Dinghy Andorinha. O prazer de fazer com as próprias mãos

O projeto para construção amadora do Dinghy Andorinha tem nos reservado boas surpresas. Além de ser o terceiro veleiro de nossa linha de projetos de estoque com mais unidades em construção ou navegando, só sendo superado em número de construtores pelo MC23 e o MC 28, ele também é um dos modelos que as pessoas se sentem mais realizadas ao construí-lo. É difícil para alguém de fora imaginar o efeito mágico que representa adquirir o pacote de um projeto, constando de um arquivo PDF de uma série de plantas, e algum tempo depois sair velejando com o barco feito com as próprias mãos. Esse dia costuma ser muito comemorado pela família e amigos, tornando-se um acontecimento importante na vida daquela família.

Para testar o projeto, Astrid Barros e Luis Gouveia construíram esse dinghy Andorinha. O barco ficou tão gostoso de velejar que ao se mudarem para a Austrália, não desejaram vendê-lo, mantendo-o até hoje guardado no Rio Sailing Yacht Club, em Nireroi, Estado do Rio de Janeiro.

O bom resultado obtido pelo projeto não é fruto do acaso. A fórmula do sucesso residiu no processo construtivo que adotamos: o método denominado " stitch and glue" , significando literalmente costure e cole.

Painéis planificados do casco do dinghy Andorinha. O desenho dessas peças expandidas fornecido com o projeto é o principal segredo do êxito obtido por tantos construtores.

Como os formatos dos painéis de compensado do casco são fornecidos em plantas que os definem em seus formatos verdadeiros, a construção se resume a costurar os painéis entre si, pois já nessa hora o casco adquire sua forma final. Então é aplicar fibra de vidro nas juntas, que no caso do Andorinha, acaba sendo revestir o casco todo externamente. Ora, essa operação qualquer um se sente confiante em realizar, e daí em diante o trabalho restante é mais simples ainda.

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Quando o casco termina de ser costurado o formato correto do barco já é obtido. Daí em diante o casco deve ser revestido com fibra de vidro externamente, e, internamente, cada junta costurada deve ser filetada com massa epóxi e depois recoberta com uma tira de tecido de vidro saturado com resina epóxi.

O processo "stitch and glue" é um velho conhecido da família Barros. Durante a década de sessenta o casal Roberto e Eileen Barros construiu o caíque que chamaram de Perigo Amarelo para servir de barco de apoio ao veleiro Sea Bird, com o qual foram velejando do Rio de Janeiro até à Polinésia Francesa. O caíque, construído na sala de jantar de um apartamento no quinto andar de um edifício em Ipanema, Rio de Janeiro, depois de descer pelo elevador até a garagem do prédio, foi levado para bordo com a finalidade de realizar um duro serviço. Pesando menos de dez quilos e sendo protegido apenas nas emendas por uma fina camada de fibra de vidro, chegou inteirinho ao outro lado do mundo depois de ser submetido a um uso pesado sem nunca ter requerido qualquer tipo de manutenção. Tanto quanto saibamos, o Perigo Amarelo foi o primeiro casco construído por esse processo no Brasil, e sem dúvida seu teste foi totalmente favorável.

As propriedades de resistência, durabilidade e leveza proporcionadas pelo método construtivo denominado " stitch and glue" (costure e cole) foram testadas pela primeira vez no Brasil com esse caíque de 1.50m x 0.9m construído na década de sessenta. Essa foto de Eileen Barros vindo de bordo para o píer da marina foi tirada em 1968, em Caracas Bay, Curaçao, Antilhas Holandesas.

O projeto do Dinghy Andorinha foi o primeiro que o escritório realizou para ser um plano de estoque utilizando esse método construtivo. Dedicamos o projeto aos jovens e às famílias recém estabelecidas e ficamos aguardando o resultado de nosso trabalho. Não demorou quase nada e já tinha um Andorinha navegando no delta do Rio Parnaíba, surpreendentemente na frente dos maiores centros de vela do país, colocando o Piauí como o estado pioneiro da classe.

Li-Si-Ri, o primeiro Andorinha a navegar.

Então começaram a ficar prontos muitos Andorinhas, construídos nos mais variados lugares. No entanto nesse artigo só iremos citar os dois últimos que nos comunicaram seus lançamentos. Esse cliente nos escreveu de Mar Del Plata, Argentina:

Luis:
Acá te paso algunas fotos de la primera prueba del Andorinha en Puerto Mar del Plata. Estoy impresionado por como navega. Luego lo probé con cuatro personas y también andaba muy bien.

Saludos

Roberto Mahmoud

Esse Andorinha foi construído por Roberto Mahmoud, de Mar del Plata, Argentina. Como é bom saber que nossos clientes constroem seus barcos sem dificuldades e depois se sentem felizes com sua realização.

A mais recente novidade da classe foi a inauguração do Russão. Esse barco ficou lindo e parece que também trouxe muita alegria para a família, como já está se tornando praxe. Recebemos esse gentil e-mail:

Roberto Barros e Luiz Gouveia

Mais um Andorinha navegando. O batismo foi no sábado, 2/6/12. Ficou fantástico e anda muito, agora vamos testar em ventos forte e medir com GPS para ver quanto está andando.

Depois vou mandar fotos bacanas, pois eu mesmo ainda não tirei fotos.

Segue algumas fotos da inauguração em anexo.

Utilizei mastreação do daysailer , mas fiz a retranca maior, foi para 2,80m e genoa para 2,15m. Ficou um foguete .

Se for possível ponha um artigo dele e de outros que estão fazendo o Andorinha. Acho que vão gostar. Mando fotos .

Agora vamos para o cabinado.
Abraços

Leonardo Oliveira

Itatiba, SP, Brasil

Como pode ser visto no slide show o Dinghy Andorinha está conseguindo realizar com sucesso seu objetivo social, o de trazer famílias para o esporte da vela, e para isso, pelo menos como o primeiro barco, ele parece que vem atendendo plenamente.

Clique aqui para saber mais sobre o Dinghy Andorinha.