Pop 25 - Fácil como uma manhã de domingo

Está se tornando trivial entre os membros da comunidade de construtores de veleiros Pop 25 afirmar que construir um Pop 25 é moleza. Alguns construtores elogiam a geometria simplificada das anteparas construtivas transversais, outros curiosamente constroem essas anteparas na sala de jantar de suas casas, o que pode causar uma situação explosiva com algumas esposas...enfim, parece que ninguém respeita muito o desafio de construir um Pop 25. E como ninguém tem boas razões para arrependimentos quando a aventura já está realizada, o verdadeiro prêmio pelo esforço acontece quando o barco é lançado à água. Veja esse vídeo e confira como a numerosa família de nosso cliente conseguiu se acomodar numa boa no cockpit, dando lugar para todo mundo.

Esse vídeo foi feito quando nosso cliente Francisco Aydos convidou a família para a primeira velejada no Rio Guaiba em seu Pop 25 Rancho Alegre. Note que todo mundo encontrou lugar no cockpit para ficar ali numa boa. Cortesia: Francisco Aydos

A classe Pop 25 está se expandindo rapidamente. No momento temos barcos da classe sendo construídos em treze países diferentes. A cada novo artigo que escrevemos citamos as últimas novidades de algum Pop 25 que esteja sendo construído, especialmente entre aqueles cujos construtores editam blogs para documentar o trabalho, e que nos informaram para que possamos fazer o link para eles, Dessa vez vamos mostrar a construção de um que está sendo feito na Romania por Kaan Oner, um jovem turco que mora naquele país. Dream, como nosso cliente chamou seu barco, está sendo construído a todo vapor. Ele adquiriu o projeto em novembro de 2014, e agora em junho já está pronto para iniciar o fechamento do casco. Muito bom!!! Como existe uma flotilha de oito veleiros da classe sendo construídos na Turquia (um deles, o Hayal, já está navegando), um amigo do Kaan, Que também está construindo um Pop 25, mas na Turquia, está lhe ajudando a adquirir os equipamentos e a fabricar as ferragens especiais, pois na Turquia a náutica é muito mais desenvolvida do que na România.

Dream é um Pop 25 sendo construído na România por Kaan Oner. Ele adquiriu os planos em novembro e agora em junho já está com a estrutura pronta para receber o revestimento de compensado do casco. Ficamos contentes de constatar que Kaan não está encontrando dificuldades na construção. Cortesia: Kaan Oner.

Desenvolvemos o projeto do Pop 25 com a intenção de oferecer ao mercado náutico um barco especialmente voltado para a construção amadora, um barco capaz de permitir aos jovens sair por aí sentindo-se livres e seguros. Falando sério, construir um compacto veleiro de oceano capaz de navegar para qualquer lugar não é uma tarefa das mais fáceis. Mas foi exatamente isso que procuramos conseguir com o projeto do Pop 25. Você pode me achar um pouco otimista em considerar o Pop 25 um barco adequado para sair mundo a fora sem lenço e sem documento, mas nos dias de hoje ficou mais viável trabalhar a bordo para aqueles que podem fazer seu trabalho à distância, uma vez que onde o barco estiver estacionado houver comunicação pela internet disponível. Se a pessoa possui uma profissão que permita trabalhar como free-lancer usando um laptop dentro da cabine, essa pessoa não precisa de mais nada para ganhar a vida.

O interior do Pop 25 é muito amplo para um barco desse tamanho. A mesa de navegação é ampla o suficiente para permitir trabalhar com um notebook sobre ela. Uma mesa removível estocada quando não estiver em uso sob o colchão do beliche de proa pode ser facilmente instalada em alguns segundos. Uma cortina de enrolar com uma bainha preenchida com uma tala em baixo oferece privacidade ao banheiro quando estiver sendo usado. Fotoshop: Murilo Almeida.

Um veleiro oceânico de verdade como é o Pop 25 permite que um casal possa viajar nele para onde desejar, e se a profissão de pelo menos um dos dois for compatível com trabalho free-lance, obter um rendimento que proporcione o sustento da família é uma realidade totalmente viável e legal, contanto que o dinheiro recebido com o trabalho seja depositado numa conta bancária no país de origem. Três meses de visto, renováveis por mais três meses é um procedimento oferecido por muitos países, e quando expira esse prazo, tudo o que é necessário é içar as velas e começar tudo de novo em outro país. Vistos para estudantes com duração de um ano também podem ser conseguidos em alguns países, embora isso não seja para qualquer um, pois as universidades cobram caro pela mensalidade. Estou afirmando isso porque foi exatamente o que fizemos, eu e minha mulher, há um bom tempo atrás, em um veleiro de vinte e cinco pés, quando realizamos uma meia volta ao mundo, saindo do Rio de Janeiro e viajando até à Polinésia Francesa, iniciando a viagem com uma mão na frente e outra atrás, tendo que encontrar alguma forma de ganhar dinheiro pelo caminho para simplesmente podermos sobreviver. Sendo yacht designer, eu tinha que desenhar em minha mesa de navegação, pois naquela época não existiam notebooks.

Um dos barcos que desenhei ali naquelas precárias condições, o Samoa 27, esse projeto se tornou um dos campeões de vendas do escritório que criamos quando retornamos, tendo dezenas desse plano de estoque sido vendidas, e muitos desses barcos terem sido construídos. O veleiro que construí após essa viagem, o Maitairoa, que ficou conhecido por ter sido o primeiro veleiro de cruzeiro brasileiro a atravessar o Atlântico Sul do Brasil para a África do Sul, pelas latitudes dos "roaring forties", também foi desenhado naquela mesa de navegação. É claro que o que estou contando não se encaixa nos planos existenciais da maioria das pessoas, e reconheço que para 99% das pessoas essas sugestões não interessam, mas como a possibilidade existe e avalio que enquanto vivi com minha mulher esse tipo de aventura, ganhando nossa vida pelo caminho, hoje considerando que aqueles foram os anos mais felizes de nossas vidas, é para mim um prazer dar esse tipo de sugestão a outros sonhadores. Só para provar que esse tipo de vida é possível, nosso parceiro no escritório, Luis Pinho, faz exatamente isso a bordo de seu Kiribati 36 Green Nomad, no dia de hoje estacionado na Guiana Francesa. Sendo nosso parceiro no escritório B & G Yacht Design, ele trabalha on-line com a gente, contatando-se conosco praticamente diariamente pela internet. Sendo cidadão australiano, e presentemente o escritório estando estabelecido na cidade de Perth, Austrália Ocidental, os pagamentos efetuados por seu trabalho são depositados em sua conta bancária na Austrália.

Quem viaja a bordo de um Pop 25 nem precisa se preocupar com os custos exorbitantes de colocar o barco em um pátio para manutenção de fundo. Aonde a variação de maré ultrapassar os 1.20m, mais ou menos, é possível fazer esse serviço numa praia abrigada a custo zero. Fotoshop: Murilo Almeida.

O projeto do Pop 25, com sua possibilidade de apoiar-se em suas duas quilhas, por ser um barco insubmergível, por não precisar de combustíveis fosseis para propulsão auxiliar, e principalmente por seu baixo custo, é a nossa contribuição ao velejador que possui recursos limitados para realizar seus sonhos de aventuras.

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