Multichine 26C Xangô já está na água

Nosso esforço de projetar veleiros de cruzeiro de baixo custo com grande volume interno continua dando bons resultados. Dessa vez o modelo em destaque é o Multichine 26C, um barco difícil de acreditar que meça apenas vinte e seis pés desde seu bico de proa até seu espelho de popa. Com 1.85m de pé direito sob o teto da cabine, duas camas de casal, um camarote privativo com porta e hall de entrada e tendo um conjunto banheiro/cozinha típico de iates bem maiores, o MC26C tem tudo grande em seu interior.

Agora que começam a serem inaugurados os primeiros Multichines 26C no Brasil, o barco vai se tornando mais conhecido pela comunidade náutica, e os velejadores vão descobrindo como ele é diferente. Os pioneiros no Brasil são o Xangô, construído por nossos amigos Rui Jorge e Fátima no Clube São Cristóvão, Rio de Janeiro, e o Anauê, construído por Amauri Ferraz em Santa Bárbara d' Oeste, Estado de São Paulo. Outros barcos da classe já podem até estar navegando aqui no Brasil, mas isso não sabemos dizer, pois não fomos informados.

MC26C Xangô no dia seguinte à sua entrada na água. O prazer que dá ver o barco construído com as próprias mãos flutuando só pode ser avaliado plenamente por quem já passou por essa experiência. É um momento de gloria na vida de uma pessoa!

Em setembro visitei na Marina da Glória, Rio de Janeiro, o recém-lançado Xangô. Fui recebido pelo radiante casal Rui e Fátima, que, como não poderia deixar de ser, estavam eufóricos com a inauguração. Afinal esse é o momento de glória de todo construtor amador.

A cozinha do MC26C Xangô com pia geladeira e fogão de duas bocas com forno, além de uma profusão de armários, é a mais completa que se possa desejar em um veleiro de vinte e seis pés. A bancada de granito, embora não seja nossa preferência por causa do peso excessivo, tem sido ultimamente a escolha de cem por cento de nossos clientes. Afinal moda é moda, não é?

Minha visita valeu a pena. Ainda não tinha visto um barco da classe dentro d' água e nesse dia tive uma grande surpresa: o MC26C é mesmo um barco enorme para um veleiro de 26 pés. E como é confortável internamente! Como era de se esperar, nesse dia a conversa girou em torno de planos para realizar longos cruzeiros, tipo cruzeiro da costa leste, regata Recife Fernando de Noronha, e, quem sabe, uma esticada até o Caribe. Embora o barco ainda não estivesse arrumado e ainda faltando alguns detalhes a ser concluídos, tive uma impressão geral extremamente positiva. Só o excelente pé direito já é um fato a ser apreciado, mas a sensação de espaço que a cabine transmite, essa é realmente impactante. Já na primeira noite do barco na marina, Hugo, um dos filhos do casal, retornou da faculdade diretamente para bordo e inaugurou o camarote de popa, pela manhã tendo feito eloquentes elogios ao conforto do beliche.

Para nós do escritório é muito prazeroso ver que o conjunto de plantas que produzimos resulte num veleiro tão impactante. Vale ressaltar a competência dos nossos amigos para fazerem um barco tão bem construído sem nenhuma experiência prévia. Como me disse Fátima naquela manhã, nem mesmo casinha de cachorro Rui tinha feito anteriormente.

Como o barco tinha entrado na água no dia anterior, a cabine ainda estava um pouco desarrumada e faltando completar alguns detalhes de acabamento, mas já deixando uma ótima impressão de seu conforto interno e aspecto acolhedor.

Mas para chegar-se há esse dia inesquecível foi necessário vencer várias etapas, cada uma delas representando um marco importante, digno de ser comemorado. Recapitular como a obra foi avançando é compreender como o sonho foi se transformando em realidade. Primeiro existe apenas um desejo. Um dia vem a decisão de adquirir um projeto. Recebidos os planos, eles são minuciosamente estudados e começam os preparativos para a construção.

O dia da virada do barco geralmente é comemorado com um churrasco e costuma ser o marco mais importante antes do lançamento à água. Daí em diante o prazer de ver o barco ficando pronto é a mola que impulsiona a obra até sua conclusão final.

O pontapé inicial é dado quando se constroem as anteparas transversais. Depois vem a montagem do casco, o revestimento de fibra de vidro e finalmente o grande dia quando o casco é colocado de cabeça para cima. Esse dia costuma ser comemorado de alguma forma, geralmente com um churrasco no próprio local da obra. Então é como se fosse um bom livro, a obra segue em frente pelo desejo de ver como a história irá acabar. Mas a diferença é que o construtor é mais do que um simples leitor de uma novela, ele é o próprio personagem da trama. E então a continuação da história já é outra novela, agora uma de cruzeiros e aventuras, que podem ser ainda mais emocionantes.

O MC26C Anauê já está totalmente concluído. Seu acabamento é simplesmente primoroso. Cortesia: Amauri Ferraz.

Agora a classe já vai se tornando uma realidade com muitas unidades sendo construídas em diferentes países, algumas delas já ficando prontas. Um bom exemplo é o Anauê, de Amauri Ferraz. Esse barco, um primor de construção, já está pronto, e uma hora dessas deve estar navegando.

Multichine 26C Geko construído em Istambul, Turquia, por Ömer Kirkal. Esse foi o primeiro barco da classe a navegar. Geko está fazendo um tremendo sucesso, inclusive ganhando regatas. Cortesia Ömer Kirkal.

Mas, com certeza o primeiro barco da classe a navegar foi o Geko, construído na Turquia pelo casal Ömer e Firuzan Kirkal. Esse barco além de ter ficado muito bonito ainda está se dando bem em regatas locais e seus donos estão entusiasmados com seu desempenho à vela.

A classe Multichine 26C tem tudo para se tornar famosa. Agora ficamos aguardando os relatos das primeiras aventuras náuticas de um dos barcos que já estão prontos e dos que estão quase lá.

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