Dinghy Andorinha Fioravante

Uma Andorinha só não faz verão, diz o ditado. Mas no caso de nosso dinghy Andorinha, um de nossos mais populares projetos para construção amadora, o ditado não funcionou muito bem. Esse está sendo o caso de nosso amigo brasileiro/canadense Beto Roque e o seu dinghy Andorinha Fioravante.

Kit de montagem completo do dinghy Andorinha Fioravante. Esses painéis podem ser cortados por máquina de corte por CNC, ou com a serra tico-tico, o que é de graça e quase não dá trabalho. Cortesia: Beto Roque.

Conhecemos o Beto, e nos tornarmos bons amigos, quando ele adquiriu nosso veleiro MC28 Fiu em 2007, o ano em que o escritório se mudou do Rio de Janeiro para a longínqua cidade de Perth, Austrália Ocidental. Soubemos então que ele costuma passar o tempo que dura o inverno canadense em Floripa, pois afinal ninguém merece sofrer as agruras do inverno daquele país. No entanto, quando chega a primavera do hemisfério norte voa para Calgary, Alberta, onde possui residência, em um lugar tão lindo, que não fosse o inverno gelado, seria o paraíso.

Morar em uma casa onde os alces vêm descansar no jardim é um privilégio. Beto Roque mora em um lugar desses. Agora que está construindo o dinghy Andorinha nesse jardim, aí ficou surreal. Cortesia: Beto Roque.

Durante as temporadas no Brasil, um dos seus esportes favoritos é velejar, para isso tendo adquirido o Fiu, o MC28 que construí. Como Calgary fica bem distante do Pacífico, velejar na costa do Oceano Pacífico na região de Vancouver, para ele fica complicado. No entanto, próximo de onde mora existe um lago excelente para se navegar em veleiros com bolina. Para ficar mais divertida a temporada canadense, Beto decidiu construir um dinghy Andorinha, sendo a construção amadora um desafio que ainda não tinha experimentado.

Construir um veleiro no jardim de casa é um barato. Fazer uma pausa para apreciar um bom vinho, não tem preço. Cortesia: Beto Roque.

TO Andorinha é um veleiro que projetamos para ser construído em compensado naval revestido de fibra de vidro pelo processo denominado "stitch-and-glue (costure e cole)", um processo fantástico, pois o barco é montado com o mínimo de esforço e fica muito robusto e bem leve quando concluído.

Os paineis são costurados um ao outro até que o casco esteja montado. Cortesia: Beto Roque.

Os painéis de compensado naval que integram o projeto são fornecidos em plantas, as seções transversais sendo apresentadas em tamanho natural e os painéis longitudinais do casco em desenhos em escala, sendo fornecidas as cotas dos painéis planificados, para que possam ser cortados no tamanho correto.

O arquivo para corte em CNC também pode ser fornecido, para quem preferir dessa forma, mas é muito fácil cortar com a serra tico-tico sem risco de errar, e nesse caso o serviço fica sendo de graça, permitindo que se gaste o dinheiro economizado em outras coisas. O que foi motivo de grande atenção de nossa parte ao desenvolver o projeto foi que o barco pudesse ser construído com muita facilidade. Com o resultado de dezenas de Andorinhas já navegando, temos certeza que alcançamos esse objetivo. Um manual explicando como proceder etapa por etapa ao longo da construção também tem ajudado a transmitir uma sensação de segurança, principalmente para o construtor que nunca fez um barco antes.

O casco já todo costurado pronto para a próxima etapa. Cortesia: Beto Roque.

Beto Roque está bem perto de terminar a obra. O barco já está com o casco revestido de fibra, lixado e pintado, tanto por dentro quanto por fora. No momento ele está instalando os painéis do convés, pois o cockpit já está feito. Em seguida as ferragens serão instaladas. E então perto de casa existe um belo lago, e será lá que o Fioravante irá velejar.

Quando a construção chega a essa fase a ansiedade se instala no coração do construtor amador, que não vê a hora de colocar o barco na água. Cortesia: Beto Roque.

Antes de o inverno bater na porta de casa, Beto estará de volta ao Brasil para curtir o Gibraltar, o MC34/36 que comprou em Florianópolis recentemente, tendo vendido o MC28 que adquiriu de mim para um velejador que mora em Salvador, Bahia. O barco novo está agora na região de Angra dos Reis, afinal Beto está acostumado com lugares bonitos. Só não sabemos dizer se algum dia os dois irmãos irão se encontrar. É mais provável que não. Afinal ambos os barcos pertencem ao verão que nunca termina, e a andorinha não vai passar frio.

Como é que esse barco veio parar em minha floresta? Cortesia: Beto Roque.

Para a classe Andorinha ter um representante velejando em um lago no interior do Canadá é muito legal. Existem Andorinhas construídos nos mais diferentes lugares, alguns deles muito lindos, mas em um local tão privilegiado assim, acho que o Fioravante é o campeão.

Casco pronto para ser virado de cabeça para cima. Esse é o sonho de todo construtor amador. Cortesia: Beto Roque.

Nota de Luis Gouveia, sócio do escritório B&G Yacht Design:

Fiz um Andorinha para uso particular com a minha família. Além de constatarmos que a construção era realmente simples como prevíamos durante o projeto, quando o barco ficou pronto foi a maior alegria e fizemos alguns passeios bem legais. Não foi possível trazer nosso Andorinha para a Austrália quando nos mudamos, mas as lembranças são tão boas que eventualmente pensamos em construir um outro aqui em Perth.

Luis, Astrid, Christian e Juliana a bordo do Andorinha, saindo para uma velejada em família.

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