a parede do espelho
de popa. Inicialmente não colocamos plataforma de popa, mas quando
os construtores das primeiras unidades resolveram colocá-las por
conta própria, cedemos ao desejo da maioria e fizemos uma plataforma
suspensa que pouco trabalho trouxe a mais na construção
e que provou ser um primor de funcionalidade.
Antes que o projeto estivesse concluído, vendemos as primeiras
cópias para o nosso amigo José Manoel Gonzales Fernandes,
o Manolo, um espanhol cujos pais imigraram para o Brasil quando ele ainda
era garotinho.
Manolo era então um iniciante na vela, e talvez por causa disso
abraçou a causa do novo esporte com muito entusiasmo e dedicação.
A primeira providência que tomou ao adquirir os planos e que teve
uma grande influencia para o sucesso da classe, foi a escolha de um excelente
estaleiro para a construção, o Estaleiro Estrutural, de
Marcos Toledo, estabelecido na cidade de Cabo Frio, Rio de Janeiro.
Em um ano estava concluído o Sabadear, primeiro Multichine 28 a
ir para a água. Quando o barco chegou ao Rio de Janeiro, em sua
primeira viagem após sair do estaleiro, o sucesso do modelo foi
imediato. Todos queriam saber qual era aquele modelo de linhas tão
modernas e tão confortável internamente. Muitos perguntavam
de que país ele tinha sido importado, pois por aqui não
existia nada semelhante que se pudesse comparar.
Uma atitude gentil do Manolo foi um novo motivo para o salto que a classe
deu para a frente em curtíssimo espaço de tempo. Ele entregou
a nós do escritório uma chave da cabine do seu novo brinquedo
para que mostrássemos a outros interessados. O resultado foi quase
instantâneo. Todos que visitavam o barco mostravam interesse em
construir um deles para si, e as vendas saltaram para vinte cinco construtores
no primeiro mês desde a chegada do Sabadear à Marina da Glória,
no Rio de Janeiro.
Enquanto isso, Roberto Barros, junto com um amigo, Roberto Ceppas, resolveram
construir dois MC28 em conjunto, em um galpão do Ceppas, localizado
em Triagem, bem próximo do Estádio do Maracanã, um
lugar muito conveniente, pois fica a alguns passos de uma estação
do metrô, o que permitia visitas à obra saindo do nosso escritório
no centro da cidade sem grande perda de tempo.
Os dois barcos iniciaram suas construções em 1993 e trabalhando
inicialmente somente aos sábados, e mais adiante, sábados
e domingos, e novamente mais perto do fim da obra com a ajuda de um marceneiro
em tempo integral, o José Carlos Valério, os dois barcos
ficaram praticamente concluídos em quatro anos de trabalho. Então
eles foram levados para o clube São Cristóvão, um
centro de construção amadora na cidade do Rio de Janeiro,
para serem equipadas e lançados ao mar. Por ter mais dinheiro disponível,
Ceppas levou mais um ano para inaugurar seu barco. Roberto Barros demorou
bem mais ainda para lançar o seu MC28 Fiu, isto acontecendo em
maio de 2000. A ocasião foi muito festejada, pois o barco fora
convidado para participar do Rio Boat Show do ano 2000 como famoso barco
de cruzeiro, embora tudo o que tivesse navegado até aquela data
tenha sido umas míseras sete milhas náuticas. A recepção
que o barco teve por parte dos participantes do salão foi calorosa,
e até hoje este foi um dos pontos altos da história do Fiu.
Durante o salão náutico milhares de pessoas visitaram o
barco, que novinho em folha, fazia o maior sucesso. No término
do boat show a classe já passava dos sessenta construtores, e nunca
mais parou de se expandir.
Paralelamente dois outros Multichines 28 foram concluídos na cidade
de Recife, o Utopya do piloto da força aérea Breno Faria
Lima, e o Tatuamunha do paulista Fábio Orsini, dois fãs
da classe que construíram seus barcos com muito capricho e dedicação.
Sendo grandes amigos, eles decidiram participar com seus novos barcos
na regata Recife-Fernando de Noronha do ano de 1999. Fábio sendo
um velejador iniciante resolveu convidar Roberto Barros para comandar
seu barco na que seria a velejada inaugural. O Tatuamunha terminou a regata
em trigésimo sétimo lugar em tempo real em mais de noventa
participantes, tendo feito o percurso em 48 horas, o que significa 150
milhas por dia, um ótimo tempo para um veleiro de 28 pés
de cruzeiro. Nesta prova havia sete barcos desenhados por nosso escritório
e por essa razão a comissão da regata instituiu o troféu
Cabinho, para o primeiro destes barcos que cruzasse a linha de chegada.
Apesar de ser um dos dois menores, junto com o Utopya, Tatuamunha foi
o vencedor desta premiação, fato efusivamente comemorado
pela tripulação.
Antes uma importante revista de iatismo fizera uma avaliação
da classe assinada pelo medalista olímpico Lars Grael. Nessa matéria
seus comentários foram tão eloquentes quanto às qualidades
deste modelo que o prestígio do Multichine 28 chegou às
alturas.
Já em 2002 o número de construtores chegava a cem e em 2004
está atingindo a marca de cento e vinte unidades em seis países,
sendo eles além do Brasil, Portugal, Argentina, Espanha, Grécia
e Estados Unidos da América.
Provavelmente em uns poucos anos mais, a classe Multichine 28 terá
um forte status internacional, um fenômeno nunca visto antes para
um projeto brasileiro.
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