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Andorinha

Dinghy Andorinha, o barco sob medida para saciar o desejo de construção amadora.

Construção amadora é um hobby fascinante para quem tem inclinação para fazer coisas com as próprias mãos. Desenhar barcos para essa finalidade também é um desafio fantástico. No entanto o esforço de desenhar um bom barco para construção amadora só é realmente bem sucedido quando o arquiteto também é apaixonado pelo assunto.

Esse foi exatamente o caso do projeto do Andorinha. Realizar esse desafio requereu uma boa dose de entusiasmo e muita dedicação. O projeto foi desenvolvido pela engenheira naval Astrid Barros quando estava se formando na faculdade. Era importante para o escritório de projetos Roberto Barros Yacht Design possuir o projeto de um veleiro de bolina que fosse fácil e barato para ser construído. Esse barco também deveria ter um desempenho empolgante, para justificar todo o trabalho para construí-lo. A primeira decisão foi escolher o processo construtivo. A opção foi o usar os materiais compensado naval e epóxi pelo sistema "stitch-and-glue" (corte e costure).

Compensado naval é disparado o material favorito para construção amadora, por sua resistência, durabilidade e facilidade de ser manuseado. Pelo processo "costure e cole" em pouco mais de um dia de trabalho você já poderá ver seu casco montado, faltando fibrar e agregar anteparas e convés.

O escritório brindou a iniciativa da Astrid para projetar o Dinghy Andorinha como sendo um passo importante para difundir a construção amadora. Um veleiro de bolina com bom desempenho com pouco menos de cinco metros de comprimento cabe sob medida no bolso de muita gente de todas as idades que sonham em fazer seu próprio barco. As únicas condições para que tivesse todo o apoio do escritório seriam a de que o barco deveria ser muito fácil de construir e que tivesse um desempenho empolgante.

Astrid não precisava de incentivo maior do que esse, pois era exatamente o que ela desejava: projetar um barco que não fosse penoso para construir, mas que navegasse como um foguetinho. Não é de admirar, portanto, que o projeto tenha sido concluído em pouquíssimo tempo.

Astrid tem água salgada correndo em suas veias. Ela nasceu em Papeete, capital da Polinésia Francesa, quando seus pais viajavam pelo Oceano Pacífico a bordo de um veleiro de 7.5m de comprimento desprovido de motor de centro. Ela começou sua carreira de regatista quando tinha pouco mais do que três anos de idade e seu gosto pelo esporte de competição à vela nunca diminuiu desde então.

Painéis planificados do Dinghy Andorinha

Para realizar o projeto ela primeiro desenvolveu um programa que planificava os painéis do casco e em seguida desenhou-os em escala para que pudessem fazer parte do pacote de plantas fornecidas com os planos. Dessa forma ficou bem fácil para qualquer um desenvolver os painéis de compensado que constituem o casco com precisão adequada, ampliando-os para verdadeira grandeza, para que pudessem ser costurados dando forma ao casco. Por essa época ainda não eram facilmente encontráveis empresas que cortassem compensado com laser ou jato d'água a partir de arquivo de controle numérico. Mas era tão tranqüilo obter os painéis cortados com precisão por meio de uma serra tico-tico, que ninguém nunca reclamou de dificuldade nem de demora em fazê-los. Um manual de construção bem simples de ser seguido foi desenvolvido junto com o projeto e em tempo record para o escritório o projeto foi colocando à disposição dos interessados.

Por essa época o estúdio estava operando na cidade do Rio de Janeiro e esse lançamento foi tão positivo em termos de faturamento, que chegou a contribuir para melhorar o caixa da Astrid e trazer um bom astral para a empresa. Pouco depois de se formar Astrid se casou com o engenheiro naval Luis Gouveia, quando, entre ouros planos, ficou o compromisso de tão logo pudessem, construírem um Andorinha para o lazer família.

Mas na verdade os destinos da classe já estavam se encaminhando. Alguns Andorinhas começaram a ser concluídos e seus donos nos informaram estarem muito contentes com o desempenho deles.

O pioneiro a terminar um Andorinha foi um cliente do Piauí. Seu barco, o Li-si-ri foi inaugurado em uma das lagoas nas proximidades do delta do Parnaíba, para encanto da Astrid em ver seu projeto tomar forma em um lugar tão distante e bonito. Essa inauguração aumentou o desejo de outras pessoas a construírem o dinghy, e outros Andorinhas foram surgindo em diferentes lugares.

Li-s-iri pronto para a primeira velejada

O Segundo barco que tivemos conhecimento de ter ficado pronto foi construído em Rio do Sul, Santa Catarina. Adauto, seu construtor, quando terminou o barco, fez uma visita ao escritório e nos contou que estava tão contente com seu veleiro que pretendia fazer um rally, subindo a costa parando em todas as praias, de Florianópolis até o Rio de Janeiro.

Por razões pessoais Astrid e Luis tiveram que adiar por um tempo a construção do sonhado Andorinha, mas quando decidiram, o fizeram a toque de caixa, ansiosos que estavam em sentir o sabor da própria receita.

O segundo Andorinha a ficar pronto velejando no lago da fazenda onde foi construído

Existe um lugar no subúrbio do Rio de Janeiro, o Clube São Cristóvão de Futebol e Regatas, aquele clube onde o jogador de futebol Ronaldo Fenômeno iniciou sua carreira, onde os construtores amadores podem alugar pequenos galpões para construírem seus barcos. Esse local se tornou um verdadeiro santuário de construtores de barcos do escritório Roberto Barros Yacht Design, tendo sido feitos ali dezenas de barcos projetados pelo escritório. Foi lá que Astrid e Luis escolheram para construir seu Andorinha, e ao iniciar a obra pisaram no acelerador para liquidar a fatura o mais depressa possível.

Costurando os paineis de compensado. Essa operação é fácil e rápida.
Em um dia o casco já está montado pronto para receber a fibra de vidro.

Durante o tempo que Astrid e Luis estavam construindo o barco, uma procissão de visitantes frenquentou o clube para acompanhar os progressos da construção. Não foi por acaso, portanto, que nesse período vários outros Andorinhas tenham sido iniciados, um deles no próprio Clube São Cristóvão. Um dos amigos que se entusiasmou pelo projeto foi o artista plástico Fernando Leitão. Ele decidiu fazer sua obra quase ao lado de onde Luis e Astrid estavam trabalhando, e o barco dele rivalizou em qualidade com o barco da família Uma transferência do Rio de Janeiro para São Paulo acabou obrigando Fernando a vender seu barco, e esse comprador foi um felizardo, porque comprou um dinghy super-caprichado, bem à altura de um artista plástico.

  

O Andorinha de Fernando Leirão ficou um show a parte. Aqui ele ainda está inacabado,
mas já demonstrando todo o capricho do construtor.

Apesar de ter demorado a sair do papel, a construção do Andorinha da família Gouveia foi bem rápida, tendo o barco ficado uma gracinha, principalmente por terem feito o convés de proa em ripados de madeiras de cores diferentes, como costumam ser os iates de luxo. O barco foi construído em sociedade com dois amigos, Arapoan Fernandes e Marco Veras, uma vez que tanto Astrid e Luis como eles dois estavam construindo barcos maiores, e esse dinghy seria apenas para saciar o desejo de velejar enquanto o catamarã Bora-Bora dos Gouveia e os dois MC28 dos outros dois amigos não ficavam prontos. Daí em diante esse barco passou a ser uma das principais fontes de lazer da família, apesar de Arapoan e Marco Veras pouco o terem usado. Talvez impulsionada por tanta badalação, a classe Andorinha rapidamente se espalhou, aqui no Brasil e no exterior, hoje sendo um dos projetos mais vendidos do escritório.

O Andorinha da família Gouveia e dos amigos Arapoan e Marco velejando na Marina da Glória, Rio de Janeiro

Por má sorte poucos meses após a inauguração do Andorinha e exatamente quando ficou pronto o catamaran Bora-Bora, a familia se transferiu para Perth, Austrália, e como os MC28 dos dois amigos ficaram prontos, eles perderam interesse em velejar no barco menor, o qual ficou coberto por uma lona em um dos galpões do Rio Sailing Yacht Club em Niterói, onde está até hoje. Um dia eles pretendem colocar o barco num container e leva-lo para a Austrália e poderem convidar os dois sócios brasileiros para velejar, caso apareçam por lá.

 

Luis, Astrid, e filhos foram velejando a bordo do Andorinha para visitar o MC 28 Fiu que estava estacionado na Marina da Glória.

A familia não pretende vender em hipótese nenhuma esse barco, pois ele tem um valor sentimental muito grande. No entanto, no caso do catamarã, esse teve que ser vendido, pois sendo um barco que teria que ficar estacionado dentro dágua, iria requerer manutenção e outros cuidados. Para transportá-lo para a Austrália o preço seria proibitivo. Isso é o que se pode chamar de nadar, nadar, e morrer na praia!

Esse Andorinha construído em sanduíche de espuma de PVC, um método de construção alternativo,
veleja na Baia de Guanabara com velas emprestadas de um dinghy da classe 470

O Andorinha é um excelente barco para alguém se iniciar no esporte da vela e para se familiarizar com o hobby da construção amadora. Ele é ideal para servir de treinamento para aqueles que pretendem fazer um barco maior mais adiante, mas não têm experiência alguma. O aprendizado irá proporcionar uma auto-confiança muito maior, quando o barco definitivo estiver sendo construído. Este tem sido o caso de vários clientes do escritório, e como o barco tem um bom valor de mercado, acaba se tornando um bom investimento. Deve ser por esses motivos que a classe nunca parou de crescer, hoje existindo uma boa flotilha navegando, ou construção, no Brasil e em outros paises

Finalmente, um dos ultimos Andorinhas a ser concluídos sendo lançado à água no Rio Guaíba, Porto Alegre.

Esse projeto é para o escritório uma de suas mais eloqüentes contribuições à construção amadora. Esperamos que ele continue sendo o barco inspirador para trazer gente nova para o esporte da vela.