Green Nomad em movimento

Depois de quase 2 anos passados entre Parati e Ilha Grande resolvemos que este ano eu não iria para a Antártica em ações ambientais com a ONG Sea Shepherd e que era chegada a hora de seguir caminho com o nosso Kiribati 36 Green Nomad.

Depois de algum tempo passado em Sítio Forte, na Ilha Grande, aproveitamos uma pequena frente fria para ir até Buzios. e lá esperamos alguns dias com ventos de Nordeste de até 30 nós pelas condições para prosseguir viagem.

Green Nomad em Buzios

Resolvemos sair com uma condição de calmaria e passamos o Cabo de São Tomé a motor, a umas 30 milhas da costa, e já sabíamos que depois do Cabo teríamos umas 20 horas de ventos contrários de Nordeste, e durante esse período avançamos lentamente no rumo de Vitória, pois como estávamos bem afastados de terra tínhamos espaço para andar para Noroeste.

Pela manhã do segundo dia estávamos bem em frente a Vitória, e o vento já acalmava e em pouco tempo o esperado vento de SSW chegou e cresceu lentamente de intensidade até uns 25 a 30 nós, e a partir daí tivemos ventos favoráveis de S e SSE até a chegada em Camamu, na Bahia.

Estamos agora ancorados num local muito bonito, entre as Ilhas do Campinho e Goió, uma área de manguezais e com algumas praias de coqueiros.

Baía de Camamu

A viagem serviu para mostrar que o barco é bastante equilibrado mesmo em tempo forte, com um comportamento fácil no leme com o vento em popa, com umas descidas de onda bem rápidas que os dois lemes controlavam com facilidade. O piloto automático controlou o barco muito bem, e como nosso dog house é bem amplo e com um fechamento por trás também, a viagem transcorreu com bastante conforto.

As camas para navegação ficam nos sofás da sala, e como existe bastante espaço entre o encosto e o casco, esse local, além de ter o menor movimento, também é muito silencioso.

Fomos visitados por golfinhos e baleias diversas vezes, e pela rota bem distante da costa que escolhemos, estando a mais de 70 milhas de terra, essa foi muitas vezes a única companhia que tivemos.

Uma boa mudança nesta viagem foi que a Marli descobriu um novo remédio para enjoo chamado Bonine, e com ele se sentiu tão bem que pode cozinhar normalmente, até fazer pão. Antigamente para chegar a esse estágio numa viagem eram necessárias quase duas semanas, resultando que só em travessias bem longas ela podia começar a se sentir bem.

Padaria em alto mar

Pão de centeio no Green Nomad

Vamos continuar seguindo, mas o passo da viagem é o local que dita, se gostamos ficamos mais. Fizemos amizade com vários barcos de cruzeiristas estrangeiros, e infelizmente todos tem o mesmo problema, só 3 ou 6 meses de visto para permanecer no Brasil não são suficientes para conhecer e aproveitar toda a costa, e com isso quem perde também são as populações locais, pois normalmente a troca de experiências com esses navegadores é muito apreciada pelos habitantes dos povoados pequenos.

Aqui na baía de Camamu estamos encontrando um estilo de vida bem autêntico, com um passo que nos agrada, sem correrias. Para mandar este artigo fomos de bote com um Ipad até a beira de um manguezal, onde se pode ter uma visada direta para a pequena cidade de Camamu, e lá conseguimos um sinal de celular, de onde mandamos o email para o Cabinho e o Luis Gouveia.

Internet só no mangue!

Segurança no trânsito!

No dia a dia usamos nosso sistema de email via rádio SSB, com um modem Pactor III. Tambem conseguimos receber arquivos com informações sobre o tempo pelo mesmo sistema.

Em breve teremos também um pequeno filme que estamos editando com trechos da viagem.
Seguiremos mandando boletins dos cantos sossegados do mundo!

Clique aqui para saber mais sobre o Kiribati 36