Polar 65, nosso pequeno navio de expedições
O Polar 65 é um barco de cruzeiro muito especial. Essa poderosa máquina de ir a qualquer lugar breve estará dando razão para muitos comentários entre velejadores.
Afinal não existem muitos outros veleiros de quarenta e cinco toneladas capazes de encalhar numa praia e sair calmamente na próxima maré. Sua quilha pivotável quando em sua posição abaixada é uma peça de altura impressionante. (Veja foto abaixo.) Mas é essa mesma quilha, com seu moderno desenho hidrodinâmico, que garante ao Polar 65 um excelente desempenho no contravento, mesmo nas piores condições de tempo.

Sendo provido de dois motores e dois lemes, o Polar 65 pode manobrar em ancoradouros apertados com facilidade, por isso não necessita instalação de "bow thruster". Por outro lado sua elevada estabilidade (o Polar 65 é categoria A no critério de estabilidade da Comunidade Européia) permite que navegue pouco adernado, não importa como o vento esteja roncando lá fora. Essa característica, aliada a um interior bastante confortável, é a razão de esse barco ser tão adequado para ser usado como veleiro de expedições ou charter.
O engenheiro ucraniano Aleixo Belov foi nosso primeiro cliente a construir um veleiro desta classe. Sendo um velejador fora de série, poucos anos após se formar, Aleixo construiu o "Três Marias", um veleiro de trinta e seis pés em fibra de vidro com o qual empreendeu uma volta ao mundo em solitário. Ao retornar escreveu o livro "Em busca do Oriente" no qual relatou suas aventuras, incluindo seu encontro com a jovem velejadora americana Tânia Aebi, assim como uma visita à sua terra natal, a Ucrânia, então parte da União Soviética. Com esse mesmo barco Aleixo empreendeu duas voltas ao mundo mais, sempre em solitário, tendo escrito mais dois best sellers relatando essas viagens.
Agora com seu Polar 65 "Fraternidade" ele não pretende mais velejar sozinho e sim fazer uma fundação para instruir jovens na arte de navegar e outras atividades relacionadas.
Possuindo um estaleiro no fundo da baía de Todos os Santos, em Salvador, Bahia, Aleixo não encontrou dificuldade para construir o barco, tendo usado seus próprios soldadores na obra.
Visitamos seu estaleiro alguns meses atrás quando tiramos as fotos mostradas abaixo.
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Enquanto isso outro Polar 65 está sendo construído pelo estaleiro Metallic Boats, de Triunfo, RS. O "Mar de Cristal", segundo barco da classe, em breve terá seu casco virado de cabeça para cima. José Antonio Moeller, o proprietário do estaleiro, acredita muito no potencial de barco de charter para navegar em altas latitudes do Polar 65, e está planejando construí-lo em série, para isso já tendo se preparado para montagem empregando chapas cortadas por CNC, desta forma reduzindo custo de mão de obra e tempo de construção.
Moeler, nosso antigo parceiro, já construiu uma coleção de barcos de nosso escritório, sempre com uma qualidade muito alta. Por isso estamos prevendo que ele será muito bem sucedido nesta nova empreitada.
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| Polar 65, um novo conceito em desenho de veleiros de cruzeiro
A pouco mais de dois anos fomos procurados pelo engenheiro baiano//ucraniano Aleixo Belov, um velejador que completou três voltas ao mundo em solitário a bordo de um iate de 36 pés, para nos encomendar o projeto do novo barco que estava pretendendo construir, agora que não mais desejava navegar sozinho. Ele veio ao nosso escritório munido de um rascunho em papel manteiga com o esboço do barco que tinha em mente. Era um veleiro de aproximadamente 20m de comprimento com quilha retrátil pivotável, armado em ketch. Aleixo desejava construir um barco versátil, capaz de navegar em lugares de águas rasas, fora de alcance da maioria dos veleiros desse porte, e também enfrentar mal tempo quando velejando de proa, esperando que seu barco praticamente não adernasse nessas condições de navegação.
Ficamos contentes com o pedido e encaramos esse novo desafio com grande entusiasmo, pois há muito desejávamos desenhar um barco com estas características.
Aleixo já sabia que possuíamos uma longa experiência em projetos de veleiros de quilha retrátil. Talvez por isso muitas de nossas sugestões foram prontamente aceitas, ficando decidido que o novo barco, que iria se tornar um projeto de estoque, seria munido de dois lemes unidos a dois skegs com aberturas para dois hélices propulsionados por dois motores de 150hp. Até aquela data ainda não tínhamos visto aquela exata configuração em nenhum outro veleiro, mas acreditávamos na vantagem em manobrabilidade e controle de rumo proporcionada por dois lemes e dois motores, além de em caso de pane um ser o sobressalente do outro. Além disso os dois skegs iriam exercer a função de “keel coolers”, eliminando a necessidade de perfurações no casco para entradas dágua do mar para a refrigeração dos motores, uma solução muito conveniente
em caso de navegação em águas muito poluídas por detritos, ou quando o barco vier a ser encapsulado pelo gelo.
Especificamos uma quilha pesando 12 toneladas pivotando num pino de aço inoxidável com 200mm de diâmetro. Além das doze toneladas da quilha, ainda colocamos mais seis toneladas de lastro interno, que junto a uma generosa boca na linha dágua, asseguram uma excelente estabilidade. (Veja projeto Polar 65, dados técnicos, STIX, índice de estabilidade adotado pela União Européia.)
Desenhamos um arranjo interno para pernoite de até treze pessoas. Afinal um barco deste porte com suas características muito provavelmente deverá ser usado para charter ou para expedições e um número adequado de camarotes e banheiros é fundamental para um conforto adequado dos tripulantes.
O salão localizado na parte de ré do barco, possui duas mesas e um sofá em U, com espaço de sobra para abrigar toda a tripulação na hora das refeições. Além disso, ainda existe a boreste deste salão um compartimento exclusivo para servir de centro de rádio-comunicação e internet, ou área de trabalho em computador. Simetricamente a este compartimento está instalada a cozinha, tudo muito próximo e funcional. A casa de máquinas fica localizada sob o piso do ‘pilot house’ e todos os camarotes dão acesso a um corredor que circunda a caixa da quilha. Mesmo achando esse arranjobem funcional, acreditamos que cada construtor de um Polar 65 irá querer um arranjo interno personalizado, como já aconteceu com o Fraternidade, o barco de Aleixo Belov, o que no caso de barco metálico não é difícil de ser conseguido.
Após dois anos de trabalho intensivo o Fraternidade está na fase final de acabamentos e breve deverá estar navegando. Talvez por isso as pessoas estejam começando a descobrir o Polar 65. Uma nova unidade já está em construção na Metallic Boats, www.metallicboats.com.br, o estaleiro que mais fabricou barcos metálicos projetados por nós. Também fomos procurados pela prestigiosa revista de iates de cruzeiro francesa Loisirs Nautiques, que veio a publicar uma nota sobre este veleiro em seu número de outubro de 2007, que reproduzimos abaixo. Com essa divulgação o interesse pelo projeto aumentou significativamente e tão logo o primeiro Polar 65 estiver navegando, esse interesse com certeza deverá aumentar ainda mais.

Em tempos de aquecimento global e com a esperada alteração do clima que deverá trazer maior incidência de tempestades em todas as latitudes, um barco com as características do Polar 65 poderá ser uma boa opção para muitos cruzeiristas, ou comandantes de barcos de charter. Por essas razões ficamos tão contentes com a oportunidade de piojetar o Polar 65, um barco para as próximas gerações.
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