Renderizações Dados técnicos Clube Fotos Formulario de Pedido Construção do Casco Convés Lista de Planos Principais Dimensões Layout Descrição

Curruira 42

Curruira 42 Passatempo

Essa nova Curruira 42 inaugurada em junho de 2011 vai dar o que falar. Construída por seu proprietário, Adriano Marcelino, em aço carbono, seu casco ficou tão perfeito que é difícil imaginar que tenha sido feita com esse material. Mais surpreendente ainda é o fato de a obra ter levado menos de um ano para ser concluída.

Curruira 42 Passatempo. Um casco de aço tão bem-feito como esse é raro de se encontrar.
O Adriano está de parabéns!

A Curruira 42 é de um tamanho mágico. Ela não é tão grande para ficar na categoria de barcos para milionários, nem é tão pequena que não possa receber uma família com todo o conforto que tenha direito.

Também tem o fator custo que deve ser considerado. Ela deve ficar bem mais em conta do que um veleiro de cruzeiro com o mesmo volume interno, tanto por não precisar de todos os acessórios do veleiro, como por ser muito mais ampla para um comprimento equivalente de linha d'água, especialmente por possuir dois andares internos e mais o fly-bridge, que é uma terceira área social.

O conforto interno dela é baseado em uma de nossas premissas, de que deve haver harmonia entre todas as funções de bordo, nunca sacrificando um ambiente em benefício de outro. A Passatepmo ficou exatamente assim.

Curruira 42 virtual. Achamos engraçado ver que até nossa opção de cor do casco coincidiu
com a escolha de nosso cliente. Renderização: www.ideebr.com

Projetamos a Curruira 42 para ser uma traineira do tipo clássico, que de brincadeira citamos em nosso site como sendo um barco como aqueles que o ator Humphrey Boggart poderia ter usado em um de seus filmes de aventura. Ela parece um daqueles naviozinhos com o qual a gente sonha em ir navegando para um lugar bem distante em companhia de nossa namorada.

Se o texto inspirou ou não nosso cliente, isso não sabemos dizer, mas uma coisa temos certeza, sua escolha de cor do casco foi a opção que adotamos nas figuras renderizadas que colocamos no home-page.

Num país tropical uma boa praça de popa é muito simpática. A pequena copa a boreste da entrada da cabine contribui para tornar mais prazerosa a utilização dessa verdadeira varanda. A posição de estiva do inflável
no fly-bridge, içado pelo pau de carga, é muito conveniente também.

O salão da Curruira 42 oferece conforto para até nove pessoas se socializarem ou seis pessoas apreciarem
uma refeição caprichada. Renderização: www.ideebr.com


A Passatempo foi uma construção particular realizada com muita competência. Adriano a fabricou sem utilizar arquivo CNC, o que o obrigou a realizar um trabalho penoso, o de fazer modelos de todos os painéis e soldá-los com perfeição para não empenar as chapas. Mas isso não foi um fator que o atrasasse ou que trouxesse imperfeições na superfície do casco. O acabamento externo acabou ficando de primeiríssima classe. Agora se nos perguntarem se dá para fazer uma Curruira 42 em aço, construção semi-amadora, poderemos dizer sem receio: yes you can!


Curruira 42 Agenores Parte II

E a Curruira 42 Agenores finalmente saiu por aí. Ela partiu de Ubatuba na semana do Rio Boat Show, em sua viagem de entrega tendo como primeiro destino a Bahia de Guanabara, e a meta final Maraú, a paradisíaca localidade situada na Baia de Camamú, no litoral baiano.

A bordo estava seu dono, Nico Araújo e seus dois filhos, Felipe e Nicolau. Flávio Antônio Rodrigues, o fabricante da Agenores, www.flab.com.br, também participou desta primeira perna, igualmente levando seus dois filhos, Ivan e Raul. Finalmente fazia parte da tripulação o experiente marinheiro profissional Ricardo.

A proa da Agenores deflete a espuma da onda para fora

A viagem levou vinte e duas horas de navegação com ventos de través e de proa, experimentando diversas condições de mar, quando a Curruira 42 teve oportunidade de revelar como realmente navega.

Nas vésperas da partida aconteceu um forte temporal que castigou todo o litoral sueste, tendo assolado a região costeira da cidade do Rio de Janeiro com tanta intensidade que surfistas deslizavam em ondas gigantescas dentro da Baía de Guanabara, onde normalmente a garotada da classe Optmist faz suas regatinhas. (Os surfistas pegando essas ondas onde o mar é sempre um lago foi motivo de reportagens nos tele-jornais do dia). A ressaca foi tão violenta que obrigou o Rio Boat Show a ser adiado por dois dias devido aos grandes estragos causados pela tempestade nos piers da Marina da Glória, onde se realizou o evento.

A Agenores apontou sua proa ainda virgem em direção ao mar aberto assim que a tempestade começou a abater, e daí em diante foi mostrando para uma tripulação bastante ansiosa por conhecer, como ela realmente navega.

Um resumo do desempenho da Agenores durante o trajeto enviado por Flávio deixou a nós do escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) bastante contentes, pois praticamente coincidiu com os dados fornecidos pelo programa de previsão de velocidade que Luis Gouveia tinha rodado para o casco.

Os dados que Flávio nos passou são bastante significativos:

A 1500 giros com ventos fracos de proa a velocidade foi de 6.5 nós. Com ventos fortes de proa essa velocidade caiu para 5.7 nós.

Nas mesmas condições de ventos, com o motor rodando a 2000 giros as velocidades foram de 7.8 nós e 7.1 nós respectivamente.

A 2 800 giros, ainda abaixo das 3300 rotações máximas, a velocidade alcançou 9.4 nós e 8.7 nós, o que conferiu com nosso gráfico exposto no home-page da Curruira 42.

Flavio Rodrigues considerou o comportamento do casco excelente em todas as condições que enfrentou no percurso, achando a passagem do casco pelo mar bastante suave. O agradável vídeo filmado por Ivan conta bem como foi esse primeiro teste.


Curruira 42 Agenores. Primeira parte

É impressionante como ultimamente vem crescendo o mercado de trawlers de recreio no Brasil e no exterior. Parece que muitas pessoas descobriram ao mesmo tempo o encanto de possuir uma embarcação desse tipo para ser seu pequeno navio particular, onde possam se instalar com muito sossego e cercadas por todo conforto.  

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design na Austrália) não poderíamos ficar por fora desse mercado, e há um bom tempo iniciamos nossas pesquisas em busca de alguma coisa interessante nesse segmento.

Curruira vista de lado

Sempre que desenvolvemos um projeto, em primeiro lugar fazemos uma definição conceitual do que desejamos realizar e imaginamos para que perfil de pessoas esse projeto deva se destinar. É sabido que o grande interesse por barcos de deslocamento a motor é a facilidade de serem conduzidos por pessoas de qualquer idade, e também pelo seu baixo consumo de combustível. O fato é que cada vez mais nosso escritório é procurado para esse tipo de projeto.

Curruíra vista de popa

Em vista desta procura decidimos projetar a Curruira 42. Estávamos pensando no mercado de trawlers de porte médio, ainda relativamente baratos, mas que já proporcionassem suficiente conforto para serem habitados por uma pequena família, e foi exatamente para esse público que dedicamos o projeto.

Tão logo o trabalho foi concluído fizemos uma venda para o médico carioca Nico Araújo, que desejava possuir um barco para passar a maior parte de seu tempo a bordo, navegando pelo litoral da Bahia, particularmente na região de Camamú, onde possui residência.

Nico de camisa azul, Flávio de camisa amarela  e amigo

Naquela época estava em inícios de atividades o Estaleiro Flab, www.flab.com.br, de Campinas, Estado de São Paulo, que já havia construído com muita competência pelo mesmo processo ply-glass especificado para a Curruira 42, um veleiro de nosso projeto, e por essa qualificação recomendamos ao nosso cliente que o procurasse.
Fomos felizes na indicação, como poderão constatar a seguir:

A Curruira 42 Agenores, primeiro barco da classe a ficar pronto, foi entregue em março de 2010 pelo Estaleiro Flab, de Flavio Antônio Rodrigues, tendo sido transportada de carreta de Campinas para Ubatuba, local de seu lançamento.

Foram vários anos de trabalho e dedicação por parte do estaleiro, que sem dúvida construiu um belo barco. São poucos os construtores que têm um acabamento tão esmerado como o que Flávio imprime em suas construções. Alguns detalhes da construção, para felicidade de nosso cliente, são verdadeiras obras de arte. Fazer um naviozinho com estrutura de madeira coberta com compensado naval e revestida com fibra de vidro saturado com resina epóxi não é trabalho para qualquer um realizar, sendo necessária uma equipe bastante competente para dar conta do recado.

Casco sendo revestido de compensado

O casco no sistema ply-glass é construído sobre uma estrutura de cavernas e longarinas de madeira cobertas por compensado naval e em seguida tudo isso é revestido com uma grossa camada de laminação de fibra de vidro saturada com resina epóxi. O resultado é um casco forte e relativamente leve, de grande durabilidade.

A Curruira 42 possui um amplo salão no nível do convés onde está a cozinha, a área social do barco e o departamento de pilotagem. No andar inferior, já dentro do casco, estão as cabines de pernoite. No projeto original desenhamos dois layouts para essas acomodações, um com um camarote muito amplo e outro menor, para um casal se instalar residencialmente, com uma outra cabine menor para convidados eventuais, e outra versão com três cabines e dois banheiros, para famílias mais numerosas.

Camarote do proprietário

Nosso cliente optou pelo layout para menos pessoas e suas acomodações ficaram bem amplas e confortáveis. No salão superior o arranjo interno foi decidido pelo estaleiro e difere do nosso projeto. No todo o barco ficou muito bonito e bem acabado.

Salão da Agenores

Um departamento do barco que ficou um espetáculo à parte foi sua sala de máquinas. Nesse ponto Flavio, um apaixonado por reformar carros antigos, tendo desafios mecânicos fazendo parte de seu DNA, esbanjou competência e esse compartimento ficou uma coisa de cinema. Nico também colaborou simplificando as coisas, pois optou por um só motor, deixando espaço de sobra para todas as instalações e uma capacidade de água e combustível de dar inveja a qualquer lancheiro.

Casa de máquinas

Durante a construção houve duas ocasiões para comemorar: a virada do casco (ver em Todas as Notícias: Festa da virada do casco da Curruira 42 construída pelo Estaleiro Flab)  e em março, a grande festa da entrega formal do barco concluído.

A saída do barco do estaleiro foi filmada por um aeromodelo com câmera e as imagens aéreas ficaram excelentes. A carreta teve que percorrer uma estrada vicinal de terra até atingir a pista asfaltada, o que gerou uma boa dose de adrenalina, mas daí em diante tudo correu tranqüilo até a chegada em Ubatuba.


Festa da virada do casco da Curruíra 42 construído pelo estaleiro Flab.

No início de janeiro tive a grata oportunidade de estar em Campinas para participar de uma série de atividades técnicas e sociais no estaleiro Flab, culminando com a festa da viragem do primeiro casco em ply-glass de nosso trawler Curruíra 42.
Foi necessário para mim completar uma volta ao mundo para para participar deste evento, pois desde maio de 2007 nosso escritório está operando a partir de Perth, Western Austrália, e quando me mudei para lá, viajei via Santiago e Sidney, e agora retornei via Dubay, São Paulo.

Clientes e amigos – Fernando (Curruíra 46 “Rainha Janota”); Roberta e Nico (Curruíra 42 “Argenores”); Luis Gouveia; Joaquim (Southern Voyager 28); Rubens (Multichine 23 “Vida Dura”); Diana e Daniel (Samoa 34 “Zait”); Flávio; Roberto (Diamond 6.0 “Matisse”)

Apesar do cansaço pela longa viagem e das onze horas de diferença de fuso horário, somente chegar ao Estaleiro Flab já foi uma sensação muito agradável, já que ao invés de estar situado em uma região industrial, barulhenta, movimentada, cinza e poluída, o estaleiro fica em uma chácara toda arborizada em uma área rural próxima à cidade.  Os galpões, grandes e abertos para entrada de luz e ventilação natural, são altos e ainda assim se colocam de forma discreta na paisagem de forma a não agredir visualmente o local. Também chama atenção a limpeza e arrumação do local, coisas teoricamente básicas mas que somente os melhores e mais dedicados profissionais conseguem implementar em suas oficinas.  Atualmente o Flab está construindo cinco barcos de diferentes tamanhos, entre trawlers e veleiros, todos a partir de nossos projetos, e em breve mais um trawler de 46 pés será iniciado.

Ao entrar no galpão, o que chama a atenção é o tamanho do casco da Curruíra 42 (como os barcos crescem quando saem da tela do computador e tomam formas reais!).  Com uma boca generosa, seu volume interno é simplesmente imenso.  Mesmo de cabeça para baixo e com o interior ainda vazio, as anteparas estruturais já instaladas permitem visualizar a divisão dos principais espaços internos: a proa totalmente reservada para as acomodações de pernoite, a parte central do porão que será ocupada pelos tanques e casa de máquinas e a popa, onde será instalado o sistema de governo.  Externamente o casco mostra um desenvolvimento perfeito. Embora pintado apenas com um primer epóxi, está tão bem acabado que parece já estar com a tinta de acabamento final, com os chines desenvolvendo curvas muitos suaves e sem qualquer inflexão visível. 

Nos dias que antecederam a virada, eu e o Flavio, diretor dos Estaleiros Flab, fizemos várias reuniões técnicas a respeito de detalhes de projeto, e mais próximo da data da festa fiz outras reuniões técnicas com os vários proprietários dos barco que no momento estão em construção no estaleiro. Na véspera, uma sexta-feira, houve um jantar de confraternização, uma espécie de preparação de nossos corações para o grande evento do dia seguinte. 

No sábado de manhã o circo já estava totalmente montado; mesas, cadeiras, som, bebidas, a churrasqueira acesa e a Curruíra 42, a vedete do espetáculo, estática, apoiada nos dois pórticos como que esperando para realizar o ato principal da peça que iria acontecer a seguir.

Confraternizações, agradecimentos, discursos, fotos, um “Parabéns para Você” que não estava no script, pois embora não soubéssemos, o Flávio era aniversariante naquele dia, e finalmente chega a hora do grande show. Cada membro da equipe do estaleiro assume uma posição previamente combinada e, ao comando do maestro Flávio, começam a executar harmoniosamente sua parte no conjunto do espetáculo.  Inicialmente o barco é elevado até chegar à altura correta, quando, com a platéia em absoluto silêncio apenas se ouve o ruído das correntes das talhas em operação. Quando o casco chega à altura correta, começa a girar lentamente e ouve-se entre os presentes um murmúrio de expectativa, até que o convés assume uma posição vertical. Nesta altura parece que ninguém respira, e alguns segundos depois aquele casco lindo já está de cabeça para cima, como que flutuando no ar, pois quase não se percebe que a proa e a popa continuam apoiadas nos pórticos. 

Nessa hora algumas pessoas começam a bater palmas, mas logo param, pois percebem pela movimentação da equipe que o ato  ainda não está terminado.  O berço é colocado em baixo do casco e o barco vai descendo lentamente até estar firmemente apoiado.  Finalmente chega a verdadeira hora das palmas e confraternizações. O médico Nico, o proprietário do barco, deixa rolar algumas lágrimas de emoção e recebe muitos abraços.  Uma escada é colocada ao lado do costado, enquanto todos nós, seguindo os passos do Nico e do Flávio, vamos lá para dentro, sonhar com o interior quando estiver terminado, a praça de máquinas com motor e equipamentos instalados, a casaria ..., mas isso é uma outra história que teremos que contar mais para frente.  Por fim aparece o bolo de aniversário e todos cantam o “Parabéns para Você” oficial.

 

Tudo pronto para a virada

Festa no estaleiro Início da virada 45 graus Quase 90 graus

90 graus, convés

90 graus, casco Falta pouco Terminando a virada Descendo no berço Fim do Show, barco apoiado no berço Comemoração do Nico
 

Convés

Flávio, Nico e Luis  dentro da Curruíra Fim da festa, barco preparado para uma nova fase da cosntrução Sonhos futuros    


TAMBÉM SAIU NA REVISTA NÁUTICA