MC41SK Bepaluhe, o barco da família

Escrevemos esse artigo para mostrar como a realização de um sonho de se possuir um veleiro de cruzeiro oceânico pode representar felicidade para uma família. O Bepaluhê é um bom exemplo disso. Numa época em que a vida nas cidades está cada vez mais desconfortável, possuir um barco de oceano capaz de transportar seus felizes proprietários e suas famílias para lugares paradisíacos onde os problemas do mundo moderno ainda não se instalaram, isso é um privilégio. O caso mostrado nessa matéria ilustra bem essa realidade.

O salão do MC41SK transmite a sensação de se estar em casa. Uma das coisas interessantes do projeto é o fato da caixa onde se abriga a quilha móvel, a tampa dessa caixa também servir como bancada para quem estiver trabalhando na cozinha.

Esse barco é uma experiência super interessante de um cliente do escritório B & G Yacht Design, Paulo Ayrosa Ribeiro. Ele é um médico paulista com grande paixão pela vela de oceano, tendo sido o primeiro a construir um MC41SK em alumínio, isso sendo uma realização de grande significado, pois foi no esporte da vela de oceano que encontrou a válvula de escape para as tensões de seu ultra solicitante trabalho profissional. Sendo uma pessoa competente em tudo que faz, coseguiu construir seu veleiro com uma qualidade e perfeição difícil de ser igualada.

Consideramos ideal o arranjo interno do MC41SK para cruzeiro em família. É um prêmio saber que nosso cliente Paulo Ayrosa Ribeiro está feliz com seu barco.

O MC41SK é um veleiro de grandes possibilidades. Ele é adequado para atravessar oceanos, pode navegar em lâminas d`água de dar inveja a veleiros com quilha fixa, além de poder abrigar uma família de cinco pessoas com muito conforto.

A matéria que segue é o conteúdo da mais recente entrada no blog do Bepaluhê, relatando a experiência de ter participado da regata Recife Fernando de Noronha de 2014, um dos sonhos que desejava realizar.

Paulo Ayrosa Ribeiro escreveu:

"Olha só que lindo presente eu ganhei do amigo Chagas (Veleiro Intuição).
Linda imagem feita do Bepaluhê navegando entre Salvador e Maceió em Setembro deste ano.

Advinha que barco é esse? É o Bepaluhê, o veleiro da família!

Demorou mas chegou! Foi preciso um pouco mais de tempo para amadurecer todas as experiências vividas durante esta Refeno e também conseguir escolher os trechos mais significativos desta maravilhosa velejada que fizemos. Mas o resultado final está aí, espero que apreciem:

http://bepaluhe.blogspot.com.au/

O que dizer de uma regata com 305 milhas náuticas, mar alto com ondas de 3 metros e ventos uivando entre 25 a 30 nós?
Só podemos dizer que fomos, curtimos, voltamos e nosso maravilhoso veleiro Bepaluhê esta inteirinho, sem nada quebrado! E olha que este ano teve de tudo, barco com mastro quebrado logo no início, lemes quebrados, naufrágio e muito mais ... No total foram 9 veleiros que não puderam completar a regata por problemas os mais diversos. Nós, que éramos marinheiros de primeira viagem e com uma tripulação pouco entrosada para regatas (dois casais tentando curtir o passeio ao máximo), até que ficamos contentes com nosso desempenho, em especial por termos resistido firme nos turnos, por termos chegado ilesos e por termos superado aquele marzão danado que Deus nos mandou.

Últimos preparativos antes da largada. Momento de emoção para a tripulação de calouros em regatas oceânicas.

Chegamos a Recife no dia 24/9 a tarde e fomos direto para o Cabanga Iate Clube onde o Bepaluhê nos esperava tranquilo em uma bela vaga que o amigo Comandante Sérgio Chagas (Veleiro Intuição) o havia colocado uma semana antes vindo de Salvador. No barco já estavam nos esperando os amigos e parceiros nesta empreitada, o casal Jairo e Claudia do Veleiro Nemo (Ilha Sul Náuticas), prontos para desfazer as malas e arrumar o barco para a “longa” travessia.

Aproveitamos para colocar as conversas em dia e curtir um pouco o ambiente. Terminamos o dia e começo da noite com uns petiscos e ostras frescas (que só eu comi pois os outros não gostavam de ostras) no bar da piscina do clube. E os dias foram correndo entre conversas e preparativos para a regata; fomos ao supermercado comprar os mantimentos para a viagem e passeamos um pouco, bem pouco, pela cidade. Dia 25/9 a noite fomos à grande festa de abertura oficial do evento seguida por jantar e baile. Voltamos cedo para o barco... E quando vimos já era sexta feira a noite, véspera da partida e a ansiedade já estava solta. Betinha preocupada em como iria enfrentar o mal estar e Claudia ansiosa com a grande aventura. Partiríamos na primeira largada, logo as 12:30 hs do sábado dia 27/9/14.

O casal Paulo e Betinha curtindo a primeira participação na regata Recife Fernando de Noronha, o programa mais divertido do calendário náutico da América do Sul.

                 

No início deu tudo certo, largamos bem, sem queimar e fomos lentamente (ventos de 14-15 kt) passando os outros barcos ainda dentro do canal do porto, mas de repente entrou um vento mais forte de 20 kt e nós arribamos muito para sotavento e este foi o erro. Quando dei a ordem para cambar a genoa não enrolou e fomos derivando perigosamente para cima dos molhes do fim do canal... Todos do grupo nos passaram e perdemos quase uma hora tentando nos safar dos molhes e recuperar o tempo. Erro de principiantes!!

Na sequência, o vento acalmou e tivemos muita dificuldade para conseguir chegar à boia que estava ao sul do ponto de largada. Nesta brincadeira perdemos quase 3 hs e nos estressamos muito. Quando finalmente consegui colocar o barco no rumo certo já passávamos das 15 hs e eu tinha uma tripulação com o moral lá embaixo e uma tripulante, minha querida Betinha, já mareada e vomitando sem parar. Devo dizer que estive por pouco para abandonar tudo e voltar para Recife. Mas Betinha foi forte e me permitiu seguir adiante.

Logo após montar a boia sul, com ventos ainda fortes na casa dos 25-30 kt, cruzamos com o primeiro veleiro avariado, um catamarã que havia quebrado o mastro, que dor! Fizemos contato no rádio, estavam todos bem a bordo e o socorro já fora acionado via rádio. Seguimos viagem um pouco preocupados com o que nos esperava.

Com a ajuda do amigo Jairo, que aos poucos fomos nos entrosando no controle das velas e do barco, conseguimos imprimir um bom ritmo noite a dentro e apesar do mar e vento grandes, o Bepaluhê se comportava como um verdadeiro trator do mares, cortando as ondas menores e surfando nas maiores. Com a quilha toda baixa, a vela grande no primeiro riso e a genoa com 2/3 seguimos com velocidades que variavam de 6 a 7 kt. Depois das 10 da noite rizamos um pouco mais a grande para dar mais conforto e permitir que um de nós descansasse um pouco. Fizemos turnos de 2 hs até o amanhecer. Betinha passava mal, não podia descer para a proteção do interior do barco pois piorava, passou a noite toda no cockpit, nauseada e vomitando, deitada no canto e tentando segurar a onda. Não tinha nem palavras para falar.

No dia seguinte, domingo 28/9, o tempo amanheceu lindo e aos poucos o moral a bordo foi melhorando e voltando ao normal. Durante o dia eu e Jairo nos divertíamos trinando as velas e tentando tirar o melhor do Bepaluhê que chegava a fazer 8-9 kt nas surfadas, devo dizer que daí pra frente fomos levando o o barco na ponta dos dedos (mentira, o piloto automático foi quem controlou brilhantemente o barco toda a viagem) e levei o Bepaluhê ao seu limite, como nunca havia feito antes. Tivemos períodos durante o dia com todo o pano aberto, barco bem adernado e desempenho excelente para um veleiro de cruzeiro equipado e pesado como o nosso. A segunda noite já foi mais tranquila, não no vento e no mar, mas na segurança que tínhamos no barco e no nosso desempenho. Betinha já estava um pouquinho melhor e pelo menos conseguia se hidratar, conversar um pouco e tinha palavras para jurar que “nunca mais”!

Fernando de Noronha, ilha encantada do Atlântico Sul. Visitar o arquipélago com seu próprio veleiro é o sonho de muitos cruzeiristas. Paulo Ribeiro planejou muito bem para que esse sonho se tornasse realidade.

Amanheceu dia 29/9 e tínhamos a certeza que os primeiros veleiros já estavam em Noronha, e nós ali ainda em busca do nosso destino. Por outro lado estávamos dispostos e cada vez mais felizes e seguros. Sabíamos de vários veleiros com avarias e desistências e este fato reforçava nossa alegria de estar chegando em Noronha. Passavam poucos minutos das 12:00 horas quando avistamos a Ilha de Fernando de Noronha ao longe, camuflada pela névoa que vinha do mar e refletiam nos raios solares. Daí até a chegada foi só uma questão de paciência. Às 15:31 montamos a ponta da Sapata! Às 16:29 cruzamos a linha de chegada no mirante do Boldró com 51 horas e 51 minutos ! Estávamos realizados! Cansados certamente, mas realizados e felizes pela conquista.

O nunca mais ficou para traz e abriu espaço para curtir a ilha pelos dias que se seguiram, mas isto eu contarei no próximo post...

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