Quilhas uilhas

Pop 25

Pop 25 - O mais simples veleiro projetado para construção amadora.

Desde agosto de 2011 os planos do Pop 25 já estão disponíveis em nossa linha de planos de estoque. Na realidade já existem os primeiros barcos da classe sendo construídos. No entanto ainda continuamos nos dedicando ao projeto, agora nos envolvendo com assuntos relacionados à capacidade do modelo de navegar em mar aberto.

O cockpit do Pop 25 oferece boa proteção para a tripulação graças ao dodger que envolve a gaiuta de entrada e abriga a parte da frente dos assentos. Uma targa de baixa altura permite a instalação dos paineis solares necessários para a produção de energia para o motor elétrico. Renderização: www.idéebr.com

Os últimos detalhes que produzimos foram um dodger que protege a entrada da cabine e a parte da frente dos bancos do cockpit, uma targa para a instalação de painéis solares e gerador eólico, fundamentais para suprir energia para a propulsão auxiliar sugerida que prevê a utilização de motor elétrico, e uma sugestão de leme de vento, um importante equipamento para aqueles que desejam fazer passagens mais prolongadas com o barco. No Pop 25 não é recomendada a utilização por longos períodos de piloto automático eletrônico, para poupar energia que pode vir a ser requerida pelo motor elétrico. Detalhar esses equipamentos não chega a ser função dos yacht designers, uma vez que esses equipamentos são opcionais. No entanto, no caso desse projeto a história é diferente. Na verdade o que estamos propondo é oferecer um veleiro de 25 pés com potencial para cruzar um oceano, se assim for desejado, uma proposta não tão comum assim para um barco desse porte. Em nossas ilustrações damos uma idéia de estilo e dimensões para esses equipamentos, o que pode ajudar nossos clientes a tomarem suas decisões.

O desenho do Pop 25 é uma tentative de permitir que um maior número de pessoas possa ter seu veleiro de cruzeiro oceanic. Renderização: www.idéebr.com

Também estamos trabalhando na demonstração de nosso método construtivo, que sendo uma ideia nova, é melhor que fique muito bem explicado. Nossa ideia é tornar tão clara a demonstração que praticamente não se torne necessário usar palavras. Francamente, ninguém merece cometer um engano na construção de barco projetado para fabricação amadora simplesmente por não ter compreendido como fazer uma determinada operação.

Não há nada demais em as pessoas quererem fazer alguma coisa diferente de nossa recomendações. O que desejamos evitar é que alguém erre por não ter entendido direito como fazer uma determinada operação.

O Pop 25 é muito fácil de ser construído, além de ser barato e bem rápido para ser feito. Além disso é insubmersível, possui excelente isolamento térmico e pode estacionar em seco sem precisar de carreta. Renderização: www.idée br.

Desenvolvemos os planos do Pop 25 com o firme propósito de ajudar as pessoas que desejam ter um barco de cruzeiro oceânico, podem dispender uma quantia mensal para fabricá-lo, mas não têm dinheiro em caixa para comprar um pronto. Para nós esse trabalho é uma causa à qual nos dedicamos com todo o entusiasmo.

O Pop 25 é suficientemente confortável para abrigar uma pequena familia, tanto quando estiver em porto, quanto em alto mar. Renderização: www.idéebr.com

Quando decidimos trabalhar como yacht designers, especificamente no desenvolvimento de barcos de cruzeiro, foi com o desejo de encontrar uma fórmula para tentar fugir, pelo menos por algum tempo, da opressão que sentimos existir em nossa volta. No oceano e em lugares menos densamente povoados, onde a natureza é ainda mais intocada, ainda é mais fácil de ser encontrada aquela sensação de liberdade que estamos quase nos esquecendo que ela possa existir.


Pop 25 – Finalmente o projeto já está disponível

Depois de muito trabalho e alguns adiamentos finalmente ficou pronto o projeto do Pop 25. Como é quase rotina, a cada novo projeto que desenvolvemos, sempre procuramos superar os anteriores, tanto em detalhamento, quanto em clareza de demonstração de nossas plantas. Por essa razão não é raro estourarmos o tempo previsto para concluir o trabalho. Como o mais importante sempre será qualidade, e o projeto terá tempo de sobra para fazer uma bem-sucedida carreira, até que não nos importamos muito quando atrasamos nosso cronograma.

Normalmente teríamos esperado até a conclusão dos trabalhos para só então anunciar o modelo. Mas dessa vez fomos convidados para dar uma palestra no Rio Boat Show de maio de 2011 e não quisemos perder a oportunidade de divulgar esse lançamento para o público do salão. Até que tentamos terminar o projeto coincidindo com a data da palestra, mas era muito serviço ainda faltando, e lançar naquela ocasião seria precipitado.

Valeu termos queimado o filme da surpresa do lançamento, pois a palestra foi muito concorrida e o interesse que a palestra despertou nos deixou em estado de graça . No fim fomos procurados por vários interessados em construir o barco, inclusive um visitante dos Estados Unidos que nos informou ter interesse em construí-lo em série.

Nota publicada na Revista Nautica de junho de 2011 a respeito da palestra que demos no Rio Boat Show
sobre o lançamento do Pop 25 em maio desse ano

No fim foi um gol de placa todo esse esforço. A mais importante decisão que tomamos foi a de disponibilizar as plantas antecipadamente para nosso amigo Daniel D'Angelo, de Buenos Aires, Argentina, que tinha demonstrado grande interesse pelo Pop 25, para construir o protótipo do modelo, garantindo-lhe apoio total com uma assistência técnica on-line, em contrapartida recebendo o presente de ter um barco construído simultaneamente com a finalização do projeto.

Daniel é um talentoso construtor amador. Sem ter experiência anterior alguma ele construiu o primeiro Samoa 28 a navegar, o veleiro Sirius, um barco que fez para a família e com o qual navegou de Buenos Aires até Punta Del Leste, Uruguai, pouco após terminar a construção.

O Pop 25 Horus, que está sendo construído em City Bell, Buenos Aires por Daniel D'Angelo,
levou exatos dez dias para ter suas onze anteparas e roda de proa preconstruídas em bancada. Foto: Daniel D'Angelo

Em um encontro na noite do Baixo Gávea, aqui no Rio de Janeiro, conversamos sobre o novo projeto que seria lançado, um barco bem diferente de tudo que já fizéramos anteriormente, cuja principal virtude para o construtor amador deveria ser seu baixo custo para um veleiro oceânico e a rapidez de fabricação. Como esses eram fatores importantes para ele, a decisão de construir o primeiro Pop 25 simultaneamente com a conclusão do projeto foi tomada naquela noite.

Agora isso já está se tornando um fato consumado e os interessados no projeto já irão encontrar uma galeria de fotos da fabricação do Horus nos links em nossa seção de links, Samoa 28 Sirius, Pantanal 25 Vega e Pop 25 Horus. É só clicar em cima à direita em Horus, abrindo o site clicando na bandeira argentina. As fotos datadas são uma prova que o Pop 25 é de fato um barco rápido e fácil de ser construído.

A sequência de fotos é bem didática, e dando o desconto que Daniel, sendo geólogo, trabalha um mês em campo e um mês no barco. Para julgar a velocidade de construção é preciso descontar cada mês que a construção ficou interrompida.

O Horus rapidamente vai tomando forma no jardim da casa de Daniel, no exato lugar
onde foi construído o Samoa 28 Sirius. Foto Daniel D'Angelo

Como a conclusão do projeto demorou um pouco mais do que prevíramos, acabamos ficando com uma lista de interessados que nos passaram e-mails interessados no projeto. Agora iremos respondera todos informando que o projeto já está disponível e que estamos prontos para atender a todos que quiserem construir o Pop 25.

As duas quilhas feitas com chapas de aço carbono com 20mm de espessura já estão cortadas e foram feitas
pelo serralheiro do bairro, uma das grandes facilidades do projeto. Foto Daniel D'Angelo

Daqui para frente iremos publicar em nossas notícias os principais acontecimentos da classe, especialmente sobre as construções que forem acontecendo em diferentes lugares.


Pop 25 - Notícias sobre a palestra no Rio Boat Show

Foi uma grata surpresa a boa recepção que teve nosso novo lançamento junto ao público que compareceu à palestra do dia primeiro de maio no salão náutico do Rio de Janeiro.

Como esse projeto é um barco bem diferente, estávamos um pouco apreensivos.

Pop 25, uma pequena revolução na construção amadora. Fácil e barato de construir, espaçoso internamente, insubmersível e isolado termicamente. Seu motor elétrico auxiliar permite que navegue sem consumir uma gota de combustível fóssil mesmo quando não houver vento. Renderização: www.ideebr.com

No entanto, pelas perguntas feitas após a palestra, vimos que o projeto causou um impacto bem favorável e muita curiosidade, e o que mais ouvimos foi que o Pop 25 será como os barcos do futuro.

A palestra foi narrada por mim, Roberto "Cabinho" Barros, e projetada por Fred Vecchi e Murilo Almeida, da Idée Industrial Design, parceiros da B & G Yacht Design, (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) na elaboração do projeto.

Como boa parte dos expectadores era de pessoas que possuem barcos nossos e nos conhecem pessoalmente, para dar um clima de espírito de corporação, chamamos Luis Gouveia, co-autor do projeto, para uma vídeo-conferência desde a ilha de Geoge-Gi, na Coréia do Sul, de onde o escritório está operando no momento.

Para que todo mundo entendesse um pouquinho o que estava acontecendo com esse escritório tão misterioso, funcionando desde o ouro lado do mundo, comecei a palestra com a história resumida de como há mais de quarenta anos tudo começou, quando o minúsculo Strip-Tease, nosso primeiro projeto, um veleiro de 4.80m de comprimento construído no quintal de casa, na então aldeia Ipanema, navegou do Rio de Janeiro a Santos e voltou sem problemas, em minha viagem de lua de mel. Não fosse a coragem e o desprendimento de minha esposa Eileen, talvez nada do que aconteceu depois teria sido possível, pois ela ainda foi companheira de muitas outras aventuras.

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Com essa introdução estava aberto o caminho para falar do novo projeto, o barco que projetamos para que pessoas assim como nós pudessem realizar seus sonhos de viagens em um veleirinho de cruzeiro.

Com 25 pés de comprimento comparados aos 16 pés do Strip-Tease, além de toda a evolução ocorrida em design de iates durante esse tempo, quando apresentamos o vídeo produzido pela Idée Design Industrial mostrando o Pop 25, a impressão da platéia foi a de que se tratava de um maxi-iate.

O mini-veleiro oceânico Strip-Tease levou o casal Eileen e Roberto Barros com segurança numa viagem de ida e volta do Rio de Janeiro até Santos em sua lua de mel, em dezembro de 1964.

Ao falar sobre o Pop 25, citei que é um barco insubmersível, tem um conforto interno de dar inveja a barcos bem maiores, e que pode navegar em qualquer direção, haja vento ou não, sem consumir uma gota de combustível fóssil, graças a seu motor auxiliar elétrico, que se transforma em gerador quando o barco navega à vela.

O Pop 25 pode ser construído por um amador sem experiência anterior. O fundo plano e o costado vertical permitem uma fabricação super-rápida, utilizando como ferramentas básicas prego e martelo. Renderização: www.ideebr.com

Quando mencionei que o Pop 25, não importando se feito por amador ou por estaleiro profissional, irá custar bem menos do que os barcos que se fabricam hoje em dia, então o interesse pelo projeto ficou estampado na fisionomia de muita gente.

O interior do Pop 25 é uma verdadeira casinha. Três beliches de casal em um barco desse tamanho deve ser um caso inédito. Renderização: www.ideebr.com

Pelas perguntas que nos fizeram após a palestra sentimos que o conceito apresentado deve ter mexido com a cabeça da galera.

Foi animador esse primeiro capítulo da história do Pop 25. Para nós que sempre nos empenhamos em ajudar pessoas de todas as idades a encontrar uma forma de ter seu barco oceânico, a sensação de que nosso trabalho teve boa receptividade foi um prêmio inesperado.

Pop 25, o veleiro oceânico que a B & G Yacht Design projetou em parceria com a Idée para tornar o esporte do cruzeiro a vela uma atividade mais democrática. Renderização: www.ideebr.com.

Até o fim de maio o projeto deverá estar disponível, mas antes disso o protótipo já está sendo fabricado.

Quem iniciou a construção foi nosso amigo Daniel D'Angelo, o primeiro construtor a terminar um Samoa 28, o Sirius, embora não tenha sido o primeiro a adquirir o projeto.

Daniel o construiu no jardim de sua casa, em Buenos Aires, Argentina. Pouco após a inauguração participou da regata Buenos Aires - Punta del Leste obtendo boa colocação na regata. Satisfeito com a experiência, em seguida construiu o Vega, um Pantanal 25, com o qual vem se dando super-bem na temporada de regatas de 2011. Daniel espera estar com seu Pop 25 terminado em poucos meses e ofereceu nos fornecer a planilha de custos de sua construção para que possamos publicá-la em nosso site.


Pop 25, palestra no Rio Boat Show

No dia 1° de maio de 2011 às 20:00 Murilo Almeida e Roberto Barros irão apresentar uma palestra sobre o próximo lançamento do escritório Roberto Barros Yacht Design, (B & G Yacht Design na Austrália) no pavilhão de palestras do Rio Boat Show. O barco em questão é o Pop 25, um projeto de veleiro oceânico mais fácil e mais barato para ser construído do que o usual, uma pequena revolução na construção amadora.

O escritório B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) irá fazer em 2012 vinte e cinco anos de atividade. Durante todos esses anos o estúdio já produziu mais de cem projetos, alguns deles tendo se consagrado como verdadeiras lendas em desenho de iates, havendo centenas de unidades de alguns desses projetos navegando ou em construção.

Essa história bem-sucedida teve início duas décadas antes, quando Roberto Barros e sua esposa Eileen foram velejando do Rio de Janeiro até a Polinésia Francesa a bordo do Sea Bird, um veleiro de 7.5m de comprimento desprovido de motor de centro, numa aventura pioneira, tendo sido os primeiros brasileiros a cruzar o Canal de Panamá e atravessar o Oceano Pacífico até as ilhas da Polinésia. Essa viagem, que depois rendeu o livro "Do Rio à Polinésia", foi semente de sonhos de muitas pessoas que desejavam chegar a lugares praticamente inacessíveis por outras formas de transporte.

Já na década de sessenta a família Barros tinha um cuidado especial em produzir uma atmosfera aconchegante ao interior da cabine. Para a inglesa Eileen o "five o'clock tea" não poderia faltar, embora falhando um pouquinho na pontualidade britânica. Foto Roberto Barros

A viagem do Sea Bird ensinou a Roberto e Eileen que não é necessário possuir um iate de luxo para que se possa sentir feliz. Em seu veleiro desprovido das mínimas amenidades do mundo moderno, tais como água corrente na pia da cozinha, luz elétrica, altura suficiente para ficar em pé dentro da cabine, além de não contar com qualquer meio de se comunicar de bordo com o exterior, mesmo assim não se lembram de ter passado momentos melhores em suas vidas. Apenas uma característica do barco era um pouco preocupante. Ele era estreito como uma faca cortando a água. Com pouco mais de 1.90m de largura máxima, o Sea Bird andou aprontando algumas ciladas aos seus tripulantes, como uma capotada quase completa no Mar do Caribe, ao ser atingido por um rabo de furacão que o fustigou por mais de vintee quatro horas, quando Eileen, em um de seus quartos ao leme, foi jogada ao mar, sendo salva pelo cabo de segurança, obrigatório para quem estivesse fora da cabine. (O barco apontou o mastro para o fundo do mar ao ponto de que tudo que estava solto a bordo ter ido parar no teto da cabine).

Ao chegar ao Panamá uma surpresa aguardava o casal. Eileen descobriu que estava grávida e a travessia do Pacífico a pegou nos primeiros meses da gestação, o que a fez marear muitas vezes, mesmo quando o mar estava calmo como um espelho.

Após terem navegado por um bom tempo pelas ilhas da Polinésia, estabeleceram-se em Papeete, capital da Polinésia Francesa, e em março de 1969 nasceu naquela cidade Astrid Barros, talvez a única brasileira natural da capital da Polinésia Francesa. Apesar de o parto ter sido por cesariana, três dias após o nascimento a família já estava instalada de volta a bordo, pois ali era seu único e verdadeiro lar...

Eileen levando a pequena Astrid para aproveitar o sol da manhã no Parc Bougainville localizado a poucos metros de distância de onde o Sea Bird estava atracado. Foto: Roberto Barros

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Quando o escritório de projetos foi criado ficou decidido que um de seus principais objetivos seria ajudar pessoas com menor poder aquisitivo a possuir um veleiro oceânico. Os barcos menores de nossa linha deveriam ser robustos e capazes de resistir a mau tempo, tão incólumes quanto o Sea Bird, no entanto abandonando o conceito das instalações espartanas do primeiro modelo.

Para atender à comunidade de pessoas sem condições de comprar um barco oceânico produzido em serie, relembrando a feliz experiência do Sea Bird, o escritório desenvolveu o projeto do MC23, primeiro veleiro para construção amadora oferecido ao mercado náutico brasileiro.

Multichine 23 MXII Sollazzo. É surpreendente como esse veleiro é volumoso e confortável. Cortesia: Flávio Traiano

A iniciativa foi sucesso absoluto. O projeto agradou tanto que hoje existem mais de trezentas unidades navegando ou sendo construídas. O modelo, embora mantendo o mesmo desenho de casco do projeto original, já está numa quarta versão, sempre tendo sido alcançado algum refinamento em cada nova versão. Em 2006 o projeto foi publicado em forma de livro, tornando-se um campeão de vendas da B & G Yacht Design.

No entanto não foi sem merecimento que essa carreira bem sucedida aconteceu. O MC23 é um perfeito iate oceânico, capaz de realizar o mais ambicioso dos cruzeiros a vela, e sua construção está ao alcance do mais inexperiente dos amadores, como já foi comprovado por inúmeros construtores.

O MC23 MKIV é um verdadeiro veleiro oceânico, sendo robusto, confortável e marinheiro como poucos barcos de seu porte. Cortesia: Flávio Traiano

A carreira de sucesso do MC23 praticamente seguiu paralela à de Astrid Barros. Tendo passado a infância e a juventude envolvida com a náutica esportiva, tanto como competidora no calendário de regatas, quanto por participar de cruzeiros de longo curso, como a travessia do Atlântico entre o Rio de Janeiro e a África do Sul e uma viagem até às Ilhas Falklands/Malvinas, ambas a bordo do Maitairoa, um veleiro de 30 pés construído pela família em sua casa de campo em Itaipava, localidade situada nas montanhas próximas ao Rio de Janeiro, não foi por falta motivação que ela escolheu engenharia naval como sua profissão, tendo depois obtido o diploma de doutorado em hidrodinâmica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O escritório Roberto Barros Yacht Design foi criado para transformar o gosto da família pelo mundo da náutica num esforço empresarial. Quando Astrid se casou com o engenheiro naval Luis Gouveia, esse também entrou para a firma, tornando-a então mais do que nunca uma empresa francamente familiar.

Paratii, o veleiro polar do navegador Amyr Klink, é um dos mais vitoriosos projetos desenvolvidos pelo escritório Roberto Barros Yacht Design, esse em parceria com o engenheiro naval paulista Gabriel Dias. O Paratii foi laureado com o prestigioso Tilman Prize, conferido pelo Royal Cruising Club da Inglaterra, como sendo um dos cinco melhores veleiros polares de todos os tempos. Foto: Boletim da Regata Recife - Fernando de Noronha 2010

No entanto, apesar do estilo informal do escritório, a empresa rapidamente ganhou reconhecimento no ramo de projetos de embarcações de recreio. O estúdio, localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, em pouco tempo passou a ser considerado um autêntico clube de náutica, não havendo distinção entre clientes e amigos. A empresa também se tornou pólo de atração para jovens que se interessassem por yacht design, tendo formado uma pequena equipe de talentosos profissionais.

Astrid Barros, a brasileira que nasceu na Polinésia Francesa, deixando a plataforma que tinha ido inspecionar em Abu Dabi, Emirados Árabes. Cortesia: Astrid Barros

Em 2007 aconteceu uma mudança importante na história do estúdio. Após vinte anos de atividade sempre no mesmo endereço, Astrid recebeu um convite para trabalhar em uma multinacional de engenharia, quando então ela e Luis se transferiram para Perth, Austrália, levando com eles o escritório de projetos, tendo na ocasião mudado de razão social, passando a se denominar B & G Yacht Design (B & G de Barros e Gouveia). A mudança trouxe vantagens fiscais, pois, ao contrário do Brasil, quando os impostos em cascata engolem boa parte do faturamento, na Austrália vendas para fora do país são isentas de imposto, sendo que para o mercado interno é cobrada uma única taxa de 9%. Como a maior parte das vendas é para outros países, pois o mercado australiano é relativamente pequeno, foi um sonho essa mudança. Roberto Barros e sua esposa Eileen permaneceram no Brasil mantendo contato com os clientes locais. A empresa original foi mantida exclusivamente para atender a brasileiros que não desejassem adquirir um projeto no exterior.

A equipe que trabalhava em parceria com o escritório continuou prestando serviços on-line, pois com a facilidade de trabalho à distância que existe hoje em dia, não existe mais necessidade da presença física para desenvolver projetos em grupo.

Perth recebeu bem a família brazuka. Os filhos logo nas primeiras semanas já estavam matriculados em escolas públicas, e segundo Luis e Astrid, os australianos sendo bem parecidos com os brasileiros em seu jeito casual e pouco formal de ser, logo permitiu que se sentissem em casa como cidadãos locais. Em dois anos o casal de filhos estava falando inglês fluente com sotaque típico australiano e a família já tinha adquirido casa própria, onde passou a residir. No entanto ainda iriam ocorrer mais duas mudanças em função de contratos de trabalho que iria alterar a estrutura da empresa e da família, já tão bem estabelecida, a primeira foi uma mudança para Cingapura, onde ficaram por um ano e meio, e mais uma vez tiveram que trocar de endereço, indo parar na ilha de Geoge-Gi, no sul da Coréia do Sul, próximo à cidade de Busan, onde está estabelecido o estaleiro da Samsung.

A família se divertindo em uma estação de esqui da Coréia do Sul junto com alguns amigos brasileiros. O segundo da esquerda é Christian Gouveia, o filho mais velho do casal. Os dois da direita são: a filha caçula Juliana e Luis Gouveia. Foto: Astrid Barros.

Somente em mais dois anos o contrato de permanência na Coréia deve terminar e então o escritório deverá operar definitivamente desde a Austrália. No momento só o departamento de contabilidade permanece funcionando em Perth

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O Pop 25: Durante quase vinte e cinco anos o escritório se dedicou principalmente a produzir projetos de veleiros de cruzeiro, tendo desenhado dezenas de planos destinados a esse propósito. Alguns desses modelos tornaram-se verdadeiras legendas na vela de cruzeiro, com muitas unidades construídas, algumas delas tendo realizado feitos consideráveis. (Veja os veleiros projetados pelo escritório B & G Yacht Design que realizaram travessias oceânicas listados no site da empresa na seção Hall da Fama)

Quando lá pelos idos de 2009 as economias dos mais importantes países despencaram, levando em conta os tempos difíceis que atingiram principalmente as classes médias, decidimos que estava na hora de projetar um veleiro realmente barato e fácil de ser construído, totalmente ao alcance do amador.

Se muitos velejadores de posses limitadas passaram a encontrar dificuldades para adquirir um barco novo, ou mesmo de segunda mão, uma saída para os que não deixaram de sonhar ficou sendo a construção amadora, quando o barco pode ser construído de acordo com a disponibilidade mensal de cada um, sem requerer desembolso de uma só vez. (O custo da construção no início da obra é bem pequeno).

O nome Pop 25 não foi escolhido por acaso. É o barco que pelo seu baixo custo e facilidade de construção deverá representar uma pequena revolução na construção amadora, tendo tudo para se tornar um modelo realmente popular!

O desafio: Conseguir um veleiro de cruzeiro capaz de navegar em mar aberto na faixa dos 25 pés não é uma tarefa fácil. Existem veleiros mais antigos á venda com condições de navegar em mar aberto, mas, ou seus desenhos são ultrapassados, ou estão em mau estado, às vezes as duas coisas. É pouco provável que nos dias de hoje algum fabricante se interesse em produzir um barco desse porte para cruzeiro oceânico, uma vez que o grande mercado para essa faixa é o de modelos de passeio/regata, nem adequados, nem tampouco robustos o suficiente para se passar períodos mais prolongados a bordo ou fazer travessias em alto mar.

No entanto, pela longa experiência adquirida com os construtores dos barcos menores desenhados pelo escritório, ficou provado que existe gente que não acaba mais que prefere ter um barco menor com características oceânicas do que não ter coisa alguma.

A alternativa: Foi pensando principalmente na construção amadora que o Pop 25 foi desenhado. Esse barco deveria ser a luz no fim do túnel, o veleiro para ser feito pelo mais leigo dos amadores. Além disso, era imprescindível que fosse robusto e tivesse um desempenho empolgante, para que todo o esforço para construí-lo fosse plenamente recompensado.

O sistema de construção: Foi escolhido o sistema compensado/epóxi por ser o método mais prático, rápido e econômico para construção amadora, além de produzir barcos extremamente rígidos para seu peso que praticamente não requerem manutenção.

Até aí não há grandes novidades, pois existe uma grande quantidade de projetos para construção amadora em compensado/epóxi. Mas o objetivo era oferecer ao mercado alguma coisa realmente nova, um algo a mais que permitisse desde o inicio do trabalho visualizar os progressos da obra de forma bem nítida, dando ânimo ao construtor inexperiente para prosseguir com cada vez mais entusiasmo.

A fórmula encontrada para viabilizar uma construção rápida e fácil desde o início foi a de simplificar a fabricação das balizas construtivas, que no caso do Pop 25 são onze anteparas ou semi-anteparas pré-construídas em bancada. A simplicidade para fabricá-las reside no fato delas serem basicamente retangulares, somente com seus dois cantos inferiores chanfrados. A parte superior onde convés e cabine se apóiam também é toda composta de segmentos retos, uma facilidade bastante significativa.

Toda a moldura externa dessas anteparas, ou seja, cavernas e vaus, é feita com réguas de 40mm x 20mm coladas sobre painéis de compensado de 10mm de espessura. Cada antepara requer apenas poucas horas de trabalho para ser fabricada, o que é um fator de incentivo nessa fase inicial da construção.

O que possibilitou desenhar esse tipo de casco foi a própria evolução da arquitetura naval, quando fundos planos e costados verticais, como os do Pop 25, estão se tornando cada vez mais populares, por ser essa configuração o estado da arte em barcos de alta competição, tanto por aumentar a estabilidade, quanto por contribuir para uma passagem pela água com menos turbulência, resultando em cascos mais velozes.

No Pop 25 as anteparas são construídas com compensado naval e sarrafos retilíneos. Renderização: www.ideebr.com

Aproveitando os novos conceitos que vão se tornando cada vez mais populares, foi adotada no projeto do Pop 25 a solução de duas quilhas e dois lemes, o que combinou muito bem com o estilo do casco.

Uma contribuição inovadora foi o emprego de parede dupla nos costados, o que resultou em um revestimento forte, fácil de fazer e que proporciona excelente isolamento térmico. Convés e teto da cabine também são construídos desta forma.

Uma das características da construção do Pop 25 é requerer um mínimo de ferramentas. O barco é montado como se fosse um jogo de armar. Como todas as peças que o compõem são coladas com epóxi, tudo pode ser pregado com pregos de ferro comuns até que o epóxi cure, quando então esses pregos são retirados. Isso é fácil e rápido, além de representar uma considerável economia.

O método construtivo empregado no Pop 25 deverá se tornar um marco na construção amadora, seja pelo baixo custo, seja pela rapidez e facilidade de execução da obra. Renderização: www.ideebr.com

Conceito: Acima de tudo o Pop 25 se destina à navegação oceânica. Para isso os componentes conforto e segurança foram as principais prioridades na elaboração do projeto. Além desses fatores houve uma preocupação no sentido de especificar apenas materiais facilmente encontráveis em qualquer lugar. Também não pode ser esquecido que tudo foi planejado para ser executado por um sistema construtivo significativamente simplificado.

O barco é muito confortável para seu tamanho, podendo abrigar até seis pessoas para pernoite. Com um interior bem funcional, possuindo três camas de casal, banheiro separado, cozinha e mesa de navegação, ele é surpreendentemente espaçoso para seu tamanho. Um fator de conforto extra foi dotar o corredor de um lugar estratégico, exatamente sob a gaiuta principal de entrada da cabine, onde o pé direito ficou sendo de 1.80m, isso tendo sido obtido sem adotar uma borda livre excessiva, o que iria prejudicar a estética e o desempenho do casco. Nesse local fica fácil para a maioria das pessoas vestirem uma roupa de tempo sem precisar realizar contorcionismos para isso.

O Pop 25 foi projetado pensando nas pessoas com espírito esportivo que sonham em realizar cruzeiros à vela. É fundamental que o modelo transmita uma forte sensação de segurança e que principalmente ofereça o conforto necessário para poder ser habitado por períodos mais prolongados, sendo sobre esses conceitos que o escritório se debruçou com mais afinco durante toda a elaboração do projeto.

Por outro lado era fundamental que o barco fosse um veleiro de desempenho empolgante e fácil de ser manobrado para que o prazer de velejar se fizesse presente.

O fato de o Pop 25 ter duas quilhas e dois lemes instalados em uma carena desenhada para ser veloz contribuiu para isso, além de favorecer sua utilização onde a variação de marés seja expressiva. Suas duas quilhas permitem que o casco fique apoiado sobre seus bulbos em forma de ogiva como se fossem os esquis de um trenó, seja quando a maré baixe, ou quando for deixado em seco no pátio de um clube ou marina.

Uma característica do projeto é seu plano vélico sem estai de popa e com gurupés fixo. As duas velas de proa, ambas providas de enrolador, podem ser mantidas em seus respectivos estais, enquanto que a vela grande pode ficar na retranca quando o barco estiver estacionado, dessa forma não estorvando o interior da cabine com volumosos sacos de vela. O grande cockpit abrigado por um dodger sobre a gaiuta de entrada oferece abrigo eficiente aos tripulantes que estiverem sentados junto à parede de ré da cabine, o que proporciona uma sensação de proteção fora de série, especialmente quando velejando no contravento. A sugestão de propulsão auxiliar utilizando um motor elétrico que funciona como gerador quando o barco estiver velejando é uma opção interessante e ecologicamente correta que deverá interessar a muitos construtores.

O projeto foi desenvolvido em parceria entre a B & G Yacht Design e o estúdio de design Idée, de Frederico Vecchi e Murilo Almeida. A dupla já trabalha com o escritório há muito tempo, sendo deles quase todas as renderizações e fotoshops que ilustram o site da B & G Yacht Design.

O veleiro protótipo da classe está sendo fabricado a toque de caixa em Buenos Aires, Argentina, pelo cliente e amigo Daniel D'Angelo, o construtor que apesar de não ter sido um dos primeiros a iniciar a construção, foi o primeiro a concluir um Samoa 28, o Sirius. Logo em seguida Daniel fabricou um Pantanal 25, o Vega, com o qual vem participando de regatas no Rio da Prata, obtendo excelentes resultados.

Enfim, o Pop 25 é um barco para conquistar muitos corações. É nossa aposta do barco para os novos tempos.