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POLAR 50

Quando decidimos desenvolver um projeto de um veleiro de formas redondas e quilha retrátil para ser construído em aço, estávamos seguros de que aquele seria o barco daquele porte mais desejável que poderíamos desenhar. Agora que o Polar 50 já se tornou um projeto de estoque, vimos que tínhamos bons motivos para acreditar no modelo. Nosso propósito de conseguir criar um barco que oferecesse total proteção contra os elementos, que possuísse um calado insignificante que o permitisse encostar sua proa na praia e ainda ostentasse uma robustez impressionante, foi totalmente atingido.

O projeto que desenvolvemos é bastante inovativo e em muito pouco tempo deverá ser reconhecido como um dos veleiros mais modernos destinados a navegação em águas rasas já concebido.

Dentre os pontos importantes da configuração do projeto, o mais sedutor é a solução encontrada para o leme. Ao contrário de outros modelos, este é fixo atrás de um skeg e o calado do leme é apenas um pouquinho maior do que o calado na região mais profunda do casco onde a quilha pivotável se esconde, o que conforme a experiência dos operadores deste tipo de barco nas altas latitudes, em nada prejudica, pois quase sempre se aproxima de terra pela proa, de forma que uma pequena inclinação para ré até contribui para mantê-lo nivelado, e alem disso, sendo um plano inclinado, o ajuda a retornar para águas mais profundas, utilizando a propulsão auxiliar em marcha à ré.

As vantagens de um monocasco de quilha retrátil sobre um catamarã são várias. A primeira delas é o custo menor. Mas além disso ele é mais fácil de manobrar, veleja melhor contra o vento, é mais seguro em mau tempo e não se constitui no inimigo público número um nas marinas e nos ancoradouros.

Optamos por um casco redondo para proporcionar um status de elegância ao desenho e a construção em aço tem por objetivo garantir uma operação sem maiores dificuldades quando for utilizado em regiões de gelo. Hoje com o emprego de tintas epoxy de proteção conta a corrosão, a construção em aço já não representa um problema de manutenção, o que torna a construção em alumínio menos sedutora, uma vez que é bem mais onerosa. No entanto, havendo preferência, o Polar 50 também pode ser construído com esse material.

O Polar 50 foi projetado com duas opções de arranjo interno, sendo uma delas mais recomendada para quem deseje trabalhar a bordo, uma solicitação cada vez mais procurada. A outra versão, mais voltada para uso como iate particular, ou como veleiro de charter, é muito conveniente no sentido que a cabine em suite do proprietário, localizada no quarto de vante de bombordo, tem uma área comparável a de um quarto residencial. Em ambas as versões o salão de popa é o mesmo, onde um grande sofá em forma de U e uma mesa trapezoidal, permitem que até dez pessoas possam se socializar, ou compartilhar uma refeição com todo o conforto. Um beliche colocado sobre o encosto de bombordo do sofá do salão é uma solução muito simpática, uma vez que seja provido com uma cortina, para conferir um certo grau de privacidade.

Oferecemos duas soluções para a cozinha, que podem ser intercambiáveis, assim como para a casa de máquinas, sendo uma delas mais longa para permitir a instalação de um grupo gerador de maior porte.

Na versão barco residência /escritório ou oficina, a ênfase é para o camarote de trabalho, localizado a bombordo, que deve ser arranjado sob medida para o fim a que se destina.
O pilot-house tem a altura necessária para que o piloto tenha uma boa visibilidade para a proa e à toda a volta. O compartimento de pilotagem também tem duas versões de projeto, uma com duas escadas, uma delas de acesso às acomodações de proa, e a outra levando ao salão. Na segunda opção existe apenas uma escada em direção à popa, sendo que o acesso à proa é feito por um corredor sob o convés, a boreste.

O pilot-house é um compartimento do barco com uma importância funcional primordial. Com a altura correta do assento de pilotagem, a visão que o timoneiro tem do mar na proa é excelente, permitindo navegar protegido das ondas, do vento inclemente, do frio, sol e chuva, proporcionando uma navegação muito mais segura e confortável. Em uma das versões está especificado um beliche para o timoneiro e na outra existe um sofá em L com tamanho suficiente para quatro pessoas se sentarem confortavelmente. Isto cria uma segunda área de socialização a bordo. A mesa para navegação é grande o suficiente para abrir uma carta inteira. Os painéis para instrumentos são amplos e permitem uma monitorização muito confortável. O acesso do pilot-house para o cockpit é feito por uma porta vertical, conforme a experiência adquirida quando projetamos o veleiro Paratii, e o teto da cabine se estende sobre o cockpit por uma distância suficiente para uma pessoa de cada lado se sentar sob esse abrigo. A roda de leme externa oferece visibilidade por cima do teto do pilot-house e para isso o banco do timoneiro é elevado em relação aos bancos laterais.

A quilha retrátil é acionada por cabo de spectra acoplado a um pistão hidráulico e o leme é ligado a um skeg, com claro para o hélice. Nesse skeg é instalado o sistema de arrefecimento da água de refrigeração do motor, tipo "keel-cooler", uma solução necessária para quem pretende navegar em regiões onde a água do mar possa estar congelada próximo à superfície.
O barco prevê uma motorização entre 80 e 120 hp e tem uma autonomia de água e combustível para grandes travessias.

O convés do Polar 50 oferece um fator segurança muito conveniente para quem navega em regiões de mal tempo. Como a cabine de proa se estende até a cabine de popa, a passagem lateral sempre oferece um apoio para o pé do lado oposto ao da borda falsa.

Uma targa na popa é usada para a instalação de painéis solares, geradores eólicos, radar e antenas, além de permitir levar um inflável sob a sua estrutura. Uma imensa plataforma de popa é muito conveniente para embarque e para mergulho.

Armado em "cutter" com cruzetas flechadas para trás, o Polar 50 tem uma área vélica suficiente para garantir uma boa performance em ventos mais fracos, o que acontece com muito mais freqüência do que se imagina nas altas latitudes.

Polar 50 - História

Começamos a desenhar barcos metálicos no início dos anos 80, quando fizemos o projeto do veleiro Multichine 37, um barco de linhas bastante diferentes dos barcos metálicos que se fabricavam então. Utilizamos em sua concepção uma configuração muito avançada para sua época, tipo popa bem larga, mastreação fracionada e fin-keel, coisas nunca vistas nos barcos metálicos existentes. O resultado foi simplesmente espetacular. Quando o Zephyr, primeiro MC37 a navegar saiu para as primeiras velejadas, ninguém queria acreditar que conseguia navegar a mais de nove nós com uma facilidade típica de barcos de regatas. Não é atoa que hoje existem mais de trinta MC37 navegando, sendo que alguns deles fizeram viagens internacionais sempre causando uma ótima impressão nos lugares em que chegavam.

O sucesso da primeira tentativa nos ajudou a conseguir o pedido do projeto do Paratii, o veleiro que mais tarde iria invernar na Antártica, comandado pelo navegador solitário Amyr Klink. Desenhamos aquele modelo em equipe com o engenheiro Gabriel Dias, que na época fazia parceria conosco, e este barco foi tão bem sucedido que veio a receber o prêmio Tillman, uma condecoração oferecida anualmente pela Royal Cruising Club da Inglaterra para veleiros que tivessem realizado alguma façanha importante em regiões de altas latitudes.

Na década de noventa desenvolvemos uma linha de barcos metálicos que hoje se tornaram uma referência como barcos de cruzeiro de alta confiabilidade. Esses barcos foram desenhados para possuírem quilha fixa, mas após as primeiras unidades estarem navegando, decidimos fazer novas versões que empregassem quilhas retrateis, pivotantes em torno de um pino. Destas novas versões as primeiras unidades estão prestes a ir para a água, e tão logo isso aconteça estamos certos que a procura por esse tipo de barco deverá ser muito grande.

Em 2003 fomos procurados pelo navegador Ucraniano naturalizado baiano, Aleixo Belov, que nos encomendou um projeto de barco metálico com 20 m de comprimento e quilha pivotável. Esse projeto, que por acordo ficou sendo de nossa propriedade, atualmente está disponível como projeto de estoque com a marca Polar 65. Aleixo está construindo a sua unidade, que em 2005 deverá estar navegando. O interesse que este barco vem despertando nos Estados Unidos e na Europa do norte nos faz pensar que uma vez o primeiro barco esteja navegando, muitas outras unidades serão construídas.

Terminado o projeto do Polar 65, demos mais um passo a frente com o desenvolvimento do Polar 50. Desta vez fomos para um casco metálico de formas redondas, uma opção mais sofisticada do que a dos cascos multichines.

Nossos dois primeiros clientes para esse novo modelo foram o experiente navegador polar Júlio Fiadi, uma pessoa que já pisou nos dois pólos geográficos do planeta e já visitou inúmeras vezes o continente Antártico e José Oscar Lara Bentini, um super construtor de barcos metálicos, capaz de fazer com a mesma facilidade um casco redondo ou um multichine. Bentini programou sua construção para ser realizado durante o ano de 2005 e Júlio deverá esperar ainda um pouco para iniciar a sua construção.