Multichine 28 - Velejada inaugural do Ipê

Aconteceu em março mais uma inauguração de um veleiro MC28. Desta vez foi o Ipê, construído pelo casal de arquitetos Vitor Moura e Luciana Alt. O Ipê foi feito em Belo Horizonte, bem longe do mar, o que por si só já é bem fora do usual. No entanto, isso parece ter sido o grande desafio do casal, pois sua qualidade de construção supera facilmente a de muitos barcos construídos à beira d’água. Vitor nos passou um e-mail contando a primeira experiência, e por suas palavras podemos ver que foi boa:

Velejamos com o Ipê no sábado!!!!!!! 
Saímos às 15:30hrs do Jurujuba em direção à Icaraí, a motor. Logo subimos a vela grande, depois a genoa... Foi bem fácil. Desligamos o motor e aí realmente o Gênio saiu da Lâmpada!!! O barco começou a deslizar, sem barulho, o vento devia estar a uns 12 nós (ainda não temos medidor...) Delícia a sensação de ficar sem barulho!!!! No GPS a nossa velocidade era de uns 5 nós. Cambamos pela primeira vez, foi fácil a manobra, e pegamos um bordo direto para a Barra da Baía! Aí o vento foi aumentando, ajustamos as velas, o barco adernou mais, e chegou a 7 nós!!!!! Foi incrível! Ele adernou somente 15 graus com essa velocidade, segundo o medidor da bússola. Andou rápido, leve, o leme sem nenhuma resistência, como um laser!!! Chegamos perto do Pão de Açúcar, atravessando o canal balizado. Como estava um pouco tarde chegamos na Barra e voltamos para o Jurujuba, sentindo já as ondas longas de alto Mar entrando na Baía, também voando com as velas. Ficou uma vontade danada de entrar no Mar aberto com o Ipê, mas ficou pra próxima... por prudência.

Chegamos perto do Clube à vela, a Lú no leme camba e acha os bordos exatos com uma precisão incrível! Ela veleja de laser desde sete anos de idade! Quando estávamos já perto da Marina baixamos as velas e ligamos o motor. Andamos um pouco, aí o alarme de temperatura tocou. Desligamos logo o motor. Fui ver o que era e a bomba de água estava pelando, a mangueira derreteu logo perto da sua saída. Ao que parece agarrou alguma coisa, tipo um saco plástico, no flange de entrada... Ficamos sem motor, mas estávamos perto e jogamos o ferro de 16Kg com o guincho, pela primeira vez!!! O barco parou e ficou assentado, seguro. Ancoramos em 4 metros de profundidade, usando uns 12 ou 15 metros de corrente... coisa que aguentaria uma pancadaria danada! Ontem ligamos outra vez o motor e estava ok, mas parece que o rotor foi pro beleleu, pois não estava puxando água. O alarme, soando bem a tempo, poupou não só o motor, mas todo o sistema de escape e waterlock, que ficou perfeito.

Claro que não ligamos outra vez o motor e pedimos um reboque com o bote do Clube. Entramos na vaga sentindo que o Ipê queria também testar a âncora, dizer que, antes de mais nada, é um barco a vela, ver se somos safos, precavidos, e pedir um pouco de respeito com a força do Mar... Acho que passamos no primeiro teste dele, parece que o barco já tem uma certa personalidade, como outros por aí, quer nos ensinar.

Foi o primeiro dia com velas na vida do Ipê. Estamos mais do que satisfeitos e agradecemos muito o trabalho de vocês!!!! É um barco forte, leve, ágil!!!!

Nossa resposta foi bem calorosa também. Afinal nos sentimos com o direito de sermos considerados membros desse seleto clube de construtores de MC28, pois construímos o Fiu, no qual moramos a bordo por dois anos e meio, usando-o intensamente:

Que emoção! Pouca gente faz idéia do que isso representa para vocês. Tantos anos de trabalho e dedicação! Sei bem o que isso significa porque também passei por toda essa experiência.

Para mim é um alívio saber que a confiança que vocês depositaram na gente não causou decepção. Não tem muito suspense porque o barco já é conhecido, mas é como ser apresentado a uma pessoa, e depois conhecê-la intimamente. Muda bastante!

Sinceramente acho vocês uns dos construtores que mais estudaram os detalhes do MC28. Em minha opinião o Ipê ficou perfeito.

Mas olha só, apesar de conhecer bem o modelo, quero aprender com vocês tudo que irão descobrir sobre ele.  Conhecendo seu espírito de aventura estou imaginando que muita água irá passar por baixo da quilha do Ipê. Acredito que esse barco é o modelo de tamanho perfeito, nem grande nem pequeno. Mas é isso que desejo saber se vocês chegarão à mesma conclusão.Um dia teremos essa resposta.

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Aonde exista um MC28 em uma comunidade náurica esse barco vai se tornando um ícone como veleiro de cruzeiro de oceano. Esse prestígio vem se consolidando ao longo dos anos e é ardentemente defendido pelos proprietários dos barcos da classe. Por essa razão é muito improvável encontrar um MC28 à venda. Na verdade a classe está se expandindo rapidamente, tanto em números quanto geograficamente. Estamos frequentemente recebendo notícias de inaugurações de MC28, o Ipê sendo o mais recente deles. Outros barcos da classe lançados à água recentemente estão fazendo sucesso em suas localidades. Em seguida mostramos alguns deles:

Vagamundo é outro MC28 com o casco pintado de amarelo. Parece que a cor virou moda entre os construtores do modelo. Ele é um bom exemplo de como um projeto pode ser adequado para fazer longos cruzeiros e se viver a bordo. Seu dono, o mergulhador de águas profundas Ricardo Costa Campos, mora e dá aulas de vela de oceano a bordo.

Bagual é um MC28 novo em folha. Essa foto foi tirada no dia de seu lançamento à água, sendo a primeira vez que seu dono, Fabio Fabris Fabris pisava a bordo com o barco já boiando.

De Capitani é outro novíssimo MC 28. A pintura do casco ficou uma coisa de cinema, mal dando para ver que o casco é um multichine. De Capitani e Bagual compartilham a mesma ancoragem no Saco da Ribeira, Ubatuba.

Dave Cross está nos finalmente da construção de seu MC 28 que está sendo construído em Tacoma, Estado de Washington, Estados Unidos. O barco está sendo construído com tanto capricho que com certeza irá chamar atenção quando for para a água, provavelmente ainda esse ano.

Os paineiros ficaram incrivelmente bem feitos e já estão devidamente instalados.
A porta com dobradiça em baixo na bancada da cozinha é o acesso à lixeira.

Esse MC 28 chama-se Safo. Claudine Franco, seu proprietário o construiu na cidade de São Paulo. Ele pretende viajar até o Mediterraneo tendo como meta a ilha de Capri. Do jeito que o Safo está bem construido a viagem deverá ser um sonho.

O conceito do projeto do MC28 prioriza o conforto interno em travessias oceânicas ou para quem deseja morar a bordo.

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