Pop 25 Solaris enfim velejando

A comunidade de construtores de Pop 25 vem crescendo em ritmo acelerado. As pessoas vão fazendo seus barcos colocando todo o entusiasmo em seu empreendimento e muitos desses construtores estão nos estágios finais de suas obras. No entanto, como o projeto é relativamente recente, somente agora, na primeira metade do ano de 2014, os primeiros barcos da classe vão ficando prontos. É compreensível, portanto, que exista uma grande curiosidade quanto ao real desempenho do barco navegando.

Roberto Barros cumprimenta Fernando Santos no dia da chegada do Solaris à Marina da Glória. Nesse dia o mastro ainda estava sobre a cabine. Foto: Murilo Almeida.

Quando decidimos criar o projeto do Pop 25 desejávamos realizar algo realmente novo em relação ao conceito de veleiro oceânico de baixo custo e cujo processo construtivo estivesse ao alcance da construção amadora. Fazer alguma coisa verdadeiramente diferente em nossos dias não é fácil. O mais provável é que a novidade não seja uma boa idéia e o projeto não dê certo. No entanto nós estávamos em uma situação complicada. O escritório tinha se transferido para a Austrália, um país onde éramos quase totalmente desconhecidos.

Essa foto mostra bem o volume do Pop 25. Ele está encaixado entre um veleiro de 32 pés e outro de 36 pés e a diferença entre os três parece ser pequena. Foto Roberto Barros.

O Pop 25 foi o primeiro projeto que desenvolvemos depois da mudança de país. Naquele momento estávamos em uma encruzilhada. Se não desenhássemos um veleiro que atraísse o interesse internacional, não adiantaria fazer um novo projeto e não encontraríamos interessados. Foi então que decidimos arriscar e sair para o projeto de um veleiro de cruzeiro oceânico de vinte e cinco pés de comprimento com potencial para fazer travessias com um bom grau de segurança, uma raridade no mercado náutico. Foi essa a história do nascimento da classe. Hoje já temos dezenas de barcos em construção nos mais diversos países e agora com os primeiros deles navegando e sabendo como navega o modelo, estamos confiantes que daqui para frente a classe só tenderá a se expandir.

A filha do Fernando veio conhecer o Solaris dentro d’água no dia da chegada do barco à marina. É difícil acreditar que seja apenas um 25 pés. Foto: Murilo Almeida

Temos boas notícias dessa primeira velejada do Solaris. O Pop 25 é muito melhor e muito mais surpreendente do que poderíamos ter imaginado. Ele navega muito rápido, quase não aderna, orça bem pra caramba, o leme é absolutamente neutro e super sensível ao comando. Ele velejou muito bem quase sem vento e quando entrou o costumeiro leste do início de tarde, soprando um força 5 medido no anemômetro, chegou a atingir 6.3 nós no contravento, velocidade medida pelo GPS. Verificamos que ele camba pela proa só de vela grande, camba melhor ainda de grande e buja, e o mais surpreendente é que camba numa boa de vela grande e gennaker. Essa foi uma grande surpresa, uma prova definitiva de que é rápido mesmo, tendo velocidade para enfrentar uma cambada saindo do través. O lift do barco é muito bom, mas o desempenho no contravento, apesar de termos achado fora de série, ainda terá que ser avaliado navegando ao lado de outros barcos de cruzeiro de aproximadamente o mesmo tamanho para que tenhamos um bom termo de comparação. Outra verificação impressionante foi a constatação de que podíamos largar o leme e ele seguia em linha reta como se fosse uma flecha, mantendo o mesmo rumo pelo tempo que quiséssemos. 

O moitão de retorno da escota da buja e a catraca das escotas. O banquinho com almofada fazendo parte do púlpito de popa foi uma idéia do construtor que ficou bem confortável. Foto: Roberto Barros

O barco não deriva praticamente nada, parecendo um monoquilha. Também, como já citamos acima, quase não aderna. Fernando serviu cerveja ao sairmos da marina e cada um de nós deixou seu copo no assento do cockpit, e ali ficaram os copos até o fim da velejada sendo regularmente reabastecidos. Nunca vi isso antes em um monocasco! No inclinômetro, com o barco andando a mais de seis nós no contravento força 5, o ângulo de adernamento chegou a 5° no máximo, a maior parte do tempo não passando de 2°. Essa é difícil de acreditar, mas quem velejar nele vai ver que isso é verdade. 

Solaris navegando com vento de proa. Quase sem adernar o barco atingiu 6.3 nós de velocidade medida no GPS em um vento de força cinco na escala Beaufort, o que é surpreendente para um veleiro de 25 pés. Foto: Roberto Barros

Estamos comemorando muito o bom desempenho do Pop 25. Foi complicado projetar um barco realmente diferente em pleno século 21, quando a impressão que se tem é que se alguma coisa não for realmente muito inovadora, com certeza ela já foi experimentada. Agora o novo desafio será avaliar com exatidão o resultado de nossas experiências e agregar à nossa bagagem os conhecimentos adquiridos com o projeto.

O Pop 25 é realmente bastante diferente dos outros veleiros de seu porte. A idéia de fazer um fundo bem largo colocando as quilhas em suas beiradas foi um gol de placa e é sem duvida o que o projeto tem de mais especial. Os tradicionais bi-quilhas, tão populares no Mar do Norte, são barcos muito ruins, que orçam mal, navegam mal e manobram pior ainda. O pop 25 não ficou com nenhum desses defeitos. Na verdade nem se desconfia que tenha duas quilhas.

As almas das quilhas serem em chapa trouxeram dúvidas em alguns pessimistas de que não produziriam lift suficiente, mas essa suspeita foi infundada. O Pop 25 tem sustentação dinâmica equivalente aos outros veleiros de cruzeiro de uma só quilha. Isso ficou absolutamente confirmado. Como o barco aderna muito pouco, o ângulo de 12° entre as quilhas e a linha de centro vertical do barco irá proporcionar um potencial de desempenho sem comparação no vento mais forte, uma vez que até atingir doze graus de adernamento a eficiência da quilha de sotavento só melhora. Outra astúcia do projeto, poder se apoiar nas quilhas para fazer manutenção de fundo usando a variação de maré, esse ângulo de 12° também é vantajoso porque coloca os bulbos bem afastados, deixando o barco bem estável quando apoiado apenas em seus dois bulbos.
O lead do Pop 25 talvez pudesse ser um pouco menor, pois o leme é bem neutro. Mas como é muito sensível e está respondendo otimamente em manobra, isso acaba sendo uma vantagem, pelo baixo esforço para timonear e pouco consumo de eletricidade quando o barco estiver navegando no piloto automático.

Em nossa velejada demos só uma cambada no contravento, quando já estávamos fora da barra da Baía de Guanabara, já com um vento bem firme e uma forte maré de proa. Ele cambou a cem graus, mas acho que nessas condições qualquer outro barco também cambaria mais ou menos com o mesmo ângulo. Por isso desejamos ver o Solaris competindo em uma regata de clube, uma vez que sendo um veleiro de cruzeiro, obviamente não é adequado para competir em um Grand Prix. Então saberemos como orça comparando com outros barcos equivalentes. Mas nosso recado à galera que está construindo o Pop 25 é que temos razões de sobra para ficar contentes.

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Mas a classe Pop 25 não parou por aí. Ao mesmo tempo em que o Solaris saía para velejar, ficava pronto na Turquia outro barco da classe. O barco ficou tão exótico e atraente em seu acabamento que deverá chamar atenção por onde passar. Uma das coisas que os turcos costumam fazer com os nossos projetos, e fica super simpático é instalar vigias ovais no acrílico da janela oficial do barco. Dá um toque de classe inigualável.

Nosso cliente e amigo Ömer Kirkal, que também construiu um veleiro de nossa linha, o MC 26C Evrensel comentou no Face book que é um irmão do barco dele.

O pessoal de lá gosta da gente. Dá para ver por terem colocado o nome do projeto na popa. Isso é muito gratificante.

Agora é esperar por notícias sobre a velejada inaugural. Como já sabemos como o modelo veleja, estamos contando como certo recebermos boas notícias.

Mais um Pop 25 velejando. Esse foi feito na Turquia por Selim Karahan, com a colaboração de seu pai na construção. Não é que o barco ficou show de bola? Foto: Ömer Kirkal

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