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SAMOA 29
Poucos barcos de nosso escritório têm a importância do Samoa 29. Projetamos este veleiro em 1976 como uma máquina de regatas na classe Half ton da I.O.R., a mais importante em sua época. O Brenda, primeiro Samoa 29 a ser concluído, venceu a maior parte das regatas em sua categoria no primeiro ano de uso e depois foi vendido para outro velejador mais interessado em usá-lo como barco de cruzeiro. As ótimas qualidades marinheiras do modelo abriram as portas para uma nova carreira como um super barco de cruzeiro. Para melhorar as características de cruzeiro do projeto, redesenhamos o arranjo interno e o plano de convés, dotando o barco de um confortável interior e uma cabine com pé direito acima de 1,80 m se estendendo ate os beliches de proa. As novas unidades concluídas repetiram o sucesso do Brenda, mas curiosamente, algumas continuaram ganhando regatas, como o "Tatina", em Porto Alegre e o "Eu que Fiz" no Rio de Janeiro. A fama de bom veleiro logo se espalhou por todo o Brasil e até no exterior foi construída uma unidade. Quando o Boré foi concluído pelo Estaleiro Mordente em Guaíba, Rio Grande do Sul e seu dono, o baiano Ailton Sampaio foi buscá-lo e fez uma viagem magnífica ate Salvador, tendo escrito uma deliciosa reportagem, publicada em uma de nossas revistas náuticas, a boa fama do projeto explodiu de vez, Tanto sucesso gerou um fato inusitado em nossa náutica. Vários interessados começaram a se unir para produzir formas em fibra de vidro para em seguida fabricar séries limitadas em forma de cooperativa, de forma a baratear custos de produção. Assim se formou um sindicato em Salvador e em seguida mais dois no Rio de Janeiro. As três formas fabricadas produziram mais de trinta unidades, quase todas de excelente qualidade. Somados aos fabricantes individuais a flotilha ultrapassou as cinquenta unidades, e o prestígio da classe não parou de subir. Como última fase na carreira do projeto, vários Samoas 29 saíram ou estão saindo para grandes cruzeiros, alguns com planos de dar a volta ao mundo. Quando recentemente lançamos o Samoa 30 um barco igualmente de boa performance e excelente conforto, mas bem mais moderno em conceito, resolvemos retirar de nosso catálogo o projeto dos Samoa 29, pensando principalmente em incentivar o surgimento de uma nova flotilha do barco recém lançado. O que não esperávamos foi a reação de muitos proprietários de Samoa 29, que ao tomar conhecimento de nossa decisão, protestaram veementemente, não aceitando que incentivássemos o desenvolvimento da flotilha Samoa 30 em detrimento da classe que consideravam como um patrimônio. Agora que a classe Samoa 30 já se tornou igualmente prestigiosa, principalmente devido a fantástica viagem do veleiro "Alvidia", construído na Austrália, estamos reintroduzindo no catalogo este nosso projeto, justamente aquele que tem o maior numero de barcos navegando, o Samoa 29, com suas mais de cinquenta unidades concluídas. O principal segredo do sucesso do Samoa 29 está em seu plano de linhas. Uma entrada d’água extremamente fina como nos moderníssimos veleiros da regra I.M.S. e linhas d’água em forma de gotas d’água invertidas, seu "shape" estava à frente de sua época e consequentemente garantiam uma performance de causar surpresa. Aliando-se as formas muito especiais do casco a uma muito agradável divisão interna o barco só poderia ter uma carreira brilhante. Começamos com uma cabine de proa com beliches em V podendo formar uma cama de casal. A ré deste camarote colocamos um banheiro indo de bordo a bordo, com pé direito no centro para permitir banho de chuveiro sem se curvar. Seguindo para trás, uma antepara incorporada a coluna do mastro, separa o salão principal do banheiro. Este salão apresenta uma dinete em L a bombordo e um sofá a boreste. Próximo à gaiuta principal ficam a cozinha a bombordo e uma mesa de navegação do outro lado. Um beliche tipo "quarter berth" a boreste completa as acomodações. A área vélica do Samoa 29 é compatível com a origem regateira do projeto. Um mastro alto e uma retranca relativamente curta dão uma relação de aspecto ideal para um bom desempenho no contravento. Em cruzeiro a esteira da vela grande sendo modesta facilita o "jibe" e ajuda a manter o leme sob pouca pressão, mesmo em ventos fortes. Em tempo. O Brenda, Samoa 29 número um, foi vendido por seu segundo dono no ano de 1997. Nosso cliente voltou ao escritório para adquirir os planos do Cabo Horn 40, pois sua família estava desejando um barco maior. O novo proprietário foi navegando para o Paraná, onde o barco se encontra atualmente. A grande surpresa foi a volta do Brenda às raias de regata do calendário paranaense. Após todos esses anos, o barco de cruzeiro famoso ainda é super competitivo, deixando atônitos muitos proprietários de modernas máquinas de competição. |