Multichine 34/36 Smoko - Construindo um barco para morar a bordo

Projetar veleiros de cruzeiro oceânico às vezes pode gerar histórias bem interessantes. Imagine como de outra forma seria possível uma equipe de yacht designers cariocas e um fazendeiro criador de alpacas em Dunedin, Nova Zelândia, se tornarem amigos? Esse é um dos muitos casos que aconteceram ao longo dos anos de nosso trabalho, quando o improvável acabou se transformando em uma bela história.

A comunidade de cruzeiristas de oceano é uma tribo facilmente identificável pelo seu estilo de vida. No geral são pessoas que não se importam à mínima com os padrões da sociedade, que trocam sem pestanejar um ambiente seguro e conhecido por uma vida de aventuras, fazendo a opção por morar a bordo e partir para grandes desafios, muitas vezes levando seus entes queridos, chutando para o alto as convenções sociais pelo menos por algum tempo. A história de nosso amigo neozelandês é um belo exemplo dessa atitude.

Howard Bennet, nosso cliente da Ilha do Sul que adquiriu o projeto do MC34/36, é dotado de uma determinação impressionante. Em um país onde mão de obra é muito cara, ele precisa contar com sua capacidade de trabalho para fazer praticamente tudo. Sua esposa, Noelle, é enfermeira, os dois juntando seus recursos para construir a nova vida. Como essa opção será a forma de viver na aposentadoria, esse é um caminho sem retorno. Smoko, o nome que deram ao barco, na gíria do país significa pausa para dar uma relaxada depois de um trabalho árduo.

Howard mantém um blog, http://www.nzcabinboy.blogspot.com, onde relata seus desafios na construção solitária do barco de seus sonhos. Ele até não atualiza as entradas muito regularmente, preferindo manter o foco no principal objetivo em vez de perder tempo contando suas experiências. Mas talvez por isso mesmo o blog tenha ficado mais interessante, relatando o que realmente ficou marcado na memória como mais relevante. Traduzimos um resumo de sua última postagem, onde relata a construção do interior e o início da fabricação da superestrutura, que publicamos em seguida:

Terminando o chapeamento do casco.

O layout do interior foi alterado para se adaptar à nossa realidade, que é a de ter apenas duas pessoas a bordo durante a maior parte do tempo, e só eventualmente ter convidados. Partindo desta premissa, decidi eliminar a parede que separa a cabine de proa do salão e adotar um arranjo mais aberto. O beliche de proa ficou mais alto do que os sofás da sala para facilitar seu acesso. Isso também aumentou o volume do compartimento sob o beliche. Como não há necessidade de um corredor de aceso à proa, decidi colocar o tanque d’água atravessado, próximo ao pé da cama. Ele será coberto por um estofado que irá permitir às pessoas se sentarem no salão em volta da mesa, que no nosso caso será desmontável.

No começo da obra de construção da mobília eu entrava no interior do barco pela plataforma de popa, galgava o espelho de popa e ia batendo com a testa nas estruturas transversais como se estivesse fazendo uma corrida de obstáculos tendo que passar por baixo das balizas. Definitivamente essa não era uma forma muito honrosa para se chegar ao salão. Por isso decidi me concentrar em construir o cockpit e a gaiuta de entrada antes de fazer qualquer outra coisa.

A carpintaria básica da cabine de popa já está quase concluída faltando apenas fazer os armários junto ao costado de bombordo.

Outro marco na construção foi o início do fechamento do convés de proa. Será necessário não perder tempo, pois preciso ter a superestrutura revestida de fibra de vidro antes desse inverno, pois o epóxi para impregnação da fibra de vidro não catalisa direito a baixas temperaturas.

Hoard e Noelle Bennet estão construindo um excelente MC 34/36

Smoko deverá estar navegando ainda esse ano. Howard e Noelle são muito competentes e estão fazendo um belíssimo serviço. Eles irão se juntar ao clube de construtores de MC34/36 onde existe uma galeria de barcos para ninguém botar defeito.

O interior do Arakaê, um MC34/36 construído em Foz do Iguaçu por Pedro Tremea.

Um casal, um barco, o céu e o mar. Serenata, o MC34/36 de Marcelo Brasil navegando no Oceano Atlântico, timoneado solenemente pelo piloto automático.

Como diz a canção: se tudo que é bom a natureza dá, pra quê que eu quero trabalhar...

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