Samoa 28 - Um veleiro para navegar sem fronteiras

Navegar em alto mar a bordo de um veleiro oceânico, seja em companhia da família, seja com amigos, ou mesmo em solitário, é uma das maiores sensações de liberdade que se pode experimentar. Se o barco tiver sido construído pelo próprio dono, o prazer proporcionado se ressalta, uma vez que o sonho de navegar se acumula durante toda a construção. Quando o barco finalmente é inaugurado o sentimento de realização de um grande desejo é imensurável. Casos assim são descritos nos blogs de clientes que construíram barcos a partir de nossos designs projetados para construção amadora, uma especialidade da qual nos orgulhamos de exercer desde longo tempo.

O Samoa 28 foi projetado para que jovens famílias possam soltar as amarras e realizar seus mais ambiciosos sonhos de aventuras náuticas sem nunca perder a sensação de estar navegando em um barco robusto e confortável. Cortesia: Moacir Ribeiro.

Já comentamos em artigo anterior que demos importância destacada ao comprimento total em torno de 28 pés, por achar ser esse o tamanho do veleiro universal. Esse comprimento total pode atender aos anseios de conforto e segurança para realizar qualquer tipo de aventura, estando ao alcance de um maior número de pessoas com poder aquisitivo para construí-lo.

Conclusões desse tipo muitas vezes são resultado das próprias necessidades. Quando minha esposa Eileen e eu viajamos do Rio de Janeiro até o Pacífico Sul a bordo de um veleiro de 25 pés, com apenas 1,90m de boca, ao chegarmos na Polinésia Francesa concluímos que o barco, mesmo sendo robusto e bom veleiro, era pequeno demais para se viver confortavelmente nele. Por isso decidimos vendê-lo para um francês que se tornou grande amigo nosso, voltando para o Brasil para construir um novo veleiro, dessa vez com 30 pés de comprimento total. Esse barco, o Maitairoa, foi construído com muito capricho, e acabou se tornando um marco em nossas vidas, com ele tendo realizado travessias inesquecíveis pelo Atlântico Sul e Oceano Austral. Então cometi um erro muito comum, o de querer mais ainda sobre algo que já estava bom. Desenvolvemos um projeto, o Cabo Horn 35, esse um veleiro para ninguém desejar trocar, e o projeto foi um sucesso, inclusive um deles tendo realizado a volta ao mundo. Mas foi então que descobri que meus rendimentos não eram suficientes para fazer esse super iate. Foi ainda a bordo do Maitairoa, como também já foi contado em uma reportagem anterior, que o esboço do nosso mais popular veleiro de oceano, o MC28, foi definido. Esse barco deu dentro de meu orçamento como uma luva, e sobre ele, o Fiu, publicamos muitas matérias, o projeto se tornando o best seller dos veleiros oceânicos projetados por nosso escritório.

Mas um escritório de yacht design não para nunca para. Precisávamos ter uma segunda opção de veleiro com 28 pés de comprimento, esse para atender às pessoas que preferem cascos redondos aos polifacetados, como é o caso do MC28.

A construção do casco do Samoa 28 em sanduiche de strip-planking é bem fácil de ser realizada. Primeiro se colocam balizas transversais sobre uma base plana. Em seguida unem-se essas balizas com sarrafos, colando-os uns aos outros. Então o casco é revestido externamente com uma laminação de fibra de vidro, virado de cabeça para cima, e internamente é realizada outra laminação, resultando em um casco muito leve e rígido. Na região da quilha, como se pode ver no desenho, a laminação é reforçada.

Assim nos preparamos para desenvolver o projeto do Samoa 28, um barco para agradar aos olhos do mais exigente dos clientes, o que prefere os cascos redondos. Projeto novo, ideias novas.

Samoa 28, o veleiro que projetamos para permitir que jovens famílias possam usufruir a sensação de liberdade proporcionada por um autêntico iate de cruzeiro oceânico.

Como sabemos que o segredo do sucesso da construção amadora reside na facilidade de construir o casco, uma vez que concluída essa etapa não há nada que diminua o entusiasmo para seguir em frente, optamos pelo processo construtivo "sanduiche de strip-planking", uma fórmula sem mistérios, uma vez que as balizas construtivas são fornecidas em tamanho natural, e ripas de madeira ou de espuma de PVC são banais de serem pregadas às balizas e coladas ums às outras.

A aplicação dos strips sobre as balizas é uma operação relativamente simples e muito empolgante, pois o resultado do trabalho vai aparecendo e o construtor fica reconhecendo seu futuro barco. Cortesia: Bernardo Sampaio.

O tempo tem demonstrado que estávamos cobertos de razão. Cada cliente nosso que termina a construção de um casco tem seguido em frente até terminar a obra. Alguns criam blogs para documentar seu trabalho, esses blogs, sempre que somos informados, possuindo links de nosso site. Por meio desses blogs temos podido acompanhar várias dessas obras, o que é muito gratificante. E então vem o dia do lançamento, um dos momentos mais felizes nas vidas de nossos construtores.

O salão do Samoa 28 é muito amplo para um veleiro de 28 pés. Seis pessoas podem sentar-se confortavelmente em torno da mesa. Ainda existe uma profusão de armários atrás dos encostos da dinete com volume para guardar todos os pertences da tripulação e muito mais. Cortesia: Vinicius Suppioni.

A razão pela qual sentimos firmeza em projetar o Samoa 28 reside principalmente no fato de eu e minha esposa termos morado a bordo do veleiro MC28 Fiu por mais de dois anos e termos navegado muitas milhas em mar azul com ele. Embora o projeto fosse outro, o tamanho era praticamente o mesmo, e ao realizar o novo projeto incorporamos praticamente todas as ideias que deram tão certo no primeiro barco, enquanto aproveitamos para aperfeiçoar alguns detalhes que a experiência nos ensinou ser possível reconsiderar. O importante é que esses dois projetos veem fazendo carreiras vitoriosas, o Samoa 28 surpreendendo pelo número de barcos construídos.

Esse Samoa 28 tem a porta de acesso ao camarote do proprietário construída em duas folhas unidas por uma dobradiça de piano. Essa ideia é boa porque deixa a metade da parede que separa o hall de entrada do compartimento do motor livre para ali poder ser instalado o carregador de bateria/inversor. Cortesia: Vinicius Suppioni.

Sabemos que nossos construtores estão felizes e orgulhosos com suas realizações, mas para realmente darem o verdadeiro valor às qualidades de seus Samoas 28 é legal que sejam convidados para velejar em outros barcos de aproximadamente o mesmo tamanho, especialmente em passagens mais prolongadas. Sabemos que isso é raro acontecer, pois afinal, tendo o seu, não precisam velejar em barcos dos outros. Mas quando isso acontece é comum nos comunicarem ter descoberto que seus barcos são mais suaves no mar de proa, adernam menos, têm melhor controle de leme e são melhores para se viver a bordo, seja quando ancorados, seja em alto mar.

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