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Polar 65

Polar 65 Fraternidade em Tahiti

O Fraternidade já está no coração do Pacífico. Esse barco construído para levar jovens cientistas aos lugares mais exóticos do planeta está realizando uma rápida volta ao mundo com muito poucas paradas até aqui, por enquanto sem explorar lugares mais remotos fora da rota clássica de turismo. Vamos aguardar que surpresas seu experiente capitão Aleixo Belov estará reservando para nós visitantes de seu site (veja em nossos links: Polar 65 Fraternidade) em seus próximos relatos. Talvez esteja guardando para as próximas etapas algumas surpresas interessantes. Em se tratando de Aleixo, um aventureiro nato, acreditamos que isso irá acontecer.

Que esse novíssimo barco navega bem e inspira muita confiança, isso é inquestionável. As fotos que temos observado dele navegando com todo pano em cima sempre mostram um convés seco e quase sem adernar. Com sua mastreação à prova e balas e toda a segurança que seu casco metálico proporciona, já contávamos que enquanto viajasse em águas tropicais iria navegar como se estivesse em um lago. Sua chegada sem o mínimo contratempo à Tahiti é uma bela prova disso.

Polar 65 Fraternidade encostado a contrabordo de um catamarã na beira-mar de Papeete. Por coincidência esse é mesmo lugar onde ficou o Sea Bird, o veleiro da família de Roberto Barros.

Por uma dessas coincidências difíceis de acontecerem a foto acima do Fraternidade encostado a contra-bordo de um catamarã tipo polinésico mostra o mesmo ponto geográfico onde o valente Sea Bird, veleiro de vinte e cinco pés com o qual Eileen e Roberto Barros navegaram do Rio à Polinésia, ficou estacionado há mais de quarenta anos com a pequena Astrid , então um bebê recém-nascido, a bordo. Era na praça vista à direita da foto, o Parque Bougainville, onde Eileen levava a filha para aproveitar o sol da manhã. Tahiti pode ter se modificado bastante em todo esse tempo, mas esse parque que tanto amávamos continua intocado.

Aleixo já havia realizando anteriormente três voltas ao mundo, todas elas em solitário, com um veleiro de quarenta pés em fibra de vidro que ele mesmo construiu. Parece que uma força íntima o impeliu a retornar aos lugares onde viveu experiências inesquecíveis, agora desejando compartilhar com outros suas memórias.

Em Tahiti deverá juntar-se à tripulação um companheiro nosso no escritório Roberto Barros Yacht Design, o jovem engenheiro naval Rafael Coelho, um dos participantes na elaboração do projeto. Essa oportunidade será muito proveitosa, pois o Fraternidade,sendo um veleiro de características bem exclusivas, ainda tem muito que demonstrar. Numa prova importante disso ele já deixou evidente que seus atributos podem fazer diferença: como ao entrar no atol de Rangiroa, beneficiando-se de sua capacidade de reduzir calado, mantendo um perfeito controle do rumo ao cruzar a intrincada passagem para as água abrigadas da laguna interior, assegurado por seus dois lemes e a mobilidade proporcionada por seus dois propulsores, passando por onde veleiros de seu porte com quilha fixa nem poderiam sonhar em chegar lá.


Teste de mar para o Polar 65 Fraternidade

Nosso maior veleiro especializado para navegar em qualquer latitude, tanto em águas rasas como profundas, já tem sua primeira unidade em operação. Trata-se do Fraternidade, o barco que o conhecido navegador ucraniano/baiano, o engenheiro Aleixo Belov, construiu  para dar uma ambiciosa volta ao mundo pelos lugares mais interessantes do planeta, levando a bordo uma tripulação de cientistas, jornalistas, cineastas, mergulhadores e pessoas envolvidas com o mundo náutico.

O plano de Aleixo na realidade já começou a ser executado, com uma viagem teste de ida e volta de Salvador, onde o barco foi construído, até Fernando de Noronha.

Fraternidade ancorado em Fernando de Noronha. Foto Helio Viana

Aleixo é uma pessoa muito determinada e competente. Sendo um bem sucedido empresário, ele conseguiu organizar sua vida de forma a poder completar três voltas ao mundo em solitário sem que isso afetasse o crescimento de sua empresa de engenharia. É obvio que isso só foi possível graças à sua habilidade de colocar pessoa de confiança para realizarem as tarefas com a competência necessária para que sua firma não afundasse em sua ausência. 

Após sua terceira viagem de circum-navegação, um dia Aleixo se perguntou: e agora, que faço da vida? Tenho mais um filho? Não fazia sentido, pois já tinha uma grande família. Invisto no crescimento de minha empresa? Isso também não seria necessário, pois afinal ela de qualquer forma já estava se expandindo. Faço um novo barco altamente sofisticado tecnologicamente, um veleiro capaz de velejar nas piores condições de tempo e entrar nos lugares mais inaccessíveis? Porque não? Esse seria o tipo de desafio que sua mente irrequieta nunca iria deixar de desejar.

Na volta de sua terceira circum-navegação ele fez um charter de Ushuaya até a Península Antártica a bordo do veleiro Kotic, do físico russo Oleg Belly, um iate polar construído por ele em Dois Córregos, interior de São Paulo, barco cujo principal atrativo era sua quilha pivotável, sua firme preferência para o trabalho de turismo náutico nas condições prevalecentes nas regiões antárticas, onde a possibilidade de reduzir calado permite encontrar refúgios contra icebergs com muito maior facilidade. De volta ao Brasil, Aleixo foi informado que o escritório de projetos de iates com mais experiência em projetos de veleiros polares no Brasil era o nosso, se fosse levado em conta o aprendizado adquirido durante o desenvolvimento do projeto do Paratii I, de Amyr Klink, e posteriormente com o desenvolvimento de outros projetos de calado regulável com sistema de quilha pivotável. Essa experiência prévia deve ter sido o fator predominante para que tenhamos obtido a encomenda para desenvolver o projeto.  

O Polar 65 tem um layout interno excelente para serviço de charter em altas latitudes. A caixa da quilha pivotável no centro do barco favorece a colocação do salão social na parte de ré do barco, basicamente sob o cockpit.

Fortemente influenciado pelas ideias de Oleg, Aleixo veio ao nosso escritório com um rolo de rascunhos desenhados em papel manteiga com os rabiscos do barco que desejava construir. Ele estava pensando em um casco multi-chine para ser construído em aço, obviamente com uma quilha retrátil pivotável. O barco seria suficientemente grande para que a caixa da quilha se estendesse do fundo do casco até o convés, ficando as acomodações do interior distribuídas em torno desta caixa. A quilha deveria descrever um arco de praticamente 90° quando totalmente recolhida, desta forma reduzindo o calado de 4.50m para 1.50m, e ao longo deste percurso seria instalado uma inovadora cremalheira que bloqueasse sua posição em qualquer altura, uma segurança em caso do sistema de içamento se romper.

Assumimos a tarefa de projetar esse barco como uma grande oportunidade de criar alguma coisa realmente pioneira. Nosso acordo com Belov seria a de que o projeto ficaria como nossa propriedade, uma vez que ele não tinha interesse em exclusividade.

Em compensação oferecemos o serviço de alterações que desejasse efetuar durante a elaboração do projeto, o que acabou sendo um bom acordo para as duas partes, uma vez que ele apresentou durante o processo de elaboração varias novas sugestões bastante interessantes. O plano de estoque ficou com um estilo mais ao gosto do iatista comum, enquanto seu barco foi assumindo as características de um barco de serviço, no entanto os cascos permaneceram idênticos

O estilo mais sofisticado que desenvolvemos para o Polar65 em alguns aspectos difere do Fraternidade, mas essa é uma vantagem da construção metálica, que contempla essa possibilidade de alterações de acordo com as preferências de cada um. Renderização: www.ideebr.com

Aleixo levou aproximadamente cinco anos para realizar a construção, usando suas instalações e o pessoal de sua caldeiraria para tocar a obra. Sua criatividade e competência foram marcantes, e, levando em conta que ele se dedicou de corpo e alma na produção do barco, o Fraternide acabou se tornando um dos iates polares com uma engenharia das mais avançadas que se tenha produzido até hoje, uma boa oportunidade para nós do escritório, pois  com um cliente tão determinado e competente, pudemos acompanhar o desenvolvimento de muitas idéias interessante que foram aplicadas em seu barco e assim testar algumas opções diferentes das que teríamos produzido sem sua solicitação, sem precisar adotá-las no projeto de estoque. O resultado dessa parceria é que todos nós ficamos satisfeitos após um tremendo processo de tempestade cerebral.

Desejando passar a maior parte de seu tempo daqui para frente a bordo de sua máquina de expedições, não é de se estranhar que o Fraternidade tenha se tornado uma luxuosa residência, com quadros a óleo pendurados nas paredes e um salão social digno do aconchego de uma pousada de luxo. No entanto nem por isso o barco deixou de ser uma funcional embarcação de serviço, um bom exemplo disso sendo as instalações na cabine de comando que mais se parecem com um flybridge de navio do que o pilot-house de um simples iate. Nesse ambiente está instalada uma mesa de navegação do tamanho utilizado em navios, sob ela existindo um compartimento com lugar para estocar com sobras cartas náuticas do mundo inteiro, simetricamente a ela existindo um beliche para o navegador fora de quarto. O painel de instrumentos rivaliza-se com o de uma nave espacial.

A lista de equipamentos de navegação no pilot-house inclui piloto automático, radar, chart plotter, estação metereológica, VHF, SSB, uma bússola acoplada a três GPS que permite a leitura do rumo verdadeiro com absoluta precisão e o instrumento AIS, um detector automático de tráfego. Foto Helio Viana

Fraternidade foi lançado à água no início de 2009, no entanto seu dono só se sentiu suficientemente preparado para começar a utilizá-lo seriamente agora em julho, quando decidiu realizar um primeiro teste de mar mais sério, programando uma viagem de ida e volta de Salvador a Fernando de Noronha. Juntando uma tripulação de amigos e pessoas que ajudaram na construção, Aleixo saiu para o seu primeiro teste levando a bordo dois bons amigos nossos e também nossos clientes, pois construíram o hoje já legendário Samoa 29 Maraccatu, www.maracatublog.wordpress.com, a bordo do qual estão vivendo há quase dez anos, com ele já tendo navegado dezenas de milhares de milhas.

A primeira observação relevante que Hélio constatou foi a de que com as respeitáveis doze toneladas de peso da quilha móvel e seus incríveis 6.70m de boca, o barco nunca adernava além de cinco graus de inclinação, nem mesmo quando encontrava aqueles pirajás típicos dos alísios, quando entram rajadas bem fortes por alguns minutos. Aleixo então rizava as velas de proa no enrolador, muito mais para poupar o pano do que sua mastreação. O convés corrido desimpedido e a facilidade de manobras também impressionaram muito nossos amigos que se sentiam como se estivessem num navio de cruzeiro.

Velejando no contravento Fraternidade mal sentiu a força do vento . Aquele corredor de madeira é a tampa da caixa da quilha. Foto Helio Viana

A viagem a Fernando de Noronha foi bem tranquila, sem contratempos, e a tripulação aproveitou para apreciar sofisticadas refeições e curtir bastante a velejada. O barco provou-se ser tão fácil de manobras que até um navegador solitário poderia conduzi-lo.

Hélio ainda encontrou algumas pequenas coisas que precisam ser melhoradas, como, por exemplo, a falta de alças para se segurar dentro do banheiro e gancho para pendurar o chuveirinho tipo telefone, nada que não pudesse ser instalado numa próxima escala. Em seu caderninho de anotações Aleixo anotou nada menos do que cinqüenta itens a serem revisados ou melhorados, mas afinal de contas, teste de mar é para isso mesmo.

Nosso amigo ficou vivamente impressionado com o conforto do salão social. O enorme sofá em U circundando duas amplas mesas tem lugar suficiente para umas vinte pessoas se sentarem confortavelmente, com espaço de sobra para fazerem uma refeição. Uma cozinha completa a bombordo e um centro de comunicação do lado oposto, fazem desse ambiente o mais agradável que se possa encontrar no interior de um veleiro deste porte.

O Polar 65 Fraternidade já é parte do cenário náutico da Bahia. De agora em diante deverá ser visto nos mais diferentes lugares, em qualquer latitude. Foto Helio Viana

Aleixo está bastante contente com seu barco, apesar dos cinqüenta itens a serem revisados ou melhorados antes da próxima saída mais prolongada. Para nós também é um motivo para comemoração ter um veleiro polar tão fora de série cruzando os mares em alto estilo.

Enquanto isso um novo Polar 65 se acha em estágio adiantado de construção no estaleiro Metallic Boats, www.metallicboats.com.br, em Triunfo, Rio Grande do Sul. Isso significa que em breve teremos dois desses gigantes  navegando por aí.

Como temos recebido consultas sobre o projeto desde muitos países, como Noruega, Escócia, Canadá, Estados Unidos, Austrália...esperamos que a carreira do Polar 65 esteja só engatinhando e que outros barcos da classe serão construídos no futuro.

Polar 65: Um veleiro para navegar em águas rasas e profundas. Renderizações: www.ideebr.com 


POLAR 65 FRATERNIDADE SAIU NA REVISTA NÁUTICA

Em outubro de 2008 a Revista Náutica publicou uma reportagem escrita pelo jornalista Otto Aquino sobre o Fraternidade, o primeiro Polar 65 a navegar. Seu proprietário e construtor é nosso amigo Aleixo Belov, o navegador brasileiro com maior número de voltas ao mundo realizadas em veleiro.

O Fraternidade é um autêntico trator dos mares, o que nessa época de caos no clima e tempestades cada vez mais ferozes, certamente fará com que esse barco se torne um ícone como o barco ideal para expedições. Cofira abaixo a reportagem completa:

 
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Uma Máquina de Viagens
Saiu no blog do Maracatu: http://maracatublog.wordpress.com/

Convez do recém lançado Fraternidade - Foto © Hélio Viana

Logo que chegamos ao Terminal Náutico da Bahía, o antigo CENAB em frente ao Elevador Lacerda, Mara ligou para Aleixo Belov e qual não foi nossa surpresa ao saber que o barco que ele estava construindo desde que retornou da 3ª volta ao mundo, há quase seis anos, estava na água e pronto para os primeiros testes.

O Fraternidade pronto para velejar- Foto © Hélio VianaNo domingo de pouco vento e alguma chuva na Baía de Todos os Santos foi a segunda saída do Fraternidade e nós estávamos a bordo.

O barco de quase 70 pés, um projeto do escritório do Cabinho seguindo as especificações de Aleixo, é divido ao meio pela casa de máquinas e pela caixa da quilha retrátil (que tem um eficiente sistema de cremalheiras que evita uma queda acidental). Na ala de bombordo, com seis largos beliches de solteiro que podem ser isolados do resto to barco fechando apenas uma porta, vai a família Belov. Por boreste, também com três pares de beliches, acomoda os convidados e tripulantes em cabines sem porta – apenas uma cortina dá a privacidade para quem estiver fora dos turnos.

Alegria na mesa da sala - Foto © Hélio Viana O pilot house mais parece a sala de comando de um navio, com vários instrumentos em duplicata. Na proa tem um paiol com a área do nosso pequenino MaraCatu e toda a popa é tomada pela cozinha e por duas mesas enormes com tampos em jacarandá maciço (um achado que compete com parte das várias obras de arte coletadas nas três voltas ao mundo e espalhadas a bordo com muito bom gosto).

Teve fila para timonear essa massa de aço carbono (o convés é todo em aço inox), que carregado deve bater nas 100 toneladas. Impulsionado pelos dois motores Yanmar de 4 cilindros ronronando a 2200 giros, o leme me pareceu muito pesado. Já à vela, num ventinho de travéz de uns 12 nós, o barco não necessita de timoneiro. Oleg Bely, que faz charter na Antártica no Kotik, estava a bordo com a esposa Sofi e elogiou o desempenho do Fraternidade mesmo com pouco vento e sem a mezena (a vela do  mastro de ré). Durante a construção Aleixo teve longos papos com Oleg e muitas das soluções a bordo foram inspiradas no Kotik.

Oleg mostra o rumo a Lara - Foto © Hélio VianaA família Belov tem planos de já no próximo ano retornar a Polinésia. Lara, a filha mais velha do casamento com Lígia e que acabou de se formar em cinema, vai ficar responsável por registrar tudo e produzir um filme.

Mas aí eu pergunto: Aleixo, o que fazer com o Três Marias, o barco que te levou em segurança nas três voltas pelo mundo?

- "Vou tirá-lo da água, empacotá-lo e guardá-lo no nosso estaleiro em Mapele [perto do Aratu Iate Clube]. Bereco, meu parceiro na Belov Engenharia, vai cuidar dele. Na volta posso emprestá-lo, se algum filho se interessar em fazer a sua viagem".

Ao fim do passeio, depois de umas moquecas deliciosas na Ilha da Maré, só posso citar o Bereco, que construiu o Meu Velho e é grande parceiro nas Heinekens: o Fraternidade é realmente uma "máquina de viagens".

Ligia timoneia protegida pelos anjos da guarda - Foto © Hélio VianaAlexei se esforça na catraca do enrrolador - Foto © Hélio Viana

Polar 65, nosso pequeno navio de expedições

O Polar 65 é um barco de cruzeiro muito especial. Essa poderosa máquina de ir a qualquer lugar breve estará dando razão para muitos comentários entre velejadores.

Afinal não existem muitos outros veleiros de quarenta e cinco toneladas capazes de encalhar numa praia e sair calmamente na próxima maré. Sua quilha pivotável quando em sua posição abaixada é uma peça de altura impressionante. (Veja foto abaixo.) Mas é essa mesma quilha, com seu moderno desenho hidrodinâmico, que garante ao Polar 65 um excelente desempenho no contravento, mesmo nas piores condições de tempo.

Sendo provido de dois motores e dois lemes, o Polar 65 pode manobrar em ancoradouros apertados com facilidade, por isso não necessita instalação de "bow thruster". Por outro lado sua elevada estabilidade (o Polar 65 é categoria A no critério de estabilidade da Comunidade Européia) permite que navegue pouco adernado, não importa como o vento esteja roncando lá fora. Essa característica, aliada a um interior bastante confortável, é a razão de esse barco ser tão adequado para ser usado como veleiro de expedições ou charter.

O engenheiro ucraniano Aleixo Belov foi nosso primeiro cliente a construir um veleiro desta classe. Sendo um velejador fora de série, poucos anos após se formar, Aleixo construiu o "Três Marias", um veleiro de trinta e seis pés em fibra de vidro com o qual empreendeu uma volta ao mundo em solitário. Ao retornar escreveu o livro "Em busca do Oriente" no qual relatou suas aventuras, incluindo seu encontro com a jovem velejadora americana Tânia Aebi, assim como uma visita à sua terra natal, a Ucrânia, então parte da União Soviética. Com esse mesmo barco Aleixo empreendeu duas voltas ao mundo mais, sempre em solitário, tendo escrito mais dois best sellers relatando essas viagens.

Agora com seu Polar 65 "Fraternidade" ele não pretende mais velejar sozinho e sim fazer uma fundação para instruir jovens na arte de navegar e outras atividades relacionadas.

Possuindo um estaleiro no fundo da baía de Todos os Santos, em Salvador, Bahia, Aleixo não encontrou dificuldade para construir o barco, tendo usado seus próprios soldadores na obra.

Visitamos seu estaleiro alguns meses atrás quando tiramos as fotos mostradas abaixo.

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Enquanto isso outro Polar 65 está sendo construído pelo estaleiro Metallic Boats, de Triunfo, RS. O "Mar de Cristal", segundo barco da classe, em breve terá seu casco virado de cabeça para cima. José Antonio Moeller, o proprietário do estaleiro, acredita muito no potencial de barco de charter para navegar em altas latitudes do Polar 65, e está planejando construí-lo em série, para isso já tendo se preparado para montagem empregando chapas cortadas por CNC, desta forma reduzindo custo de mão de obra e tempo de construção.

Moeler, nosso antigo parceiro, já construiu uma coleção de barcos de nosso escritório, sempre com uma qualidade muito alta. Por isso estamos prevendo que ele será muito bem sucedido nesta nova empreitada.

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Polar 65, um novo conceito em desenho de veleiros de cruzeiro

A pouco mais de dois anos fomos procurados pelo engenheiro baiano//ucraniano Aleixo Belov, um velejador que completou três voltas ao mundo em solitário a bordo de um iate de 36 pés, para nos encomendar o projeto do novo barco que estava pretendendo construir, agora que não mais desejava navegar sozinho. Ele veio ao nosso escritório munido de um rascunho em papel manteiga com o esboço do barco que tinha em mente. Era um veleiro de aproximadamente 20m de comprimento com quilha retrátil pivotável, armado em ketch. Aleixo desejava construir um barco versátil, capaz de navegar em lugares de águas rasas, fora de alcance da maioria dos veleiros desse porte, e também enfrentar mal tempo quando velejando de proa, esperando que seu barco praticamente não adernasse nessas condições de navegação.

Ficamos contentes com o pedido e encaramos esse novo desafio com grande entusiasmo, pois há muito desejávamos desenhar um barco com estas características.

Aleixo já sabia que possuíamos uma longa experiência em projetos de veleiros de quilha retrátil. Talvez por isso muitas de nossas sugestões foram prontamente aceitas, ficando decidido que o novo barco, que iria se tornar um projeto de estoque, seria munido de dois lemes unidos a dois skegs com aberturas para dois hélices propulsionados por dois motores de 150hp. Até aquela data ainda não tínhamos visto aquela exata configuração em nenhum outro veleiro, mas acreditávamos na vantagem em manobrabilidade e controle de rumo proporcionada por dois lemes e dois motores, além de em caso de pane um ser o sobressalente do outro. Além disso os dois skegs iriam exercer a função de “keel coolers”, eliminando a necessidade de perfurações no casco para entradas dágua do mar para a refrigeração dos motores, uma solução muito conveniente em caso de navegação em águas muito poluídas por detritos, ou quando o barco vier a ser encapsulado pelo gelo.

Especificamos uma quilha pesando 12 toneladas pivotando num pino de aço inoxidável com 200mm de diâmetro. Além das doze toneladas da quilha, ainda colocamos mais seis toneladas de lastro interno, que junto a uma generosa boca na linha dágua, asseguram uma excelente estabilidade. (Veja projeto Polar 65, dados técnicos, STIX, índice de estabilidade adotado pela União Européia.)

Desenhamos um arranjo interno para pernoite de até treze pessoas. Afinal um barco deste porte com suas características muito provavelmente deverá ser usado para charter ou para expedições e um número adequado de camarotes e banheiros é fundamental para um conforto adequado dos tripulantes.

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O salão localizado na parte de ré do barco, possui duas mesas e um sofá em U, com espaço de sobra para abrigar toda a tripulação na hora das refeições. Além disso, ainda existe a boreste deste salão um compartimento exclusivo para servir de centro de rádio-comunicação e internet, ou área de trabalho em computador. Simetricamente a este compartimento está instalada a cozinha, tudo muito próximo e funcional. A casa de máquinas fica localizada sob o piso do ‘pilot house’ e todos os camarotes dão acesso a um corredor que circunda a caixa da quilha. Mesmo achando esse arranjobem funcional, acreditamos que cada construtor de um Polar 65 irá querer um arranjo interno personalizado, como já aconteceu com o Fraternidade, o barco de Aleixo Belov, o que no caso de barco metálico não é difícil de ser conseguido.

Após dois anos de trabalho intensivo o Fraternidade está na fase final de acabamentos e breve deverá estar navegando. Talvez por isso as pessoas estejam começando a descobrir o Polar 65. Uma nova unidade já está em construção na Metallic Boats, www.metallicboats.com.br, o estaleiro que mais fabricou barcos metálicos projetados por nós. Também fomos procurados pela prestigiosa revista de iates de cruzeiro francesa Loisirs Nautiques, que veio a publicar uma nota sobre este veleiro em seu número de outubro de 2007, que reproduzimos abaixo. Com essa divulgação o interesse pelo projeto aumentou significativamente e tão logo o primeiro Polar 65 estiver navegando, esse interesse com certeza deverá aumentar ainda mais.

Em tempos de aquecimento global e com a esperada alteração do clima que deverá trazer maior incidência de tempestades em todas as latitudes, um barco com as características do Polar 65 poderá ser uma boa opção para muitos cruzeiristas, ou comandantes de barcos de charter. Por essas razões ficamos tão contentes com a oportunidade de piojetar o Polar 65, um barco para as próximas gerações.

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POLAR 65 "FRATERNIDADE" JA TEM O CASCO CONCLUÍDO

Recebemos estas impressionantes fotos da virada do Polar 65 "Fraternidade", que está sendo construído pelo engenheiro Aleixo Belov em Salvador, Bahia.
O Polar 65 é um dos mais importantes projetos realizados pela Roberto Barros Yacht Design, seja por seu porte, seja pelas inúmeras inovações tecnológicas. O que mais chama a atenção na construção do "Fraternidade"é o seu alto nível de qualidade. Com todo o equipamento já adquirido e levado em conta a rapidez com que o casco foi fabricado, provavelmente até o fim do ano poderemos apreciar as primeiras velejadas deste barco pioneiro. milt


  *Fotos cedida por Nilton Souza - www.niltonsouza.com.brarti