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Samoa 34

Samoa 34 Luthier socorre veleiro Samsara na Refeno 2010

A regata Recife –Fernando de Noronha com cento e sessenta barcos inscritos para uma travessia de trezentas milhas em oceano aberto, coisa rara no calendário brasileiro, é inevitavelmente um evento onde, ano após ano, sempre ocorrem vários acidentes assim como um bom número de desistências pelos mais variados motivos. Esse ano, tendo havido condições mais duras do que a média em edições anteriores, o número de desistências foi mais expressivo e um de nossos barcos foi envolvido num incidente curioso. A Marinha do Brasil dá um apoio excepcional ao evento, mas dessa vez o número de emergências superou a quantidade de navios disponíveis para prestar socorro, o que ocasionou o caso relatado a seguir por nosso amigo Dorival Gimenez, o proprietário do Samoa 34 Luthier.

Dorival nos passou um e-mail contando o fato e também relatou a história em seu blog, uma saga de coragem e boa marinharia por parte das duas tripulações. Ambos os textos estão reproduzidos a seguir:

Caros Luis e Cabinho

Vejam no nosso blog (www.veleiro.net/luthier) a nossa história no resgate do Veleiro SAMSARA. Estávamos indo bem, com mar muito alto e ventos de 30 nós, rizados, mas a Catarina estava com febre e eu, muito mareado. Desistimos quando, salvo engano, na nossa classe (aberta b) só tínhamos um Dufour 405 à nossa frente. Mas, logo que desistimos da REFENO, nos envolvemos no resgate do Samsara.

O Luthier foi capaz de rebocar sem problemas um veleiro de regata de 40 pés, com nove pessoas a bordo (um dos tripulantes embarcou no Luthier), por 60 milhas.

O que eu quero ressaltar a vocês é a impressionante manobrabilidade do Luthier. Em portos, em geral bem abrigados, sempre foi muito fácil colocá-lo nas vagas das marinas. A resposta do leme, em mar de 3 a 4 metros, com 20 nós de vento, para resgate de homem ao mar e pescar bóia com cabo para reboque, foi impressionante. Com velocidade de 1,5 a 2 nós, eu tinha completo domínio do barco. 
Mais uma vez, parabéns pelo projeto.
Abraço
Dorival - Veleiro Luthier

Luthier em uma poita no Rio Potengi. Setembro de 2010

Muitas vezes, iniciamos uma atividade, projeto, viagem, etc…, imaginando um determinado fim, e a coisa toda toma outros rumos. A viagem à vela é mestra nisso. Saímos com um destino, mas chegaremos aonde for possível, e quando der.
Regatas, a versão esportiva da vela, é uma atividade com começo, meio e fim bem definidos, cheia de regras (não conheço todas) e, principalmente, no caso da oceânica, a única coisa certa é a largada.

Largamos na REFENO rizados. Após alguns bordos, já estávamos montando a bóia norte, e rumando para Fernando de Noronha. Eu e a Catarina achamos o mar alto, mas parecia que dava para continuar até um outro ponto de decisão definido por nós, próximo a Cabedelo. Chegando lá, decidimos continuar.

Mais adiante, o mar começou a piorar muito, e rajadas de vento de 30 nós começaram a ser frequentes. A Catarina começou a piorar da garganta e eu a ficar muito mareado. Os eventos começaram a ocorrer: barcos mais atrasados em relação a nós começaram a reportar perda de controle do leme, e arribaram para Cabedelo; muitos informavam que seus tripulantes estavam mareados; outros tiveram carrinhos da escota da mestra arrebentados; genoas rasgando; e apareceram os primeiros dois casos de pedido de resgate de tripulante em más condições de saúde, sendo um caso grave. Esses dois últimos pedidos de resgate demandaram uma das embarcações da Marinha.

O mar aumentou ainda mais, e o vento ficou sustentado em 30 nós. O Luthier ia bem, salvo engano, estávamos em segundo lugar, com somente um “Dufour 405” à nossa frente. A situação do mar e ventos não pareciam ser problema para o Luthier, mas eu já estava ficando sem forças, e a Catarina, cada vez pior da garganta, desenvolveu um quadro febril. Decidimos abandonar a REFENO e rumar para Natal, 40 milhas mais perto do que Fernando de Noronha.

Assim que acertei a rota para Natal, tudo melhorou, porque ficamos com mar e vento de alheta. Pouco tempo depois que avisamos o navio patrulha da Marinha de que estávamos abandonando a Regata, fomos chamados no rádio por dois barcos: o trimarã Nativo, então sem mastro, e o veleiro SAMSARA, sem o leme, que quebrou e se perdeu

no mar. A Marinha, que estava com um navio socorrendo os tripulantes resgatados, e outro muito adiante, perto de Fernando de Noronha, acionou um outro navio patrulha, que demandou de Natal para socorrer esses dois barcos.

O Veleiro SAMSARA, um 40 pés de regata (fibra de carbono), então sem leme, com 10 tripulantes, dentre eles uma mulher e dois adolescentes, me pediu para fazer ponte de rádio com os navios da Marinha. A essa altura, a única possibilidade foi o SSB. Perguntado pelo operador do navio da Marinha se poderíamos assistir ao Samsara, respondi que sim.

Não sei de onde arrumamos forças para velejar no rumo para encontrar o SAMSARA, o mesmo da Regata. Voltamos a ter vento aparente de 30 nós, 60°, e ondas de amuras de 3 a 4 metros: o inferno havia retornado.

Falávamos com o Samsara a cada 30 minutos, pelo VHF, para trocar posições, e em seguida eu as passava (a nossa e do SAMSARA) para o Navio da Marinha, inicialmente pelo SSB, e depois por VHF.
A cada contato com o SAMSARA, eu percebia que eles estavam mais calmos, provavelmente pela certeza de que pelo menos comunicação, havia. Essa é a mágica do rádio.

Eles derivavam um minuto para o norte, a cada meia hora. Levamos três horas para chegar até eles, velejando a 6,5 nós, com poucos panos. Quando os avistamos, demos proa ao vento, baixamos velas, ligamos o motor e nos aproximamos para jogar uma retinida com uma pinha em uma das pontas, e dois cabos de seda de 40 metros cada, para amarrar em um cabo de fundeio deles, e dar início ao reboque.

Consegui jogar a retinida para eles, mas uma onda jogou o Luthier em cima do SAMSARA, e na manobra de evasão, acabamos por tocar os mastros, o que resultou, por sorte, só na perda das birutas do Luthier. Eles não conseguiram atar os cabos a tempo, e a manobra, muito arriscada, foi inútil.

O comandante do SAMSARA sugeriu que um tripulante dele mergulhasse e nadasse até o Luthier, trazendo um cabo para atar aos meus. Preparei tudo, e passei próximo ao mergulhador a 1,5 nó, velocidade mínima para que eu tivesse governo do Luthier. O mergulhador, por questão de centímetros, não conseguiu pegar o cabo que joguei.
Não deu, pensei (@#$%¨$$##@@# )! Já tinha um barco à deriva, sem leme, e agora tenho um homem ao mar!

O mergulhador usava um colete importado dotado de um sistema automático de inflar, e com uma forte luz piscante (strobo). Eram 4:00 hs da manhã, noite ainda. Eu pedi à Catarina que apontasse o tempo todo para o mergulhador e fiz, pela primeira vez, a manobra que li nos livros: cheguei a sotavento dele, e quando ele estava perto da popa, cortei o motor, que estava lento, e dei um cavalo de pau no Luthier. O mergulhador ficou posicionado bem à popa do barco, então, joguei a retinida a ele, e o puxei para bordo. Mais uma vez, ainda bem que a popa do Luthier é aberta!

Depois dessa, decidimos que o Samsara colocaria uma bóia com uma luz atada a um cabo longo, e que eles teriam ainda outro cabo atado a esse para, assim que pegássemos a bóia, eles fossem “dando linha”, para que tivéssemos tempo de atar os cabos de reboque. Foram quatro passadas, até que, finalmente, conseguimos pegar a bóia e atar os cabos.
Meus cabos de seda elásticos, e os cabos de âncora do Samsara, juntos, davam uns cem metros; a bóia que ficou no meio deles foi muito útil.

Tudo certo, respiramos fundo e iniciamos a operação. Adotei um rumo direto para Natal e coloquei o motor a 2000 giros, o que nos permitia andar a 3 nós de velocidade. A popa do SAMSARA balançava para os lados, descontrolada. Eles lançaram cabos pela popa com uma porção de tralhas, inclusive esses galões plásticos para combustíveis, que funcionaram muito bem, estabilizando a popa. Dessa forma, com o cabo sempre esticado, sem tranco, e com o motor na temperatura normal, iniciamos os turnos no Luthier. Nessa hora, é que o anjo que eu tenho a bordo (Catarina) começou a trabalhar: fez os turnos com o tripulante do Samsara a bordo, porque eu, depois que tudo estava bem, voltei a marear fortemente.
Foram 60 milhas de percurso até Natal, totalizando 20 horas, tempo para eu pensar em como entrar na Barra do Rio Potengi, em Natal.

Depois de algum tempo de percurso, percebi que o SAMSARA derivava para bombordo, o esperado, porque as ondas e vento vinham de SE, e a corrente também. A 5 milhas da barra, perguntei ao navio da Marinha, que já nos acompanhava, se eles também percebiam essa tendência do Samsara. Confirmado. Resolvemos encurtar o cabo de reboque, ficamos com uns 40 a 50 metros.
Adotei um rumo mais para o sul, de forma a fazer uma curva de aproximação que deixasse o Samsara a meu boreste na entrada do rio, e então, após eu passar, seria só controlar a velocidade para que ele derivasse mais ou menos para bombordo, e também passasse bem no meio do canal. O perigo são as pedras ao norte marcadas pela bóia 2.

Com cuidado, e a 3 nós de velocidade, o Luthier entrou bem no meio do canal. Fui acelerando para diminuir a deriva do SAMSARA e, a 4,5 nós, o SAMSARA entrou bem no meio do canal. Fiquei muito contente, porque as horas em que eu fiquei planejando essa entrada valeram à pena: tudo ocorreu como pensado.

Dentro do rio, a lancha do prático se posicionou a contra-bordo do SAMSARA, e largamos os cabos de reboque.
A experiência dos tripulantes do SAMSARA (o que estava a bordo do Luthier foi da equipe de terra do Brasil 1), o acompanhamento da Marinha pelo rádio, e a robustez do Luthier, fizeram com que tudo terminasse bem, sem maiores prejuízos, e, principalmente, sem feridos.

Fora a primeira tentativa de lançar os cabos, muito arriscada, todas as outras operações foram bem pensadas, por todos nós, dos dois barcos, realizadas com calma, e sem heroísmos.
O Mar às vezes é rude, judia, mas aproxima as pessoas. Estou feliz de ter feito parte deste resgate. Outras REFENOS virão.

Dorival


Samoa 34 Zait – Viagem à Angra dos Reis

Você que visita nosso site deve se lembrar bem das matérias que já fizemos sobre o Zait. Ele é um dos mais bem-construídos Samoas 34, e Daniel Sequerra, seu proprietário, é um apaixonado pelo modelo. Agora ele deu uma velejada em solitário do Rio para Angra dos Reis e nos enviou esse e-mail relatando a aventura: Caros amigos da Roberto Barros Yacht Design Seguem algumas fotos que tirei no meu cruzeiro em solitário do Rio a Angra.
Tenho também um filme mas como me mudei e ainda não tenho a banda larga
instalada não tenho como enviar.

Saí do Rio no sábado 4/9 as 05:00 horas com pouco vento. Levantei a grande para estabilizar o barco e fui a motor. Velocidade no GPS entre 5,5 e 6
nós.
Quando cheguei à Restinga começou a soprar um vento de noroeste e imediatamente abri a genoa. Esse vento, para a minha alegria, chegou a 25
nós. Não reduzi as velas e deixei o barco correr. Aliás, ele correu mesmo...

Chegamos a 8,4 nós de velocidade no GPS. Parecia um torpedo!!! O projeto realmente é incrível. O barco é muito seguro e apesar de bastante adernado (chegou a 40 graus) nunca tive a sensação de medo ou qualquer dificuldade em caçar ou folgar as velas sozinho.

Cheguei ao Saco do Céu relativamente cedo e fui dar um mergulho para esfriar o sangue. Depois deitei no cockpit e apaguei. Por volta das 0:00 horas fui para
a minha cabine quentinha e confortável até que .... as 04:30 acordei com o vento uivando nos estais. Saí rapidamente e não consegui enxergar nada, pois
estava realmente um breu total.

Liguei o motor, subi o ferro (fico feliz em ser exagerado, pois o ferro Bruce de quinze quilos, mais vinte metros de corrente de sete milímetros numa profundidade de sete metros não deixou o barco garrar). Então liguei o chart plotter (êta aparelhinho maravilhoso!) que me guiou com total segurança (com 35 nós de vento
sudoeste) até a sub-sede do ICRJ em Angra dos Reis onde o barco ficará de agora em diante.

Logo após sair do Saco do Céu liguei o VHF onde ouvi o operador do Colégio Naval trocando mensagens com um rebocador da Petrobras. Eles não sabiam da posição de dois veleiros que garraram. Eu entrei na conversa e passei a posição dos dois veleiros que estavam ancorados a 100 metros de mim e imaginei que fossem esses, pois quando cheguei estavam emparelhados utilizando apenas  uma âncora. Pelo que pude ouvir, ambos barcos foram parar na praia.

O vento chegou a 35 nós no meu wind-speed. Mais uma vez meu barquinho se mostrou (quase) indiferente a mar grosso e vento forte. Viva o pessoal da B & G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design no Brasil) Não há dúvida que o Zait é uma bela máquina com todo o conforto, velocidade e segurança que um barco desse nível deve oferecer ao(s) seu(s) tripulante(s).

Abraços
Daniel Sequerra

Zait

O interior do Samoa 34 é muito apreciado por seus proprietários

***

Outra nota sobre um barco da classe se refere ao Brasa, que está sendo construído em Joinville pelo  advogado aposentado João Scuro e por sua esposa Maria. De brincadeira costumamos dizer entre amigos que alguns de nossos projetos para construção amadora podem ser construídos até por advogados. Aí não vai preconceito algum, sendo a brincadeira baseada no raciocínio de que quem está mais acostumado a trabalhar com retórica não tem a mesma afinidade com trabalhos manuais como pessoas de outras profissões, como engenheiros, arquitetos, etc.  

Pela limpeza como é mantido o galpão onde João Scuro e sua esposa estão trabalhando dá para ver como o casal é caprichoso. Quando a obra terminar eles irão morar a bordo e alugar o galpão para contribuir com suas aposentadorias

Mas o Samoa 34 já é um barco que para construí-lo requer uma boa dose de habilidade e competência, e João Scuro e sua esposa Maria nos fizeram morder a língua. Acontece que poucos barcos se igualam em qualidade a esse que os Scuro estão construindo absolutamente sozinhos. Que espetáculo de construção!!! Os Scuro, pelo lindo trabalho que estão realizando, merecem toda a felicidade do mundo quando seu barco estiver navegando e estiverem morando a bordo. Para se avaliar o grau de determinação do casal, vejam na foto acima o lindo galpão que construíram com um quarto ao lado, onde dormem. Eles trabalham o dia inteiro, sem trégua, e o progresso da construção avança num ritmo de dar inveja a muito estaleiro profissional!

Dá para acreditar que esse casco foi construído por um casal de amadores sem experiência prévia e sem ajuda de ninguém?

Quando o Brasa ficar pronto e estiverem morando a bordo, poderão colocar uma roleta na gaiuta principal e cobrar entrado dos que quiserem saber como se faz um barco.

Os Scuro têm razões de sobra para estarem orgulhosos com o trabalho que estão realizando. 

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No início de setembro publicamos uma matéria sobre a participação expressiva dos barcos do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design Internacional) com então dezesseis barcos inscritos na regata Recife – Fernando de Noronha, edição 2010. Naquela nota comentamos a inscrição de três Cabo Horns 35 MKII na competição. Nesse artigo vamos falar sobre os dois Samoas 34 inscritos: o Luthier e o Arandu.

Esses nossos dois projetos, o Samoa 34 e o Cabo Horn 35 MKII, concorrem entre si pela condição de projeto preferido por nossos clientes para veleiros desse porte. Afinal 34/35 pés é um tamanho maravilhoso, já suficientemente grande para permitir um respeitável conforto, ainda sendo pequenos bastante para não serem excessivamente caros. Não é, portanto, por acaso que entre as duas classes já estejamos atingindo as setenta unidades (setembro de 2010) sendo construídas ou já navegando. Para nós é indiferente qual a escolha que nossos clientes fizerem. Ficamos contentes de uma forma ou de outra. O que nos emociona de verdade é vê-los competindo entre si numa regata prestigiosa como a Refeno.

É verdade que o Samoa 34, sendo um pouco mais regateiro, deva andar mais na regata, mas isso é o que menos importa. O que conta mesmo é o fato de ambos serem oceânicos e confortáveis e estarem participando da regata mais cobiçada do hemisfério sul.. Deve existir um fator telúrico qualquer que impele certos casais aposentados a realizarem verdadeiras obras primas ao empreenderem uma construção amadora de um veleiro com a intenção de morar a bordo e em seguida sair mundo a fora. A classe Samoa 34 tem vários desses exemplos. O casal Dorival e Catarina Gimenes é uma bela prova disso. Dorival é engenheiro eletrônico, e por hobby, afinador de pianos. Talvez seja por isso que perfeccionismo faça parte de seu DNA.

O Samoa 34 que ele e sua esposa Catarina construíram no jardim de sua casa em Campinas, assim como os Scuros, sem ajuda de ninguém, ficou uma coisa de cinema. Quase como num caso de "deja vue" eles também planejaram e agora estão realizando o sonho de se mudarem de mala e cuia para bordo, e desde o lançamento do Luthier estão realizando esse sonho, aproveitando a vida do jeito que desejaram. Em 2009 o casal participou da Refeno, ganhando a regata em sua classe, a bico de proa, e agora em 2010, lá estarão de novo, dessa vez com a responsabilidade de defender o título de campeões. (Veja a matéria sobre a vitória do Luthier na regata de 2009 em nossa seção "Todas as notícias.")  

Luthier é um barco feito com muita classe e bom gosto. Sem duvida faz jus ao nome

Luthier foi o vencedor da Recife to Fernando de Noronha, classe bico de proa, em 2009.
Esse ano além de disputar a regata com iates de outros modelos, terá outro Samoa 34 com o qual poderá fazer um match-race.
 

Dorival e Catarina já estão vivendo a bordo há quase dois anos. Para compartilhar com outros essa experiência criaram um blog bem legal: www.veleiro.net/luthier/.
O interessante é que os dois escrevem sobre os mesmos temas, cada um com sua visão. Para quem sonha com esse tipo de vida vale a pena seguir as aventuras do casal Gimenes.

 

Dorival e Catarina recebendo o troféu pela vitória na Refeno de 2009

***

O outro Samoa 34 que estará competindo esse ano é o Arandu. Esse barco é o primeiro Samoa 34 a ser construído com a opcional cabine longa, uma alteração que oferece mais pé direito na cabine de proa, mas que, como na história do cobertor curto, perde a possibilidade de uma visão de 360° para o exterior, além de ficar sem o simpático convés corrido à frente do mastro. Mas como as duas versões fazem parte do projeto, podemos ficar fora dessa escolha, deixando para nossos construtores decidirem o que preferem. Geraldo é um engenheiro aeronáutico que trabalha no departamento comercial da Embraer. Como viaja o mundo todo a trabalho, fez por aí muitas amizades com gringos que também gostam de velejar.

Outro dia ele levou um belga que possui um barco de construção em série maior do que o Arandu para fazer um cruzeiro pela Ilha Grande. O belga ficou maravilhado com o conforto e o desempenho do barco, e de sobra, por ser um cordon-bleu, ainda brindou a tripulação com fantásticas refeições preparadas na ampla cozinha de bordo

 

Arandu ancorado na Ilha Grande. Agora ele estará acrescentando umas duas mil milhas em seu diário de bordo e ainda terá a oportunidade de fazer a regata mais charmosa do hemisfério sul.  

A filha de Geraldo está gostando bastante da experiência de tripular o Arandu  

A classe Samoa 34 está se espalhando rapidamente. Já temos dezenas de barco em construção ou navegando na América do Sul, na Europa e nos Estados Unidos. Alguns deles estão sendo construídos em lugares exóticos, como o Samoa 34 que nosso amigo Jayme Bubolz está construindo no Tocantins e outro que está sendo construído na Serra do Caparaó, a quase dois mil metros de altitude. Se você sonha com um barco para grandes aventuras ao alcance do construtor amador, o Samoa 34 poderá ser uma boa opção.  


Samoa 34 Zait. Um veleiro madeira/epóxi

Zait, um dos mais lindos veleiros já construídos a partir de nosso projeto Samoa 34, finalmente teve sua velejada inaugural oficial. Nosso amigo e cliente Daniel Sequerra nos enviou um e-mail contando o acontecimento, assim como um pouquinho da sua história, e também de seus novos planos:

 

Querido amigo Cabinho, 
Acho que vou fazer um histórico resumido do Zait para que seja um incentivo a loucos como eu. 
Meu primeiro contato com vocês foi no dia 17/8/2004 através de um e-mail com todas as perguntas possíveis e imaginárias sobre os diversos projetos e materiais de construção.

 Diana e eu estávamos em dúvida entre o Samoa 34 e o Samoa 36, mas já tínhamos absoluta certeza de duas coisas:

      1)       Seria construído pelo Flávio Rodrigues: www.flab.com.br

      2)       Que seria feito em madeira/epóxi

No dia 20/1/2005 efetuei o primeiro pagamento para a compra de madeiras ao Flávio e portanto estava decidido a "geração" de um Samoa 34.

Não há como dizer que Diana e eu somos pessoas totalmente normais, pois estávamos terminando a construção de uma casa que custou mais do dobro do valor inicial, planejando nosso casamento com direito a lua de mel e tudo mais (isso tudo por nossa conta ou melhor ... pra fora da nossa conta!) e nos metemos na construção de um barco que acabou custando 5 ou 6 vezes mais do que o planejado inicialmente. 

Claro que as finanças foram para o beleléu e até hoje ando as voltas com negociações e renegociações com os bancos por uso abusivo de cheques especiais e cartões de crédito. Mas um dia isso passa! 

Bem, vários anos se passaram, muitas mudanças foram feitas no projeto original e luxos abusivos foram incluídos no pobre do Zait, como ar condicionado, 2 geladeiras e 1 freezer elétricos, boiler, eletrônicos de última geração, holding tank (pois a Diana como bióloga jamais admitiria sujar uma baía ou um lugar cheio de banhistas, apesar de que 99% dos donos dos outros barcos estão se lixando para isso e não se incomodam de nadar lado a lado com o côcô do barco vizinho), guincho elétrico e todo o convés de teka.

O barco foi colocado na água na Marina Kauai em maio de 2009, mas na verdade só dei o barco por totalmente terminado no dia 6/2/2010. Ou seja, podemos dizer que entre escolher o projeto e tê-lo totalmente pronto demoramos cinco anos e meio. Nesse tempinho, Diana e eu nos casamos, tivemos a Deborah, depois o Nathan e a grande surpresa de ter a minha filha mais velha Helena vindo morar conosco.

 

Não deixei de velejar o Zait mesmo antes de estar 100% pronto. A viagem inaugural foi de Ubatuba ao Rio com mar agitado. Depois fizemos uma tentativa de levar o barco para Angra para fazer a parte de instalação do bímini e outros detalhes de acabamento, mas chegando em frente a praia de São Conrado fomos pegos por um sudoeste de 32 nós e mar grosso. Resolvemos voltar, mas não por qualquer falta de segurança ou confiança no Zait, mas sim pela nossa condição física que não se pode dizer que seja a ideal para enfrentar paulada por mais de 12 horas. Numa nova tentativa, fomos tranquilos até Bracuhy, e depois a Almada onde o Flávio tem uma casa paradisíaca.

 

A volta de Almada para o Rio foi novamente de paulada, mas desta vez fomos em frente e o Zait parecia que estava num mar de tranqüilidade, enquanto Miguel (meu sogro e grande companheiro de velejadas) e eu estávamos encharcados de tanta chuva que caía.

Ainda fui entre o Natal e o Reveillon a Cabo Frio e Búzios e depois desse passeio foi a tal inauguração com a Diana levando o barco para a sub-sede do ICRJ em Angra. 

É verdade que meu barco ficou um pouquinho pesado (exatos 8.000 quilos), mas anda muito bem, especialmente no través. Mas o que impressiona mesmo é a segurança do barco. Com todas as pauleiras que levamos, jamais caiu uma única gota de água salgada no cockpit. Aliás, acho muito interessante quando a proa do barco (finge) afundar, pois chega a um determinado momento em que tenho a sensação que existe uma mola que empurra a proa para cima com violência e isso dá uma segurança e conforto impares. Isso porque tenho um gurupés que deve pesar mais de 80 kilos, uma âncora de 15 kilos, 20 metros de corrente, um guincho elétrico que também é pesado pra burro e guardado sob a cama de proa tenho ainda a âncora reserva e mais 40 metros de corrente. Ou seja, a tal mola é muito, mas muito forte mesmo ... 

Um comentário interessante feito pelo Joabe, que é talvez um dos melhores pintores do ICRJ sobre o Zait (tive que subir a linha d'água por causa da poluição absurda da Baia de Guanabara). Ele disse que o Zait foi construído "a antiga" que quer dizer que não foram poupados nem materiais nem capricho nem tutu para construir o barco. Ficou admirado com a fortíssima estrutura do barco. A turma da equipe dele me disse para ter cuidado com as lajes, pois certamente o Zait seria capaz de quebrá-las sem sofrer um único arranhão! 

Tenho feito meus planos e tido meus sonhos de viagens com o meu querido barco (parece que ele tem alma e acho que essa sensação é porque é feito de madeira) mas por motivos profissionais estou tendo que adiá-los por um tempo. Por outro lado, a família cresceu e esse aumento populacional incrementa ainda mais esse crescimento, pois começam a vir os amigos e namorados e o barco vai ficando pequeno. Aliás, tenho um agradecimento público a fazer à minha filha Helena que combinou comigo de me acompanhar de Cabo Frio ao Rio com 3 amigos que me ajudariam. Os 3 amigos chegaram a sub-sede do ICRJ de madrugada e a minha querida filha fez o favor de dopá-los com Dramim. Não é necessário dizer que os três galalaus vieram dormindo o tempo todo e o boneco aqui trabalhando sem parar. 

Apesar de todo o amor, carinho e cuidado que tenho com meu barco, (minha mulher diz que é a minha "outra" família), estou me vendo um pouco pressionado pelo aumento famíliar para ir para um barco maior, pois o Zait repentinamente ficou apertado para tanta gente. Com essa possibilidade levantada, o Flávio já não atende mais o telefone e se esconde de mim como Drácula foge do alho, pois acho que ele não aguenta mais aturar um maluco que transformou um 34 pés num ... 34 pés com tudo que tem dentro de um 60 pés. O Cabinho vai saber dessa idéia ao ler este histórico e tenho a impressão que também vai fugir. O Luis é o único que não vai fugir, pois já fugiu faz tempo e está bem longe de mim.  

Enfim, alguém há de querer comprar um verdadeiro Rolls Royce dos mares e haverá neste mundo alguém que me ajude a convencer meu projetista e meu construtor favoritos a me receberem e criarem mais uma jóia sem igual. 

Escrito em 24 de fevereiro de 2010 por Daniel Sequerra.

Contato: daniel@veleirozait.com.br


Samoa 34 Biruta

Sempre acreditamos que, independente de quanto irá custar, um veleiro de cruzeiro feito para se morar a bordo e navegar com ele em viagens prolongadas não deve ser nem muito grande nem muito pequeno. Se o barco for muito grande, você pode se tornar um escravo dele, muitas vezes dependendo de ajuda de outras pessoas para operá-lo com segurança, além de ter que arcar com um custo alto de manutenção e muito trabalho a realizar. Por outro lado, se o barco for muito pequeno, fica mais difícil de estocar a bordo tudo o que se precisa para viver a bordo por períodos mais longos.  

O Samoa 34 é um bom exemplo de barco que fica exatamente dentro destes limites. Não é por acaso que a classe é tão popular entre nossos clientes que adquiriram esse projeto (veja em "todas as notícias" e em "clube" as várias matérias que já publicamos sobre ele). Para seus donos o Samoa 34 é o tamanho certo de barco para uma pequena família morar a bordo. Além disso, eles costumam rir com desdém quando comparam seus barcos com outros de mesmo tamanho construídos em série. Eles acham o Samoa 34 muito mais robusto, mais fácil de velejar com tripulação reduzida e mais fácil de ser mantido por não ter lugares de difícil acesso internamente. De um modo geral ele é mais confortável do que a maioria dos outros veleiros de trinta e quatro pés, graças ao seu total aproveitamento interno, da caixa da âncora ao espelho de popa.

Um bom exemplo de Samoa 34 que esbanja qualidade é o veleiro Biruta, inicialmente chamado Libertad. Esse barco foi construído sob encomenda estritamente dentro das especificações do nosso escritório pelo Estaleiro Franzen: www.estaleirofranzen.com.br. Nosso cliente inicial é um fazendeiro paranaense que mora muito distante do mar e tem seu tempo a prêmio. Por isso descobriu que, apesar de gostar de cruzeiro à vela, praticar esse esporte não era compatível com sua realidade. Por essa razão decidiu vender o barco que fizera com tanto esmero e dedicação.

O salão do Biruta mostra bem o aconchego que um interior de madeira envernizada proporciona ao ambiente.

O novo proprietário, Celso dos Santos, já era nosso cliente, uma vez que comprara os planos do veleiro metálico MC34/36. No entanto, quando descobriu que estava à venda um veleiro de tamanho quase idêntico prontinho para navegar, não resistiu à tentação e o adquiriu, rebatizando-o de Biruta.

A mesa de navegação do Samoa 34 possui um grande armário de cartas sob o tampo.

Que ele fez um bom negócio, sobre isso não resta a menor dúvida. Não é toda hora que se encontra um barco novinho em folha, construído por profissional de alto nível e tão bem equipado à venda no mercado. Nessas ocasiões a pessoa tem que ser rápida, senão irá descobrir, logo, logo, que o barco já tem um novo dono.

Agora Celso está livre para fazer com o Biruta o que bem entender, e com certeza já está curtindo bastante sua nova aquisição. Dê uma olhada no vídeo tirado por outro barco que o encontrou em uma de suas últimas saídas e observe como o Biruta parece estar solto na água, velejando com muita desenvoltura. 


Samoa 34 Arandu

 Desenhamos o Samoa 34, inicialmente Samoa 33, na década de noventa, quando o escritório ainda operava no centro da cidade do Rio De Janeiro.  Na época nossos campeões de vendas eram os projetos Samoa 29, hoje fora de linha, e Multichine 28, dois barcos fáceis e baratos de serem construídos por um amador, mas ao mesmo tempo capazes de proporcionar a possibilidade de até empreender uma volta ao mundo, se assim fosse desejado.

Isso aconteceu com o Samoa 29, com duas unidades que deram bem sucedidas voltas ao mundo em viagens fantásticas, na época, relatadas em nossas notícias no site, quando se mostraram totalmente adequados para realizar esse tipo de aventura. A classe MC28 que é mais recente, ainda não alcançou tanto sucesso, mas deverá trilhar o mesmo caminho, haja vista os vários barcos se preparando para isso, um deles, o Access, de Flavio Bezerra, que já alcançou o Caribe, por onde está navegando há mais de dois anos. (Você pode ler menções às viagens do Access, do Jornal e do Hypocampus em nossa seção "Hall da Fama").

Arandu e Soneca, dois Samoas 34 compartilhando o mesmo ancoradouro

Apesar do êxito desses modelos, nossa equipe desejava desenvolver um novo projeto, também ao alcance do construtor amador, mas para um tipo de cliente com um pouco mais de recursos, que, por diversos motivos, desejasse ter mais espaço a bordo. Afinal para cada poder aquisitivo existe um tamanho ótimo de barco, não é verdade?

No fundo estávamos visando principalmente o mercado do hemisfério norte, pois nos Estados Unidos e na Europa as pessoas interessadas na construção amadora para empreender cruzeiros oceânicos estão mais habituadas a navegar em veleiros de trinta e quatro pés para cima, não acreditando muito na capacidade de barcos na faixa dos 30 pés poderem proporcionar o mesmo grau de satisfação, o que acreditamos poder ser até um engano. No entanto sabíamos que ninguém iria querer assumir o compromisso de construir um veleiro oceânico se fosse para depois de pronto achá-lo acanhado.

Cockpit do Arandu iluminado por luz de lanterna. Um bom convite para uma festinha

Nossa previsão de mercado começou se materializando, uma vez que a primeira venda foi feita para um jovem americano morador no estado do Arizona. No entanto, para nosso espanto, a maioria dos clientes seguintes foi de brasileiros, onde já existem dezenas de Samoas 34 navegando ou em construção. Por outro lado o MC28 e o substituto do projeto Samoa 29, o Samoa 28, têm sido muito bem aceitos internacionalmente. Mas isso, imaginamos, deve ser porque o Samoa 34 ainda é pouco conhecido lá fora.

A mais recente matéria publicada em nossas notícias foi exatamente sobre a classe Samoa 34: o relato do veleiro Luthier que acaba de vencer a regata Refeno em sua classe. Logo em seguida, no entanto, recebemos um e-mail de um proprietário de um Samoa 34 recém lançado à água, o Arandu, do engenheiro aeronáutico Geraldo Macedo, de São José dos Campos, estado de São Paulo. Geraldo, por ter uma agenda que não lhe permite tempo livre para realizar uma construção amadora, contratou o Estaleiro Conrado, de Ubatuba, São Paulo, para construir o Arandu. O fato de Geraldo ser engenheiro aeronáutico e piloto da força aérea e estar apreciando as qualidades de seu novo veleiro, nos deixa muito felizes, pois ele sabe apreciar algumas características de projeto que são comuns aos dois ramos.

O salão do Samoa 34 é bastante espaçoso

O Samoa 34 possui duas versões de cabine. A original é a cabine enjanelada atrás do mastro com um imenso convés corrido à frente do mastro, e a opcional que segue até o camarote de proa, aumentando o pé direito neste compartimento. Geraldo, assim como alguns outros construtores, optou por essa cabine mais longa, que também é muito atraente.

Segue o e-mail enviado por Geraldo Macedo:
 
O Arandu recebeu o batismo de mar no início de setembro, encontrou o Soneca (Samoa 33 do Spinelli) no Sitio Forte e visitou diversos locais na Baia da Ilha Grande.

O convidado belga encontrou uma cozinha de dar inveja a alguns veleiros de 40 pés.

Tivemos a presença de um amigo e velejador Belga, veleja um Dufour 41, que muito admirou o barco, tanto o projeto quanto a construção feita pelo Estaleiro do Conrado.

Arandu na Ilha Grande. Primeiro cruzeiro depois da inauguração.

Além de nos ajudar no acerto das regulagens, o nosso amigo belga nos proporcionou refeições de altíssimo nível da culinária européia. Para um veleiro de cruzeiro tão reforçado, o desempenho está excelente, com velas da Performance Sails parece um barco regateiro no contravento.
A resposta do leme é imediata, muito suave e bem balanceado, que como piloto de aeronaves posso apreciar bem essa característica em um barco. Manobrando no motor o raio de giro é pouco maior que o comprimento do barco, a manobra em marinas apertadas como no Piratas Mall é muito tranquila.

 
A filha de Geraldo deve estar gostando no novo veleiro

Estamos no Refugio das Caravelas, em Paraty. Serás sempre muito bem-vindo, avise quando vier nessa direção.
Passo vários dias por semana lá, retorno a São José dos Campos pelo menos uma vez por semana, família e trabalho ainda não foram totalmente adaptados ao barco. Fotos do Arandu logo que recebeu estofamento e as velas, ainda no Saco da Ribeira:
 
http://picasaweb.google.com/geraldo.macedo/ARANDU?authkey=Gv1sRgCKrMw7zI9IbqBg&feat=directlink 
 
Viagem na Baia da Ilha Grande no inicio de setembro:
 
http://picasaweb.google.com/geraldo.macedo/VG20090831A0907?authkey=Gv1sRgCLmmh6LQ79ihbw&feat=directlink
 
Grande Abraço

Geraldo Macedo
Samoa 34 Arandu

***

A razão para tantos de nossos clientes, amadores e profissionais, serem capazes de construir bons exemplos de barcos da classe deve residir no fato do processo empregado na construção ser bastante simples e linear. Descobrimos com a experiência acumulada em todos esses anos dedicados à construção particular que o principal segredo para que a obra seja bem sucedida está nas primeiras fases do serviço. A obra precisa começar bem e ser gostosa de fazer logo no início e continuar assim até o fim. É como quando se lê um livro; se a historia fica menos interessante a gente deixa o livro de lado e vai fazer outra coisa. Na construção particular a vontade de passar para uma próxima fase e é o que impulsiona as pessoas. Não conhecemos um só cliente nosso que tenha encontrado dificuldade em laminar os doze pares de cavernas usando o desenho em tamanho natural recebido com as plantas e em seguida uní-las com strips, fechando o casco. Como especificamos fazer anéis fechados completando essas cavernas com os vaus de convés e cabine, além de agregar logo de uma vez todas as paredes transversais do mobiliário e divisório, a continuação da obra após a virada do casco é uma moleza.

Nossos clientes nem desconfiam que construção de embarcação de recreio possa não ser tão simples assim em todos os casos, mas seguem adiante na construção de seus barcos sem encontrar dificuldade, e foi exatamente isso que desejamos proporcionar-lhes.

Nós do escritório Roberto Barros Yacht Design (B & G Yacht Design Internacional) procuramos relatar em nossas notícias os principais acontecimentos da classe Samoa 34, pois afinal não é pouco empreendimento construir um veleiro desse porte e em seguida sair por aí navegando para qualquer lugar. Vocês que nos acompanham podem ter certeza que outros artigos sobre a classe aparecerão em nossas notícias no futuro.

Barcos construídos pelo método strip-planking sobre cavernas laminadas quando saturados internamente com resina epóxi são imensamente duráveis e estruturalmente podem ser verdadeiros tanques de guerra. Nossos construtores que já concluíram seus barcos estão curtindo bastante, e essa é a nossa melhor propaganda.

A simplicidade de construção do Samoa 34 tem proporcionado um fato curioso: muitos de nossos construtores fazem seus barcos praticamente sozinhos, as vezes tendo apenas a ajuda de suas esposas. Alguns de nossos clientes são aposentados, outros são fazendeiros vivendo em regiões remotas, mas todos trabalham com muita determinação colocando essas obras como prioridades em suas vidas. Esse perfil de construtores nos fascina e para exemplificar o que estamos afirmando mostraremos alguns casos típicos:

O paulista Rodrigo Ferher é físico por formação, mas atualmente trabalha como charter skipper a bordo de seu Samoa 34 Tanpopo, construído pelo estaleiro Flab, de Campinas, estado de São Paulo, www.flab.com.br, um construtor de alto gabarito que nos dá a honra de produzir barcos de nossa grife, sempre com muito esmero e dedicação.

Arutana Corberio é um desembargador aposentado que deixou o altamente intelectual trabalho de magistrado para ajudar a construir seu sonhado barco usando as próprias mãos para isso

Esse Samoa 34 está sendo construído pelo advogado aposentado João Scuro e sua esposa Maria, totalmente sozinhos, em um galpão na cidade de Joinville, onde moram num pequeno chalé ao lado do galpão, dedicando tempo integral à obra. Eles estão aplicando dois pares de strips por dia e a obra avança normalmente com uma qualidade de serviço impressionante.  Pelo andar da carruagem os Scuro devem estar concluindo a obra lá pelo fim do ano que vem.

Daniel Sequerra e sua esposa Diana sempre sonharam em possuir um veleiro de madeira. O pai de Daniel, um holandês com o gosto refinado típico dos cidadãos daquele país, possuía um veleiro da grife Sparkman Stephens, o orgulho da família. Quando Daniel soube do desenho do Samoa 34 decidiu que tinha chegado a hora de ter o seu sonhado veleiro. Agora o Zait já está navegando e é o novo orgulho da família Sequerra. Zait, assim como o Tanpopo, foi construído pelo estaleiro Flab

Mauricio e Márcia Iasi são dois jovens médicos que trabalham como cirurgiões num movimentado hospital de São Paulo. O trabalho em seu Samoa 34 é a terapia contra o stress da vida agitada que levam. Os Iasi pretendem viajar com o barco assim que terminar a construção.

Barco Libertad já ancorado em Angra dos Reis em sua viagem inaugural

Libertad é um Samoa 34 construído pelo Estaleiro Franzen, de Curitiba, Estado do Paraná. Esse barco já está navegando há um bom tempo e seu dono está bastante contente com ele. Zilmar Franzen consta de nossa lista de construtores que trabalham com nossos projetos, e é altamente recomendado por seus clientes

Luthier  é um Samoa 34 totalmente construído por seus proprietários, o casal Dorival e Catarina Gimenes, no quintal de sua casa em Campinas, São Paulo. Dorival é um engenheiro eletrônico e afinador de pianos, (note que a mesa de navegação se parece com um piano de calda), e sua esposa é artista plástica, talvez sendo por isso que o barco deles seja tão lindo. Já publicamos dois artigos sobre esse barco, o último ainda em nossa primeira página relatando a vitória do Luthier  na Regata Recife Fernando de Noronha de 2009. 


Samoa 34 Luthier na Refeno

Recebemos um e-mail enviado por Dorival Gimenes, que construiu praticamente sozinho o veleiro Samoa 34 Luthier no jardim de sua casa, em Campinas, São Paulo, e assim que o barco ficou pronto, mudou-se com sua esposa Catarina para bordo, onde vivem desde então. O passo seguinte foi programar um cruzeiro pela costa brasileira com o objetivo de participar da regata Recife – Fernando de Noronha. O e-mail relata  detalhes dessa história.

Amigos e projetistas do Samoa 34, o Luthier é realmente um barco de cruzeiro rápido, e vocês podem se orgulhar muito por tê-lo projetado.

Desde dezembro de 2008, quando ele foi para a água, só tem nos proporcionado alegria e bons resultados. Ganhamos a REFENO 2009 na nossa classe, Aberta B, e estamos conhecendo muitos lugares bonitos e interessantes da costa brasileira. Nossos relatos de viagem estão publicados no blog da página www.veleiro.net (blog.veleiro.net), administrada pelo comandante do Veleiro Yahgan, um Cabo Horn 35 que, feito há mais de 15 anos, navega tranquilo, tão novinho quanto o Luthier. Esses dois barcos são provas vivas de que a tecnologia utilizada, strip planking, é muito robusta e segura para construção amadora.

Mas não é só isso, durante nossa viagem, encontramos muitos MCs de aço, Samoas 29, MC 28 de plyglass, Aladin etc... Aliás, conhecemos um MC 28, construído por um mergulhador de Vitória-ES, muito caprichado. Também vimos barcos do escritório feitos em estaleiros profissionais e artesanais.

Preparação para a largada da Refeno 2009

Em todos os portos que vamos, o Luthier desperta curiosidade. Sempre que dizemos que fomos nós que o construímos, as pessoas começam a olhar o casco, e ficam com aquela cara de dúvida e, invariavelmente, perguntam: mas é de madeira, mesmo? E lá vamos nós, mostrando o barco e as fotos da construção aos incrédulos. Em seguida, perguntam do tempo de construção, custo, dificuldade, etc.,e finalmente, se minha mulher topa viver no mar.

Luthier  navegando no contravento

Para tempo de construção, custo, dificuldade, etc., eu tenho algumas respostas e indico o site do escritório, dentre outros, como referência. Já sobre minha mulher, digo que ela ajudou na construção, e adora nosso baby, como ela chama o Luthier.

Dizem que os barcos têm alma, deve ser assim mesmo, o Luthier é inquieto, não gosta muito de ficar em "píers", prefere poitas ou âncora, e gosta mesmo é de navegar. Viajar com o Luthier é muito confortável. Desenvolvemos velocidade média de seis nós, e, dependendo do mar, é claro, pode-se navegar a 7 nós, sem forçar nenhum equipamento.

Com as velas bem ajustadas, o leme fica tão leve que o piloto automático quase não gasta energia para comandá-lo. Muitos outros cruzeiristas já me disseram que essa é uma característica típica dos projetos de vocês.

Mesmo sendo a casa de Dorival e Catarina, o Luthier é muito veloz para um veleiro de cruzeiro de 34 pés

Construir um barco e sair por aí cruzeirando, ou mesmo, que seja para curtir os finais de semana, vale a pena, mas, tem que ter muita dedicação, planejamento, capricho, e controle da ansiedade e se conformar com o fato que, durante a construção, o escritório estará trabalhando e lançando novidades e atualizações nos seus projetos, o que vai causar um certo desejo de mudança de idéia para um outro projeto, como ocorreu comigo, quando foi lançada uma nova versão do Cabo Horn 35. 

Vale a pena resistir. Terminar uma obra é uma sensação indescritível de prazer, e aí é que as opções de lazer se abrirão com um marzão a conquistar e conhecer.

Além da construção, é necessário estudar muito, navegação, meteorologia, procedimentos de segurança e primeiros socorros, etc.. Afinal, um bom barco precisa de um capitão à sua altura. Sempre temos o que aprender e sempre haverá um lugar para conhecer. Existe muita gente boa e interessante nesse caminho.

Dorival

A bordo do Luthier

Ser o vencedor em sua classe com um barco feito com as próprias mãos no jardim de casa, não tem preço. Catarina e Dorival recebendo o prêmio de primeiro lugar


Samoa 34 Zait - vídeo do lançamento

Flavio Rodrigues, o diretor dos estaleiros Flab, www.flab.com.br, orgulhosamente anuncia o lançamento do Zait à água. Recentemente publicamos em nossas notícias a matéria – "Samoa 34 Zait, um toque de classe na construção madeira/epóxi", reportando a conclusão dessa obra. Agora divulgamos o vídeo produzido por seu filho Ivan Rodrigues, com direito a música especialmente composta para o evento. Daniel Sequerra, proprietário do Zait, é o iatista mais contente com seu barco que conhecemos.

Parabéns para o Flavio, pelo excelente trabalho, para o Ivan, pelo vídeo artístico que produziu e para o Daniel, pelo lindo barco. Veja a mensagem e o vídeo em seguida:

Aos meus amigos.
Dia 02 de junho, terça-feira passada, mais uma vez tive a oportunidade de sentir a emoção de lançar um barco ao mar.

O ZAIT, do nosso querido amigo Daniel, flutuou delicadamente e como se já soubesse que o mar será seu mundo, navegou belo e formoso ao comando do seu capitão.

Foi um breve momento, porém o suficiente para demonstrar a grandeza e a soberania  do projeto do SAMOA 34  dos mestres Roberto Barros e Luis  Gouvêia.

Com a intenção de compartilhar esta emoção com todos os amigos, convido-os à visitarem o filme do momento em que o ZAIT foi ao mar.

Flavio Antônio Rodrigues
Tel: 019 97676161

CLIQUE NA FOTO PARA ASSISTIR O VIDEO


Samoa 34 Zait, um toque de classe em construção madeira/epóxi

Deve existir alguma coisa lúdica sobre o Samoa 34. Por alguma razão quase exotérica, cada novo barco deste desenho se sobressai como uma obra de arte em construção madeira/epóxi, ao ponto de interessar revistas especializadas em publicarem matérias sobre eles. Há pouco tempo escrevemos um artigo sobre o lançamento do Luthier, um Samoa 34 de construção amadora tão bonito que o nome que mais se adequaria chamá-lo seria sem dúvida o seu. As fotos mostradas no artigo que escrevemos sobre ele: "Samoa 34 Luthier, um veleiro bem afinado" (veja o artigo rolando a página: Todas as notícias), são uma boa testemunha de nossas palavras.

Zait, o mais recente membro da classe é mais um Samoa 34 para confirmar essa tradição. Construído pelo Estaleiro Flab, de Campinas, estado de São Paulo, esse novo Samoa 34 é motivo de grande orgulho, seja da parte de seu construtor, Flavio Rodrigues, seja de seu dono, Daniel Sequerra.

Daniel é um apaixonado por barcos clássicos construídos em madeira, desprezando solenemente os barcos de plástico de série tipo saboneteira. Quando chegou a hora dele escolher um iate para cruzeirar com sua família, não hesitou um segundo para escolher o Samoa 34 dentre nossa lista de planos de estoque. Não que o projeto do Samoa 34 seja o de um barco clássico, o que ele definitivamente ele não é, mas por ser um barco de madeira e com ele trazer agradáveis lembranças de sua infância e juventude, quando velejava a bordo do iate de seu pai cujo interior era todo envernizado.

Quando conhecemos Daniel ainda trabalhávamos no escritório do Rio de Janeiro. Naquela época não conhecíamos sua obsessão por designs de linhas clássicas.

Quando ele estava procurando entre nossos projetos de estoque, assim que bateram os olhos no Samoa 35 ele disse: esse é o barco!

Quando ainda era garoto costumava velejar com seu pai num veleiro com a assinatura Sparkman Stephens, o orgulho da família, e as boas memórias daquelas velejadas nunca se apagaram.

Daniel nos pediu que o indicasse um construtor para seu barco e sugerimos que visitasse o estaleiro Flab para conhecer de perto o bom trabalho que aquele estaleiro realizava. Assim ele fez e em um piscar de olhos o Zait já estava sendo construído. Somente bem depois foi que, navegando em nosso site, Daniel descobriu nosso Aventura 40, o barco clássico que desenhamos mais para vencer o desafio de fazer um barco exatamente no estilo da década de cinqüenta, mas com métodos de construção atuais.

Se soubesse de antemão da existência deste projeto, o Aventura 40 teria sido sua escolha inevitável. Mas então já era muito tarde, agora só restando a possibilidade dele um dia querer fazer um novo barco.

Mas nada iria deter o tremendo entusiasmo de Daniel em construir o mais sofisticado Samoa 34 já fabricado. E é esse barco que orgulhosamente mostramos nas fotos no fim deste artigo. Vocês poderão constatar como o Zait é de fato uma verdadeira obra de arte.

Se existe uma unanimidade entre os donos de Samoas 34 é o fato de que seu comprimento, sua área vélica e seu peso total estão próximos do máximo para que um casal possa manobrar sem ser muito cansativo. Por outro lado o layout interno é praticamente o de um pequeno apartamento, com acomodações práticas e confortáveis da antepara da proa até o espelho de popa. O pé direito em todo o barco é excelente, o barco tem duas cabines com cama de casal, o banheiro é suficientemente amplo para que se possa tomar um bom banho de chuveiro e a cozinha é o sonho de um cordon bleu que goste de velejar. Para completar, uma cabine toda enjanelada permite uma visão de 360° além de proporcionar uma ampla ventilação natural.

No entanto se o Samoa 34 não fosse um bom veleiro comparado a outros barcos de cruzeiro produzidos em série, sua fama não seria tão consagrada. Nossos clientes que construíram um desses barcos não cansam de elogiar sua performance, especialmente nos ventos mais fortes, colocando como principais virtudes do modelo a boa estabilidade e seu leme levíssimo em qualquer condição de tempo.

Clique nas fotos para ampliá-las

Samoa 34 Luthier. Um veleiro bem afinado

Em 2003, eu e minha esposa decidimos que iríamos nos preparar para morar a bordo de um veleiro, e empreender cruzeiros pela costa do Brasil. Para isso, era necessário o preparo de diversos itens: finanças, família, e, certamente, um veleiro adequado. Desejávamos um veleiro com boa capacidade de armazenamento de água, local para baterias, aposentos confortáveis, seguro, marinheiro, ou seja, um sonho, onde tudo começa.

Tínhamos um bom veleiro de 33 pés, um projeto antigo, que não atendia nossas necessidades futuras e, sendo assim, decidimos procurar por um que pudesse ser reformado. Encontramos um Cabo Horn 35, feito de madeira revestida com fibra de vidro e resina epóxi, muito bonito, mas, tinha algumas pequenas avarias no costado que eu não sabia avaliar. Entrei em contato com os projetistas da RBYD, Cabinho e Luis, e, enquanto eu tirava minhas dúvidas, algum felizardo comprou o barco.

Esse evento fez com que o sonho se ampliasse, incluindo a construção do veleiro. Conversando com os projetistas, decidimos pelo Samoa 34.

As plantas datam de 19 de junho de 2004. Um mês depois comecei a preparar os gabaritos e a laminar as duas primeiras cavernas da seção 0. Em 12 de dezembro de 2008, quase 4 anos e meios depois, seguidas todas as etapas previstas no roteiro, o Luthier foi lançado ao mar, faltando ainda a instalação de alguns itens de eletrônica e a montagem dos cabos das velas no convés, sem falar na arrumação de todas as nossas coisas, porque já viemos para morar a bordo.

A construção amadora, no quintal de casa, sem ajuda profissional, não foi uma opção, mas a única solução, porque morávamos em uma chácara distante 15 km da cidade, mal servida de transporte coletivo, o que dificultou a contratação de mão de obra. Contribuiu para a construção amadora do Luthier a minha experiência anterior com trabalhos manuais em madeira, utilizando apenas ferramentas manuais e elétricas portáteis. Para isso, optei por pré-cortar as madeiras e tupiar os strips em uma marcenaria, de acordo com as medidas da lista de materiais. Os estofados, ferragens, e fundição da quilha foram contratados de terceiros.

O importante é realizar cada etapa da construção com bastante cuidado, para que o resultado final fique bom, e, como diz o Cabinho, sem atalhos.

O acabamento do interior do Luthier é simples, mas bem adequado às nossas necessidades.

A construção amadora, com ou sem ajuda profissional, ou em estaleiro, permite que o conhecimento que se tem da embarcação facilite em muito a futura manutenção. Pode-se ainda fazer pequenas alterações para melhor adequar a embarcação ao seu uso, desde que não altere a estrutura, a estabilidade, e, certamente, com a aprovação dos projetistas.

O Luthier é o resultado de muito planejamento, estudo e dedicação, que materializou um projeto da RBYD, e que tem produzido comentários muito interessantes. Impressiona muito o pé direito da cabine e do banheiro; a cozinha é a preferência das mulheres por ser bem localizada, ampla, e com bons armários. Os velejadores gostam do convés limpo, e da organização dos cabos e ferragens.

O lançamento do Luthier ao mar é a primeira parte do sonho. Agora vamos iniciar as rotinas de manutenção, melhorias, tentar manter a lista de tarefas administrável, e aprender a morar a bordo, porque já deu para perceber que barco não é uma casa.

Morar a bordo, diferente da percepção de muitos leigos, deixa o dia cheio de atividades, com a manutenção, planejamento dos consumos de viveres, água, combustível e energia, acompanhamento das condições do tempo; quando sobra tempo, balançar em uma rede e, claro, velejar.

Estamos muito satisfeitos com o Luthier, fruto de um projeto cuidadoso, dedicado ao velejador de cruzeiro. Parabéns aos projetistas pelo desenho do Samoa 34.

Dorival
A bordo do veleiro Luthier

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Samoas 34 Tanpopo e Libertad, dois belos veleiros construídos com madeira/epóxi

Acabou de ser lançado à água o Tanpopo, um Samoa 34 construido por Estaleiros Flab, www.flab.com.br, de Campinas, estado de São Paulo. Tirando proveito da excelente qualidade da mão de obra regional e da disponibilidade local de madeiras nobres, Tanpopo foi construído com o máximo capricho se transformando no sonho de consumo de qualquer apreciador de barcos construídos com madeira e epóxi. Nosso cliente desejava possuir um barco utópico no que concerne qualidade de construção e acabamento, enquanto Flávio Rodrigues, um construtor relativamente novo no ramo da construção de embarcações de recreio, desejava mostrar todo o seu potencial como um excelente construtor de barcos de madeira/epóxi.

Visitamos algumas vezes o estaleiro durante a construção do Tanpopo e pelo andar da obra já esperávamos que a qualidade final do barco viesse a ficar fora de série. Uma de nossas visitas foi para a festa da virada do casco, quando muitos convidados participaram de um animado churrasco. Na época publicamos este evento em nossas notícias ilustrando a matéria “Virada de casco” com muitas fotos, agora arquivada no botão clube do projeto Samoa 34. Naquela ocasião a grande quantidade de convidados que compareceu ao churrasco jogou nas costas do Flávio uma enorme responsabilidade pelo resultado da obra. Mas sem dúvida Flávio sabia o que estava fazendo. Tanpopo ficou tão bem acabado que certamente irá se tornar um clássico da classe Samoa 34 quando construção em madeira se tornar tão cara que somente os muito ricos poderão se dar ao luxo de optar por esse processo construtivo.

Nosso amigo tem ambiciosos planos para seu novo barco, mais do que uma volta ao mundo ele deseja sair para uma volta pelo mundo. Estamos seguros que não importa onde Tanpopo ancorar ele sempre será considerado um iate de acabamento soberbo.

Paralelamente, enquanto Tanpopo estava sendo construído, Zilmar Franzen, outro construtor profissional de barcos em madeira/epóxi radicado em Curitiba, fabricava outro Samoa 34, este para o empresário do setor de transportes paranaense Nehemias Francisco de Sales, com o mesmo padrão de qualidade produzido pelo estaleiro Flab. Foi assim que por coincidência praticamente na mesma semana foram para a água o Libertad e o Tanpopo.
Nehemias nos enviou este e-mail contando de sua felicidade com seu novo barco:

“Está aí mais um filho vosso navegando. Compartilho com vocês esse momento de muita felicidade. Meus agradecimentos pela atenção e podem ter certeza, por onde o Libertad estiver, levará o nome do já conhecido escritório Yacht Design.”

Obrigado Nehemias. Desejamos a você e ao Rodrigo grandes aventuras com seus reluzentes Samoas 34.

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TEMPORADA DE VIRAGEM DE CASCOS.

Não se trata da temporada de caça a tartaruga, e sim do terceiro Samoa 34 virado nas últimas duas semanas. Desta vez foi o barco do Danele Cequera, construído pelo estaleiro Flab.
Veja as fotos do churrasco de comemoração.
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Caro Cabinho, Astrid e Luiz

Bailong fez o seu teste oceânica vindo de Ubatuba até Fernando de Noronha, participando da regata REFENO. Gastou em torno de 52:30 para fazer a travessia Recife-Noronha. O tempo gasto não foi das melhores. Considerando o barco de primeira viagem e em teste, assim evitamos de forçar, até que o resultado não foi ruim. Não quebrou nada no barco, apesar das caturradas violentas e seguidas no trecho Vitoria-Salvador quando tomei a decisao de retornar, temendo o estado da tripulação e barco. As portas abriam e fecharam sem problemas, nenhum rangido, realmente muito robusto.

A tripulação na regata foi de 5 pessoas o que considero quase no limite de conforto nas travessias para o barco, pois com as adernadas a utilização da cabine de popa começa a ter limitaçoes, isto é, apesar de caber 2 pessoas com folga com barco na posição horizontal, com barco adernado a tendência é o efeito *sadinha em lata*, futuramente pretendo instalar uma rede para divisão.

Outro destaque do barco foi o espaço para bagagens e mantimentos. 5 pessoas para 10 dias é tranquilo, nem ocupei metade da capacidade do barco.
Em suma, Samoa 33 é um barco para cruzeiro nota dez para sua classe.

Abraços

Kazuo Haraguchi


Estaleiro Flab se Prepara para Lançar ao Mar mais uma “Obra de Arte”.

Ficou pronto mais um barco construído pelo estaleiro Flab e como já é marca registrada desse estaleiro, o trabalho ficou uma verdadeira “obra de arte”.  O barco é um Samoa 34 e será o primeiro deste modelo a ir para a água. 

A beleza da marcenaria interna, o cuidado com as instalações, a perfeição do acabamento externo são algumas das qualidades que podem ser vistas nas fotos a seguir, mas a fraternidade do contato pessoal só mesmo indo ao estaleiro para conhecer.

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SAMOA 34 DO DORIVAL JÁ ESTÁ VIRADO.

Caros amigos da Roberto Barros Yacht Design,

Espero que tudo esteja bem com vocês e todo o pessoal do escritório.
Hoje, 05 de agosto de 2006, pouco mais de dois anos do início da obra, virei o casco. Seguem algumas fotos de antes e depois, porque durante a virada, devido à preocupação, não lembrei de tirá-las.

Ocorreu tudo bem. Agora vou construir um novo abrigo envolta dele para dar seguimento ao trabalho.
Obrigado pela ajuda de vocês e parabéns pelo projeto.

Abraço, Dorival
Fora da garagem
Removendo o picadeiro
Vista da Proa
Detalhes do Interior
Vista da Popa
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* Fotos de Dorival.

EMAIL DO ARUTÃNA.

Caros Luis, Cabinho e demais membros do escritório.
Ontem, 01/08/2006 às 14:00, precisamente 01 (um) ano, 02 (dois) meses e 01 (um) dia, do início da construção do casco do CUBERIA, nós o viramos.A alegria foi enorme, principalmente pelo fato de termos acertado na compra do projeto de vocês. A forma do casco, a beleza de sua curvatura e a sua imponência, deixa transparecer que será um excelente barco, precisamente na hora de mar grosso.Já pelas fotos, face às pequenas imperfeições, todos poderão perceber que a construção é verdadeiramente de um amador.
Mas vocês, Luis e Cabinho, devem ficar orgulhosos, [único barco que eu e todos, os que me ajudaram a construir o casco do CUBERIA, meus amigos já fizemos na vida foi aquele de papel, quando criança; mais parecia um chapéu], pois somente um bom projeto com coordenadas precisas possibilitam um leigo, um neófito realizar tal feito. Lógico que não ficou igual aos do nosso amigo comum Flávio (http://www.flab.com.BR/new/index.php), pois ele é insuperável na perfeição, zelo e cuidado.
Mas, o principal desta mensagem é agradecer-lhes por nos ofertar, com o trabalho de vocês, a possibilidade de podermos construir nossos sonhos, mesmo que não sejamos profissionais.
Abraços a todos.

Arutãna Cobério

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SAMOA 34 CONSTRUÍDO PELO ESTALEIRO FLAB AVANÇA EM SUA CONSTRUÇÃO

O Samoa 34 do Rodrigo Feher em construção no estaleiro Flab, de Campinas foi virado de cabeça para cima há menos de um mês. Olhem como já está adiantada a superestrutura! Pelo andar da carruagem lá pelo meio do ano o Rodrigo já deverá estar velejando e do jeito que o barco está ficando bonito, sem dúvida irá fazer muito sucesso.
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SAMOA 33 SONECA JÁ ESTÁ NAVEGANDO.

Ápos 10 anos de luta, finalmente nosso amigo Spinelli lançou seu barco ao mar em Ubatuda, litoral da São Paulo.
Parabéns Spinelli por sua força de vontade e pela qualidade de seu trabalho.

E-mail der Spinelli enviado a nós

A Viagem do estaleiro até a praia ( 3,5 Km ) foi feita em 45 minutos sem grandes contratempos. Até a coloção na água tudo bem. Para sair da carreta foi um perereco. O barco teria que sair de lado pois a quilha semi-asa não permite sair pela frente. O problema é que a proa saiu mas a popa não e o barco ficou preso no berço trazeiro entre a quilha, pé de galinha e leme. Parecia que o mar estava calmo mas marolas de 20 cm levantavam o barco 20 cm e o derrubavam sobre os flancos do berço traseiro. Hora do comandante ir para água em desespero e com o pé na area ajudar a levantar o casco enquanto os passageiros vão à proa. Depois de 15 minutos de luta DESESPERADA e ajuda do pesqueiro ROSA DE SHARON, conseguimos evitar o rombo no casco que foi a mais longa e aterrorizante batalha que tivemos ao longo da construção.
Quando finalmente o barco foi tirado da carreta a surpresa ficou por conta do cabo que prendia o barco no trator ter sido desamarrado sem ordem minha !?!?!
Com a maré vazante, o barco começou a bater no fundo e encalhou... Aí entrou em ação o Kazuo ( verdadeiro Samurai ) com o motor a vante e eu e mais dois marinheiros levantando a popa a cada onda que o Valente Soneca se fêz ao mar. BANZAI....
Sobre o motor e Marina escrevo no próximo e-mail que este já deu....
Abraços, Spinelli

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VIRADA DO SAMOA 34

Chegamos a Campinas às 8h da noite de sexta-feira e fomos direto para um bailão. Lá estavam vários construtores particulares, o Flávio e a Carmen do estaleiro Flab e seus clientes e amigos, todos esperando para ver a viragem do Samoa 34 no Sábado. Depois de muita dança e massa a curiosidade era muita.
No Sábado, o churrasco começou cedo no estaleiro. Além do Samoa 34 do Rodrigo Feher, estavam no estaleiro também o Multichine 28 do Piqueres e da Ivana, já na fase de acabamento do interior e o Samoa 30 do Álvaro, com o strip planking terminado. Depois de muitas fotos e conversas sobre construção e detalhes de acabamento, foi iniciada a viragem do barco. Com um mutirão de construtores particulares querendo ver como fariam a viragem de seus barcos, a mão de obra era muito maior do que a necessária. Afinal o Flávio havia bolado um sistema em que duas pessoas sozinhas poderiam fazer a operação sem fazer força. Foram fixados dois eixos, um no espelho de popa e outro na roda de proa. Esses eixos estavam apoiados em rolamentos. Daí foi fácil, só retirar a escora para transferir o peso do barco para os eixos e rodar, utilizando dois cabos, um para puxar e outro para segurar.
O grande susto foi quando o barco estava a 90 graus: ninguém imaginava que fosse tão grande! Parecia até um 40 pés. Rapidamente, mais de 20 pessoas já estavam lá dentro, e não pareceu cheio. O mais difícil foi convencer o Rodrigo a sair da nova toca. Resumindo, depois de muito churrasco, cerveja e dança, bastaram 5 minutinhos para o grande evento. E tudo terminou com um delicioso banho de piscina patrocinado pelo estaleiro Flab.
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A CONSPIRAÇÃO QUE DEU CERTO

1996, disputava a regata Recife-Fernando de Noronha. Sol bonito e tempo bom, com ventos de 15 nós na largada. Meu veleiro, com 10 anos de construído, um Samoa 29 encarou valente a competição. Tudo bem abordo. Ao cair da tarde o vento caprichou. Era como se a natureza falasse. Se querem competição aqui estou eu. Foi crescendo sua força. O mar não ficou pra trás. As ondas cresceram e começaram a quebrar. O velho Boré parecia não se incomodar com aquela situação. Afinal, já tinha estado em situações piores. Todo adernado, gritava pôr redução de área vélica Com esforço em plena escuridão da noite, trocamos a genoa 2 pela 3 e colocamos a grande na segunda forra de riso. O Boré, aliviado, seguiu o seu curso. Quase em pé, o piloto automático, agora mais calmo, mantinha a proa no arquipélago de Fernando de Noronha.
Depois da difícil operação, fui para a cama e comecei a conspirar contra o fogoso Boré. Com dez anos de boas velejadas, comecei a acha-lo desconfortável, pequeno e desengonçado. Aí veio o estalo. Preciso de um veleiro maior e mais confortável! Mas como fazer isto, se a grana está curtíssima? "Vendo o velho Boré, recupero um Fundo de Garantia que está inativo e arranjo outras sobras para completar o projeto. Naquele momento, praticamente tudo estava decidido. Iria abandonar o velho companheiro e construir ou comprar um barco maior.
De volta pra casa peregrinei pôr várias marinas, conduzido por corretores de barcos, que me apresentavam verdadeiras maravilhas à preços tentadores. Nenhuma delas chegava aos pés do valente Boré. A única saída pensei, era partir para um barco novo¨. Fiz contato com Roberto de Mesquita Barros, o Cabinho, que me informou estar concluindo um projeto de 34 pés, design moderno e interior muito confortável. Após analisar a planta enviada por fax, decidi. Vou construir o Boré Boré.
Negociado o projeto, recebi as plantas. Rapidamente abri o envelope e vi pela primeira vez um projeto arquitetônico de um barco. Eram plantas e mais plantas. Aí veio o primeiro desânimo: Descobri que não sabia interpreta-las. Esse negócio não vai dar certo pensei. Mais calmo pedi socorro ao engenheiro Marcelo Lemos, que paciente, duas vezes por semana, plantas espalhadas pelo chão, o esclarecia os mistérios daqueles riscos, números e escalas. A missão antes considerada impossível foi ficando mais fácil.
O passo seguinte foi contratar a mão de obra. Não queria nenhum ¨ expert¨ em construção naval. Então, contratei o artesão Jorge Conceição, entalhador de peças comercializadas no Mercado Modelo. Inteligente, observou o projeto e começamos de acordo com o manual do projeto a laminar às cavernas, vaus, etc... O espaço utilizado para montar a mesa de laminação foi na garagem da minha casa. Foram três meses de intensa atividade e início de alguns problemas. A serraria forneceu material fora das especificações, como sempre não queria se responsabilizar. Resolvi montar uma serra circular e cortar minhas próprias peças.
Vaus e cavernas prontas contratei o carpinteiro João Arcanjo, o Zito, para montar as seções e seguir as demais etapas da construção. Nova dificuldade. Os operários contratados não sabiam o que era popa nem proa. Nunca tinham trabalhado na construção naval. E poucas vezes tinham ido à praia. Agora, já todo compenetrado, fiz o papel do engenheiro e os ensinei a compreender a nova nomenclatura. O local previamente escolhido para toda a montagem do barco dói debaixo de um prédio abandonado e em final de construção localizado a cem metros da minha casa. A montagem do barco seguia em frente. O manual era a nossa bíblia. Vez em quando empacava. Pedia socorro ao Cabinho que, pacientemente, em longos papos telefônicos orientava a resolver os problemas encontrados.
Para ajudar nas despesas vendi o velho e querido Boré ao gaúcho de Porto Alegre Luis Felipe Badia, que veio a Salvador busca-lo. Capitaneado por Badia, retornou a Porto Alegre, onde foi construído por Paulo Mordente. Fui com a tripulação até Morro de São Paulo. Com muitas saudades me despedi do bom Boré. Retornei a Salvador de escuna.
De corpo e alma e com todo o gás, dediquei-me 'a construção do Boré Boré. Praticamente abandonei todas as minhas atividades. Continuava apenas a dar aulas na Escola de Belas Artes da UFBa, onde sou professor. Valeu a pena. Nos fins de semana os amigos nos visitavam. Tornei-me um ¨Consultor Naval¨. A cada sábado uma comemoração. Minha filha Gabriela, a mais entusiasmada pelo projeto, nos servia cervejas bem geladas. Uns, entusiasmados com o andamento da obra. Outros não acreditavam na sua finalização. Bons sábados. Concluí que a construção amadora de um barco requer fibra e obstinação. Qualquer pessoa é capaz. Os mistérios todos estão indicados nas plantas. Errei várias vezes, confesso, porém todos os enganos foram consertados a tempo.
Laminado o casco, seguiu-se à nova etapa. Foi desvirado com auxílio de um caminhão-munk. O medo era que o mesmo não suportasse tal operação. Ledo engano. Nada foi danificado. Iniciada a fase de construção da mobília, contei com o inestimável apoio da estudante do Curso Superior de Decoração da UFBa, Maricéles Nunes Lima, que, com muita boa vontade ia apresentando boas sugestões, tornando o interior do veleiro muito bonito e exclusivo.
Três anos depois o Boré Boré estava pronto para a água. Aí, nova preocupação: como conduzi-lo até o mar? Depois de analisar todas as possibilidades, contratei uma transportadora de serviços pesados que, com um guindaste e uma grande carreta o conduziu, para a baía da Ribeira. Em frente 'a Igreja Nossa Senhora da Penha, lentamente, o guindaste o colocou no mar. Foi uma grande emoção. Até não acreditava que aquele composto de peças montadas uma a uma estivesse dando certo. Flutuava. Rebocado para o Saveiro Clube da Bahia, foi colocado em uma carreta, levado para terra, onde se seguiu a colocação de quilha, leme, mastro, pintura de fundo, ferragens, etc.
Mais quatro meses se passaram. O Boré Boré tomava corpo. Com uma boa cerveja e muitos amigos, observamos o novo barco ir para o mar. Anna Carolina, minha mulher, as filhas Bethina, Gabriela, Carolina e Bárbara formavam a platéia mais entusiasmada. Os amigos capitaneados por Nelito Taboada soltavam foguetes. Uma verdadeira festa baiana. Só faltou o trio elétrico.
Terminada a colocação da interminável parafernália, fizemos a primeira navegada. Valente, o Boré Boré singrou, pela primeira vez, as águas da Baía de Todos os Santos. Eu, orgulhoso e feliz, sorriso largo, observou a performance do novo barco. Os pensamentos flutuavam. Saudades do Boré. O desempenho sereno e suave Boré Boré me faziam desviar das lembranças. Com ventos calmos, facilmente chegou aos 8 nós. A conspiração valeu a pena.

Ailton Sampaio
Salvador, Janeiro 1999