Samoa 34 - Reunião de cúpula dos construtores amadores

Como já constatamos há muito tempo, Santa Catarina é um centro de excelência na construção amadora de veleiros. É nesse estado que talvez tenhamos a flotilha mais caprichada de barcos de construção particular, ou navegando, ou com a obra avançando rápido para a sua conclusão.

Quatro construtores particulares se encontraram em Joinville. Da esquerda para a direita: Sérgio Danilas, que está concluindo a construção de um Cabo Horn 40, João e Maria Scuro, que construíram esse casco belíssimo sem qualquer experiência prévia, João de Deus Assis, que fabricou a máquina de regatas Green Flash 33 Bicho Grilo, que ganha as principais regatas em que participa em sua região, e Jorge Dias, que está na reta final da construção do Samoa 28 Furioso. Cortesia: João Scuro

Um desses polos de construção particular é a cidade de Joinville, no norte do estado. Ali já tivemos inúmeros construtores de nossos projetos, todos muito competentes, já tendo até acontecido um fenômeno raro de miscigenação genética, quando um cliente nosso construiu um Van de Cabinho!

Pela qualidade da fabricação das anteparas estruturais já dava par notar que o casal Scuro estava disposto a construir um barco diferenciado. Foto: João Scuro

João Scuro e sua esposa Maria são o tipo de casal que gratifica nossa profissão de yacht designers. João é advogado e sua esposa funcionária pública. Após terem realizado carreiras de muito trabalho e pouca emoção, ao se aposentarem decidiram vender sua casa própria na cidade de São Paulo e comprar um terreno em Joinville onde construíram um galpão com uma extensão onde fizeram um quarto com banheiro apenas para terem onde passar a noite. Sem qualquer experiência em construção de embarcações de recreio adquiriram o projeto do Samoa 34 com a intenção de construí-lo e depois morar a bordo.

Dá para imaginar que um casal sem a mínima experiência prévia conseguisse construir um barco tão benfeito sem ajuda de ninguém? Cortesia: João Scuro

Assim planejaram e assim fizeram. Pelas perguntas típicas de principiantes que nos dirigiam no início da obra acreditávamos que iria ser muito penoso para o casal realizar seu sonho. Como estávamos enganados! Internamente, esbanjavam energia e dedicação, e a disposição deles era a de realizar uma obra prima. E foi exatamente que o Brasas foi sendo construído.

O interior do Samoa 34 tem atraído muitos construtores que veem o barco como a solução definitiva para morar a bordo e viver uma vida de aventuras.

A rotina do casal era a de acordar cedo e iniciar o trabalho, só interrompendo o serviço para duas rápidas refeições. Em suas cabeças a única coisa que contava era a obra, e a recreação era ficar planejando os próximos passos a serem realizados. Com um comprometimento assim tão radical, não é de espantar que a obra tenha evoluído bastante rápido e agora os horários de folga para fazer o habitual lanche da tarde já seja o interior da cabine, que já vai se tornando uma autêntica casinha

O dia em que o Brasas amanheceu de cabeça para baixo e foi dormeir de cabeça para cima. O casal Scuro teve todo o motivo do mundo para sentir um profundo orgulho de sua realização

Quando uma obra chega a esse estágio, fantasia e realidade já se tornam uma coisa só, e a imaginação não para mais, com os planos a curto prazo se acumulando com os sonhos mais distantes de grandes aventuras pelos mares do mundo.

Agora já dá para apreciar como vai ficando agradável o interior do Brasas. O casal Scuro já tem onde ficar a bordo quando chega a hora da pausa para fazer o lanche da tarde.

A classe Samoa 34 é uma de nossas mais famosas, talvez porque o barco já seja suficientemente amplo e marinheiro para que se possa morar a bordo e viajar com ele esnobando conforto e autonomia. Os Scuro estão longe de serem o único casal que optou por construir esse modelo para depois viverem a bordo. Essa fascinação que o modelo exercce sobre as famílias é um fenômemo que gostaríamos de entender melhor, mas que por enquanto já nos satisfazemos em nos sentir realizados por ter produzido esse projeto. Afinal ele é um embaixador do escritório, como ficou demonstrado na reunião dos construtores amadores mostrada na primeira foto desse artigo. Em tempo, no início de junho outro casal da classe Samoa 34, Dorival e Catarina Gimenes, irão dar uma palestra no Bracuhy, no aniversário da Associação Brasileira de Veleiros de Cruzeiro sobre o périplo do Oceano Atlântico que acabaram de realizar a bordo de seu impecável Luthier. Vale à pena assistir à palestra desse outro simpático casal, assim como os Scuro, totalmente voltado para a classe Samoa 34.

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